REVISTA DE IMPRENSA  -  DOSSIÊ N.º 23

 
     
     
  Duas mil pessoas no funeral do Chefe Armando Lopes, in Publico de 12 de Novembro de 2003  
  Contingente da GNR Parte Hoje para a "Operação Antiga Babilónia" , por Sofia Lorena in Publico de 12 de Novembro de 2003  
  PSP e GNR Querem Meios Aéreos, por José Bento Amaro in Publico de 12 de Novembro de 2003  
  Amigos Choram Policia, por Ana Isabel Coelho (Faro) in CM de 12 de Novembro de 2003  
  Morte de polícia obriga PSP a contrariar parecer da IGAI, por Luis Forra/ Lusa e Tânia Laranjo in JN de 12 de Novembro de 2003.  
  Morte de Subchefe Agita Polícias, por Idálio Revez in Publico de 12 de Novembro de 2003  
  Morte de chefe de Brigada da PSP no Algarve, in Expresso online de 11 de Novembro de 2003  
  DIRECTOR DA PSP AUTORIZA LAGARTAS , in CM de 11 de Novembro de 2003  
  AGENTE DA PSP MORRE ATROPELADO, por Tony Melo / Ana Isabel Coelho in CM de 11 de Novembro de 2003  
  "Cobardia do poder político" põe em risco a vida dos polícias", in Publico de 11 de Novembro de 2003  
  Comandante obriga polícia a mudar queixa, por Carlos Tomás in JN de 10 de Novembro de 2003  
     
Duas mil pessoas no funeral do Chefe Armando Lopes
 

Cerca de duas mil pessoas, incluindo centenas de agentes da autoridade, acompanharam hoje em Vila Real de Santo António o funeral do sub-chefe Armando Lopes, morto na noite de segunda-feira durante uma barreira policial.

Os agentes da PSP e GNR fardados e à paisana acompanharam em silêncio o cortejo, que saiu do salão nobre da câmara local, onde esteve em câmara ardente durante a noite.

Quando chegou ao cemitério, o cortejo foi recebido por um corpo de guarda de honra composto por uma dezena de agentes da PSP, que fez uma salva de três tiros.

Entre os presentes contavam-se o director nacional da PSP, Mário Morgado, e o presidente Associação Sindical de Profissionais de Polícia (ASPP), Alberto Torres, que não quiserem prestar declarações.

O cortejo foi acompanhado em silêncio pela multidão e a emoção causou algumas indisposições entre os familiares mais próximos do agente, morto aos 38 anos quando participava numa barragem policial destinada a impedir a fuga de três assaltantes.

O primeiro inquérito judicial aos três alegados homicidas do agente não se efectuou esta manhã em Faro, conforme tinha sido anunciado, tudo apontando para que a audição se realize esta tarde no Tribunal de Vila Real de Santo António.

 
 
Contingente da GNR Parte Hoje para a "Operação Antiga Babilónia"
  Há meses que se dizem preparados, tão preparados quanto alguma vez poderiam estar, mas a data final só há uma semana ficou definida. São 124 homens e quatro mulheres entre os 23 e os 51 anos; alguns têm experiência em teatros de guerra, outros não. Foram escolhidos entre muitos voluntários - ofereceram-se mais do que para Timor - e tiveram quatro vezes mais treino do que o previsto. Vai começar "a missão mais arriscada em que Portugal alguma vez participou"  
 

Começaram a preparação no início de Junho - na altura pensava-se que partiriam em Junho. Quatro meses e muitas sessões de treino depois, os 128 voluntários do Batalhão Operacional da Guarda Nacional Republicana saem hoje às 22h00 de Lisboa, com chegada ao Kuwait amanhã de manhã e partida quase imediata para Talil e daí para Nasiriyah, capital da província de Dhi Qar, no Sul do Iraque. É este o teatro de operações da missão, integrada no contingente italiano e na sua "Operação Antiga Babilónia", de onde cada um destes militares só sairá daqui a seis meses.

Há meses que se dizem preparados, tão preparados quanto alguma vez poderiam estar. A data final só há uma semana ficou definida. O plano de acção dos primeiros dez dias está feito e passa pela terceira fase de treino, a que só pode ser realizada no local e que consiste na adaptação ao clima, ao equipamento e aos aquartelamentos. De qualquer forma, a partir de amanhã é a sério. O Iraque que não conhecem passará a ser a realidade quotidiana dos membros do Subagrupamento Alfa.

