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Ministério Público investiga fraude e corrupção na PSP |
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Agentes da Divisão de Trânsito do Porto suspeitos de safar multas a
empresas e incriminar condutores inocentes Um dos polícias já está
afastado do serviço .
O Ministério Público
(MP) está a investigar um esquema de corrupção e fraude que
alegadamente visava ilibar algumas empresas do pagamento de multas de
estacionamento. Os suspeitos são agentes da Divisão de Trânsito da PSP
do Porto e os lesados são azarados condutores que nada têm a ver com o
assunto.
A investigação foi
confirmada, ao JN, pelo gabinete do comandante da PSP do Porto, que
ordenou, também, a instauração de processos disciplinares, ainda a
decorrer. Entretanto, um dos principais suspeitos já não se encontra
ao serviço da corporação. Aguarda a aposentação, o que não o inibirá
de sanções, caso se comprove a sua culpabilidade.
O esquema é
aparentemente simples, embora encerre algumas fragilidades.
Desconhece-se quantas pessoas terão sido lesadas e há quanto tempo é
que era praticado. Certo é que, pelo menos desde Novembro passado, o
Ministério Público tem conhecimento da situação e que, já
anteriormente, foram apresentadas denúncias na Esquadra de Águas
Santas (Maia). O JN apurou que a PSP também procedeu a averiguações,
cujos resultados foram remetidos ao MP.
Depois de ter
recebido cinco multas referentes a automóveis que nunca conduziu, José
António Soares tentou perceber o que se estava a passar. Encetou
várias diligências, junto da Direcção-Geral de Viação (DGV) e da PSP e
apurou que três dos automóveis pertencem a proprietários diferentes e
que os outros dois são de uma empresa de Guimarães. Outro ponto em
comum é que as duas infracções foram cometidas na Rua Fernandes Tomás,
no dia 26 de Março.
Na DGV, foi informado
de que um dos veículos da empresa de Guimarães contava, na altura, com
15 multas e outro com quatro. Explica detalhamente o que passa. Em
Abril, depois de ter conhecimento que três das multas foram pagas,
entrega uma cópia da exposição apresentada ao Ministério Público. Ao
mesmo tempo, trata de obter os talões em que consta a identificação do
condutor. Constata, então, a semelhança da caligrafia que preencheu os
cinco autos e começa a suspeitar que a situação é mais grave do que
imaginava.
Esquemas fraudulentos
como este, que incriminam condutores que não cometeram qualquer
ilegalidade, são possíveis porque, muitas vezes, o condutor da viatura
em infracção, no momento em que o auto é passado, não fica
identificado. Nessas situações, o agente autuante deixa a multa no
vidro do carro, devendo o condutor preenchê-la e devolvê-la às
autoridades. Como é impossível verificar a veracidade das informações,
o proprietário pode indicar outra pessoa como condutor.
Neste caso em
concreto, em que estão referenciadas várias situações e empresas, há
indícios de que a fraude tenha sido cometida por alguém com acesso
privilegiado à bases de dados. Ou seja, terá sido um ou mais agentes
da PSP que preencheram a identificação dos autos com os dados de
outros condutores para isentar de responsabilidade os verdadeiros
infractores. Uma prática que não é inédita e que já foi detectada
anteriormente, com recurso, por exemplo, a nomes de condutores que
vivem no estrangeiro.
A troco de quê é que
esses "favores" eram feitos é o que está a investigar-se, para apurar
a prática do crime de corrupção. Segundo José António Soares, o agente
suspeito de o ter implicado nas cinco infracções procurou-o, quando
soube das suas diligências, e assumiu ter alterado a identificação do
condutor para ajudar dois amigos que trabalham numa empresa de
Guimarães e até se prontificou a resolver a situação. Mas ele não
aceitou.

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Avaliações causam
mal-estar na PSP
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O Sindicato dos
Profissionais de Polícia (SPP/PSP) pediu, ontem, ao ministro da
Administração Interna que acabe com a "bagunça" que reina na avaliação
de serviço de pessoal com funções policiais. Em comunicado, o
sindicato refere que a Direcção Nacional da PSP, "só durante esta
semana, fez chegar aos departamentos a informação necessária" e a
forma como a avaliação deve ser feita, sendo que "muitos comandantes
de esquadra e de serviços têm feito autênticas maratonas para
perceberem como agir, tendo como prazo final para procederem à
avaliação o dia 4 de Agosto".
"Neste momento, os comandantes de serviços e esquadras não fazem
praticamente mais nada que preencher os formulários, sendo que muitos
dos seus elementos estão de férias", diz o SPP/PSP .
Relativamente à eleição dos representantes do pessoal nas comissões
caritárias (que irão verificar se as avaliações foram bem feitas), o
sindicato alerta que, por culpa da Direcção Nacional da PSP, "não se
procedeu à abertura de apresentação de candidatos e corre-se o risco
de eleger alguém que não queria ter a tarefa de representar os seus
pares nessas comissões".
Para o SPP/PSP, eleições tão importantes não deviam ocorrer em período
de férias, quando "já deviam ter sido feitas e foram adiadas por causa
do Euro-2004". "Será que não se pode esperar mais um pouco e assim
ter-se um maior número de polícias a participar?", questiona o SPP/PSP.
O acto eleitoral, com vista à eleição dos representantes dos
avaliados, está marcado para quarta-feira próxima, mas António Ramos,
presidente do SPP/PSP, adiantou, à agência Lusa, que o sindicato
tenciona impugnar a votação.
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GNR Apresentou Novos Meios Contra Incêndios |
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A Guarda Nacional
Republicana (GNR) está a aproveitar as sinergias e mecanismos de
coordenação usados durante o Euro 2004 no combate aos incêndios. Na
apresentação, ontem, do programa de prevenção e reacção a incêndios
florestais da Brigada Territorial nº 4 (região a norte do Douro) foi
salientada a colaboração próxima entre as diversas autoridades
nacionais e locais e a importância dos novos meios vocacionados para o
combate aos fogos florestais.
No cenário da serra
do Gerês, juntaram-se seis "pick-up" TT, doze motos TT, cavalos e
viaturas habituais da guarda: os meios técnicos usados desde 1 de
Julho nas patrulhas especificamente direccionadas para a detecção de
fogos florestais. O aumento de meios técnicos disponíveis corresponde
a uma preocupação com a especialização dos recursos humanos, que se
traduziu na criação do SEPNA (Serviço de Protecção da Natureza e
Ambiente), em Janeiro de 2002. Esta divisão assegura patrulhas diárias
durante todo o ano, mais vocacionadas para a prevenção de fogos
florestais no Verão.
Ao todo, o SEPNA
dispõe de 19 equipas (uma por destacamento distrital, com excepção de
Felgueiras, Régua e Moncorvo), para quatro períodos diários de
patrulha. As equipas, constituídas por cinco elementos, efectuam
patrulhas de seis horas por percursos pré-definidos, em planos
quinzenais, mas que os militares procuram não repetir em períodos de
tempo muito próximos. A novidade relativamente ao ano passado é a
duplicação do trajecto, através da separação da equipa em duas
unidades: uma na carrinha e outra em duas motos TT de 400cc.
