|
|
|
|
FELICITAÇÕES NO REGRESSO
|
|
|
|
O regresso do Chefe
Fernando Rodrigues à Escola Prática de Polícia (EPP) ficou
marcado pelas muitas mensagens “de parabéns e incentivo” que recebeu
dos amigos e companheiros de trabalho. |
|
|
|
Na quinta-feira de manhã, o graduado voltou a entrar pelo portão
principal da escola após quase seis meses de suspensão e foi
apresentar-se ao comandante da unidade, com quem esteve reunido
quase duas horas.
Depois, dirigiu-se à biblioteca, onde está destacado, e a primeira
coisa que fez foi “procurar os livros, circulares e demais
regulamentação”, publicados durante a sua ausência.
Ontem, Fernando Rodrigues esteve de chefe de dia à EPP, e
continuou a receber palavras de encorajamento. “As pessoas viram
que regressou um amigo e um profissional”, confessou ao Correio da
Manhã, sem disfarçar o orgulho pelo desfecho do longo processo,
iniciado em finais de 2000, com a denúncia das alegadas
irregularidades.
O graduado quer escrever um livro para perpetuar todas as suas
experiências, mas antes disso, acalenta a esperança de se tornar
professor no próximo curso de polícias. “Gostava de dar aulas
sobre regulamento disciplinar, direitos e deveres”, revelou
Fernando Rodrigues.
Com 57 anos, 33 dos quais ao serviço da PSP, o graduado foi
afastado da área jurídica da EPP, após ter acusado sete oficiais
de, alegadamente, terem recebido ajudas de custo, subsídio de
turno e piquete indevidos. Na denúncia, foi referida também uma
aquisição de material informático a uma empresa onde eram sócios
alguns dos oficiais suspeitos.
Apesar dos dissabores, Fernando Rodrigues diz ser um homem “feliz”.
|
|
|
|
|
|
|
Polícias defendem apuramento da verdade |
|
|
|
|
|
|
|
Chefe da Escola Prática Espera "Justiça" |
|
O homem que
denunciou, há dois anos e meio, práticas irregulares na gestão da Escola
Prática de Polícia, em Torres Novas, manifesta-se satisfeito com a
abertura de processos disciplinares aos alegados infractores, anunciada
na quinta-feira. Fernando Rodrigues, que nesse dia de manhã retomou o
seu lugar na biblioteca da Escola Prática de Polícia (EPP) depois de ter
sido suspenso durante seis meses, com perda de salário, disse à agência
Lusa esperar que se tenha iniciado agora a "reposição da justiça".
Cinco oficiais
superiores e 12 oficiais e chefes que desempenharam funções de gestão da
EPP estão a ser alvo de processos disciplinares ordenados pelo ministro
da Administração Interna, depois de um inquérito da Inspecção Geral de
Polícia, na sequência das denúncias de Fernando Rodrigues, ter concluído
pelo arquivamento.
Fernando
Rodrigues, que começou por exercer funções de adjunto da área jurídica,
quando passou das Brigadas de Investigação Criminal de Lisboa para a EPP,
em 1977, e depois, durante nove anos, de chefe da secretaria geral, de
que guarda um louvor por serviços distintos, disse à Lusa que viu nesta
escola "coisas que nunca tinha visto na vida".
Como exemplos
deu a existência de pessoas que recebiam ajudas de custo sem nunca
saírem da escola, a formação de empresas de material informático que
depois forneciam a escola "a preços ainda mais caros" do que em qualquer
loja da cidade, a utilização indevida de bens da escola, como
automóveis, entre outros.
Além destas
práticas, os procedimentos disciplinares agora ordenados irão também
apurar se houve gestão danosa, violação dos deveres funcionais,
favorecimento pessoal, peculato, falsificação de documentos e burla.
"Desde 29 de
Dezembro de 2000 que tenho vindo a denunciar [as práticas ilícitas]",
recordou, mas "infelizmente a tutela funcionou sempre como um sistema
corporativista". "Protegeram-se uns aos outros", disse, acusando os
directores de, em vez de actuarem, se terem juntado aos prevaricadores,
perseguindo o denunciante.