Escolhidos entre muitos - o número dos que se ofereceram foi muito superior aos voluntários para Timor -, são todos membros das operações especiais da GNR. Com uma preparação à partida alta do ponto de vista físico, o treino específico incluiu actividades sócio-culturais e históricas concretizadas em palestras com o orientalista António Dias Farinha, da Faculdade de Letras; o xeque David Munir, imã da Mesquita de Lisboa, ou Fernando Nobre, presidente da AMI, que esteve no Iraque em Maio.

Em termos físicos e tácticos, os treinos abrangeram sessões de luta e defesa pessoal, restabelecimento e manutenção da ordem pública ou detenção, revista e condução de detidos. Instalados normalmente em Santa Bárbara, o corpo deslocou-se a vários quartéis e espaços ao ar livre para maximizar cada tipo de treino, passando nos últimos meses por Mafra, Seixal, Carregueira ou Monsanto. Outras actividades de formação passaram pelas áreas da Psicologia, Emergência Médica, contra-vigilância e agentes nucleares, biológicos e químicos.

Tudo para concretizarem da melhor forma as missões práticas que terão a cargo. Missão fundamental: conduzir operações de estabilização para estabelecer um ambiente estável de segurança, facilitar o desenvolvimento da administração civil e promover a estabilidade regional. Para o conseguir, o dia-a-dia ficará marcado por operações de patrulhamento (apeado e motorizado) na área de fronteira de Nasiriyah e acompanhamento de comboios humanitários a partir da cidade portuária de Umm Qasr, no Golfo Pérsico.

Treinados e com missão definida, a estrutura em que se integram os 128 militares - subagrupamento por se referir a uma força que inclui efectivos de várias armas, no caso, membros de Infantaria e Cavalaria - é comandada pelo major António Oliveira, este adjuvado pelo capitão Barreto. A força conta com um oficial de ligação junto do comando italiano, um dos três militares no Iraque desde Setembro.

Composto por dois pelotões de infantaria (cada um com 33 elementos) e um de cavalaria (18), a força é apoiada por 40 outros profissionais (técnicos de comunicações, cozinheiros, um médico ou um especialista em inactivação de engenhos explosivos).

Para além da preparação pessoal que tiveram, levam consigo coletes anti-balas, capacetes de protecção e fatos anti-motim. Vão operar com viaturas ligeiras, de transporte de pessoal e blindadas. Algumas cedidas pelos italianos, serão substituídas por próprias dentro de alguns meses; outras, existentes ou compradas entretanto, têm partida marcada para daqui a três, quatro dias.

Dos 128, quatro são mulheres. Alguns têm experiência em teatros de guerra, na Bósnia e no Kosovo, integrados em missões do exército; outros na operação da GNR em Timor. Têm entre 23 e 51 anos, quase metade está na faixa etária entre os 26 e os 30. Metade são casados, metade solteiros. Um quarto do grupo é natural de Lisboa.

Ao treino múltiplo e ao equipamento juntaram-se ainda o brasão de armas e a imagem da padroeira da Guarda, Nossa Senhora do Carmo, benzida dia 30 junto à Torre de Belém. O brasão, criado para juntar a natureza dos que o envergam às características do teatro para onde se dirigem, une o negro das planícies do Tigre e do Eufrates, ao crescente islâmico e à espada da GNR. A divisa cita Camões e os Lusíadas. Tudo parece ter sido pensado

A viagem de logo à noite, de seis horas, já não deverá acrescentar muito à ansiedade crescente de homens e mulheres que viram sucessivamente adiada a partida. "A missão mais arriscada em que Portugal alguma vez participou", como a descrevia há meses o comandante-geral da GNR, Mourato Nunes, começa amanhã.    

 

 
PSP e GNR Querem Meios Aéreos
 

A utilização de "lagartas" ou serpentes" por parte das forças policiais é, regra geral, refutada pelas próprias autoridades, que argumentam que esses instrumentos não actuam totalmente e apenas nas viaturas que se pretendem imobilizar, pondo assim em risco a segurança de terceiros. O recurso aos meios aéreos, que é prática corrente em quase toda a Europa, é a solução defendida.

"Só nos países mais atrasados se utiliza esse equipamento, que é mais próprio para militares do que para forças policiais", disse ao PòBLICO o presidente da Associação dos Profissionais da Guarda (APG), da GNR, José Manageiro.

Tal como o presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP), Alberto Torres, Manageiro entende que seria bem mais eficaz a utilização de meios aéreos para poder perseguir e imobilizar viaturas em fuga do que montar dispositivos nas vias que podem causar prejuízos a terceiros e até aos próprios agentes da autoridade. "O recurso às 'serpentes' só deve ser feito em situação extrema", afirma Torres.