A funcionar de forma
embrionária, enquanto a aguarda a contratação de mais efectivos, está
a vigilância náutica. A função destas equipas é vigiar, sobretudo, o
terreno florestal considerado de risco de forma sistemática e
abrangente, aproveitando a rapidez das comunicações disponíveis para
uma intervenção primária nos incêndios.
Os militares prestam
também uma atenção muito especial à realização de queimadas e a
actividades pirotécnicas não autorizadas. As equipas do SEPNA são
auxiliadas neste esforço pelos elementos patrulheiros da guarda,
afectos aos vários destacamentos territoriais - só no território da
Brigada nº4 são 118. É com base nos números da disseminação geográfica
da GNR que o capitão Andrade Sousa refere esta força como a que, "em
Portugal, tem melhores condições para reagir a tempo e colocar em
campo os meios e a autoridade necessários ao combate e prevenção aos
fogos florestais".
O programa
apresentado pela brigada insere-se na operação "Floresta Segura" da
GNR, com métodos muito semelhantes para todo o país. A inovação da
brigada reside na coordenação de várias valências, entre elas a
investigação criminal, essencial no combate à actividade criminosa.
No final, o capitão
Andrade Sousa fez questão de salientar que o esforço empregue durante
o Euro não se pode prolongar com a mesma intensidade, mas que haverá
certamente bons resultados se a coordenação e o espírito de entreajuda
das várias entidades se mantiver, resistindo aos "movimentos
corporativos que muitas vezes prejudicam o serviço público".
Apoio Científico Ajuda a Determinar Origem Criminosa dos Fogos
A Brigada Territorial nº4 dispõe, a partir deste ano, de uma valência
extra na reacção aos fogos florestais de origem criminosa. O Núcleo de
Apoio Técnico da divisão distrital de Braga está preparado com meios
técnicos e humanos para, no local de origem do incêndio, proceder à
recolha dos indícios necessários à investigação. Esta valência
representa um importante auxílio prestado à Polícia Judiciária, à qual
compete a investigação da criminalidade relativa aos incêndios. A GNR
dispõe de maior disponibilidade na deslocação ao terreno e pode, desse
modo, libertar recursos da Judiciária para a investigação
laboratorial. A maior dificuldade na investigação criminal deste tipo
reside na complexidade da determinação do local de origem do fogo,
feita quase sempre em conjunto com os bombeiros. Apesar de algumas
limitações, o SEPNA não se queixa de falta de apoios, que este ano
vieram de várias entidades externas ao Ministério da Administração
Interna. O Ministério do Ambiente, o INAG e o Instituto de Conservação
da Natureza foram alguns dos maiores contribuintes.
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Polícias de Cascais Vão
Patrulhar Ruas de Trotinete |
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O município de
Cascais vai em breve começar a ser patrulhado por agentes policiais
montados em pequenas trotinetes eléctricas, no quadro de um conjunto
de iniciativas da câmara municipal com vista à utilização de energias
alternativas.
Depois dos pequenos
autocarros eléctricos denominados Buscas, que asseguram alguns
trajectos curtos dentro da vila de Cascais, a autarquia local lança-se
agora num novo projecto: dotar a Policia Marítima, o Departamento de
Trânsito da câmara municipal e o Departamento da Juventude de pequenas
trotinetes e "scooters" eléctricas.
De forma a promover
uma gradual sensibilização tanto dos agentes como da população em
geral, esta nova iniciativa irá arrancar hoje, apenas com a
participação da Policia Marítima de Cascais, que vai começar a
patrulhar o paredão da vila a bordo destes pequenos veículos.
Já na primeira
quinzena de Agosto, será a vez dos jovens pertencentes ao projecto
Marés Vivas, que asseguram a vigilância das praias do concelho,
começarem a utilizar as trotinetes e as "scooters" nas suas
deslocações aos areais de Cascais e Estoril. Em simultâneo, a
autarquia de Cascais irá também implementar estes novos meios de
transporte nas acções de fiscalização dos técnicos municipais do
Departamento de Trânsito e Espaço Público.
De acordo com o
vereador das Actividades Económicas da Câmara de Cascais, Manuel de
Andrade, "a introdução destes pequenos veículos movidos a baterias
eléctricas em algumas das actividades municipais é apenas mais uma das
iniciativas pioneiras do município ao nível das energias
alternativas".
"São veículos muito
engraçados, com uma autonomia de cerca de 25 quilómetros, têm um fácil
manejo e são ideais para patrulhar certas áreas, como por exemplo o
paredão de Cascais", explica o autarca, adiantando que, neste momento,
"a autarquia só está à espera que estes novos veículos sejam
homologados pela Direcção Geral de Viação para que possam começar a
circular por todo o concelho, o que se espera que seja já este Verão".
Embora se desconheça
ainda qual será a reacção por parte de efectivos policiais e
munícipes, Manuel Andrade garante que pelo menos uma aposta está
ganha: "avançámos mais um passo na promoção e no incentivo do uso das
energias alternativas", diz.
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Criminosos Britânicos
Controlados por Satélite |
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Ao anunciar o novo
esquema de combate à criminalidade, o ministro do Interior britânico,
David Blunkett, comprometeu-se a reduzir em 15 por cento o número de
crimes até 2008. Os planos passam por um controlo dos maiores
prevaricadores, bem como uma maior capacidade interventiva dos
cidadãos que passam, a partir de agora, a ter o direito de exigir
informação e acção policial ou municipal ainda que a ofensa seja
apenas verbal.
Durante os próximos
cinco anos, os cinco mil criminosos mais activos do Reino Unido
passarão a ser seguidos por satélite. Entre estes criminosos, que,
segundo o Ministério do Interior são responsáveis por 10 por cento dos
crimes cometidos em Inglaterra e Gales, encontram-se casos de
violência doméstica e abusos sexuais.
"Seguir os criminosos
em vez dos crimes" é então o principal objectivo do Governo para
reduzir os elevados níveis de criminalidade no Reino Unido. Um sistema
de alta tecnologia permitirá, a partir de uma fotografia, seguir o
rasto de 18 mil pessoas ao mesmo tempo. A ideia é tirar uma fotografia
a cada indivíduo que entre ou saia do país, que será comparada com as
bases de dados de polícias nacionais e internacionais. Dentro do Reino
Unido, qualquer pessoa pode ser controlada mas apenas os criminosos
apontados serão permanentemente seguidos.
Os esquema de cinco
anos combina as forças policiais com as autoridades municipais e
"outras agências", arrancando já este Outono com 10 planos-piloto que
serão mais tarde alargados a outras 40 áreas. Cada área controlará 100
criminosos que, estando em liberdade, são considerados os mais
perigosos e mais activos.
Num comentário às
medidas anunciadas, Tony Blair disse que "as pessoas não querem voltar
a uma era de discriminação mas querem regras e comportamentos
apropriados". "Pela primeira vez, políticos, polícia e público estão
do mesmo lado", acrescentou. Um dos objectivos é reduzir o número de
pequenos delitos, que mais não são do que "comportamentos
anti-sociais". Estes, apesar de serem condenados pela lei, acabam por
ser muitas vezes desvalorizados.
