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Milhões da PSP para Bagão |
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Revolta
Verbas dos Serviços Sociais cativadas ajudam a combater o défice
há três anos
A Direcção-Geral do Tesouro (DGT) tem cativos mais de seis
milhões de euros dos Serviços Sociais da PSP e não permite que a
verba seja desbloqueada, apesar dos insistentes pedidos por
parte da hierarquia da Polícia.
A situação, que se arrasta desde finais de 2002, "está a
prejudicar o apoio aos mais de 20 mil polícias do país", na
medida em que "não há dinheiro para a reconstrução de bairros
sociais, para o apoio aos filhos dos agentes com dificuldades e
para a própria manutenção das colónias de férias".
A denúncia é da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia
(ASPP), que acusa o Governo de "roubo". Segundo Alberto Torres,
"este dinheiro pertence aos polícias porque foi retirado dos
ordenados deles para os Serviços Sociais", adiantando que estes
"não são nenhuma instituição do Estado e por isso não dependem
dele".
Segundo o presidente da ASPP, no início do mês, numa reunião
realizada na colónia de férias do Baleal, Peniche, o responsável
pelos serviços garantiu não ter acesso a essa verba. "
Comandantes e sindicatos mostraram-se indignados, já que vivem
com "dificuldades apesar de haver dinheiro", afirmou o
sindicalista, adiantando que o responsável garantiu que os mais
de seis milhões de euros "estão cativos na DGT e que não há
autorização para mexer na verba".
Questionado sobre o assunto, o secretário de Estado do
Orçamento, Manuel Teixeira, disse "desconhecer a situação",
lembrando apenas que "a lei prevê que 10% das verbas dos
serviços sejam cativas anualmente".
Problema com dois
anos
As verbas dos Serviços Sociais da PSP foram transferidos para a
DGT em finais de 2002, por ordem da então ministra das Finanças,
Manuela Ferreira Leite. A decisão foi tomada em Conselho de
Ministros, assinada pelo ex-primeiro-ministro, Durão Barroso e
publicada em Diário da República.
A explicação era simples. "A redução do défice público passa
necessariamente pela optimização da gestão global dos fundos
públicos, de que a unidade de tesouraria é instrumento
decisivo". Segundo a resolução nº115/2002 "os fundos dos
serviços autónomos deverão transferir a totalidade das
aplicações financeiras dos seus excedentes e disponibilidades de
tesouraria para a DGT".
Esta decisão polémica levou à realização de uma manifestação de
polícias em Lisboa, a 12 de Fevereiro de 2003.

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Agentes não
querem policiar S. Silvestre |
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Agentes da PSP estão
indignados com a situação que dura há anos
Comando nega acumulação de turnos e pede reforço ao COMTLIS
Os agentes da PSP da Divisão da Amadora estão revoltados com o
que apelidam de abuso de poder por parte do comandante, que
"escala pessoas para policiar a corrida de S. Silvestre, depois
de elas nesse mesmo dia terem já feito o seu turno".
"O pessoal é escalonado ilegalmente para fazer outro serviço
público e não recebe mais por isso", revelou, ao JN, fonte
policial acusando o comando de "querer fazer flores, receber os
louvores e não pagar a quem anualmente faz o serviço, com
prejuízos pessoais e familiares".
A situação é debatida há pelo menos 10 anos com os comandos
Metropolitano de Lisboa (COMTLIS) e com a Divisão da Amadora,
mas até ao momento sem sucesso. O Sindicato dos Profissionais de
Polícia (SPP) levou já o assunto à Direcção Nacional da PSP e ao
ministro da Administração Interna.
A pouco mais de uma semana da realização da prova de atletismo,
organizada pela Câmara e pelo Clube Rangel, o SPP pediu uma
reunião com o comando da Amadora, mas ontem o encontro acabou
por não acontecer.
O comandante nega todas as acusações e revela que "quem irá
fazer o policiamento da corrida será o pessoal que estará de
serviço essa noite". O subintendente António Pereira esclarece
que "nunca ninguém fez dois turnos", e que já solicitou ao
COMTLIS "um reforço", dado que "são precisos cerca de 100
agentes para a prova e há que assegurar ainda o resto do
policiamento e dos turnos".
Do gabinete do presidente da Câmara garantiram ao JN que o
policiamento não é pago, apesar de ter sido requisitado pela
autarquia. |
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Polícias
queixam-se da falta de condições |
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Parque
automóvel degradado, material inoperacional e insegurança das
instalações são principais queixas.
Direcção Nacional diz estar atenta
As queixas surgiram há alguns anos mas agora sobem de tom.
Cansados de "trabalhar sem condições", alguns agentes da Divisão
da PSP de Oeiras decidiram levantar a voz e pedir respostas ao
Comando Metropolitano de Lisboa (COMTLIS), à Direcção Nacional (DN)
e ao ministro da Administração Interna.
Para além do fax existente na esquadra de Caxias estar quase
avariado e o mesmo acontecer com a fotocopiadora, e dos sofás
ali existentes "terem vindo do lixo", o que mais preocupa os
polícias é a degradação do parque automóvel. "Os pneus andam
carecas, as baterias falham muitas vezes e as caixas de
velocidades nem sempre funcionam", explica um dos agentes,
adiantando que "são os civis que nos ajudam nessas situações".
A "vergonha é muita", dizem, e não percebem "porque se chegou a
esta situação". "Já houve polícias que chegaram a comprar, com o
seu dinheiro, baterias para os carros", garante outro agente,
revelando que a única viatura existente na esquadra de Oeiras
para o programa Escola Segura, se encontra avariada desde Maio.
