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Casa Pia: Governo deve substituir
director da PJ |
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Cassetes roubadas a jornalista do «Correio da Manhã» conterão
declarações polémicas de Adelino Salvado. Ministro da Justiça aguarda
que juiz saia pelo próprio pé
O director nacional
da Polícia Judiciária, Adelino Salvado, deverá estar prestes a deixar
o cargo. De acordo com a imprensa deste domingo o Ministério da
Justiça estará já à procura de um substituto para liderar a Polícia
Judiciária.
Em causa estão as
declarações do responsável da PJ ao jornalista Octávio Lopes, do
Correio da Manhã. As cassetes, contendo os diálogos, foram roubadas da
redacção do matutino e terão sido já ouvidas por fontes contactadas
pelo «Diário de Notícias» que as classificam de «insensatas» e
«totalmente desaconselháveis» a um magistrado.
O ministro da
Justiça, Aguiar Branco, não terá sido apanhado de surpresa pelo
episódio e estará a aguardar que Adelino Salvado tome uma posição.
Fontes da PJ admitem,
ao «Jornal de Notícias», que o juiz desembargador não agirá até que o
conteúdo dos diálogos seja publicado na imprensa.
Recorde-se que
Adelino Salvado tem protagonizado diversos episódios polémicos, sendo
um dos mais recentes o da substituição da equipa que liderou a
investigação do chamado processo do «Apito Dourado».
Agora vê-se novamente
envolvido em polémica, desta feita, no caso das cassetes roubadAs a um
jornalista contendo várias horas de conversação com diversos pessoas
ligadas ao processo da «Casa Pia».
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IRS: Milhares de polícias não
receberam reembolsos |
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Devido a problemas informáticos da responsabilidade da PSP, diz
sindicato
O presidente do
Sindicato Nacional da Polícia (SINAPOL) disse hoje à Agência Lusa que
"milhares de polícias" ainda não receberam os reembolsos do IRS,
alegadamente devido a sucessivos "problemas informáticos" da
responsabilidade da PSP.
A situação afecta
"todos os polícias que fazem serviços remunerados para outras
entidades que não a PSP e que são 30 ou 40 por cento do total dos
profissionais", disse o presidente do SINAPOL, Armando Ferreira.
Para a regularização
da situação fiscal destes profissionais, os chamados "gratificados", é
exigida a apresentação do "modelo J" nas respectivas repartições de
Finanças, mas, de acordo com Armando Ferreira, os serviços da PSP, a
quem cabe enviar a declaração, "desculpam-se com sucessivos erros
informáticos".
"Contactei a direcção
nacional da PSP na semana passada, e foi- me dito que realmente já
tinham tentado enviar o modelo J por via informática, mas que tinha
dado erro", disse Armando Ferreira.
O sindicalista
recusou que "os erros informáticos possam servir de desculpa" e
salientou que "milhares de polícias estão a ser afectados nas suas
vidas por causa do atraso nos reembolsos".
"Já quando são as
ajudas de custo que estão em atraso três e quatro meses, a desculpa
também são os erros informáticos. Até quando é que vamos ficar à
espera que se resolvam os problemas informáticos da PSP?", questionou.
Armando Ferreira
adiantou que o SINAPOL vai pedir uma audiência ao Ministro da
Administração Interna para expor a situação e solicitar a resolução do
problema.
Em Julho, o SINAPOL
divulgou que "dez mil polícias" ainda não tinham recebido os
reembolsos relativos ao IRS devido a outro problema que entretanto foi
resolvido, disse Armando Ferreira.
Houve polícias que
viram recusadas as suas declarações de IRS porque muitas repartições
desconheciam um acordo entre o ministério das Finanças e da
Administração Interna, que alterou o regime fiscal para aqueles
profissionais.
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Polícias tirados das ruas para
proteger ministros |
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Comando de Lisboa retirou 45 homens das patrulhas para pôr à porta de
casa dos governantes. Ministros ignoram SIS e exigem segurança. São
135 polícias por dia
Ao contrário do que é
normal, todos os ministros - e muitos secretários de Estado - do novo
Governo exigem ter um polícia à porta, a fazer segurança de
residência. A única excepção é o ministro da Agricultura, Costa Neves,
que vive nas Caldas da Rainha. O PortugalDiário sabe que houve
ministros que, logo no dia da tomada de posse exigiram a presença de
um elemento da PSP à porta de casa ¿ foi o caso de António Mexia. No
total, a segurança da equipa governamental envolve 135 polícias por
dia! Menos homens a patrulhar as ruas.
Devido à deslocação
de tantos homens para as residências de ministros e secretários de
Estado, o Comando de Lisboa foi obrigado a reforçar a Divisão de
Segurança com mais 45 elementos - polícias que trabalhavam nas ruas da
capital, nas patrulhas e na investigação criminal.
Aos 135 elementos
que, divididos em cinco turnos, protegem diariamente as casas dos
homens que nos governam, juntam-se mais umas dezenas que fazem
protecção pessoal a alguns ministros. Santana Lopes, já se sabe, tem
16 polícias que o acompanham 24 horas por dia. Paulo Portas também tem
guarda-costas. O ministro da Administração Interna, Daniel Sanches e o
ministro dos Negócios Estrangeiros, António Monteiro, são outros
governantes vigiados de perto pelo Corpo de Segurança Pessoal da PSP.
Menos normal é o caso
de Nobre Guedes e José Luís Arnaut. Além de polícias à porta, os
ministros do Ambiente e Ordenamento do Território e da Administração
Local, também são acompanhados por guarda-costas, o que nunca
aconteceu com ministros com esta pasta.
Um despacho de 1991
(era ministro Dias Loureiro) determina que os ministros da
Administração Interna, da Justiça e da Defesa tenham direito a
segurança pessoal. Além destes, apenas os que o SIS determinar podem
ter protecção da PSP.
A avaliação do grau
de ameaça feito pelo SIS (Serviço de Informações de Segurança) para
este Governo já foi feita. Mas, muitos ministros a quem o SIS não
sugeria protecção, também a exigiram.
O SIS pode sugerir
três níveis distintos de protecção policial.
Se o grau de ameaça
for elevado (grau C), o ministro ¿ ou secretário de estado ¿ fica
sujeito a segurança pessoal, ou seja, tem direito a guarda-costas que
os acompanham 24 horas por dia. Numa situação de ameaça intermédia
(grau B), é determinada a segurança de área, através de um polícia à
porta de casa ou do local de trabalho dos governantes. O grau A não
implica nenhuma medida especial de segurança.