Fernando
Rodrigues dá "o benefício da dúvida" ao actual director geral, Mário
Morgado, e sublinha que o ministro da Administração Interna, a quem
expôs o seu caso a exemplo do que fez noutras instâncias, se mostrou,
desde logo, "preocupado e empenhado".
A verdade é
que os visados, "pessoal novo que entrou no jogo sujo", estão ainda no
gozo das suas funções, quando a legislação prevê que, em caso de
denúncia, sejam instaurados inquéritos, acusa Fernando Rodrigues, antes
de frisar que 99 por cento dos agentes "são profissionais e honestos" e
que é preciso "separar o trigo do joio". 
|
|
|
|
|
|
"Um Marco Histórico", Diz o Sindicato |
|
O presidente
do Sindicato dos Profissionais da Polícia (SPP) considerou ontem "um
marco histórico" o regresso à Escola Prática de Polícia do homem que
denunciou superiores daquela instituição e a abertura de inquéritos a 17
oficiais.
António Ramos,
que no último ano acompanhou de perto o caso do homem que denunciou os
oficiais (Fernando Rodrigues), disse à agência Lusa que, "pela primeira
vez na história da Polícia", se dá um desfecho destes para acusações
contra oficiais. "Até aqui, um agente que denunciasse um superior estava
arrumado", disse o sindicalista.
Sublinhando o
longo e complicado percurso para pôr termo a um caso que classificou de
clara perseguição, António Ramos disse que durante meses os oficiais de
polícia protegeram-se uns aos outros. O presidente do SPP lamentou que
as diligências internas, nomeadamente junto da direcção geral de
recursos humanos, nunca tenham resultado, "porque os visados eram
funcionários superiores".
Fernando
Rodrigues denunciou, no final de 2000, a prática de uma série de
irregularidades entre os responsáveis pela gestão da Escola Prática de
Polícia, em Torres Novas, da qual é funcionário há 26 anos. Desde então,
foi alvo de diversos processos, o último dos quais o colocou, em
Novembro, em suspensão preventiva, sem salário, e desarmado.
Para António
Ramos, a intervenção do sindicato no processo não foi para saber se
Fernando Rodrigues tinha ou não razão nas denúncias que fez, o que
compete aos tribunais, mas apenas "acabar com a perseguição" de que
estava a ser alvo. 
|
|
|
|
|
|
PSP Quer Reforçar Poderes e Liberalizar Procedimentos |
|
A Polícia de
Segurança Pública (PSP) quer reforçar os seus poderes para proceder a
revistas, buscas e identificações. Um pedido dirigido à Comissão
Parlamentar dos Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e
Garantias sugere que estes procedimentos passem a ser autorizados, nos
lugares públicos ou abertos ao público, sem que seja necessário
apresentar os actuais despachos judiciais.
Os
procedimentos em causa, segundo sugerem os responsáveis policiais,
deverão ser autorizados sempre que exista a suspeita da posse ou guarda
de objectos ou substâncias relacionados com a prática de um crime, em
lugares de diversão nocturna abertos ao público, em sítios habitualmente
frequentados por delinquentes ou onde tenha ocorrido qualquer crime de
natureza pública, nos locais onde se proceda à reparação ou
desmantelamento de automóveis ou dos seus acessórios ou onde haja
notícia de equipamentos eléctricos ou electrónicos usados e, por fim, na
via pública, em situações de perturbação da ordem.
Importante, de
acordo com a polícia, é também a possibilidade de - sem autorização
judicial - interpelar, revistar e efectuar buscas a suspeitos de posse
de droga. Dessa forma, conforme foi dito à comissão, pode ser evitada a
destruição de provas ou a colocação de entraves à sua obtenção.
As sugestões
da polícia interferem ainda com os tribunais. Assim, visando mais
rapidez nos julgamentos, é proposto que, em caso de flagrante delito,
sejam julgados em processo sumário todos os crimes puníveis com pena de
prisão até cinco anos. A mesma recomendação é feita para outros delitos,
como sejam o furto, o roubo e as ofensas dirigidas a elementos das
forças de segurança.