David Blunkett
anunciou ainda que, nas áreas de maior criminalidade, além de terem
uma posição mais interventiva, os cidadãos podem pedir inspecções à
polícia local. "Estamos ainda a estudar a possibilidade da criação de
uma petição que permita inspecções-surpresa", explicou o ministro. As
autoridades municipais terão também maiores responsabilidades no
combate ao crime e aos comportamentos anti-sociais.
Os crimes
relacionados com droga terão um tratamento diferente. Os
toxicodependentes serão direccionados para centros de tratamento
comunitários e terão penalidades se falharem às sessões. Até 2008,
Blunkett conta ter 1000 toxicodependentes a serem encaminhados para
tratamento a cada semana.
Na totalidade, em
2002-2003 foram registados 5,9 milhões de crimes. Para cumprir os seus
objectivos, o ministro do Interior terá que reduzir este número em
quase 900 mil até 2008.
Mais Polícias e
Nova Tecnologia
Um pequeno aparelho electrónico colocado no tornozelo ou no pulso de
criminosos que se encontram sob liberdade condicional ou que já
cometeram demasiados crimes servirá para os seguir via satélite. O
controlo de cada um dos 5000 criminosos que entraram no esquema será
da responsabilidade das polícias locais. O Reino Unido estará divido
em 50 zonas e cada uma delas deverá seguir os 100 mais perigosos
criminosos em liberdade. Um aumento do número de oficiais da polícia
facilitará o funcionamento do novo sistema, uma vez que os criminosos
serão acompanhados permanentemente. O ministro David Blunkett prometeu
ainda um aumento do número de polícias nas ruas para evitar
comportamentos anti-sociais. Além dos 5000 criminosos que serão
acompanhados, faz parte dos planos do Ministério do Interior controlar
todos os indivíduos que circulem no Reino Unido. Esse objectivo poderá
ser conseguido com o mesmo sistema de satélite que permite também
reconhecer cada indivíduo pela imagem facial. A ideia será tirar uma
fotografia a cada pessoa que entre ou saia do Reino Unido para que, em
caso de envolvimento num crime ou distúrbio, essa pessoa possa ser
imediatamente reconhecida. O sistema permite controlar os movimentos
de 18 mil pessoas simultaneamente.
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Observatório critica formação
e irresponsabilidade de juízes |
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Boaventura Sousa
Santos diz que não deve confundir-se independência judicial com
desresponsabilização. Alerta também para falta de preparação prática
dos magistrados.
A formação dos
magistrados é curta, desadequada da realidade e existe um baixo nível
de acção disciplinar efectiva. As conclusões são do Observatório
Permanente da Justiça, presidido por Boaventura Sousa Santos, que
avança já com uma proposta concreta de reestruturação do Centro de
Estudos Judiciários (CEJ). A formação dos juízes seria mais longa,
incluiria uma forte componente prática e a passagem ao quadro não
seria imediata (ver caixa).
Tudo isto porque,
segundo o Observatório, existe na magistratura um baixo nível de acção
disciplinar efectiva, onde se confunde independência com
desresponsabilização. "As características corporativas e
técnico-burocráticas que dominam a cultura judiciária permitem a
existência de desempenhos altamente desiguais e um baixo nível de
acção disciplinar efectiva. Os nossos trabalhos demonstram que com a
mesma lei, a mesma estrutura, os mesmos recursos, no mesmo tribunal,
podemos ter desempenhos muito desiguais. Há laxismos, há desempenhos
muito diversificados que não são eficazmente controlados", pode ler-se
no relatório, agora tornado público.
Fechados à
sociedade
Boaventura Sousa
Santos defende que, após concluído o período de formação, os
magistrados não devem ter imediatamente "nomeação vitalícia". "Deve
ser estabelecido um período em que os novos magistrados são
avaliados", garante.
O Observatório
acrescenta ainda que o CEJ não pode ser uma continuação das faculdades
de Direito. "Os magistrados não podem ter um cultura de fechamento à
sociedade. Nesse sentido, defendo que os docentes do Centro de Estudos
Judiciários não devem ser juristas em mais de 50%".
Três anos de
preparação no CEJ
O Observatório
defende que a formação de magistrados se deverá desenvolver em dois
períodos.
O inicial seria de
dois anos. No primeiro, a formação era comum às duas magistraturas e
compreenderia já uma fase prática. No segundo ano, teria lugar uma
formação separada para cada uma das magistraturas, existindo no
entanto matérias comuns.
O segundo período
seria o ano de estágio, podendo dividir-se em dois momentos: um
período inicial, com um máximo de dois meses de estudo e despachos
simulados nos processos judiciais, seguido de um outro período de dez
meses de estudos e despachos efectivos, sob a tutoria de um juiz ou de
um magistrado do Ministério Público.

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SEF Estuda Eventual
Reposição das Fronteiras Terrestres |
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A reposição do
controlo e acções de fiscalização nas fronteiras terrestres
portuguesas é uma das medidas preconizadas por várias entidades
ligadas ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). A ideia surge
depois de, analisados os resultados finais obtidos durante o
encerramento decretado para o Euro 2004, se ter concluído que dessa
forma poderiam ser travadas ou minoradas algumas formas de
criminalidade.
Actualmente, a
Unidade Central de Informação, Imigração e Tráfico de Seres Humanos do
SEF "procede à análise comparativa da actividade operacional do
serviço, cujos resultados apresentará à direcção". Esta, por sua vez,
"decidirá em conformidade com os resultados da análise e será
delineada a estratégia a seguir", disse ao PÚBLICO, através de uma
nota escrita, o director do SEF, Gabriel Catarino.
"Se da apreciação
resultar necessário reforço dos controlos móveis, sempre como medida
de compensação e dentro do espírito do Acordo [de Schengen], o SEF
agirá consentaneamente", informou ainda o mesmo responsável.
No mês em que foi
reposto o controlo do espaço fronteiriço, para além de mais de 7500
barramentos de entradas no país (grande parte delas devido à posse de
documentos falsos, o que só por si constitui um crime), foram ainda
feitas algumas apreensões significativas de droga, nomeadamente nas
fronteiras do Caia e em Caminha, onde foram detectados,
respectivamente, três quilos de cocaína e dez de heroína.
No mesmo período
foram ainda detidas pessoas com mandados de captura internacional,
fosse pela prática de assaltos à mão armada ou, até, pela prática de
homicídios.
Gonçalo Rodrigues,
presidente do Sindicato de Investigação e Fiscalização do SEF, entende
que "os números obtidos num só mês são significativos" e que "deveriam
servir para, pelo menos, ponderar sobre a utilidade de, talvez
periodicamente, se encerrarem as fronteiras terrestres".
O mesmo dirigente
sindical entende ainda que outras das formas para combater a
criminalidade que passa pelas fronteiras - "nomeadamente o tráfico de
armas, droga e seres humanos" - seria a criação de delegações do SEF
em todas as capitais de distrito do país. "Essas delegações deveriam
funcionar, todas elas, com um mínimo de dez inspectores, número esse
que entendemos [sindicato] como razoável para que se pudessem realizar
as investigações necessárias e com a eficácia desejada".
