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Polícia de choque e da TV
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Estes
polícias actuais de TV são agradáveis, simpáticos, humanos,
preocupados com problemas familiares, algumas vezes até
homossexuais. O imaginário colectivo vê-os como personagens
positivos.
Penso que foi
em 1952. Estava a estudar em Turim e ao atravessar a Praça San
Carlo para ir para a universidade encontrei uma manifestação. A
manifestação não era nenhuma revolução, havia trabalhadores com
cartazes e bandeiras mas era, claro, um acontecimento não
autorizado.
A princípio não percebi o que estava a acontecer porque andava
ao longo das arcadas, mas, de repente, vi a multidão a dispersar
quando as carrinhas verdes da polícia de choque de então
começaram a acelerar loucamente pela praça. Eu tinha 20 anos e
era membro do movimento católico juvenil.
Mas, apesar de já na altura ser sensível aos problemas sociais,
havia demasiadas bandeiras vermelhas na praça para eu me sentir
envolvido no assunto. Consequentemente, tentei acelerar o passo
ao longo das arcadas de modo a virar para uma rua lateral logo
que possível.
Mas as carrinhas também tinham entrado nas arcadas e tornou-se
um problema de segurança pessoal. Comecei a correr, mas percebi
que havia uma carrinha a perseguir-me de perto. Os polícias
estavam pendurados fora do veículo batendo furiosamente com os
seus bastões.
Eu estava agarrado à parte de fora de uma das colunas das
arcadas, mas a carrinha passou quase rente à coluna e um polícia
tentou atingir-me com um fortíssimo golpe do seu bastão.
Felizmente acertou na aresta do pilar a cinco centímetros da
minha cabeça. Se eu estivesse um pouco mais de fora teria
acabado no hospital.
Consegui fugir daquela confusão, mas nunca esquecerei aquele
polícia. Pequeno e mal vestido (naquela época não eram elegantes
como hoje e os uniformes eram feitos de um feio tecido
esverdeado), com a face queimada de um trabalhador agrícola do
Sul que falava de anos de dificuldades e de fome.
Tinha um ar mau e não lhe importava em quem batia, limitava-se a
bater e pronto. Era para isso que lhe pagavam e isso
bastava-lhe.
Anos mais tarde reconheci o meu polícia de intervenção na
memorável diatribe de Pasolini contra os estudantes (polícias
proletários contra os burgueses agitadores de esquerda).
Era assim a polícia naquele tempo. De certa forma como os
actuais soldados americanos que lutam no Iraque, agora que penso
no assunto. Gente pobre que se alistava para poder escapar à
pobreza e que fazia o que tinha a fazer porque não sabia fazer
mais nada.
Na altura não pensei muito nos problemas dramáticos que estavam
na origem do recrutamento policial nos anos 50 e a imagem desse
polícia enfurecido pode ter tido alguma influência nas minhas
escolhas políticas subsequentes.
Actualmente posso assistir a séries sobre a polícia todas as
noites na televisão (e se não for uma série italiana é uma série
francesa, o que é a mesma coisa) e sigo com imenso prazer as
séries sobre esquadras da polícia, sargentos, chefes, capitães -
aquilo que me aparecer.
Devo dizer que, na sua maioria, as séries são boas, as histórias
devidamente repetitivas como devem ser em qualquer série de
polícias digna desse nome, e os actores são simpáticos. E é
agradável passar desta forma o tempo entre as 9 e as 11 (podemos
sempre ler Homero na cama). Resumindo, adoraria ser preso por
uma mulher-sargento parecida com a estrela de televisão italiana
Alessia Marcuzzi.
Estes polícias de televisão actuais são agradáveis, simpáticos,
humanos, preocupados com os problemas familiares, algumas vezes
até homossexuais.
Por outras palavras, o imaginário colectivo vê-os como
personagens positivos (a um ponto tal que, quando a polícia usa
violência excessiva, como aconteceu durante a cimeira do G8 em
Génova em 2001, o país protesta, esquecido do facto de que na
época do meu antiquado polícia de choque essa era a regra e não
a excepção).