As "lagartas ou serpentes" foram utilizadas em Portugal até ao início dos anos 80. Um elevado número de acidentes, muitas vezes envolvendo viaturas que nada tinham a ver com o assunto, levou as autoridades a abandoná-las. "Havia, sobretudo, muitos despistes com motos", relembra o presidente da ASPP.

O presidente da APG, por sua vez, recorda que a falta de comunicações adequadas por parte das forças policiais fazia, já há 20 anos, com que muitas vezes os dispositivos fossem accionados para as viaturas erradas. "Hoje os meios de comunicação continuam a ser maus, ao ponto de nós [GNR] termos de recorrer aos próprios telemóveis", disse.

As "lagartas" ou "serpentes" são dispositivos metálicos construídos para imobilizar viaturas nas estradas. São formados por uma corrente, cujas extremidades se prendem a cada berma da via. Ao longo dessa corrente existem pregos, cavilhas ou lâminas, que se levantam quando accionado, manualmente, um dispositivo próprio.

O resultado obtido é sempre a destruição dos pneus e a consequente imobilização da viatura. Só que, na maioria dos casos, sobretudo quando a velocidade é elevada (o que quase sempre acontece quando se pretende deter um suspeito), a operação termina em despistes violentos.  

 

 
AMIGOS CHORAM POLÍCIA
 

A revolta e a dor marcaram o dia de ontem em Vila Real de Santo António (VRSA). A família, os colegas e a população em geral está desolada e em estado de choque com a morte do chefe Armando Lopes, agente da Polícia de Segurança Pública local, atropelado mortalmente ao final da tarde de segunda-feira junto à Ponte do Guadiana, durante uma operação ‘Stop’ efectuada a um carro em fuga desde Lagos.

 
 

Durante a manhã de ontem, os populares aglomeraram-se junto ao Tribunal local, na esperança de ver entrar os três indivíduos que causaram o acidente fatal. Afinal, o alemão e o casal português, suspeitos de consumo e tráfico de droga e de furtos a residências e interior de veículos, deverão ser presentes hoje, às 10h00, no Tribunal de Faro, por razões de segurança. Meia hora depois, realiza-se na cidade do Guadiana o funeral de Armando Lopes, com guarda de honra pelos colegas do agente. Desde ontem à tarde que o corpo está a ser velado no Salão Nobre dos Paços do Concelho, de onde sairá hoje para o cemitério local.

A família, quando soube da notícia do falecimento de Armando Lopes ficou em estado de choque. A mãe, Maria Julieta Lopes, de 63 anos, hipertensa, teve de ser assistida por duas vezes no SAP de VRSA. O pai, também ele de nome Armando, logo que soube do acidente rumou ao Hospital Distrital de Faro e já lá estava quando a ambulância chegou. Pouco depois o médico de serviço dava conhecimento aos familiares de que o agente não tinha resistido aos graves ferimentos abdominais, cranianos e nos membros inferiores. “Eu, que também sou bombeiro, como ele foi, percebi que a esperança de o meu filho sobreviver era pouca, quando o médico disse que tinha de me dar uma notícia não muito boa”, contou ao CM o pai de Armando, a chorar.

Também Maria Julieta, a mãe, consternada, referiu ao nosso jornal que passou “uma noite horrível, negra. Era um óptimo filho, amigo, estava sempre presente nas nossas aflições. Era um bom filho e um pai dedicado, deixou dois meninos lindos. Ele adorava os filhos”, referiu a mãe, entre lágrimas.

“Eles tinham uma vida feliz, uma casa bonita, e vieram aqueles malvados da droga e mataram o meu filho!”, lamenta Maria Julieta. “Estão a ser momentos muito difíceis. Perder um filho é muito difícil, embora eu tenha mais dois filhos e cinco netos, mas a morte de um filho arranca-nos o coração. A vida prega-nos estas partidas. Se não fosse essa gente que veio de fora, o meu filho não tinha morrido!”, acusou ainda a mulher, desolada.

A morte do agente, que estava de folga no dia do sinistro, deixou a população consternada. Amigos e familiares concentraram-se na noite de segunda--feira junto à PSP local, na ânsia de ouvir notícias e quando se confirmou o pior, a revolta não demorou. “Sacrificou a vida dele no combate ao crime, mas neste País, infelizmente, a bandalheira está de tal ordem que o crime cada vez se avoluma mais. É preciso combater esta cáfila, esta corja”, disse ao CM, emocionado, António Machado, que conhecia o chefe Armando desde pequenino.

O ministro da Administração Interna, Figueiredo Lopes, já solicitou à Direcção Nacional da PSP que investigue as circunstâncias em que ocorreu a morte do chefe Armando Lopes. O ministro quer que a Direcção Nacional da PSP “aprofunde a avaliação desta ocorrência, com especial incidência sobre técnicas utilizadas na execução da operação”, diz um comunicado do Ministério da Administração Interna.

