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Mário Morgado abandona PSP
por motivos políticos |
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A demissão do
director nacional da Polícia de Segurança Pública (PSP), Mário
Morgado, esteve, ontem, envolvida nas mais variadas especulações sobre
os motivos que, «de facto», estiveram na origem do pedido. Nos
próximos dias, o novo ministro da Administração Interna, Daniel
Sanches, e o primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes, vão escolher o
sucessor do juiz desembargador que esteve dois anos à frente da PSP.
Logo ao início da tarde, os nomes dos eventuais sucessores começaram a
ser comentados nos meios políticos e policiais. Os mais veiculados
foram o de Branquinho Lobo, inspector-geral da segurança social que
terá uma relação de amizade com Daniel Sanches; o de Gabriel Catarino,
director-geral do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras; e o de
Rodrigues Maximiano, inspector-geral da Administração Interna. Mas os
três juízes são apenas hipóteses, uma vez que, até à hora do fecho
desta edição, não houve nenhum anúncio oficial do nome do sucessor.
No seu pedido de demissão, apresentado na primeira reunião com o
ministro da Administração Interna, Mário Morgado sustenta que a
«mudança de Governo agora verificada consubstancia uma significativa
alteração do quadro de referências, equilíbrios e pressupostos de
natureza política que até agora têm permitido percor-rer, sem desvios
relevantes, o caminho traçado».
Este parágrafo deu origem a várias leituras: segundo fonte da direcção
nacional da PSP, o articulado apenas quer dizer que Mário Morgado foi
nomeado por uma equipa ministerial e, como essa saiu, o magistrado
pediu, «logicamente», a demissão. A decisão já tinha sido tomada antes
da reunião, acrescentou. Por outro lado, outras fontes contactadas
pelo DN admitem que o projecto para a PSP defendido por Mário Morgado
não coincidia com o do novo ministro, Daniel Sanches.
Seja como for, ontem não houve um cabal esclarecimento da situação por
parte do Ministério da Administração Interna.
REACÇÕES. As associações sindicais de polícias admitem que a demissão
era inevitável e congratulam-se com a decisão. «Nenhum director da PSP
se sentirá satisfeito por gerir uma instituição onde não há condições
nem respostas por parte do Governo», disse ao DN o presidente da
Associação Sindical de Profissionais de Polícia. Alberto Torres refere
o facto de o novo programa de Governo não apresentar alterações
significativas em relação ao outro.
Por seu lado, o presidente do Sindicato de Profissionais de Polícia,
António Ramos, congratula-se com esta decisão do director-nacional,
face ao «descontentamento crescente» entre os polícias. Já depois da
tomada de posse do novo ministro, o sindicato pediu a demissão de
Mário Morgado. «Este é, sem dúvida o pior director que a PSP já teve à
frente dos seus destinos desde 1974».
No Parlamento, a oposição vê esta decisão como «mais um sinal de
instabilidade» na relação do Governo com as forças de segurança e pede
a rápida resolução do problema. Tanto o Partido Socialista como o
Bloco de Esquerda vão entregar um requerimento solicitando a presença
do ministro na Assembleia. O CDS-PP classificou a demissão como um
«facto normal da vida política».
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Sindicato diz que
falta de estratégia explica demissão |
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A Associação Sindical
dos Profissionais da Polícia (ASPP) considerou que era inevitável a
saída do director nacional da PSP, face ao descontentamento na
instituição e à falta de condições para modernizar a Polícia. O
presidente da ASPP, Alberto Torres, disse, ontem, à agência Lusa,
perceber os motivos da saída: "A ASPP teve a preocupação de comparar
os programas do anterior e do actual Governo e não vê neste último
objectivos que levem à solução dos graves problemas que afectam a
PSP".
Por sua vez, o Sindicato de Profissionais da Polícia, que há muito
estava em guerra com o juiz, manifestou-se satisfeito com a demissão.
Oposição quer explicações
A oposição parlamentar reagiu à demissão, como sendo "mais um sinal de
instabilidade" na relação do Governo com as forças de segurança. O PS,
pela voz do deputado Vitalino Canas, classificou a saída como "mais um
episódio que demonstra a instabilidade nas forças de segurança" e as
dificuldades de relacionamento com o Governo. Pediu também explicações
públicas sobre os motivos da demissão.
Para o PCP, as razões que Mário Morgado invocou "são preocupantes e
dão a entender que o actual Governo não apresenta garantias de vir a
resolver os problemas da PSP". O Bloco de Esquerda disse que a saída
de Mário Morgado é um sinal de que "o Governo dispara promessas em
todas as direcções, mas não reforça a sua credibilidade".