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Judiciària ' dispara' sobre
PSP |
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Uma advertência do Ministério Publico à PJ reabriu
o conflito que opôe a Judiciària às outras policias, especialmente a
PSP. |
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PSP demorou sete
horas a informar Judiciaria do homicídio do adepto inglês e o MP pediu
explicações
O Ministério
Público (MP) «repreendeu» a Polícia Judiciária (PJ) no caso do cidadão
ucraniano acusado pelo homicídio do adepto inglês, em Lisboa, durante
o Euro 2004. O procurador-geral adjunto, João Ramos, pediu explicações
aos responsáveis desta polícia sobre o facto de, seis horas após o
crime, a PJ ainda não ter iniciado as diligências necessárias à
recolha de provas e registo de testemunhos.
Esta «reprimenda» incomodou profundamente a Direcção Nacional da PJ,
que atribui a responsabilidade pelo sucedido à PSP, uma vez que foi
esta que tomou conta da ocorrência sem informar o piquete da
Judiciária. Isto apesar de os homicídios serem crime da exclusiva
responsabilidade da PJ.
Este episódio veio acirrar ainda mais algumas «guerras» de poder e
competências que se têm vindo a travar entre a PJ e a PSP, mas também
com a GNR, por causa da investigação criminal.
Falhas no processo
Numa nota interna a
que o EXPRESSO teve acesso, o coordenador de Investigação Criminal
informou que a PSP deteve, «às 3h do dia 22 de Junho» em
«flagrante delito» o ucraniano e que «do facto não foi dado
conhecimento ao Serviço de Prevenção de Homicídios». Nesta
informação dirigida ao director-nacional, Adelino Salvado, é dito que,
cerca de sete horas após o crime, a PJ foi alertada pelo próprio
procurador-adjunto para o facto de «a PSP nao ter dado conhecimento
à PJ» do homicídio.
O procurador chamava a atenção para a necessidade de serem feitas
«diligências urgentes para colmatar algumas deficiências»
que os autos, elaborados pela PSP, apresentavam. De acordo ainda com
esta nota, o procurador-adjunto pedia ainda à PJ que
«acautelasse»
alguns procedimentos que a PSP não tinha feito, como a
«a inquirição para
memória futura das testemunhas, dado que se iriam ausentar para o seu
país de origem, a Inglaterra».
Ao que o EXPRESSO apurou junto de dirigentes da PJ, este não foi caso
único no que respeita a procedimentos inadequados por parte de outras
forças de segurança na investigação de crimes da alçada da Judiciária.
Alias, a PJ tem feito chegar à tutela e ao Gabinete Coordenador de
Segurança informações a manifestar preocupação com outros casos que,
no seu entender, são manifestas violações da lei de organização e
investigação criminal.
A Direcção da PJ chegou mesmo a entregar a esta estrutura
coordenadora, dirigida pelo general Leonel de Carvalho, oficial da
GNR, um documento exaustivo designado «Plano de Coordenação e
Cooperação das Forças e Serviços de Segurança». Nesta proposta, a PJ
salienta que
«a desejável eficácia do combate à criminalidade exige uma
racionalização dos meios e a clarificação das funções atribuídas aos
diferentes órgãos de policia criminal»
e que
«fundamental ao sucesso deste modelo é o sistema de coordenação».
O mal-estar na PJ, em relação aos alegados «avanços» da PSP e da GNR,
está, aliás, bem confirmado num artigo da autoria do director-nacional
adjunto desta força, publicado recentemente no «Jornal de Notícias».
José Brás sugere que estas forças de segurança estão a deixar
fragilizado o policiamento de proximidade e de prevenção criminal, e a
gastar recursos na investigação, duplicando meios e sistemas que já
existem na PJ.
E José Brás não se poupa nas palavras duras:
«Apesar dos permanentes e desesperados apelos de cidadãos e populações
vitimizadas em meio urbano e suburbano, onde a falta de presença e de
actuação policial cria nas vítimas um sentimento de medo e de
insegurança (...), a actuação preventiva tarda e escasseia».
Por outro lado, o director adjunto da PJ adverte para a
«escalada de aparente impunidade»
de algum dos crimes que «reais atormentam o quotidiano do cidadão»,
como o
«pequeno tráfico de bairro, a pequena e intensa criminalidade
associada ao sustento da toxicomania».
Perdulário e
irracional
Este responsável assevera ainda que se corre o risco de se
«vulnerabilizar o sistema de segurança interna, aumentando a
incidência criminal e a ineficácia das policias».
José Brás não aceita, por exemplo, que «se crie um sistema de informação criminal que custa milhões
de euros»
– numa alusão clara ao Sistema Estratégico de Informações (SEI),
recentemente lançado pela PSP que considera
«perdulário e
irracional»,
quando a PJ já tem um, o Sistema Integrado de Informação Criminal (SIIC).
Confrontados com estas acusações, os responsáveis da PSP, Mário
Morgado, e da GNR, Mourato Nunes, foram prudentes nas respostas,
embora alvitrem que não estão dispostos a ceder no braço-de-ferro, nem
sequer se revejam nas críticas. Num comentário escrito, o
comando-geral da Guarda garante «desconhecer
qualquer situação de incumprimento da lei»
e afirma que
«a PJ nunca fez accionar os mecanismos de controlo e correcção»,
que também são sua competência, por lei. A GNR sublinha que não há
«margem para dúvidas quanto à evolução quantitativa do desempenho e
mérito das opções tomadas»
pela Guarda.
Estatísticas
apoiam PSP
A PSP escusa-se a comentar o caso do ucraniano, tendo o porta-voz do
director-nacional remetido a resposta à PJ para o discurso que o
juiz-desembargador Mário Morgado proferiu na quarta-feira, por ocasião
das comemorações do 137º aniversário desta força policial – onde acaba
por responder a algumas destas críticas. Neste discurso, declarou
haver razões que
«decisivamente desaconselham recuos na autonomia técnica e táctica
hoje concedida»
aos órgãos de polícia criminal, como a PSP ou a GNR. Mário Morgado
sublinhou ainda que
«a PSP e a GNR, fortemente implantadas em todo o território nacional,
são detentoras de todo o conjunto vasto de informação do ‘terreno’, o
que as torna especialmente vocacionadas para a investigação dos
segmentos de criminalidade em que a eficácia investigatória é
indissociável de uma lógica de proximidade»,
disse.
O
director-nacional da PSP mostrou-se convicto de que se «esta no
caminho certo» e aponta as estatísticas: «Em 2003, na área de
intervenção da PSP, a criminalidade participada aumentou apenas 1%,
contra o aumento global de 6%» e, nos primeiros quatro meses deste
ano, a diminuição foi de 2,6%. Quanto ao SEI, é claro: «Trata-se de
um marco histórico no processo de modernidade em curso na PSP».