O MILITAR DA BRIGADA DE TRÂNSITO RECUPERA

O militar da Brigada de Trânsito da GNR atropelado sábado em Amarante recupera no Hospital Militar do Porto depois de submetido a intervenções cirúrgicas na face e nas pernas. O transgressor entregou-se sete horas depois e não trazia cinto de segurança, enquanto a sua viatura não tinha seguro.

Sérgio Ferreira, 21 anos, de Freixo de Baixo, Amarante – actualmente a aguardar notificação para comparecer em tribunal – foi mandado parar às 10h50 de sábado por uma patrulha da BT-GNR de Penafiel, não obedeceu à ordem de paragem e arrastou o militar durante 30 metros na frente da sua viatura, pondo-se em fuga de seguida. O guarda ferido, Hélder Capelo Santos, 33 anos, natural de Mateus, Vila Real, foi transportado para o Hospital de Amarante mas, devido à gravidade dos ferimentos que apresentava, acabou transferido para o Hospital de Santo António, no Porto. O militar fracturou uma perna e foi suturado com vários pontos na face e na cabeça. Após a estabilização foi transferido para o Hospital Militar onde se encontra a recuperar.

NOVO CASO DEPOIS DE FELISBERTO

A morte do chefe Armando Lopes foi o primeiro caso este ano de elementos da PSP alvo de mortes violentas. Em 2002, registara-se um caso, de Felisberto Silva. No ano anterior morreu outro agente de forma violenta, o mesmo sucedendo em 2000. Nos cinco anos imediatamente anteriores, sete elementos da PSP morreram vítimas de crimes.

Na lista dos polícias assassinados, antes do nome do chefe Lopes aparece a do agente Felisberto Silva, morto em 4 de Fevereiro de 2002, um caso que chocou o País. O polícia, de 25 anos, foi assassinado, no centro da Damaia, Amadora, com sete tiros à queima-roupa, tudo apontando que tenham sido desferidos por um cabo-verdiano conhecido por ‘Pepa, que se encontra preso em Cabo Verde a aguardar julgamento, o qual tem vindo a ser constantemente adiado por questões processuais. O mais recente desenvolvimento foi um pedido de libertação feito pelo seu advogado ao Supremo Tribunal de Justiça.

 

 
Morte de polícia obriga PSP a contrariar parecer da IGAI
 

Tragédia
Subchefe de Vila Real de Santo António mortalmente atropelado ao tentar deter assaltantes
Horas depois, director nacional fez despacho para regularizar lagartas de pregos

 

 
 

Armando Lopes morreu. O subchefe da PSP, responsável pela brigada de investigação criminal de Vila Real de Santo António, foi atropelado por um trio de suspeitos que tentava fugir para Espanha, depois de fazerem um assalto. Foi anteontem, ao princípio da noite, depois de uma perseguição de 150 quilómetros. Armando Lopes foi projectado 30 metros e acabou por falecer no hospital, na sequência de múltiplas fracturas.
Menos de 24 horas depois, o director nacional da PSP, o juiz Mário Morgado, emitiu um despacho com vista à regulamentação das há muito reivindicadas lagartas com pregos. São objectos que servem para travar os veículos em alta velocidade (provocando o rebentamento ou o esvaziamento progressivo dos pneus), mas contra as quais a Inspecção- Geral da Administração Interna (IGAI) se havia pronunciado, num parecer pedido pelo respectivo Ministério.
"O sr. director pediu hoje (ontem) o processo e esteve a analisar o parecer. Embora fosse globalmente negativo quanto à utilização das lagartas, o sr. director entendeu que deviam ser regulamentadas. Embora, claro, devam ser estudadas as situações concretas da sua aplicação", adiantou, ao JN, o comissário Coimbra, chefe de gabinete do director nacional da PSP.


Utilização perigosa
As associações sindicais há muito que reclamam a utilização das lagartas nas perseguições de vários quilómetros, como a que aconteceu anteontem. No entanto, o assunto esteve em discussão em Maio de 2002 e foi arrumado numa gaveta. "O MAI pediu um parecer à IGAI, que globalmente considerou perigosa a utilização das lagartas. Diziam que podia causar o despiste do veículo e pôr em risco a vida dos passageiros ou mesmo dos transeuntes", continuou o comissário Coimbra, dizendo que desde essa atura não foi dado qualquer seguimento ao processo. "Na altura, havia outro director nacional. Só hoje, depois do sucedido, é que o dr. Mário Morgado pediu os pareceres. E decidiu regulamentar a sua utilização".
Quanto ao tempo em que ainda levará para virem a ser utilizadas, o chefe de gabinete do director nacional diz ser uma incógnita. "Temos de fazer primeiro uma consulta com as várias empresas para ver os modelos que mais nos interessam. Depois, terá de ser aberto um concurso. É impossível dizer quanto tempo demorará".