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Director da PSP afasta-se
zangado com o ministro |
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Primeira crise no MAI provoca saída de Mário Morgado Ministro não quer
que a PSP tenha serviços de informação e desautorizou juiz na
impugnação de concurso
Mário Morgado, director nacional da PSP, demitiu-se, ontem, em
conflito aberto com o novo ministro da Administração Interna (MAI),
Daniel Sanches. Na origem do desentendimento, esteve o facto do
responsável pela tutela não querer que a PSP mantenha um serviço de
informações a funcionar autonomamente. Segundo diversas fontes
garantiram ao JN, Daniel Sanches defende que os departamentos de
informações devem ser reservados ao SIS e, quando muito, à PJ. No
entanto, todas os corpos de polícia os têm, desde a GNR até ao SEF.
Mário Morgado, juiz de carreira e director da PSP desde 2002, entendeu
que se tratava de uma minimização das competências da PSP. Decidiu
então entregar o seu pedido de demissão, que terá sido de imediato
aceite. O substituto ainda não está encontrado (ver caixa).
Reservas em continuar
Logo que foram conhecidas as mudança no Governo, Mário Morgado
manifestou alguma resistência a continuar. A pessoas que lhe eram
próximas, o juiz disse mesmo que só se manteria à frente da PSP se
sentisse do futuro ministro que a confiança não era posta em causa.
Mostrou também algum desagrado com alguns nomes que chegaram a ser
equacionados para liderar o Ministério da Administração Interna.
O ambiente azedou, poucos dias após a tomada de posse. Mário Morgado
estava de férias quando soube que o ministro autorizara (ou ordenara)
a suspensão do concurso para que fossem escolhidos os representantes
da instituição que integrariam as comissões paritárias de avaliação de
desempenho.
Tratava-se de uma reivindicação do director nacional da PSP, que,
ainda por cima, não gostou de "perder uma guerra" com os seus mais
"fiéis" inimigos. Isto porque quem pedira a impugnação da eleição fora
o Sindicato de Profissionais da Polícia, com quem Morgado tem
diferendos antigos.
Mas o desentendimento que acabou por provocar a ruptura foi o
empenhamento do ministro em extinguir o serviço de informações da PSP.
Mário Morgado entendeu que, com essa medida, se pretendia reduzir o
espaço da PSP, minimizando a sua capacidade de trabalho, e preferiu
abandonar a instituição. Regressa às funções de juiz.
Alguns recados
Na carta ontem entregue a Daniel Sanches, Mário Morgado deu alguns
recados ao novo ministro sobre o apoio que, no caso da impugnação da
eleição, diz não ter sentido. "Nos últimos dois anos, contei com um
apoio permanente e inequívoco da tutela, tendo sido possível gerir e
controlar a conflitualidade inerente à execução dos processos de
reforma da PSP de forma adequada. (...) A gestão foi feita sem
qualquer cedência essencial ao nível dos critérios de rigor e grande
exigência que, nomeadamente em matéria de disciplina interna, não
podem deixar de estar presentes nas forças e serviços de segurança".
Mário Morgado lembrou ainda que era necessário introduzir reformas de
fundo na instituição e que essas reformas geravam sempre alguma
controvérsia e resistência. Acrescentou que aceitou o cargo com a
missão de "operacionalizar um projecto de modernidade e excelência
para a instituição".
Recorde-se, ainda, que, na sua tomada de posse, Morgado tinha eleito
como prioridade a definição de critérios de avaliação de desempenho
para os polícias, um processo que agora foi posto em causa pelo
ministro.
O JN ouviu o número dois da PSP, o superintendente Gaspar Fernandes,
que não comentou a saída do seu director. "A minha posição deve ser de
silêncio. Além disso, não posso comentar a decisão pessoal do juiz",
referiu, ao JN.
Substituto não é ainda conhecido
O substituto de Mário Morgado ainda não é conhecido. Ontem, ao final
da tarde, eram equacionadas várias hipóteses. Um delas seria o juiz
desembargador Branquinho Lobo, do Tribunal da Relação de Lisboa,
ex-secretário de Estado da Administração Interna e amigo pessoal de
Daniel Sanches. Outra hipótese também equacionada foi a transferência
do juiz Gabriel Catarino, do SEF para a PSP, embora fontes próximas do
juiz tivessem garantido, ao JN, não ter existido qualquer convite
nesse sentido. A terceira solução, que parecia ganhar alguma força,
era Daniel Sanches tentar controlar algum do descontentamento interno
existente na PSP, nomeando um quadro da casa para o cargo de director.
