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PJ Vai Fazer Greve às horas extraordinárias |
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Os funcionários
de investigação criminal da Polícia Judiciária (PJ) vão
anunciar, no máximo até segunda-feira, uma greve às horas
extraordinárias. Em breve, após um congresso do sindicato do
sector - Associação Sindical dos Funcionários de Investigação
Criminal (ASFIC) -, poderá ser anunciada uma greve geral de dois
a três dias.
A greve às
horas extraordinárias vai ter repercussões directas em centenas
de investigações em curso, sendo de prever que os sectores mais
afectados sejam os que se reportam aos crimes relacionados com
corrupção e tráfico de droga. Estas investigações fazem-se, na
maior parte dos casos, com recurso a escutas telefónicas e
vigilâncias, as quais se processam por períodos de 24 horas sem
interrupção.
A forma de luta
que agora vai ser anunciada estava prevista desde Março do ano
passado, altura em que um congresso da ASFIC a aprovou. Na
ocasião, depois de alguns contactos com a então ministra da
Justiça, Celeste Cardona, os investigadores da PJ ficaram a
aguardar que fosse aprovada a forma de pagamento ao trabalho
extraordinário (actualmente só são pagas, a 2,40 euros/hora, as
horas efectuadas entre as 17h30 e as 2h00). Posteriormente,
realizaram-se outras reuniões, quer com os responsáveis
ministeriais quer com a direcção nacional da PJ, sem que o
impasse se tivesse resolvido.
O
descontentamento dentro da PJ é latente há vários meses, ao
ponto de, actualmente, existirem no Tribunal Administrativo (em
comarcas de todo o país) centenas de participações de
investigadores.
Recentemente,
depois de o Governo ter desbloqueado verbas e acedido à
satisfação de problemas de outros agentes da Justiça, a
insatisfação interna na PJ intensificou-se. É que, em menos de
dois meses, o executivo não só libertou cerca de 11 milhões de
euros para efectuar os pagamentos atrasados aos advogados
oficiosos, como integrou nos quadros os funcionários judiciais
que estavam na situação de eventuais e lhes atribuiu um subsídio
relacionado com o trabalho extra. Também na PSP e no Corpo da
Guarda Prisional foram desbloqueados problemas relacionados com
a progressão nas carreiras e, no caso dos segundos, atribuído um
seguro de acidentes em serviço.
O PÚBLICO, em
contacto com o secretário-geral da ASFIC, Carlos Garcia, obteve
a confirmação do descontentamento generalizado entre os
investigadores, assim como a da realização da greve às horas
extraordinárias e de uma eventual paralisação total, a marcar,
durante dois ou três dias. "Após vários encontros, e sem que
nada se tivesse resolvido, chegou o momento de a ASFIC executar
o que foi deliberado no congresso efectuado há dez meses",
referiu aquele responsável.
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Insegurança: administração pública rouba agentes à PSP |
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Faltam 4 mil polícias |
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Saem das
esquadras de polícia para exercerem funções administrativas,
para vigiarem embaixadas e tribunais e até para ocuparem lugares
de motoristas. Só que os seus postos ficam vazios. E nas ruas,
acusam os principais sindicatos, já faltam quatro mil
profissionais ao efectivo da PSP - cerca de 21 mil homens e
mulheres.
“O quadro
orgânico da Polícia tem sido desfalcado de ano para ano”,
denuncia ao CM, António Ramos, responsável do Sindicato dos
Profissionais de Polícia. É que além de terem sido atribuídas à
PSP funções de investigação criminal, – que mobilizaram
profissionais de várias esquadras, – existem muitos agentes em
funções administrativas.
Um problema que, de resto, o ainda ministro da Administração
Interna, Daniel Sanches, elegeu como um dos mais graves no seio
da PSP na primeira visita que fez à Direcção Nacional, em
Novembro. Na altura, Sanches afirmou que a entrada de civis para
a PSP era “demasiado lenta”. “O Estado não pode continuar a
formar polícias para funções não policiais”, disse.
Alguns agentes, dizem os sindicatos, são deslocados para missões
específicas, como policiamento a escolas ou vigilância em
embaixadas. “Há dezenas de casos de polícias que são
requisitados para funções de motorista a vários níveis da
administração pública”, admite ao CM uma fonte da Direcção
Nacional da PSP.
Ao mesmo tempo o número de vagas de ingresso na PSP “reduziu de
mil candidaturas anuais para cerca de 700 de dois em dois anos”,
explica Alberto Torres, da Associação Sindical de Profissionais
da Polícia. Em Junho do ano passado abriu um concurso, mas as
aulas só começam em Junho deste ano. E só depois serão aceites
novas candidaturas.
Um período de tempo que suscita mais críticas. Jorge Soares, da
Associação de Oficiais da PSP, considera que a Escola Prática
devia funcionar com anos lectivos tal como os outros
estabelecimentos de ensino normais.