 

 
Morte de Subchefe Agita Polícias
  Perseguição da PSP e GNR a veículo em fuga termina em tragédia junto à ponte do Guadiana  
 

A morte do chefe da Brigada de Investigação Criminal da PSP de Vila Real de Santo António, por atropelamento, reacendeu a polémica sobre a necessidade do uso das "lagartas de pregos" para barrar o caminho aos automobilistas em fuga. O subchefe Armando Lopes perdeu a vida, anteontem, na sequência de uma acção policial, na ponte sobre o Guadiana, destinada a barrar a passagem a uma viatura conduzida por um cidadão alemão, na casa dos 50 anos, e um casal jovem, português, suspeitos da prática dos crimes de furto e tráfico de droga.

Os tripulantes do VW Passat, de matricula alemã, já algum tempo andavam a ser investigados pela PSP, pela suspeita de vários crimes. Depois da queixa de que teriam roubado cerca de três mil euros, em Lagos, os agentes procuraram uma abordagem da viatura, o que não foi conseguido. A partir dessa altura foi desencadeada pela PSP uma perseguição ao longo de mais de uma centena de quilómetros, pela Via do Infante, com colaboração da GNR, mas sem sucesso, alegadamente porque os agentes não podiam pôr em causa a segurança dos utentes da via.

Já no acesso à Ponte Internacional do Guadiana, PSP e GNR montaram uma barreira aos fugitivos. Porém, o condutor não respeitou o sinal de paragem: abalroou uma viatura da GNR e levou à frente o subchefe da PSP. Com o embate, o "capot" da viatura e corpo do polícia foram projectos a cerca de 30 metros. A viatura, com a roda da frente desfeita, ainda andou cerca de meio quilómetro, até ficar bloqueada no separador da via, altura em que os polícias capturaram os três passageiros.

O agente, gravemente ferido nas pernas e com traumatismo craniano, foi transportado para o Hospital de Faro, onde viria a falecer pelas 20h50. Armando Lopes, de 38 anos, casado, deixa duas crianças, de nove e 12 anos. No interior do veículo, segundo o comando da PSP de Faro, foi encontrado diverso material electrónico, cerca de três mil euros e uma quantidade de heroína e cocaína que daria para 60 doses individuais. Este é o terceiro caso, no lapso de dois meses, de furtos efectuados no Algarve seguidos de fuga para Espanha.  

 
 
Morte de chefe de Brigada da PSP no Algarve
MAI pede inquérito
 

O ministro da Administração Interna, Figueiredo Lopes, quer que a Direcção Nacional da PSP investigue as circunstâncias da morte em serviço de um chefe de Brigada Caleiro Lopes, esta madrugada, em Vila Real de Santo António. Este agente da PSP foi ferido com gravidade durante uma perseguição automóvel no Algarve e morreu

poucos minutos depois de ter chegado ao Hospital de Faro.

Figueiredo Lopes quer que a Direcção Nacional da PSP «aprofunde a avaliação desta ocorrência, com especial incidência sobre técnicas utilizadas na execução da operação», refere um comunicado da Ministério da Administração Interna.  

No documento, o ministro da Administração Interna manifesta ainda «o profundo pesar à família do Chefe Armando Luís Caleiro Lopes, da PSP, falecido segunda-feira em Vila Real de Santo António ao serviço da segurança dos cidadãos».  

Entretanto, a Direcção Nacional da PSP admite a utilização de lagartas de pregos nas barreiras policiais para travar veículos suspeitos. A medida será aplicada após a elaboração de um estudo por um grupo de trabalho criado para o efeito.  

A utilização de lagartas de pregos em perseguições automóveis a criminosos e em operações Stop é exigida pela Associação Sindical de Profissionais de Polícia (ASPP), na sequência do acidente que vitimou ontem à noite um agente da PSP durante uma perseguição em Faro.  

Alberto Torres, presidente da ASPP, sustenta que se tivessem sido utilizadas as lagartas para travar o automóvel em fuga ter-se-ia evitado a morte de um polícia. O chefe de brigada Armando Lopes, de 38 anos, morreu na sequência de ferimentos graves e traumatismo craniano durante a perseguição a um veículo em fuga, com três suspeitos de roubo.  

