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Maioria dos novos
polícias sem "casa" |
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Camaratas dos comandos estão
cheias e o pavilhão da Reboleira continua a servir para dormir
A maioria dos novos 780 agentes da Polícia de Segurança Pública não
têm alojamentos nas localidades onde vão iniciar funções. Garantidas
estão as instalações para 90 polícias que vão continuar na escola, em
Torres Novas, porque vão reforçar as equipas para o Euro 2004.
Apesar de alguns comandos da PSP terem camaratas, a verdade é que,
neste momento, estão ocupadas por outros polícias que, só em Julho,
deverão mudar de comando. O JN soube que 700 dos novos agentes serão
colocados no Comando Metropolitano de Lisboa, onde ficarão a dormir em
pensões, casas de família ou no pavilhão da Reboleira.
Segundo fonte do Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP), no ano
passado, muitos agentes dormiram em sacos-cama, no chão do pavilhão. O
SPP diz esperar, através de pedidos feitos às câmaras de Lisboa e
Amadora, instalar em apartamentos, pelo menos, cerca de 30 agentes,
havendo ainda mais três apartamentos particulares, já disponíveis para
receber os polícias.
Soluções que não agradam, já que todos os agentes descontam para os
Serviços Sociais, a quem, em outros países da Europa, compete arranjar
alojamento. "Os Serviços Sociais da PSP só existem como nome", disse a
mesma fonte do SPP.
O director nacional da PSP diz não haver "qualquer obrigação legal"
por parte da Polícia em arranjar alojamento para os agentes, mas que,
apesar disso "a Polícia deve ajudar a resolver estes problemas".
Segundo Mário Morgado, há instalações disponíveis em alguns comandos
que vão ser ocupadas por estes agentes.
Os 780 agentes que, ontem, terminaram o curso em Torres Novas estão
preparados para qualquer tipo de eventualidade no Euro 2004. A
declaração foi feita pelo ministro da Administração Interna, durante
as cerimónias de encerramento do curso, tendo garantido uma
compensação aos agentes envolvidos nessa operação.
Figueiredo Lopes diz que o país "tem agora mais agentes ao dispor" e
pediu aos novos polícias que pautem a sua conduta "pelos valores
ético-profissionais".
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Ministro Assegura
Prontidão da Polícia |
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O ministro da
Administração Interna, Figueiredo Lopes, garantiu em Torres Novas que
os novos agentes da PSP que ontem terminaram o curso estão preparados
para qualquer eventualidade no Campeonato da Europa de Futebol.
"Temos aqui hoje uma
grande resposta da vontade do Governo, do trabalho que está a fazer"
no investimento em formação para os agentes, considerou Figueiredo
Lopes no final de mais um curso da Escola Prática de Polícia de Torres
Novas, onde foi introduzida formação específica para o Euro2004.
Ontem de manhã foram
apresentados na Escola Prática da PSP 780 novos agentes, que receberam
formação específica de 75 horas em "técnicas de intervenção policial e
novas metodologia de investigação policial". No total, garantiu o
ministro, existem cerca de 12 mil agentes com formação adicional
devido ao Europeu de futebol, que "é um evento de inegável interesse
nacional".
O ministro garantiu
ainda que os agentes envolvidos na operação de segurança do campeonato
vão receber uma compensação financeira, mas escusou-se a adiantar o
seu valor.
O governante destacou
que foi feito um investimento da tutela em equipamento e veículos para
a polícia, num total de dez milhões de euros, correspondendo a uma
política que representa "uma aposta clara na modernização das forças"
de segurança, com "condições operacionais adequadas ao desempenho da
PSP". Recentemente, decorreu uma operação policial bastante importante
em Fátima que revelou uma "eficácia visível do dispositivo para
proteger e apoiar os peregrinos", salientou. No entanto, o ministro
apelou para que os novos agentes pautem a sua actuação "pelos valores
ético-profissionais de conduta", de modo a garantir a "segurança e
tranquilidade dos cidadãos".
O director da Escola
Prática, António Chumbinho, salientou que "foi dada uma preparação
direccionada para o efeito, com incidência nalgumas disciplinas, como
técnica do serviço policial, táctica das forças de segurança, em
particular o módulo policiamento desportivo, com aumento das cargas
horárias e treino prático". Além disso, "nas diversas vertentes, como
métodos de intervenção com adeptos e gestão de segurança de
selecções", os 780 novos agentes estão preparados para os
"dispositivos tácticos dos diversos comandos da PSP, que terão a
responsabilidade da conduta dos sistemas de policiamento e segurança",
acrescentou.