E aponta um outro problema. “A população policial está
envelhecida e sem motivação para trabalhar”, alegou. “Havia uma
expectativa de aposentação, mas as regras foram alteradas.
Agora, para entrarem em situação de pré-aposentação têm de
descontar. E muitos, para não o fazerem, continuam a trabalhar.
Sem estarem motivados”, denuncia o responsável da Associação de
Oficiais da Polícia.
OPERACIONAIS DA GNR NÃO CHEGAM PARA TANTO
“Não é possível trabalhar mais do que dois meses no limite. Os
postos da GNR estão no vermelho, as pessoas ficam cansadas e
instala-se a desmotivação.” José Manageiro, da Associação dos
Profissionais da Guarda, considera “muito grave” a situação que
se vive na GNR devido à falta de efectivos.
“Há postos, por exemplo na Grande Lisboa, que têm 20 militares
para uma população de 60 ou 70 mil pessoas. São situações de
ruptura”, defende. De acordo com o presidente da APG, os
militares que ingressaram na GNR no final dos anos 70, dois mil
por curso, estão agora em idade de reforma. E os ingressos, mil
por curso, não estão a ser feitos ao mesmo ritmo. “Os cursos
atrasam entre quatro a cinco meses.
Além disso, um despacho que previa a entrada de mil novos
militares continua por assinar”, referiu. “Há saídas para vários
serviços e os postos ficam sem ninguém”, resumiu.

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Questão orçamental
limita nova incorporação na GNR |
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Governo justifica falta de
recursos humanos na Guarda com dificuldades financeiras
Irregularidade nas incorporações pode atingir promessas de Paulo
Portas
O Ministério da Administração Interna (MAI) admitiu ao JN que as
lacunas nos recursos humanos na GNR estão directamente
associadas às limitações orçamentais. O MAI reagia assim à
notícia ontem publicada pelo JN, sem ser, no entanto, capaz de
garantir uma solução para breve em conjunto com o Ministério das
Finanças, não obstante as dificuldades do Comando da Guarda em
manter abertos todos os Postos.
Um dos maiores problemas prende-se com a preparação para um novo
curso de 1200 homens que devia ter sido iniciada em Outubro de
2004, mas que agora, em Janeiro de 2005, ainda não tem sequer o
despacho conjunto que permitiria desbloquear o processo.
O objectivo da Guarda era iniciar em Outubro o processo de
selecção, tendo em conta que no ano passado, por exemplo, para o
curso que começou em Dezembro de 2004 - que já se inciou com um
atraso de dois meses - concorreram mais de 15 mil jovens para
1100 vagas. "O processo é moroso, porque não pode haver falhas
na selecção", salientou uma fonte oficial do Comando-Geral da
GNR.
Ao princípio da noite de ontem, o Ministério das Finanças ainda
não tinha assinado o despacho, continuando a deixar assim a GNR
em suspenso, e sem garantias de em 2006 poder assegurar o
conjunto das missões. Em contrapartida, o número de homens que
está a passar à reforma é de 2650, lacunas que chocam com a meta
de um efectivo de 28.004 homens e mulheres, previsto no
decreto-lei assinado em janeiro de 2002. A meta não só não foi
atingida como o diferencial chega aos três mil homens.
As consequências são preocupantes e podem vir a atingir,
inclusive, um dos principais projectos de Paulo Portas, enquanto
ministro da Defesa. Com efeito, segundo uma fonte militar, Paulo
Portas ofereceu como contrapartida aos jovens voluntários para
as Forças Armadas a possibilidade de ingresso na GNR, logo que
terminasse a situação de contrato, uma medida que se integra nos
incentivos, mas a verdade é que a incerteza que está a envolver
a realização de cursos na Guarda - com atrasos consecutivos -
pode atingir gravemente as expectativas criadas aos jovens.
É que além das provas de selecção, que definirão se tem ou não
perfil para a GNR, uma vez que a entrada não é automática, o
jovem em vez de uma perspectiva de carreira certa pode sim ter
pela frente meses de incerteza, contrariando as expectivas que
lhe foram criadas nos quartéis das Forças Armadas.
Associações
profissionais apostam na reorganização
A APG e a ASGNR, duas das associações da GNR, apostam na
reorganização daquela força militar de segurança para inverter a
falta de efectivos no patrulhamento. José Manageiro lembra que
alguns dos postos não têm condições para funcionar, dado o
reduzido número de militares, e salienta os "sacrifícios que por
vezes os militares têm que realizar para garantir a segurança
das populações". José Manageiro lembra, também, que a questão
não se reduz aos praças, e que atinge também sargentos e
oficiais. No entanto, um e outro, salientam a necessidade de
fazer entrar civis na Guarda, para libertar os "polícias" para o
patrulhamento e para as restantes missões. O MAI, no entanto,
não tem resposta para esta solução, não obstante o o próprio
ministro Daniel Sanches já a ter referido, mas sem agendamento.