O que significam estas séries de televisão? Nascerão de alguma
intriga perversa urdida por um qualquer manhoso agente secreto
que, através do Governo de direita, quer publicitar as virtudes
dos inimigos do povo?
De maneira nenhuma. Elas viram a luz do dia porque, actualmente,
as instituições de manutenção da ordem pública já não recrutam
apenas pobres almas vindas do Sul profundo atormentado pela
pobreza, porque o treino dos candidatos é mais rigoroso e os
uniformes são mais elegantes.
Já não se ensina aos recrutas que devem espancar os comunistas,
mas sim que devem proteger os cidadãos e por aí fora.
Mais do que qualquer outra coisa, no entanto, a função social da
força policial mudou (e sou levado a pensar, também, que isso
aconteceu devido ao facto de muitos trabalhadores votarem agora
no centro-direita e por isso não haver já muita gente para
espancar).
O clima também mudou, porque, depois dos anos trágicos de
terrorismo, até os partidos de esquerda estão agora ao lado do
Estado e deixaram por isso de criminalizar as instituições de
manutenção da ordem.
Além disso, por uma maravilhosa ironia da História, é agora o
centro-direita quem está a criminalizar a magistratura - e os
procuradores públicos nas várias séries policiais, apesar de
aparecerem como uns seres desagradáveis, emergem no fim tão
afáveis e humanos como qualquer um de nós.
Assim, a televisão italiana, com os canais de Berlusconi
incluídos, está a trabalhar contra o próprio ataque político de
Berlusconi à magistratura.
Não irá demorar muito, portanto, até que os telespectadores
vejam a Polícia como uma força de esquerda - força que,
estranhamente, vai para o ar sob a égide de um Governo de
direita.
É inacreditável a forma como as coisas mudaram em menos de 50
anos.
Exclusivo DN/The New York Times Syndicate.
Tradução de Cristina Magalhães Queiroz
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Cadeia:
fechado em alta segurança no Linhó |
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Marcos
prefere a morte ao isolamento |
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O homem preso pela morte de dois agentes da PSP da Amadora, em
Março, não vive dias fáceis na cadeia do Linhó, Fechado na ala
de segurança, sai uma hora por dia para o recreio e nem fala com
outros presos. Está em greve de fome há duas semanas. O advogado
José Maria Martins quer Marcos junto dos restantes reclusos.
Todos os dias,
desde há quase duas semanas, a médica e o enfermeiro da cadeia
fazem uma visita à cela de Marcos Fernandes, na ala de segurança
do Estabelecimento Prisional do Linhó, em Sintra. O recluso,
presumível autor dos disparos à queima-roupa que mataram dois
agentes da PSP da Amadora, começou uma greve de fome no dia 20,
em protesto contra as condições em que cumpre a prisão
preventiva. José Maria Martins, o seu advogado, considera, em
declarações ao Correio da Manhã que “se trata de um caso de
violação de direitos humanos”.
De acordo com a Direcção-Geral dos Serviços Prisionais (DGSP),
são “razões de segurança” a determinar que Marcos Fernandes faça
parte da população da ala mais reservada da cadeia do Linhó. “O
sector de segurança é um pequeno sector em que se encontram os
reclusos com características que não são compatíveis com uma
vivência em grandes grupos, mas somente com grupos mais
restritos de reclusos”, explica Assunção Júdice, porta-voz da
DGSP.
A cadeia do Linhó ocupa cerca de 90 hectares junto à Estrada de
Albarraque, em Sintra, e tem 636 reclusos, mais 52 do que a
capacidade máxima, na sua maioria jovens adultos com idades
entre os 20 e os 30 anos.
Marcos Fernandes, um luso-brasileiro de 30 anos conhecido por
‘Rouxinol’, foi dos últimos a chegar, há três meses, como preso
preventivo. Mais um a juntar às quase cinco centenas de homens
que se encontram na mesma condição. Mas o Rouxinol foi colocado
na ala de segurança e ficou com as saídas para o recreio
limitadas a uma hora por dia e pouco contacto com outros presos.