Aí, o escolhido poderia ser Farinha Ferreira, director do Instituto
Superior de Polícia, ou Gaspar Fernandes, actual número dois da
hierarquia e o oficial que assinou o adiamento do concurso. O nome do
director da Polícia Judiciária Militar, Governo Maia, também terá sido
equacionado. O JN tentou obter uma reacção do MAI, mas tal não foi
possível, porque ainda não existem assessores de Imprensa. |
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Demissão -
responsável abandona o cargo devido à mudança de Governo |
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MORGADO DEIXA A POLÍCIA |
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Mário Morgado demitiu-se ontem do cargo de director nacional da PSP
por considerar que, devido à mudança de Governo, ocorreu uma
“significativa alteração do quadro de referências” em que trabalhou
nos últimos dois anos. O juiz desembargador deixa o cargo com muitas
críticas das associações profissionais e, segundo apurou o CM, deverá
regressar ao Tribunal da Relação de Lisboa.
No seu lugar, até ser
nomeado o novo director-geral, deverá ficar um dos adjuntos.
Na carta de demissão que entregou ao novo ministro da Administração
Interna, Daniel Sanches, Mário Morgado esclarece que a “mudança de
governo agora verificada consubstancia uma significativa alteração do
quadro de referências, equilíbrios e pressupostos de natureza política
que até agora tem permitido percorrer, sem desvios relevantes, o
caminho traçado”.
O juiz desembargador assumiu o cargo de director nacional da PSP a 5
de Agosto de 2002 com quatro objectivos estratégicos: maior eficácia
no combate à criminalidade, reforço da autoridade policial e do
estatuto dos polícias e a aposta na informatização e novas
tecnologias. Dois anos depois, as associações socioprofissionais
escolhem uma palavra para classificar a permanência de Morgado à
frente dos destinos da Polícia: desilusão.
“Esta saída não nos surpreende, dado o clima de insatisfação que,
desde há algum tempo, se vive na PSP”, referiu ao CM António Ramos, do
Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP). “Os problemas que
existiam há dois anos, continuam sem ser resolvidos e alguns foram
mesmo agravados.”
Alberto Torres, da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP),
considera que “tudo falha quando não há viabilidade política para se
dar satisfação aos problemas da PSP”. “A verdade é que foram criados
grupos de trabalho para diversas áreas e, dois anos volvidos, pouco se
adiantou”, sublinhou.
O termo “desilusão” surge também entre os oficiais da PSP. Jorge
Soares, presidente da Associação Sindical dos Oficiais de Polícia (ASOP),
disse ao CM que Mário Morgado “prometeu muito e não consolidou
praticamente nada”. “Criaram-se muitas expectativas, produziram-se
bons documentos, mas que não foram aplicados.”
Na carta de demissão que ontem entregou ao novo ministro Daniel
Sanches, Mário Morgado caracteriza a relação com o anterior
governante, Figueiredo Lopes e garante que “com firmeza e determinação
– e, antes do mais, com um apoio permanente e inequívoco da tutela
política –, tem sido possível gerir e controlar a conflitualidade
inerente à execução dos processos de reforma em curso na PSP”.
SUBSTITUIÇÃO
ADJUNTO ASSUME
Um dos três directores nacionais adjuntos – os superintendentes-chefe
Gaspar Fernandes, Dário Sobral e Coelho Lima – deverá assumir o cargo
mais alto da PSP até ser indicado o novo director nacional da
instituição.
ONZE POSSIBILIDADES
Na prática, há onze nomes elegíveis para o cargo: dez são
superintendentes-chefes. O 11.º é o superintendente Oliveira Pereira,
actual comandante de Lisboa, que poderá ser promovido se for o
escolhido.
REACÇÃO POLÍTICA
O primeiro-ministro Santana Lopes não quis comentar a saída de Mário
Morgado. Para o PS, a demissão do director nacional da PSP é “mais um
sinal de instabilidade”.
DUAS RODAS E NOITE DE PRAXES
Duas quedas de moto, uma delas numa ponte com trânsito proibido, e uma
noite de praxes na instituição onde são formados os oficiais ficam
para sempre ligadas ao período que Mário Morgado passou à frente da
PSP. Atrasos nas promoções, más condições de trabalho e esquadras
degradadas são algumas das falhas apontadas pelos sindicatos ao agora
ex-director nacional da Polícia, que foi também apontado por criar um
serviço de informações ilegais. Mas Mário Morgado deixa o cargo depois
de um Campeonato Europeu de Futebol que foi considerado um “êxito” em
termos de segurança.
SOLUÇÃO INTERNA É A PREFERIDA
Os principais sindicatos da PSP vêem com bons olhos uma solução
interna para ultrapassar a crise aberta com a demissão de Mário
Morgado. “Há na instituição quadros qualificados para ocupar o lugar”,
assegura Alberto Torres, garantindo que a ASPP “não aceitará um
regresso ao passado”. Também o SPP prefere um “homem da instituição”,
enquanto os oficiais apenas pedem “alguém com sensibilidade para os
problemas e que os possa resolver”.