O veículo onde o chefe de brigada seguia foi abalroado na ponte do Guadiana pelo automóvel suspeito, que seguia em direcção a Espanha. Os fugitivos, um alemão e um casal português, acabaram por ser detidos na ponte do Guadiana, depois da fuga ter sido retardada por um disparo que furou um pneu do carro em que seguiam. Os detidos foram detectados pela PSP de Lagos a roubar material diverso e foram perseguidos ao longo de toda a Via do Infante.  

Segundo o dirigente da ASPP, esta foi uma situação excepcional que justificava o uso de lagartas de pregos, uma vez que se tratou de uma perseguição de 150 quilómetros, durante a qual muitas dezenas de pessoas que circulavam na estrada estiveram em perigo, além dos polícias.

 

 

DIRECTOR DA PSP AUTORIZA LAGARTAS

 

 

O Director Nacional da Polícia de Segurança Pública deu esta terça-feira instruções aos agentes para que passem a utilizar lagartas com relevo para travar viaturas em fuga. Mário Morgado contrariou um parecer da Inspecção-Geral da Administração Interna, mas assegurou que a PSP tem os meios suficientes para garantir a segurança dos cidadãos.

Esta manhã, os dois sindicatos dos profissionais da polícia reagiram à morte de um sub-chefe algarvio, atropelado ontem por uma viatura em fuga, queixando-se de que a PSP não tem meios adequados para bloquear estradas, por forma a reduzir os risco humano neste tipo de ocorrências. “Não pode acontecer de forma alguma o que aconteceu no Algarve, em que profissionais da PSP quase têm de se pôr à frente das viaturas que se põem em fuga, pondo em risco a sua vida”, disse à Rádio TSF Alberto Torres, presidente da Associação Sindicato dos Profissionais de Polícia.

A PSP recorria a lagartas com relevo para travar viaturas em fuga, mas a prática foi abandonada há alguns anos, na sequência de um parecer negativo emitido pela Inspecção-Geral da Administração Interna. “Originou alguma polémica o facto de alguns automobilistas, principalmente aqueles que utilizavam motorizadas, se despistarem e às vezes sofrerem consequências graves”, recordou Alberto Torres.

António Ramos, da Associação de Profissionais de Polícia, insistiu na queixa, declarando que já há muito que aquele sindicato denuncia a falta de equipamento na PSP. “Se a polícia estivesse equipada com lagartas com os furadores com certeza que aquilo que ontem aconteceu não acontecia, por que com esses meios a viatura não passava”, disse António Ramos.

O assunto foi objecto de discussão pública no fórum da Rádio TSF, esta manhã. E foi, em telefonema para esse programa, que Mário Morgado reagiu às acusações dos sindicatos. O Director Nacional da PSP negou que a polícia tenha falta de meios para zelar pela segurança dos cidadãos e revelou ter dado instruções, hoje, para que o referido instrumento de imobilização de veículos volte a ser usado.

 
Em barreira para deter carro em fuga
AGENTE DA PSP MORRE ATROPELADO
 


Um chefe da PSP de Vila Real de Santo António foi atropelado mortalmente por um carro - que era perseguido pela polícia desde Lagos – ontem, cerca das 18h00, na Via do Infante, perto da ponte do Guadiana.  

O acidente ocorreu numa barreira policial montada na estrada pela PSP, GNR e Guardia Civil espanhola, para deter os fugitivos. O veículo em fuga, onde viajavam um casal português e um homem alemão, abalroou um carro da GNR antes de colher Armando Luís Caleiro Lopes, de 38 anos, casado e com dois filhos, de 9 e 12 anos respectivamente, natural de Vila Real. O agente ainda chegou vivo ao Hospital de Faro. Acabou por falecer no bloco, cerca das 21h00.

Segundo apurou o CM, os fugitivos, suspeitos de tráfico e consumo de droga e de prática de vários crimes de furto e roubo, estavam a ser vigiados pela PSP de Lagos e fugiram quando foram mandados parar por agentes desta esquadra. A polícia moveu-lhes então uma perseguição pela Via do Infante, onde participaram além de agentes da PSP de Lagos, Portimão, Faro, Tavira e Vila Real, militares da GNR. A perseguição foi feita ao longo de cerca de 150 quilómetros, até perto da ponte sobre o Guadiana, onde se deu o atropelamento. Os suspeitos acabaram por ser detidos.


Comentários
- c.afonso
Os nossos governantes,estão cegos,surdos e não ouvem o Povo deste pobre Portugal a reclamar por medidas urgentes contra os bandidos.Será que as autoridades não estão a fazer o jogo dos criminosos.Abram os olhos em quanto é tempo ou só vão actuar,quando for igual ao Brasil?Alerta Portugueses,acordem,basta de violencia,ataquem os criminosos,como sente e quer o Povo.Não se pode comer uvas e beber vinho ao mesmo tempo.