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Ruptura iminente na GNR
pode obrigar a fechar postos |
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Escândalo
Falta de militares ameaça patrulhamento de Verão nas praias e
prevenção frente aos incêndios florestais
Governo ainda não autorizou abertura de novo curso de guardas
"Há postos que só não os fechamos por uma questão de imagem da
Guarda e porque as populações e as autarquias não o entenderiam.
Não há efectivo para dar resposta a tantas necessidades". As
considerações são tecidas ao JN por um alto responsável da GNR e
espelham o ambiente de extrema preocupação que grassa naquela
força de segurança. É que o número de militares que passa à
reserva é sempre maior do que aquele que entra nas fileiras e a
qualidade do patrulhamento, a segurança pública, afinal a
principal missão da Guarda, pode ficar em causa.
"O Governo conhece as grandes lacunas existentes nos efectivos e
é difícil garantir todo o necessário dispositivo de segurança.
Mas também temos solicitações apreensivas por parte das
autarquias, com receio de termos que fechar postos. São opções
difíceis de conciliar", salientou um outro alto responsável da
GNR.
Fonte do Comando-Geral da GNR - sempre relutante em admitir
falhas na garantiade segurança - admitiu ao JN que a perda de
recursos humanos "tem sido regular" e que os novos cursos "não
chegam para preencher o lugar daqueles que saem". A mesma fonte
admite que o défice é da ordem dos 15 por cento, ou seja, cerca
de três mil elementos durante o ano que decorre . Medidas de
recurso têm sido aplicadas, como a afectação de efectivos da
Investigação Criminal ao atendimento nos Postos durante o
período de Natal e Ano Novo. Mas são poucos a defender a sua
aplicabilidade.
Quanto ao novo curso para 1100 homens, o comando assume que o
processo de selecção de voluntários já deveria ter sido iniciado
em Outubro, para que a "formação de novos guardas começasse em
Janeiro". O objectivo era conseguir iniciar, no início do Verão,
o estágio dos militares nos postos, mas o despacho conjunto dos
ministérios da Administração Interna e das Finanças, que
permitiria o início do curso, ainda não foi assinado. Ou melhor,
Daniel Sanches já assinou, mas Bagão Félix ainda não deu
resposta.
Os contactos têm sido constantes entre o comandante-geral da
GNR, general Mourato Nunes, e Daniel Sanches no sentido de
conseguirem uma resposta mais rápida, mas até à noite de ontem
não existia ainda uma solução.
O JN sabe, no entanto, que estarão já estar a ser consideradas
medidas de excepção para fazer face ao problema. "Poderemos ter
que reduzir o curso de formação em um ou dois meses", admitiu um
alto responsável da corporação. A dúvida que se coloca é se esta
redução no tempo de formação não conduzirá também à redução da
qualidade dos novos elementos da GNR.
"Tentaremos um esforço sumplementar e aumentar a carga horária
na formação. Se assim não for corremos o risco de chegar ao
Verão e não termos gente suficiente. E há empenhamentos que não
podem ser adiados, como, por exemplo, o reforço do patrulhamento
nas praias e o patrulhamento das áreas florestais para enfrentar
os risco de incêndio", refere a mesma fonte.
Investigação perde
elementos
As medidas na GNR para obstar à crise nos recursos humanos têm
passado por várias fases e uma delas é a redução dos homens e
mulheres afectos aos serviços administrativos para os colocar no
patrulhamento. Mas as iniciativas não têm sido suficientes, uma
vez que novos serviços, como a investigação criminal, têm sido
criados para fazer face a novas competências atribuídas pelos
governos. E a própria Investigação Criminal (NIC) tem sofrido
pressões que podem pôr em causa a sua principal missão. No
período de Natal e Ano Novo foi emitida uma directiva que
colocava os investigadores no serviço de atendimento nos postos,
libertando os "fardados" para o patrulhamento. Na Brigada 2, com
sede em Lisboa, a medida acabou por não ser efectivada, uma vez
que. após reuniões. os comandos concluíram que não fazia sentido
colocar esses homens a mostrar o rosto, quando, afinal, o
objectivo é precisamente o inverso. Nos destacamentos de Almada
e Montijo, no entanto, a medida acabou por ser executada, mas
com custos que estão ainda longe de poderem ser medidos.

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PSP Quer Reforçar
Investigação de acidentes de viação |
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A PSP quer dar
mais formação aos agentes para reforçar a investigação de
acidentes de viação. Três elementos da polícia fizeram um curso
em Espanha, com vista a constituir um grupo de formadores que,
por sua vez, irá transmitir informação ao dispositivo da força.
