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PSP Sem Meios para
Investigar Milhares de Processos-crime |
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Vários milhares
de processos crime correm o risco de prescrever em resultado da
falta de capacidade da PSP para os investigar.
Com a entrada
em vigor da lei de organização da investigação criminal
publicada em 2000, cerca de 90 por cento dos processos que
estavam entregues à PJ foram transferidos para a PSP e para GNR.
O objectivo era "libertar" a PJ para a investigação da
criminalidade organizada e de maior complexidade. Aos outros
órgãos de polícia criminal foi dada a possibilidade de
investigar todos os restantes crimes cuja competência não
estivesse reservada à Polícia Judiciária.
Contudo, as
condições práticas não se mostraram favoráveis à aplicação desta
lei. Segundo o procurador-geral adjunto António Cluny, este é um
dos exemplos da "falta de estudo e criação de condições
adequadas à aplicação de novas leis".
Só na divisão
de investigação criminal (DIC) da PSP, em Alcântara, (uma das
principais da área metropolitana de Lisboa), cada agente "tem
para cima de 400 processos vindos do Ministério Público", diz
José Magalhães, da Associação Sindical de Profissionais da
Polícia (ASPP). São processos de tráfico de droga, de
homicídios, de violência doméstica, de roubos ou de assaltos
para investigar que se acumulam nas secretárias dos agentes.
Grande parte destes processos estão um ano parados antes do
início da investigação, porque não há meios para a fazer
avançar.
Esta situação
poderá resultar, em breve, numa vaga de prescrições, visto que
os profissionais da PSP não conseguem cumprir os prazos
estabelecidos pelo Ministério Público para cada processo,
explica José Magalhães.
"Não somos
contra a lei", nota, contudo. A nova legislação que veio retirar
processos crime à PJ sem quadros suficientes para os investigar,
"foi benvinda e temos orgulho em cumpri-la", afirma. O problema
é que durante o período de transição de dois anos, desde a sua
criação até à sua publicação, "a PSP não se equipou nem se
preparou" para a mudança.
José Magalhães
refere a "falta de meios" como um dos principais obstáculos que
agora se colocam, especificando que "mais de 90 por cento dos
computadores instalados nas DICs foram oferecidos por entidades
bancárias."
Nos gabinetes
do DIC de Alcântara "só cabem duas pessoas", faltam "viaturas e
técnicos de lofoscopia", acrescenta José Magalhães.
Por outro lado,
nota que a competência que lhes foi dada é "limitada", já que se
refere aos processos que "entupiam a actividade da PJ", cuja
grande maioria "não tem impacto", embora diga respeito à maior
parte da criminalidade que afecta os cidadãos.
José Magalhães
chama ainda a atenção para outro problema relacionado com a
distribuição dos recursos humanos, explicando que "os cerca de
três mil agentes que forma distribuídos pelas divisões de
investigação criminal foram retirados das esquadras" onde "fazem
agora muita falta".
A solução para
todo este problema passa, em seu entender, pela criação de uma
"carreira técnica paralela de investigação criminal" que integre
os agentes que manifestem maior vocação para a intervenção na
área da delinquência e que recebam formação própria para
desempenhar essas funções.
É uma ideia que
já foi defendida pela ASPP, tanto junto do Ministério da
Justiça, em Portugal, como em vários seminários internacionais.
"O futuro passa por aí", defende José Magalhães.
A lei 21/2000
de 10 de Agosto estabelece como competência específica da Guarda
Nacional Republicana e da Polícia de Segurança Pública, enquanto
órgãos de polícia criminal, "a prevenção e a investigação dos
crimes cuja competência não esteja reservada à Polícia
Judiciária" e ainda "dos crimes cuja investigação lhe seja
cometida pela respectiva lei orgânica ou pela autoridade
judiciária competente para a direcção do processo."
Por outro lado,
define como competências específicas da PJ, a investigação dos
crimes cuja competência reservada lhe é conferida, como o
homicídio voluntário, desde que o agente não seja conhecido, os
crimes contra a liberdade e contra a autodeterminação sexual a
que corresponda, em abstracto, pena superior a cinco anos de
prisão, desde que o agente não seja conhecido, ou os crimes de
furto, roubo, dano, contrafacção ou receptação de coisa móvel
que tenha valor científico, artístico ou histórico ou para o
património cultural, entre outros.
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Alega falta de
verbas |
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BRANQUINHO QUER SAIR
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O
Director-Nacional da PSP revelou a intenção de se demitir, por
considerar insuficientes as verbas para a satisfação das
necessidades imediatas da Polícia.
Confrontados
com esta vontade de Branquinho Lobo, o ministro da Administração
Interna, Daniel Sanches, e Dias Loureiro, ministro da mesma
pasta na época em que o Director Nacional da PSP foi secretário
de Estado, deslocaram-se ontem à Direcção Nacional da Polícia,
onde almoçaram com o magistrado.
Uma fonte
ligada ao processo adiantou mesmo ao nosso jornal que, durante o
almoço, Daniel Sanches prometeu reforçar o apoio financeiro à
Direcção Nacional da Polícia. No entanto, e apesar de não se ter
demitido, Branquinho Lobo mostrou-se insatisfeito com esses
apoios.
Hipólito Cunha,
chefe das Relações Públicas da Direcção Nacional da PSP,
confirmou ao CM a realização do “almoço de amigos”,
desconhecendo, no entanto, o que foi falado.
Recorde-se que
os dois principais sindicatos da PSP (Associação Sindical dos
Profissionais de Polícia e Sindicato dos Profissionais de
Polícia) têm marcadas acções de protesto contra a situação na
Polícia.

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Detido:
enforcou-se com o cinto das calças |
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Família desconfia de morte em
esquadra |
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Um homem de 33 anos
enforcou-se anteontem com o cinto das calças, quando se
encontrava sozinho dentro de um quarto de detenção da Esquadra
da PSP de Aveiro, informou esta polícia.
O indivíduo
tinha sido detido às 14h45, “por sobre o mesmo existir um
mandado judicial, para cumprimento de uma pena de dois anos”,
que se referia a tráfico de droga.