O Governo de Santana
resolveu ignorar o relatório do SIS e requisitar polícias para uso
doméstico.
Contactado pelo
PortugalDiário, o Comandante de Lisboa, Oliveira Pereira, não quis
comentar esta situação. Já o Comandante do Corpo de Segurança Pessoal,
Luís Carrilho, confirmou apenas que «a segurança pessoal tem a ver com
o grau de ameaça que impende sobre os ministros».
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Adjuntos de Morgado na PSP
demitidos pelo ministro |
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Chefias dos comandos metropolitanos de Porto e Lisboa também deverão
ser alteradas Branquinho Lobo escolhe Herlânder Chumbinho para seu
número dois
Gaspar Fernandes, número dois de Mário Morgado, e Dário Sobral,
responsável pelo departamento de Recursos Humanos da PSP, souberam
ontem pelo chefe de gabinete do ministro da Administração Interna que
seriam afastados dos cargos.
A poucas horas da tomada de posse de Branquinho Lobo, novo director
nacional da PSP, e dos seus novos adjuntos, Herlânder Chumbinho e
Teresa Nóbrega (ex-número dois de Branquinho Lobo na Inspeção-Geral da
Segurança Social), os oficiais da PSP, que até aí desempenhavam cargos
de direcção, souberam que seriam afastados. Não lhes foram comunicados
os motivos, mas o descontentamento que tais alterações geraram na
corporação foi evidente.
Gaspar Fernandes meteu imediatamente férias e ainda não sabe quais as
funções que deverá desempenhar. Dário Sobral também ainda não foi
informado da nova colocação.
Outras mudanças
As mudanças não devem terminar por aqui. O JN soube que deverão ser
alteradas as chefias dos comandos metropolitanos de Lisboa e Porto.
Deverá também haver mudanças em alguns postos de comando noutros
distritos. Os nomes dos novos comandantes ainda não são conhecidos,
mas os oficiais apontados para o Comando de Lisboa são Medeiros
Baptista ou Monteiro Lopes. O segundo, contactado pelo JN, garantiu,
no entanto, não ter recebido qualquer convite. Disse inclusivamente
que se preparava para ir de férias e que só quando regressasse
discutiria qualquer possível mudança de lugar. Também no Porto, o
actual comando ainda não tinha qualquer informação relativamente a
alterações.
A saída de Gaspar Fernandes foi recebida com estupefacção pelos mais
altos responsáveis da PSP.O oficial, tido como controverso mas muito
competente, tinha sido inclusivamente elogiado, em Dário da República,
há menos de uma semana, pelos "serviços relevantes prestados no âmbito
da segurança do Rock in Rio e do Euro 2004". O elogio era assinado
pelo anterior ministro, Figueiredo Lopes.
Gaspar Fernandes e Dário Sobral também mostraram o seu
descontentamento, ao não comparecerem na tomada de posse. Uma ausência
notada, tal como a não comparência de qualquer dirigente da Associação
Sindical de Profissionais da Polícia (ASPP), a associação mais
representativa da instituição. "Não foi por qualquer motivo especial.
Formalmente não fomos convidados e só soube da tomada de posse muito
em cima da hora. Não tive possibilidade de ir por questões
profissionais", garantiu, ao JN, Alberto Torres, presidente da ASPP.
"A partir de hoje sou um polícia"
A partir de hoje sou um polícia." A frase foi repetida várias vezes
aos jornalistas pelo juiz-desembargador Branquinho Lobo, ontem
empossado no cargo de director nacional da PSP, juntamente com os seus
dois novos adjuntos: Herlânder Chumbinho e Teresa Nóbrega, a primeira
mulher civil nomeada para a cúpula da força policial. Branquinho Lobo
mostrou-se ainda consciente das "dificuldades" na instituição, mas
prometeu "diálogo" com os sindicatos da polícia, para "obter o que é
justo e possa ser realizado". Numa cerimónia que decorreu no Salão
Nobre do Ministério da Administração Interna e onde a surpresa foi a
presença em peso do Governo, primeiro-ministro incluído, o ministro
Daniel Sanches salientou que em Portugal a PSP é chamada a intervir de
dois em dois minutos e fez ainda questão de inverter a frase
celebrizada pelo ex-ministro Alberto Costa, garantindo: "Esta é a
minha Polícia."
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Segurança - Revolução na PSP no dia da tomada de posse do novo
director |
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MINISTRO DEMITE
OFICIAIS |
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O superintendente-chefe Gaspar Fernandes, número dois na hierarquia da
PSP e responsável pelas operações e que era tido como um forte
candidato interno à sucessão de Mário Morgado, foi demitido das
funções pelo próprio ministro da Administração Interna, Daniel
Sanches, no próprio dia em dava posse ao novo director da PSP, o
juiz-desembargador Branquinho Lobo.
Da anterior direcção
ficou apenas Coelho Lima, que mantém a área financeira, enquanto foi
igualmente afastado Azevedo Sobral, responsável pela área de recursos
humanos, e que é substituída por Teresa Caupers, uma mulher e civil, a
primeira vez que tal acontece na história da PSP. Teresa Caupers foi
uma escolha pessoal de Branquinho Lobo, depois de ter trabalhado com
ela na Segurança Social.
GOVERNO EM FORÇA
As demissões foram ontem de manhã comunicadas por Daniel Sanches a
Gaspar Fernandes e Azevedo Sobral, horas antes da cerimónia de tomada
de posse do novo director da PSP, Branquinho Lobo, marcada assim por
muitas surpresas. Entre elas foram as presenças do próprio
primeiro-ministro, Santana Lopes, do ministro da Defesa, Paulo Portas,
e do ministro das Finanças, Bagão Félix, a primeira vez que tal
acontece na tomada de posse de um director da PSP. Nem faltou Teresa
Caeiro, a secretária de Estado da Cultura.
As presenças são “entendidas como uma legitimação completa da nova
direcção da PSP e das opções do novo ministro”, segundo uma fonte
adiantou ao Correio da Manhã, numa altura em que ainda está bem
presente a carta de Mário Morgado, que ao demitir-se alegou falta de
confiança política por parte de Daniel Sanches.
