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Novas Instalações da PSP
da Guarda São Prioridade para o Governo |
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A PSP da Guarda poderá vir a ter
instalações construídas de raiz e o quartel da GNR deverá ser
remodelado. A novidade foi deixada ontem pelo ministro da
Administração Interna, Figueiredo Lopes, que afasta assim a hipótese
de virem a ser implementadas as soluções que tinham sido definidas
pelos anteriores governos.
Há anos que as instalações são exíguas,
sendo alvo de críticas e de revolta dos agentes. Um panorama visto de
perto pelo ministro durante a visita que efectuou ao comando, antes de
manter reuniões com os autarcas do distrito, responsáveis do gabinete
de segurança interna (PSP, GNR, SEF e SIS) e com o coordenador
distrital do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil.
O problema das instalações da PSP só
deveria ser ultrapassado, a médio prazo, aquando da mudança do comando
para o actual quartel da GNR, que estava previsto mudar-se para uma
das zonas próximas do parque industrial. "Infelizmente, em 1989, ou
porque não houve coragem ou porque havia outras expectativas que
depois foram goradas, fez-se um protocolo que conduziu à maior
complexidade que jamais vi nestes termos de planeamento de
instalações", lamentou o governante, explicando que, "por um lado
definia-se que era preciso resolver o problema da GNR, e, por outro, o
da PSP".
Certo é que,"passados cinco anos, nenhuma
das situações foi até agora resolvida", salientou Figueiredo Lopes,
defendendo que "devem ser separadas as coisas, encontrar-se uma
solução prioritária para a PSP e iniciar o planeamento para resolver o
problema da GNR".
O assunto vai agora começar a ser tratado
pelos serviços técnicos em colaboração com a Câmara da Guarda.
Figueiredo Lopes está esperançado de que "durante o próximo ano possa
haver uma solução aprovada e lançada para a PSP". Quanto à GNR, o
ministro defende que, em vez de um edifício novo, o actual quartel
pode ser remodelado de acordo com as necessidades daquela força de
segurança. É que, justificou, "hoje, a GNR desenvolveu as suas
valências que obrigam a que seja encontrada uma solução diferente da
que tinha sido projectada".
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Processo - Investigados 40 agentes da
Divisão de Trânsito |
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SUSPEITAS NA PSP |
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Quarenta agentes da
Divisão de Trânsito (DT) da PSP de Lisboa podem vir a ser alvo de uma
investigação da Polícia Judiciária. A decisão está do lado do
Ministério Público, que pondera a possibilidade de indiciar os
referidos elementos policiais por crimes de burla ou peculato.
Em
causa está a queixa de um cidadão que, depois de ver o carro rebocado,
pagou 60 euros para o reaver a um indivíduo que se identificou como
agente policial. Acabou por não receber recibo e ficar sem os
documentos pessoais.
Os suspeitos, todos pertencentes ao efectivo da esquadra de reboques
da DT, já chegaram mesmo a ser intimados para ser identificados pelo
queixoso. No entanto, esta acção resultou inconclusiva, o que motivou
o envio do processo para o Departamento de Investigação e Acção Penal
(DIAP), onde ainda se encontra.
Os factos remontam a 15 de Abril. Nesse dia, uma viatura, de marca
Ford Mondeo, propriedade do queixoso, médico-psiquiatra de profissão,
foi rebocada por elementos da esquadra de reboques da DT de Lisboa na
Rua Gomes Freire e levada para o parque policial do Marquês de Pombal.
O proprietário do veículo deslocou-se, nesse mesmo dia, ao parque, com
o objectivo de, através do pagamento de uma multa de 60 euros,
‘levantar’ o automóvel. A recebê-lo estava um homem, envergando um
fato-macaco, que recebeu o dinheiro. No entanto, o interlocutor do
médico-psiquiatra acabou por não passar recibo da quantia recebida,
ficando mesmo com os documentos do dono do carro, alegando que
necessitava deles para proceder ao envio do recibo, num prazo de sete
dias.
O tempo passou e o documento não foi recebido, o que levou o queixoso
a deslocar-se, na última sexta-feira, à Divisão de Trânsito, onde fez
uma exposição do sucedido. À queixa, o proprietário da viatura
acrescentou o facto de que a 24 de Abril, devido à falta de documentos
pessoais, não pôde levantar o seu automóvel no Parque do Restelo,
depois de ele ter sido mais uma vez rebocado, por estacionamento
indevido, também na Rua Gomes Freire.
"NÃO SE SABE SE FOI UM POLÍCIA"
O comandante da Divisão de Trânsito (DT) da PSP de Lisboa,
subintendente José Cruz, confirmou ao CM a existência de uma
investigação do Ministério Público à corporação que dirige. Por ordem
sua, o expediente foi enviado ao Departamento de Investigação e Acção
Penal (DIAP), opinando o oficial que “compete agora à Justiça o
apuramento de responsabilidades”. No entanto, salienta o subintendente
José Cruz, “não existem, de momento, quaisquer provas concretas. Não
se sabe se foi, ou não, um polícia que fez aquilo”.
Opinião semelhante tem outra fonte da DT, que preferiu manter o
anonimato. O responsável ouvido pelo nosso jornal foi mesmo mais
longe, aventando a possibilidade de o queixoso “poder estar de má-fé
contra os agentes do ‘Trânsito’”. “Essa pessoa já teve inúmeras vezes
o carro rebocado. São conhecidas as discordâncias com o pessoal da
nossa esquadra”, adiantou. O mesmo informador apontou ainda o dedo às
“fracas condições de segurança dos parques da PSP onde são guardados
carros rebocados”. “Qualquer pessoa, fora de horas de expediente, pode
lá entrar”, concluiu.