Há duas semanas, decidiu iniciar uma greve de fome, ao mesmo
tempo que o seu advogado começava a preparar um pedido de
‘habeas corpus’ por detenção em local ilegal. Desde então,
Marcos tem sido acompanhado pela equipa médica da cadeia. “O seu
estado de saúde é normal e faz diariamente vários testes”,
explica Assunção Júdice.
No entanto, o advogado José Maria Martins alega que Marcos ainda
não foi autorizado a encontrar-se com o psiquiatra que o
acompanha e que sofre de uma alergia.“A detenção do meu cliente
na ala de segurança não tem justificação. Não pode ser a
Direcção-Geral dos Serviços Prisionais a punir as pessoas”,
afirma José Maria Martins. “Ele não pode estar detido há três
meses no sector de segurança.”
Marcos Fernandes é o principal suspeito da morte brutal de dois
agentes da PSP da Amadora, em Março. Quando o tentavam
interceptar junto a um bar, durante a madrugada, os dois
polícias foram baleados à queima-roupa: um na cabeça e outro no
corpo. Um terceiro agente escapou com vida, apesar de ter sido
alvo de disparos.
Marcos abandonou o local de carro, mas foi apanhado pela PJ no
dia seguinte, no Alentejo, na posse de um autêntico arsenal. As
armas de fogo ilegais que mantinha na sua posse, às dezenas,
terão sido adquiridas na Suíça, onde Marcos Fernandes residiu
durante algum tempo.
A morte dos dois polícias, ocorrida poucas semanas depois de um
outro agente ter sido assassinado no Bairro da Cova da Moura,
também na Amadora, deixou o País em estado de choque. Mais ainda
quando se soube que o ‘Rouxinol’, que tem uma irmã advogada, era
já procurado pelo seu envolvimento num outro homicídio, ocorrido
anos antes, no Brasil.
O crime, de resto, parece fazer parte da sua vida, em diferentes
circunstâncias. Aos quinze anos, durante um assalto de que foi
vítima no Rio de Janeiro, Marcos foi atingido a tiro na cara.
Sobreviveu, mas as marcas ficaram.
'HABEAS CORPUS' ADIADO
José Maria Martins, advogado de Marcos Fernandes, vai apresentar
segunda-feira o pedido de ‘habeas corpus’ por detenção em local
ilegal. Ao contrário do que estava previsto, o pedido não foi
interposto ontem no Tribunal de Instrução Criminal. “Mas será na
segunda-feira”, garantiu o advogado, que pretende ver o seu
cliente fora do sector de segurança da cadeia do Linhó e
colocado junto da restante população prisional.
Marcos Fernandes foi detido pela PJ a 21 de Março, menos de 24
horas depois de, alegadamente, ter abatido a tiro dois agentes
da PSP. Presente a Tribunal, recolheu em prisão preventiva à
cadeia do Linhó. As medidas de coacção devem ser revistas de
três em três meses e não é provável que o luso-brasileiro possa
sair em liberdade até ao julgamento.
RECLUSOS DO LINHÓ NAS NOTÍCIAS
O Estabelecimento Prisional do Linhó é uma das maiores cadeias
portuguesas e são muitos os criminosos famosos que por ali
passaram nos últimos anos. Foi de lá que saiu, em Outubro do ano
passado, Franquelim Pereira Lobo, um dos maiores traficantes
portugueses, graças a um ‘habeas corpus’ interposto pelo seu
advogado.
Após passar alguns dias com a família, o ‘Lobo’ voou para o
Brasil, onde foi detido perto do Rio de Janeiro, pela Polícia
Federal brasileira, que o investigava, por branqueamento de
dinheiro vindo do tráfico de droga.
No início de Junho, Ovídio Almeida, o ‘Corvo’ saiu do Linhó para
prestar declarações na instalações da Divisão de Investigação
Criminal da PSP, em Lisboa. Cumpria uma pena de oito anos e oito
meses por crimes como associação criminosa, roubos e agressões.
Aproveitando uma ida à casa de banho, conseguiu saltar para a
rua, mas durante a fuga foi morto a tiro por um agente da PSP.
CADEIAS MAIS HUMANAS
Cerca de 126 reclusos da cadeia de alta segurança de Vale de
Judeus estreiam hoje as primeiras celas remodeladas do sistema
prisional português que, em definitivo já não têm o ‘balde
higiénico’.