Mas as surpresas não acabaram aqui, uma vez que para suceder a Gaspar
Fernandes o novo director nacional da PSP trouxe Herlander Chumbinho,
que tinha sido demitido do cargo de comandante metropolitano do Porto
por Mário Morgado, na sequência da morte de um suspeito. Herlander
Chumbinho teve de fazer durante mais de um ano a ‘travessia do
deserto” e só no princípio de 2004 lhe deram o comando da Escola
Prática de Polícia em Torres Novas, mas mantido afastado dos centros
de decisão, razão pela qual não morria de amores pelos elementos da
direcção cessante.
Aliás, ontem na cerimónia surgiram também a apresentar cumprimentos a
Branquinho Lobo dois superintendentes-chefes que tinham sido colocados
na ‘prateleira’ por Mário Morgado. Foram eles Monteiro Lopes e Jesus
Moisés, dois homens que tinham graves conflitos com Gaspar Fernandes e
Mário Morgado, e o primeiro meteu mesmo uma acção judicial contra o
antigo director nacional e o antigo ministro. Mas não é ainda claro o
futuro destes oficiais.
PERFIL
José Manuel Branquinho de Oliveira Lobo é natural da Parede, Cascais,
onde nasceu a 12 de Novembro de 1947, e licenciou-se em Direito no ano
de 1970, pela Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa.
Desempenhou funções de delegado do procurador da República nas
comarcas de Rio Maior e Sintra. Juiz de Direito, Branquinho Lobo
serviu desde 1978 no Tribunal de Instrução Criminal de Loures, no
Tribunal da Comarca de Mafra, no Tribunal de Família de Lisboa e foi
presidente do Tribunal Colectivo do 2.º Juízo Cível da capital.
No Governo foi Chefe do Gabinete do Ministro da Justiça e
secretário-geral do mesmo ministério, cargos que ocupou entre 1985 e
87. Foi igualmente secretário de Estado Adjunto do Ministro da
Administração Interna.
Na década de 90 exerceu funções de Coordenador Nacional para a Livre
Circulação de Pessoas, e Coordenador Nacional para a Justiça e
Assuntos Internos. Na Segurança Social foi inspector-geral.
ASSOCIAÇÕES E SINDICATOS
ASPP
A ASSP mostrou-se surpreendida com a demissão de Gaspar Fernandes, uma
vez que, segundo Alberto Torres, o oficial tinha iniciado um
importante trabalho de contactos com os sindicatos. Há receios de que
esse trabalho não venha a ser retomado pela nova direcção da PSP.
SPP/ASG
As duas organizações, que têm vindo a trabalhar em conjunto, estão
satisfeitas com a saída de Mário Morgado e consideram que agora vai
“finalmente haver abertura”. Quanto às demissões de Gaspar Fernandes e
Azevedo Sobral, não há grande preocupação.
FALTA
A ASSP não esteve presente na cerimónia, mas Alberto Torres explicou
que tal não se deveu a qualquer má-vontade contra Branquinho Lobo. A
questão é que souberam da comunicação da cerimónia numa altura e de
uma forma que não lhes deu possibilidade de lá estar.
COMENTÁRIOS
- Cidadão
preocupado
Tenho muita pena pela saída de Gaspar Fernandes, um grande oficial e
um excelente Comandante, mas o novo Governo tem que dar lugar aos
novos tachos. E aí vêm os encostados e os burocratas, para estragar
tudo o que de muito positivo foi feito até à data. É incrível este
lugar mal-frequentado, mascarado de País europeu. Bem haja, Sr. Gaspar
Fernandes!
- Zacarias do Carmo
Pedro
Fui agente, durante vinte e tal anos conheci vários comandantes, agora
Directores Nacionais. Em minha opinião, só têm mudado os nomes, pois
tudo continua na mesma. Só queria prestar homenajem ao Exmº Senhor
ministro Jorge Coelho na época que ocupou a pasta.
- ANTONIX
TUDO ISTO CONSIDERO QUE É UMA SALADA ALENTEJANA. OU SEJA, COMIDA PARA
COMPADRES. É SIMPLESMENTE ESCANDALOSO.
- José Pinto
Pelos vistos temos ministro! Já não era sem tempo, finalmente foi
nomeado um ministro para o MAI. Aguardo a mesma determinação para
tratar dos assuntos referentes à protecção de pessoas e bens na área
do socorro. Pela sua especificidade depois dos disparates (leia-se
nomeações) de duas equipas completamente desconhecedoras desta
realidade (um engenheiro naval e um general), espero que a lucidez que
presidiu as nomeações na PSP se estenda ao SNBPC. Faço figas.
- Manuel FRANCA
NÃO HÁ NADA COMO LAVAR A ROUPA SUJA EM FAMÍLIA!
- Agostinho Dias
É bom que esta Direcção Nacional saiba escolher as pessoas, com rigor,
tendo em conta a sua formação moral, e não discrimine classes para bem
da Corporação e, naturalmente, da segurança Nacional.
- Miguel-setubal
Espero que as coisas mudem de ares, o que é difícil, pois os grupos
são logo formados e tudo continua na mesma. Sendo assim, se nos servem
mal, pois também são mal SERVIDOS...
- J C Guarda
É preocupante! Quem for acompanhando estas peripécias pela comunicação
social, a ideia que vai sedimentando é a de que, duma forma geral, a
maior parte destas elitezinhas (ministros, secretários, juízes,
comandantes, etc.) é composta por gente de baixo nível, que se conduz
e toma decisões sobre questões de relevante interesse público em
função dos seus umbigos, dos seus circulozinhos, dos seus grupelhos de
interesses, dos seus estados de humor, aproveitando os cargos públicos
para extravasar todas as suas malformações. De contrário, como
justificar o facto de que, mesmo sem mudar o partido no Governo, basta
trocar um qualquer ministro para tudo o que era bom para o anterior
passar a ser mau para o sucessor e vice-versa?
- Carlos Reis
Quer queiramos quer não, os nossos estão primeiro. Mas vamos lá saber
porque não pomos as pessoas competentes, e com trabalho demonstrado, à
frente de cargos de alta responsabilidade? Há muitas esquadras que
precisavam de remodelações, assim como a que foi feita em Lamego. Ou
acabar com polícias corruptos, como aconteceu em Vila Real. Bem, só se
mete em politiquice quem não tem competência para exercer as suas
tarefas com dignidade.
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"A
Partir de Agora Sou Mais Um Polícia" |
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Terá sido pura
coincidência, mas há precisamente dois anos, à mesma hora, no mesmo
salão nobre do Ministério da Administração Interna, tomava posse Mário
Morgado, o homem que o novo director nacional da PSP, Branquinho Lobo,
substituiu ontem.