OUTROS CASOS
MULTAS
Uma equipa de investigadores da Inspecção-geral da Administração
Interna (IGAI) esteve, durante quase um ano, a analisar os registos da
Divisão de Trânsito da PSP de Lisboa, investigando arquivamento ilegal
de multas.
DETENÇÃO
Também a IGAI assumiu responsabilidades pela investigação sobre as
circunstâncias em que aconteceu a libertação do filho mais velho de
Santana Lopes, detido em 2002 por um agente da DT sob a acusação de
injúrias.
SETÚBAL
Dois agentes da Esquadra de Trânsito, mas desta vez do Comando da PSP
de Setúbal, receberam, a 4 de Fevereiro, voz de detenção, dada pelo
seu próprio comandante. Ambos foram acusados de corrupção.

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PSP Quer Levar Diálogo
Aos Bairros Degradados de Beja |
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Há ano e meio que a Polícia de Segurança
Pública desenvolve acções de integração de crianças e jovens, através
do desporto e da recreação nos bairros degradados de Beja. O
comandante local da corporação, comissário Luís Moreira, entende que
estes aglomerados "não podem ser tratados através da acção coerciva",
dada a existência de problemas sociais graves.
O bairro da Esperança, também conhecido
por Carmo Velho, é uma das comunidades abrangidas. Nos últimos 30 anos
foram tentadas várias formas de integração social, com poucos
resultados práticos. A toxicodependência, o desemprego, a pobreza e a
instabilidade social entre as comunidades cigana e não cigana, ali
residentes, fazem parte do seu quotidiano.
Uma nova experiência que está a ser
testada pela PSP de Beja, tem merecido o acolhimento do bairro,
localizado na periferia de Beja. E já se tornou um hábito para os
agentes António Azevedo e Ricardo Galaio, indicados para as acções de
policiamento de proximidade, o contacto diário com mais de 250
ciganos. Numa das suas últimas visitas, que o PÚBLICO acompanhou,
vários adultos e um elevado número de crianças dirigiram-se aos
polícias para os cumprimentar.
António Azevedo, conhecido como o polícia
mágico - nas horas vagas faz ilusionismo - quer saber se há problemas.
"Isto não está lá muito bem", respondem-lhe em coro. Voltam a
queixar-se do lixo que têm de acumular mesmo ao pé das barracas. A
câmara não coloca contentores e a única bica de água onde se abastecem
tornou-se um charco de imundície e maus cheiros. E apontam a dedo à
quantidade de cães que por ali andam "carregados de sarna".
Para evitar que o aglomerado de barracas
aumente foram colocadas vedações. "Se não, mal tínhamos espaço para
andar", explica Domingos Maneno, um dos moradores. Boa parte delas
foram erguidas para as famílias ciganas terem acesso ao Rendimento
Social de Inserção. Como mantêm uma vida nómada e não têm residência
fixa, constroem uma barraca para declarar na Segurança Social como
local de morada. A chegada de novas famílias por esta razão é um
fenómeno que provoca instabilidade social. O aglomerado onde vive a
comunidade cigana já foi demolido por duas vezes. E duas vezes
renasceu dos destroços e sempre em maior número.
As crianças ciganas têm outro nível de
preocupações. "Faça aí uma magia", pede uma delas com o apoio ruidoso
de dezenas de gaiatos. José Azevedo, explica que não trouxe os
apetrechos. Não teve outro remédio que não fosse garantir voltar em
breve para uma festa.
"Vou ter de cumprir a promessa, senão fico
desacreditado", desabafou. Na escola básica do bairro, os agentes
apanharam os miúdos no intervalo e as solicitações da magia
repetiram-se. "Faça aparecer umas coisas porque a gente tem-se portado
bem," pedia Fábio. O outro agente, Ricardo Galaio, diz que "deixou de
haver problemas com as crianças", desde que começaram a fazer o
policiamento de proximidade.
Agora os miúdos falam do gosto pela
natação, pelo futebol e até pelos cavalos, porque têm aulas de
equitação no quartel da GNR de Beja. "É no acompanhamento das crianças
e dos jovens que mais apostamos. A mudança de mentalidade tem mais
possibilidades de começar por eles" observa Galaio.
Um miúdo pergunta-lhe: " Atão não trazes o
cacete e a pistola?" O agente diz que não era preciso. "Entramos aqui
munidos da esferográfica e da palavra", prossegue Ricardo Galaio,
frisando que acima de tudo o que têm de conquistar é a confiança das
pessoas. "Marcadas estão elas pela exclusão social de que têm sido
vítimas."
De seguida, os polícias visitam o centro
social do bairro, que presta assistência em alimentos e vestuário aos
mais carenciados e falam com as psicólogas que lá prestam serviço,
para saber se está tudo bem. Regressam de tarde para mais contactos
com a população. Tem sido assim há ano e meio. E Os resultados estão à
vista. Deixou de se falar de problemas e conflitos sociais no Bairro
da Esperança. Até uma equipa de futebol já formaram com equipamentos
fornecidos pelo F.C. Porto.
Noutro ponto da cidade, no bairro S.
André, outro duo de agentes exerce o mesmo tipo de acção . Ali "a
criminalidade é estável", observa Hugo Ambrósio, frisando que "é a
partir dos 16 anos que o comportamento se torna mais problemático".