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Polícias nos
aeroportos expõem problemas da PSP |
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ABAIXO-ASSINADO
Sem resposta
"Decidimos dar-vos a conhecer o nosso descontentamento pela falta de
respostas do Governo, desde Junho de 2002, para os problemas da
Polícia". Esta é a explicação que os profissionais da PSP dão nos
desdobráveis (redigidos em Português, Francês e Inglês) que são
distribuídos hoje aos passageiros, nos aeroportos de Faro, Lisboa e
Porto. A iniciativa da Associação Sindical dos Profissionais da
Polícia decorre, segundo fonte sindical, do facto de o ministro da
Administração Interna ter ignorado um abaixo-assinado que lhe foi
apresentado recentemente pelos profissionais da PSP que prestam
serviço nos aeroportos. Ontem, o comandante metropolitano de Lisboa da
PSP esteve no aeroporto de Lisboa a apelar ao sentido de
profissionalismo dos polícias.
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Polícia Acredita Que
"Hooligans" Não Chegarão a Portugal |
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O esquema de controlo e
segurança montado em cada um dos países participantes no Euro 2004
"dificilmente" permitirá que algumas dezenas de adeptos, de várias
nacionalidades, catalogados como muito violentos consigam chegar a
Portugal durante o evento. Essa é a convicção dos responsáveis das
forças policiais portuguesas que ontem, nas instalações do Corpo de
Intervenção da PSP, em Lisboa, realizaram uma reunião de trabalho com
dois formadores ingleses do Centro de Formação e Ordem Pública (CENTREX).
O subintendente José
Pires disse ao PÚBLICO que os peritos ingleses que se deslocaram a
Portugal abordaram as tácticas de controlo de multidões e aconselharam
as polícias nacionais. Mesmo ressalvando o facto de a realidade
inglesa ser diferente da portuguesa, quer no aspecto jurídico, quer
culturalmente, aquele oficial da PSP considerou vantajosa a troca de
informações em curso (e não apenas entre polícias portugueses e
ingleses, mas com todos os dos restantes países), garantindo que,
"nunca como desta vez" se fez um intercâmbio tão acentuado.
"O sistema de troca de
informações internacional está idealizado para que não venham os
habituais arruaceiros", adiantou. "É verdade que nunca ninguém pode
garantir seja o que for, mas a forma como tudo está a ser tratado
permite pensar que, muito dificilmente, os habituais arruaceiros
conseguirão chegar a Portugal e, em alguns casos, sair do seu país
durante o Euro", disse ainda o mesmo responsável.
O subintendente Pires,
mesmo não dispondo do número total de adeptos suspeitos contabilizados
em cada um dos países que vão disputar o Euro, sempre adiantou que,
"em situações como esta, o que muitas vezes conta não é o número de
eventuais prevaricadores, mas sim a sua capacidade de mobilização".
Em Inglaterra, ao
contrário do que sucede em Portugal, as forças policiais não têm por
hábito colocar pessoal à civil junto dos adeptos, mas, por outro lado,
o contacto entre polícias e assistentes de recintos desportivos está
afinado há muitos anos, ao ponto de ambos trocarem informações e, em
caso de necessidade, actuarem em conjunto. No caso do Euro 2004, as
autoridades policiais portuguesas esperam vir a reforçar a colaboração
com os assistentes, tanto mais que já foi publicada a lei que permite
às forças e agentes de segurança efectuarem revistas à entrada dos
estádios.
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Julgamento: testemunhas contradizem-se |
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VALENTIM DESMENTE INJÚRIAS
À POLÍCIA |
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Valentim Loureiro voltou a sentar- -se
ontem no banco dos réus, desta vez para responder por injúrias a dois
agentes da 16.ª Esquadra da PSP do Porto.
O presidente da Câmara de Gondomar é
acusado de em 4 de Outubro de 1999 ter mandado "à m ." os dois agentes
que tinham autuado a viatura da filha. Valentim terá afirmado na
ocasião que os agentes precisavam de "um comandante à altura para os
pôr na linha".