Sucede que as
semelhanças com essa cerimónia não se esgotam nesse acaso: nessa
altura, como agora, o primeiro-ministro também fez questão de estar
presente; nessa altura, como agora, o homem escolhido para liderar a
polícia também era juiz desembargador; e nessa altura, como agora, os
empossados procuraram passar a imagem, no seu discurso seminal, de que
despiam a camisola de magistrado e passavam a vestir, orgulhosamente,
as fardas da PSP.
No caso de Mário
Morgado, o prenúncio de confiança numa direcção resistente às críticas
externas e solidária com os agentes não resistiu, contudo, ao desgaste
imposto pela falta de recursos financeiros e humanos. O seu mandato
acabaria por ser marcado por uma forte contestação interna, que terá
contribuído para que se demitisse, sem glória, na semana passada.
A avaliar pelos
comentários de alguns dirigentes sindicais presentes na cerimónia de
ontem, José Manuel Branquinho de Oliveira Lobo partirá, ainda assim,
mais à frente do que o seu antecessor na corrida pela popularidade.
"Apesar de tudo, já desempenhou funções em que teve que lidar com a
polícia", disse ao PÚBLICO um sindicalista, marcando essa distinção
importante com o anterior director-nacional.
Esta ideia seria,
aliás, reforçada no discurso de Branquinho Lobo, o ex-inspector-geral
da Segurança Social a quem o novo ministro da Administração Interna,
Daniel Sanches, confiou os destinos da PSP: "A partir de agora sou
mais um polícia. O que eu gostava que ficasse na mente das pessoas é
que eu, a partir deste momento, 16h00, sou mais um polícia", repetiu,
acrescentando a sua total disponibilidade para ouvir os sindicatos,
enquanto "homem tolerante e dialogante", sem esquecer o que é "justo"
e realizável: "Estou a pensar receber os sindicatos o mais cedo
possível, em princípio no início de Setembro", vaticinou na cerimónia,
onde estiveram presentes, para além de Santana Lopes, os ministros da
Defesa e dos Assuntos do Mar, Paulo Portas; das Finanças, Bagão Félix,
e dos Assuntos Parlamentares, Rui Gomes da Silva.
"Resposta firmemente reactiva"
Para além destes
sinais destinados ao interior da corporação, Branquinho Lobo deixou
algumas pistas relativamente à forma como encara a segurança interna.
Em sintonia com o que já dissera, minutos antes, o ministro da
Administração Interna, o magistrado mostrou vontade de "cimentar os
laços de solidariedade entre a comunidade dos cidadãos e a PSP".
A aparente
democratização da segurança não significa, no entanto, uma hesitação
na utilização dos métodos policiais. "Não hesitaremos em dar resposta
firmemente reactiva àqueles que desrespeitem as leis da sã convivência
social", salientou o novo director-nacional da PSP, depois de ter
ficado a saber, pela boca de Daniel Sanches, que a PSP acudiu, em
2003, a cerca de 250.000 ocorrências (uma intervenção policial em cada
dois minutos).
Para além de
Branquinho Lobo, tomaram ainda posse como directores nacionais
adjuntos o superintende chefe António Herlânder Chumbinho, que ficará
com as Operações e Segurança, e a civil Maria Teresa Nóbrega e Silva
Caupers, para os Recursos Humanos, tendo sido reconduzido no cargo o
superintendente chefe Coelho de Lima, responsável pela Logística e
Finanças.
Experiência
Governativa
José Manuel Branquinho de Oliveira Lobo, 56 anos, apesar de ser juiz
desembargador, tem uma forte experiência governativa. Para além de ter
sido chefe de gabinete do ministro da Justiça em 1985 e 1986, foi
secretário de Estado adjunto do ministro da Administração Interna. Em
1991, esteve também no Ministério dos Negócios Estrangeiros, enquanto
coordenador nacional para a livre circulação de pessoas, na CEE. E,
até 1996, voltou a ter funções de coordenação, desta feita na área da
Justiça e Assuntos Internos da União Europeia. Quando foi chamado para
a PSP era inspector-geral do Ministério da Segurança Social.
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PSP intervém de dois em
dois minutos |
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Ministro da Administração Interna faz o primeiro discurso público
A Polícia de
Segurança Pública (PSP) acudiu em 2003 a cerca de 250.000 ocorrências,
situação que requer uma intervenção policial em cada dois minutos,
revelou hoje o ministro da Administração Interna, Daniel Sanches.
O ministro falava na
cerimónia de tomada de posse do novo director nacional da PSP, juiz
desembargador Branquinho Lobo, e dos directores nacionais adjuntos,
superintendente chefe António Herlânder Chumbinho (Operações e
Segurança) e a civil Maria Teresa Nóbrega e Silva Caupers (Recursos
Humanos), a primeira mulher a integrar uma direcção nacional da
polícia.
Como terceiro
director nacional adjunto foi reconduzido no cargo o superintendente
chefe Coelho Lima, que tem a seu cargo os pelouros da Logística e
Finanças.
O ministro sublinhou
que, "apesar de Portugal não ser um país com elevados índices de
criminalidade", designadamente no que respeita à considerada
criminalidade grave, "defronta-se, desde o último quartel do século
passado com um crescendo de fenómenos de pequena delinquência e
comportamentos desviantes, produto da migração interna para as grandes
metrópoles e suas periferias".
Na opinião do
ministro, há que superar "o sentimento de insegurança que afecta
alguma população", o que "só é alcançável através de uma política de
segurança construída a partir da prevenção do crime, incluindo medidas
de outra ordem, designadamente social, como sejam a erradicação de
factores de potenciação de fenómenos de exclusão social ou a adopção
de planos urbanísticos que facilitem a integração".
No seu primeiro
discurso numa cerimónia oficial desde que tomou posse, Daniel Sanches
destacou programas implementados nos últimos anos, como o "Escola
Segura", "Idosos em Segurança", "Inovar" e "Comércio Seguro",
policiamento comunitário ou de proximidade que "devem ser rapidamente
avaliados, com vista à introdução de eventuais correcções e à sua
expansão a todo o território".
O responsável pela
pasta da Administração Interna referiu que a prevenção do crime e a
luta contra a insegurança "não pode restringir-se a estes programas
específicos", dirigidos aos sectores mais vulneráveis da população, e
tem de "estender-se à comunidade em geral, que deverá ser convidada a
contribuir para definir as prioridades da polícia, por ser
destinatária da sua acção".