Como não há no bairro nenhum espaço destinado ao convívio social e
cultural, vão "ocupando, consoante as actividades, locais que se
encontrem disponíveis", como lojas ou caves vazias, conta Alexandre
Branco. O futebol foi a modalidade que mais interesse despertou.
"Incentivamos a sua prática como um meio para os jovens interiorizarem
regras", acentua o agente.
A natação também suscita um inesperado
entusiasmo. "Até os pais os vão ver à piscina, a demonstrar que a
integração está a acontecer", diz Hugo Ambrósio, que mesmo nas suas
horas vagas vai ao bairro conviver com os jovens.
Apoio a Idosos Sozinhos
Fátima Passinhas tem em mãos uma tarefa
diferente. A agente mostra uma extensa lista de idosos, cerca de meia
centena, que acompanha regularmente. Requerem a sua presença até nos
dias de folga ou durante outras tarefas policiais.
"A maioria das vezes, basta a nossa
presença para que o sorriso volte ao rosto de quem vive na mais
completa solidão", conta a agente que os idosos tratam por "Fatinha".
Celestina Almada é um exemplo dessa boa relação. Vive sozinha com um
cão. Tem 82 anos e a saúde debilitada obriga-a a passar a maior parte
do tempo em casa. Fátima conhece-lhe os cantos. Vai buscar-lhe os
óculos para que a mulher possa ler para a agente passagens de um livro
muito antigo, que fala dos seus laços familiares com Almada Negreiros.
Depois recorda-lhe a medicação que tem de
tomar, enquanto Celestina Almada liberta a memória, contente por ter
em casa pessoas com quem conversar. As recordações comovem-na. As
histórias seguem-se umas às outras. Sente necessidade de recordar o
passado para se "manter agarrada à vida", confidencia.
Mas é preciso que alguém a oiça. E a
agente Passinhas, sempre que tem algum tempo disponível, faz-lhe uma
visita. Não pode ser todos os dias, porque tem muitos outros à espera
duma palavra de apoio e ou de ajuda. "Com ela por perto sinto-me mais
segura", confessa Celestina Almada.

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Assis reclama obras para
os postos da PSP |
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O líder da distrital do Porto do PS
reuniu-se, ontem, com o comandante da PSP do distrito a fim de avaliar
o estado da segurança na respectiva área metropolitana. Francisco
Assis saiu satisfeito do encontro com Gomes Pereira, mas não descurou
a necessidade de obras nos postos da corporação.
Os dados já divulgados pelo Governo anunciam um pequeno aumento dos
roubos por esticão e a viaturas na Área Metropolitana do Porto. Mas
esse não é, para Assis, o centro da questão, que colocou a tónica no
estado degradado das instalações da PSP. Portanto, mais do que
lamentar a falta de meios e de recursos humanos, o maior partido da
oposição aposta na «criação de condições que garantam um policiamento
mais eficaz».
Rejeitando «alarmismos junto da população», o PS garante que, para
além de fazer um levantamento do estado das esquadras da PSP no Porto,
vai «fiscalizar a acção do Governo» neste sentido. Assis quer ver
cumpridas as promessas do ministro da Administração Interna,
Figueiredo Lopes, que no âmbito do PIDDAC reservou mais de um milhão
de euros para a PSP.
Ciente da necessidade de políticas sociais pró-activas para diminuir
os índices de criminalidade, o líder da distrital «rosa» insiste que
«a segurança é um bem inestimável» e que deve ser tratado de forma
pacífica.
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Aniversário - Condecorado chefe da
missão no Iraque |
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GNR QUER MAIS ACÇÃO
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A reformulação e o reforço das
capacidades de vigilância activa e passiva da costa marítima
portuguesa foi defendida ontem pelo comandante-geral da GNR,
tenente-general Mourato Nunes, depois de reconhecer que esta foi a
área onde aquela força de segurança não alcançou com a dimensão
desejada os objectivos estabelecidos para 2003.
Na alocução
durante as cerimónias do 93.º aniversário da GNR, em Lisboa, Mourato
Nunes afirmou que os investimentos na vigilância da fronteira marítima
“são inadiáveis para podermos face a ameaças tão complexas e actuais
como o tráfico de drogas e pessoas, a imigração clandestina, os
ilícitos aduaneiros e ambientais ou a delapidação dos recursos
marinhos”.
Por outro lado, a Brigada Fiscal apesar da sua experiência e
capacidade está, hoje, perante um “esvaziamento legal das suas
competências de intervenção”, com as respectivas consequências
negativas.
Perante o Presidente da República, o primeiro-ministro e o ministro da
Administração Interna, Mourato Nunes não foi parco em ‘recados’ à
tutela, nomeadamente a respeito da “imprescindível autonomia
institucional da Guarda”, reclamando o assumir “com toda a clareza” da
“identidade institucional da GNR, concretizando, na lei, as
atribuições e competências que a prática quotidiana já consagrou”. Uma
definição a realizar-se na revisão da Lei Orgânica e do Estatuto dos
Militares da Guarda.
Após referir que Portugal é um dos países do Mundo que propicia
melhores condições de segurança, o comandante-geral da GNR reconheceu,
no entanto, que “continua a acentuar-se o sentimento de insegurança, a
que não é alheia a crescente exposição mediática e a abordagem
sensacionalista das questões da Justiça e segurança”.