As declarações
dos arguidos durante os inquéritos ou na instrução deverão ser
consideradas pelos juízes (em julgamento) sempre que tenham sido feitas
na presença do advogado de defesa. Desse modo evitar-se-á uma prática
corrente em que só é tida como válida a prova feita na sala de
audiências. Em muitas ocasiões os réus negam no tribunal os depoimentos
prestados durante os interrogatórios policiais ou aos juízes de
instrução criminal.
Para "acabar
com a eternização dos processos", segundo expressão utilizada pelo
director nacional da PSP, Mário Morgado, é proposta a limitação do
âmbito dos recursos para o Tribunal Constitucional.
Os polícias
pretendem ainda ser menos requisitados pelos tribunais, sobretudo quando
estes determinam obrigações de permanência na habitação. Desse modo,
dizem, passam a ter mais efectivos disponíveis para outras tarefas.
No que
respeita às alterações ao Código Penal, as propostas apresentadas
reportam-se às ofensas à integridade física simples, ao furto e uso de
veículos e à criminalização da desobediência.
Em relação às
ofensas à integridade física, sugere-se que a simples tentativa, quando
dirigida a um agente da autoridade, deve ser considerada como crime. É
que as agressões a polícias são um problema antigo dentro da PSP e
apenas recentemente passaram a ser punidas.
O aumento do
furto de viaturas é, de acordo com os dados policiais, um dos crimes que
maior sentimento de insegurança geram. A PSP, preocupada com o facto de
este delito ter um elevado índice de impunidade em consequência da não
apresentação de queixa, sugere agora que o mesmo passe a crime público,
o que na prática significa que pode haver actuação dos agentes mesmo sem
existir participação.
Por fim, ainda
relacionado com o controlo de viaturas, a direcção nacional da PSP
propõe que os agentes da autoridade possam usar "meios que não violem o
princípio da proporcionalidade" sempre que algum condutor não acate a
ordem de paragem. Criminalizava-se assim a desobediência.

|
|
|
|
|
|
OFICIAIS REVOLTADOS COM CAÇA ÀS BRUXAS NA PSP
“Mais do que tristeza, há uma profunda revolta de
todos os oficiais face a uma situação que visa atingir pessoas que não
fizeram nada a não ser servir a instituição”. O desabafo, feito ontem ao
Correio da Manhã por um oficial da Escola Prática de Polícia (EPP), em
Torres Novas, reflectia o clima na instituição responsável pela formação
dos agentes da PSP, depois de ter sido anunciado que 17 oficiais e
chefes da EPP são suspeitos de corrupção e irregularidades graves,
denunciadas num relatório da Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI).
|
|
“Parece que vivemos num clima de
autêntica caça às bruxas. E isso gera um profundo mau-estar de todos os
oficiais e chefes da Escola”, adiantou o oficial da PSP, que pediu o
anonimato.
“O que sabemos é o que vem nas notícias. Diz-se que são 17 oficiais da
Escola. E eu sou oficial e posso garantir que nunca soube de nada, nem
nunca fui ouvido em nada”, acrescentou.
As notificações, contudo, deverão começar a chegar às mãos dos 17
suspeitos – cinco oficiais superiores e 12 oficiais e chefes – nos
próximos dias, dado que já estão nomeados os relatores que vão conduzir
os processos disciplinares mandados instaurar pelo ministro da
Administração Interna, Figueiredo Lopes.
Em causa estão acusações como falsificação de documentos, gestão danosa,
peculato, favorecimento pessoal, burla e falsificação de documentos. As
irregularidades foram denunciadas há mais de dois anos por Fernando
Rodrigues, um chefe da PSP colocado em Torres Novas e que anteontem
voltou ao serviço após seis meses de suspensão.
Segundo revelou ao CM uma fonte conhecedora da situação em Torres Novas,
“alguns elementos deslocavam-se um ou dois dias a Coimbra, onde davam
formação à Polícia Municipal, e recebiam ajudas de custo referentes a
cinco ou seis dias”. “Um até tinha casa na zona de Coimbra...”
Outra das acusações que constam no relatório da IGAI diz respeito
à compra de material informático, alegadamente adquirido numa loja
pertencente a um oficial e a um chefe da EPP a preços superiores aos
praticados nas lojas da especialidade. Pagamentos irregulares de
subsídios de turno e piquete e facturação irregular de refeições de
alunos da EPP são outras irregularidades.