No seio da PSP, dez superintendentes-chefes e um superintendente estão
na linha da frente para ocupar o lugar de director nacional. No
entanto, e tal como sucedeu com Mário Morgado em 2002, a escolha do
novo ministro da Administração Interna Daniel Sanches, pode passar por
um elemento civil, sem ligação à PSP.

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Director-nacional da PSP
Demite-se por Causa da "Mudança do Governo" |
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A uma semana de
completar dois anos à frente da PSP, o director nacional da
instituição, desembargador Mário Morgado, pediu ontem a demissão,
durante a primeira reunião com o novo ministro da Administração
Interna, Daniel Sanches. Se a atitude apanhou desprevenidos os
políticos, ainda que fosse aguardada pelos sindicatos, os motivos
invocados constituiram uma verdadeira surpresa para todos: Morgado, o
primeiro civil a liderar a PSP, justifica a saída com "a mudança de
Governo", alegando que esta implicou uma "alteração significativa do
quadro de referências, equilíbrios e pressupostos" políticos que lhe
permitiam exercer o cargo.
Esse foi pelo menos o
"juízo" que o magistrado fez da nova situação, por razões que não quis
explicitar na carta de demissão. Mas levantou um pouco o véu sobre os
motivos que estão na base do afastamento, ao referir que, nos últimos
dois anos, "com um apoio permanente e inequívoco da tutela", foi
"possível gerir e controlar a conflitualidade inerente à execução dos
processos de reforma da PSP de forma adequada". Ou seja, "sem qualquer
cedência essencial ao nível dos critérios de rigor e grande
exigência". Aparentemente, o novo Governo não lhe garantia o mesmo.
Fonte próxima de
Morgado assegura que a demissão não tem nada a ver com o perfil novo
ministro, Daniel Sanches, ex-responsável pelo Serviço de Informações e
Segurança (SIS) e pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), uma
vez que entre os dois até há "uma grande empatia". Mas há quem
sustente exactamente o contrário, sugerindo que existirão "zangas
antigas". Seja como for, a decisão foi "ponderada" pelo director-geral
da PSP, que se encontrava de férias quando o novo Governo tomou posse.
A substitui-lo provisoriamente ficará o superintendente-chefe, Gaspar
Fernandes, um dos directores nacionais adjuntos da PSP.
Com o objectivo de
desburocratizar e agilizar a polícia, Morgado apostou na substituição
das promoções por antiguidade por um sistema de avaliação curricular e
rejuvenesceu a cadeia de comando. As reformas mereceram-lhe grande
contestação interna, em especial por parte do Sindicato dos
Profissionais de Polícia (SPP), que chegou a afirmar que ele era "o
pior director que a PSP teve desde 1974" e não se cansou de pedir a
sua demissão. A última vez que o fez foi uma semana antes da mudança
do Governo, com a ameaça de avançar com formas de luta em Outubro
próximo.
António Ramos,
presidente do SPP, garante que "já estava à espera" há algum tempo da
saída do director-nacional e defende que o motivo invocado não passa
de "uma falsa questão". "Ele tinha que argumentar alguma coisa para
sair por cima", diz.
"Só os mais
distraídos é que se surpreenderam", afirmou também Alberto Torres,
presidente da Associação Sindical de Profissionais da PSP (ASPP). "Há
algum tempo que nos fomos apercebendo do descontentamento" do
director-nacional, face à degradação das condições de trabalho, ao
congelamento das promoções e à falta de resposta política para avançar
com projectos em curso - nomeadamente a alteração da Lei Orgânica, do
estatuto do pessoal e do regulamento disciplinar. Era necessário força
política e investimento para mudar o estado das coisas, mas as
respostas tardavam, concluiu.
Com 47 anos,
licenciado em Direito, Mário Morgado trabalhou como juiz em vários
tribunais e foi director-geral dos Serviços Judiciários, entre 1991 e
1995. Deverá agora voltar ao Tribunal da Relação de Lisboa, onde
estava colocado antes de ir para a PSP.
Oposição Exige Esclarecimentos Públicos
Uma "situação normal" na vida política, desdramatizaram os dois
partidos no poder; "mais um sinal de instabilidade" na relação do
Governo com as forças de segurança, reagiram os partidos na oposição.
Esta é uma demissão duplamente " atípica", notou o socialista Vitalino
Canas. Além de "não ser comum um alto funcionário da administração
pública dar a entender que se demite por falta de confiança", é
estranho que Mário Morgado alegue que o Governo vai alterar
substancialmente a sua linha de actuação, quando o novo programa para
este sector "é quase uma repetição burocrática" do anterior,
argumentou. E anunciou que o PS vai apresentar um requerimento no
Parlamento exigindo um rápido esclarecimento público das razões desta
demissão. O Bloco de Esquerda adiantou que vai fazer o mesmo. O PSD
reagiu à saída de Morgado com "toda a normalidade", frisando que o
Governo vai providenciar "no tempo adequado" e "sem sobressaltos" a
sua substituição."É normal que pessoas que desempenham cargos
superiores tomem esta atitude, havendo mudanças com a profundidade das
que ocorreram", considerou Guilherme Silva.