Em relação ao Euro’ 2004, o responsável máximo da GNR chamou a atenção
para o facto de a segurança não se poder centrar apenas nos
espectáculos desportivos. “As situações mais problemáticas poderão
surgir em qualquer lugar, bem longe dos estádios”, alertou.
E no âmbito das preocupações antiterroristas, Mourato Nunes salientou
que “hoje, mais do que nunca, os diferentes membros dos sistemas de
segurança têm de resistir à tentação do protagonismo fácil e saber
aproveitar todas as sinergias do trabalho cooperativo”.
O comandante-geral afirmou ainda que a força que comanda está a
“alterar os modelos e a cultura de policiamento” no combate à
sinistralidade rodoviária, “privilegiando a intervenção sobre os
comportamentos e as circunstâncias identificadas” como mais
susceptíveis de causar acidentes.
Nestas cerimónias, onde 1600 novos soldados provisórios reafirmaram o
seu compromisso de honra com a GNR, foram ainda condecorados vários
militares desta força de segurança.
Entretanto, José Manageiro, da Associação de Profissionais da Guarda (APG),
lamentou que nos discursos oficiais não tenham sido anunciadas
melhores condições de trabalho dentro daquela força, nomeadamente um
horário de serviço definido.
PRESTÍGIO
CONDECORAÇÕES
Vários militares foram ontem condecorados, nomeadamente o antigo
comandante do Sub-agrupamento ‘Alfa’ no Iraque, tenente-coronel
Oliveira, bem como um civil, o médico Almeida, que acompanhou os
militares em missão naquele país. Também o cabo Deus, ferido o ano
passado num assalto no Algarve, foi condecorado.
PRESIDENTE
O Presidente da República considerou que falta ainda concretizar em
Portugal “uma cultura solidária de segurança” na qual “todos devem
sentir-se co-responsabilizados”. Na cerimónia de ontem, Jorge Sampaio
defendeu que a missão da GNR no Iraque deve ser cumprida nas melhores
condições possíveis.
PORTIMÃO MOSTRA MEIOS
O Grupo Territorial de Portimão exibiu ontem os meios das suas três
unidades (territorial, fiscal e de trânsito), numa exposição realizada
na zona ribeirinha da cidade e que contou com a presença do Governador
Civil de Faro, Valentim Rosado e de outras individualidades.
Para além de diversas viaturas, incluindo as dos programas Escola
Segura e Protecção à Natureza, e de uma lancha da Brigada Fiscal, o
muito público que acorreu ao local pôde apreciar o pelotão ciclo e uma
esquadra a cavalo, tendo lugar uma demonstração de cães-patrulha e de
cães de detecção de estupefacientes.
A exposição inseriu-se numa política “de maior proximidade ao cidadão,
numa espécie de abrir de portas da GNR”, segundo o capitão Victor
Calado, adjunto do comandante do Grupo Territorial de Portimão. Este
grupo tem sob sua jurisdição todo o Barlavento algarvio, de Albufeira
até aos extremos Norte e Noroeste da região.
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Sistema salarial
corrigido este ano |
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Tutela quer unificar diferentes tipos
de remunerações. Grupo de trabalho já está no terreno
Até ao final do ano, o sistema remuneratório das forças de segurança
será alterado e corrigido. A garantia foi dada pelo ministro da
Administração Interna, Figueiredo Lopes, que acompanhou uma operação
stop do Destacamento de Trânsito do Porto da Brigada de
Trânsito da GNR, realizada na madrugada de ontem.
Para tal, já foi criado um grupo de trabalho que deverá fazer o
levantamento do sistema salarial da PSP e da GNR na sua globalidade,
documento que deverá ser apresentado à tutela no final do mês de
Julho. "O actual sistema remuneratório é muito complexo. existem mais
de uma dúzia modalidades de pagamentos que gostaríamos de corrigir",
explicou Figueiredo Lopes.
"Queremos encontrar uma forma de remuneração mais racional do que a
que existe actualmente. Há de facto uma grande confusão", esclareceu,
sublinhando a multiplicidade de compensações, abonos, suplementos e de
vencimentos-base diferentes que existem ao nível da PSP e da GNR.
"Vamos alterar a actual situação onde acharmos que é necessário",
garantiu.
Depois de apresentada a primeira relação das diferente componentes
remuneratórias de todos os elementos das forças de segurança, prevista
para Julho, a tutela procurará arranjar mecanismos que uniformizem
todo o sistema. "As correcções que serão introduzidas até ao final do
ano ajudarão na clarificação e na transparência do sistema
remuneratório", lembrou Figueiredo Lopes.
Ao anunciar a reformulação do sistema de remunerações, o ministro da
Administração Interna afastou qualquer possibilidade de uma negociação
extraordinária do pagamento das horas extraordinárias cumpridas pelas
forças de segurança durante o Euro 2004. "Não estamos em condições de
desenvolver aquilo que vai acontecer", disse, respondendo assim à
reivindicação das forças de seguranças que propõem o pagamento das
horas extraordinárias em dinheiro.

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PSP Lança
Mega-operação para Ministro Ver |
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De sexta para sábado o Porto deu-se a ares
de "estado de sítio". Mais de 800 elementos da PSP deixaram as
esquadras e "varreram" a cidade. O comando metropolitano realizou em
24 horas as acções que, por norma, planeia para uma semana inteira.
Na operação "Maio Desperto" foram detidas
106 pessoas, fiscalizados 2460 veículos, e apreendidos 983 doses de
haxixe, 881 de cocaína, 331 de heroína, 25 telemóveis, 1850 euros. Um
"festim" preparado para agraciar a visita do ministro da Administração
Interna, Figueiredo Lopes, que se desdobrou em "orgulho".