Com esta
iniciativa, a PSP quer "reajustar a formação inicial" sobre
trânsito que é dada em todos os cursos de agentes, subchefes e
oficiais, segundo o gabinete de comunicação e relações públicas
daquela força de segurança. Além de legislação e metodologias de
fiscalização, os agentes aprendem, no curso inicial, aspectos
relacionados com o tratamento de acidentes de viação.
Os elementos
destacados nas unidades de trânsito têm depois uma formação
específica mais aprofundada. Uma das componentes prende-se com a
resolução de acidentes, quer em relação ao levantamento inicial
de dados e eventuais vestígios, quer na elaboração de inquéritos
que daí decorram.
A PSP reconhece
que "os acidentes de trânsito requerem da polícia uma cada vez
maior e melhor preparação para a sua abordagem e tratamento".
Nesse sentido, os três elementos da PSP receberam formação em
Espanha na vertente exclusiva de investigação de acidentes
rodoviários. Essa acção permitirá criar um grupo de formadores
que poderão dar uma melhor preparação aos agentes.
A Brigada de
Trânsito (BT) da GNR criou equipas especializadas de
investigação de acidentes rodoviários graves, a nível criminal e
técnico. Os agentes estão distribuídos por 21 núcleos em todo o
país e são chamados a intervir quando há vítimas ou estão
envolvidos veículos de transporte escolar, transporte público de
passageiros e de matérias perigosas. As equipas da BT também
deverão deslocar-se ao local do sinistro quando o acidente tiver
características estranhas ou peculiares.
A actuação
destas equipas é semelhante à dos investigadores do foro
criminal da Polícia Judiciária quando chegam à cena de um
homicídio. Recolhem informações tão específicas como a dos
rastos de travagem ou a qualidade dos pneus dos carros
envolvidos no acidente.
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Director da PSP tem a
confiança do ministro |
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O ministro da
Administração Interna mantém a confiança no director nacional da
PSP, José Branquinho Lobo, disse ao DN fonte oficial do gabinete
de Daniel Sanches. A questão da incapacidade do magistrado,
decretada por uma junta médica em Abril de 2002, voltou ontem a
emergir, mas segundo o gabinete do ministro está completamente
ultrapassada.
O assunto tinha já sido levantado pelo semanário O Independente,
em Setembro de 2003, mas, esta semana, um blogue na Internet (rprecision.blogspot.com)
recuperou-o, acrescentando o valor da reforma auferida por
Branquinho Lobo, aprovada pelo Conselho Superior da Magistratura
em 28 de Junho de 2002. O desembargador recebe 5320 euros da
Caixa Geral de Aposentações, aos quais acrescenta um terço do
salário correspondente à função de director nacional da PSP,
como a lei permite.
O director nacional da PSP confirmou que foi considerado
desadaptado devido a «um princípio de depressão», que resultou
do regresos às funções de juiz desembargador. Isto não impediu
que, em 2003, José Branquinho Lobo fosse nomeado inspector-geral
da Segunrança Social pelo então ministro Bagão Félix. Em 2004,
foi nomeado por Daniel Sanches - de quem é amigo pessoal -
director nacional da PSP.
Branquinho Lobo diz que as funções de inspector-geral da
Segurança Social e director nacional da PSP lhe permitem
trabalhar em grupo e não isolado. Em relação à reforma, o
director nacional da PSP afirma que quem gere a conta é a sua
mulher, acrescentando que o desempenho das novas funções o
obrigam a prescindir de 600 euros na pensão, relativos a
subsídio de renda e passe para transportes públicos.
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Finanças Aceitam
Pagar Horas ao SEF |
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O secretário de
Estado das Finanças assinou, na quinta-feira, a portaria que
prevê o pagamento das horas extraordinárias aos funcionários de
investigação do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). Não
se sabe, no entanto, se o documento terá ou não efeitos
retroactivos, pelo que a greve de três dias prevista para os
dias 22, 23 e 24 deste mês não foi ainda desconvocada.
Segundo o
presidente do Sindicato do Pessoal de Investigação e
Fiscalização do SEF, Gonçalo Rodrigues, o facto de no Ministério
das Finanças ninguém ter querido dizer se o documento agora
assinado tem efeitos rectroactivos (os montantes devidos
remontam a Janeiro de 2001, havendo valores em dívida superiores
a mais de 5000 euros a cada um dos 550 funcionários em causa),
faz com que a greve de três dias (a mais longa desde agora) não
tenha ainda sido desconvocada.
Desconhece-se
ainda se documento, que deverá ser publicado em breve em "Diário
da República", fará ou não referência às mais de 3000 horas
extra que os polícias em causa fizeram quando do Euro 2004, em
Junho.