O porta-voz da Direcção Nacional da PSP, comissário Alexandre
Coimbra, avançou que já no interior das instalações policiais
foi efectuada uma revista de segurança ao detido, na qual foi
“encontrado um saco com 1,30 gramas de heroína”, quantidade que
já é considerada como tráfico. Por esse motivo teve de ser
notificado o Ministério Público, o que atrasou o seu transporte
até ao Estabelecimento Prisional de Aveiro.
“Pelas 17h10, quando um agente passava ronda ao local onde se
encontrava o detido, verificou que o mesmo estava suspenso pelo
cinto”, revela a PSP.
A família de Venâncio Joaquim Ramalho não acredita que ele se
tenha enforcado. “O meu filho não queria morrer e mesmo que
quisesse pôr termo à vida, tinha-o feito em casa, não precisava
de ir para uma esquadra”, conta ao CM Clementina Lopes, mãe.
De acordo com os familiares, a “história está muito mal contada”
já que nem sabiam que ele tinha voltado a ser detido. “O
Venâncio já tinha estado preso duas vezes, mas não sabia que o
tinham vindo buscar novamente”, explica Clementina Lopes, que se
interroga como é que o filho ainda tinha o cinto quando costuma
ser o primeiro objecto que os polícias retiram aos detidos.
Sobre a droga que Venâncio trazia, a mãe responde que ele era
consumidor mas não traficante já que se assim fosse “seria
rico”.
Clementina Lopes afirmou ao CM que a família vai contratar um
advogado, para ajudar a esclarecer a morte do filho, já que não
acredita no que a PSP lhe comunicou.
O comissário Alexandre Coimbra explica que devido à ocorrência
de um assalto numas bombas de gasolina em Aveiro, os elementos
que estavam com o detido tiveram que se ausentar, já que se
tinham cruzado minutos antes com os supostos assaltantes.
“Como tiveram que sair não puderam tirar-lhe o cinto”, explica,
avançando que na PSP já está a decorrer um inquérito interno
para apurar eventuais responsabilidades.
CELAS FACILITAM
Todos os anos, a Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI),
nos relatórios anuais, alerta para a falta de condições das
zonas de detenção de algumas esquadras, sublinhando a existência
de “pontos de suspensão” que podem “favorecer os suicídios”.
No ‘Relatório de Actividades 2003’, a IGAI é, mais uma vez,
clara: “portas e janelas com grades e/ou com rede de malha”, não
obedecem aos critérios definidos no Regulamento das Condições
Materiais de Detenção e são “susceptíveis de favorecer os
suicídios”. Como o são “torneiras não embutidas e peças com
arestas”, acrescenta. Em 2002, a IGAI registou três suicídios em
postos da PSP e GNR e nenhum no ano passado. Em 2001 ocorreram
dois suicídios e em 2000 outros tantos.
HISTORIAL
DUAS VEZES DETIDO
Venâncio Joaquim Ramalho já tinha estado preso duas vezes, por
tráfico de droga. Primeiro cumpriu uma pena de dois anos e na
segunda vez esteve quatro anos na prisão. Foi posto em liberdade
condicional em 2002 e desde então não tinha conseguido arranjar
trabalho, continuando a viver com a mãe.
POLÍCIA IMPLICAVA
A mãe do detido afirma que o filho não se metia na vida de
ninguém. No entanto, lembra que desde que foi preso pela
primeira vez que a polícia andava sempre a rondar a casa e que
“implicava constantemente com ele”.
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Alberto Torres, presidente da ASPP-PSP |
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«A PSP é um barril de pólvora» |
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Alberto Torres, 50 anos, é o presidente do maior sindicato da
PSP, a Associação Sindical dos Profissionais da Policia (ASPP-PSP),
com cerca de 10 mil membros (quase metade do efectivo desta
força de segurança). Casado, com seis filhos, agente principal
numa esquadra do Porto, foi (com o emblemático José Carreira) um
dos fundadores do associativismo sindical na polícia. Acredita
que é «respeitado», por governantes c dirigentes da PSP, pela
sua atitude «responsável e séria. Surpreende agora ao admitir
que os policias poderão fazer protestos ilegais, justificando-o
pela «maior crise da PSP dos últimos 30 anos".
EXPRESSO - Porque razão deu tão pouca tempo de «tréguas» a este
Governo e ao novo director da PSP, que tomaram passe há quatro
meses?
ALBERTO TORRES - Foi dado o tempo que entendemos suficiente. A
lei sindical tem dois anos e, como qualquer outro sindicado,
temos o direito de negociar as nossas carreiras profissionais, o
nosso estatuto, a nossa lei orgânica, as nossas condições de
trabalho No tempo do anterior ministro, Figueiredo Lopes, demos
algum espaço de manobra para que se inteirasse dos graves
problemas da instituição. Foram constituídas comissões de
trabalho e feitos projectos (novo estatuto, nova lei orgânica,
horário de trabalho, entre outros). Em alguns, os sindicatos
participaram e vêm de encontro ao que entendemos ser
prioritário. Contudo, até agora, nem fomos chamados para
participar nem houve nenhuma decisão.
EXP. - Mas têm sido recebidos sindicatos.
A.T. - O Governo e a direcção da PSP estão a aproveitar-se do
facto de existirem outros oito sindicatos na polícia. Vão
recebendo os dirigentes a conta-gotas, fazem promessas e alguns
saem de lá a cantar vitória. Mas o que temos visto é que os que
cantaram vitória, posteriormente denunciam que foram enganados.
Não passam de encenações e acabam por participar em autênticos
fretes ao poder.
EXP. - Mas os sindicatos dão sempre essa imagem negativa da
polícia. Fizeram-no antes do Euro e depois a PSP foi elogiada
por todos.
A.T. - De facto, o pais pode orgulhar-se dos policias
extraordinários que tem. Não olharam a meios para cumprir a sua
missão. Mas depois de todo o alarido acerca dos grandes
investimentos que estavam a ser feitos, perguntamos: onde estão
as melhorias?
EXP. - E onde estão os nove milhões de contos investidos em
equipamento, material e viaturas?