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Demissão de director da PSP não surpreende sindicatos
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Não só não resolveu
como «agravou os problemas já existentes» e «as reformas estão todas
paradas» - os argumentos das associações que representam os polícias.
PS diz que instabilidade vai aumentar.
As direcções das duas
associações representativas dos homens da PSP, a Associação
Profissional da Polícia (APP) e a Associação Sócio-Profissional da
Polícia (ASPP), não se mostraram surpreendidas com demissão do
director da PSP, Mário Morgado.
«O Sr. Director
Nacional não conseguiu resolver um único problema. Pelo contrário.
Agravou todos os problemas, começando pela questão das promoções»,
sublinhou António Ramos, da APP, em declarações à Rádio Renascença. À
TSF, este dirigente acrescentou ainda que «Mário Morgado provocava a
instabilidade na PSP».
Alberto Torres, da
ASPP, também não ficou surpreendido com a saída do director da PSP,
tanto mais que «todas as reformas estão paradas»: «Durante estes dois
anos a PSP parou completamente. Presumo que nenhum director gostasse
de dirigir uma instituição nessas condições».
Por seu lado, o
deputado do PS Vitalino Canas sublinha que esta demissão «vai aumentar
ainda mais o clima de instabilidade que se vive entre as forças de
segurança».
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PSP registou descida
nos crimes urbanos |
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Responsável pelo Serviço de Informações considera transferência de
competências positiva |
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Subintendente
José Torres |
A manter-se a
tendência verificada até agora, a pequena criminalidade urbana
poderá registar este ano um decréscimo dos seus valores globais em
todo o país, o que aconteceria pela primeira vez desde 1998,
segundo o Subintendente José Torres, director do Departamento de
Informações da Polícia de Segurança Pública. "Os valores
recolhidos nos primeiros quatro meses deste ano apontam para uma
diminuição da criminalidade na ordem dos 2,6% face ao período
homólogo, embora ainda falte absorver o impacte conjuntural dos
dois grandes eventos que ocorreram no início do Verão em Portugal,
o Rock in Rio e o Euro-2004 "revelou, ao JN, aquele responsável.
Na opinião de José Torres "a disseminação do policiamento de
proximidade, a ocupação do terreno por intermédio de equipas de
visibilidade e de intervenção, a actuação rápida e firme nos focos
de conflito latentes e a disposição dos meios por critérios de
prioridade e gravidade relevados pelo tratamento adequado da
informação de base" são alguns dos factores que podem ter
determinado a melhoria no que diz respeito à pequena
criminalidade.
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Preocupante,
continua a ser para este responsável o crescimento da
criminalidade mais elaborada, como os assaltos a bancos, a
falsificação de moeda e a generalidades dos crimes com recurso a
armas de fogo.
Cerca de dois anos e meio depois da entrada em vigor da Lei de
Organização da Investigação Criminal, à PSP chegam cerca de 80%
dos processos-crime em Portugal, oriundos do Ministério Público.
"Só no ano de 2003, a PSP efectuou 34.376 detenções", o que dá uma
média de uma detenção em cada 15 minutos em todo o País.
Ao todo, a PSP já apreendeu património obtido de forma criminosa
no valor superior a cinco milhões de euros, confiscando 430 quilos
de drogas, detendo 1.830 suspeito de tráfico.
Controle sobre escutas
É maioritariamente no âmbito de investigações de crimes de tráfico
de drogas que a PSP tem recorrido às polémicas escutas
telefónicas. José Torres esclarece que "há um número relativamente
reduzido e controlado de pedidos de intercepção telefónica e os
que há são na área do narcotráfico", assegurou. "De qualquer
maneira", continuou, "existem instruções precisas para utilização
deste meio de prova apenas em última instância".
Desde o ano passado, segundo José Torres, foram também criadas
três Divisões de Investigação Criminal, distribuídas por Lisboa,
Porto e Funchal, bem como 19 Secções de Investigação Criminal em
cada um dos comandos de Polícia. "A PSP formou 1.864
agentes-investigadores, 106 dos quais especializados na área de
polícia-técnica, encarregues da recolha e tratamento de
vestígios", adianta ainda, embora admita que "o número de
efectivos ainda está um pouco abaixo das necessidades". Não
obstante, a curto prazo está prevista a "formação de, pelo menos,
mais duas centenas de agentes".
A criação de áreas específicas como a ligação às vítimas de
crimes, especialmente dos mais graves, e a investigação de crimes
rodoviários e ambientais estão neste momento a ser avaliadas.