O ministro chegou atrasado ao comando. A
noite caíra fria, a chuva assolava, mas as ruas já escoavam pouco
tráfego. Figueiredo Lopes atrasou-se num jantar com o governador civil
do Porto e os ex-titulares desse cargo. No Aljube, graduados da PSP
aguardavam pela "cerimónia de abertura". Figueiredo entrou por volta
das 23h00. O comandante metropolitano, Gomes Pereira, protagonizou
então o "briefing" sobre a mega-operação, que fora iniciada às 5h00 de
sexta e tinha fim planeado para as 5h00 de sábado.
A noite ia ainda pouco crescida e a PSP já
tinha o seu maior trunfo: a detenção de "Polaco", tido como
responsável por dezenas de assaltos violentos. Detido em Custóias,
evadira-se quando era levado para prestar declarações ao Tribunal de
Instrução Criminal. A Polícia Judiciária andava-lhe no encalço e
pedira ajuda à GNR e à PSP. Fora "encurralado" durante a tarde.
Houve tiroteio sobre a voz de prisão,
explicou o sub-intendente Pedro Teles, mas da troca de tiros ninguém
terá precisado de assistência médica.
A "comitiva" saiu do Aljube e encontrou,
logo na Rua Mouzinho da Silveira, uns agentes de "shot gun" em punho e
outros a "caçar" multas". Mais uns quilómetros e era a marginal
polvilhada de fardas. Os automobilistas pareciam confusos com tanto
aparato, mas divertidos com a "intervenção" ministerial. Mário
Pereira, de 19 anos, trazia o carro cheio de amigos. "Já sabia da
operação Stop". A mãe avisara. Os SMS têm cada vez mais funções.
O ministro caminhava já pela marginal,
onde estavam bem mais de uma dezena de agentes. Os ponteiros do
relógio assinalam a meia-noite e um elemento do seu gabinete abria uma
garrafa de champanhe. Soltavam-se comentários trocistas a propósito da
presença de álcool numa "operação Stop". "Isto não vale nada. Valia se
fosse sempre", atirava um rapaz, cabeça fora da janela. O ministro
havia de reafirmar a "tolerância zero", de dizer que os acidentes
rodoviários desceram 16 por cento no último ano. A operação
encarregar-se-ia de mostrar que a realidade permanece feia. Por
conduzir sob efeito de álcool, 50 pessoas foram detidas e outras 62
receberam autos de contra-ordenação.
Ao contacto com o alcoolismo segue-se o
confronto com a dependência de estupefacientes. A mega-operação
englobava 18 acções de controlo em bairros e outras áreas críticas. A
"comitiva" entrava no Bairro do Cerco, referenciado como o maior
mercado de droga da zona ocidental da cidade. Mais agentes ao monte,
armas visíveis, sirenes. Um cenário atípico. Os "supervisores"
avançaram para a esquadra da Foz, considerada "a pior" do Porto.
Figueiredo Lopes afirmou então que, nos últimos dois anos, foram
recuperadas 110 instalações da PSP e da GNR. Para isso, disse,
gastou-se cerca de 45 milhões de euros. Para este ano, estão ainda
previstos 3,3 milhões.
Ainda antes de visitar a esquadra das
Antas - exemplo de um equipamento recuperado - o ministro desceu a
Avenida da Boavista, onde fora montado o radar que controlou 3069
viaturas. O aparato espantava a clientela das prostitutas que
trabalham no Castelo do Queijo. As profissionais do sexo foram, de
resto, muito afectadas por este "Maio Desperto"
Ao longo da operação, a PSP fiscalizou 59
estabelecimentos de diversão nocturna. Nestas acções, efectuadas com a
colaboração de oito inspectores dos Serviço de Estrangeiros e
Fronteiras, foram identificados 271 imigrantes. A maior parte eram
mulheres: brasileiras, russas e colombianas. Segundo informou a PSP,
as rusgas aos bares e cafés resultaram na elaboração de 114 autos de
contra-ordenação. Pelo menos 24 mulheres foram notificadas para
abandonar país.
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Governo Desvaloriza Ameaça
dos Polícias de Depor Armas |
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O ministro da Administração Interna,
Figueiredo Lopes, considerou ontem, no Porto, serem "totalmente
deslocadas" as ameaças anteontem proferidas por representantes dos
profissionais da PSP, que equacionam a possibilidade de depor armas
durante o Euro 2004.
Depor armas seria, no entender dos
sindicalistas, uma maneira de contestar a alegada falta de condições
de trabalho e de dignidade dos elementos daquela força de segurança.
Figueiredo Lopes recusou alimentar a polémica. "Não quero comentar
essas afirmações", escusou-se. O ministro afiançou mesmo "não haver
guerra" entre o Governo e a polícia. E disse estar "confiante nos que,
com coragem e empenho, estão a contribuir para a segurança pública".
A madrugada de ontem foi deveras atípica.
Figueiredo circulou por avenidas e ruelas do Porto e encontrou uma
cidade que parecia estar em "estado de sítio", graças a uma
mega-operação montada pelo Comando Metropolitano da PSP para lhe
mostrar como trabalha. Foi, depois, espreitar uma "operação stop" da
Brigada de Trânsito da GNR, em Vila Nova de Gaia.