O ministro da Justiça, Alberto Costa, que ontem visitou a ala
remodelada, frisou que ‘até ao final de 2007 todas as cadeias
estarão libertas do balde higiénico”. No total, um investimento
de 17 milhões de euros. “O estado deve punir com rigor mas deve
tambem assegurar condições mínimas de humanidade”, acrescentou o
governante.
Paralelamente à instalação da sanita e de um lavatório, foi
implantado um sistema de ventilação próprio e remodelado o
mobiliário das celas, agora em cimento integrado na parede,
cumprindo novas normas de segurança. Segundo Alberto Costa, nos
56 estabelecimentos prisionais portugueses, cerca de 25 por
cento das celas ainda têm ‘balde higiénico’. No último
levantamento, concluiu-se que existem ainda 22 prisões com este
‘drama’, onde 54 por cento das celas não possuem ainda
sanitários. O projecto foi iniciado quando Celeste Cardona era
ministra da Justiça.
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Polícias com regras apertadas
na vida privada |
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PDiário: Até para pertencer a colectividade de bairro ou
associação de pais é preciso autorização superior. Actividades
partidárias, consumo de álcool e amizades estão condicionadas.
«Tanto pode ser restrição de direitos, como uma defesa»
Os
profissionais das forças de segurança, mesmo quando estão fora
de serviço, não podem participar em actividades públicas sem uma
autorização prévia dos responsáveis da tutela. O presidente da
Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP), Alberto
Torres, explicou ao PortugalDiário que «é proibido aos
profissionais da PSP exercer qualquer actividade política ou
social sem autorização da tutela da PSP». «Até para pertencer à
direcção de uma simples colectividade de bairro ou de uma
associação de pais é preciso ter autorização», esclarece o
sindicalista.
Segundo o
presidente da ASSP, esta situação pode ser encarada de duas
formas: «Tanto pode ser uma restrição de direitos, como uma
forma de defesa». Se acontecer «algum problema», durante o
decorrer da actividade em causa, podem dizer que tiveram
«autorização dos responsáveis para estar presentes».
O Regulamento
Disciplinar da PSP diz que os agentes «devem conservar, no
serviço e fora dele, princípios, normas, atitudes e
comportamentos que exprimam, reflictam e reforcem a dignidade da
função policial e o prestígio da corporação». Mas as restrições
impostas aos profissionais, mesmo quando não estão a trabalhar
vão mais longe. O mesmo documento diz que os profissionais de
segurança não podem «conviver, acompanhar ou travar relações de
familiaridade com indivíduos que, pelos seus antecedentes
policiais ou criminais, estejam sujeitos a vigilância policial».
«Evitar actos
ou comportamentos que possam prejudicar o vigor e a aptidão
física ou intelectual, nomeadamente o consumo excessivo de
bebidas alcoólicas, bem como o consumo de quaisquer outras
substâncias nocivas à saúde», é outra das imposições do
regulamento.
O presidente da
ASSP recorda que, em termos de comportamento, «a exigência para
com os profissionais de segurança é maior do que com os cidadãos
comuns». «Um agente que cometa um pequeno delito, no mínimo
perde o emprego.» Como exemplo, Alberto Torres cita o caso de um
agente que foi «expulso da instituição por ter furtado uma
cassete de vídeo».
Ainda esta
sexta-feira um agente da PSP foi dado como tendo participado na
organização da manifestação nacionalista, que decorreu em
Lisboa. Ao PortugalDiário, a Direcção Nacional da PSP afirmou
que o indivíduo em causa «não é agente, nem tem nada a ver com a
PSP». No entanto, o indivíduo identificou-se como agente ao
Governo Civil de Lisboa e ao jornal Tal & Qual.
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Costa paga dívidas
da PSP e da GNR |
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Uma importante
fatia do Orçamento Rectificativo, na administração interna, vai
ser utilizada para cobrir as dívidas das forças de segurança. Os
cerca de 118 milhões de euros pagarão as despesas com os
subsistemas de saúde e ainda sobra dinheiro para regularizar os
gratificados em divida, na GNR e PSP, e ainda para desbloquear
as promoções que, na Guarda, estão em atraso desde 2003.