Diminuir tempos de
resposta
A PSP pretende diminuir os tempos de espera para as equipas de
polícia técnica se deslocarem e iniciarem a recolha de vestígios
de crime no local após a sua notícia, prevendo passar das actuais
quatro horas, em média, para apenas duas horas. "É um grande
avanço, tendo em conta a situação que se verificava no modelo
anterior, em que muitas vezes nem sequer se procedia a essa
diligência". Em regime de teste, a PSP criou, igualmente, as
Unidades Regionais e Locais de Informação e as Brigadas de
Prevenção Criminal (BPC), cuja principal função, segundo disse
José Torres, "é atingir uma maior operacionalidade no terreno,
assegurar as acções de vigilância mais ostensiva e a recolha
permanente de informação". No fundo, "as BPC são uma espécie de
charneira entre uma polícia puramente de prevenção e uma polícia
vocacionada para a investigação criminal."
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Mário Morgado pediu
demissão durante encontro com o ministro da Administração Interna |
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Mudança de Governo leva a demissão do director nacional da PSP
O director-nacional
da PSP, o juiz-desembargador Mário Morgado, apresentou hoje a sua
demissão ao ministro da Administração Interna, Daniel Sanches, por
considerar que o novo Governo não apresenta as mesmas garantias para
que possa continuar o seu trabalho.
No pedido de demissão
lê-se que o magistrado considera que houve "uma alteração
significativa" dos pressupostos políticos que até agora lhe permitiram
exercer o mandato com a mudança de Governo.
"No meu juízo -
naturalmente subjectivo e que formulo por razões que me dispenso de
explicitar - a mudança de Governo agora verificada consubstancia uma
significativa alteração do quadro de referências, equilíbrios e
pressupostos de natureza política que até agora tem permitido
percorrer, sem desvios relevantes, o caminho traçado", justifica Mário
Morgado no seu pedido de demissão.
Mário Morgado
apresentou hoje o pedido de cessação da sua comissão de serviço ao
novo ministro da Administração Interna, Daniel Sanches, no decurso da
primeira reunião que teve com o titular da pasta, adiantou à Lusa
fonte próxima do magistrado.
O juiz desembargador
de 47 anos foi o primeiro civil a dirigir esta força de segurança,
tendo substituído Gonçalves Amaro a 5 de Agosto de 2002, já durante o
Governo de Durão Barroso.
Mário Morgado
respondeu, na época, à aspiração de mais de uma década das associações
de polícias, que desejavam ver um civil à frente da força. Antes de
chegar à PSP, Mário Morgado era juiz desembargador no Tribunal da
Relação de Lisboa. Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da
Universidade Clássica de Lisboa, foi juiz nos tribunais de Almada, de
Odemira e de Cascais e de 1991 a 1995 foi o director-geral dos
Serviços Judiciários durante o tempo de Laborinho Lúcio no Ministério
da Justiça.
Exerceu
posteriormente a função de juiz em vários tribunais e em 1998 entrou
para o Tribunal da Relação de Lisboa como juiz desembargador auxiliar,
sendo promovido a juiz desembargador efectivo em Setembro de 2000.
Dos seus traços
pessoais destaca-se o gosto pela aventura e desportos radicais, ao
ponto de a mota ser a sua imagem de marca.
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Director nacional da PSP apresenta demissão |
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Em reunião com o novo ministro da Administração Interna, Mário Morgado
terá invocado razões que se prendem com a alteração do quadro político
do novo governo
O director nacional
da PSP, Mário Belo Morgado, pediu hoje de manhã a sua demissão ao
ministro da Administração Interna, Daniel Sanches. O primeiro civil a
chefiar a Polícia justifica a sua cessação de funções com a alteração
da equipa do executivo. «A mudança de Governo agora verificada
consubstancia uma significante alteração do quadro de referências e
pressupostos de natureza política» o que pode impedir a continuidade
do «caminho traçado» por Mário Morgado há dois anos.
Em dois anos à frente
da PSP, Mário Morgado definiu um novo modelo de organização e
funcionamento do sistema de investigação criminal da PSP, com vista a
tornar a resposta da PSP mais eficaz face ao crime. Sempre com o
objectivo de agilizar o sistema policial e desburocratizar a polícia,
Morgado pôs termo ao anterior sistema de promoções por antiguidade,
estando já a decorrer o novo sistema de promoções por avaliação
curricular.
Outra das grandes
tarefas da Direcção Nacional empossada em 2002 foi a implementação do
Sistema Estratégico de Informação (SEI), que permite a elaboração
automática de relatórios policiais e permite o cruzamento de toda a
informação que entra no dispositivo.