Para este tipo de
atribuições, disse, a PSP "necessita de elementos muito bem
preparados" e, por isso, os actuais programas de formação "deverão
adequar-se a esta realidade, privilegiando sobretudo a formação dos
agentes, apetrechando-os com os conhecimentos indispensáveis à
consecução dos novos objectivos".
Relativamente à
investigação criminal, onde a PSP assume um papel decisivo por ter a
seu cargo "uma elevada percentagem do volume anual de inquéritos",
Daniel Sanches quer uma reavaliação dos programas de formação inicial
e contínua.
"Esta nova orientação
exige uma polícia mais moderna e melhor equipada, designadamente ao
nível das novas tecnologias de informação", referiu o ministro,
acrescentando que este processo de modernização, já iniciado, deverá
estar concluído no próximo ano.
O ministro quer a PSP
"empenhada", 24 horas por dia, na defesa da legalidade democrática, na
garantia da segurança das pessoas e bens e na preservação dos direitos
dos cidadãos, apostada na permanente melhoria do serviço prestado,
motivada para um combate sem tréguas à criminalidade e promotoras das
qualidades morais, psicológicas e físicas dos seus elementos.
Para isso, adiantou,
tem de ser dotada de "formação contínua, meticulosa e profissional",
"sujeita a criteriosas verificações de desempenho", "responsável pelo
uso ponderado, razoável e proporcional dos poderes da autoridade" e
"afastada de práticas ilegais, discriminatórias ou arbitrárias que
destroem a confiança e minam o apoio da população".
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Novo director nacional da PSP
promete receber sindicatos em Setembro |
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Diálogo parece ser a palavra-chave para o novo director nacional da
PSP, José Manuel Branquinho Lobo. Na cerimónia que marcou a sua posse,
esta quinta-feira, o antigo inspector-geral do Ministério da Segurança
Social e do Trabalho salientou que pretende manter com os sindicatos
uma relação de estreita colaboração, e adiantou que pretende receber
as estruturas sindicais em Setembro.
O novo director
nacional da PSP sublinhou a importância do diálogo com os sindicatos e
associações sindicais, «no sentido de se obter o que é justo e possa
ser realizado, atendendo às conjunturas existentes em cada momento».
Evitando polémicas,
Branquinho Lobo escusou-se a falar da saída do seu antecessor, Mário
Morgado, que abandonou o cargo na sequência da mudança do Executivo.
Sublinhou, no entanto, que se sente apoiado «pelas pessoas que exercem
cargos quer na minha tutela quer no Governo».
Um apoio que ficou
demonstrado pela presença na cerimónia de posse do primeiro-ministro,
Pedro Santana Lopes, dos detentores das pastas da Defesa e dos
Assuntos do Mar, Paulo Portas, e das Finanças e da Administração
Pública, Bagão Félix, além do responsável pela Administração Interna,
Daniel Sanches, e de vários secretários de Estado.
Além de Branquinho
Lobo, foram empossados os dois directores nacionais adjuntos, Maria
Teresa Nóbrega – que transitou juntamente com o juiz desembargador da
Inspecção-Geral do Ministério da Segurança Social e do Trabalho, onde
era directora adjunta – e o superintendente-chefe António Chumbinho,
antigo director da Escola Prática de Polícia.
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Convulsão na polícia |
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Directores da PSP demitidos |
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O ministro da
Administração Interna, Daniel Sanches, demitiu hoje os dois principais
directores-adjuntos da PSP, nomeados há menos de um ano pelo
ex-director nacional Mário Morgado (que pediu a demissão na semana
passada). Trata-se dos superintendentes Gaspar Fernandes, o mais alto
responsável pela Operações da Polícia, e de Dário Sobral, responsável
pelos Recursos Humanos, cuja tomada de posse tinha ocorrido em
Novembro do ano passado.
Gaspar Fernandes e
Dário Sobral foram hoje de manhã chamados ao Ministério da
Administração Interna e foi o chefe de gabinete do ministro a dar-lhes
conhecimento da decisão de os afastar.
Para a «pasta» das
Operações vai António Chumbinho, o superintendente-chefe que Mário
Morgado tinha demitido do Comando Metropolitano do Porto, logo no dia
a seguir a ter assumido a liderança da PSP, há precisamente dois anos,
e que actualmente se encontrava à frente da Escola Prática da Polícia,
em Torres Novas.
Para os Recursos
Humanos, o novo director nacional, Branquinho Lobo - que hoje à tarde
toma posse - escolheu uma mulher, uma civil, que tinha sido sua
colaboradora na Inspecção da Segurança Social. É a primeira vez que um
civil assume estas responsabilidades na Polícia.
Contactado pelo
EXPRESSO Online, o presidente do maior sindicato da PSP, a Associação
Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP-PSP), Alberto Torres,
manifestou-se «profundamente surpreendido» com a decisão do
Governo. «Havia muito trabalho iniciado a que era imprescindível
dar continuidade», salienta Alberto Torres, para quem «é de
temer que estas mudanças de dirigentes signifiquem um retrocesso e
voltar à estaca zero em matérias muito importantes». Este
dirigente sindical considera que «o superintendente Gaspar
Fernandes, embora uma personalidade controversa, conseguiu conquistar
o respeito e a autoridade junto ao efectivo que se quer neste posto».
Em relação a Dário Sobral, Alberto Torres, enaltece as suas
características de «grande ponderação» e a sua «total
disponibilidade para receber e ouvir os dirigentes sindicais e em
resolver os problemas que lhe eram apresentados».
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Polícias esperam
soluções do novo ministro |
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Sindicato entregou documento com 42 situações que pretende ver
resolvidas pelo Governo rapidamente
Daniel Sanches, o novo ministro da Administração Interna, reuniu,
ontem, com a Associação Sindical de Profissionais da Polícia (ASPP), a
quem prometeu tentar resolver alguns dos problemas da instituição.
Alberto Torres, presidente da associação sindical com mais
representatividade na PSP, disse ao JN que entregaram ao ministro um
documento com 42 situações que têm de ser resolvidas. "O número de
queixas aumentou nestes últimos dois anos, porque nada foi feito.
Espero que, agora, haja vontade política de resolver os problemas da
PSP. Prioritariamente, os quase três mil casos de promoções que se
encontram congeladas, bem como os entraves que têm sido criados aos
elementos policiais que se querem aposentar", acrescentou.