O julgamento ficou marcado por várias contradições entre os
depoimentos dos dois polícias, de Valentim Loureiro e de duas
testemunhas de Defesa.
A juíza Maria Antónia Carvalho e a procuradora Margarida Martins
requereram ontem no Tribunal Criminal do Porto, no Bolhão, uma
acareação entre as testemunhas de acusação e de defesa.
O Major declarou: "Os agentes estavam a multar os carros estacionados
em cima do passeio à porta da casa da minha filha. Disse-lhes que não
estorvavam e que era a forma de permitir a passagem dos camiões do
lixo. Fizeram de conta que ninguém falou para eles. Também referi que
não estavam bem uniformizados e não os mandei à merda, apenas disse
que "isto é uma m .", virado para o meu genro e um amigo que estavam à
porta da casa da minha filha".
Seguiram-se os depoimentos dos dois polícias, Alcino Pinto e António
Ribeiro da Costa, que confirmaram o facto do Major os ter questionado
de forma prepotente e autoritária, e de ter saído do carro aos berros
dizendo que "eram uns m . e que a Polícia precisava de um comandante à
altura".
O genro de Valentim Loureiro, Alex Himmel, e um amigo confirmaram as
palavras do major.
Gabriela Santos, a vizinha que pediu aos agentes para multar os
carros, testemunhou os factos e considerou ofensivas as palavras do
Major aos agentes. O julgamento vai continuar a 3 de Junho.
À saída do tribunal, Valentim Loureiro escusou-se a qualquer
comentário.
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O PROTESTO
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Os cerca de 300 efectivos da PSP
destacados no aeroporto da Portela, em Lisboa, vão amanhã, no período
compreendido entre as 7h e as 19h, vistoriar cerca de 50 por cento das
bagagens de mão dos passageiros que embarcam e desembarcam. Trata-se
de uma acção de protesto contra, dizem, a falta de condições de
trabalho e a perda de algumas regalias.
"Normalmente só um número muito reduzido
de passageiros vê a sua bagagem de mão revistada. É uma acção morosa e
que pode causar muitos atrasos nos embarques e desembarques", disse ao
PÚBLICO um dos agentes que ali presta serviço. "Estamos convictos que,
depois de revistarmos 50 por cento dos passageiros, e são muitos
milhares os que por aqui [aeroporto] passam todos os dias, haverá
prejuizos acentuados. Muitos voos vão sofrer atrasos", sublinhou.
"Mas esta é uma medida que temos de tomar
por não nos respeitarem, ao ponto de pretenderem encerrar a messe,
obrigando-nos a tomar as refeições noutra, que nada tem a ver com a
polícia, que é mais cara do que a nossa, e que para além de estar
encerrada aos fins-de-semana, só serve almoços", sublinhou. A acção
está decidida há mais de um mês e terá sido aventada pelos polícias
filiados na Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP).
Os associados do Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP), tendo
tomado conhecimento da acção de protesto, decidiram aderir.
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Polícias estão
preparadas para «todos os cenários» |
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A maior operação policial desde a
presença do Papa João Paulo II, em 2000, vai estar nas ruas de Fátima
hoje e amanhã, durante as celebrações do aniversário das aparições.
Este ano a peregrinação do dia 13 de Maio é dedicada ao quarto
mandamento: «Honra teu pai e tua mãe».
A presença de milhares de pessoas no Santuário nos próximos dias, num
contexto mundial de ameaças de terrorismo em eventos com grandes
multidões, levou a Polícia de Segurança Pública (PSP) a preparar
medidas excepcionais de segurança, incluindo a presença na localidade
das unidades especiais desta força de segurança.
Os responsáveis da PSP garantem que os elementos desta corporação
estão preparados «para todos os cenários possíveis». Incluindo o
terrorismo, como frisou ao DN, o comissário Lopes Martins, responsável
pelo dispositivo de segurança no recinto.
Recusando divulgar o número de agentes envolvidos - recorde-se que em
2000 estiveram de serviço cerca de 1500 polícias - afiançou: «O número
será o suficiente para perspectivar a segurança que o evento merece.
Será um número grande.»
Garantiu, por outro lado, a invisibilidade dos agentes, pois o modelo
de policiamento será de low-profile, ou seja «de baixa ostentação,
devido à natureza pacífica do evento».