"Não sabemos se está a arranjar ou não", afirmou, recordando o
caso, noticiado pelo JN, de uma agente da esquadra de Caxias que
por ter de empurrar a viatura de serviço, caiu e teve de receber
tratamento hospitalar.
"Não conseguimos perceber, já que a viatura que avariou foi
substituída por outra, que só pega de empurrão e que tinha um
pneu furado", revelou um polícia, garantindo que a Divisão de
Oeiras "tem viaturas novas e que são usadas para outros fins". E
dá um exemplo "Enquanto nós andamos com viaturas velhas, vimos
duas viaturas novas desta Divisão a serem usadas em publicidade
nas filmagens de um programa de televisão".
Outra das preocupações prende-se com a segurança das instalações
da Esquadra de Trânsito de Oeiras, onde estão as viaturas da
PSP, as que são rebocadas, as furtadas e as apreendidas. "Tantos
as instalações como os carros têm de estar sob observação
permanente, o que nem sempre é fácil, porque quem faz este
serviço por norma, ou é o elemento da brigada de acidentes ou o
do reboque". A mesma fonte explica, que "a situação complica-se
quando há chamadas em simultâneo para estes polícias. Ou vai um
e outro espera ou então saem os dois e não fica ninguém.
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Denúncia da Associação Sócio-Profissional da Polícia |
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PSP sem meios
técnicos para travar crimes de rua |
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A Associação
Sócio-Profissional da Polícia (ASPP/PSP) alertou hoje no Porto
para a necessidade de modernização daquela força policial,
afirmando que, por vezes, os criminosos têm uma "supremacia
técnica" sobre os agentes.
Em declarações à Lusa, o dirigente no Porto da ASPP/PSP Paulo
Rodrigues disse que há situações em que se "inverte a lógica do
jogo do gato e do rato", sendo os criminosos a controlar o
movimento dos polícias, devido à vulnerabilidade do sistema de
comunicações.
"Há grupos de jovens carteiristas, do escalão etário 18/27 anos,
que planeiam bem os seus crimes e que conseguem mesmo controlar
os movimentos e as investigações da polícia por acederem às
frequências-rádio utilizadas pelos agentes", disse.
Segundo Paulo Rodrigues, é possível escutar as comunicações nos
equipamentos-rádio adquiridos pela PSP através de pequenos
aparelhos disponibilizados pelo mercado a cerca de 20 euros.
"Temos recursos humanos de excelente qualidade, mas sem ovos não
se fazem omoletas", frisou, considerando que a polícia "continua
a trabalhar como há 20 anos".
"Importa tornar a polícia mais eficaz, modernizando a estrutura
e tornando as respostas mais rápidas", disse, preconizando uma
"remodelação completa" da filosofia de trabalho da PSP.
Paulo Rodrigues queixou-se também da sobrecarga burocrática que
a PSP enfrenta desde que passou a assumir a investigação de
todos os crimes punidos com pena até três anos de prisão,
aliviando assim as responsabilidades da Polícia Judiciária.
"Com isto, exige-se muito mais polícias na secretária que, em
princípio, deveriam estar em acções de rua", declarou,
considerando ainda que a lei penal "também não ajuda muito".
Estas declarações surgem numa altura em que os comunicados da
PSP/Porto, emitidos ao longo da semana, dão conta de dois a três
assaltos diários com ameaça de arma em artérias centrais e em
alturas de muito movimento, a exemplo do que vem acontecendo ao
longo de 2004.
Fonte do Comando Metropolitano da PSP/Porto escusou-se a avançar
números que permitam comparar a evolução deste tipo de crimes na
área metropolitana, mas admitiu um "ligeiro crescimento".
Na maior parte dos casos, as vítimas são estudantes, mas a fonte
policial contactada pela Lusa precisou que estas ocorrências se
registam, em geral, longe do perímetro escolar, pelo que negou
ineficácia no serviço "Escola Segurança", vocacionado para
rondas nas áreas dos estabelecimentos de ensino.
A fonte argumentou que a polícia tem procurado responder a estas
situações com "maior visibilidade" na rua, particularmente nesta
quadra natalícia, "altura em que há mais dinheiro".
A génese desta criminalidade radica, segundo a fonte, em razões
de ordem social, relacionadas com a toxicodependência e o
desemprego, "que carecem de respostas a outros níveis".
A PSP metropolitana responde pela segurança do Porto e toda a
sua cintura entre Gaia e Póvoa de Varzim e dispõe de cerca de
três mil efectivos.
Segundo o mais recente Relatório Anual de Segurança Interna,
elaborado pelo Gabinete Coordenador de Segurança, o distrito do
Porto registou um aumento da criminalidade participada - de 5,8
por cento, de 2002 para 2003.
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A solução não
letal para uso da Polícia |
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Taser, 50 mil volts contra o
crime |
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A elite da PSP tem armas novas há três meses. Mas
as pistolas eléctricas ainda não foram usadas em nenhuma
situação real. A Polícia explica que não são um substituto para
o poder de fogo. Apenas mais uma solução.
Surgem algures
entre a força física e as armas de fogo. Dispensam a proximidade
da primeira e podem evitar as consequências das segundas. As
pistolas eléctricas paralisantes são a última novidade em
matéria de intervenção policial em Portugal, para já, apenas à
disposição da unidade de elite da PSP. Mas, apesar de constarem
na lista de meios não letais do Grupo de Operações Especiais (GOE)
há três meses, as Taser ainda não foram disparadas em situações
reais, como explica ao Correio da Manhã o comandante do GOE,
Magina da Silva.