Alberto Torres garantiu que o ministro mostrou interesse em resolver
as referidas situações. "Vamos esperar para ver. Tal como no caso do
novo director-nacional, que amanhã toma posse, também aqui temos de
dar algum tempo. O sr. ministro disse que ia tentar sensibilizar o
Governo e esperaremos pelas respostas. Hoje (ontem) só foi a troca de
cumprimentos. Um encontro onde não eram esperadas quaisquer promessas
concretas", sublinhou o graduado da PSP.
O Sindicatos do Profissionais de Polícia (SPP/PSP) apresentou também
ao ministro algumas preocupações semelhantes às da ASPP/PSP. O
presidente, António Ramos, disse à agência Lusa que, "depois da troca
de ideias" na reunião, o ministro da Administração Interna "mostrou
uma postura de quem pretende resolver e não complicar".
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Novo ministro preocupado
com PSP |
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O novo ministro da
Administração Interna, Daniel Sanches, mostrou-se ontem preocupado com
os problemas dos agentes da PSP, expressos pelas associações sindicais
de profissionais de polícia na primeira reunião com a tutela. Na mesa
ficou a promessa de que seria feita uma análise aos documentos
apresentados e que seria procurada uma resposta urgente para as
questões da alteração ao regime de aposentação, do atraso nas
promoções e dos horários de trabalho.
De acordo com António Ramos, presidente do Sindicato dos Profissionais
de Polícia da PSP, o ministro mostrou ser «uma pessoa frontal» com
«abertura para o diálogo». O facto dos agentes aguardarem há três anos
por uma promoção e não terem também um verdadeiro horário de trabalho
foram dois temas que suscitaram grande interesse por parte de Daniel
Sanches. Aliás, é a falta de resposta a estas duas reivindicações que
«tem causado maior instabilidade dentro da PSP», sublinha António
Ramos.
A Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP/PSP)
entregou, durante a reunião da tarde, um memorando com 42 pontos que
constituem as reivindicações dos agentes. «No início do mandato do
anterior ministro, o memorando tinha 39 pontos, mas apesar de alguns
problemas de menor expressão terem sido resolvidos, no geral houve um
agravar da situação ao longo dos tempos», disse ao DN o presidente da
ASPP/PSP, Alberto Torres. Entre os problemas que se agravaram, o
destaque vai para as condições de trabalho ou a alteração às regras da
aposentação.

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Branquinho
lobo |
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"Quero fazer da PSP uma grande família" |
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"Os
sindicatos são muito importantes para a PSP se fizerem reivindicações justas e
realizáveis"
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José Manuel Branquinho Lobo, juiz-desembargador, é o novo director
nacional da Polícia de Segurança Pública, nomeado, anteontem, pelo ministro da
Administração Interna, Daniel Sanches. Numa curta entrevista ao JN, o novo
responsável máximo da PSP elogia o seu antecessor, o também desembargador Mário
Belo Morgado - que se demitiu na sequência de
desinteligências políticas com o novo titular ministerial -, diz que quer unir
os polícias e afirma contar com os sindicatos para a construção de uma força
policial ao serviço dos cidadãos. |
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[Jornal de Notícias] Estava à frente da Inspecção-Geral do
Ministério da Segurança Social e do Trabalho há apenas oito meses. Porque motivo aceitou dirigir a PSP?
[Branquinho Lobo]
Não gostava de me
alongar em explicações antes de tomar posse como director nacional da PSP. Acho
que em oito meses na Inspecção-Geral da Segurança Social consegui fazer, com a
equipa que me rodeava, alguma coisa. Gostava de deixar a casa arrumada antes de
sair e acredito estarem já criadas as condições para que, quem me suceder,
possa trabalhar sem constragimentos. A verdade, é que
há alturas na vida em que não se pode dizer que não. Isso já me tinha
acontecido quando fui convidado para secretário de Estado Adjunto do ministro
da Administração Interna, em finais da década de 80, e voltou a acontecer
agora. Aliás, estou agora a falar com o JN muito cansado, porque, face ao
convite, interrompi as minhas férias e acabei de chegar a casa agora, (16 horas
de ontem) após uma viagem de carro de 1400 quilómetros.
Os polícias não têm boas recordações suas da década de 80,
porque estava no Ministério da Administração Interna a 21 de Abril de 1989,
quando se deu o episódio que ficou conhecido como os "Secos e
Molhados" e que resultou na detenção de vários agentes. Como pensa gerir
este estigma?
Isso aconteceu há quinze anos. Desde então, muita coisa mudou.
Nessa altura o enquadramento social e político era completamente diferente do
actual...
Quer dizer que agora concorda com os sindicatos na PSP?
Considero que se os sindicatos desempenharem o seu papel, fazendo
reivindicações justas e realizáveis, são muitos úteis e podem ajudar a melhorar
a instituição. Mas não quero misturar nesta opinião a existência de sindicatos
noutras forças policiais. Refiro-me apenas à PSP.
Quer dizer que vai tentar apaziguar os ânimos ultimamente
muito exaltados dos dirigentes dos sindicatos da Polícia?
Não creio que se viva um clima na PSP que
precise de apaziguamentos. Segunda-feira vou organizar a minha vida pessoal e,
antes de tomar posse, o que por mim só acontecerá na quarta-feira, vou falar
com o meu antecessor, que foi colega na Relação de Lisboa. Acho que não sou má pessoa,
mas também não sou de tolerâncias. Para mim, o diálogo tem de se traduzir em
resultados. caso contrário não vale nada. A altura que
vivemos é de acção e eu sou um homem que gosta de agir.
Vai levar alguém exterior à instituição para trabalhar consigo?
Estou naturalmente a pensar levar para junto de mim alguns
juristas e economistas que, ao longo da minha carreira, muito me têm ajudado e
que são da minha confiança. Claro que não irei desperdiçar os quadros da PSP,
onde não tenho dúvidas que existem pessoas muito capazes. Conto com todos eles
para levar a minha missão a bom termo.
Que projecto tem para a Polícia de Segurança Pública? Vai
dar continuidade ao trabalho desenvolvido pelo desembargador Mário Morgado?
Ainda estou a estudar vários assuntos, mas terei particular
atenção á gestão financeira e aos recursos humanos. Quero que a PSP seja uma
casa onde estejam todos unidos. Vou juntar-me a uma grande e nova família que
quero abraçar de corpo e alma. Apenas quero dizer, nesta fase, que vou estar
com os polícias e, obviamente, com todos os cidadãos, pois a nossa missão é
precisamente garantir aos portugueses mais segurança. Eu não sou um grande
especialista em nada. Mas tenho muita experiência e quero colocá-la ao serviço
da PSP.