Confirmou, no entanto, que, desde a semana passada, estão em serviço
no Santuário e zonas limítrofes centenas de elementos das forças
policiais, numa operação que além da PSP envolve a GNR, PJ, Serviço de
Estrangeiros e Fronteiras, Protecção Civil, a Inspecção-Geral das
Actividades Económicas e instituições de acção social.
Além destas entidades vão estar de serviço 25 corpos de bombeiros, num
total de duas centenas de homens, e dois veículos do Instituto
Nacional de Emergência Médica.
O sistema de vídeovigilância do Santuário e as câmaras instaladas na
auto-estrada pela Brisa, serão «ajudas» cruciais para observar as
movimentações de pessoas e veículos, tanto dentro do recinto como à
chegada a Fátima. «As câmaras da Brisa vão permitir-nos identificar
viaturas suspeitas», reconheceu Lopes Martins.
Quanto ao modelo de policiamento em prática nestes dias, o comandante
da secção de Tomar da PSP frisa que assenta em dois pontos: «Grande
visibilidade num anel que vai diminuindo até ao interior do recinto.
Aí não vai haver visibilidade, mas teremos um grande número de
efectivos à civil».
A opção pela presença de um elevado número de elementos num perímetro
afastado do Santuário tem como objectivo a «detecção de qualquer
movimento que possa degenerar em pânico, para que a nossa reacção seja
imediata e selectiva. De forma a eliminarmos problemas logo à
partida», explicou o oficial.
O comissário deixou ainda um aviso aos visitantes: «Não deixem volumes
abandonados, por exemplo uma mochila, pois as pessoas que o fizerem
vão ser chamadas à responsabilidade».
Os fluxos de trânsito são outra das preocupações das autoridades
durante as próximas 48 horas. Por isso, a PSP aconselha os visitantes
e peregrinos a chegar ao Santuário «o mais cedo possível» e a deixarem
os carros nos parques fora de Fátima. Até porque haverá vias
encerradas junto ao Santuário - as ruas José Correia Alves da Silva,
Cónego Formigão e João Paulo II e as pracetas de S. José e S. António
- situação que dificultará a circulação automóvel naquela zona.
A Brigada de Trânsito da Guarda Nacional Republicana está encarregue
de vigiar o tráfego na Auto-estrada 1 e os acessos à localidade. Nos
últimos dias os militares da Brigada foram ainda responsáveis pela
distribuição de quatro mil pulseiras reflectoras, disponibilizadas
pela Direcção-Geral de Viação, aos caminhantes que circulam pelas
diversas estradas que dão acesso ao Santuário.
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E os polícias
são os principais compradores... |
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Crachás da PSP à venda na Feira da
Ladra |
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O crachá e carteira que
compramos na Feira na Ladra. Uma imitação tão perfeita que, ao
que nos disseram, é usada pelos próprios polícias.
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Não admira que os crimes cometidos por ‘falsos polícias’ sejam
cada vez mais frequentes. Qualquer pessoa pode comprar uma
imitação do crachá da PSP e usá-la para o que lhe convier. «o
Crime» comprou um destes distintivos por 12 euros, carteira
incluída, e ninguém nos perguntou se éramos polícias.
Curiosamente, ao que nos dizem, os «principais compradores
destas imitações são os próprios agentes policiais».
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Não tem nada que saber. Para executar o truque do ‘falso polícia’
basta um crachá de uma força policial. Perante uma carteira que se
abre e exibe o reluzente distintivo de metal, qualquer pessoa se
coloca de uma forma quase automática à disposição do ‘agente da
autoridade’. Quem já descobriu isto há muito tempo foram os
delinquentes, que cada vez mais recorrem a este truque para
conseguirem os seus intentos (ver caixa). E não se pense que é
preciso recorrer ao mercado negro ou a uma ‘falsificação caseira’
para conseguir um destes crachás. Em Lisboa, da Feira da Ladra às
lojas de venda de artigos militares, é possível adquirir perfeitas
imitações de distintivos de várias forças policiais e militares e
respectivo material e fardamento, sem que seja levantada qualquer
questão ao comprador.