AT.- Foram investimentos para a ordem pública, não visíveis no
dia-a-dia. O Corpo de intervenção agora está bem equipado, mas o
resto não. Por exemplo, as brigadas de intervenção rápida que
existem em todos os comandos continuam sem material. Muitos
desses profissionais têm de comprar as próprias viseiras,
capacetes, bastões... até coletes anti-bala, que custam mais de
mil euros cada.
EXP. - Não têm subsídio?
A.T. - Qual subsídio? Nada. Eles é que são profissionais
responsáveis que querem andar devidamente equipados e, como são
humanos, também têm receio de sofrer agressões, pois as missões
que desempenham comportam riscos. É a isto que chegámos: uma
imagem de total pobreza por que passa a instituição. É ridículo.
EXP. - Mas tem havido também algum esforço para, por exemplo,
informatizar toda a PSP, que começou também no Euro.
A.T. - O problema é que a PSP está tão pobre, tão pobre, que se
se comprar 300 computadores, dá um por esquadra, e isso não
resolve o grave problema informático da policia. Os outros que
lá estão são oferecidos por instituições, porque os
profissionais andaram a pedinchar par que possa haver o mínimo
dos mínimos. Quanto a instalações, 80%a estão totalmente
degradadas; no parque automóvel, mais de 30% (800 a 900
viaturas) deveria ser abatida. Estive há pouco tempo nos Açores
e até carros com pneus carecas vi. Esta instituição nunca passou
por uma fase tão má.
EXP, - E isto afecta a segurança aos cidadãos?
A.T. - Não, porque os profissionais da PSP são do melhor que há.
Mas a verdade é que a tarefa exige cada vaze mais esforço. Há um
défice de cerca de 4000 policias. Só no Porto seriam precisos
mais 700 e em Lisboa 1200, para que as esquadras ficassem
dotadas de meios humanos para um policiamento de visibilidade.
Por outro lado, têm sido suspensos sucessivaemente concursos
internos, tudo por causa de um sistema de avaliação curricular
feito à pressa. Já pedimos ao Ministério a sua anulação. Neste
momento há mais de 4000 promoções em atraso em todas as
categorias, e isto tem um impacto enorme nas motivações dos
agentes. É um barril de pólvora que está no interior da
instituição. Como se não bastasse, agora ainda vêm dizer que não
há dinheiro para pré-aposentações. Parece quer obrigar os
policias a andarem a patrulhar de bengala.
EXP.- Conseguiram algo que há muito reivindicavam: um civil a
dirigir a PSP.
A.T.- E continuamos a defender. Mas têm sido nomeados
comissários políticos. cm Mário Belo Morgado (o anterior
director Isso não for tão visível, Mas também houve vontade do
poder político nesse sentido. Com a saída dele, não houve nenhum
avanço. Não podemos aceitar que só tenhamos sido recebidos uma
vez pelos actuais ministro, Daniel Sanches, e director,
Branquinho Lobo.
EXP.- O boicote que fizeram à visita do ministro à PSP quer
dizer que não há mais diálogo?
A.T. - Estamos sempre abertos ao diálogo, mas sério. Não temos
tempo para festas, nem encenações. Estamos aqui para trabalhar.
EXP. - A ASPP vai, então, radicalizar a luta?
A.T. - As nossas lutas sempre foram responsáveis, e é também por
isso que somos respeitados. Mas chega uma altura em que se bate
tão fundo que é preciso dizer basta. E já que o Governo não
cumpre a lei, quando não nos ouve apesar de a isso ser obrigado
legalmente, não nos sentimos na obrigação de, em matéria de
restrições ao exercício do sindicalismo, a cumprir.
EXP. - O que
é que isso quer dizer?
A.T. - Várias hipóteses vão estar cm cima da mesa na reunião da
assembleia-geral da ASPP, na próxima 2ª feira. Há colegas nossos
que entendem que devemos manifestar-nos fardados.
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Agentes da PSP saem à rua
fardados no dia 25 de Janeiro |
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Os agentes da
Polícia de Segurança Pública (PSP) vão sair à rua fardados, no
dia 25 de Janeiro, em Lisboa, e alguns profissionais admitem
mesmo algemar-se aos candeeiros da Praça do Comércio, em frente
ao Ministério da Administração Interna (MAI), em protesto contra
a ausência de «respostas concretas» por parte do Governo aos
problemas que afectam há anos a organização.
Ontem, em
Assembleia Geral, a Associação Sindical dos Profissionais de
Polícia (ASPP) - que representa dez mil agentes da PSP - votou
contra a proposta de alguns membros que defendiam o recurso à
greve. Uma medida que seria ilegal já que esse direito não está
consignado na lei sindical da PSP. «Nós somos mais responsáveis
que o poder político», defendeu o presidente da ASPP, Alberto
Torres, lembrando que os agentes vão continuar a lutar por esse
direito.
Quatro mil
promoções em atraso, serviços de saúde em ruptura, aposentações
«na gaveta», condições de trabalho degradantes, parque automóvel
envelhecido são alguns dos problemas que os agentes querem ver
rapidamente resolvidos. «Vamos dar mais uma vez o benefício da
dúvida ao Governo, dando 30 dias para que o ministro nos dê
respostas concretas. Estamos fartos de promessas», referiu
Alberto Torres.
No sábado, os
sócios de uma outra associação, o Sindicato dos Profissionais de
Polícia, vão deslocar-se a Lisboa para, juntamente com os seus
familiares, «conviver» em frente ao MAI.
GNR. Os
profissionais da Guarda Nacional Republicana (GNR) também não
excluem a hipótese de voltar às ruas para denunciarem o
«desinvestimento» na Guarda. Segundo o presidente da Associação
dos Profissionais da Guarda (APG), José Manageiro, a semana que
passou foi para muitos a gota de água, uma vez que terminou o
prazo de 90 dias que o Governo dispunha para regulamentar a tão
desejada lei do associativismo.
«Esta
incapacidade do Governo para legislar, para além do risco de
perda de confiança que comporta, é uma manifestação clara da
recusa e de negação aos profissionais da GNR de fruir dos
direitos de reunião e de associação que a Assembleia da
República lhes reconheceu», refere a APG. Fonte do MAI,
contactada pelo DN, diz que a regulamentação «está em curso» e
que apesar de poder durar «um pouco mais do que o previsto», tal
não significa «que não haja a intenção de a regulamentar».