Refira-se, por
fim, que apesar de o Estado dever dinheiro há mais de quatro
anos, houve diversos pareceres de auditorias jurídicas
(inclusive do Ministério da Administração Interna, que tutela o
SEF) a dar razão aos funcionários em causa.
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Forças de segurança
não aceitam candidatos com HIV |
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«Os Verdes»
pedem esclarecimentos ao Governo. PDiário fez denúncia em 2004
O partido
ecologista «Os Verdes» pediu ao Ministério da Administração
Interna que esclareça por que é que os candidatos a integrar as
forças de segurança são obrigados a fazer testes de despistagem
de Sida. Tal como o PortugalDiário avançou em Abril do ano
passado, os candidatos são automaticamente excluídos dos
concursos públicos se o resultado for positivo. E isto, segundo
as informações recolhidas na altura na nossa reportagem, é
inconstitucional.
No requerimento
que apresentou na Assembleia da República, a deputada Isabel de
Castro considera a situação grave: «Constitui uma discriminação
intolerável e uma inaceitável violação dos direitos humanos».
PSP, GNR e SEF
confirmaram em 2004 ao PortugalDiário que os candidatos são
sujeitos a várias testes médicos, incluindo o teste de
despistagem de HIV. Se o resultado for positivo, os candidatos
são considerados não aptos. Mas as regras não estão escondidas,
aliás estão publicadas em Diário da República.
Nas tabelas de
inaptidão, aprovadas nos regulamentos de recrutamento para as
forças de segurança, a «imunodeficiência adquirida por vírus de
imunodeficiência humana», aparece como doença de exclusão. «Esta
situação é claramente inconstitucional e é inadmissível»,
afirmava ao PortugalDiário o constitucionalista Pedro Bacelar
Vasconcelos. Isto porque o HIV não diminui a capacidade do
portador de efectuar qualquer actividade física ou mental.
Assim, «Os
Verdes» interrogam o Executivo: «Que medidas já adoptou o Senhor
Ministro para pôr termo a este comportamento totalmente ilegal e
que colide frontalmente com o disposto na Constituição da
República Portuguesa?»
As aparentes
ilegalidades não acabam por aqui. O partido lembrou o que o
nosso jornal também já tinha denunciado - a Comissão Nacional de
Protecção de Dados (CNPD) deve ser informada de todos os pedidos
de testes de HIV que incluam o tratamento de dados. O que não
acontece. Em Abril de 2004, a Comissão garantia ao
PortugalDiário que, como não tinha chegado qualquer pedido por
parte das forças de segurança, abririam um inquérito para
averiguações.
A este
propósito, a deputada também pergunta: «Que conhecimento tem ou
não esse Ministério de que a Comissão Nacional de Protecção de
Dados accionou já mecanismo (inquérito) para apuramento de
responsabilidades neste domínio?»
Questões que
podem vir a ter resposta no Parlamento, caso o ministro da
Administração Interna aceite o desafio do partido «Os Verdes».
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Lisboa: agentes da PSP põem em risco aviação civil |
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Sexo com passageira põe aeroporto
em perigo |
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Seis agentes
da PSP abandonaram durante a noite os postos de serviço no
Aeroporto de Lisboa e puseram em causa a segurança da aviação
civil. A queixa já foi apresentada ao comandante da PSP de
Lisboa por um alto funcionário da segurança do aeroporto. Como
provas do comportamento dos agentes, seguiram para o comando da
PSP gravações feitas no circuito fechado de televisão (CCTV) do
aeroporto e testemunhos de funcionários da TAP e da Securitas.
O caso remonta
a finais do ano passado. Um agente fardado abandonou o posto,
circulou com uma passageira em zonas de acesso reservado e de
segurança. Os dois foram vistos a trocarem escaldantes carícias
e a trancarem-se numa casa de banho.
Ao longo da noite, o agente levou a passageira numa digressão
por diversos locais do aeroporto, tendo ‘furado’ várias normas
de segurança, disse uma fonte do aeroporto ao CM. O nosso
jornal, de resto, confirmou várias passagens por locais
sensíveis do aeroporto sem respeito pelas normas de segurança.
Juntaram-se ao casal mais cinco agentes da PSP que abandonaram
os postos.
Nessa noite, ao todo, seis homens, da PSP do aeroporto
abandonaram os postos de segurança. São acusados de terem posto
em causa a segurança da aviação civil. Os agentes foram
monitorizados fora dos locais de serviço.
A PSP apenas confirma “a existência de uma denúncia sobre o
comportamento estranho de um agente” que “já deu origem a
processo disciplinar”. Sobre a eventualidade das imagens
mostrarem intimidade entre o agente e a passageira, Hipólito
Cunha, das Relações Públicas da PSP, afirmou desconhecer as
imagens por estas acompanharem o processo. “O agente, e os
outros cinco denunciados, continuam ao serviço até à conclusão
do processo”, disse.