O repórter de «o Crime» adquiriu um destes distintivos e
respectiva carteira por 12 euros. Feita a comparação, é quase
impossível distinguir a falsificação, do original. Por ventura a
única diferença está no número de identificação do agente, que a
falsificação não ostenta. Contudo, este pormenor não levanta
problemas de maior uma vez que estes algarismos estão gravados no
verso do crachá verdadeiro.
Inquiridos os lojistas, ficamos a saber que os principais
compradores destas falsificações são, curiosamente, os próprios
agentes policiais. A razão é simples: no caso de perda, roubo ou
extravio do crachá, o polícia tem de dar conhecimento disso ao
superior e é-lhe movido um processo disciplinar, que normalmente
culmina com a aplicação de uma multa, além de ter de pagar o novo
distintivo. Para se salvaguardar da hipótese de punição, é
frequente os agentes recorrerem às lojas de artigos militares e aí
adquirirem as imitações. Passam então a utilizar estes ‘crachás
piratas’, como lhes chamam. O original, esse, fica em casa, a
salvo de qualquer imprevisto.
Quem parece não se
preocupar com esta situação é a própria Direcção Nacional da
PSP. Contactado atempadamente pelo nosso jornal, Mário
Morgado, director nacional da PSP, não respondeu às nossas
perguntas até ao fecho desta edição. Pretendíamos saber
nomeadamente quantos agentes da PSP declararam a perda ou extravio
do crachá no último ano. E queríamos também saber que medidas a
Direcção Nacional da PSP poderia tomar para impedir a
proliferação destes falsos crachás.
Borlas...
A utilização de
distintivos da polícia tem muitas vezes em vista a entrada livre
em espectáculos e recintos desportivos. Assim, o uso de um crachá
falso, com a conivência dos porteiros dos respectivos recintos,
pode permitir o livre acesso a estes locais. Dadas todas as
preocupações de segurança que ultimamente têm sido levantadas,
tendo em conta o Euro 2004 e o Rock in Rio, esta
utilização pode revelar-se preocupante, até porque se pode prever
que ao ser facultada a entrada a um suposto agente à paisana, este
não será revistado como os demais espectadores.
Como que
comprovando esta utilização abusiva do crachá e como medida
preventiva contra este tipo de abusos, o Governo, através do
Decreto-Lei nº 79/2004, de 6 de Abril último, estabelece as
categorias de agentes públicos a quem é reconhecido o direito de
livre entrada em recintos desportivos. Ou seja, restringe o acesso
aos recintos desportivos durante o Euro 2004. Ao abrigo deste
Decreto-Lei, agentes da PJ, PSP, GNR, e
outros agentes públicos, vão ter de pagar bilhete para assistir
aos jogos do Euro 2004. No entanto, garantem-nos alguns
agentes policiais contactados pelo nosso jornal, haverá concerteza
quem arrisque e recorra ao crachá para tentar entrar à borla nos
jogos do Euro 2004 e nos espectáculos do Rock in Rio.
Falsos polícias
Belém, uma da manhã. Três homens exibem um crachá da PSP e mandam
parar um automóvel. O condutor obedece ao sinal dos ‘falsos
agentes à paisana’. Os indivíduos entram no carro e ameaçam o
automobilista com uma pistola. Obrigam-no a seguir viagem e, pouco
depois, mandam o condutor parar o veículo. Roubam-lhe a carteira,
as chaves do carro e de casa, o telemóvel e o cartão multibanco.
Como se recusa a divulgar o código do cartão de débito, os ‘falsos
polícias’ agridem violentamente a vítima até o conseguirem. De
seguida, abandonam a viatura e o condutor sem as chaves e põem-se
em fuga a pé.
Cerca de uma hora mais tarde, a Brigada de Trânsito da GNR é
abordada por outros dois homens, a quem foi roubado o Fiat Uno em
que viajavam. Queixam-se de ter sido assaltados nos mesmos moldes,
vítimas do mesmo trio. Os militares partem numa busca aos
‘paisanas’ e acabam por interceptá-los em Carcavelos. Os
delinquentes, com 26, 40 e 46 anos, são detidos na posse de falsos
crachás da PSP, uma arma e haxixe. Um deles, o condutor do Fiat
roubado, apresenta uma taxa de álcool de 1,40.