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Manifestação de
agentes algemados a 25 de Janeiro |
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Polícias estão «algemados nos seus direitos e nas
condições que lhes são proporcionadas para o exercício da sua
missão»
A Associação
Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP) decidiu hoje, em
assembleia geral realizada em Lisboa, promover a 25 de Janeiro
próximo uma manifestação de polícias fardados e algemados em
frente ao Ministério da Administração Interna.
No final da
assembleia geral, o presidente da ASPP, Alberto Torres, disse
aos jornalistas que essa é a forma de os profissionais da
Polícia de Segurança Pública mostrarem ao poder político e à
população portuguesa como "estão algemados nos seus direitos e
nas condições que lhes são proporcionadas para o exercício da
sua missão".
A hipótese de
convocar uma greve de polícias, proibida por lei, chegou a ser
discutida na assembleia geral, mas foi recusada: votaram a favor
16 profissionais, 43 abstiveram-se e 96 manifestaram-se contra.
No entanto, o
presidente da ASPP, Alberto Torres, realçou que "os polícias vão
lutar, com grande convicção, pelo direito à greve".
A proposta de
uma manifestação de polícias fardados e algemados em Lisboa, em
frente ao Ministério da Administração Interna, que tutela as
forças de segurança, recolheu três votos contra, 15 abstenções e
cerca de 150 votos a favor.
"Mais uma vez,
damos o benefício da dúvida a este Governo, ao Ministério da
Administração Interna e à Direcção Nacional da PSP para que
apresentem propostas de solução para os muitos problemas da PSP
e dos seus profissionais.
Se até 25 de
Janeiro de 2005 isso não acontecer, vamos mesmo para uma grande
manifestação de rua", afirmou Alberto Torres.
A Associação
Sindical dos Profissionais da Polícia acusa o Governo de "falta
de diálogo", nomeadamente quanto à preparação do Orçamento de
Estado para 2005, no tocante às verbas para a PSP.
Esta estrutura
sindical apresentou recentemente um memorando reivindicativo ao
Governo chefiado por Pedro Santana Lopes a exigir, nomeadamente,
um aumento de cinco por cento nos salários dos polícias para
2005.
A ASPP reclama,
igualmente, um novo estatuto para os profissionais da PSP, com
enfoque nas questões das promoções, pré- aposentações e
aposentações, além de um novo regulamento disciplinar.
Outra
preocupação da ASPP é a continuidade dos Serviços de Saúde da
PSP, numa altura em que a grande maioria dos médicos está a
rescindir contratos devido à falta de pagamento, segundo os
sindicalistas.
De acordo com
Alberto Torres, a PSP não paga aos médicos desde Maio de 2003 e
as dívidas dos Serviços de Saúde da PSP ascenderão a 14 milhões
de euros no final do ano.
A ASPP
queixa-se, ainda, da "degradação de muitas instalações da PSP,
falta de efectivos em muitas esquadras, viaturas ao serviço que
já deviam ter sido abatidas e carência de equipamentos
informáticos".
A ASPP diz
representar cerca de dez mil dos vinte mil profissionais da
Polícia de Segurança Pública.
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Polícias ponderam greve |
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Falta de
diálogo do Governo leva associação sindical a falar em medida
ilegal
A
Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP) pondera
a convocação de uma greve. O tema vai estar hoje em discussão em
assembleia-geral. A greve, proibida por lei aos polícias, pode
vir a ser a resposta da corporação à falta de diálogo do Governo
sobre o Orçamento de Estado.
Em
declarações à agência Lusa, o presidente da ASPP, Alberto
Torres, disse que a Associação apresentou ao ministro da
Administração Interna, a 06 de Novembro, uma carta
reivindicativa sobre o OE de 2005 que ficou sem resposta.
O Governo não cumpriu o "direito de negociação previsto na
lei", disse Alberto Torres, acrescentando que por essa razão
também a ASPP pode violar a lei.
"A polícia está restringida pela própria lei de fazer greve,
mas se o governo não cumpre a lei, também não somos obrigados a
cumpri-la", adiantou.
Os polícias defendiam na carta reivindicativa um aumento de
cinco por cento nos salários para o próximo ano, um novo
estatuto para os profissionais da PSP, com enfoque nas questões
das promoções, pré- aposentações e aposentações.
Pediam igualmente que fosse discutida em 2005 um novo
regulamento disciplinar e estabelecidos horários para a polícia,
como prevêem os estatutos, adiantou Alberto Torres.
A ASPP manifestou ainda preocupação pela continuidade dos
serviços de saúde da PSP, numa altura em que a grande maioria
dos médicos está a rescindir contratos devido à falta de
pagamento.
De acordo com Alberto Torres, a PSP não paga aos médicos desde
Maio de 2003 e as dívidas ascendem a 14 milhões de euros.
A ASPP critica a falta de reforço de verbas destinado pelo
Governo à PSP, no âmbito do Orçamento de Estado para 2005.
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Crime - para identificar zonas de risco na Administração
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Judiciária
faz manual contra a corrupção |
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É uma
iniciativa inédita em Portugal, mas vulgar nos restantes países
da Europa. A Polícia Judiciária (PJ) vai implementar um projecto
que tem por objectivo identificar áreas de risco a nível da
prevenção da corrupção em toda a Administração Pública.
“Foi uma ideia
desta direcção, ao abrigo do artigo 4.º da Lei Orgânica da
Polícia, que define as acções a realizar no domínio da
prevenção”, afirmou ao Correio da Manhã, José Mouraz Lopes.
Segundo o director do Departamento Central de Investigação e
Combate à Criminalidade Económica e Financeira (DCICCEF) esta
iniciativa irá concretizar-se “em alguns casos na produção de
manuais de boas práticas, e noutros falamos mesmo em alertas
para a formação das pessoas e para a atenção dos responsáveis da
Administração, no sentido de poderem acontecer comportamentos
que, não sendo criminais, podem ser ilícitos”.
Mouraz Lopes mostrou-se muito preocupado com o tráfico de
influências e a corrupção, “estamos a falar de um crime que
ocorre sempre onde está o poder de decisão. É um fenómeno que
atinge todas as áreas da Administração e é transversal a todas
as áreas da sociedade”.