À primeira vista, a Taser pode parecer uma pistola como qualquer
outra, mas um olhar mais atento permite perceber as diferenças.
Concebida para ser utilizada a uma distância de três a sete
metros, a arma de perturbação electro-muscular dispara dois
grampos, a uma velocidade de 45 metros por segundo, que vão
prender-se à roupa ou ao corpo do alvo, permitindo a passagem de
uma corrente eléctrica de 50 mil volts.
“Trata-se de uma arma não letal que, em termos policiais, está
abaixo do bastão”, explica Magina da Silva. “Admite-se que o
bastão, se atingir a cabeça, pode provocar ferimentos. A Taser é
uma arma de imobilização”, sublinha. Tal como outros elementos
do GOE, também o comandante experimentou a sensação de estar do
lado contrário da arma. “A arma não mata. Os eventuais problemas
que podem surgir, prendem-se com as quedas dos alvos”, refere.
O objectivo da arma é imobilizar o alvo. Para isso, a corrente
de 50 mil volts é libertada numa sequência predeterminada: sete
segundos e depois pequenos choques de 1,8 segundos durante um
período de meio minuto. A corrente eléctrica interrompe a
comunicação entre o cérebro e os músculos, provoca uma perda de
controlo e faz com que o alvo atingido se imobilize numa posição
fetal.
A empresa construtora garante que a corrente eléctrica não causa
danos no indivíduo alvo e reafirma o carácter não letal da Taser
– um equipamento utilizada por diversas forças policiais
europeias e norte-americanas. No entanto, ainda anteontem à
noite, um homem de 36 anos morreu depois de ter sido alvejado
com uma Taser na Florida. Foi o terceiro caso em quatro anos.
“A questão é saber quantas pessoas morreram devido a armas de
fogo nos Estados Unidos. A Taser, por si só, não é letal. Mas
não é possível controlar outros factores”, refere Magina da
Silva Em Portugal, para já, não há registo sequer da utilização
das novas armas. “Ainda não foram usadas”, garante o comandante
do GOE, a unidade de elite da PSP que, cada vez com maior
frequência, é chamada a intervir em operações policiais não
relacionadas com terrorismo.
A generalização da Taser é, neste momento pouco provável. Na
GNR, por exemplo, e segundo indicou ao CM fonte do comando
geral, “não há nada nesse sentido”. E na PSP, que alega
tratar-se de um “assunto reservado”, a pistola eléctrica poderá,
num futuro próximo, vir a equipar as Esquadras de Investigação
Criminal e as Secções de Intervenção Rápida.
"ESTA ARMA É MENOS AGRESSIVA"
Pelo que se conhece nesta altura da Taser, arma eléctrica
paralisante, e projectando os seus efeitos na saúde humana, o
cardiologista Manuel Carrajeta, presidente da Fundação
Portuguesa de Cardiologia avança a opinião de que, “esta pistola
é menos agressiva para a saúde que qualquer arma de fogo
convencional”.
Os casos conhecidos de cidadãos que foram atingidos nos Estados
Unidos por disparos com este tipo de pistolas e realizadas as
autópsias “permitem concluir que os indivíduos atingidos
morreram de ataque cardíaco”, revelou ontem ao CM, Manuel
Carrajeta.
O clínico sabe que ainda não há dados científicos seguros e
surgem muitas contradições. Contudo admite como certo que o tiro
da arma dado à distância de sete metros provoca uma descarga de
50 mil volts e, “dá um atordoamento paralisante que, ainda não
está provado possa deixar sequelas a médio/longo prazo no
organismo humano”, pelo que a utilização deve ser um último
recurso.
"DEVEM SER USADAS APENAS EM SITUAÇÕES LIMITE"
“As pistolas eléctricas paralisantes – Taser – devem ser usadas
apenas em situações limite e nunca de forma indiscriminada. É
preciso legislar e regulamentar o seu uso no nosso país”, exigiu
ontem em declarações ao CM, o porta-voz da Secção Portuguesa da
Amnistia Internacional (SP), Vítor Nogueira.
Este responsável teme que, o facto da sua utilização poder ser
estendida à sociedade civil possa provocar graves problemas. Nos
Estados Unidos, “há casos de pais processados por utilizarem
estas pistolas contra os filhos, também existe registo de
violência conjugal onde estas armas estiveram presentes”,
revelou Vítor Nogueira.
Desde já e, “antes que seja tarde”, aquele dirigente da (SP)
considera urgente, “a investigação de todas as consequências que
a utilização das armas pode ter, ao mesmo tempo que deve ser
prestada toda a informação e formação aos polícias antes que
comecem a utilizar a pistola”.
A utilização da Taser não é alternativa à arma de fogo, “o que
deve acontecer é prudência na utilização de umas e outras”,
refere o porta-voz da SP em Portugal.
“O que se pretende evitar no País é o perigo da arma para a
saúde humana e, também que a sociedade civil a possa utilizar de
forma indiscriminada como arma de defesa, por exemplo na
actividade de segurança privada”, conclui.
PROIBIDA A CIVIS
A pistola eléctrica paralisante é de uso exclusivo das forças
policiais. No entanto, a nova lei das armas permite aos civis,
mediante licença, usarem armas eléctricas até 200 mil volts,
que, no entanto, são menos eficazes e não permitem utilização à
distância. “Não se pode pensar que a Taser vai substituir as
armas de fogo. É mais uma solução”, diz Magina da Silva.
