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Polícias expressam «profunda preocupação» |
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Pelas medidas anunciadas pelo Governo, nomeadamente as
respeitantes aos subsistemas de saúde das duas corporações
Os cerca de dois mil profissionais da PSP e da GNR que se
manifestaram hoje em Lisboa expressaram "profunda preocupação"
pelas medidas anunciadas pelo Governo, nomeadamente as
respeitantes aos subsistemas de saúde das duas corporações.
O ministro de Estado e da Administração Interna, António
Costa, anunciou que os subsistemas de saúde da PSP e da GNR
serão equiparados ao regime da ADSE (Assistência na Doença aos
Servidores do Estado), o que, para os polícias e guardas,
representará "uma diminuição de regalias".
No âmbito da manifestação de hoje, na Praça do Comércio, foi
entregue no Ministério da Administração Interna (MAI) uma moção
a expressar "profunda preocupação pelo conjunto de medidas que o
Governo pretende implementar no âmbito das forças de segurança".
O texto faz referência "ao fim dos subsistemas de saúde,
congelamento da progressão nas carreiras e subsídios e aumento
do tempo de serviço para efeitos de pré-reforma e reforma", que
passará dos actuais 55 para 60 anos.
Essas medidas, "a serem aprovadas, atentam gravemente contra
os já magros direitos dos profissionais das forças de segurança,
tendo em conta a especificidade da sua função e o risco que da
mesma deriva", acrescenta.
Os manifestantes solicitam, através da moção, "a imediata
suspensão dos projectos que visam colocar em prática as medidas
anunciadas e a constituição de um grupo de trabalho, tutelado
pelo MAI, para análise e debate das mesmas".
A manifestação de hoje circundou por duas vezes o quarteirão
onde se situa o MAI, ouvindo-se palavras de ordem como "Ó
mentiroso vem à janela", numa alusão ao ministro António Costa.
"O descontentamento nas forças de segurança é tão grande que
nesta manifestação os manifestantes, a nível da PSP, são 80 por
cento agentes, 10 por cento chefes e 10 por cento oficiais, o
que é inédito, porque os chefes e os oficiais não costumavam
participar nestes protestos", disse à Agência Lusa um
sindicalista.
A manifestação foi convocada pela Plataforma das Forças de
Segurança, que engloba onze sindicatos e associações sócio-
profisionais da PSP e da GNR.
O porta-voz da Plataforma, José O+Neil, disse aos jornalistas
que "a manifestação foi uma demonstração de força" em defesa das
reivindicações dos profissionais das forças de segurança, que
admitem fazer uma greve de zelo às multas se o Governo não
recuar nas medidas anunciadas.
"Queremos, queremos e vamos conseguir" gritavam os
manifestantes no final do protesto, que começou cerca das 17:30
e terminou por volta das 20:30.
A manifestação de hoje de polícias foi a segunda em dois
dias, depois de outro protesto realizado quarta-feira em Lisboa,
promovido pela Comissão Coordenadora Permanente de Sindicatos e
Associações das Forças e Serviços de Segurança.
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Protesto - Forças de segurança na rua contra Governo |
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Lutam pela
reforma mais cedo |
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Punhos erguidos frente ao Ministério da Administração Interna e
gritos de “Mentiroso!”. Este foi apenas um momento da
manifestação que as organizações sindicais e profissionais das
Forças de Segurança realizaram ontem para mostrar ao Governo o
seu descontentamento pelas propostas de aumento de tempo de
serviço, para efeitos de aposentação e pré-aposentação – passam
a ir para a reforma aos 60 anos – e fim dos subsistemas de
saúde, entre outras.
Mais de cinco mil elementos da PSP, GNR, Polícia Marítima,
Guarda-Florestal e SEF, vindos de todo o País, mostraram, numa
das mais participadas manifestações de sempre – entre os
Restauradores e a Assembleia da República –, que para o sector
terminou o estado de graça de José Sócrates.
Na manifestação tiveram lugar algumas rábulas irónicas ao futuro
dos polícias, face ao aumento de mais quatro anos antes da
aposentação. Entre elas, a que maior sensação causou entre os
manifestantes foi a do enterro dos polícias, com um manequim
vestido de agente, num caixão e com a presença de um ‘padre’
devidamente paramentado.
“O Governo em vez de responder aos nosso problemas, veio
introduzir um novo descontentamento”, disse Alberto Torres, da
ASPP/PSP, promotora da ‘manif’, articulada com a Comissão
Coordenadora sindical das forças e serviços de segurança.
“A ASPP/PSP e a APG/GNR mostraram nas reuniões com o ministro da
Administração Interna abertura para resolver o problema dos
subsistemas de saúde. O Governo optou apresentar um projecto sem
qualquer discussão prévia e com pouca disponibilidade para
mudanças”, disse ainda aquele dirigente sindical.
A propósito da mobilização policial face aos mais recentes
problemas de segurança, como o ‘arrastão’ de Carcavelos e os
assaltos nos comboios, Alberto Torres referiu que faltam à PSP
quatro mil elementos e disse que as deslocações dos agentes para
responder a estas emergências “está a esgotar fisicamente os
profissionais”, deixando antever para breve um ponto de ruptura.
REIVINDICAÇÕES 'ESQUECIDAS'
Algumas reivindicações menos conhecidas foram também
apresentadas, como a da saída da Polícia Marítima (PM) da tutela
do Ministério da Defesa ou o respeito pelos direitos de
maternidade na GNR. “A Constituição e a Lei de Defesa Nacional
não permitem as Forças Armadas tutelarem a polícia, pelo que a
PM sob a alçada do Ministério da Defesa é uma ilegalidade”,
disse o chefe Cipriano da PM. Por sua vez, Ana Lopes, militar da
GNR e mãe solteira, chamou a atenção para o facto de as agentes
nesta situação serem obrigadas a estar de serviço 24 horas, não
tendo onde deixar os filhos, bem como serem obrigadas a
formatura em adiantado estado de gravidez.
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- CARLOS FREIRE
Como querem segurança? Dêem dignidade às Polícias, dêem-lhes
melhores condições e não lhes retirem o pouco que têm. E a
propósito: se querem conseguir mais algumas receitas, porque não
diminuem o pessoal da AR e dos Ministérios e porque não reduzem
para metade os nossos deputados. É que deles, poucos são os que
fazem alguma coisa.
- jacinto
Para sustentar o carnaval do REGIME da TERCEIRA REPÚBLICA temos
todos que dar o SANGUE, SUOR e LÁGRIMAS para que os barões
possam engordar com regalias acima de tudo e todos.
- Carlos
(Maputo)
Porque razão a função pública não tem um sistema de saúde igual
para todos, a ADSE não serve para uns e serve para outros,
acabem-se com os privilégios da polícia, forças armadas, etc..
Se a profissão é desgastante, reduzam o horário de trabalho e
retirem-nos para os administrativos qd mais idosos.
- Maria João
Ribeiro
Gostava de saber qual a profissão de algumas pessoas que estão
contra a luta dos polícias. Todas as empresas privadas pelo
menos ao domingo folgam, não é verdade? Natal estão em casa, não
é verdade? Não perseguem bandidos, não é verdade? Entre outras
coisas, todas as profissões são desgastantes, umas mais, outras
menos, mas daí a criticarem quem luta por melhores condições, é
simplesmente TRISTE.
- R.Mendes
A reforma devia ser igual para todos os trabalhadores, todos
contribuimos, ou uns são filhos de deus e outros do diabo...
- José Seabra
Será que o nosso povo é tão invejoso que não consegue ver mais
além? 1º- limitaram os passes e aumentaram o custo, não me
importei porque não usava passe; 2º- aumentaram a reforma das
mulheres dos 62 para os 65 anos, não me ralei não era mulher;
3º- retiram regalias aos FP, não me chateei não sou FP. Agora
vêm tirar-me os meus direitos e quando percebo já é tarde.É isto
que querem para vós e para os vossos?
- Fernando Grilo
Os polícias devem defender os seus direitos tal como todo o povo
o deveria fazer, mas que não faz e critica quem faz. (cambada de
carneiros). Vão ver um polícia de 60 anos contra um ou dois
garotos de 19 ou 20 anos e ver o que ele faz. Melhor, vcs que
criticam, deveriam ser assaltados à frente de um policia de
bengala e óculos bem grossos por um meliante de 20 anos. Quem
iriam criticar depois?
- José Seabra
D. Fátima David, estou de acordo consigo quando diz que é triste
ver o egoísmo das pessoas. Direi mais que é inveja. A Srª pode
agradecer ao Prof. Cavaco e ao PSD por lhe terem aumentado a
idade da reforma dos 62 para os 65 anos. Alteração essa que
ficou provada não ter resolvido nada para o país,a não ser,o
interesse dos patrões. Quanto à idade da reforma, essa devia ser
igual para todos, 60 anos.
- Carlos Sousa
Isto é mais uma manobra de diversão do governo, faz pensar que a
crise do país é dos policias e dos militares... mas para os
milhares ou dezenas de milhares de amigos e compadres que eles
metem em todo o lado, mesmo que não estejam qualificados ou
numca tenham dado mostra de conhecimento ou competência nessa
área, para esses benesses não faltam!
- ZED
Envergonha-me os politicos que temos,mas também me envergonha
algum povo que temos...
- E os políticos
?
Deputados,presidentes de Câmaras, porque é que e apesar de
também serem funcionários públicos, já se podem reformar ao fim
de 2 mandatos? POIS É, A LEI DEVE SER IGUAL PARA TODOS.
- manuel
figueiredo
Trabalho num país que neste momento é talvez o mais rico da
Europa: Inglaterra. Aqui a aposentação é igual para todos: 65
anos homem e mulher. Como no meu trabalho há um regulamento que
temos de terminar aos 62, tenho de esperar até aos 65 para
receber a reforma do governo inglês. Mas que grande Portugal,
que pode dar reformas aos 55.
- Coitadinhos ?
Fartam-se de trabalhar, passar multas e proteger as costas aos
políticos corruptos.
- JCG
Há uma alternativa óbvia para o problema da reforma focalizado
na idade do acesso à mesma: reformem-se quando quiserem, mas o
Estado deve calcular a respectiva pensão tendo em conta os
‘descontos’ acumulados pelo candidato a reformado e a respectiva
esperança de vida nesse momento. Por exemplo, se o candidato a
reformado (homem) tiver 50 anos de idade, tem uma esperança de
vida de 25 anos (de acordo com as médias nacionais). Então,
divide-se o montante de ‘descontos’ acumulados por 25 anos para
encontrar o montante da pensão anual.
- Agh - Lisboa
Quanto aos privilégios do Sub-sistema de saúde, é mal que já vem
de longe, é que nessas datas, para além dos aumentos de
vencimentos, iam subrepticiamente obtendo estas regalias,que;
trantando-se de dinheiros públicos, é injusto. Não há cidadãos
com mais direitos que outros (o ensino, a saúde e outros
direitos-públicos), devem ser destribuidos por todos, sem
beneficiar grupos ou classes.
- Alexandre
Sousa
Esse senhor que diz que os contribuintes estão a pagar os
ordenados é pura mentira, nós descontamos como toda a gente e
não vamos buscar nada a ninguém. (Lisboa)
- Maria Santana
A todos os comentários contra a Policia, apenas queria deixar um
pequeno registo, só mesmo as pessoas que desconhecem a realidade
das Polícias se podem dar a comentários desse género.