“É preciso que o sistema crie mecanismos de identificação de
potenciais zonas de risco de corrupção e tráfico de
influências”, adianta o responsável pela DCICCEF, acrescentando
que aquelas zonas de risco “existem nos funcionários que estão
em contacto com o público ou nos decisores que lidam com
matérias sensíveis. Isso tem de ser claramente identificado, são
as chamadas áreas de prevenção da corrupção. Áreas de risco em
que as pessoas têm de estar permanentemente atentas, falamos,
por exemplo, nas autarquias, nas pessoas que estão directamente
responsáveis pelos Planos Directores Municipais (PDM). É preciso
ter uma atenção pessoal a estas pessoas, dar-lhes uma formação
específica”.
A PJ está a ultimar um primeiro projecto, onde vai identificar
duas ou três áreas de risco ao nível da prevenção da corrupção.
“Vamos chamar a atenção para os níveis superiores da
Administração que, em determinadas áreas existem riscos de
corrupção, e que face a essa realidade têm de estar atentos e
têm de criar mecanismos para evitar que esses comportamentos
possam surgir”, diz Mouraz Lopes. Este responsável espera que
antes do Natal o primeiro destes projectos possa estar
implementado naquilo que chamou “uma área muito específica da
Administração”.
“A Administração tem de estar alerta”, reafirma o director da
DCICCEF. “Não querendo com isto dizer que todas as pessoas que
trabalham em determinado serviço sejam mais ou menos corruptas,
são áreas onde podem acontecer ‘acidentes’”.
Os alertas emitidos pela PJ serão acompanhados de alguns
conselhos práticos de como evitar/identificar comportamentos
suspeitos. Tal como se disse anteriormente, esta forma da
actuação das autoridades policiais junto dos organismos do
Estado é comum ao nível internacional, nomeadamente nos países
que aderiram ao GRECC – Grupo de Estados Contra a Corrupção.
Por último, um alerta: “É preciso não tratar estas recomendações
de uma forma burocrática. Isto não pode ser visto como mais um
papel que chega à Administração. Tem de ser efectivo, as pessoas
têm de perceber que é preciso actuar”, conclui Mouraz Lopes.
INVESTIGADORES REUNIDOS DIA 23 NO PORTO
Na próxima terça-feira estarão reunidos nas instalações da PJ do
Porto todos os coordenadores que se dedicam ao combate à
criminalidade económica. Trata-se de uma iniciativa que, pela
primeira vez, reúne num mesmo local os responsáveis por dossiês
tão importantes como são o ‘Apito Dourado’, a corrupção na
Administração Fiscal, o contrabando de álcool ou as fraudes no
sistema de Saúde do Exército.
Na altura será feito um balanço dos primeiros três meses da nova
direcção, sendo igualmente analisado o estado das investigações
em alguns processos.
O novo responsável pela DCICCEF afirmou ao CM que “é intenção da
nova direcção reforçar o combate à criminalidade económica e
financeira”, contando para tanto com um reforço de onze novos
inspectores colocados em Lisboa, oito novos inspectores que irão
abrir uma nova secção no Porto dedicada ao crime económico e
dois dos elementos que foram colocados em Coimbra.
'É PRECISO REGULAR O 'LOBBY''
O director da DCICCEF é favorável à regulamentação da actividade
de ‘lobby’ (grupos que exercem pressão para defender interesses
comuns). “Muitas vezes, o que nós chamamos de tráfico de
influências é ‘lobby’... então deve-se regulamentar o ‘lobby’”,
disse Mouraz Lopes. Para o magistrado, aquele tipo de crime
ocorre numa zona de fonteira, onde por vezes se misturam
comportamento legais, ilegais e criminosos. “É necessário que
nesta área existam mecanismos de transparência. Dou um exemplo,
numa empresa privada, quando um empresário oferece uma garrafa
de uísque aos seus melhores clientes, ou mesmo ao nível das
instituições públicas, no caso de um funcionário que é mais
diligente com determinada empresa e recebe um presente, podemos
estar no domínio das práticas de mera adequação social. Mas
muitas vezes estamos em presença de intervenções que,
claramente, pretendem criar um caldo de cumplicidades e
compromissos que permitem todas as suspeitas. Com a
regulamentação do ‘lobby’ haveria mais transparência neste tipo
de relacionamento”, acrescenta.

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Prescreveu Prazo
para Regulamentar Lei do Associativismo na GNR
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O Governo
deixou prescrever o prazo legal para regulamentar o
associativismo na GNR. Assim, apesar de a lei estar aprovada na
Assembleia da República (AR), estes militares continuam
impedidos, pelas chefias, de exercerem actividade reivindicativa
em relação a matérias da própria instituição. A Associação dos
Profissionais da Guarda (APG), que congrega mais de 10 mil dos
26 mil efectivos da GNR, pondera, em Janeiro, desencadear
"acções de protesto", que podem passar por uma manifestação.
O prazo para
que o Governo regulamentasse a lei do associativismo na GNR
terminou na quinta-feira, 90 dias depois de a mesma ter sido
aprovada na AR. Até ao momento, o Ministério da Administração
Interna (MAI), que detém a tutela, não satisfez os pedidos da
APG para que lhes fossem prestados esclarecimentos acerca da
situação. "Na prática, os direitos que foram aprovados na
Assembleia [AR] continuam a não existir", sintetizou ao PÚBLICO
o presidente da Associação, José Manageiro.
"A facção
conservadora da GNR é a grande responsável pela não
regulamentação da lei. São os oficiais do quadro da GNR, aqueles
que estão quase na situação de pré-reforma e que são
provenientes do Exército, que estão por trás desta situação",
acusou o mesmo dirigente. "Esses oficiais não querem perder
privilégios, tais como ter impedidos ao seu dispor, obrigarem o
pessoal a trabalhar sem horário ou continuarem a proferir todo o
tipo de ordens, mesmo as que estão desenquadradas da lei.
Querem, isso sim, que se lhes continue a prestar vassalagem,
como se ainda vivêssemos em plena época medieval", especificou.