MATÉRIA RESERVADA
A Direcção Nacional da PSP alegou razões de segurança para não
revelar o número de armas eléctricas adquiridas, o modelo de
aquisição e o respectivo preço unitário das Tasers. No entanto,
uma busca na internet permite adquirir uma destas armas por 399
dólares (sensivelmente o mesmo valor em euros) e recebê-la em
casa em três ou quatro dias úteis.
ARMAS EMD E STUNT
A Taser distingue-se das armas eléctricas de atordoamento pela
distâncias. As segundas, de tipo Stunt, exigem proximidade entre
o utilizador e o alvo. Além disso, e apesar de libertarem uma
corrente de 200 mil volts, o seu efeito é menos eficaz que o de
uma arma EMD, como a Taser e os seus 50 mil volts.
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Radares digitais e testes
para droga chegam à BT |
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A DGV participa com 2,1
milhões de euros e as verbas virão em parte das multas. Novos
meios facilitarão a criação de ficheiros
A Brigada de Trânsito vai receber, hoje, pela primeira vez
radares digitais e equipamentos para despistagem de droga. Os
novos equipamentos vão ser entregues numa cerimónia na Praça do
Império, em Lisboa, onde vai estar presente o ministro da
Administração Interna, Daniel Sanches.
Além dos radares digitais, num total de 30, e dos sistemas para
despistagem de droga (350 conjuntos) a BT vai também receber 76
viaturas, através da Direcção-Geral de Viação (DGV), o que
obrigou a um investimento de 2,1 milhões de euros.
Parte desta verba poderá advir das multas executadas pelas
forças policiais no controlo do trânsito, mas também de taxas
aplicadas pela DGV em áreas como, por exemplo, a instrução de
condução.
De acordo com fonte da BT, "os radares digitais eram um sistema
há muito desejado". Com efeito, o registo das imagens radar tem
sido feito até agora com película fotográfica, um "processo
moroso e caro", enquanto os novos sistemas são em suporte
digital, um processo mais simples e flexível. Um oficial da GNR
apontou ao JN que este sistema poderá, inclusive, facilitar o
envio por correio electrónico para um sistema integrado de
imagens referentes a uma viatura suspeita, para mais fácil
identificação, mas isso obrigaria a que os militares em patrulha
dispusessem de sistemas portáteis de recepção e envio de
mensagens. Em todo o caso, o oficial salientou que os "radares
digitais são um grande salto tecnológico". Aliás, acrescentou,
tem havido já alguma formação nesta área na BT, mas que deverá
continuar e ser complementada.
Os "kits" para despistagem de droga também não existiam na BT e
cada vez que havia a suspeita de uma condução irregular, mas em
que os testes de álcool nada provavam, o condutor era enviado
para o hospital mais próximo, para análise clínicas.
Os conjuntos para despistagem vão evitar esta situação e
permitir fazer no local as comprovações, mas não são conhecidas
as capacidades do equipamento e se vão abranger todos os tipos
de estupefacientes.
Quanto às viaturas, vão colmatar algumas falhas, mas sem
resolver o problema da falta de meios.
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Grupo de Operações
Especiais da PSP Munido com Pistolas Eléctricas Paralisantes
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O Grupo de
Operações Especiais da PSP tem ao seu dispor, desde há três
meses, pistolas que actuam através de descargas eléctricas - um
tipo de arma revolucionário mas que foi recentemente criticado
pela Amnistia Internacional por ser usada como instrumento de
tortura pelas tropas norte-americanas no Iraque e por,
alegadamente, não haver dados científicos sobre os seus efeitos.
Em Portugal, no
entanto, de acordo com o comandante do Grupo de Operações
Especiais (GOE), Manuel Magina da Silva, os futuros utilizadores
destas armas submeteram-se às suas descargas e garantem a sua
fiabilidade.
Por enquanto,
só este corpo de elite da PSP está a utilizá-las, mas há quem
defenda a sua vulgarização. A nova lei das armas - pronta há
mais de dois anos mas cuja aprovação tem sido alvo de sucessivos
adiamentos - prevê mesmo que qualquer pessoa possa adquirir uma
arma eléctrica, com potência até 200 mil "volts", caso tenha uma
licença própria para o efeito.
As Taser, como
são conhecidas - nome da empresa norte-americana que as inventou
- começaram a ser comercializadas em 1994 e, desde então, perto
de 40 polícias de todo o mundo, em particular norte-americanos,
passaram a usá-las como uma alternativa e um complemento às
armas de fogo.
Na Europa, o
modelo apenas agora começou a ser introduzido em larga escala,
munindo as autoridades britânicas e devendo, até ao final do
mês, equipar também a polícia francesa.
Os modelos mais
modernos, como os adquiridos pelos GOE portugueses, funcionam
através do disparo de dois dardos que, ao atingirem um
indivíduo, no máximo a sete metros de distância, descarregam
cerca de 50 mil "volts". Este choque interrompe as ligações
entre o cérebro e os músculos, provocando a imobilização da
vítima. Ainda assim, não são conhecidas lesões graves daí
directamente decorrentes.
Vários
especialistas têm, aliás, elogiado a eficácia das Taser,
nomeadamente por evitarem que se faça uso das armas de fogo,
frequentemente letais. Em Portugal, um dos países europeus em
que as polícias mais matam civis, a Inspecção-Geral da
Administração Interna recomenda mesmo a generalização da sua
utilização por parte da PSP e da GNR.
No mesmo
sentido, também um documento interno da PSP, chamado NEP (Norma
de Execução Permanente), relativo ao uso de meios coercivos,
aconselha as armas eléctricas.