- ricardo
Sr ministro da Administração Interna, faça um favor aos
Portugueses, DEMITA-SE!!
- professor
malandro
É incrivel como as pessoas são ignorantes. Como pode ter um
governo autoridade para modificar alguma coisa (mesmo que essas
medidas sejam válidas) se têm tão bons salários mais reformas e
mais ajudas de custo para tudo. A função pública não tem culpa.
O problema são alguns que ganham demasiado e têm todos os
privilégios. Primeiro acabe-se com isso incluindo o Sr. Pres. da
Rep. Há muitas diferenças.
- ana
Este governo não passa de um grupo de amigos que tudo faz para
manter os seus tachos (vale tudo). MENTIROSOS! E nós temos
aquilo que merecemos pq lhes demos mais uma oportunidade depois
de todo o disparate feito no tempo do eng. Guterres. ESTOU
REVOLTADA PELA FALTA DE CONSIDERAÇÃO PELO POVO!
- Reis
Nós não somos mais nem menos que os outros,aumentam-nos a idade
para a reforma,mas têm que nos dar um horário semanal fixo de 35
horas,pagar-nos as horas extraordinarias,pagar de forma
diferenciada(mais caro)o serviço prestado à noite e aos fins de
semana/feriados,dar-nos duas folgas semanais seguidas entre
outras coisas que não temos direito e os funcionários públicos
têm,haja equidade e justiça.
- professor
malandro
Bem feito. Temos o governo que queremos. Com o Guterres foi o
que se viu e agora ainda vai ser pior. Tomem lá que é para
aprenderem a não ser parvos. Mas a minha opinião vale pouco,
pois sendo professor sou considerado parasita e malandro.
- Teixeira da
Silva
Os Polícias e os militares devem poder reformar-se aos 52 ou 55
anos de idade, já que, temos de admitir, têm uma actividade
muito mais desgastante do que o funcionário público comum que
trabalha sentado num gabinete e bem protegido. Mas sou contra
passarem à reserva nas Forças Armadas com apenas 20 anos de
serviço e irem para casa ainda novos com os contribuintes a
pagar-lhes o ordenado.
- Silva
Na manefestação de ontem não vi pedir melhores meios para
combater o crime, é uma profissão de risco? Quantos agentes
foram mortos ao serviço? E camionistas e taxistas e outros,
quantos foram?
- Artur Silva
Admito que hoje, mais do que nunca, trabalhar como Agente da
Polícia é muito desgastante.
- Queiros
E eu que pensava que este governo poderia salvar Portugal,
enganei-me(para variar). Estou com os polícias(que são abatidos
em bairros de lata), e com toda a função pública, mas o mal está
na raiz. Como pode o poder político ser tão totalitário numa
democracia? Será que perdemos mesmo o "voto na matéria". Somos
servo do capital...
- Amândio
Martins
Portugal visto de fora deve ser um espectáculo triste! A culpa
em parte é do povo, que vota em políticos que só se interessam
por eles próprios e amigos, e que mandaram os valores nacionais
às urtigas. A polícia tem razão. Excesso na manifestação: não
deviam ter chamado "mentiroso" ao governo. O governo achará que
foi um desabafo! Como português pergunto, onde está a dignidade
do governo?
- Tou de Olho
Por onde passa um Governo PS estraga tudo. Já esqueceram como
NÃO resolveram a política de Defesa e Segurança no tempo do
Guterres, Coelho e seus "muchachos"? Portugal hoje está a viver
numa DITADURA, imposta por alguns glutões.
- mariano
wenseslau
Para o que os polícias fazem, ou nada, a maior parte deles
deviam ir para a reforma aos 70 anos, porque na realdade é um
absurdo de falta de profissionalismo. Já agora aproveito para
dizer porque é que os polícias nas viaturas de serviço da
polícia nunca usam o cinto de segurança mesmo os da brigada de
trênsito na auto-estrada. Deviam ser multados.
- Vitor
Contra a reforma aos 60 anos? Tem muita sorte não ser aos 65,
como nós privados, que é o que devia ser! Um sistema de saúde
especial para V. Exas? Deviam era pertencer ao nosso SNS! Afinal
não somos todos iguais? Os polícias ganham pouco? Então
aumentem-lhes o ordenado e acabem com estas regalias
desmoralizadoras para o resto da sociedade pagante!
- Ana Santos
O governo só faz o k faz pq o povo deixa, o Português é cobarde,
o povo civil só tem k se unir às forças de segurança e ir para a
rua tb. Este governo não defende os direitos de ninguém, excepto
dele próprio!!
- Cris
As forças policiais, profissionais de saúde e outras profissões
de desgaste têm de trabalhar até aos 65 anos já sem capacidade
para prestarem qualquer serviço, e os políticos reformam-se ao
fim de "6 anos" e dois mandatos com 2.000€ e mais?
- ZM
Se somos todos iguais, porque uns têm mais regalias que outros?
Não são pagos pelo Estado? Então a ADSE serve bem para todos!
Temos que acabar com os privilégios de alguns e as forças de
segurança fazem parte desses privilegiados. A reforma aos 65 é
para todos, logo também estão incluídos.
- Pulako
TODA A GENTE SABE QUE SER POLÍCIA NÃO É UMA PROFISSÃO NÃO É
TANTO DESGASTANTE COMO SER EMPREGADO DE MESA, PEDREIRO,
MOTORISTA, ETC., ETC.. OU SER EMPREGADO DUMA CAIXA DE
HIPERMERCADO. ESTES PORTUGUESES POLÍCIAS ESTÃO-SE NAS TINTAS
PARA OS SEUS CONCIDADÃOS. O QUE IMPORTA É ELES CONTINUAREM A SER
PRIVILEGIADOS. TEREM UM SUBSISTEMA DE SAÚDE DE LUXO PARA OS SEUS
FAMILIARES E EX-FAMILIARES.
- Fátima David
É muito triste continuar a ver que o ser humano é de tal forma
egoísta que só pensa nele. Se não fosse assim não vinha fazer
comentários como os que se ouviram ontem na manifestação. Eu que
trabalho para o privado, que trabalhe até aos 65 anos (mesmo de
muletas!), mesmo sem regalias. Pois estou à espera que haja
alguem que defenda os meus direitos, como se vê com todo este
funcionalismo público.
- Francisco
Enquanto se discute migalhas, os grandes compram barcos, casas e
carros de luxo e declaram em média 700€ por mês.
- A.Fernandes -
Bobadela
As Leis laborais deviam ser reformuladas por etapas e não de
forma radical, porque um contrato de trabalho quando é realizado
tem o acordo de ambas as partes, assim como qualquer alteração
ao mesmo, também devia ser de mútuo acordo e não apenas por
interesses da entidade patronal, e sendo reformulado por etapas
as expectativas dos trabalhadores mais velhos não eram goradas e
os mais novos sujeitavam-se às alterações ou então não
concordando com as mesmas estavam a tempo de procurar outras
actividades.
- RR-Dublin
Porquê uma diferença tão grande entre os benefícios dos
políticos e os restantes funcionários públicos no que toca a
esta questão?
- acaraujo
É uma vergonha ver como os governantes maltratam as forças de
segurança, que zelam pelo bem estar e pela integridade física
dos cidadãos deste país, incluindo a deles próprios
(governantes)! Na minha opinião, este Sócrates e todos os seus
acólitos já estão no poder há tempo demais - RUA! Já chega. Será
possível que as medidas tomadas por este governo só, e apenas,
visam o povo? FORA!!
- Ziul
Para quem está no estrangeiro e assiste aos telejornais da RTPI
com notícias de casas a arder, fogos diários, violência, greves
consecutivas, a pergunta é como vai ser o futuro do nosso País?
- Miguel Duarte
Se eu fosse 1º Ministro, simplesmente perante esta situação das
reformas aos 55 anos, deixava-as estar como estão, mas com uma
nova alteração na lei, quem se reformasse, ficava proibido de
exercer qualquer profissão, pois se não podem trabalhar depois
dos 55 anos por estarem agastados com a vida activa de polícia,
então, também estão cansados para ir trabalhar como seguranças
para o privado.
- JS
Muita gente de hoje não sabe o que foi viver no fascismo. É
natural que possam aprender com este governo, pela forma como
este impõe medidas drásticas sem olhar a consequências e danos
sociais na população. Governar para proteger a população é bem
diferente e não o que está a acontecer, sem olhar a casos
sensíveis. Não me admira se este governo vier a cair, por acção
civil!...
- Vera
Se o pessoal se manifestar TODO e em conjunto, vamos ver que
como se encolhem unhas ou se foge com o rabo entre as pernas.
- Chana
Triste que se diga! Pertencemos a um país de políticos
"castrados" e "aldrabões".
- Jose H.
Pacheco
A reforma aos 60 anos tras benefícios ao País, cria mais
trabalhos com uma força mais produtiva inovadora de jovens mais
educados e treinados para a tecnologia de hoje, com bons
resultados para o Estado.
- MAURO P. DA
SILVA - BRASIL
No Brasil tem o mesmo problema, todos querem trabalhar menos e
se aposentar muito bem. Sugiro o sistema americano, ou seja,
cada um que pague do seu bolso uma Previdência Privada e se
aposente de acordo com o que pagou. Se quiser se aposentar aos
trinta, e ganhar uma ninharia, tudo bem. Impressionante como o
ser humano é asqueroso em qualquer lugar do planeta.
- Manuel Horta,
Toronto, Canada
Dado o descontentamento popular generalizado, é tempo de se
discutir temas verdadeiramente importantes, tais como, direitos
adquiridos versus interesse público, e tirar as devidas ilações
constitucionais, ou seja, se a perda de direitos adquiridos
continua a ser inconstitucional mesmo quando é posto em causa o
interesse público.
- Miguel Santos
Eu,que fui um dos muitos que LUTARAM para que PORTUGAL fosse um
PAIS LIVRE e DEMOCRATICO,reconheço,os portugueses só sabem viver
com a "canga" no pescoco,ao fim de 30 anos. Mesmo os que
nasceram depois de 1974,não sabem viver sem a "chibata"... Que
tristeza meu Deus. Parece que o voltar da DITADURA é a "solução"
para esta cambada, que, sabendo e concordando que o País está
mal,continuam a DESTRUIR.
- ANTI_MATRIX
Se nenhum portugues esta contente com a situaçao vergonhosa em
Portugal porque que nao fazemos de novo uma revoluçao 25 Abril
de novo?
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As explicações do ministro
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António
Costa fala da manifestação dos polícias, da criminalidade e dos
incêndios
Milhares
de polícias em protesto nas ruas de Lisboa. Imagens de um
arrastão na praia de Carcavelos que correram mundo. Dez mil
hectares de floresta ardidos nos primeiros cinco meses do ano.
Temas analisados e explicados pelo ministro da Administração
Interna, António Costa, esta noite, no Jornal da Noite.
Cerca de
quatro mil elementos das forças de segurança saíram hoje à rua
em Lisboa. O protesto contra as medidas do governo, que retiram
vários benefícios às polícias, começou nos Restauradores e
terminou frente à Assembleia da República. Uma acção que é
compreendida pelo ministro da Administração Interna. António
Costa disse, esta noite no Jornal da Noite, que, apesar de não
dar razão aos polícias, "compreende" a manifestação. O
ministro garantiu ainda que estará "com os polícias sempre
que eles tiverem razão".