José Manageiro,
que afirma estar a GNR "a passar pela pior fase da sua
existência", considera que os oficiais oriundos do Exército "são
mais conservadores e retrógrados do que os que estão no próprio
Exército". "A prova é que a regulamentação do associativismo foi
concedida às Forças Armadas em Agosto de 2001 e a nossa - pela
qual lutamos há 13 anos -, apesar de aprovada na AR desde Agosto
deste ano, continua estagnada."
Carros
gastos, computadores velhos
Em termos
práticos, ainda segundo o presidente da APG, será a própria GNR
que, não tendo "voz activa na denúncia dos problemas que a
assolam", que "continuará a degradar-se" e a ver "aumentar todos
os dias a insatisfação interna".
"Quando não se
regulamenta o que a Assembleia da República determina está-se,
apenas, a deixar arrastar ainda mais uma situação de autêntica
degradação. Querem tapar a boca ao pessoal [da GNR] para que não
se diga que há milhares de promoções em atraso, que os edifícios
estão degradados e os meios de trabalho, como por exemplo a
frota automóvel ou os computadores, inoperacionais", acusa José
Manageiro.
"Posso dar
vários exemplos da situação deplorável a que se chegou. No caso
dos carros estamos a receber, anualmente, 50 a 60. Sabe-se, no
entanto, que o tempo útil de uma viatura é de 250 mil
quilómetros. Essa é, no entanto, quase a quilometragem diária
que se faz na GNR. Assim, por dia, é abatida uma viatura ao
efectivo. Assim, por ano, deveríamos receber, pelo menos, 300
carros e não os 50 ou 60. Mas há mais. Os computadores
existentes são tão velhos que a maior parte não trabalha. Têm
que ser os militares a trazer de casa material para
trabalharem", acusou.
O presidente da
APG diz ainda não compreender como é que é possível que, para
que um efectivo seja promovido de cabo para cabo-chefe, tenha,
obrigatoriamente, de ter recebido um louvor do seu chefe
directo. "É óbvio que, com esse critério, não há promoções por
mérito nem por antiguidade, mas apenas por se cair ou não nas
boas graças de quem manda", conclui.
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Até a Polícia mandou
pôr grades nas janelas |
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Insegurança Assaltos junto à
esquadra da Areosa deixam a PSP "constrangida"
Do café de Marcelino Ricardo vê-se a esquadra da Areosa, em Rio
Tinto, Gondomar: duas janelas, com grades que dão nas vistas, e
uma porta envidraçada dão acesso a uma loja do mercado
transformada em posto policial, na Rua das Oliveiras. Dentro, há
apenas um homem atrás do balcão. A farda dá-lhe autoridade. A
falta de espaço e de meios tiram-lhe mobilidade.
Faltam polícias na Areosa. Sobram assaltos. Ao pé da porta. Nas
barbas da PSP."Qualquer polícia se sente constrangido quando nem
meios tem para evitar que vizinhos sejam vítimas de assaltos",
diz Alberto Torres, da Associação Sócio-Profissional da PSP.
A afirmação tem eco dentro da esquadra. Mas sem homens com farda
não há milagres. E para cumprir os turnos a corporação tem de
viver, diariamente, com dois polícias: um para o carro-patrulha,
outro para ficar na esquadra.
"Para que as coisas corressem bem, qualquer esquadra deveria
ter, no mínimo, 50 elementos. Faltam 700 polícias no Comando
Metropolitano do Porto e 4000 a nível nacional", diz Alberto
Torres. Na Areosa, há 22. Comandante incluído.
"Obviamente, não chegam. E o à-vontade de quem vive na
criminalidade é tal que, em tempos, um indivíduo tentou roubar
uma motorizada apre- endida, que estava estacionada em frente à
esquadra da Areosa. Para evitar o roubo, o polícia de serviço
teve de fechar a esquadra", conta o dirigente da associação.
Marcelino Ricardo só uma vez sofreu uma tentativa de assalto ao
café. Mas conhece outros casos. O de Deolinda Moreira,
proprietária de estabelecimento concorrente, na esquina da Rua
Heróis da Pátria com o largo com a mesma designação, é o mais
recente.
Na madrugada de domingo passado, alguém levou 150 euros em
moedas da caixa registadora e pães recheados com chocolate. Uma
das janelas serviu de porta aos ladrões. Ninguém deu por nada.
Nem a PSP, localizada dois números de polícia adiante.
O caso de Deolinda Moreira refresca memórias. Aparecem outros
comerciantes vítimas de assaltos. Fala-se em assaltos em carros
estacionados e até dentro do mercado, "guardado e com grades por
todo o lado".
"Os ladrões sabem que na esquadra só fica um polícia quando o
carro-patrulha sai. É fácil actuar", diz Manuel Silva, taxista,
cunhado da dona do café assaltado, que, todos os dias, passa, à
meia-noite, pelo estabelecimento "devagarinho, para ver se algo
de anormal se passa". Fez isso no domingo passado. Mas nada viu.
" Eles devem ter vindo depois", diz.
Ninguém culpa os polícias da Areosa pelos assaltos feitos à
porta da esquadra. "Sem ovos... é o que se sabe", atalham os
comerciantes. Mas há quem não cale o facto de "haver polícias
por todos os cantos aos sábados de manhã, dia grande para os
negócios por causa do mercado, a multar estacionamentos
indevidos".
"O poder político não se mostra aberto a arranjar soluções para
que a Polícia possa actuar com eficácia. É assim na Areosa, é
assim em Valbom. E as situações de insegurança aumentam.
Infelizmente", remata Alberto Torres.
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SEF Pode Encerrar Sete Departamentos em Janeiro
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Sete delegações
e departamentos do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF)
poderão encerrar, já em Janeiro, por falta de funcionários
administrativos. A concretizarem-se estes encerramentos, todo o
processo de legalização de imigrantes em curso poderá ser
gravemente afectado.
Em causa estão
os postos de trabalho de 220 pessoas que, sendo contratados a
termo certo e tendo sido seleccionadas num concurso interno para
integrarem os quadros daquele organismo, correm o risco de não
serem admitidos até ao início do próximo ano por falta de
despacho do Ministério da Administração Interna (MAI).