"Iletalidade
garantida"
Segundo o
comandante Manuel Magina da Silva, essa prática não terá sido
alargada na PSP e na GNR, sobretudo devido ao elevado preço
deste armamento: uma Taser custa o mesmo que uma boa arma de
fogo (cerca de 500 euros) e os seus dardos, que funcionam como
munições, são também "caros".
Este
especialista em armamento refere que existem situações onde as
Taser podem ser muito importantes. É o caso, por exemplo, de uma
situação de tentativa de suicídio, em que a imobilização do
indivíduo durante alguns segundos pode evitar a sua morte; ou de
uma agressão com um pau ou uma faca, em que a resposta policial
com uma arma de fogo pode ser excessiva.
Quanto às
lesões causadas, o comandante dos GOE também não tem dúvidas: "É
de iletalidade garantida. Os registos de lesões derivados do seu
uso resultam de quedas, ocorridas na sequência da paralisação
dos músculos", afirmou. Confrontado com a possibilidade de as
Taser servirem para torturar pessoas, Manuel Magina da Silva
também desdramatiza: "As torturas podem ser feitas de muitas
maneiras, com uma simples pinha ou com uma corda. Não é preciso
uma arma destas".
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Polícia Municipal de
Lisboa tem novo comandante |
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O presidente da Câmara Municipal de
Lisboa, Carmona Rodrigues, conferiu a posse do cargo de
Comandante da Polícia Municipal ao comissário André
Gomes, em cerimónia realizada, ontem à tarde, no salão
nobre dos Paços do Concelho.
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O
empossado, que foi colocado naquela polícia como
comandante operacional em Maio de 2000, passou a exercer
as funções de segundo comandante em Julho de 2003 e era
o comandante em exercício desde Junho do corrente ano.
“O reforço, a dignificação e a modernização da nossa
Polícia Municipal são instrumentos fundamentais para uma
Lisboa moderna”, afirmou o presidente da Câmara, antes
de lembrar o contributo que aquela polícia teve e tem
“no domínio da requalificação urbana”, citando, como
exemplo, “o sucesso dos projectos de condicionamento de
trânsito nas zonas históricas em Lisboa, nomeadamente
Bairro Alto, Alfama e Bica”.
E dirigindo-se ao novo comandante, Carmona Rodrigues
concluiu com uma nota pessoal. “Nestes anos ficámos a
conhecer o seu trabalho e temos respeito pela sua
actuação, que nos tranquiliza a todos. Vamos continuar a
trabalhar com empenho e em conjunto no sentido de
proporcionar uma melhor qualidade vida para todos
quantos vivem no município de Lisboa”. Antes, já o novo
comandante da Polícia Municipal, que tem sob o seu
comando 394 mulheres e homens, tinha garantido ao CM que
o seu objectivo e o da Polícia Municipal “é assegurar
com eficácia o funcionamento da estrutura, no respeito
incondicional pelas opções tomadas pelo poder
autárquico”.
Natural de Vinhais, o comissário André de Jesus Gomes,
de 49 anos, ingressou na PSP em 1978 e possui uma folha
de serviços onde avultam quatro condecorações das forças
de segurança e sete louvores. Antes de ser colocado na
Polícia Municipal prestou serviço em Macau, na área da
formação ao Corpo de Intervenção local e colaborou na
segurança da cerimónia de transferência de poderes de
Macau para a China.
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Falta de vagas afasta
oficiais das chefias
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Os chefes e
subchefes da Polícia de Segurança Pública (PSP) que terminaram o
curso de formação para oficiais em Outubro e que deveriam já ter
sido promovidos a subcomissários não estão a desempenhar as
novas funções por falta de vagas no quadro.
Para os
sindicatos, esta situação deve-se ao facto de os concursos de
carreira estarem a ser impugnados e não ocorrerem as promoções
de oficiais. Para o director nacional da PSP, Branquinho Lobo -
que ontem falou ao DN à margem da sessão de abertura do ano
lectivo do Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança
Interna (ISCPSI) -, está-se a trabalhar para resolver
rapidamente o problema.
«Embora estando
habilitados para o exercício de funções de comando, cerca de 40
indivíduos estão ainda a desempenhar funções de nível inferior»,
explicou Carlos Resende, presidente do Sindicato Nacional dos
Oficiais de Polícia (SNOP). O grave é que estes profissionais
«fazem falta», pois, na realidade, há já oficiais em funções
numa categoria superior à que realmente têm na carreira, devido
à falta dos quadros que ainda não foram promovidos. «Existem
muitos comissários que já desempenham funções de subintendente
e, por sua vez, subcomissários que desempenham funções de
comissários», acrescentou.
Também Jorge
Soares, presidente da Associação Sindical dos Oficiais de
Polícia (ASOP), está preocupado com a falta de vagas no posto
inicial da carreira de oficiais. «Penso que nos próximos quatro
ou cinco meses não se registarão melhorias na situação»,
explicou. O dirigente da ASOP lembrou ainda que, se nada for
feito para solucionar o problema, os alunos que se vão licenciar
em Ciências Policiais, em Julho do próximo ano, também não vão
ter lugar nos quadros.
Em termos
práticos, estes profissionais estão a ser prejudicados também a
nível das remunerações. «Imaginando que os chefes ou subchefes
estavam no fim da sua carreira nesse posto, significa que os
primeiros estão a perder cerca de 150 euros no ordenado e os
segundos cerca de 300 euros», segundo Carlos Resende.