Quanto ao motivo da discórdia, o responsável pela pasta da
Administração Interna considera que "não há nenhuma razão
para que em matéria de assistência na saúde o sistema que existe
na PSP e na GNR seja tão distinto daquele que existe para o
resto dos servidores do Estado".
António Costa explica que "o que está em causa é o universo
dos beneficiários, que no caso da PSP e GNR, por exemplo, cobre
todos os filhos maiores, independentemente de estarem ou não a
estudarem. Cobrem, por exemplo, os ex-cônjuges,
independentemente de manterem ou não a relação".
Compensações mantêm-se
Quanto às restantes compensações que estes profissionais têm não
há qualquer alteração. Por isso, mantêm as "compensações na
contagem do serviço, em matéria de subsídio de risco,
compensações por acidente. Nada disso está em causa",
garantiu o ministro.
A partir de agora, ficam abrangidos "o agente e a sua família
nuclear e os filhos até serem maiores ou até acabarem os
estudos". Ou seja vai ser um regime idêntico aquele que
cobre os restantes servidores do Estado.
Contribuir para o sistema de saúde
Mas há mais mudanças. António Costa quer que a PSP e a GNR
passem a contribuir para o sistema de saúde. "Hoje em dia não
há uma contribuição dos agentes da PSP ou da GNR para o seu
sistema de saúde, há só uma contribuição para os serviços
sociais. E vão passar a ter".
O ministro garante ainda que há um acordo com os sindicatos em
relação às alterações. "A única divergência de fundo em
matéria de saúde é o facto de o Governo ter decidido que, a
partir de 1 de Julho, os novos incorporados na PSP ou na GNR
aderem ou passam a ser cobertos pela ADSE e não pelo sistema de
saúde da PSP".
"A percepção subjectiva da criminalidade"
O Governo anunciou nas últimas semanas medidas de combate à
criminalidade que passam pelo reforço policial em zonas críticas
e também pelo recurso a sistemas de vigilância mais eficazes. Os
incidentes na praia de Carcavelos fizeram soar o alerta
relativamente a uma novo tipo de criminalidade.
O Relatório de Segurança Interna de 2004 refere que a
criminalidade baixou. No entanto, o mesmo documento dá conta de
um aumento da criminalidade organizada em 5,7 por cento. Crimes
que ocorreram, sobretudo, em zonas urbanas, mas que também
começam a surgir noutras localidades.
Sobre o clima de instabilidade e as notícias de assaltos, o
ministro considera que é necessário fazer uma pequena reflexão.
"Hoje, mais importante que o valor absoluto da criminalidade
é qual é o sentimento e a percepção subjectiva que cada um de
nós tem da situação de insegurança. E uma coisa não tem que ter
necessariamente que ver uma com a outra", considerou.
A verdade dos números
"A verdade dos números é, por exemplo, que em todas as linhas
de comboio da Área Metropolitana de Lisboa houve uma redução de
2004 para 2005 de cerca de um terço das ocorrências. Essa
redução resultou quer das medidas adoptadas pela PSP e pela CP
no sentido de reforçar os meios de policiamento, os meios de
violência no sentido positivo", disse António Costa.
Mas, para o ministro, "as pessoas não têm essa percepção e se
virem imagens como estas é evidente que passam a percepcionar
esta realidade como uma presença brutal".
Para reforçar a ideia anterior, António Costa referiu ainda mais
números. "Se tiver em conta o número de passageiros que
actualmente circula nestas linhas de caminho-de-ferro e o número
de ocorrências e de pessoas que são vitimadas podemos concluir
que existe uma vítima para 303 mil passageiros. Isto não
significa que cada um daqueles factos seja de uma gravidade
imensa".
Para António Costa, as imagens que têm corrido mundo são
"intoleráveis", mas o ministro relembra que "é impossível
ter um polícia em cada uma das carruagens dos 500 comboios, por
dia, que a CP tem na linha de Sintra ". Garante, no entanto,
que já houve um reforço policial.
Falta de meios de combate aos incêndios vai ser analisada
Só nos primeiros cinco meses deste ano arderam dez mil hectares
de floresta. Números preocupantes que superam a média registada
em igual período nos últimos cinco anos. A falta de meios tem
sido um assunto polémico. António Costa garante que essa é uma
questão que vai ser analisada no fim do Verão.
"Encerrada esta época oficial de incêndios, chegados ao
Outono tomaremos as decisões definitivas sobre essa matéria e,
das duas uma, ou procedemos à aquisição de meios aéreos ou
procedemos ao aluguer permanente e plurianual. É a solução que
existe", garantiu o ministro.
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Manifestação decorreu
em Lisboa |
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Forças de Segurança ameaçam
endurecer formas de luta |
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Os
profissionais das forças e serviços de segurança que se
manifestaram hoje em Lisboa ameaçaram endurecer as formas de
luta se o Governo não satisfizer as suas reivindicações, tendo
chegado a gritar "greve, greve".
A "manifestação
histórica", como foi classificada pelos organizadores, começou
às 17h30 na Praça dos Restauradores, rumou para a Praça do
Comércio e seguiu depois para a Assembleia da República, onde
terminou às 21h30.
O protesto foi convocado pela Comissão Coordenadora Permanente (CCP)
dos Sindicatos e Associações dos Profissionais das Forças e
Serviços de Segurança contra "a diminuição de regalias".
A manifestação reuniu "mais de dez mil" profissionais das forças
e serviços de segurança, segundo os sindicalistas, enquanto um
oficial da PSP que acompanhou a segurança e a vigilância do
desfile estimou o número de manifestantes "à volta de cinco
mil".
"Manifestação histórica"
"O certo é que esta manifestação é histórica em termos de
participação de profissionais das forças de segurança", afirmou
à Lusa José Manageiro, presidente da Associação dos
Profissionais da Guarda (APG), uma das cinco organizações que
integram a CCP.
No final do protesto, os manifestantes aprovaram uma moção
dirigida à Assembleia da República, em que expressam "profunda
preocupação pelo conjunto de medidas do Governo, com destaque
para o congelamento da progressão nas carreiras, escalões e
subsídios, aumento do tempo de serviço para efeito de reforma,
alterações do sistema de aposentação e pré-aposentação e o fim
dos subsistemas de saúde" na PSP e GNR.
No âmbito de um pacote de medidas para tentar diminuir o défice
orçamental público, o Executivo socialista anunciou a
equiparação dos subsistemas de saúde da GNR e PSP à ADSE
(Assistência na Doença aos Servidores do Estado) e a aposentação
dos profissionais das corporações policiais aos 60 anos de
idade, em vez dos actuais 55 anos.
"São medidas que atentam gravemente contra os direitos dos
profissionais de polícia, esquecendo o Governo a especificidade
e o risco da função policial", disse à Lusa José Manageiro.
Na moção, "os cidadãos-polícias" presentes na manifestação
exigem do Governo "o respeito integral pelos seus direitos
adquiridos" e apelam à Assembleia da República para que garanta
"os direitos que, legal e legitimamente, foram conferidos às
polícias e seus profissionais".
"Profissionais das forças de segurança inovarão formas de
protesto"
O coordenador da CCP e presidente da Associação Sindical dos
Profissionais da Polícia (ASPP), Alberto Torres, no discurso que
proferiu junto à Assembleia da República, avisou: "Se o Governo
teimar em impor as medidas que anunciou, os profissionais das
forças de segurança inovarão formas de protesto".
Essas palavras mereceram uma viva ovação de aprovação dos
manifestantes, tendo muitos deles gritado "greve, greve" e "não
às multas".
Alberto Torres salvaguardou que os profissionais "respeitarão
sempre a legalidade democrática, cumprindo as funções na
prevenção e combate à criminalidade e não descurando a segurança
dos cidadãos". "Quanto ao resto, haverá uma pausa daqui para a
frente", acrescentou.
Os deputados António Filipe, do PCP, Ana Drago, do BE, e Nuno
Magalhães, do CDS-PP, desceram a escadaria da Assembleia da
República para trocarem algumas impressões com os promotores da
manifestação.
"Sócrates presta atenção, não mexas na aposentação"
"Sócrates escuta, os polícias estão em luta", "Com tanta
incúria, os polícias estão na penúria", "Os polícias unidos
jamais serão vencidos", "Sócrates presta atenção, não mexas na
aposentação" e "A luta continua" foram as principais palavras de
ordem gritadas pelos manifestantes.
No entanto, os manifestantes - todos à civil e alguns ostentando
as suas carteiras profissionais - gritaram palavras mais duras
dirigidas ao primeiro-ministro, acusando José Sócrates de ser
"mentiroso" e "aldrabão".
Além da APG e da ASPP, a CCP é constituída pela Associação
Sócio-Profissional da Polícia Marítima, Sindicato da Carreira de
Investigação e Fiscalização do Serviço de Estrangeiros e
Fronteiras e Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional.
A manifestação de hoje foi também apoiada pela Associação
Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da Polícia
Judiciária.
A Plataforma das Forças de Segurança, outra estrutura federativa
de sindicatos e associações, também convocou para amanhã uma
manifestação em Lisboa, igualmente contra a "diminuição de
regalias".
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Manif junta dois mil agentes
das forças de segurança |
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Um protesto entre a Praça dos Restauradores e a Praça do
Comércio, em Lisboa, contra «a diminuição das regalias»
Cerca de dois
mil profissionais das forças de segurança iniciaram hoje, cerca
das 17:30, uma manifestação entre a Praça dos Restauradores e a
Praça do Comércio, em Lisboa, contra «a diminuição das
regalias».
«Estimo que
estejam aqui reunidos cerca de dois mil profissionais das forças
de segurança, mas é provável que muitos mais cheguem para
participar no desfile», disse à Agência Lusa um comissário da
PSP destacado para o local e que acompanha o protesto.
Entretanto, o
presidente da Associação dos Profissionais da Guarda (APG), José
Manageiro, questionado pela Agência Lusa sobre o número de
manifestantes, disse que «ainda é cedo para contabilizar a
quantidade de participantes».
A manifestação
foi convocada pela Comissão Coordenadora Permanente (CCP) dos
Sindicatos e Associações Profissionais das Forças e Serviços de
Segurança, que é constituída pela APG, Associação Sindical dos
Profissionais da Polícia, Associação Sócio Profissional da
Polícia Marítima, Sindicato da Carreira de Investigação e
Fiscalização do SEF, e Sindicato Nacional do Corpo da Guarda
Prisional.
O protesto é
também apoiado pela Associação Sindical dos Funcionários de
Investigação Criminal, da Polícia Judiciária.
A CCP está
contra o que considera «o congelamento de carreiras, escalões,
suplementos e subsídios», e opõe-se à equiparação dos
subsistemas de saúde da PSP e da GNR ao regime da ADSE
(assistência na doença aos servidores do Estado).
Segundo a CCP,
estas medidas, anunciadas pelo ministro de Estado e da
Administração interna, António Costa, no âmbito de um pacote
governamental para tentar reduzir o défice orçamental do Estado,
implicarão nomeadamente numa redução de regalias para os
profissionais das duas corporações, sobretudo para os seus
familiares.