A par do trabalho da IGAI, que, de resto, já estava previsto no plano de
actividades da inspecção-geral para este ano, está em curso, desde o ano
passado, uma investigação conduzida pela Polícia Judiciária relativa a
recebimentos indevidos por alguns oficiais.
“Feliz às escondidas”
Um agente a prestar serviço na EPP dizia ontem ao CM que tinha vivido um
dia “muito triste, mas também de alguma felicidade”. “As pessoas não
estão habituadas a esta agitação e não podem manifestar publicamente o
seu regozijo”, afirmou, sob anonimato.
OUTROS DADOS
ARQUIVADOS
Além dos 17 oficiais e chefes suspeitos de várias práticas irregulares,
os autores de uma inspecção da PSP à EPP, que acabou por ser arquivada,
também deverão ser responsabilizados.
EXPULSÃO
Os processos disciplinares movidos pelo Ministério da Administração
Interna poderão culminar com a expulsão da PSP dos visados. Após a
notificação, serão ouvidas as testemunhas e caberá ao IGAI apresentar ao
ministro Figueiredo Lopes as penas a aplicar.
PROCESSOS
Entre 1997 e 2000, últimos dados disponíveis, a Inspecção-Geral da
Administração Interna conduziu 57 processos disciplinares a elementos da
PSP e 23 à GNR.
'EMBRIONÁRIO'
A Associação de Oficiais da PSP escusou-se a comentar os processos
disciplinares, alegando que “todo o processo está numa fase
embrionária”.
'A ESCOLA É QUE PERDE COM TUDO ISTO'
“É uma pena tudo o que está a acontecer. Uma Escola Superior de Polícia
deveria dar o exemplo”, referiu ontem ao CM um agente colocado no
estabelecimento de ensino da PSP em Torres Novas – onde são formados
todos agentes que integram o contingente policial e que, desde
anteontem, saltou para as páginas dos jornais devido a suspeitas de
irregularidades graves praticadas por oficiais e chefes.
“Por um lado, é bom que se saiba o que se está a passar, mas a Escola, a
sua imagem, é que vai perder com tudo isto. Afinal, é aqui que são
formados os futuros polícias”, referiu o mesmo agente.
Além da formação aos novos agentes, a EPP ministra também cursos de
promoção a subchefes, bem como estágios de actualização para agentes e
subchefes. A participação em acções de formação permanente do pessoal da
PSP é outra das missões do complexo instalado em Torres Novas, na região
centro do País.
Há cerca de dois anos, centenas de agentes e chefes da PSP passaram pela
EPP no âmbito da formação em Investigação Criminal, recebendo formação
teórica e prática.
O conceito de Escola Prática existe desde 1967, tendo funcionado durante
quase duas décadas no Convento do Calvário, em Alcântara, Lisboa, com os
cursos de promoção a subchefe, chefe de Esquadra e comissário.
A mudança para Torres Novas deu-se no ano de 1984, ficando para trás os
cursos de formação a comissário e chefe de esquadra.
UM HOMEM SOZINHO CONTRA A HIERARQUIA
“Até aqui, um agente que denunciasse um superior estava arrumado." A
frase é de António Ramos, o presidente do Sindicato dos Profissionais de
Polícia, para quem o regresso à Escola Prática de Polícia do chefe
Fernando Rodrigues, delegado do sindicato, constitui um “marco
histórico”.
António Ramos, que no último ano acompanhou de perto o caso de Fernando
Rodrigues, disse à Agência Lusa que, "pela primeira vez na história da
Polícia", se dá um desfecho destes para acusações contra oficiais.
Sublinhando o longo e complicado percurso para pôr termo a um caso que
classificou de clara perseguição, António Ramos disse que durante meses
os oficiais de polícia protegeram-se uns aos outros.
O presidente do SPP – que expôs o caso a diversos níveis, do Presidente
da República ao bastonário da Ordem dos Advogados – lamentou ainda que
as diligências internas, nomeadamente junto da direcção-geral de
recursos humanos, nunca tenham resultado, "porque os visados eram
funcionários superiores". 
[
Anterior ] |
|
|