Já sabe quais serão as grandes linhas mestras de actuação?
Como disse no início desta conversa, acabei de chegar de uma
viagem bastante grande, interrompendo as minhas férias. Sem querer ser mal
interpretado, deixe-me parafrasear o ex-primeiro-ministro Cavaco Silva. Ele
dizia: "Deixem-me trabalhar". Eu, hoje (ontem), apenas digo:
deixem-me descansar...
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Médicos famosos suspeitos de
envolvimento em fraude |
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Investigação pode ser alargada aos serviços de saúde da PSP, da GNR e
da Função Pública Exército vai pedir uma nova auditoria para
aprofundar a dimensão de esquema ilícito
Vários médicos conceituados do nosso país estão indiciados de
envolvimento na fraude de milhões de euros detectada nos Serviços de
Saúde do Exército e que ontem foi tornada pública pelo JN. Os clínicos
são suspeitos de sobrefacturação, lesando, assim, o Sistema Nacional
de Saúde. Embora a grande percentagem das verbas subtraídas ao Estado
estejam ligadas a tratamentos dentários, sabe-se já que há também
vários laboratórios de análises sob suspeita.
O Ministério Público está na posse dos resultados da auditoria feita
no Exército e, segundo o JN apurou, deverá ordenar o alargamento das
investigações, a cargo da PJ, a todos os subsistemas de saúde
existentes em Portugal, nomeadamente aos serviços de assistência na
doença da PSP e da GNR e à própria Direcção-Geral de Protecção Social
aos Funcionários e Agentes da Função Pública (ADSE).
As queixas de fraudes nos subsistemas de saúde têm sido frequentes e,
na sequência de algumas denúncias, a Inspecção-Geral da Administração
Interna, organismo afecto ao Ministério da Administração Interna,
chegou a abrir auditorias à PSP e à GNR. Porém, segundo revelou ao JN
o inspector-geral Rodrigues Maximiano, "foi criada uma comissão
interministerial para investigar os serviços de assistência na doença
aos polícias e militares da GNR, tendo a Inspecção-Geral da
Administração Interna optado por suspender o trabalho que tinha
planeado desenvolver nessa área".
Os resultados das investigações conduzidas por essa comissão, soube o
JN, nunca foram tornados públicos. Mais, segundo uma fonte do
Ministério da Administração Interna até se desconhece, neste momento,
se a comissão permanece em funcionamento.
Tal como foi ontem divulgado, a fraude detectada nos Serviços de Saúde
do Exército ascende a pelo menos 35 milhões de euros, mas há
indicações de que aquelas verbas estão muito abaixo da real dimensão
dos prejuízos provocados ao Estado. Por isso, o Exército pondera a
realização de uma auditoria, destinada a aprofundar a verdadeira
amplitude do esquema ilícito (ler caixa).
O Ministério da Defesa confirmou, ontem, ao JN, que já estão a ser
feitas investigações por parte da Polícia Judiciária, adiantando que
elas foram espoletadas por denúncias feitas há um ano na Polícia
Judiciária Militar.
Um esquema tradicional de sobrefacturação médica
A fraude agora detectada baseia-se num esquema típico de
sobrefacturação, que lesa o Sistema Nacional de Saúde. Em conivência
com os utentes, os médicos privados ou clínicas passavam facturas mais
altas que o valor real do serviço, beneficiando o doente, que nada
pagava pelas consultas e tratamentos, e os médicos, que facturavam
valores muito acima do real serviço prestado. Há também indícios da
duplicação de tratamentos.
PSP tentou evitar abusos por parte de
médicos e polícias
As fraudes nos Serviços de Assistência na Doença (SAD) da PSP foram
detectadas ainda no tempo em que a instituição era dirigida pelo
superintendente-chefe Gonçalves Amaro. O responsável máximo da Polícia
foi confrontado com a quase falência dos serviços e mandou fazer uma
auditoria interna. Os resultados foram avassaladores: a
sobrefacturação atingia verbas de milhares de contos e havia fraudes
de todos os géneros. Quer de clínicas e médicos que cobravam serviços
que nunca tinham sido prestados, quer de polícias que usavam o
subsistema de saúde para abastecerem de medicamentos gratuitos toda a
família e amigos.
Face a essa situação, Gonçalves Amaro determinou que todos os exames
feitos em clínicas fossem ordenados pelos médicos da PSP, mediante a
respectiva receita médica. O então director nacional passou também a
pedir explicações aos polícias sempre que estes atingiam valores muito
elevados nas comparticipações de medicamentos. Tal como agora foi
detectado nos Serviços de Saúde do Exército, os dentistas apareciam
como os principais credores da PSP. A força policial passou então a
ter fixas dos seus funcionários onde se registavam todos os
tratamentos que eram efectuados nessa especialidade.
O JN apurou que as irregularidades chegaram a ser comunicadas ao
Ministério da Administração Interna, mas nunca foi aberta qualquer
investigação às fraudes. Após a falência iminente, a situação
financeira dos SAD está agora, e depois das limitações impostas por
Gonçalves Amaro, bem mais desafogada.

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Juiz nomeado para PSP era a primeira escolha |
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Branquinho Lobo vai tomar posse na próxima
terça-feira. Principal sindicato reage com desconfiança e lembra
diferenças antigas.
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Branquinho
Lobo, o juiz desembargador que exercia as funções de
inspector-geral da Segurança Social, vai tomar posse, na próxima
terça-feira, como director nacional da PSP, substituindo Mário
Morgado que se demitiu, anteontem, por desentendimentos com o
ministro.
O magistrado indigitado foi a primeira escolha de Daniel Sanches,
ministro da tutela, que tinha equacionado outras duas hipóteses,
também de juízes, caso Branquinho Lobo recusasse o cargo.
A associação sindical mais representativa da polícia (a ASPP)
reagiu com desconfiança ao anúncio oficial, feito por Morais
Sarmento, ministro da Presidência, no final do Conselho de
Ministros.