O aparato - em grande parte relacionado
com a "caça" a infracções rodoviárias - serviu para Figueiredo Lopes
apregoar reiterado "orgulho" nas forças de segurança. Com o andar da
noite, os jornalistas voltaram a pôr o dedo na ferida e o ministro lá
acabou por abordar o bicudo tema da remuneração de horas extra.
Os representantes dos profissionais da
PSP, que com o Euro 2004 terão de fazer muitas horas extraordinárias,
querem ser pagos em dinheiro e não em folgas. Alegam que não terão
"tempo" para gozar tão elevado número de folgas. Figueiredo Lopes não
disse se cede ou não a esta exigência, mas adiantou que foi
constituído um grupo de trabalho para analisar a situação salarial.
Até ao final de Julho, o ministério deverá
receber uma radiografia dos sistemas de remuneração em vigor - uma
espécie de manta de retalhos. E, ainda este ano, deverão ser
efectuadas as "correcções necessárias".
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Ex-director da PJ Denuncia
Corporativismo na Justiça |
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Por PATRÍCIA COELHO MOREIRA
Será a crise da Justiça tão importante que
seja prioridade no nosso país? E attravessará ela a crise de que falam
os jornais? As dúvidas foram lançadas anteontem pelo juiz-conselheiro
Marques Vidal, numa conferência realizada em Águeda com a presença do
secretário de Estado da Justiça, Miguel Macedo. Na sessão "Um olhar
sobre a Justiça", o magistrado admitiu que "nem tudo vai bem, mas
acrescentou que esta realidade "não deve ser olhada como a maior crise
do país e da humanidade". E "o que é preciso", defendeu, "é ter um
Governo suficientemente forte para racionalizar a administração da
Justiça, acabar com os corporativismos e preparar a comunicação social
para a olhar como qualquer outro fenómeno, com equilíbrio".
"Depois do 25 de Abril, tudo o que foi
poder neste país, dos comunistas de Vasco Gonçalves aos socialistas de
Mário Soares, até ao PSD de Cavaco e Durão, não pôs ordem nos juizes,
nos magistrados do Ministério Público e nos funcionários judiciais",
acusou Marques Vidal. "Os corporativismos têm corroído o miolo da
organização dos tribunais", censurou o juiz-conselheiro jubilado, para
quem "é preciso acabar com os benefícios de certos magistrados que se
julgam muito importantes só porque são magistrados".
No debate em que participou com o
secretário de Estado e o presidente da delegação de Águeda da Ordem
dos Advogados , o antigo director da Polícia Judiciária defendeu que
"é preciso concentrar os tribunais onde eles devem estar e suprimir
comarcas feitas em sítios onde há deputados eleitos". Outro reparo
aponta para a separação das magistraturas, que estão "de costas
voltadas uma para a outra". "A Justiça tem que ser unitária",
argumentou, reconhecendo "uma certa crise", mas chamando igualmente a
atenção para "outras": "Todos vivemos em crise e temos necessidade de
renovar".
Problemas com solução
"Não acho que estejamos a viver uma
especial crise de Justiça. Temos muitos problemas, mas não são
insolúveis", sustentou o secretário de Estado da Justiça. "Devemos
valorizar o que temos de positivo", acrescentou Miguel Macedo,
considerando existirem "bases sólidas para uma reforma a sério na área
da Justiça". No entanto, recorda: "Nos últimos 30 anos cresceram 20
vezes os processos que entraram em tribunal, e não houve, na mesma
proporção, investimentos na modernização do sistema judicial", atenta
o governante.
"Temos rigidez de estruturas a todos os
níveis no nosso país", e "a rigidez provoca uma incapacidade total
para se mexer em determinados níveis", diz Miguel Macedo. E esclarece:
"Há princípios conservadores a manter. Mas há que romper com o mau
conservadorismo em relação a más práticas." "Ou entendemos que um
conjunto de serviços de Justiça está adequado a prestar serviço aos
cidadãos, ou não tenho dúvida de que a pressão sobre os sistema
judicial não vai abrandar", avisa Macedo.
"Temos boas estruturas para boas reformas,
o que é preciso é olhar em frente", aposta o governante. "Quando sai
uma reforma dêem tempo para ver se os resultados são bons ou maus",
apela Miguel Macedo, considerando que "o essencial das reformas aponta
no bom sentido". "Não há erros? Há. Mas são os erros que vão parar a
reforma? Não, os erros são para corrigir", defende o secretário de
Estado.
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Esquadras e postos sem
condições para presos |
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IGAI alerta para condições irregulares
nas esquadras da PSP e postos da GNR. Há situações «susceptíveis de
favorecer suicídios» de detidos. Algumas já foram resolvidas.
A Inspecção-Geral da Administração
Interna (IGAI) identificou, no ano passado, condições irregulares em
algumas esquadras da PSP e postos da GNR «susceptíveis de favorecer
suicídios» de indivíduos detidos. A denúncia pode ler-se no relatório
de actividades da IGAI de 2003, resultado de acções de fiscalização
surpresa em vários locais das forças de segurança.
Ao todo foram inspeccionados 65 postos da
Guarda e 72 esquadras da Polícia. O relatório da IGAI, a que o
PortugalDiário teve acesso, ressalva que «não foi detectada qualquer
situação de violação de direitos fundamentais dos cidadãos». Foram
encontradas, no entanto, «situações que merecem especial atenção».
A começar pelas «zonas de detenção» que,
em «vários casos» não cumprem as normas do Regulamento de Detenções.