Este duplo assalto
foi perpetrado em Lisboa, na madrugada de 28 de Abril último. A
principal arma utilizada pelos criminosos foi um falso crachá da
PSP... |
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O Potencial de Violência
nos Jogos do Euro É Menor do Que nos Nacionais |
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"Veterano" do futebol - tem acompanhado
pelo mundo inteiro, desde 1998, a selecção portuguesa -, o
subintendente Luís Simões, comandante da 3ª Divisão da PSP de Lisboa,
baseado na sua experiência, acredita que os jogos do Europeu
envolverão menos problemas do que os que rodeiam os grandes clássicos
em Portugal. E isto, essencialmente, porque nem claques nem dirigentes
alimentarão um clima de tensão.
Luís Simões é o responsável pelo
policiamento dos estádios de Lisboa (do Sporting e do Benfica) onde
irão realizar-se 10 dos 31 jogos do Euro 2004 e sabe que a ele e aos
seus homens os espera um mês de trabalho árduo. Avisa ainda que são
inevitáveis problemas. Mas espera que se confirme a sua convicção de
que os jogos internacionais são menos perigosos que os que envolvem o
confronto entre rivais nacionais.
"A paixão e a tensão são muito maiores nos
jogos nacionais. Nos internacionais acaba por existir confraternização
entre os espectadores de diferentes países e o potencial de violência
é menor", explica. Luís Simões diz que as claques estão geralmente na
origem da maioria dos problemas que se registam nos jogos. "A tensão
que se vive nos estádios está relacionada com a identidade social, a
necessidade de afirmação e o sentimento de invulnerabilidade que estes
indivíduos sentem quando estão em grupo. É curioso verificar-se que,
depois de protagonizarem as coisas mais incríveis, quando afastados do
grupo grande parte deles tem dificuldade em se reconhecer nos actos
que acabou de praticar", observa.
O subintendente considera os dirigentes
desportivos "em parte" responsáveis pela situação de instabilidade que
se vive nos estádios e afirma que, por este andar, se arriscam a
deixar o espectáculo, "se não morto, pelo menos moribundo". A sua
crítica parte no essencial de os dirigentes não "terem uma posição
firme em relação à atitude dos seus adeptos quando provocam
desacatos". "Continuam a apoiá-los nessas situações e posteriormente.
Ora, deveria acontecer precisamente o contrário. Quando há incidentes,
os dirigentes desportivos deveriam ser mais pragmáticos e tão
exigentes com os seus apoiantes como o são com os das equipas
adversárias", defende.
Mas as responsabilidades, na sua opinião,
não ficam por aqui: "Outros agentes ligados aos fenómenos desportivos,
como as próprias forças de segurança e os organismos que têm
competências para aplicar sanções, coimas e interditar o acesso aos
recintos, deveriam ser mais rigorosos e menos tolerantes".
Um mês excepcionalmente duro
Apesar do optimismo face aos jogos do
Euro, Luís Simões não tem dúvidas de que para os homens que comanda e
para as forças policiais em geral, o Euro significa um mês de trabalho
excepcionalmente duro. "Será complicado sob o ponto de vista físico,
pois só em seis dias teremos cinco jogos, mas também sob o ponto de
vista psicológico, especialmente se se registarem incidentes. Os
portugueses têm de ter consciência que nestes eventos é quase
impossível não haver incidentes. Se isso acontecer, seremos mesmo os
primeiros", assinala.
O comandante da 3ª divisão acredita também
que a polícia portuguesa está preparada para o Euro. "Mesmo com os
meios de que dispomos, que são menos do que os que utilizaremos na
altura do campeonato, temos mostrado que sabemos dar resposta às
situações. Fomos avaliados por peritos de segurança da UEFA e a
conclusão é de que as nossas práticas estão ao nível do melhor da
Europa", garante.
Tem ainda outra certeza: os estádios e as
suas imediações serão os locais mais seguros de Lisboa durante a
realização dos jogos. "Os problemas poderão surgir em locais de
divertimento, um pouco por toda a cidade, em muitos casos ditados pelo
álcool, e é por isso que todos temos de estar atentos. Lisboa não vai
parar. Continuará a haver aulas, as pessoas vão para os seus empregos
e tudo tem de seguir a sua normalidade com o mínimo de inconvenientes
possível", assegura.