Um dos
manifestantes, que pediu para não ser identificado, disse à
Agência Lusa que «os profissionais das forças de segurança
alimentavam uma grande esperança no actual governo, mas afinal o
que está a acontecer é uma grande desilusão, com o anúncio de
medidas que representam um retrocesso em termos de direitos
adquiridos».
Os
manifestantes ostentam bandeiras das suas organizações sindicais
e fazem grande ruído, principalmente com apitos.
A manifestação
termina no Terreiro do Paço, junto do Ministério da
Administração Interna, disse José Manageiro à Agência Lusa, a
propósito da informação de que o protesto só terminaria na
Assembleia da Republica.
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Mitos desistiram de ‘andar’ à noite |
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Medo maior do
que força da Polícia |
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Um estranho
silêncio percorre as carruagens. Tomados pelo medo, os
passageiros da Linha de Sintra sentem-se a próxima vítima.
O caso não é
para menos: o assalto de segunda-feira, em plena luz do dia,
deixou os utentes em estado de choque. Muitos – a exemplo do que
aconteceu no passado fim-de-semana na praia de Carcavelos –
preferiram optar ontem por outro meio de transporte. O
desconforto é evidente, sempre que o comboio se aproxima da
estação seguinte. Instintivamente, olha-se para a janela,
tentando adivinhar quem entra, e só se respira de alívio quando
o comboio retoma a marcha.
A ausência de polícias, de seguranças e de revisores, como
aconteceu ontem com a composição que partiu de Sete Rios às
16h52 em direcção ao Cacém, aumenta a ansiedade, que rapidamente
se transforma em pânico quando algum rosto suspeito encara de
frente. “Já tinha medo, mas agora é pior”, diz, baixinho,
Fernanda Silva, 52 anos, bancária, moradora no Cacém. “A Polícia
dá tranquilidade, mas não resolve o problema. Não pode estar em
todo o lado e eles são muito espertos: quando vêem uma farda, já
não entram”.
Luís Gonçalves, 36, merceneiro, viaja no banco da frente e não
concorda. “O problema é que andam aos quatro, na estação, a
passear de um lado para o outro, quando deviam estar aqui
dentro.”
“É evidente que se chegou a uma situação muito complicada, mas
as forças da ordem não podem mostrar tanta passividade como o
têm feito. Têm de andar de um lado para o outro, de umas
carruagens para as outras”, sugere.
“Eu deixei de andar de noite. E, como eu, muitas outras pessoas.
E, quando digo noite, fala das nove em diante. Não imagina o que
é o ambiente, a sensação do medo que se sente. É horrível.”
Já o dono do bar de uma estação, que pediu o anonimato com medo
de represálias, não se fica por sugestões, exigindo, antes,
outro comportamento dos agentes da PSP. “É bater primeiro e
perguntar depois. É preciso dar-lhes forte e feio, só assim é
que aprendem. Quando andava por aqui a Polícia de Intervenção
estavam escondidos como ratos. Foram-se embora, é isto”, diz,
com ar de quem está preparado para se defender, se lhe vierem
bater à porta.
Não é o único que pede para não ser fotografado nem sequer
mencionar o nome. Ainda o repórter não pegou na máquina e já se
ouve: “Foto não, nem pensar. Amanhã aparecem aí e sabe-se lá do
que são capazes”. Palavras que dizem bem da revolta e do pavor
que circula na Linha de Sintra.
A descrença é tanta que, das muitas opiniões que o Correio da
Manhã ouviu, a maioria disse já não acreditar que o problema se
resolva com mais Polícia, ainda que seja bem-vinda.
Atente-se, por exemplo, o relato de Jorge Graça, 42 anos,
jurista. “É impossível ter um polícia em cada carruagem. O que
precisa de ser reformulado é o sistema prisional. É preciso
tornar a prisão num espaço em que as pessoas, ao fim de um mês,
não sintam vontade de lá voltar.”
“O que se está a viver é incomportável. É preciso tomar medidas.
As pessoas não podem estar sujeitas a isto”, garante.
De repente, um indivíduo musculado e com cara de poucos amigos,
descansa os pés no banco da frente. Levanta levemente a cabeça,
espreita pelo boné e deixa escapar um sorriso enigmático. Dois
bancos à frente surgem outros olhares suspeitos. O silêncio
regressa. As letras do jornal já não distraem e muito menos a
selva de betão que a janela deixa transparecer.
Afinal, é só susto. Mas deu para arrepiar.
APONTAMENTOS
PROMESSA
O ministro da Administração Interna, António Costa, prometeu
ontem mais polícia na Linha de Sintra. A verdade é que, na
viagem que o ‘CM’ fez não viu um único agente da autoridade
entre a estação de Sete Rios e a do Cacém. Nem dentro do comboio
nem nas plataformas.
SINAIS
Os assaltos começam, normalmente, na última carruagem e
estendem-se depois às carruagens seguintes, explicou ao ‘Correio
da Manhã’ fonte policial. Segundo a mesma fonte, os utentes
deverão ter especial atenção aos indivíduos que apresentem um ar
nervoso, bem como aqueles que ‘saltam’ de carruagem em
carruagem.
CONTACTO
Deve, igualmente, evitar-se o passageiro que procura
encostar-se, um modo de actuar muito próprio dos carteiristas.
Sempre que se verifique qualquer situação anómala, deverá
contactar-se de imediato a Polícia e o 112. Tal como aconteceu,
de resto, no assalto da passada segunda-feira, em que ‘choveram’
telefonemas para os mais diversos sítios.
FUGA
Logo que espreite o perigo, o utente deve colocar-se em local
estatégico, como as portas, de forma a permitir a sua fuga logo
que possível. A Polícia aconselha, ainda, os passageiros a
sentarem-se junto dos mais desprotegidos, como idosos, senhoras
com crianças e grávidas.
A VOZ DOS UTENTES
“Moro em Queluz e utilizo o comboio duas a três vezes por
semana. Nunca tive problemas, porque já conheço o espírito dessa
gente e afasto-me. Mas hoje (ontem), depois do que se passou
segunda-feira, estou com medo. Vinha no comboio à retaguarda e
percebi logo que havia confusão. É preciso parar com esta
insegurança. Há medo por toda a parte! E não estou nada de
acordo com o presidente Sampaio. Tolerância sim, mas as pessoas
que fazem isto têm de ser disciplinadas. É preciso pôr um travão
a isto. Há limites, embora reconheça que não é fácil lidar com
estas situações.” Carlos Domingos | 58 anos, reformado
“Viajo todos os dias entre Lisboa e Sintra e começo a sentir-me
desconfortável. Como vou trabalhar de manhã e regresso ao fim da
tarde, ainda não assisti a nada como o que aconteceu segunda,
mas já vi muitas cenas entre africanos. Falam alto, provocam,
intimidam. Imagine o que é ver grupos de 70 ou 80 negros aos
gritos dentro de uma carruagem. Se houvesse civismo, a
vigilância não era necessária. Mas, como as coisas estão, isto
só lá vai à força. Vivi em Lisboa desde 1958 e nunca houve
destes problemas. Agora é diariamente. Não se pode ficar de
braços cruzados.” Joaquim Costa | 60 anos, taxista
“Damaia, Amadora e Queluz são as piores estações. Juntam-se aos
grupos, como ali no Centro Babilónia (Amadora) e, depois, vão
armar confusão. Em venho cedo para casa, em Massamá, e consigo
escapar ao ‘terror’ da noite. Nunca assisti a nada de grave,
embora se ouça falar todos os dias de problemas nos comboios
nesta Linha de Sintra. Mas os sinais de insegurança são
evidentes, embora se note a presença dos agentes da PSP e outros
seguranças. Não sei se chega, se isso vai contribuir para alguma
coisa, mas é importante que os passageiros sintam a presença das
forças da autoridade.” Rony Melo | 28 anos, pedreiro
“Já vi de tudo! O que mais me impressionou foi quando roubaram
uma pulseira a uma senhora, já de idade. Fiquei com pena, mas
nem me mexi. Tive medo. Também estava na carruagem quando
apareceram aqueles duzentos – que as televisões têm passado
imagens estes dias – a ameaçar e roubar as pessoas. Eu tenho
muito medo, já que regresso tarde a casa e é à noite que o
perigo mais se faz sentir. Há muita gente que já evita andar de
comboio a partir de certa hora. É um perigo e as pessoas têm
amor à vida. Não sei se resolve, mas acho que devia haver mais
polícia nas estações e dentro do comboio.” Denise Pietroski - 25
anos, empreg. restaurante
Aqui em baixo, na zona comercial da Estação da Amadora, não há
problemas. Tenho a loja aberta há 11 anos e nunca tive razões de
queixa. Às vezes aparecem um grupos de negros a gritar, a
correr, mas é tudo entre eles. Há tempos houve umas facadas, mas
as lojas já estavam fechadas. Faço todos os dias o trajecto
entre o Cacém e a Amadora e, até agora, nunca tive problemas. No
dia do ‘arrastão’ é que fiquei intrigada: eram tantos, tantos.
Nunca tinha visto uma coisa assim. Percebi que aquilo ia acabar
mal. Mas medo só senti hoje (ontem), depois do que aconteceu na
segunda-feira.” Maria Deus - 60 anos, florista
“Vim visitar um amigo ao Cacém. Moro em Setúbal e é raro andar
por estas paragens. Mas toda a gente sabe o que é que se passa.
Penso que o grande ‘culpado’ é o desemprego. Há muita gente que
não trabalha, que vive frustrada por não conseguir arranjar
emprego e, depois, vão para os comboios ameaçar e roubar as
pessoas. Vivo em Luanda. Estou em Portugal há seis meses, para
tirar o curso de treinador de futebol, lá não há. Muitos dos
jovens angolanos que ‘andam por ai’ vieram para cá para fugir à
tropa, quando havia guerra. A falta de emprego leva-os para a
marginalidade.” Raimundo raul - 48 anos, treinador
AMBIENTE
No interior dos comboios da Linha de Sintra respira-se
ansiedade. As distância entre as estações são curtas , mas cada
segundo parece um minuto, cada minuto parece um hora. Sempre que
o comboio pára, sobretudo nas estações de maior risco, parece
uma eternidade. Mesmo depois, já em marcha, afastado o perigo, o
olhar vai viajando pelos bancos e as portas que ‘dividem’ as
carruagens.
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Sindicatos da Polícia
contestam reforma |
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Alterações
ao sistema de assistência à doença desagrada profissionais das
forças de segurança
As duas estruturas sindicais das forças de segurança, reunidas
ontem com o ministro da Administração Interna, insurgiram-se
contra a reforma do sistema de saúde da PSP e da GNR,
integrando-o no sistema da Administração Pública, e mantém as
manifestações de hoje e amanhã.
O ministro da Administração Interna reuniu-se, ontem, com a
Comissão Coordenadora Permanente dos Sindicatos e Associações
dos Profissionais das Forças e Serviços de Segurança - que
congrega cinco sindicatos - e com a Plataforma das Forças de
Segurança - que congrega dez sindicatos - para debater a reforma
do sistema de assistência na doença.
José Oneil, porta-voz da Plataforma das Forças de Segurança,
disse que aquela estrutura não aceita o que está a ser proposto
pelo Governo. "Queremos manter o nosso subsistema de saúde.