O director
nacional da PSP, Branquinho Lobo, reconheceu que o problema das
promoções «já se arrasta há vários anos», mas que a directora
nacional adjunta para a área dos recursos humanos está a tentar
resolver o assunto. «Só quem não o quer resolver é que diz que
pode ser resolvido imediatamente», comentou o director nacional
ao DN. Os sindicatos confirmaram ter conhecimento da existência
de uma proposta para o aumento do quadro de subcomissários, que
estaria a ser discutida entre a direcção nacional e o Ministério
da Administração Interna. Um conhecimento que não é «formal»,
uma vez que nunca foram chamados para debater o tema.
Questionado
sobre a existência da falta de vagas na carreira de oficiais, o
director do ISCPSI, o superintendente-chefe Alfredo Farinha
Ferreira, mostrou-se bastante surpreendido. «Não tinha
conhecimento do problema, mas pode acontecer», referiu ao DN no
final da cerimónia de ontem.
instituto.
Vinte anos depois da abertura do primeiro curso de formação de
oficiais de polícia, o presidente do ISCPSI reclama agora uma
clarificação da posição do instituto no seio do ensino superior.
«Qualquer dia, os oficiais podem formar-se em qualquer
universidade do País e seremos apenas uma grande gota de água em
todo o ensino superior», disse Alfredo Farinha Ferreira no
discurso durante a cerimónia.
O responsável
foi mais longe ao denunciar «sucessivos atropelos à autonomia do
instituto», embora tenha esclarecido que se estava a referir a
um balanço dos últimos 20 anos e não particularmente à situação
actual do ISCPSI.
No entanto, no
seu discurso disse que «a autonomia é hoje apenas letra de lei».
Branquinho Lobo diz que o instituto está a funcionar
normalmente, «apesar de haver um motivo de preocupação...» |
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Sindicatos não aceitam proposta do Governo |
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Ministério da
Administração Interna iniciou ontem ronda negocial para legislar
sobre promoções Sindicatos querem mais tempo
Os sindicatos da PSP não vão aceitar o projecto de decreto-lei
que redifine as carreiras dos chefes e agentes e que o
Ministério da Administração Interna (MAI) quer ver aprovado
dentro de dias em Conselho de Ministros.
A Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP)
defendeu ontem "não ser este o momento" para iniciar as
negociações de um novo decreto-lei com o MAI, pelo que "não dará
o seu aval ao documento". António Regala questionou mesmo "a
legitimidade do actual Governo, que está em gestão, para fazer
alterações profundas na PSP", salientando que a questão das
carreiras "é de importância relevante", pelo que "caso venha a
ser aprovado este projecto "o futuro dos polícias pode ficar
hipotecado".
O sindicalista, que ontem esteve reunido com dois assessores do
MAI, disse ainda "não estarem reunidas as condições" para a
aprovação, dado que "não houve tempo para estudá-lo nem para
compará-lo com o estatuto ainda em vigor", salientando que "não
é este decreto-lei que vai resolver o problema das promoções".
O Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP), que esteve
também na ronda sindical iniciada ontem pelo MAI com as nove
estruturas sindicais da PSP, garante que só dará o aval ao
projecto "caso este contemple as promoções por antiguidade,
elimine as regras de avaliação curricular, corrija as escalas de
antiguidade e altere as tabelas indiciárias".
Garantindo não pretenderem "ser cobaias de ninguém, dado que em
todas as forças policiais do país as pessoas são promovidas por
antiguidade", Domingos Chaves, do SPP, esclarece que o objectivo
do projecto "é fazer alterações pontuais ao decreto-lei 511/99 e
não alterá-lo por completo".
O Sindicato Independente dos Agentes de Polícia também não
aceita as promoções com base nas avaliações curriculares, o
mesmo acontecendo com a Associação Sindical Independente de
Agentes. Ambos rejeitaram o documento e pediram alterações.
Os oficiais garantem ser "os mais prejudicados" com este
projecto de decreto-lei, já que "são completamente esquecidos".
A Associação Sindical dos Oficiais de Polícia "não se vincula ao
documento", garante Jorge Soares, explicando que o projecto
"mais não é que uma tentativa de, com uma medida legislativa
avulsa, tentar pontualmente acalmar a convulsão generalizada que
se vive na PSP". O Sindicato Nacional dos Oficiais de Polícia
também não aceitou o documento e diz que "os oficiais estão a
ser marginalizados".

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Polícias desavindos
defrontam-se em tribunal |
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Dirigentes dos
dois principais sindicatos da PSP - a ASPP e o SPP -
encontraram-se ontem no Tribunal Criminal de Lisboa, mas de dois
lados distintos da barricada um como queixoso, outro como
arguido.
O conflito surgiu na sequência de uma notícia publicada no
semanário Expresso, em Dezembro de 2000, dando conta de que a
ASPP teria recebido dinheiro da Fundação para a Prevenção e
Segurança - uma estrutura criada no âmbito do Ministério da
Administração Interna. A ideia, segundo a notícia então
publicada, era através do financiamento fazer calar a ASPP.
A ASPP, no entanto, não aceitou a acusação de forma pacífica e
processou o semanário por difamação. No banco dos réus, além do
jornalista autor da notícia, acabou por surgir António Ramos,
presidente do SPP, acusado de ter prestado a informação. Joaquim
Barbosa, estava entre os dirigentes da PSP que testemunharam
pela acusação.
António Ramos remeteu-se ao silêncio logo na primeira audiência,
que teve lugar na semana passada, enquanto na sessão de ontem
Joaquim Barbosa dava conta ao tribunal de que a notícia tinha
provocado grandes prejuízos à Associação.