O eventual
encerramento dos serviços está a causar apreensão nas estruturas
sindicais do próprio SEF, ao ponto de os dirigentes do Sindicato
dos Funcionários de Investigação e Fiscalização temerem que os
efectivos que actualmente desempenham tarefas "de rua" possam
vir a ser requisitados para trabalhos administrativos.
"A acontecer,
haverá um claro retrocesso em termos operacionais", afirmou ao
PÚBLICO o presidente do sindicato, Gonçalo Rodrigues. Este
risco, explica, é plausível porque "será desviado pessoal para
serviços que não lhes competem ou, não havendo desvio de
pessoal, encerram departamentos". Em consequência, os processos
de legalização de estrangeiros em curso - e que, neste momento,
são cerca de 50 mil [35 mil dos quais respeitantes a
brasileiros] - sofrerão atrasos irremediáveis, talvez mesmo
definitivos, explicou Gonçalo Rodrigues.
O sindicalista
lembra ainda o facto de os funcionários em causa estarem a
lidar, há muitos anos, com matéria classificada, constituindo a
sua eventual saída "um potencial factor de risco" em termos de
segurança.
Serviços de Norte a Sul podem ser afectados
Os 220
funcionários em causa foram seleccionados depois de um concurso
(terminado no mês passado) onde apareceram cerca de 1.000
candidatos. Muitas destas pessoas trabalham para o SEF há cerca
de dez anos e todas elas têm assinado contratos com dois anos de
validade, os quais têm sempre sido renovados.
Os funcionários
em causa integram serviços de Norte a Sul do país. Desde logo, o
Departamento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (onde constituem
60 por cento do efectivo), o Centro Nacional de Apoio ao
Imigrante (100 por cento), localizado na Rua dos Anjos, em
Lisboa, e normalmente designado por "Loja do Cidadão", o
Departamento de Nacionalidade (onde são mais de 55 por cento) e
as Delegações Regionais de Santarém (75 por cento), Setúbal (45
por cento), Norte (mais de 40 por cento) e Leiria (50 por
cento).
No MAI,
contactada uma assessora de imprensa, não foi possível obter
qualquer confirmação ou desmentido da notícia, tendo eventuais
explicações sido remetidas para o próprio SEF.
Neste serviço,
diversas fontes contactadas pelo PÚBLICO confirmaram a
existência do problema, bem como o número de funcionários
abrangidos e os nomes dos departamentos e delegações que podem
vir a encerrar.
Uma vez mais,
todos garantiram que o encerramento ou não dos departamentos e
delegações em causa depende apenas de o ministro da
Administração Interna acelerar o processo de integração dos 220
funcionários nos quadros. "Essa até foi uma promessa que lhes
foi feita quando concorreram", adiantou uma das fontes do SEF
ouvidas pelo PÚBLICO.
Serviço de Estrangeiros tem receitas próprias
"Se a
argumentação para não se proceder à integração dos
administrativos no quadro do SEF é de ordem financeira então, o
sindicato tem de manifestar a sua surpresa, pois o SEF é, entre
os orgãos de investigação criminal portugueses, o único que gera
receitas susceptíveis de o tornarem auto-suficiente", adiantou
Gonçalo Rodrigues.
Recorde-se que,
para o ano que vem, o SEF tem orçamentados 35 milhões de euros,
sendo grande parte desta verba proveniente de receitas próprias
(autorizações de residência, vistos e emissões de passaportes).
Um dos
departamentos que poderá encerrar, o Centro Nacional de Apoio ao
Imigrante é, de resto, uma das principais fontes de receita do
SEF. Os indicadores existentes fazem referência a um atendimento
diário na ordem dos 300 estrangeiros, cifrando-se a verba
obtida, todos os dias, na ordem dos 15 mil euros.
Em termos de
importância dos serviços visados há ainda a destacar o
Departamento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, com um
atendimento diário estimado em 1.200 pessoas.
Serviços em risco
- Departamento
Regional de Lisboa e Vale do Tejo
- Centro
Nacional de Apoio ao Imigrante, localizado na Rua dos Anjos, em
Lisboa, e normalmente designado por "Loja do Cidadão"
- Departamento
de Nacionalidade
- Delegação
Regional de Santarém
-Delegação
Regional de Setúbal
- Delegação
Regional do Norte
- Delegação
Regional de Leiria

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Violência -
Nova realidade |
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Famílias inteiras na cadeia |
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A violência
nas prisões enfrenta uma nova realidade. A constatação é do
próprio director-geral dos Serviços Prisionais. “Hoje há
famílias inteiras presas e há várias famílias do mesmo bairro no
mesmo estabelecimento prisional. O bairro transferiu-se para a
cadeia, que se tornou num ponto de passagem do negócio ilícito.
Há mesmo grandes crimes que são comandados do interior das
cadeias”, disse, ao CM, Miranda Pereira. “A violência tem
crescido fora das prisões, nos bairros. Dentro, apenas é
potenciada a violência que já existe fora dos muros”, reforçou.
Uma “violência”
que, contudo, não é possível quantificar. Do lado das
associações de defesa dos reclusos , o discurso é de que existe
um manto de silêncio estatal sobre o problema. Do lado da
Direcção-Geral dos Serviços Prisionais e dos próprios guardas há
a convicção de que o número de casos diminuiu, devido ao maior
controlo das situações e do esforço levado a cabo ao nível da
formação. Num meio-termo, a Comissão de Defesa dos Direitos
Humanos da Ordem dos Advogados reconhece que a maior parte das
queixas que hoje em dia recebe têm mais a ver com situações de
Direito do que com casos directos de violência.
O único dado objectivo é o de que, este ano, já se suicidaram 19
reclusos, mais três do que no ano passado. Uma situação que
ocorre com alguma frequência com os violadores, fruto da pressão
dos outros presos.
A violência manifesta-se sobretudo entre os reclusos, na sua
maioria por dívidas ligadas ao narcotráfico dentro das cadeias,
e dos reclusos contra os guardas prisionais.
“Nos últimos dois anos tem havido um acréscimo de agressões
físicas e psicológicas aos homens e mulheres da Guarda
Prisional”, nota Manuel Carvalho, presidente do sindicato dos
guardas prisionais.