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"A ASPP faz votos
para que Branquinho Lobo tenha aprofundado a necessidade de
postura dialogante em relação aos sindicatos da PSP, cuja
existência tentou inviabilizar em 1989", lê-se num comunicado,
divulgado pela associação sindical, que recorda "as posições
anti-sindicalistas" assumidas pelo magistrado, por ocasião do I
Encontro Nacional de Polícias e um mês antes do célebre episódio
de confrontos entre polícias, no Terreiro do Paço, em Lisboa.
Por sua vez, o Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP/PSP)
deu "um voto de confiança" a Branquinho Lobo, tendo António Ramos,
o presidente, garantido que procurará resolver os problemas da
instituição pelo "diálogo" e de "forma pacífica".
O Sindicato Nacional dos Oficiais de Polícia (SNOP) manifestou
também confiança no novo director, tendo realçado, no entanto, que
os motivos da demissão deverão ser conhecidos. "Espera-se que esta
alteração na PSP não comprometa a prossecução de um conjunto de
projectos iniciados com esta direcção, como a reestruturação do
dispositivo de investigação criminal e a implementação do Sistema
Estratégico de Informação e Gestão Operacional, que são de extrema
importância para a modernização da actividade policial", afirma o
SNOP em comunicado, referindo-se à notícia do JN de ontem que dava
conta de que um dos motivos da demissão de Mário Morgado teria
sido a intenção do ministro em extinguir o serviço de informações.
O PCP também reagiu à nomeação de Branquinho Lobo: "Se não houver
alteração nas políticas do Governo relativamente à PSP, não há
director nacional que possa fazer milagres", disse o deputado
António Filipe, lembrando que, com o anterior executivo, "os
polícias não obtiveram resposta para os seus problemas".
Perfil
Branquinho Lobo
Director nacional da PSP
Militante do PSD e do Governo de Cavaco Silva
José Manuel Branquinho de Oliveira Lobo não é um nome desconhecido
na PSP. Foi em 1989, quando era secretário de Estado-adjunto do
MAI, que teve lugar a primeira grande manifestação de polícias no
Terreiro do Paço, junto ao MAI, conhecida como "secos e molhados".
Branquinho Lobo passou ainda pelo Ministério da Justiça, onde,
entre outras funções, foi chefe de gabinete. Actualmente, era
inspector-geral do Ministério da Segurança Social e do Trabalho.
Foi nomeado em Novembro de 2003 por Bagão Félix, substituindo
Mário Lisboa, destituído pelo ministro. Militante do PSD, é
juiz-desembargador, mas encontra-se na situação de reforma.

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Oficiais da PSP temem «interesses corporativistas» |
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Sindicato de oficiais garante que vai estar atento ao novo ministro. E
não permite que prejudiquem a Polícia em favor de outros interesses.
O Sindicato Nacional
de Oficiais da Polícia (SNOP) está preocupado com a recente troca de
lugares na Direcção Nacional da PSP, temendo que este cargo esteja a
ter «uma excessiva politização».
Por isso, o SNOP
avisa que vai estar de olhos abertos à actuação da nova equipa da
tutela. «Vamos estar atentos a medidas que possam ter por trás
interesses corporativistas». O PortugalDiário sabe que alguns oficiais
receiam que projectos que estavam em andamento com Mário Morgado - o
Sistema Estratégico de Informação, por exemplo - possam ficar
prejudicados por obediência a uma lógica de «pagamento de favores» por
parte de alguns elementos da nova equipa que rodeia o ministro da
Administração Interna relativamente a instituições com as quais
alegadamente «mantêm uma relação umbilical, por questões de mero
protagonismo».
Por isso, esperam os
responsáveis do SNOP, que «esta alteração na direcção da PSP não
comprometa a prossecução de um conjunto de projectos iniciados» com o
demissionário director nacional. Como por exemplo, a reestruturação do
dispositivo de investigação criminal.
Os oficiais defendem
a continuidade como forma de manter e melhorar o serviço «prestado ao
cidadão». E por isso, esperam do novo chefe da Polícia, Branquinho
Lobo, uma aposta de trabalho para continuar as grandes medidas que nos
dois últimos anos têm «modernizado» a Polícia de Segurança Pública.
Em jeito de despedida
ao magistrado Mário Morgado, os oficiais do SNOP citam o exemplo do
Euro2004 na certeza dos resultados deixados. «Sendo certo que a
avaliação da prestação do director nacional demissionário só poderia
ser efectuada em toda a sua plenitude, após o terminus do respectivo
mandato, é de realçar o êxito obtido pela PSP nas operações de
segurança dos grandes eventos ocorridos recentemente em Portugal».
Recorde-se que Mário
Morgado sai da PSP num momento em que os índices de criminalidade na
sua área de jurisdição tendem para um decréscimo significativo, o que
seria inédito desde 1998.
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Governo já escolheu novo
director nacional da PSP |
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Cargo vai ser ocupado pelo juiz desembargador José Manuel Branquinho
Lobo. Uma solução «rápida» e «segura». Associação Sindical dos
polícias espera que o Governo não trave medidas
O Governo de Santana
Lopes foi rápido a escolher o novo director nacional da PSP. Um dia
depois de Mário Morgado ter apresentado demissão, o ministro Morais
Sarmento anunciou, no final da reunião de conselho de ministros, que
decorreu no Porto, o nome do novo director: José Manuel Branquinho
Lobo.
O porta-voz do
Conselho de Ministros justificou a decisão, tomada à margem do
Conselho de Ministros, com a necessidade «indispensável» de uma
«solução rápida e segura» para a direcção da PSP. E acrescentou: «O
escolhido tem todas as condições, quer pelo currículo quer pelas
qualidades humanas, para desempenhar as funções que lhe são pedidas».
Morais Sarmento
destacou do currículo de Branquinho Lobo as funções que desempenhou
enquanto secretário de Estado Adjunto do Ministro da Administração
Interna no XI Governo Constitucional e inspector-geral do Ministério
da Segurança Social e Trabalho, entre outras funções no Ministério da
Justiça, como secretário-geral e chefe de gabinete.
Sindicato espera que novo Director «seja tão bom como o outro»
A Associação Sindical
dos Profissionais da Polícia (ASPP-PSP), vê com expectativa o nome
apontado para novo director-nacional da PSP. Uma fonte da Associação
garantiu que as relações com o anterior director, Mário Morgado, eram
as melhores, assinalando que o combate travado pelo sindicato sempre
foi com o Governo.
É com base neste
princípio e no facto de o novo director ser também juiz desembargador,
tal como Mário Morgado, que o sindicato espera que as medidas de
Branquinho Lobo «sejam tão boas como as do anterior». |
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