A forma como os lisboetas receberem os
visitantes será preponderante para que tudo corra pelo melhor. "Não
vamos ser invadidos por bárbaros. Mesmo os que bebem demais podem não
ser 'hooligans' em potência. Na maioria, até são pacatos cidadãos que
não causam problemas nenhuns. Se todos os lisboetas receberem os
visitantes cordialmente, sem acicatar ânimos ou incitar à violência,
darão uma ajuda preciosa para que tudo corra bem", afirma.
E entende recordar uma conversa com um
adepto inglês durante o Mundial da Coreia. Conhecido pelas suas
"tropelias", o inglês teve um comportamento sem mácula. Luís Simões
perguntou-lhe porquê. E teve resposta: "Como podemos provocar
desacatos se eles nos tratam tão bem, se são tão simpáticos?..."
Cada Vez Mais Distante do
Futebol
Luís Simões jogou futebol como júnior em várias equipas distritais e
chegou mesmo a integrar a do Sport Lisboa e Benfica. Mas hoje garante
que tudo o que rodeia o espectáculo o faz afastar cada vez mais.
"Quando começamos a perceber que o futebol não é só o que se passa
dentro das quatro linhas, começa o desencanto", explica. Como oficial
da PSP responsável pelo policiamento e sempre presente nos estádios,
Luís Simões confessa que na maior parte das vezes nem sabe como estão
os jogos ou quais os resultados. Se ele não persegue o futebol, a
verdade é que o futebol o persegue a ele. Nos últimos anos muitos têm
sido os estádios, um pouco por todo o mundo, por onde tem acompanhado
as selecções de Portugal. Licenciado em Ciências Policiais e em
Sociologia, Luís Simões, de 36 anos, iniciou a sua carreira em 1990,
na esquadra de Évora, onde se manteve durante dois anos. Em 1992
transitou para o Comando-Geral da PSP, onde trabalhou nas operações
até 1998. Pelo meio realizou duas missões ao serviço da ONU e da UEO,
em Moçambique e na Bósnia. Destacado para a Divisão da PSP na Amadora,
onde exerceu funções de comissário durante dois anos, tornou-se
comandante daquela unidade em 2000. Em Outubro de 2001 foi chamado a
comandar a 3ª Divisão de Lisboa, onde se mantém em funções. Entre 1998
e 2000 foi um dos oficiais de ligação da selecção na campanha do Euro
2000. Em 1999, foi oficial de segurança da selecção nacional de Sub 20
no Mundial da Nigéria. Em 2002, foi oficial de ligação de Portugal do
Mundial da Coreia.
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Ministério Público
não sabe investigar processos
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Ou paga logo ou fica sem
carro... |
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Ou paga imediatamente a multa, ou fica com
o carro apreendido. A medida consta do novo Código da Estrada,
aprovado ontem em Conselho de Ministros, e vai ser hoje anunciada pelo
ministro da Administração Interna, Figueiredo Lopes, em Coimbra, após
um encontro com os diversos governadores civis, apurou o DN.
Além da significativa alteração do valor das coimas, o novo Código da
Estrada vai «introduzir a inovação de o pagamento das coimas
decorrentes da infracção na estrada passar a ser realizado no momento
da infracção». Caso contrário, «o carro fica apreendido». Esta medida
é sobretudo para ser aplicada em casos como os de excesso de
velocidade nas estradas. Que é uma verdadeira praga nacional.
«É uma medida que existe na generalidade dos países da Europa. Nesse
sentido, tornamo-nos mais europeus. E é um sistema mais eficaz e
verdadeiramente dissuasor da infracção», disse ontem ao DN um ministro
de Durão Barroso, após a reunião do Conselho de Ministros, explicando
a iniciativa. Esta medida, como hoje deve sublinhar Figueiredo Lopes,
implica um grande esforço de meios financeiros, de forma a dotar as
viaturas da Brigada de Trânsito (BT) da Guarda Nacional Republicana
(GNR) dos meios necessários - nomeadamente terminais ATM, os vulgares
multibanco - a actuar de norte a sul
do País. Apesar da obrigatoriedade do pagamento imediato da multa, sob
risco de ficar apeado, o automobilista tem garantidos e intactos os
seus direitos de recorrer da decisão.