Na corrente do
Euro2004, foram criadas as salas de situação, onde é possível fazer o
acompanhamento da actividade policial da PSP. Outro objectivo central
era a transferência de pessoal nas secretarias para as patrulhas de
rua. E a este propósito está a ser criada a unidade de serviços
partilhados, libertando recursos policiais que desempenhavam funções
administrativas para a actividade operacional.
O esforço de mudança
valeu a este director nacional uma medalha de ouro das mãos do
ex-ministro da Administração Interna, pelo reconhecimento do trabalho
desenvolvido. Registou ainda uma descida da criminalidade global
participada (menos 2,6 por cento). Nos primeiros quatro meses deste
ano a tendência dos principais indicadores nas áreas de intervenção da
PSP, foi de baixa da criminalidade.
Como quase todos,
este chefe da polícia enfrentou alguma contestação, sobretudo por
parte de um dos sindicatos que chegou, inclusivamente a processar
criminalmente Mário Morgado. Mas as críticas nunca lhe meteram medo.
Agora sai por uma questão de «alteração dos equilíbrios» que a
anterior tutela lhe concedeu para desenvolver o seu trabalho.
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Eleições na PSP adiadas |
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A Direcção Nacional
da PSP adiou, ontem, o acto eleitoral destinado a designar os
representantes da instituição para as comissões paritárias que vão
passar a avaliar o desempenho dos polícias ao longo do ano, permitindo
assim a sua progressão, ou não, na carreira.
O acto eleitoral
estava marcado para hoje, mas como não houve publicidade não havia
sequer candidatos aos cargos. Além disso, apurou o JN, grande parte do
efectivo também se encontra de férias, pelo que se previa uma enorme
abstenção.
António Ramos,
presidente do Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP), um dos
sindicatos mais representativos da instituição, confirmou ao JN o
adiamento das eleições e aproveitou para lançar algumas críticas ao
director nacional da PSP, Mário Belo Morgado: "O director nacional da
Polícia marcou um acto para eleger pessoas que terão um papel
preponderante no futuro dos polícias, uma vez que as promoções
passarão a ser feitas por avaliação curricular, sem dizer nada a
nenhum sindicato. Não havia candidatos, as pessoas não sabiam em quem
votar e e muitos polícias foram de férias. Aliás, como o próprio
director nacional."
O SPP tinha já pedido
a impugnação das eleições ao ministro da Administração Interna,
acabando este por determinar o adiamento do acto.

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PJ detecta em Portugal
transacções financeiras ligadas ao terrorismo |
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Na União Europeia
(UE) circulam, anualmente, inquantificáveis milhões de euros para
financiamento do terrorismo internacional islâmico. Por Portugal
também passa muito deste dinheiro e, ao que o DN apurou, a Polícia
Judiciária (PJ) já identificou várias entidades financeiras envolvidas
em transferências suspeitas.
O DN teve acesso a um relatório confidencial da Europol, recentemente
enviado a todas polícias da UE, onde se reconhece que os
Estados-membros não possuem capacidade para travar as movimentações
financeiras levadas a cabo por grupos fundamentalistas islâmicos,
destinadas a suportar grande parte das acções terroristas. No que
respeita à capacidade de intercepção daqueles fundos criminosos, ainda
«estamos a arranhar a superfície», lê-se no documento.
Alertada por várias forças de segurança da UE, que davam conta das
movimentações em Portugal de indivíduos que se suspeita possuírem
ligações a redes terroristas internacionais, a PJ detectou 120
transacções efectuadas em várias entidades financeiras.
Ao que o DN apurou, trata-se de montantes pequenos, o que, de acordo
com o relatório da Europol, obedece a uma estratégica de actuação para
evitar o controlo das autoridades locais. As investigações da PJ
prosseguem com o apoio das suas congéneres europeias. O objectivo,
agora, é descobrir-se, por um lado, quem levantou o dinheiro - o que é
difícil, uma vez que os membros de grupos terroristas usam,
geralmente, identificações falsas - e, por outro lado, apurar-se se os
montantes tiveram Portugal como destino final, ou se seguiram para
outros países, dentro e fora da zona euro. «Desde meados de 2002
tem-se verificado um tendência que passa pelo levantamento do dinheiro
por correios, para que os grupos terroristas o possam movimentar sem
serem detectados pelos sistemas bancários», lê-se no relatório da
Europol.
ALERTA. Este documento, onde se apela à união de esforços das
autoridades judiciárias da UE, foi elaborado com base num conjunto de
operações policiais levadas a cabo entre 2000 e o primeiro trimestre
deste ano. Nele se reconhece que a Europa está a ser incapaz de
detectar todo o dinheiro que entra e sai de cada um dos
Estados-membros, destinado ao financiamento de grupos terroristas
islâmicos.