A queixa apresentada à PSP aponta o pormenor de uma funcionária
da TAP (com acesso autorizado a uma zona reservada) ter sido
impedida de o fazer por três agentes entre as 23h18m e as
23h35m. hora a que o polícia e a passageira estariam em
intimidades naquele local.
O QUE FICOU SEM VIGILÂNCIA
A Divisão de Segurança Aeroportuária da PSP tem cerca de 350
operacionais colocados no aeroporto de Lisboa. Estes asseguram
funções de vital importância, tais como: patrulhas na gare e no
perímetro do aeroporto; controlo de trânsito; acompanhamento a
personalidades; segurança em diversos postos fixos; intervenção
rápida, para maiores alterações da ordem; prevenção criminal
(trajando à civil fazem investigação e prevenção de crimes tão
diversos como o trafico de droga, o roubo, furto ou outros); e a
monitorização das centenas de cameras do circuito interno de
televisão do aeroporto.
Uma equipa de Inactivação de Explosivos está em permanência
colocada de prevenção nesta divisão. A todas estas missões
acrescem os serviços extra remunerados (não obrigatórios).
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Director da PSP Recebe
5320 Euros de Aposentação da
magistratura |
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O director
nacional da PSP, José Manuel Branquinho Lobo, foi considerado
incapacitado para o exercício da magistratura, depois de ter
sido sujeito a uma junta médica, em Abril de 2002. Esta situação
fez com que passasse prematuramente à situação de jubilado,
recebendo desde então por inteiro a pensão de reforma, cifrada
actualmente em 5320 euros.
A situação foi
exposta na quarta-feira na Internet, num blogue de um advogado (www.rprecision.blogspot.com)
que, alertado por algumas "informações que recolheu no meio
judicial", resolveu por sua conta investigar junto da Caixa
Geral das Aposentações e de outras entidades.
Branquinho Lobo
confirmou ao PÚBLICO ter sido aposentado por "desadaptação", "por
um princípio de depressão" originado pelo seu regresso às
funções de juiz desembargador. "Depois de 13, 14 anos sem
exercer essa actividade passei a trabalhar sozinho, em casa, e
não me adaptei", salientou, corroborando a existência de uma
baixa médica e do consequente relatório da junta da Caixa Geral
das Aposentações atestando os seus problemas psicológicos.
Um ano depois,
contudo, essa situação alterou-se. De acordo com as suas
declarações, a função para a qual foi convidado, em 2003, pelo
então ministro do Trabalho e da Segurança Social, Bagão Félix,
para o cargo de Inspector-Geral da Segurança Social,
permitia-lhe "trabalhar em grupo". O mesmo sucede agora,
enquanto comandante da PSP. "Voltei a trabalhar em grupo - note
bem: em grupo - rodeado de pessoas que eu escolhi e que já
conhecia da Inspecção da Segurança Social", frisou.
Branquinho Lobo,
nomeado comandante da PSP após a tomada de posse, como
primeiro-ministro, de Santana Lopes, disse também manter, de
facto, a pensão de aposentado (autorizada a 28 de Junho de 2002,
em "Diário da República", pelo Conselho Superior da Magistratura).
Mas afirmou desconhecer o seu valor exacto. "É a minha mulher
quem gere a conta", referiu, admitindo no entanto que o valor
poderá rondar os 5320 euros brutos.
Branquinho Lobo
acrescentou que assim que voltou a trabalhar para o Estado
apenas ficou com um terço do salário correspondente às funções.
O mesmo sucede,
garantiu, como director da PSP, cargo que ocupa desde 30 de
Julho de 2004. "A lei determina que os aposentados possam ganhar
de um terço até três terços do salário correspondente. Eu estou
a receber cerca de 1200, 1300, 1400 euros líquidos", disse,
aduzindo que o desempenho de novas funções o obriga a prescindir
de parte da sua pensão de aposentação: "120 contos de subsídio
de renda e passe de transportes públicos."

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SEF: Governo
dá «suplemento de serviço» |
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Mas inspectores mantêm greve marcada para final
de Janeiro
Os ministros
das Finanças e da Administração Interna assinaram hoje uma
portaria que regulamenta o "suplemento de serviço" dos
investigadores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, mas
mantém-se a greve para entre 22 e 24 de Janeiro.
Uma nota de
imprensa governamental indica que os ministros Bagão Félix e
Daniel Sanches cumpriram o que estava consignado no Estatuto de
Pessoal do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), ao prever
"a necessidade de regulamentação em diploma autónomo" daquele
suplemento salarial.
Contactado pela
Agência Lusa para se pronunciar sobre o diploma conjunto dos
ministros das Finanças, Bagão Félix, e da Administração Interna,
Daniel Sanches, o presidente do Sindicato da Carreira de
Investigação e Fiscalização (SCIF/SEF), Gonçalo Rodrigues,
reagiu com reserva.