Iremos assim manter a manifestação na quinta-feira (amanhã,
junto ao Ministério da Administração Interna) e apoiamos todos
os protestos marcados pelos polícias porque achamos que é um
atentado contra a saúde dos agentes".
O mesmo defendeu Alberto Torres, da Comissão Coordenadora
Permanente. "Mais uma vez ficou visto que o Governo não está de
boa fé em relação a estes profissionais. Há medidas que já foram
aprovadas na administração pública que serão aplicadas aos
profissionais das forças de segurança, sem os ter ouvido",
disse.
Sobre a reforma do sistema de saúde, referiu que o Governo "dá o
facto como consumado". "Não consideramos que isto seja uma
negociação e disponibilizamo-nos para encontrar soluções para o
problema".
A Comissão Coordenadora Permanente mantém a manifestação marcada
para hoje.
Aos jornalistas, o ministro da Administração Interna referiu que
espera ter o dossiê concluído na próxima semana. Segundo António
Costa, tal como na reunião anterior, as associações sindicais
reconheceram a necessidade de alterar o sistema de saúde, mas
estão em desacordo com as propostas governamentais. "Aguardamos
agora contrapropostas para tomar uma decisão final", disse.
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Forças policiais saem hoje
à rua contra política de António Costa |
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Sindicatos
não aceitam novo sistema de saúde. Protesto marcado para as
17.00
As forças de
segurança saem hoje à rua em protesto contra as alterações
promovidas pelo Governo aos subsistemas de saúde e o
congelamento na progressão das carreiras. "Não aceitamos o que
está a ser proposto pelo Governo. É um atentado aos direitos das
forças de segurança", dizem os sindicalistas. E ameaçam mesmo
com outras formas de luta, as quais podem passar pela greve -
mas só em algumas forças policiais, já que este tipo de protesto
está vedado à PSP e à GNR.
Cinco dias após o protesto da administração pública, que juntou
40 mil pessoas nas ruas de Lisboa contra a política laboral de
José Sócrates, é a vez de as forças de segurança dizerem "não" à
política de António Costa. Apesar de não serem avançados
números, a acção de hoje, agendada para as 17.00 na Praça dos
Restauradores, conta com a presença da Associação
Socioprofissional do Pessoal da Polícia Marítima, Sindicato
Nacional do Corpo de Guarda Prisional, Sindicato da Polícia
Judiciária e seis sindicatos de várias forças policiais,
incluindo o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. A Comissão
Coordenadora Permanente dos Sindicatos e Associações dos
Profissionais das Forças e Serviços de Segurança (CCP),
plataforma que integra cinco sindicatos e que promoveu o
protesto de hoje, espera uma megamanifestação. "Sabemos que
haverá forte adesão a nível nacional", garantiu ao DN Alberto
Torres, da CCP.
encontro. No final de quase quatro horas de reunião com António
Costa, ministro da Administração Interna, Alberto Torres
mostrou-se indignado "Hoje, mais uma vez, ficou provado que o
Governo não está de boa-fé em relação a estes profissionais. Há
medidas que já foram aprovadas na administração pública que
serão aplicadas aos profissionais das forças de segurança, no
que toca a carreiras, por exemplo, sem os ter ouvido". O
sindicalista fez questão de frisar que o Governo "dá o facto
como consumado, mas não consideramos que isto seja uma
negociação e disponibilizamo- nos para encontrar soluções".
Já José O'Neil, porta-voz da Plataforma das Forças de Segurança,
que congrega dez sindicatos e convocou o protesto de amanhã
(17.30, na Praça do Comércio), não escondeu também a sua revolta
"Queremos manter o nosso subsistema de saúde e apoiamos todos os
protestos marcados pelos polícias porque achamos que é um
atentado contra a saúde dos agentes." E confessa: "O objectivo é
sensibilizar a opinião pública e mostrar que os polícias
precisam de ajuda."
reunião. No final do encontro, António Costa frisou que o
objectivo deste encontro não era demover os sindicatos de se
manifestarem. Sobre o encontro, o ministro referiu que as
associações sindicais reconheceram a necessidade de alterar o
sistema de saúde (tal como já tinha acontecido na reunião
anterior, no passado dia 8), mas estão em desacordo com as
propostas governamentais apresentadas.
"Aguardamos agora contra-propostas para tomar uma decisão
final", vincou o governante. Ainda assim, e apesar das
dificuldades apresentadas pelos sindicatos, o ministro de Estado
frisou que espera ver este dossier encerrado na próxima semana,
quando se voltar a reunir com os mesmos representantes
sindicais.
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Crime afasta
banhistas |
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Deserto de medo |
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Pouco mais de uma semana após o ‘arrastão’, a praia de
Carcavelos ainda não recuperou do susto. As esplanadas estão
vazias e o areal também.
Todos os bares
e restaurantes da praia de Carcavelos têm pelo menos duas coisas
em comum: pouco movimento e uma vista privilegiada para o areal
deserto. “O mês de Junho acabou”, lamenta, desanimado com o
negócio, o gerente da Tricana, um dos mais emblemáticos
estabelecimentos da Linha. Os efeitos do ‘arrastão’, fenómeno
nunca visto que fez o mês chegar ao fim a dia 10, estão para
durar. E o que falta em queixas apresentadas à Polícia, menos de
meia dúzia, sobra em espaço livre na areia e nas esplanadas
daquela que, por estes dias, é considerada a praia mais segura
de Portugal.
“As pessoas podem vir à vontade. A PSP está sempre aqui e os
assaltantes tão cedo não vão voltar”, garante Tiago Lopes, um
dos empregados do ‘Angels Bar’. Encostado ao balcão, navega o
olhar pelas ondas que, apesar de pequenas, são disputadas por
meia dúzia de surfistas. Na areia, além de crianças da escola
com chapéus amarelos, contam-se pelos dedos os banhistas. “Não
se compreende. Já acabaram as aulas, o tempo está óptimo e a
praia está assim”, lamenta. O braço fica estendido na direcção
do areal. Deserto. “É natural que as pessoas, durante algum
tempo, fiquem com medo de vir aqui. Mas sem razão. Já está tudo
bem...”
PÂNICO PASSOU UMA SEMANA
Na tarde de 10 de Junho, com a praia a ‘rebentar pelas
costuras’, vários grupos de jovens, de um grupo maior que
contava quase quinhentos indivíduos, semearam o pânico entre os
banhistas, roubando e agredindo. E a palavra ‘arrastão’,
importada do Brasil onde é usada para caracterizar os assaltos
praticados na praia por ‘meninos da rua’, ganhou dimensão
mundial. As fotografias, obtidas pelo dono de um dos bares,
encheram jornais e abriram noticiários na televisão. Nos dias
seguintes, sucederam-se os debates e as promessas de maior
segurança, enquanto a PSP apelava às vítimas para que
apresentassem queixa.
Um apelo que, tudo indica, terá falhado. Segundo fonte policial
contactada pela Domingo Magazine, o número de queixas
apresentadas até ao final da tarde de quinta-feira era “inferior
a meia dúzia”. Dificuldades acrescidas na investigação, é certo,
mas nada que a polícia já não esperasse. Escassos dois dias
depois dos assaltos, um responsável da PSP admitia que, “por
medo ou falta de vontade em colaborar”, muitas vítimas optam por
não comunicar os crimes às autoridades.
Maria Bernardo, ou ‘Ti Maria’, proprietária da Tricana que vende
gelados junto ao calçadão, é das que não pensa em ir à polícia.
“Não fui, porque não vale a pena. Levaram apenas um gelado”,
diz, no balanço da tarde de 10 de Junho. Apesar de ter estado
todo o dia na praia, onde está há 40 anos, só ficou a saber do
‘arrastão’ à hora do telejornal. “Como foi lá para a frente,
mais para o meio do areal, não dei por nada. Só quando os
rapazes que trabalham aí me avisaram é que percebi o que tinha
acontecido”, conta.
A meio da semana, a falta de movimento na praia tornava mais
fácil detectar a presença da polícia, que tentava também
perceber o que ocorreu a 10 de Junho. E não eram apenas agentes
fardados a circular na areia e no calçadão. Elementos à civil,
da investigação criminal, falavam com os comerciantes, mostravam
fotografias de suspeitos, na tentativa de identificar os
participantes no ‘arrastão’. Este será um dos primeiros passos.
Comparar imagens, recolher informação e analisar as (poucas)
queixas. Ao mesmo tempo, a PSP tenta perceber o que esteve na
origem dos incidentes: planeamento, organização no momento ou
fenómeno espontâneo?
No dia dos incidentes, alguns concessionários de Carcavelos
queixaram-se da falta de policiamento e dos assaltos frequentes
que contribuíam para a insegurança dos banhistas. Agora, são
ainda mais os que alegam que os números do ‘arrastão’ foram
“exagerados”. “Não se pode dizer que eram centenas de
assaltantes. O grupo tinha muita gente, é certo, mas os que
andaram a roubar não eram mais do que vinta ou trinta”, contou o
proprietário de um bar à Domingo Magazine, pedindo para não ser
identificado. Mais alguns metros pelo calçadão e a teoria ganha
força. “Dizer que foram 500 pessoas a roubar é exagerado”, alega
João Nogueira. “Houve alguns assaltos, mas nada dessa dimensão.”
Da sala panorâmica do ‘Sportsbar’, João Nogueira tem uma vista
de sonho sobre o pesadelo. “Onde é que estão os estudantes? Onde
é que estão as pessoas?” As perguntas ficam sem resposta. “Ainda
vai demorar algum tempo até voltar à normalidade. E é pena,
sabe, porque esta praia é espectacular...”
Que o digam Maria e António, que têm em Carcavelos a praia
preferida. Na quinta-feira de manhã, fazem uma paragem no
quiosque de gelados. Gil Neves recebe-os ao balcão e não há como
fugir aos assaltos de sexta-feira. Três pares de olhos
habituados a não ver um grão de areia quando o calor aperta,
tantos são os banhistas, fixam--se no ‘deserto’ que se estende
até à beira-mar. “Quando os miúdos das escolas se forem embora,
isto fica vazio”, garante Gil. Os outros concordam, dizem que
faz pena. “Isto agora só deve mudar para o mês que vem”, diz,
resignado, o vendedor. “Talvez apareça alguém no fim-de-semana,
mas não sei.” As esperguiçadeiras descansam à sombra sem ninguém
que descanse nelas. As esplanadas estão vazias, mas no areal
também não há ninguém.
Sem máquina, e entre duas passas no cigarro, Carlos Fernandes
atira 60 por cento. “Com este tempo, nesta altura do ano, a
quebra deve andar por aí. Sessenta por cento a menos. Para mim,
Junho acabou. Em termos de negócio, o mês está feito”, diz o
gerente da Tricana, com a sala vazia e sem perspectivas de a
encher. “Vamos ver como será em Julho. Vamos ter bandeira azul e
pode ser que tenha passado o efeito negativo do arrastão”, diz o
empresário. Esta é uma esperança que, quase em surdina, percorre
todo o calçadão de Carcavelos. “Pode ser que melhore, pode ser
que mude.”