Admite-se, aliás, que a ineficácia nesta matéria se estende a países
fora da UE, incluindo os Estados Unidos. A propósito, é citada uma
fonte confidencial da ONU, responsável por monitorizar os montantes
confiscados. Segundo a Europol, aquela fonte começou por anunciar a
intercepção de 120 milhões de dólares. Mas depois, servindo-se de
dados mais realistas, admitiu que teriam sido apenas 60 milhões, ou
seja, confessou-se o fracasso.
A principais dificuldades advêm dos cada vez mais sofisticados métodos
de transferências de dinheiro usados pelos movimentos terroristas. No
relatório da Europol são referidos desde os mais simples aos mais
complexos, apresentando-se exemplos concretos identificados nos
últimos anos em vários países europeus, nomeadamente na Alemanha,
França, Itália, Holanda, Bélgica e Espanha.
HAWALA. O método mais simples denomina-se hawala, já detectado pela PJ
em Portugal - o qual, segundo fontes da ONU, tem sido o mais usado
pela Al-Qaeda responsável pelos atentados de 11 de Setembro de 2001,
em Nova Iorque.
Este método baseia-se, sobretudo, na confiança. Um indivíduo, através
do telefone, recebe ordens para ir a um estabelecimento comercial -
loja de câmbios, uma pastelaria, um restaurante, uma central pública
de chamadas telefónicas, etc. - para solicitar a quantia x, dizendo
que a mesma foi ali depositada em seu nome. Esse mesmo indivíduo
identifica-se (com documentos falsos) perante a pessoa que está por
trás do balcão e recebe a verba, em cash, sem perguntas. «A
transferência é feita em tempo real, anonimamente, e quase sem
riscos», lê-se no relatório.
Acontece, por vezes, que aqueles estabelecimentos comerciais, ligados
a grupos terroristas, fazem também transferências pela via
convencional. Mas geralmente o dinheiro vai transitando de banco em
banco, com levantamentos pelo meio, efectuado por correios que depois
o depositam em outros bancos dentro e fora da UE (ver infografia).
A Europol admite que, com este método - que denomina de hawala misto
-, é impossível seguir-se o rasto das verbas até ao seu destino final.
Este mesmo sistema é usado para permitir a entrada de dinheiro na UE,
com o fim de assegurar a sobrevivência dos indivíduos pertencentes a
células terroristas locais.
A par disto existem também as empresas fantasma, activas no mercado
não mais do que três meses. Estas, com fundos angariados na UE -
especialmente em mesquitas e em organizações não governamentais de
caridade - adquirem materiais que exportam legalmente para países
asiáticos. Aqui, as empresas associadas recebem o produto e pagam-no a
um indivíduo que representa no local a empresa exportadora, estando
simultaneamente ligado a um movimento terrorista, a quem entrega o
dinheiro (ver infografia abaixo). Desta forma, «não há registos de
transferências de verbas em lado nenhum», constata a Europol no seu
relatório.
EURO 2004. Portugal não é referido nquele documento, mas o DN sabe que
o sistema hawala simples, foi usado em Portugal durante o Euro 2004.
Um agente envolvido numa operação de repatriação e expulsão de árabes
magrebinos contou ao DN:
«Estávamos perto do dia 11... em vésperas de um grande jogo no Estádio
do Dragão (abertura do Euro 2004). O grupo de árabes magrebinos era
atentamente vigiado. Os indivíduos pertenciam ao tipo de islâmicos que
vão às orações várias vezes ao dia. Tinham um comportamento suspeito.
Sabíamos que alguns entraram ilegais em Portugal. Não tinham emprego,
nem mostravam vontade de o procurar. Eram 16 homens, todos a viver na
mesma casa, paredes meias com o estádio. Faziam pequenas
transferencias de dinheiro em vários balcões e casas de câmbios.
Sabiam que quantias pequenas de cash não são controladas. Registámos
várias transferencias de pequenos montantes através do método hawala.
A pista veio da Holanda, onde alguns dos elementos já eram controlados
pela polícia local. Havia duas hipóteses: continuar a vigilância, para
apanhá-los em flagrante, na preparação de algum acto terrorista, ou
expulsá-los desde logo. Não quisemos correr riscos. E se acontecia uma
tragédia no estádio? E se no próprio dia do jogo os perdêssemos de
vista e fizessem alguma? Como era? Nem pensámos demasiado. Invadimos o
apartamento e detivemos o indivíduos. Levámos um primeiro grupo para
repatriação, e um segundo foi sujeito ao juiz que determinou a
expulsão.»
Tal como foi noticiado a 14 de Julho no DN, esta operação conjunta da
PJ e do SIS, no início do Euro 2004, levou à detenção de 19
indivíduos, 11 dos quais foram expulsos de Portugal por ordem do
Tribunal. Mas as acusações só puderam ter como fundamento o uso de
documentos falsos.
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