Existem, segundo os inspectores, «pontos de suspensão, portas e
janelas com grades e/ou com rede de malha que não obedecem aos
critérios» legais, o que é «susceptível de favorecer os suicídios». Já
depois da visita inesperada dos inspectores da IGAI, a GNR e a PSP
terão encerrado algumas dessas «zonas de detenção com vista à
correcção dos aspectos assinalados».
Outra situação detectada é a
desorganização no registo de ocorrências «nomeadamente relativo às
comunicações das detenções ao Ministério Público e aos talões
resultantes dos testes de pesquisa de álcool». Procedimentos que a
Direcção Nacional da Polícia tem procurado regularizar através da
criação de normas a aplicar em todas as esquadras.
O mesmo documento aponta ainda o dedo às
«deficientes condições de trabalho que continuam a verificar-se, com
especial incidência nos postos da GNR de Trás-os-Montes».
Estas advertências são o resultado de 137
visitas sem pré-aviso «em qualquer horário e em qualquer ponto do
país». O objectivo destas inspecções é conhecer a «situação no
momento, designadamente quanto aos procedimentos, atendimento ao
público, etc. As medidas tomadas pelas respectivas corporações
seguiram-se às recomendações da IGAI.
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Euro 2004: só GNR
trava os «hooligans» |
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Funcionários do SEF vão estar em greve
e recusam cumprir requisição civil. Não há ninguém para controlar as
fronteiras. Só a Guarda se ofereceu
A dois meses do Euro 2004 ainda não se
sabe quem vai vigiar as fronteiras de Portugal. O Ministro da
Administração Interna, Figueiredo Lopes, anunciou na Assembleia da
República que Portugal vai encerrar as fronteiras durante o campeonato
da Europa.
No entanto, recorde-se que o Serviço de
Estrangeiros e Fronteiras (SEF) tem marcado para os dias 11, 12, 16 e
17 de Junho uma paralisação total nos serviços. Além disso, não
cumprem horas extraordinárias desde o passado dia 15 de Abril.
Gonçalo Rodrigues, do Sindicato da
Carreira de Investigação e Fiscalização do SEF, garantiu ao
PortugalDiário que não acredita que seja solicitada uma requisição
civil, mas, caso o Ministério da Administração Interna (MAI) a faça,
«não a cumpriremos e vamos abrir um processo em Tribunal porque essa
requisição é inconstitucional».
Levanta-se então a questão sobre quem vai
fazer o controlo da entrada de estrangeiros em solo português.
Contactado pelo PortugalDiário, o gabinete de Figueiredo Lopes não
quis adiantar nada em relação às medidas a adoptar face à greve do SEF
e mantém as afirmações feitas de que o «o Ministério não fará
concessões sobre pressão».
Forças de Segurança sem
autoridade para substituir SEF
A Guarda Nacional Republicana (GNR)
colabora no controlo da entrada e saída de cidadãos nacionais e
estrangeiros no território nacional e garante que também durante o
Euro 2004 vai estar no terreno. «Temos acesso à base de dados do
espaço Schengen e vamos fazer as consultas necessárias e podemos
emitir mandados de captura caso seja necessário», explicou o Capitão
Tavares Belo do Comando Geral da GNR.
«O nosso dispositivo é muito flexível e
está sempre junto às fronteiras terrestres, mas, por agora não temos
conhecimento de pedidos de especial atenção. Se for solicitado, vamos
colocar à disposição todos os meios que temos em função das
situações», salientou o responsável.
O caso da Polícia de Segurança Pública
(PSP) é diferente. «O pedido de substituição de funcionários do SEF
não pode ser feito porque a legislação não o permite», disse o
Comissário Alexandre Coimbra da Direcção Nacional da PSP.
A PSP é a força responsável pela segurança
aeroportuária, mas «tem funções distintas do SEF. O problema tem de
ser resolvido pelo MAI e não pela polícia», continuou o oficial.
«Claro que se for necessário algum
reforço, em algum espaço mais delicado, com esforço podemos mobilizar
ajudas, mas não podemos assegurar o trabalho dos funcionários do SEF
porque não é da nossa competência», salientou.
No que respeita às fronteiras marítimas é
diferente, já que «não são os funcionários do SEF que estão nos barcos
a vigiar as águas», disse o Comandante Gouveia e Melo, da Marinha, ao
PortugalDiário.
Ainda assim, o controlo dos postos
fronteiriços é da responsabilidade do SEF, e, «em caso de greve, a
Marinha e a Polícia Marítima não podem substituir os inspectores
porque não têm autoridade para isso. Se vão ou não substituir isso já
é competência do Ministério da Defesa. Mas até agora ainda não nos foi
pedido nada», salientou Gouveia e Melo.
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Instalações da PSP
Atacadas em Chelas |
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A 3ª Esquadra da Divisão de Segurança da
PSP, em Chelas, foi na noite de quarta-feira alvo de um acto de
vandalismo, tendo um grupo de indivíduos, não identificados,
arremessado para dentro das instalações um pó azul.
De acordo com informação policial, o
incidente terá tido lugar cerca das 22h30, tendo sido de imediato
chamada ao local a delegada de Saúde da Região de Lisboa, que ordenou
a recolha de produto para análise e o encerramento das instalações. Os
dois elementos policiais que se encontravam de serviço deslocaram-se
ao hospital para exames, mas nada de anormal foi detectado.