De acordo com este dirigente, a notícia motivou que muitos
agentes da PSP desistissem da sua condição de sócios, ao mesmo
tempo que os dirigentes eram alvo de suspeitas. O julgamento
prossegue dia 20.

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Burocracia põe a segurança
pública em risco |
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É impressionante a papelada que os agentes
têm de preencher quando detêm um cidadão. Um serviço que podia
ser feito por civis, libertando os polícias para funções de
segurança. A ideia é antiga, mas ainda não passou do papel.
A detenção
de qualquer cidadão e respectiva apresentação a Tribunal obriga
a tanta burocracia nas esquadras que os agentes levam horas para
preencher toda a papelada. Preocupante é o facto de, durante
todo o exercício burocrático da detenção, os agentes não serem
substituídos no patrulhamento. Na prática, isso significa, entre
outras coisas, que de cada vez que um agente prende um
criminoso, as ruas, nas horas seguintes, ficam livres de
policiamento. E se for um agente do carro patrulha é garantido
que o carro não regressa ao patrulhamento. Parece ridículo. Mas
é a verdade. Qualquer detenção e respectiva apresentação a juiz
obriga, no mínimo, ao preenchimento de oito ou nove impressos –
mas a mínima complicação pode rapidamente provocar uma vintena
de outros impressos a preencher. "Basta que a morada dada pelo
detido seja falsa", diz-nos um agente do Lumiar. Como não podem
deixar os casos para o dia seguinte, é frequente haver agentes
nas esquadras (muito para lá do seu turno de serviço) às voltas
com o correcto preenchimento dos formulários. Tudo isto sem que
daí venha qualquer acrescento ao vencimento.
Se um cidadão for encontrado na posse de um
carro roubado (coisa "simples" na gíria policial) isso obriga
logo ao preenchimento de cerca de dez documentos. "Dez
documentos numa coisa simples", enfatiza um chefe de esquadra
com mais de vinte anos de serviço. "Para serem só dez documentos
é preciso que não haja droga nem armas metidas ao barulho, se
não a coisa vai aí para os quinze ou mais" – sublinha o chefe
Marçal, da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia.
Para que o preenchimento dure apenas algumas horas é necessário:
que haja mais do que um computador livre na esquadra, que a
impressora tenha tinteiro e que o faxe funcione. Parece quase
ridículo mas é uma realidade constatável em muitas esquadras de
Lisboa, por exemplo. Garantidos todos estes pressupostos, basta
que a morada ou a identidade do detido não sejam confirmáveis
para que várias horas de trabalho extra sejam necessárias.
"Isso por cada detido! Agora contabilize o
papel que se preenche quando se trata de detenções com quatro
indivíduos de cada vez, que é o mais comum ultimamente !". Desde
o termo de identidade ao auto de notícia há um enorme rol de
papéis a preencher. "Chegam a sair do Tribunal antes de nós",
exclama um agente da 5.ª Divisão de Lisboa. "Só o trabalho que
dá para levar tudo bem feito E por vezes vêm para a rua num
ápice, até desmoraliza!", desabafa.
DOCUMENTOS QUE OS POLÍCIAS TÊM DE PREENCHER
SEMPRE QUE FAZEM UMA DETENÇÃO
1. AUTO DE DETENÇÃO
Aqui se relata toda a ocorrência, incluindo a
identificação dos intervenientes, o crime detectado, a hora, o
local e a forma de detenção.
2. FAXE PARA TRIBUNAL
Informa o Tribunal de quem ali será levado, o
motivo da detenção, etc...
3. CONSTITUIÇÃO DO ARGUIDO
Identificação do detido, seus Direitos e
Deveres. O documento é lido ao detido e o seu conteúdo
explicado. Depois, o detido assina.
4. IDENTIDADE E RESIDÊNCIA
Completa identidade do detido incluindo a
residência. O detido assina e toma conhecimento das condições a
que está sujeito
5. BOLETIM INDIVIDUAL
Estado de saúde do detido, antes e depois da
detenção. Ferimentos ocorridos e devidos à detenção ou sinais
que o cidadão já apresentasse. Contactos com advogados e
família. Hora de detenção e identificação.
6. AUTO DE DEPÓSITO
Relação dos bens encontrados na posse do
cidadão no acto da detenção.
7. LIVRO DE DETIDOS DA ESQUADRA
Data e hora de entrada; identificação;
comunicação ao Tribunal; advogados presentes, bem como data e
hora de saída.
8. VERIFICAÇÃO DE FICHA CRIMINAL
Ver se o detido tem notificações ou mandados
pendentes e proceder em conformidade.
9. COM ARMA
9.1 – Auto de Apreensão
Descrever toda a situação em que foi apreendida
a arma. Informar se é legal ou não, se foi roubada ou comprada,
a quem e em que circunstâncias...
9.2 – Auto de Exame e Avaliação
A qualquer objecto apreendido é atribuído um
valor pelo agente (?!). No caso das armas brancas, deve constar
a descrição da arma e o tamanho da lâmina.
10. COM DROGA
10.1 – Auto de Apreensão
Descrição da droga, tipo de acondicionamento e
circunstâncias
10.2 – Guia de Entrega de Produto Documento
onde se descreve a substância e quantidade apreendidas. O
produto e a guia são enviados ao COMETLIS que avalia o tipo de
produto e o estado de pureza.
10.3 – Original Teste Rápido
O COMETLIS emite documento com as
características do produto avaliado, para anexar ao processo.
10.4 – TCD Mod A (a droga)*
Trata-se de um formulário de página inteira
onde são inscritos vários dados sobre a droga apreendida. 10.5 –
TCD Mod B (a pessoas)*
Habilitações literárias do detido, hábitos de
consumo, família, profissão, etc...