O anúncio foi feito ontem, em Portalegre, pelo ministro de
Estado e da Administração Interna. António Costa falava na
cerimónia de Compromisso de Honra de 1093 novos soldados da GNR
que, a partir de agora, vão ajudar na defesa do país e engrossar
as fileiras dos programas Verão Seguro e Floresta Segura 2005.
O governante puxou pelo discurso da crise e das dificuldades
financeiras do estado. Assim justificou uma série de medidas
estruturais que garantam a sustentabilidade do mecanismo de
apoio na doença. As mudanças, "quanto aos beneficiários, quanto
aos benefícios e quanto às quotizações" da ADMG e SAD visam,
segundo o ministro, "assegurar a harmonização de regimes com a
autonomia dos diferentes subsistemas". Na prática é aproximar
tudo do modelo gizado para os funcionários da administração
pública.
"Não se confunda a cobertura dos riscos de doença, ferimento ou
morte em serviço, com os regimes de assistência na doença",
afirmou. No essencial a proposta prevê apenas um corte nas
comparticipações encurtando também no grau de parentesco dos
beneficiários. Só serão abrangidos os familiares directos.
No que respeita à mudança no regime de reserva e reformas o
ministro deixou também a garantia de que, "não deixará de
acautelar um regime transitório proporcional às expectativas
legítimas de quem, há décadas, serve a GNR". |
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BT/GNR - Testemunha fazia listas de militares subornados |
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Lista apreendida implica efectivo
de posto da GNR |
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Um dos sócios-gerentes da empresa de transportes Transalvizil,
que só à sua conta implicou 80 dos 195 arguidos do processo de
corrupção na BT/GNR, admitiu ontem que todos os militares do
efectivo do posto da GNR de Rio Maior em Outubro de 2000 (nenhum
deles está a ser julgado) foram gratificados com senhas de
gasolina.
Ricardo Vieira,
filho do dono da Transalvizil (com sede em Rio Maior), foi
arrolado como testemunha de acusação, depois de o pai, José
Vieira, lhe ter atribuído a autoria de diversas listas com nomes
e números de militares da BT.
Os documentos foram apreendidos pela Polícia Judiciária, em
buscas à empresa, e serviram como meio de prova na acusação
deduzida contra 80 militares da BT, de vários destacamentos, que
respondem por crimes de corrupção passiva.
Entre estes documentos consta uma lista, datada de Outubro de
2000, enviada à Transalvizil pelo comandante do posto de Rio
Maior. O documento, onde consta todo o efectivo do posto naquela
época, foi um dos elementos mais referidos num interrogatório
anterior (já no Tribunal de Sintra) a José Vieira, dono da
Transalvizil. Este admitiu ter-se deslocado pessoalmente ao
posto em causa, para gratificar todos os militares com senhas de
gasolina.
Ontem, Ricardo Vieira admitiu ter tido conhecimento desta
prática. No entanto, negou saber como e quando foi o documento
enviado para a sede da Transalvizil.
As gratificações dadas pela empresa aos militares da BT
consistiram sempre, segundo a testemunha, “em envelopes com
cinco senhas de gasolina, valendo dois contos [dez euros] cada
uma”. “Todas as gratificações que dei foi sempre respondendo a
ordens do meu pai”, descreveu Ricardo Vieira.
Durante algum tempo a empresa registou todas as ofertas,
existindo alguns arguidos que, segundo Ricardo Vieira,
“receberam mais do que um envelope”.
EXTORSÃO
Despachando sobre um requerimento apresentado, na sessão de
quinta-feira, pelo advogado Luís Ventura, a juíza Anabela
Cardoso deliberou que uma testemunha fosse ouvida através do
sistema de videoconferência. José Luís Teixeira, um professor de
35 anos, prestou depoimento a partir do Tribunal de Lamego.