"O suplemento
de serviço é uma compensação para as horas extraordinárias. Nas
negociações que mantivemos com o Ministério da Administração
Interna, foi-nos prometido o pagamento retroactivo a Janeiro de
2002 das horas extraordinárias, mas não sabemos se tal ficou
inscrito no diploma hoje assinado, pelo que a greve para o final
de Janeiro mantém-se", disse à Agência Lusa o dirigente sindical.
Depois de uma
paralisação a 27 de Novembro de 2004, para exigir o pagamento
das horas extraordinárias em atraso, os inspectores e
fiscalizadores do SEF voltam à greve entre 22 e 24 deste mês
invocando as mesmas razões.
"Ainda hoje
estivemos a combinar os serviços mínimos com o director-geral do
SEF", realçou Gonçalo Rodrigues.
"Desde Janeiro
de 2002 que os cerca de 600 inspectores do SEF estão à espera de
receber horas extraordinárias. Neste momento, o montante em
dívida já deve ultrapassar os três milhões de euros", segundo o
SCIF/SEF.
A estrutura
sindical alega que a greve é também um protesto por o Governo "não
cumprir o que prometeu", lembrando que a greve marcada pelos
inspectores para o período do Euro 2004 só foi desmarcada depois
de o ministro da Administração Interna de então, Figueiredo
Lopes, ter garantido o pagamento das dívidas, o que "nunca foi
feito".
Os inspectores
do SEF já realizaram várias greves de protesto pela falta de
pagamento das horas extraordinárias em atraso desde 2002.
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Polícia
Britânica Entre as Piores do Mundo |
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O Reino Unido
tem uma das polícias mais ineficazes do mundo e uma das taxas de
crime mais elevadas. Esta foi a principal conclusão de um estudo
realizado pela Civitas - uma das maiores empresas de sondagens
britânica. O relatório foi publicado no início da semana passada
e afirma que o Reino Unido é um dos países que mais mal têm
lidado com o aumento da criminalidade que começou a atingir os
países ocidentais nos anos 60. Como resultado, o país tem uma
das maiores taxas de criminalidade de sempre.
Em resposta à
análise feita pela Civitas, o Ministério do Interior afirmou que
"comparar com outros países pode levar muitas vezes a enganos e
a interpretações erradas". "Os números estão a baixar e não a
aumentar", adiantou ainda um comunicado do Ministério.
O relatório -
intitulado "Culturas e Crimes: Policiamento em Quatro Nações" -
avalia os métodos utilizados pelas forças policiais britânicas,
francesas, alemãs e norte-americanas e conclui que em todos
estes países houve um aumento da criminalidade e de
comportamentos anti-sociais durante as últimas quatro décadas.
"Após a revolução cultural dos anos sessenta, houve uma mudança
das normas morais socialmente aceites. Desde aí, a criminalidade
não parou de aumentar no países desenvolvidos", conclui o
relatório, que cita números oficiais. Entre 1964 e 2004, o
número de assaltos a residências aumentou de 72 mil para 402 mil
e o número de assaltos à mão armada teve um impressionante
aumento de três mil para 101 mil.
Representantes
da polícia negaram as acusações. "Não podemos concordar com as
conclusões do relatório", afirmou na passada segunda-feira o
presidente da Associação de Superintendentes da Polícia
britânica, Rick Naylor. "Estes números analisam um longo
período, que começa nos anos sessenta, quando ainda não existiam
telemóveis ou câmaras de vídeo. Entretanto, já houve muitas
mudanças, inclusivamente na forma como são recolhidos os dados
para estatística. Hoje em dia, se um assalto é gravado pela
câmara de uma loja, ele conta para as estatísticas", acrescentou
Naylor.
Número de
agentes aumentou menos que crimes
Os ingleses,
que até meados do século passado tinham uma das mais baixas
taxas de criminalidade do mundo, durante muitos anos
recusaram-se a aceitar uma realidade oposta e, no início dos
anos 90, enquanto outros países começavam a combater os
problemas relacionados com crime e desordem pública, os
intelectuais britânicos continuavam a afirmar que estes
problemas eram produto da imaginação dos ignorantes.
Como resultado,
a polícia não acompanhou o aumento da criminalidade e, enquanto
o número de crimes e criminosos não parou de aumentar, o número
de polícias ingleses estagnou. Segundo a Civitas, em 1921 havia
57 mil guardas e uma média de 103 mil crimes por ano, o que dá
uma média de dois crimes por polícia. Em 2003, o número de
polícias aumentou para 134 mil, mas que lidam com 5,9 milhões de
crimes por ano - 44 crimes por agente.
Ainda assim, o
relatório afirma que este não é o principal motivo para o
aumento da criminalidade: "A atitude da polícia britânica faz
com que cometer um crime seja uma actividade de baixo risco",
explicam Norman Dennis e George Erdos, autores do relatório.