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Polícias, Bombeiros
e Uma "Empresa" Falida |
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Assumir o controlo do
Ministério da Administração Interna (MAI) é tomar as rédeas de uma
"empresa" falida. E, ainda por cima, com uma classe trabalhadora
exigente e sensível. Nos últimos anos o MAI tem-se caracterizado por
não ter orçamento suficiente para atender às reivindicações mínimas
das forças que tutela, nomeadamente a PSP, a GNR, o Serviço de
Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e os bombeiros. Tanto os polícias como
os próprios bombeiros têm constituído, ao longo dos dois últimos anos,
focos de contestação ao titular da pasta, convocando manifestações,
fazendo greves ou lembrando promessas não cumpridas por parte do
executivo, bem como o incumprimento de obrigações legais, como por
exemplo o não pagamento de mais de dois anos de horas extraordinárias
aos investigadores e fiscalizadores do SEF. Se em relação à PSP o
clima é de permanente hostilidade, continuando por cumprir a maioria
dos pontos previamente apresentados pelos sindicatos (e que, em muitos
casos, o ministro disse que iria resolver), também na GNR parecem não
estar para breve os bons ventos, uma vez que esta força continua a ter
um cariz (a nível de chefias) vincadamente militar, com horários e
regras militares, totalmente desadequadas à função civilista que
desempenha há muitos anos. Restam os bombeiros, parentes pobres da
Protecção Civil, anualmente confrontados com falta de meios
operacionais mas, principalmente, com uma desorganização a nível de
chefias que, como aconteceu no Verão passado, quase os responsabiliza
pela maior vaga de incêndios, em extensão de área ardida, que alguma
vez assolou o país.
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Sindicato da Polícia Não
Admite Cedências Aos "Motards" de Faro |
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Moto Clube de Faro apelou às autoridades para que sejam mais
benevolentes na fiscalização durante a concentração "motard" que
amanhã começa.
O Sindicato dos
Profissionais de Polícia considerou ontem "vergonhosos" os apelos do
presidente do Moto Clube de Faro às autoridades policiais para que
sejam mais benevolentes na fiscalização durante a concentração "motard"
que amanhã começa.
Em causa está o
alegado excesso de zelo das autoridades durante a concentração de
2003, que levou a direcção do Moto Clube de Faro a pedir para que este
ano se evitassem os exageros do ano passado. A própria autarquia
local, aquando da apresentação oficial do evento, no início de Junho,
lançou o mesmo apelo, sustentando que os excessos cometidos em 2003
prejudicaram não só a imagem do evento, como da própria cidade.
Em comunicado, o
núcleo distrital de Faro do Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP/PSP)
diz que só com o modelo rigoroso de fiscalização aplicado na última
concentração "motard" foi possível evitar que houvesse mortos ou
feridos graves, como aconteceu em anos anteriores.
"Em vez de
sensibilizar os seus associados a cumprir as normas rodoviárias, o
presidente do Moto Clube vem antes apelar às forças policiais para
fazerem vista grossa às habituais tropelias e ilegalidades cometidas
por alguns participantes do evento", diz.
O SPP/PSP diz ainda
que só com aquele modelo de fiscalização foi possível detectar, no ano
passado, um elevado número de transgressões graves e ameaça denunciar
publicamente qualquer situação em que se verifique conivência das
autoridades com o incumprimento das normas.
"Não acreditamos que
os actuais responsáveis da PSP/Faro cedam minimamente aos apelos
imorais do presidente do Moto Clube de Faro e tomaremos posição
pública se houver algum afrouxamento cúmplice na prevenção e
fiscalização policial ao evento", conclui o sindicato.
Contactado pela Lusa,
o presidente do Moto Clube de Faro, José Amaro, disse preferir não se
pronunciar sobre o assunto e manter-se à margem daquilo que classifica
como meras "lutas sindicais".
"Já fizemos reuniões
com as autoridades policiais acerca da concentração e os sindicatos
nunca apareceram, por isso não temos de lhes dar satisfações",
afirmou, acrescentando que todos os assuntos sobre a matéria são
tratados directamente com as autoridades competentes, ou seja, PSP e
GNR.
A 23ª Concentração
Internacional de Motos de Faro, a maior da Europa em número de
participantes, decorre de amanhã a domingo no terreno de Vale das
Almas, próximo do aeroporto de Faro. São esperados 40 mil "motards".

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Segurança: encontro nacional avaliará outras acções |
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POLÍCIAS ENTOPEM MAI |
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O Ministério da
Administração Interna (MAI) arrisca-se a sofrer, em Outubro, um ataque
massivo com vista a ser-lhe bloqueado o seu serviço de comunicações.
Um ataque não de uma qualquer organização terrorista, mas dos
associados do Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP/PSP) e da
Associação Sindical Independente de Agentes (ASG) que, desta forma,
tencionam mostrar o seu descontentamento à tutela e em especial se não
for substituído o director nacional da PSP, Mário Morgado.
O descontentamento
dos polícias prende-se, basicamente, com três razões: atraso e não
igualdade de tratamento das promoções, a decisão de Mário Morgado
sobre a alteração de horários sem negociação colectiva e a
inexistência de uma tabela única para serviços renumerados.
Sobre as promoções, os sindicatos defendem que estas se façam por
antiguidade e chama a atenção para os casos de agentes e chefes que as
aguardam há uma dezena de anos, "porque têm processos disciplinares a
correrem, enquanto oficiais superiores da Polícia que têm processos
crimes pendentes contra si já foram promovidos".
Refira-se, a propósito, que já ontem o CM noticiou que dois dos
superintendentes recentemente promovidos, por ratificação do Ministro
da Administração Interna, estão ainda alegadamente envolvidos em
processos disciplinares, o que não impediu as respectivas ascensões
profissionais. Sobre esta questão, a Direcção Nacional da PSP emitiu
um comunicado, garantindo que, "à altura das respectivas promoções,
nenhum dos seis superintendentes que agora ascenderam a
superintendente-chefe tinha qualquer processo disciplinar pendente,
situação que não sofreu qualquer alteração até ao presente momento".
No que respeita à tabela de renumerados, os sindicatos reclamam que os
agentes e agentes principais sejam sujeitos a uma tabela única, já que
exercem rigorosamente as mesmas funções e que, por outro lado, se
acabe com os "tratamentos privilegiados das SAD desportivas".
Com efeito, enquanto que entre agentes a diferença ronda os quatro
euros por gratificado (4 horas) a desfavor do agente simples, o
serviço renumerado aos recintos desportivos é pago a 31,26 euros por
gratificado, sensivelmente metade do que é pago pelas outras
entidades, como bancos e supermercados e cujo valor ascende a 42,98
euros.

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PSP:
sindicatos querem explicações de Figueiredo Lopes |
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REVOLTA COM PROMOÇÕES |
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Uma delegação
representativa de dois sindicatos da PSP desloca-se hoje ao Ministério
da Administração Interna para manifestar a sua indignação perante a
decisão governamental de promover ao posto de superintendente-chefe,
através de avaliação curricular, dois superintendentes que,
alegadamente, têm à perna processos disciplinares por infracções
cometidas no desempenho das respectivas funções.
O Sindicato dos
Profissionais de Polícia (SPP/PSP) e a Associação Sindical
Independente dos Agentes (ASG/PSP) querem ver esclarecidas as razões
desta decisão, já publicada no Diário da República, II Série, de 2 de
Julho. Segundo aquelas estruturas representativas dos polícias,
existem mais de 2300 agentes, subchefes, chefes, e até oficiais da
PSP, à espera de serem promovidos.