João Pinto faz o mesmo caminho há 28 anos, de um lado para o
outro do areal, batatas-fritas numa mão, refrescos na outra. Na
sexta-feira que entrou para a história de Carcavelos, voltou
para trás a meio-caminho. “Eu ia a passar lá perto. Quando vi
que ia dar para o ‘torto’, dei meia volta. Fiquei sentado lá em
cima, a descansar e à espera que acalmasse. Depois, fui
trabalhar outra vez”, recorda. Para o vendedor de 50 anos, até
pode ser que os turistas apareçam, que os emigrantes regressem
para um mês de férias e que os estudantes voltem a deitar-se na
areia. “Isto está tão vigiado que não há problema nenhum. Podem
ir ao banho e deixar as coisas, que ninguém mexe”. Mas há algo
que não vai mudar. “As pessoas não têm dinheiro. É a crise.
Ninguém compra nada.”
RAÍZES DO MAL
Há uma regra da sociologia segundo a qual ao patamar de
desenvolvimento de uma determinada sociedade corresponde sempre
um nível de violência idêntico ao de todas as sociedades nesse
patamar. Francisco Moita Flores defende que em Portugal as
contas ainda não estão certas. "Os níveis de violência na
sociedade portuguesa estão muito aquém dos que correspondem ao
nosso de-senvolvimento económico e social", explica à DM o
criminalista, quando questionado sobre a natureza do ‘arrastão’.
"Nos últimos dias, temos vindo a assistir àquilo a que chamo de
discurso político sobre o real, que é diferente do real", diz
Moita Flores. Os cerca de quinhentos jovens envolvidos nos
assaltos em Carcavelos são agora, de acordo com declarações de
políticos e responsáveis policiais, apenas algumas dezenas.
"Isso não tem nada a ver com o que foi filmado e fotografado”
José Barra da Costa, antigo inspector da PJ, arrisca uma teoria
que,diz, "é muito aborrecida". "Os miúdos podem ter sido
instrumentalizados num determinado sentido, por algumas pessoas,
numa lógica de informação e contra-informação, de modo a surgir,
como sucedeu, uma resposta de sectores mais conservadores e de
extrema-direita. Isso é possível e repare que tudo aconteceu no
dia 10 de Junho." É uma reacção esperada, conclui Moita Flores.
"Quando um fenómeno é atribuído a uma minoria, embora se saiba
que são portugueses os envolvidos, é natural que o mecanismo
emocional de reacção seja o inverso. Neste caso, o do discurso
xenófobo", diz.
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Criminalidade -
Dilemas policiais |
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Há ou não crime de alguma forma organizado no ‘arrastão’ de
Carcavelos? A pergunta continua sem resposta. Mesmo assim um
antigo inspector da Judiciária não tem dúvidas:“Se há crime
organizado a competência do combate aos assaltos nas praias
passa a ser da responsabilidade da Direcção Central de Combate
ao Banditismo (DCCB) da Polícia Judiciária.
Uns perderão
protagonismo, mas outros não se estão a ver de calção e crachá
na praia.” Mas o mar de dúvidas levantadas pelo ‘arrastão’ de
Carcavelos não se fica por aqui. Se aquela praia é
responsabilidade da Polícia Marítima, que é que fez o Ministério
da Defesa (entidade que tutela esta formação de segurança) antes
e depois do ‘arrastão’? Enquanto Órgão de Polícia Criminal, que
acções tem desenvolvido a Polícia Marítima no combate à
criminalidade nas praias? Perguntas que ainda permanecem sem
resposta.
No Verão, Carcavelos é uma das praias com maior densidade de
banhistas na linha de Cascais. Mais uma pergunta: Quantos
agentes da Polícia Marítima estavam em patrulha no areal de
Carcavelos no dia e à hora a que se verificou o ‘arrastão’? Os
concessionários pedem por tudo para não se referir o seu nome ou
o do posto de praia que detêm, mas todos usam as mesmas frases:
“O que é que um ou dois homens podiam fazer?”, disse um,
enquanto outro se indigna com a acção da Polícia Marítima.
“Multam a gente por tudo e por nada.” Mas aos banhistas não
conseguem disciplinar. Nem sequer para pararem de jogar à bola
em cima das pessoas e das crianças”, acrescenta.
O ‘arrastão’ de Carcavelos apenas foi notícia pelo grande número
de assaltantes à mesma hora. O fenómeno das provocações grupais
e dos assaltos nas praias da linha vem crescendo nos últimos
anos e é do conhecimento das polícias. “Este tipo de actuações
em grupo por parte de jovens da Amadora, da zona de Cascais e de
Oeiras têm sido frequentes todos os anos”, disse há cerca de
cinco anos ao Correio da Manhã um responsável do comando da PSP
de Lisboa.
O turismo queixa-se da imagem que o país está a deixar passar.
No dia seguinte ao ‘arrastão’ de Carcavelos, a abertura do
telejornal da rede alemã de televisão Deutsche Wella mostrava
fotos de Carcavelos misturadas com imagens de assaltos gravadas
nas praias do Brasil. A notícia era sobre a segurança nas praias
portuguesas. O jornalista foi ao aeroporto perguntar a turistas
alemães se conheciam a realidade da segurança nas praias de
Portugal.
A chegada à Praia de Carcavelos de grupos mais ou menos
organizados foi notada por agentes da PSP a partir do meio-dia.
“Uns de comboio, outros de camioneta, os grupos que chegaram por
essa hora tinham as mesmas características dos que dias antes
vinham protagonizando desacatos na praia, disse à Domingo
Magazine um dos agentes de turno nesse dia. Outro, adiantou
mesmo que “alguns traziam cães pitt-bull pela trela. Quem é que
se quer meter com um cão daqueles ou com o seu dono?”
SETE CONSELHOS DE PRAIA
1 – Leve o mínimo de bens. Relógios, cartões de crédito ou
débito, jóias e outros adereços, são dispensáveis.
2 – Localize o apoio de praia e o nadador-salvador. Normalmente
sabem como chamar a autoridade de forma mais rápida.
3 – Roupas de marca e outros adereços de valor são factor de
atracção.
4 – Leve apenas o dinheiro necessário.
5 – Evite o uso ostensivo de telemóvel, câmaras de filmar ou
fotografar.
6 – Não durma na praia.
7 – Se for assaltado, não reaja. Isso pode enervar o assaltante
e levá-lo a um acto mais violento.
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Os guetos de Carcavelos |
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No areal de Carcavelos, abancam jovens de guetos problemáticos.
Vêm de Chelas, Brandoa, Cacém, com a violência a fervilhar no
sangue. Nem todos assaltam banhistas ou pertencem a gangs
perigosos. Muitos nem sequer estiveram envolvidos no ‘arrastão’
de 10 de Junho. Mas o mal está latente à beira-mar.
Nas manhãs em
que o sol faz brotar pingas de suor na testa, as calças
largueironas,estilo roubado aos presidiários, são trocadas por
um fato-de-banho Billabong. Os ténis Nike ficam arrumados e as
havaianas, à venda na feira de Carcavelos por cinco euros,
tiradas finalmente da prateleira. De boné Adidas enfiado na
cabeça e em tronco nu, ‘dreads’ do Cacém, ‘gangsta raps’ de
Chelas, ‘hip-hopers’ da Brandoa, desaguam na estação de comboio
e vão em bandos até à praia de Carcavelos. Muitos vieram ao
crava, guardando o dinheiro do bilhete para comprar um maço de
tabaco.
No areal a perder de vista não há becos nem ruelas escuras, mas
as toalhas estendidas são como muros invisíveis, dividindo
territórios. Embora se cumprimentem com efusivos “tá-se bem”, os
vizinhos marcam distâncias de desconfiança, sobrepovoando a zona
da mítica Bola de Nívea e do campo de futebol. Conhecem-se de
vista das partidas da bola, ou de rixas em noites frias dos
subúrbios de cimento. Os mais velhos são venerados como ídolos
de ‘Hip-Hop’. A reputação precede-os. Quanto pior, melhor.
Quem os avista de longe, da zona dos cafés onde se sentam os
betinhos da linha, parecem estar todos ao monte. Não é ilusão de
óptica. O ‘people’ junta-se em círculo para assistir aos ‘shows’
dos ‘blacks’ da Serra das Minas. Eles curtem manear o seu corpo
atlético aos sons tribais do Kizomba, a bombar de potentes
tijolos.
Sentados na areia molhada, indiferentes às acrobacias dos
dançarinos e aos aplausos da plateia, também não faltam grupos
de miúdos de onze anos acompanhados de Pitt-Bulls. Gostam de
exibir os cães e sorrisos trocistas aos banhistas. Se estiverem
enfastiados ou com falta de dinheiro, desatinam. Não é preciso
grande pretexto. Quando as vítimas reagem mal, os Pitt
arreganham-lhes os dentes. Os telemóveis ou carteiras, passam de
mão em mão e passam a ter novo dono. “Antes, havia na praia uns
desatinos e roubos, aqui e acolá. Nada de muito anormal. Mas
tudo mudou com o ‘arrastão’. Entrámos numa nova dimensão”,
conta, ainda incrédulo, Mauro, 17 anos, num português com
sotaque de Belo Horizonte.
O aluno do liceu da Amadora que esteve no meio do furacão de
sexta--feira, 10 de Junho, só regressou ao local do crime uma
semana depois. Não por medo. O seu bando, liderado por Ahmed, é
um dos mais respeitados na periferia de Lisboa. “Se me fizerem
mal, também não se ficam a rir.” Olho por olho, dente por dente.
Como manda a lei da rua.
ASSALTANTES SEM CAUSA
Mauro partilha com Mário, um ano mais velho do que ele, a
toalha, a carteira da escola e as memórias do feriado fatídico.
Os dois têm pinta de reguila e a arte do engodo encrostada à
pele. “Quando vim de Luanda, aos 15 anos, ia para as mercearias
roubar frutas e pacotes de chocolate”, confessa o angolano, de
t-shirt da selecção canarinha vestida. Os pais trabalhavam no
duro, não deixando que ele passasse fome, mas Mário não resistia
aos vícios importados das ruas de Luanda: “Quando um gajo rouba,
não o faz apenas por dinheiro.” O prazer de sentir as batidas
aceleradas, a fama que se granjeia no bairro e, por inerência, a
atenção das miúdas mais giras e atrevidas, eram outras das
causas da rebeldia.
A carreira de pequenos crimes terminou quando a família, atenta
às suas artimanhas, o convenceu a ir trabalhar durante os tempos
livres das aulas. “Quando um dia me gamaram o Nokia, que comprei
com o salário de uma semana a distribuir folhetos publicitários
porta a porta, percebi a porcaria que fazia aos outros”,
declara. Mário ficou furioso. Quase tão irritado como quando viu
muitos dos ‘partners’ de bairros vizinhos a roubar famílias
indefesas na praia.
Os dois amigos tinham chegado bem cedo, como sempre, com o seu
bando da Amadora, para arranjar lugar na areia, não muito longe
da Bola de Nívea. Por volta do meio-dia começaram a estranhar as
movimentações. “Vinha malta do Cacém, Belas, Damaia e Queluz.
Quando ouvimos os tiros e pessoas a fugir de um lado para o
outro, percebemos que não ia ser um dia normal.”