*Formalmente, os dados inscritos nestes dois
modelos são para efeitos estatísticos.
VIDA DIFÍCIL
Deter um criminoso não é tarefa fácil, mas
preencher os documentos respeitantes à detenção também é
complicado. E se a identidade do indivíduo e a sua morada não
puderem ser confirmados, ou se o detido for estrangeiro, só para
saber se está legal é outro cabo de trabalhos.
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Suicídio na PSP
subavaliado |
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Em dez anos, houve 35
suicídios. Os sindicatos dizem que há mais casos de alcoolismo
«António»
(nome fictício) tinha 37 anos e era polícia em Lisboa. A pressão
do trabalho há muito que o deixara deprimido. Pediu ajuda.
Ninguém ouviu. Um dia não aguentou e pôs fim à vida, com um tiro
na cabeça. Nos últimos dez anos, 35 agentes da PSP cometeram
suicídio. Dados oficiais que, para a psicóloga Sandra Coelho, do
Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP), «ocultam a
realidade» de um fenómeno «subavaliado» no País. Uma visão
confirmada por duas das estruturas sindicais, mas refutada por
outra. O director do Gabinete de Psicologia da PSP diz que «o
suicídio nunca se esconde».
De acordo com a responsável do Gabinete de Psicologia do SPP, há
cada vez mais profissionais em risco e a realidade é
«escondida», porque os agentes não podem «falhar», e essa «é a
maior das falhas». Segundo explicou ao DN Sandra Coelho, as
estatísticas oficiais apenas dizem respeito aos suicídios com
recurso a arma de fogo ou, em raras excepções, por enforcamento.
«São as mortes visíveis, citadas nos media como casos pontuais»,
mas, acrescenta, existirão casos de agentes que recorrem, por
exemplo, à ingestão de comprimidos, «que nunca vêm a lume. Aqui,
a causa de morte pode ser apresentada como uma simples paragem
cardíaca». Também para Ernesto Peixoto, secretário-geral da
Associação Sindical Independente de Agentes da PSP, o suicídio
está subavaliado. «Sei de vários casos de colegas que atiram o
carro de uma ribanceira abaixo e esses não são contabilizados»,
contou, defendendo que factores como «trabalhar oito dias
seguidos sem folgar» agravam a situação. Daí que sejam cada vez
mais comuns situações de «baixas por doenças psicológicas» e
reformas antecipadas.
Já para Fernando Passos, «a contabilização do número de
suicídios é rigorosa e não há hipótese de existirem confusões».
E mostra-se optimista: «Desde 2001, quando o nosso serviço
abriu, que o número tem vindo a diminuir.» Uma leitura
partilhada por um dos maiores sindicatos, a Associação Sindical
de Profissionais da Polícia, que diz não haver subavaliação: «Os
agentes são pessoas como as outras, com problemas comuns», disse
o presidente Alberto Torres, para quem os suicídios não estão
necessariamente ligados à profissão.
Com uma visão contrária, Sandra Coelho alerta para a necessidade
de prevenção. «O grau de desespero e descontentamento é cada vez
maior e existem muitos profissionais que se encontram próximos
de atingir o limite», afirmou.
Alcoolismo. Há quatro anos, «Fernando» (nome fictício) pediu
para que lhe prolongassem o tempo de serviço nos Açores, para
dar apoio à filha que lá morava, na altura menor de idade. O
pedido foi negado e o agente da PSP voltou para o Porto,
«deixando a miúda perdida por lá» com a mãe. Daí ao alcoolismo
foi um passo. Casou-se, divorciou--se e viu na bebida um
«escape» à «enorme pressão no trabalho», aos «superiores que
mandam em vez de comandar». Hoje, com 51 anos, está recuperado,
mas não deixa de criticar a falta de apoio na PSP por considerar
que resolvem os problemas «com processos disciplinares».
Casos de alcoolismo são cada vez mais frequentes nas consultas
de Sandra Coelho. «E a desintoxicação é morosa, com taxas de
sucesso pequenas», diz. Fernando Passos desvaloriza: «A
população policial enferma de alguns males da população
portuguesa, mas não se pode dizer que é toxicodependente ou
alcoólica.»
Para a psicóloga, entre os factores de risco está a falta de
apoio familiar, com «muitos agentes, em início de carreira,
deslocados das famílias». As estatísticas do Gabinete de
Psicologia da PSP mostram o contrário: só cinco por cento dos
profissionais que ali acorrem estão longe de casa. Segundo
Fernando Passos, o stress profissional e a instabilidade
familiar são os principais responsáveis. O DN contactou a
Direcção Nacional da PSP, que nos remeteu para o Gabinete de
Psicologia. No entanto, o Gabinete de Relações Públicas garante
«que é dado todo o apoio aos agentes».
Utente é
homem e tem 16 anos de PSP
Oitenta e seis
por cento dos agentes que vão ao Gabinete de Psicologia da PSP
são homens. Mas, como o número de mulheres na polícia ainda é
reduzido, proporcionalmente são elas que mais procuram o
serviço. A maioria dos utentes tem entre 31 e 35 anos ou está na
faixa etária dos 41 aos 45. Normalmente têm cerca de 16 anos de
serviço. Destes, 7% são casados e têm dois filhos. Apenas 5%
estão deslocados da terra de origem e longe da família. Os
agentes que queiram entrar em contacto com este serviço podem
fazê-lo através de um número verde (800 212 312). Do outro lado
há um psicólogo 24 horas por dia.
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