"Alguns destes elementos, com o currículo disciplinar limpo, aguardam
há anos pelas promoções. Em certos casos, a espera é até superior a
dez anos", disse ao CM fonte sindical.
MEDIDAS DE FORÇA
Ambos os sindicatos prometem, ainda, anunciar hoje três medidas de
força "para fazer frente ao actual estado de coisas na PSP".
"Vários assuntos continuam pendentes. Pretendemos, entre outros, que o
Director Nacional cumpra a promessa de criar uma tabela única de
gratificação das horas extraordinárias. Só assim poderão terminar as
injustiças", referiu António Ramos, presidente do SPP/PSP.
Relativamente à promoção dos superintendentes, fonte do Ministério da
Administração Interna contactada pelo CM não se quis pronunciar sobre
o assunto. Esclareceu, apenas, que o ministro só ratifica promoções
recomendadas pela Direcção Nacional da PSP. O CM procurou ontem
contactar a Direcção Nacional da PSP, mas tal não foi possível.

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SEF: «vergonha nacional»
se Governo não pagar horas extraordinárias |
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MAI considerou o Serviço como uma
«peça fundamental no dispositivo de segurança» do Euro2004
O sindicato que
representa os trabalhadores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras
considerou que será uma «vergonha nacional» se o Governo não pagar as
horas extraordinárias que deve aos funcionários do Serviço depois dos
elogios que hoje lhes dirigiu.
Na cerimónia
comemorativa do dia do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), o
ministro da Administração Interna, Figueiredo Lopes, considerou o
Serviço como uma «peça fundamental no enorme dispositivo de segurança
que permitiu que o Euro2004 decorresse muito bem de forma notável».
«Os elementos do SEF
revelaram sempre um empenhamento, profissionalismo e sentido de
serviço e dedicação à causa pública que justamente temos de assinalar
e me apraz reconhecer e enaltecer publicamente», disse o ministro
depois de condecorar o SEF com a medalha de Ouro de Serviços Distintos
de Segurança Pública.
Face aos elogios, o
presidente do Sindicato da Carreira de Investigação e Fiscalização do
SEF (SCIFSEF), Gonçalo Rodrigues disse o «Governo agora não tem
desculpa para não resolver a situação dos trabalhadores do SEF».
De acordo com o
sindicalista, o Governo garantiu que no final do Euro2004 resolveria a
questão do pagamento das horas extraordinárias, levando o Serviço a
suspender as greves previstas para o período do Campeonato europeu de
futebol.
O SCIFSEF decidiu a
26 de Maio cancelar todas as greves agendadas para Maio e Junho - em
protesto contra a falta de pagamento das horas extraordinárias aos
inspectores desde Janeiro de 2002, no valor de 2,7 milhões de euros -
para não prejudicar a realização do «Rock in Rio - Lisboa» e do Euro
2004.
«O Governo não pode
elogiar o desempenho de funções dos trabalhadores e depois esquecer-se
das promessas», adiantou Gonçalo Rodrigues.
O presidente do
Sindicato acrescentou ainda que não é desculpa o Governo estar em
gestão - devido à demissão do primeiro-ministro Durão Barroso -,
porque o ministério da Administração Interna «está em gestão desde que
tomou posse».
No final da
cerimónia, o ministro da Administração Interna recusou abordar o
problema das horas extraordinárias dos trabalhadores do SEF, dizendo
que o dia de hoje «é de festa» por motivo do aniversário do Serviço.
«A questão não vem a
propósito», disse apenas Figueiredo Lopes ao ser questionado pelos
jornalistas.
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Denúncia: carta
implica comandante de Viseu |
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CARRO DA POLÍCIA USADO EM PASSEIOS |
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O comandante da PSP
de Viseu, Simões de Almeida, estará a ser investigado pela Polícia
Judiciária (PJ) de Coimbra, na sequência de denúncias que o implicam
em ilegalidades na utilização de uma viatura da corporação, que
configuram um crime de peculato de uso.
As investigações
terão começado após a recepção por diversos organismos de uma carta
anónima, a que o CM teve ontem acesso, onde pode ler-se que há "várias
situações que estão a tornar insustentável a permanência do comandante
da Polícia de Viseu".
O documento revela "inúmeras viagens à cidade da Guarda na viatura
policial que lhe está distribuída não sendo em deslocação de serviço,
mas sim em passeio".
Por outro lado, refere que Simões de Almeida "se imiscui no trabalho
dos Tribunais, sobrepondo-se por vezes ao previamente estipulado na
Lei, fazendo uso da sua licenciatura em Direito".
O comandante da PSP de Viseu considera que o documento surge "porque
há pessoas que não gostam de ser desautorizadas e a melhor forma que
encontraram para enfrentar a situação foi porem a circular a carta
anónima". "Tudo o que fiz desde que assumi o comando da PSP de Viseu -
em Setembro de 2002 -, desde a transferência de elementos para o
serviço operacional ao estabelecimento de regras de economia, foi com
o conhecimento e sob a orientação da Direcção Nacional da PSP", refere
Simões de Almeida.
O comandante da PSP de Viseu assegura que não tem "conhecimento
oficial de qualquer investigação" e afirma que ainda ninguém da PJ
falou com ele.
No seguimento da carta anónima, 50 agentes já subscreveram um
abaixo-assinado onde expressam o seu repúdio em relação às acusações
feitas a Simões de Almeida.

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PSP e Polícia Municipal de
Aveiro Acusadas de "Caça à Multa" |
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A PSP e a Polícia
Municipal de Aveiro têm mais vocação para passar multas do que para
proteger os cidadãos, acusou o líder da bancada do PSD na Assembleia
Municipal (AM) de Aveiro durante a última reunião deste órgão
autárquico. "A aspiração dos nossos agentes é serem da Brigada de
Trânsito. Se calhar têm mais vocação para passar multas do que para
fazer rondas [para proteger os cidadãos]", ironizou o social-democrata
Manuel António Coimbra, provocando um pequeno tumulto na nova sala do
edifício da Capitania, que agora serve de sede às reuniões.
A afirmação do
social-democrata foi contestada pelo presidente do município, Alberto
Souto, e pelo líder da bancada do PS, Filipe Neto Brandão, mas recebeu
o apoio de outros membros da Assembleia, em especial do centrista
António Granjeia, que manifestou desagrado com a actuação dos agentes
municipais. ""A Polícia Municipal de Aveiro não tem uma acção
pedagógica, optando sempre pela multa. Ainda antes do Euro-2004 a
grande preocupação era facturar", denunciou. Granjeia pôs em causa a
competência dos agentes ao lembrar que, segundo dados fornecidos da
autarquia, a Direcção Geral de Viação arquivou nada menos do que 200
autos de transgressão ao Código da Estrada levantados pela PM. "Nem
preencher os autos sabem", desabafou. Na DGV estão outros 250 autos de
contra-ordenação, de trânsito, levantados e a aguardar decisão. E
outros 300 talões de contra-ordenação estão na posse da PM a aguardar
a identificação dos proprietários dos automóveis considerados mal
estacionados.