À sua frente, viram miúdos muito mais novos do que eles a atirar
areia à cara dos banhistas, aproveitando a confusão para lhes
furtar relógios, telemóveis e fios de ouro. “Só lhes diziam:
‘tens uma coisa que me interessa, passa para cá”, recorda Mauro,
que se deixou ficar na toalha nos longos minutos de agonia. O
seu único objecto de valor eram uns velhos ténis Nike e umas
poucas moedas no bolso. “Sabíamos que não nos iam assaltar. Até
porque os conhecemos de ginjeira.”
Uns dias depois do arrastão, voltaram a cruzar-se com alguns dos
ladrões nas sombrias ruas de Queluz. Trocaram os cumprimentos da
praxe: Tá-se bem? Cada um foi à sua vida. “Eles vão voltar a
atacar”, advertem os dois amigos antes de irem refrescar o corpo
nas águas do Atlântico. “Com ou sem policiamento.”
RENEGADOS À NASCENÇA
Uns metros de areia mais abaixo, Paulo faz uns saltos mortais,
para deleite da escassa plateia feminina. O cabelo laminado,
bíceps esculpidos em halteres e um grosso colar ao peito dão-lhe
aura de respeito. “Não me espantei quando vi o ‘arrastão’. Esta
praia é a que tem mais ‘pretalhada’ e confusões do País.”
As palavras saem-lhe disparadas como tiros de pistola. “Não sou
racista, mas sei que são os pretos quem anda aí a roubar.” Ao
seu lado, Cris, de ascendência cabo-verdiana, ouve o discurso
politicamente incorrecto do amigo, impassível. “Estás a
exagerar, meu, mas tudo bem”, diz sem descruzar os braços.
Os dois fazem parte dos Renegados, uma das bandas rap mais
populares de Cacém. Dizem já não ter idade nem paciência para
fazer parte de gangs, mas todos os dias tropeçam nas ruas com
miúdos armados, perigosos, que não hesitam em dar uns tiros só
por gozo pessoal. “No Cacém, os mais violentos são os Gangsta
Rap e os Putos Dreads”, revela Pedro, o menos expansivo e mais
baixo dos três. É o DJ de serviço da banda. “Aproveitam-se do
facto de serem menores para fazerem o que querem. Ninguém tem
mão neles.”
Para o trio de músicos, nem tudo é mau no Cacém, como pintam as
manchetes e os telejornais, mas há um ciclo vicioso que teima em
não acabar: “O pessoal anda sem ambições: chumba, desiste da
escola e fica no bairro sem nada para fazer. Sem emprego, sem
dinheiro, acaba a roubar, porque é mais fácil”, conta Cris, que
critica a falta de centros de juventude e de actividades
culturais e desportivas numa cidade com mais de 80 mil
habitantes.
As letras da banda revelam a insatisfação de uma geração de
suburbanos deprimidos, agrilhoados em torres altas e anónimas.
“A praia é o único escape possível. Mas eles trazem os problemas
de casa para a areia”, filosofa Cris, que improvisa um
‘free-style’ enquanto o diabo esfrega o olho: “Não somos belos
mas vou-vos contar o que aconteceu em Carcavelos / O que
aconteceu foi uma cena de um gang, andaram aí aos tiros mas não
houve sangue / Foi uma cena de primeira, roubaram Carcavelos e
fugiram para a Quarteira / É uma merda que acontece, que toda a
gente ouve e ninguém esquece.”
GAMAR SIM. GANG NÃO
Chipenda não ouviu as rimas inventadas em segundos pelo MC do
Cacém. Mas os 16 anos passados no degradado bairro das Marianas,
na Parede, poderiam servir de inspiração a outras letras da
banda alternativa de hip-hop. Com uma vistosa juba afro e olhos
azuis cristalinos tão vivazes como o seu latim, não é de admirar
que seja um dos mais populares do seu grupo de sub-17, uma
mistura de betinhos desalinhados e ‘dreads’ da linha de Cascais.
O estudante passa os dias na praia ‘a pastar’ ou a fanar nas
prateleiras dos supermercados. “Nunca fui apanhado porque sou
muito rápido”, vangloria-se com um rasgado sorriso. O seu maior
troféu foi um telemóvel, que meteu no bolso sem os seguranças da
loja se aperceberem. “Nunca me meti em drogas, senão estava
lixado. Vejo o que aquela porcaria faz aos meus vizinhos do
bairro.” É por causa da branquinha e do cavalo que muitos dos
ex-amigos se meteram em aventuras demasiado ousadas. E sem
retorno.
Embora os vícios e manhas do submundo de Cascais não tenham
segredos para si, Chipenda garante nunca se ter fascinado com a
ideia de pertencer a um gang: “Isso é barra pesada. Não quero
acabar com um tiro na cabeça por causa de algum conflito
relacionado com drogas duras”. Depois do que viu no feriado que
terminou em tiros e agressões, não pensa mudar de ideias nos
próximos tempos. “Estar num gang pode ser ‘cool’ mas não dá
futuro a ninguém.”
Ele recorda-se dos acontecimentos com a precisão de um cinéfilo
que já viu o seu filme preferido mais de dez vezes. Chipenda
chegou às areias de Carcavelos por volta da hora de almoço,
depois de mais uma manhã de indolência. “Vi um amontoamento de
pessoas de raça negra. Para aí uns 300. Estavam sempre a chegar
mais e mais. Pareciam formigas.”
O puto de ascendência angolana perdeu logo a vontade de se
estender na areia porque pressentiu um mau ambiente no ar. “Às
três horas, vi o início da ‘fight’. Um branco fugia de um bando
de pretos, que não o largavam.”
A partir daí, assistiu ao desenrolar dos acontecimentos na
primeira fila do paredão. Só faltavam as pipocas. “Com os tiros,
as pessoas assustaram-se, aproveitando-se do pânico, uns 50
gajos iniciaram o ‘arrastão’. Quinze minutos depois, chegaram os
14 agentes da PSP armados até aos dentes. Fartaram-se de dar
porrada. Houve muitos banhistas que levaram por tabela.” Só ao
fim da tarde é que os 60 homens do corpo de intervenção
conseguiram restabelecer a ordem em Carcavelos.
“Vi o pessoal a fugir. Pelo caminho ainda assaltaram o Pingo
Doce e a praia de São Pedro.” Um pesadelo que não vai esquecer
tão cedo. “Quem cá não volta este fim-de-semana sou eu ”.
SOBREVIVER AOS TIROS
Não há um jovem banhista suburbano de Carcavelos que não tenha
uma teoria da conspiração sobre os acontecimentos de 10 de
Junho. “Foi tudo planeado entre gangs”, sentencia Agostinho, 20
anos, colega de Chipenda no bairro das Marianas e viciado em
banhos de mar. Mas não acredita que o móbil do crime fosse o
dinheiro. “Afinal, o que se ganha com uns telemóveis e
carteiras? Apenas uns trocos. Seria mais lucrativo e menos
arriscado roubar uma loja de um centro comercial.” Ele não tem
dúvidas de que fizeram aquilo apenas com um objectivo: por
simples diversão.
Edmilson, um puto magricelas que passou essa tarde a jogar à
bola com os três colegas do 9.º ano do Cacém, discorda: “O
‘arrastão’ não poderia ter sido combinado porque há uma
rivalidade demasiado grande entre bairros.” O futebolista
federado, que não fugiu quando o pânico se instalou na areia,
ilustra a sua tese: “Os do Cacém odeiam os de Francos. A malta
de Chelas detesta os da Cova da Moura e assim por diante.” A
maturidade do discurso não parece encaixar-se na voz fina e no
ar imberbe. Mas as cenas de violência a que assistiu já lhe
roubaram muita da inocência dos 15 anos. Em Maio, foi apanhado
no meio de um tiroteio numa festa africana em Queluz. “Não tenho
medo do som dos tiros”, diz com o peito cheio de ar. Até quando?
Quem não tem problemas em confessar o trauma pelos distúrbios do
feriado é Bruno, 17 anos. Ele não queria regressar aos areais de
Carcavelos mas para quem vem de transportes públicos da linha de
Sintra, não há grandes alternativas para gozar os raios
ultravioletas do sol de Verão. “O Tamariz está ‘out’ e a Costa
de Caparica fica demasiado longe”, justifica.
O estudante do 12.º ano, acredita, no entanto, que o arrastão
não terá passado de um infeliz acaso. “Era um dia especial:
conjugou-se o feriado e o início de férias escolares. Juntou-se
demasiada gente de bairros problemáticos num curto espaço. E
deu-se a explosão.”
Bruno recusa-se a defender os autores do roubo, mas indigna-se
por assistir ao crescimento de movimentos racistas contra a
população africana: “Principalmente contra os da Cova da Moura.
É o azar deles e a sorte dos gangs de outros bairros que podem
armar confusão à vontade.” Nota de rodapé: Bruno tem a pele
branca, apenas um pouco escaldada pelo sol, e vive no bairro
social da Serra das Minas.
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Crime sobe na Amadora |
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A criminalidade na área da Divisão da PSP da Amadora subiu no
primeiro trimestre deste ano em relação a igual período do ano
anterior, de acordo com estatísticas policiais a que o CM teve
acesso.
O caso mais
flagrante é o das apreensões de droga. Na área da PSP da Amadora
(todo este concelho e ainda parte do de Sintra), nos primeiros
três meses deste ano, foram apreendidas mais de 5200 doses de
heroína (quase o dobro que no ano anterior).
No rol das apreensões de droga, a polícia contou ainda mais de
4850 doses de cocaína, quando no período homólogo de 2004 tinham
sido apreendidas 1550 doses.
Já a apreensão de haxixe subiu em flecha. A polícia confiscou
mais de 7140 doses entre Janeiro e Março do ano passado. Este
ano foram contabilizadas mais de 97 900 doses, o que corresponde
a cerca de 20 quilos de haxixe em três meses.
O culminar de uma investigação, no dia 16 de Fevereiro, levou à
detenção de 4 homens por tráfico de comprimidos de ‘ecstasy’.
Foram apreendidas 15 mil unidades a juntar a outras 125
apanhadas no âmbito de outras actuações policiais realizadas
entre Janeiro e Março deste ano. No primeiro trimestre do ano
anterior não tinham sido apreendidas ‘pastilhas’.
Para estes números, reconhece a PSP, também tem contribuído a
cooperação de outras forças de segurança: PJ, SEF, e
Inspecção-Geral de Actividades Económicas.
OUTROS CRIMES
28 COM ÁLCOOL
O crescendo da criminalidade obrigou a mais operações de
controlo de trânsito. No primeiro trimestre do ano passado foram
detidos 16 condutores com uma taxa de alcoolemia superior a 1,2
g/l. Nos três primeiros meses deste ano, foram apanhados 28.
SEM CARTA
As operações de trânsito realizadas pela Divisão da Amadora da
PSP detiveram ainda, entre Janeiro e Março, 60 condutores sem
habilitação legal, mais 13 que em período homólogo do ano
passado.
DETENÇÕES
No primeiro trimestre de 2004 a PSP deteve 211 suspeitos. Este
anos, de Janeiro a Março, foram apanhados 215 suspeitos de
vários crimes.
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Lisboa:
momentos de tensão no desfile entre o Martim Moniz e o
Rossio |
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Polícia
evitou confrontos na manifestação skin |
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O cenário é de tensão. O Rossio de Lisboa está dividido em duas
facções. No centro da praça D. Pedro IV, centenas de
manifestantes de extrema-direita – entre eles dezenas de
‘skinheads’ – gritam palavras contra a criminalidade e a
imigração. Para lá da barreira policial, começa a formar-se um
grupo de imigrantes que não resiste e parte para os insultos.