Dennis e Erdos
defendem que a razão do sucesso da polícia nova-iorquina é a
política de "broken windows" (janelas partidas), na qual a
polícia está atenta a movimentos suspeitos e a pequenos crimes e
actua antes que crimes maiores sejam cometidos. Esta foi a
política que esteve na base da Scotland Yard e era prática de
toda a polícia britânica, que espalhava centenas de agentes de
vigia nas ruas. No entanto, segundo o relatório, nas últimas
décadas, a atitude da polícia britânica tem mudado radicalmente.
Entretanto, muitos países adoptaram a técnica dos "bobbies"
londrinos e, de acordo com os dois autores, têm conseguido muito
melhores resultados do que a actual polícia britânica.
Entretanto,
alguns polícias britânicos têm vindo a defender que uma solução
para combater a criminalidade é tirar os agentes de dentro dos
carros e colocá-los de novo nas ruas.
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Multas Vão Passar a
Ser Pagas no Momento da Infracção |
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O novo Código
da Estrada, que ainda tem de ser promulgado, prevê que as coimas
sejam pagas de imediato, no momento em que é cometida a
infracção. No caso do condutor pretender contestar a sanção
aplicada, tem de fazer um depósito no mesmo valor e só receberá
a devolução se conseguir provar que tem razão. O condutor tem
mesmo de desembolsar o dinheiro da coima, mas a futura
legislação regulamentar só deve permitir o pagamento por
Multibanco ou por cheque, sem qualquer recurso a dinheiro.
Actualmente, só
os cidadãos residentes no estrangeiro ou os condutores com
coimas em atraso são obrigados a pagar as multas no momento em
que são fiscalizados pelas forças policiais, através do sistema
automático em terminais portáteis semelhantes a Multibanco. No
caso do condutor residente em Portugal não ter dinheiro, cartão
de débito ou cheque para saldar a quantia em atraso, recebe uma
guia de pagamento válida por 24 horas. Em relação à multa que é
aplicada no momento, o infractor tem 20 dias para liquidar a
quantia, depois de ser notificado.
No novo Código
da Estrada, que está nas mãos do Presidente da República para
promulgação, "o pagamento voluntário da coima deve ser efectuado
no acto da verificação da contra-ordenação", segundo número 1 do
artigo 173.º. No caso de o condutor não pretender fazer o
pagamento imediato da coima, "deve prestar depósito, também
imediatamente, de valor igual ao mínimo da coima prevista".
Este depósito
serve para "garantir o cumprimento da coima em que o infractor
possa vir ser condenado, sendo devolvido se não houver lugar a
condenação", lê-se no texto. No caso da coima ou do depósito não
serem liquidados pelo infractor e proprietário do veículo, a
polícia pode apreender os documentos da viatura e a carta de
condução.
Esta alteração
ao modo e ao "timing" do pagamento de coimas não constava da
proposta inicial do Governo sobre o Código da Estrada discutida
em Conselho de Ministros, em Maio de 2004. A nova versão, que
obriga ao pagamento imediato da coima ou de um depósito em seu
lugar, foi enviada ao Parlamento e, segundo o presidente da
subcomissão rodoviária, Nelson Baltazar, provocou alguma
polémica, durante a discussão do documento. As dúvidas
colocaram-se sobretudo em relação ao modo de pagamento que deve
ser posteriormente determinado em leis regulamentares.
"Pretendemos que só possa haver pagamentos por Multibanco ou
cheques passados à ordem de uma entidade como a Direcção-Geral
de Viação ou outra para impedir que se regresse a esquemas dos
cidadãos puxarem de um maço de notas para pagar", disse ao
PÚBLICO Nelson Baltazar. Esta ideia, acrescentou, foi subscrita
por boa parte dos deputados que integram a subcomissão.
O princípio de
que, à partida, o cidadão é considerado prevaricador está
presente em todo o novo Código da Estrada, segundo Nelson
Baltazar, e traduz uma mudança de espírito na legislação
portuguesa sobre segurança rodoviária. "É uma filosofia
discutível, mas sem dúvida que é diferente da actual", afirmou o
deputado socialista.
O deputado do
PS Vitalino Canas partilha da ideia de que o princípio que
obriga o cidadão a pagar primeiro e a contestar depois "é uma
mudança epistemológica muito dura e muito radical". No entanto,
sublinha que este mecanismo também existe noutros países. "Não
me repugna que quando haja infracções estradais graves - e que
põem em risco pessoas e bens - ser obrigado a pagar de imediato,
embora tenham que existir mecanismos legais a que se possa
recorrer no caso de se considerar que a coima é injusta",
sublinha o jurista e membro da Comissão Parlamentar de Direitos,
Liberdades e Garantias. |
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