Para António Dores, da Associação Contra a Exclusão pelo
Desenvolvimento, “a violência começa na forma de actuação do
sistema judicial e prolonga-se pelo próprio sistema de penas. Em
média as penas em Portugal são demasiado longas, três vezes mais
do que nos países da União. Os estudos apontam que penas
superiores a cinco anos não trazem qualquer benefício na
reinserção social”.
Seja como for, todas as entidades estão de acordo num ponto: há
necessidade de uma reforma do sistema prisional e a potenciação
da violência decorre directamente da sobrelotação das cadeias
centrais e da não separação entre os diferentes detidos.
“Nos últimos dois anos tem havido um esforço na formação das
chefias, para depois se passar para a formação concreta dos
guardas”, afirma, por seu turno, Miranda Pereira. “Os casos de
violência que apanho não me escapam e são tratados com
celeridade. Há casos de guardas prisionais punidos e mesmo
expulsos por excessos”, garante o director das cadeias.
DEZANOVE SUICÍDIOS
No corrente ano, ocorreram já 19 casos de suicídio nas cadeias.
“Numa cadeia, ao contrário do que se passa fora, os suicídios
que ocorrem são do conhecimento de toda a gente e não são
‘mascarados’ de acidentes”, diz o director dos Serviços
Prisionais, Luís Miranda Pereira.
A maioria das mortes no interior das cadeias deve-se a casos de
doença, 53 dos quais já este ano. Por outro lado, nos últimos
sete anos foram registados pelos serviços prisionais sete
homicídios nas cadeias portuguesas. Três deles ocorreram em
2001, ano que registou também o maior número de suicídios, 23,
desde 1998.
CADEIAS FISCALIZADAS
“As cadeias são dos serviços mais fiscalizados: há a auditoria e
a inspecção, o Ministério Público, serviços jurídicos das
cadeias centrais, advogados dos reclusos e organizações
não-governamentais”, afirma Manuel Carvalho, do Sindicato
Nacional do Corpo da Guarda Prisional.
“Em média, um em cada quatro guardas é alvo de um processo. A
maioria fica sem efeito, porque não se prova nada”, reconhece
Manuel Carvalho. Já António Dores, da ACED, considera que “a
situação de violência é potenciada pelo facto de as leis não
serem cumpridas dentro das cadeias. Há condições que permitem
todo o tipo de tráficos.”
FACTOS VIOLENTOS
CRIME ESQUECIDO
O director-geral das prisões garante que todos os casos de
violência são tratados com celeridade. Mas António Dores, da
ACED, recorda um assassínio em Vale de Judeus, há três anos. “A
investigação concluiu que havia redes à volta do crime, mas está
parada pelo Ministério Público, como se esperassem que o assunto
fosse esquecido”, disse António Dores.
A OUTRA VIOLÊNCIA
De acordo com António Dores, o presidente da ACED, a violência
nas prisões começa na forma de actuação do sistema prisional e
prolonga-se pelo sistema de penas. “Em média, as penas em
Portugal são demasiado longas, três vezes mais do que no resto
da União. E os estudos apontam que as penas superiores a cinco
anos não trazem qualquer benefício de reinserção social”.
MAIS AGRESSÕES
Nos últimos dois anos tem crescido o número de agressões por
parte de reclusos a elementos do corpo da guarda prisional,
defende Manuel Carvalho, do Sindicato Nacional dos Guardas
Prisionais. Ao mesmo tempo, cresce a violência entre reclusos
quase sempre por questões de droga.
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Senegalês Acusa
PSP de Espancamento |
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Várias
associações anti-racistas e de apoio a imigrantes
concentraram-se ontem à tarde à porta do Ministério da
Administração Interna (MAI), para denunciar a agressão de um
cidadão senegalês, alegadamente levada a cabo por quatro agentes
da PSP à civil, na noite da passada sexta-feira, na Cova da
Piedade, Almada.
De acordo com
Mamadou Ba, da Associação Luso-Senegalesa, o seu compatriota
Cheikh M'baye foi espancado e roubado por agentes da PSP, na
noite de sexta-feira, tendo as agressões e os abusos de
autoridade tido lugar dentro de uma viatura policial e, mais
tarde, na esquadra da Cova da Piedade.
Segundo foi
relatado ao PÚBLICO, Cheikh M'baye, cerca das 22h30, saiu de um
restaurante onde habitualmente vendia artesanato e deu por falta
da mochila que deixara à porta, com as restantes peças que
transportava consigo para comercializar. Pensando tratar-se de
uma brincadeira do dono do estabelecimento, habitual entre os
dois, acabou por se deparar com um indivíduo que lhe afirmou ter
guardado a mochila no seu carro e lhe pediu que o acompanhasse.
Junto a um
carro policial, o homem identificou-se como agente da PSP, tendo
saído de dentro da viatura mais três indivíduos, também à civil,
que se apresentaram igualmente como polícias. Propuseram a
Cheikh deixá-lo ir mas, em contrapartida, ficar cada um com
algumas peças de artesanato. O senagalês recusou, pedindo-lhes
que, se fosse o caso de ter cometido alguma ilegalidade, lhe
passassem uma multa, mas não admitindo que o expropriassem dos
seus bens.
Ainda segundo
Mamadou Bay, os agentes da PSP terão reagido mal à posição
tomada por Cheikh, empurrando-o para dentro da viatura policial,
onde o esmurraram, transportando-o de seguida para a esquadra da
Cova da Piedade, onde o tornaram a espancar. Nas instalações
policiais roubaram-lhe mesmo 65 dos 70 euros que o senagalês
transportava consigo, retiraram-lhe os objectos de artesanato
que pretendiam desde o início e acabaram por o deixar sair - com
vários dentes partidos, escoriações e hematomas na face e um
pouco por todo o corpo.
Ontem, a
direcção da Associação Luso-Senegalesa apresentou uma
queixa-crime no Ministério Público e fez entregar cópias à
Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial, à
Inspecção-Geral das Actividades Económicas e ao Provedor da
Justiça, marcando para as 16h uma concentração à porta do MAI. A
esta iniciativa juntaram-se elementos de várias associações.
O PÚBLICO
contactou o MAI, onde foi informado de que "não há qualquer
comentário a fazer sobre esse assunto". |
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