São 16h00. No
altifalante soa a buzina que assinala o final da marcha contra a
criminalidade. O mesmo som que assinalou o início da
manifestação na praça do Martim Moniz, às 14h00 de ontem.
A polícia mantém-se alerta. São poucos os nacionalistas de
extrema- -direita que enrolam as bandeiras contra a imigração e
se põem a caminho. A maioria mantém-se firme gritando por
Portugal.
Até que um grupo de estrangeiros se junta numa outra calçada e
tenta abafar os manifestantes. “Querem casas e centros
comerciais, somos nós que os construímos”, dizem. As palavras
são logo abafadas por um grupo de cabeças-rapadas. “Vão para o
vosso País”, dizem. Os ânimos exaltam-se e a polícia actua logo.
Separa as duas facções, coloca--se no meio da estrada e cria uma
barreira policial de elementos do Corpo de Intervenção.
Os apupos chovem de uma lado e outro até que a PSP começa a
trocar as posições. “É uma manobra estratégica”, dizem.
Resultou.
Ainda assim um grupo de manifestantes de extrema-direita correu
em direcção ao elevador da Glória e agrediu um negro mais
provocador. A vítima acabou por se refugiar numa loja até à
chegada da PSP, que conseguiu resolver a situação.
A marcha contra a criminalidade, organizada pela Frente
Nacional, começou no Martim Moniz e ia angariando apoiantes à
medida que percorria a baixa lisboeta. Sexagenários juntaram-se
a cabeças-rapadas que envergavam roupas negras e cartazes contra
os imigrantes e o crime. O Hino Nacional entoava e contagiava os
curiosos que assistiam à porta dos estabelecimentos comerciais.
O centro comercial da Mouraria – onde trabalham dezenas de
imigrantes – fechou as portas, temendo que a passividade da
marcha não passasse de uma promessa.
'NEM ASSALTOS NEM EXTREMA-ESQUERDA'
Domingos lia o jornal à sombra de uma árvore na Praça do Martim
Moniz, em Lisboa. É nigeriano e estuda literatura em Portugal há
dois anos. O grupo de ‘skinheads’ que se aglomerava a dois
passos de si não o intimidou. Se alguém o chateava pelo tom da
sua pele, ele respondia com paz. No chão já estavam estendidos
os cartazes da marcha.
Enquanto José Pinto Coelho, do Partido Nacional Renovador,
criticava a imigração, havia quem estivesse mais atento ao
conteúdo dos cartazes: “Basta! Imigrantes = Crime”; “Não existem
direitos iguais quando és um alvo a abater”.
Na frente da marcha, que entretanto começou, cerca de uma dezena
de nacionalistas segurava um cartaz: “Isto é nosso”, lia-se. Ao
lado, um manifestante travava outra luta. Em silêncio exibia o
cartaz: “Nem assaltos, nem extrema-esquerda. Nenhum presta”.
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Nacionalidade -
Sampaio quer nova Lei |
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A defesa de alterações à Lei da Nacionalidade – dando
nacionalidade portuguesa a filhos de imigrantes já nascidos em
Portugal –, a par da necessidade “urgente” de uma requalificação
urbana para a Cova da Moura, foram os grandes temas que Jorge
Sampaio apresentou ontem de manhã naquele problemático bairro
dos arredores de Lisboa – numa visita em que o Presidente da
República também aproveitou para condenar os actos de
“intolerância, racismo e xenofobia”, numa alusão à manifestação
de extrema-direita em Lisboa.
Jorge Sampaio
defendeu a alteração da Lei da Nacionalidade porque, segundo
diz, “há pessoas nascidas no nosso país que neste momento não
têm nacionalidade” – é que, através da actual lei, aos filhos
dos estrangeiros nascidos em Portugal é concedida a
nacionalidade dos pais ou, em alternativa, é inscrito no registo
do nascimento que a criança tem ‘nacionalidade desconhecida’.
O Presidente quer acabar com esta situação e dar a cidadania
portuguesa aos filhos de imigrantes que nasçam em Portugal.
Eram 10h00 quando a comitiva presidencial – à qual se juntaram
os ministros da Educação e Ambiente, secretário de Estado do
Ordenamento e presidente da Câmara da Amadora, entre outras
individualidades – irrompeu pela rua principal da Cova da Moura,
rodeada de grandes medidas de segurança a cargo da PSP.
Acompanhado pela primeira-dama, Maria José Ritta, o Presidente
foi entusiasticamente recebido por muitos moradores e membros da
associação cultural ‘Moinho da Juventude’ – dedicada ao apoio
dos jovens moradores.
Num dia marcado pela anunciada manifestação, à tarde, de
militantes de extrema-direita contra a imigração e criminalidade
em Portugal, o Presidente não escondeu algum desconforto com a
situação.
“Portugal orgulha-se de ser um país tolerante. Tal como no
passado outros países acolheram os nossos emigrantes, nós
recebemos outros povos e outras culturas ao longo de 30 anos de
democracia”, disse.
No entanto – e apesar de condenar “a xenofobia, o ostracismo e a
demagogia mediática” –, Sampaio lembrou a obrigação de todos
“respeitarem as leis de um Estado de Direito”. “Encarar esta
realidade é também punir quem se julga acima da Lei ou quem a
viola”, disse.
A requalificação urbana da Cova da Moura é, segundo o
Presidente, de carácter “urgente”.
“Como tantos outros bairros do País, e especialmente nas
periferias das áreas metropolitanas, a Cova da Moura nasceu e
cresceu desordenadamente, sem qualquer tipo de intervenção
atempada e eficaz”, disse.
O presidente da Câmara da Amadora, Joaquim Raposo, fez um apelo
ao Governo para que o concelho seja considerado “um caso de
excepção” e elogiou o “papel determinante do ‘Moinho da
Juventude’ no trabalho que tem feito, substituindo muitas vezes
a falta de apoio dos diferentes governos”.
"A SITUAÇÃO DOS FILHOS É INJUSTA"
Isabel Marques tem 36 anos e vive há 20 na Cova da Moura. Mas
apesar disso, esta cabo-verdiana nunca conseguiu nacionalidade
portuguesa – tal como os quatro filhos, de 15, 18, 19 e 20 anos,
todos nascidos em Portugal.
Uma situação que Isabel considera injusta e que muito os
prejudica: “Eu posso ser estrangeira mas os meus filhos nasceram
cá e deviam ser considerados portugueses, em vez de lhes
atribuirem a minha nacionalidade. A minha filha de 19 anos não
consegue arranjar emprego precisamente por causa da
nacionalidade, o que é injusto”, diz.
Depois da visita do Presidente e de o assunto ter sido abordado,
Isabel tem agora esperança que o Governo “faça alguma coisa”.
"VIVÍAMOS DE PORTAS ABERTAS"
Com 43 anos, Maria Felicidade Gonçalves vive no bairro há 23.
Para ela, a presença de Jorge Sampaio na Cova da Moura foi
importante para que o Presidente ouvisse “a voz de um povo que
precisa de ser ajudado”.
“O bairro tem pessoas honestas e não é só feito de delinquentes
– esses são uma minoria”, diz. Maria Felicidade, que vive com a
mãe, o marido e os três filhos, tem “fé” num regresso à
segurança de outros tempos.
“A criminalidade no bairro tem sido muito falada mas lembro-me
de quando vivíamos aqui com as portas de casa abertas”.
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Polícia promete Verão com
segurança apertada |
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Grupo de
Operações Especiais destacado pela primeira vez para a operação
Verão Seguro. Polícia de choque vai patrulhar praias. PSP vai
filmar zonas turísticas e dar informações, nos aeroportos, aos
turistas
A segurança nas
praias e zonas turísticas será este ano alvo de um reforço de
patrulhamento policial. A estratégia de prevenção seguida pela
PSP tem em vista transmitir segurança aos cidadãos portugueses,
mas também a todos aqueles que chegam a Portugal. A
criminalidade grupal e alterações da ordem pública são algumas
das preocupações da Direcção Nacional da PSP para este Verão e
por isso mesmo o reforço de polícias passa também, pela primeira
vez, pela afectação de «Equipas de Reacção Táctica» à Operação
Verão Seguro 2005.
A segurança em
época balnear engloba uma reestruturação dos meios disponíveis
das polícias. Uma das soluções encontradas está na colocação dos
agentes de autoridade, do programa «Escola Segura», de novo nos
Comandos operacionais de modo a que possam ser destacados para
as zonas de maior fluxo populacional. Este redireccionamento das
forças de segurança permite que mais 324 polícias, 142 viaturas
e 99 motas patrulhem áreas de maior risco.
Na mesma linha
de gestão de recursos a Direcção Nacional da PSP (DNPSP) coloca
também nos Comandos de Lisboa, Porto e Faro, cerca de 685
elementos do Corpo de Intervenção (CI) que vão: «não só estar
alerta de modo a intervir em qualquer situação de alteração de
ordem pública, que pode ser detectada pelas câmaras de
vigilância, mas também vão reforçar o efectivo que patrulha as
zonas com mais turistas», adiantou ao PortugalDiário o
comissário Moura, da DNPSP.
O Grupo de
Operações Especiais (GOE) faz parte das unidades especiais da
Policia e lida com situações de terrorismo, sequestro e
criminalidade mais violenta e complexa. «Este ano, o GOE e o CI
vão formar equipas com cerca de 12 elementos e que estarão
preparados para lidar com casos complexos, como por exemplo,
terrorismo ou grandes assaltos com armas de fogo», explicou o
mesmo comissário.
O fluxo de
populações para as zonas costeiras traz ainda uma outra
realidade na segurança interna do país. Muitas habitações ficam
sem vigilância o que potencia os furtos. Deste 1977 que a PSP
tem em conta esta criminalidade, mas só desde 1985 é que todos
os Comandos do país efectuam vigilância às habitações quando os
seus proprietários vão de férias. A Operação Férias está este
ano inserida na operação Verão Seguro.
«Até ao ano
passado as duas politicas de prevenção estavam separadas, mas
este ano estão integradas de modo a que os Comandos distritais
possam fazer uma melhor gestão dos recursos», explicou o
comissário Moura que adiantou ao PortugalDiário que de 2002 a
2004 apenas 21 casas foram assaltadas de entre mais de 21 mil
que estiveram sob vigilância da PSP. Qualquer cidadão pode pedir
este serviço à PSP.
A política de
prevenção de crimes vai também contar com videovigilância e
esquadras móveis. «Estamos a ultimar os procedimentos para que
através das câmaras possamos detectar situações de perigo. Os
nossos postos móveis terão também uma maior mobilidade, no
sentido de funcionarem como esquadras móveis ao dispor do
cidadão», adiantou.
A proximidade
com os cidadãos é uma das preocupações da PSP que este ano é
estendida aos turistas. «Temos também o projecto de receber os
cidadãos, que vêm passar férias a Portugal, nos aeroportos com
informação de prevenção», afirmou o comissário responsável.
A GNR, à
semelhança da PSP, tem em marcha desde dia 15 a operação Verão
Seguro, sendo que a actuação desta força é mais vigente no
controlo do trânsito e das florestas.
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