- Victor
Sinto tristeza em ler notícias destas! A nossa sociedade...e a polícia, parece ainda não ter dado conta que os crimes domésticos já passaram à história. Hoje temos entre nós criminosos internacionais (e os nacionais copiam-nos) que têm um "modus operandi" que não tem a haver com o passado, e as forças armadas continuam a tratar destes casos com "paninhos quentes" na abordagem. O estilo a utilizar é o americano, ainda que custe assistir ao aparato!

- lagostim verde
Os meios, ou falta deles, são uma das principais causas para a ineficácia da nossa Policia e Guarda. E o que dizer sobre a lei que regula o uso, em serviço das armas de fogo??? Caros leitores, leiam cuidadosamente a dita lei, e não se vão admirar que episódios destes se repitam. Urge não só rever esta lei como também alguns aspectos e importantes do C.P., Constituição etc. Condulencias á familia enlutada. Faço votos para que a PSP e GNR continuem com o mesmo profissionalismo.

- Jorge Castro
- Dotem as forças de segurança de melhores meios, tal como helictópteros para perseguições deste tipo.- Nestes casos façam sinal de paragem e, em caso de desobediência, mais à frente, façam a barreira com utilização de lagartas.- Autorizem os agentes a fazer uso das armas de fogo, em casos semelhantes.- Por último, a imprensa que dê menos voz à escumalha.

- GOMES
o chefe quis se armar em herói mas infelizmente ele nem sabia conduzir bem e não é só ele que não sabe conduzir, a maioria dos portugueses são assim, ou são fitipaldis ou são azelhas .

- Fernando Gonçalves
Sinto orgulho e revolta. Orgulho por ter conhecido o Armando a quem,de aqui presto a minha humilde homenagem e dou os meus sentidos pêsames à família e ao Corpo a que pertencia. Revolta pela perda do Armando porque na minha opinião se pudessem ser utilizadas lagartas com picos, talvez esta morte não tivesse acontecido. Porque é que em Espanha podem ser utilizadas e em Portugal não? Onde estão os nossos legisladores? Também vão ter que vir de Espanha...Vila Real de Santo António Algarve

- Alberto Jesus
Pois é caros leitores, nem sempre as coisas correm bem! nem sempre se pode ganhar! nem sempre se tem o melhor equipamento. Mas fiquem cientes de que a Policia Portuguesa é uma das melhores do Mundo, mesmo com os meios de que dispõe e eles continuam, mesmo não sendo Super Homens, eles sabem que tem familia e sabem que se calhar no dia seguinte já a familia os não poderá voltar a ver... mesmo assim eles não desistem... Sempre um futuro melhor ao nosso País. Força Policia...

- liono
E ONDE E Q ESTGAO OS PICOS NA ESTRADA___SO SABEM USAR ESSA M....QUANDO E PARA PARAR O PESSOAL Q FUMA G....E A MALTA Q ANDA A SACAR CAVALOS TOMEM LA O RESULTADO

- liono
PPOIS E...POE SE ARMADOS EM FILMES COM BARREIRAS ISSO E NA AMERICA AKI TEM DE SER LOGO AO BALAZIO NO PNEU O RESULTADO E ESTE PARA QUE E Q SE ARMAO EM HEROIS tsts agora tao 2 criancas sem pai,,,,PENSAO Q ESTAO EM LA

- r cardoso
Políticos portugueses, acordem para a realidade da insegurança do cidadão português, que não vive em condomínios de segurança privada, não tem motorista nem segurança. Está na hora de se dar mais força às polícias e menos direitos aos criminosos ou então qualquer dia os portugueses terão de fazer justiça pelas suas próprias mãos.Lisboa

- ADC
É assim, a saga continua. Os agentes de autoridade morrem e os bandidos ficam. Emquanto a autoridade não tiver a força necessária para deter estes bandos, mas para sempre, continuam a sofrer baixas. Deixem os homens dispara para se defenderem da escumalha.

- Isabel Cardoso
No domingo, em França, o Ministro homólogo ao nosso Ministro dos Serviços Internos na cerimónia fúnebre a um polícia morto por um condutor alcoolizado disse que o polícia foi assassinado e que aquele tipo de crime não será mais tolerado em França. E em Portugal, como é sr. ministro?? Luxemburgo
 

 
 
Sindicato ameaça sair à rua
"Cobardia do poder político" põe em risco a vida dos polícias"
 

O Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP) lamentou hoje a morte por atropelamento de um agente em serviço e criticou a "cobardia do poder político" por impedir a utilização de "lagartas de pregos" nas barreiras, pondo em risco a vida dos agentes.