Mas foi de Manuel
António Coimbra que partiram as críticas mais ferozes. Sem fazer
distinção entre PSP e PM, o deputado acusou as autoridades de estarem
mais preocupadas em multar condutores do que em fiscalizar zonas da
cidade onde se têm verificado casos isolados de vandalismo, como o
bairro doLiceu, a Av. das Forças Armadas e o novo Parque da Fonte
Nova. "Espero que os polícias que não estão de folga estejam junto aos
bares e às zonas residenciais para evitar problemas e não andem pela
Avenida [Lourenço Peixinho] a passar multas", disse. E reforçou: "A
esta hora não sei o que os polícias estão a fazer: ou estão de folga
ou a multar".
Esta intervenção
provocou uma tal agitação que o próprio presidente da AM, Carlos
Candal, considerou que o deputado estava a ser "excessivo". "As
brigadas de intervenção nocturna passam a noite a funcionar",
assegurou. Já Filipe Neto Brandão preferiu contra-atacar, dizendo que
é "inadmissível" que o social-democrata atribua à PM responsabilidades
no combate ao crime. "Um qualquer cidadão néscio pode fazê-lo, mas um
eleito autárquico não!" E acrescentou que, no caso da PSP, a alegada
diminuição do número de rondas se deve à falta de dotação de meios, da
responsabilidade do actual Ministério da Administração Interna. "Por
vezes não há sequer dinheiro para a gasolina nas rondas nocturnas",
afirmou.
Alberto Souto
reconheceu a "escassez de meios e elementos da PSP", mas elogiou "a
forma dedicada e profissional como os elementos compensam essa
escassez". Deu como exemplo do bom trabalho a ausência de incidentes
graves nos dias em que a cidade esteve repleta de adeptos da Holanda e
da República Checa. "Aveiro é uma cidade segura. Não é justo passar
para a opinião pública a imagem de que se trata de uma cidade sem
segurança", rematou. Fonte da PSP considerou "injustas" as críticas
mas escusou-se a fazer mais comentários.
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Guardas-nocturnos estão
'ilegais' |
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A esmagadora maioria
dos cerca de quinhentos guardas-nocturnos portugueses trabalha
«ilegalmente» há um ano e meio, por falta de regulamento municipal, e
sem seguro de responsabilidade civil, revelou à Lusa o presidente da
associação do sector.
«Mais de 90% das câmaras do País ainda não fizeram o regulamento que
lhes permite atribuir ou renovar as licenças», adiantou Fernando
Rodrigues, presidente da Associação Nacional de Guardas-Nocturnos (ANGN).
O Decreto-Lei n.º 310/2002 determina que os guardas-nocturnos tenham
uma licença anual passada pelas autarquias e um seguro de
responsabilidade civil, para garantir o pagamento de uma indemnização
por danos causados a terceiros. Fernando Rodrigues, que exerce a sua
actividade nos Olivais, espera que a Câmara Municipal de Lisboa (CML)
faça o regulamento para renovar a sua licença. A que possui ainda foi
passada pelo Governo Civil, a entidade que até Janeiro de 2003 tinha
tal atribuição. Uma fonte da CML revelou que o regulamento está a ser
ultimado e que deve estar concluído a meio deste mês.
«Enquanto não for feito o regulamento camarário, não podemos revalidar
ou dar novas licenças, mas também não podemos dizer que as licenças
que os guardas-nocturnos têm não estão válidas», explicou a mesma
fonte. Segundo a câmara, quando a autarquia assumiu as competências do
Governo Civil, estavam registados 65 profissionais em Lisboa e o
município tem em «cima da mesa» cerca de 50 pedidos de revalidação das
licenças e «dois ou três» pedidos de licenciamento da actividade. Para
os guardas-nocturnos, o licenciamento devia ser de âmbito nacional.

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Aumentaram as queixas contra
violência policial |
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Dados da
Inspecção-Geral da Administração Interna revelam 408 ocorrências em
2003, contra 320 em 2002 Houve também mais um caso de morte, na
sequência da acção policial.
As queixas de cidadãos contra elementos policiais aumentaram em cerca
de um terço no ano passado. Os números da Inspecção -Geral da
Administração Interna (IGAI) dão conta de que foram registadas 408
ocorrências em 2003, enquanto que no ano anterior apenas tinham sido
verificadas 320 situações.
Foi registada também mais uma morte de um cidadão na sequência de uma
intervenção policial (cinco casos em 2002, para seis em 2003), para
além de um aumento nas situações de ferimentos e ameaças a cidadãos
com arma de fogo, de seis em 2002, para 12 em 2003.
Os números da IGAI dão também conta de que cresceram as denúncias de
agressões e abusos por parte das polícias que estão sob a tutela da
IGAI, de 121 em 2002 para 155 em 2003.
Apenas relativamente às ocorrências respeitantes a questões de
natureza interna/profissional se registou uma descida ligeira das
situações denunciadas, face ao ano anterior.
Outro dado significativo é que, pela primeira vez, não houve qualquer
registo de suicídios no interior de postos policiais, ao contrário dos
anos anteriores (em 2001 ocorreram três casos e em 2002 registaram-se
duas situações).
Quanto à origem das denúncias, a maioria decorreu de certidões de
participações criminais, remetidas pelo Ministério Público. Em segundo
lugar surgem as queixas efectuadas directamente por particulares.
Maioria é da PSP
A maioria dos agentes visados nas queixas pertence à PSP (208).
Segue-se depois a GNR (137 queixas) e a Direcção geral de Viação (sete
casos).
As agressões lideram a lista de participações. Houve 109 queixas
contra polícias, seguindo-se depois os casos das denúncias de
procedimentos incorrectos (70 casos) e abuso de poder (30).
Nas situações investigadas pela IGAI, que resultaram na morte de seis
pessoas, três desses processos foram imediatamente arquivados, por não
se ter provado a existência de responsabilidade disciplinar dos
polícias (um era da PSP, dois da GNR). Os restantes casos ainda se
encontram em investigação.
Refira-se ainda que dois dos processos relativos às cinco mortes
registadas em 2002, estão concluídos tendo a PSP proposto a suspensão
e aposentação compulsiva dos agentes envolvidos. Outros dois foram
arquivados, enquanto o último, que dizia respeito à GNR, ainda se
encontra pendente.
Alberto Torres, presidente da Associação Sócio-profissional da PSP,
diz que não tem conhecimento dos dados do relatório. "Os cidadãos
estão mais sensibilizados e por isso têm mais liberdade para
apresentar queixa, mas a maioria é arquivada, por falta de fundamento.
Mas obviamente lamento que estas situações existam", disse.
Números
6
mortes decorreram de acções policiais. Três processos já foram
arquivados e os restantes estão a ser investigados. Há seis arguidos
408
situações obrigaram à intervenção da IGAI, enquanto no ano anterior
apenas 320 casos tinham motivado a actuação daquele organismo
155 agressões foram participadas á IGAI, envolvendo elementos da PSP.