Mais tarde, cerca das 3h de ontem, o mesmo
produto foi lançado para o corredor da camarata da Divisão de
Segurança da PSP, que se situa nas traseiras da esquadra, e onde se
encontravam cerca de 40 agentes a dormir.
De novo foi contactada a delegada de
Saúde, que não terá encontrado nenhum inconveniente em deixar os
homens prosseguir o sono, pois inevitavelmente teriam de pisar o pó
azul quando se levantassem, fosse àquela hora ou mais tarde.
Entretanto, foi recolhido mais produto para análise.
Os agentes só tomaram conhecimento do
ocorrido quando se levantaram para entrar de serviço, mas o produto,
que se supõe ser neve carbónica, não apresentaria nenhum risco para a
sua saúde.
A PSP aguardava ontem à tarde o resultado
das análises enviadas para o Instituto Ricardo Jorge, para poder
mandar proceder à limpeza e à reabertura das instalações afectadas.
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Deslocação de Polícias
para Estádios Agrava Défice de Efectivos nas Esquadras
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A deslocação de agentes da Polícia de
Segurança Pública (PSP) para o exterior dos estádios de futebol
contribui para deixar as esquadras apenas com um ou dois elementos, o
que pode ter efeitos sobre a segurança dos cidadãos e dos polícias. O
alerta parte do Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP). Por seu
turno, a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia admite que a
deslocação de elementos das esquadras para os estádios pode agravar o
défice de efectivos, mas coloca a tónica do problema na falta de
agentes sentida em todo o país.
Mário Morgado, director nacional da PSP,
nega a falta de efectivos, apesar de reconhecer a deslocação de mais
de dois mil agentes para a investigação criminal e a reforma anual de
cerca de 700. "Se estivesse a falar para hoje, poderia dizer que me
fazem falta agentes, mas, com as reformas em curso, vamos libertar uma
parte dos efectivos das tarefas administrativas e devolvê-los à rua",
afirma o director nacional, referindo ainda que, neste momento, está a
decorrer a informatização global da PSP.
"Segundo as nossas contas, só no comando
do Porto faltam à volta de 700 elementos, um défice que se acentua,
por exemplo, nas férias", refere Alberto Torres, presidente da ASPP.
"Naturalmente que há alturas, nomeadamente quando são reunidas as
'meias companhias' [um corpo feito a partir de agentes que trabalham
nas esquadras que só existe no Porto e serve, entre outras coisas,
para fazer policiamento nos estádios], em que a situação se agrava,
mas não é por isso que há falta de efectivos", defende Torres.
O SPP vê o problema de uma perspectiva
diferente. "Em função da falta de efectivos, é inadmissível que se
esteja a desviar agentes das esquadras para satisfazer interesses
quase exclusivamente económicos das SAD [Sociedades Anónimas
Desportivas] e dos seus accionistas", defende Jorge Rufino, da
direcção do sindicato. E acrescenta: "Com os desvios, há esquadras
que, mesmo em período nocturno, ficam com apenas um ou dois elementos.
Estas áreas ficam desprotegidas e são alvos fáceis para os
criminosos".
Os agentes que a ASPP e a SPP se refere
fazem o policiamento do exterior do recinto desportivo e trabalham em
regime ordinário (pagos pelo Estado e dentro do horário normal de
trabalho).
Esta é, por isso, uma situação diferente
da noticiada pelo PÚBLICO na passada segunda-feira. Em causa estava o
policiamento gratuito de uma parte dos agentes que garantem a
segurança no interior do Estádio do Bessa. Nessa situação, o normal é
todos os elementos que fazem o policiamento interno trabalharem em
regime de gratificados (serviços extras que são feitos nas folgas dos
agentes e pagos pelos clubes). O que acontecia no estádio do Boavista
é que apenas uma parte era paga nestes moldes. Os outros trabalhavam
em serviço ordinário (no horário normal de trabalho e pagos pelo
Estado).
A separação de tratamento baseia-se num
entendimento entre o Governo e os clubes de futebol profissional que
prevê que o policiamento feito no interior dos estádios fica a cargo
dos clubes e o das áreas envolventes a expensas do Estado.
Um caso decorrido no Bairro do Cerco a 6
de Abril de 2003, em que cinco agentes da PSP foram agredidos, é dado
pelo SPP como um mau exemplo da utilização das forças de segurança.
Segundo a versão do sindicato, os agentes não foram socorridos pela
Brigada de Intervenção Rápida (BIR) da área, porque esta se encontrava
a regularizar trânsito nas imediações do antigo Estádio das Antas
enquanto decorria um jogo.
Os agentes daquela brigada "têm sido
utilizados", "quando há jogos de futebol", "em três turnos,
consecutivos, num só dia", nas ruas adjacentes aos estádios,
sublinhava a direcção do SPP, numa carta enviada ao comandante do
Porto em Abril do ano passado. "Regularizar trânsito e guardar
estacionamento são serviços da polícia que as BIR podem fazer
esporadicamente, mas não são a sua missão principal, que é intervir em
casos de desordem pública", insiste Jorge Rufino.
No documento, a que o PÚBLICO teve acesso,
sustenta-se que a utilização exclusiva dos elementos da PSP no Estádio
das Antas teria eventuais efeitos sobre a segurança dos munícipes, mas
também dos colegas polícias "em caso de ajuda necessária e urgente" -
como aconteceu naquele dia, no Bairro do Cerco. O resultado, segundo
alguns dirigentes do SPP, foi que a BIR que estava mais próxima do
local do incidente foi a última a chegar. A resposta à carta nunca
terá chegado. |
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