Contudo, no encontro com os jornalistas, no final do Conselho de
Ministros, o Governo não divulgou que alterações entrarão em vigor,
remetendo essas informações para uma conferência de imprensa a
realizar no início da próxima semana. «Este diploma contém um conjunto
de alterações suficientemente profundas para que se possa dizer que é
um novo Código da Estrada, no sentido substantivo do termo», foi a
explicação oficial.
O Ministério da Administração Interna manteve a mesma posição,
alegadamente «porque o diploma ainda fará uma ronda por vários
ministérios para que se realizem pequenos acertos. Há dois ou três
aspectos que precisam de ser limados», disse ao DN fonte da tutela .
Ainda segundo a mesma fonte, notícias divulgadas em vários órgãos de
comunicação social sobre as alterações ao Código da Estrada não estão
correctas na sua maioria. «Anda a circular muita informação errada»,
garantiu.
PROCESSO A revisão do Código da Estrada estava prometida há quase um
ano e meio. Na apresentação do Plano Nacional de Prevenção Rodoviária
(PNRP), em Março de 2003, foi o próprio primeiro-ministro, Durão
Barroso que, aludindo à necessidade de travar a guerra civil nas
estradas portuguesas, anunciou a entrada em vigor do novo Código.
Foram divulgadas algumas das metas a atingir: o agravamento pecuniário
das coimas, maior limitação da velocidade dentro das localidades e os
novos tipos de infracção. Circular a mais de 70 km/hora dentro das
localidades e falar ao telemóvel enquanto se conduz, passariam a ser
contra-ordenações muito graves, os limites mínimo e máximo das coimas
por excesso de velocidade e consumo de álcool seriam revistos em alta
e o uso de um colete reflector passaria a ser obrigatório em todos os
veículos, tal como já sucede com o triângulo de sinalização de perigo.
A entrada em vigor do novo Código foi, inicialmente, apontada para o
Verão passado, mas rapidamente a data foi corrigida para Outubro de
2003.
Da análise do PNPR e da sua ligação normativa ao que se pretendia
consagrar no Código da Estrada, o Ministério da Administração Interna
percebeu que, lateralmente, seria necessário proceder a alterações no
Regime Geral das Contra-ordenações, já que quase todas as infracções
rodoviárias são punidas com coimas e não com multas ou penas de prisão
(contravenções), como sucedia até 1994.
A elaboração deste documento normativo voltou a atrasar a saída do
novo Código, que conheceu como nova data o princípio de 2004. Sabe-se
agora que, mesmo com a alteração legislativa dada ontem pelo Conselho
de Ministros, as novas regras não estarão em vigor antes do Verão. Na
melhor das hipóteses.
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Governo reconhece
associações na GNR |
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Falta ainda aprovar e regulamentar a respectiva
lei
O projecto de lei que reconhece o associativismo na Guarda Nacional
Republicana, e que foi aprovado ontem pelo Governo, permite que as
associações profissionais de militares da GNR tenham assento no
Conselho Superior desta força de segurança.
O projecto de diploma consagra no artigo 5.º que as associações
profissionais de militares da GNR gozam, entre outros direitos, de
poderem "integrar conselhos consultivos". E o único que existe é o
Conselho Superior da GNR, que decide sobre as questões de relevante
interesse para a instituição.
O diploma será agora transformado em proposta do Governo à Assembleia
da República, para que sejam agendados o debate e a aprovação da Lei
do Associativismo na GNR. Finalmente, haverá lugar para a respectiva
regulamentação.
Segundo a Associação dos Profissionais da Guarda (APG), há todas as
condições para que este processo seja rápido. "Além de se tratar de
uma proposta do Governo, já existe a regulamentação da Lei do
Associativismo na PSP (Lei n.º 6/90), que pode servir de inspiração à
regulamentação da Lei do Associativismo na GNR", disse, ao JN, o
presidente da APG, José Manageiro.
Dos partidos da Oposição parlamentar, o PS e o PCP congratularam-se já
com a atribuição deste direito aos profissionais da GNR e recordam que
a medida estava "há muito prometida pelo Governo".
No mundo sindical, a UGT congratulou-se com a aprovação do projecto de
lei e, em comunicado, sublinha que "é uma decisão justa que só peca
por ser tardia". Para a Comissão Executiva da CGTP-IN, "é um passo
positivo, mas insuficiente. É necessário que as associações possam
alcançar, em pleno, a esfera de todos os direitos para os
profissionais das forças de segurança". |
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