O delegado do SPP no Algarve, António Cartaxo, garantiu que os agentes vão sair à rua para manifestar a sua dor, revolta e indignação pela morte de um sub-chefe de brigada na sequência de uma perseguição automóvel na ponte do Guadiana.

O agente foi projectado a cerca de 30 metros, depois de ter sido atropelado por um carro em que seguiam três suspeitos de um assalto em Lagos, que abalroaram a barreira policial.

António Cartaxo sublinhou que já por diversas vezes foram feitas propostas no sentido de que o método possa ser utilizado pela polícia portuguesa, o que protegeria os agentes e impediria situações como a que ocorreu ontem.

"As nossas propostas têm sido rejeitadas por políticos iluminados que alegam a inconstitucionalidade do uso de lagartas, preferindo-se arriscar a vida dos agentes policiais em nome de valores menores protegidos por alguma cobardia política", afirmou.

O dirigente do SPP questiona "quantos mais polícias têm de morrer para que de uma vez por todas alguém decida resolver as carências materiais" com que se defrontam.

Sublinha que a família do sub-chefe Armando Lopes, 38 anos e dois filhos menores, "fica na miséria por causa da cobardia política dos que tutelam a PSP e da desprotecção financeira a que as famílias ficam sujeitas nestas circunstâncias", por inexistência de um subsídio de risco.

"Os polícias continuam a morrer ingloriamente e a serem agredidos diariamente sem que ninguém se mexa do seu pedestal para pôr fim a esta miserável situação", disse, recordando que, aquando da tomada de posse, o director nacional da instituição prometeu tudo fazer para que os agressores passassem a ser severamente castigados em sede própria.

"Teremos de fechar as esquadras a cadeado, como fazem os estudantes deste País, ou sair para a rua em protesto utilizando as viaturas da corporação, como fazem os bombeiros?", questiona ainda o dirigente sindical.

 
 
Comandante obriga polícia a mudar queixa

Oeiras - Acusação
Homem detido com álcool recusou teste dizendo que conhecia oficiais da Divisão Subcomissário exigiu que dois nomes fossem retirados 

 

 

O comandante da esquadra de Oeiras da PSP, subcomissário António Lobato, pediu a um agente da PSP para alterar um auto de detenção onde constavam os nomes de dois oficiais da Divisão. Tratava-se de expediente relacionado com um indivíduo apanhado a conduzir,no mês passado, com uma taxa de alcoolemia superior ao permitido pela lei e que tentou coagir o polícia que o deteve com recurso aos nomes dos dois oficiais, sendo um deles um comandante da Divisão.
 De acordo com as duas versões do auto de detenção, a que o JN teve acesso, o infractor foi detido por ter passado um semáforo vermelho mesmo em frente à esquadra da PSP, para onde se dirigia. Ao entrar nas instalações policiais, o agente confrontou-o com a manobra ilegal, tendo o indivíduo começado a discutir e chegando mesmo a negar que era ele quem conduzia a viatura.
 Apercebendo-se que o seu interlocutor aparentava estar embriagado, o agente resolveu sujeitá-lo ao teste de alcoolemia, sendo então confrontado com as ameaças.
 "Quando foi informado de que iria ser submetido ao teste de álcool, o detido ficou visivelmente irritado e agitado, afirmando: '...Eu não faço nenhum teste, conheço os meus direitos e não faço o teste'. Comunicando-lhe que incorria em crime de desobediência se o não fizesse, o indivíduo reagiu violentamente, afirmando: 'Conheço muito bem o nosso comandante (...) e o subcomissário (...) e muita gente aqui na esquadra e vocês vão ver', expressões estas com que tentava coagir-me na minha actuação", lê-se no auto de detenção inicial.
 Porém, o comandante da esquadra, subcomissário António Lobato, quando leu o auto ordenou ao agente que alterasse as declarações. Assim, foi feito um segundo documento, onde o agente apenas diz que o indivíduo fez "referência a oficiais, meus superiores hierárquicos".
 
 Excesso de álcool
 Segundo os documentos a que o JN teve acesso, o indivíduo em causa já tinha cadastro por condução com excesso de álcool e agressão a agentes da autoridade. No teste a que foi sujeito a 31 de Outubro, acusou 2,11 gr/l de álcool no sangue.
 O agente da PSP que efectuou a polémica detenção tem também ele um processo disciplinar a correr, por alegadamente se encontrar alcoolizado em serviço. Um seu superior revelou que tinha recebido uma denúncia de um cidadão. Face a esta alegada queixa, nunca exibida ao arguido, foi-lhe instaurado um processo disciplinar que propõe 20 dias de suspensão.

 

[ Anterior ]