Os números subiram em relação a 2002
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Corpo de jovem ainda por
reclamar |
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O corpo do rapaz
residente no Bairro 6 de Maio, na Amadora, que morreu há duas semanas,
continua no Instituto de Medicina Legal de Lisboa à espera de ser
reclamado pelos familiares para a realização do respectivo funeral.
Esta informação foi confirmada ontem ao DN por fonte daquele
Instituto.
José Carlos, de 16
anos, morreu no dia 16, no Hospital Amadora-Sintra, depois de se ter
dirigido às urgências queixando-se de dores nos tornozelos. Acabaria
por falecer devido a uma paragem cardíaca. Na altura, familiares e
moradores do Bairro 6 de Maio associaram a morte do jovem a uma
passagem pela esquadra da polícia dois dias antes. Acusaram os agentes
de agressão física durante um interrogatório na esquadra da Reboleira
sob alegado furto.
A Direcção Nacional
da PSP negou as acusações e ordenou a abertura de um inquérito interno
um dia após a morte do rapaz. Ontem, fonte do departamento de relações
públicas disse ao DN que a investigação «ainda está em curso» e que
«ainda não há conclusões».
Os primeiros
resultados da autópsia efectuada pelo Instituto de Medicina Legal
afastaram já a hipótese de o jovem ter morrido devido a lesões
provocadas por agressão. O facto de o cadáver ainda não ter sido
reclamado não é uma situação comum, mas pode acontecer quando a
família ainda não está preparada para fazer o funeral, disse fonte do
Instituto.
«Pode tratar-se de
uma espera relacionada com o facto de os familiares viajarem de longe
para assistir à cerimónia.» Se o corpo não for reclamado pela família
no prazo de 30 dias, a lei prevê que o cadáver seja enterrado como
indigente. «Mas isso não é automático. Tentamos sempre contactar de
novo a família», explicou a mesma fonte.
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Valentim Loureiro Absolvido
de Injúrias a Polícias
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Valentim Loureiro foi
ontem absolvido de dois crimes de injúria agravada na pessoa de dois
agentes da PSP, por decisão da magistrada judicial titular do 3º Juízo
Criminal do Porto. A sentença resultou do facto de o tribunal não ter
dado como provado que o presidente da Câmara Municipal de Gondomar
tenha dito "vocês são uma merda", quando se dirigiu a dois polícias
que estavam a multar carros estacionados em cima do passeio, na Rua de
Fez, no Porto, ao fim da tarde de 4 de Outubro de 1999.
A juíza sublinhou que
também "não acreditou" na versão apresentada pelo major, segundo a
qual teria desabafado: "Isto é uma merda". "Subsiste uma dúvida
insanável", acentuou a magistrada judicial, realçando que apenas ficou
provado que o arguido tinha proferido a palavra "merda" que, isolada
do contexto e não tendo alvo perceptível, não assumiu cunho injurioso.
Dadas as versões
contraditórias, a juíza salientou que persistia a dúvida insanável
quando ao incidente, razão por que decidiu absolver Valentim Loureiro,
que beneficiou do princípio "in dubio pro reo".
No exterior das
instalações judiciais, o major assegurou que a sua experiência pessoal
neste processo e no inquérito gerado pela operação "Apito Dourado" lhe
tem dado um conhecimento detalhado da justiça e do sistema judicial.
Assegurou que, quando os casos estiverem resolvidos, se irá empenhar
na sensibilização dos deputados da Assembleia da República para
alterarem as leis para melhorar a administração da justiça e o sistema
prisional. "Essas denúncias hei-de fazê-las na altura própria",
prometeu.
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Polícia Judiciária quer
acabar com o papel |
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Mais de 60 por cento do papel em
circulação na Polícia Judiciária (PJ) vão desaparecer, graças às novas
tecnologias.
Segundo anunciou ontem a instituição, em breve vai entrar em
funcionamento o chamado Sistema Integrado de Apoio à Investigação
Criminal (SIAIC), que permitirá a criação de um espaço único de
informação, de trabalho e de comunicação. Todas as unidades orgânicas
internas da PJ vão estar ligadas entre si (Intranet), havendo também
canais de ligações com outras entidades (Extranet), e com o cidadão
(Internet).
Tudo isto vai permitir, nomeadamente, aquisições de bens e serviços
por via electrónica, a transferência electrónica de processos, com a
devida assinatura digital (em articulação com os tribunais, advogados
e outras entidades), e ainda a possibilidade de os cidadãos
apresentarem queixas online. As candidaturas a inspectores da PJ
poderão ser feitas do mesmo modo.
«Trata-se, sem dúvida, de uma acção inovadora e precursora no quadro
de toda a administração pública», congratula-se a PJ em comunicado
ontem enviado às redacções. O SIAIC, lê-se no documento, reflecte «uma
mudança profunda ao nível dos sectores ditos administrativos, pilares
da instituição, introduzindo a lógica de processo, e permitindo
planear e gerir, de foram integrada, todos os recursos humanos e
financeiros».
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Polícias
queixosos |
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Morte de jovem
Agentes da esquadra
da Reboleira da PSP apresentam queixas contra pais de jovem falecido
Em causa, dizem, estão danos morais
Uma dezena de agentes da esquadra da Reboleira da PSP, na Amadora,
apresentou queixas individuais contra os pais de José Carlos Vicente,
o jovem de 17 anos que faleceu, no passado dia 18, em circunstâncias
ainda não totalmente esclarecidas. De acordo com os polícias
queixosos, em causa está um alegado "crime de difamação caluniosa" que
tem na sua origem as declarações proferidas pelos pais aos órgãos de
Comunicação Social, acusando os elementos daquela esquadra de terem
espancado o filho, na madrugada do dia 16, tendo a morte do filho
resultado de tal facto.
Face ao resultado da autópsia, que afastou, nos resultados
preliminares, a possibilidade da morte por espancamento, os agentes
resolveram já pedir responsabilidades aos pais de José Carlos,
residentes na Damaia, e ponderam avançar com queixas contra o Bloco de
Esquerda e a associação SOS Racismo.
"Face ao facto de me encontrar entre os possíveis suspeitos de um
crime de homicídio ou ofensas à integridade física agravadas pelo
resultado (morte), considero, face às afirmações proferidas pelos
familiares do menor, que fui difamado caluniosamente, tendo havido um
atentado ao meu bom nome e reputação, quer como cidadão, quer como
agente da autoridade", lê-se numa das queixas já formalizadas pelos
agentes da esquadra da Reboleira.
Argumentam ainda os polícias que os pais do jovem "sabiam que as
afirmações proferidas não correspondiam à verdade, uma vez que, ao
contrário do que revelaram publicamente, foram buscar o filho à
esquadra e este saiu pelos próprios meios, tal como mais dez suspeitos
de um furto".
Os polícias exigem uma indemnização por danos morais, "revertendo o
dinheiro que venha a ser obtido a favor de uma instituição de
caridade".
Polémica
As versões
Segundo a PSP, José Vicente abandonou a esquadra pelos seus próprios
meios na companhia dos seus pais. Estes disseram que o jovem saiu
quase sem conseguir andar.
Distúrbios
Na sequência da morte do jovem vários moradores do Bairro 6 de Maio
praticaram actos de vandalismo e confrontaram-se com a PSP.
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