Depois de ter falado durante a fase de inquérito, a testemunha
foi de novo chamada para esclarecer um alegado crime de
extorsão, que imputa a um dos arguidos do processo. A situação
remonta a 2001 e, segundo José Luís Teixeira, “configurou uma
situação de extorsão”. “Fui acusado de ter passado um sinal
Stop, e acabei por ser pressionado a dar cinco contos ao
militar”, garantiu.
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Suspeito da morte de dois polícias |
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Marcos em
greve de fome |
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Marcos José Fernandes, o principal suspeito do homicídio de dois
agentes da PSP da Amadora, em Março, está em greve de fome há
quase duas semanas. O ‘Rouxinol’, como ficou conhecido, quer
sair do sector de segurança em que se encontra detido há três
meses no Estabelecimento Prisional do Linhó.
Hoje, o
advogado José Maria Martins, que representa Marcos, vai entregar
no Tribunal de Instrução Criminal um pedido de ‘habeas corpus’
por detenção em local ilegal, visando a sua transferência para o
regime normal de prisão.
Marcos Fernandes, um luso-brasileiro de 30 anos, foi detido pela
PJ a 21 de Março, apenas 24 horas depois de, alegadamente, ter
abatido a tiro dois agentes da PSP que o abordaram numa rua da
Amadora. Na sua posse tinha dezenas de armas de fogo e outro
material bélico.
Marcos Fernandes recolheu em regime de prisão preventiva ao
Estabelecimento Prisional do Linhó, em Sintra, onde permanece
desde então no sector de segurança.

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«Era uma vez um arrastão»
tenta desmontar assaltos |
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Críticas à falta de «análise crítica» nos media. Incidentes na
praia de Carcavelos terão sido empolados. «O racismo existe e
foi claro»
Críticas à
falta de "análise crítica" nos media e acusações de organização
de campanha contra os imigrantes marcaram quinta-feira a
apresentação de "Era uma vez um arrastão", documentário que
tenta desmontar os incidentes ocorridos na praia de Carcavelos.
Partindo de
imagens recolhidas dos noticiários de 10 de Junho, testemunhos e
analistas, "Era uma vez um arrastão" foi exibido na Videoteca de
Lisboa, num debate com os responsáveis pelo filme, entre os
quais Diana Andringa, jornalista e candidata pelo Bloco de
Esquerda à Câmara da Amadora nas próximas autárquicas.
No filme,
vêem-se imagens das reportagens no dia dos incidentes na praia
de Carcavelos, da manifestação de extrema-direita na semana
seguinte e testemunhos de quem esteve na praia e não viu
assaltos.
Na lógica dos
responsáveis pelo filme, não existiu um "arrastão" de assaltos,
houve sim um acontecimento empolado e construído, cuja
divulgação pelos meios de comunicação social não foi sustentada
em factos reais.
Diana Andringa
afirmou que "o racismo existe e foi claro" na maneira como se
relataram os incidentes na praia e sugeriu a existência de uma
"campanha anti-imigração", que ao associar os imigrantes à
delinquência "cria um problema securitário" que é depois
associado à esquerda, que governa.
Para o
sociólogo Rui Pena Pires, "inventou-se um acontecimento que
reforçou a estigmatização [dos imigrantes] e criou um pânico
social com consequências na decisão política", nomeadamente na
discussão sobre a lei da nacionalidade.
O jornalista
Miguel Gaspar, do Diário de Notícias, afirmou que no tratamento
dos acontecimentos de Carcavelos não houve "análise crítica das
fontes", houve um "arrastão" que surgiu antes de estarem
jornalistas no terreno, um "mito que se propagou à estrutura
editorial".
Mesmo com a PSP
a falar primeiro oficialmente em "arrastão", como se verifica no
primeiro comunicado emitido sobre os acontecimentos em
Carcavelos, a ideia viria a ser desmontada nos dias seguintes
pela própria polícia, que de uma estimativa inicial de "500
assaltantes", acabou por admitir que apenas "30 a 50" pessoas
terão provocado desacatos, defende o filme.
Uma jovem que
esteve na praia de Carcavelos naquele dia lembra a "tensão"
criada com a chegada da polícia, mas mantém que não houve
queixas de assaltos nem o "clima de terror" que foi usado nas
legendas das reportagens televisivas.
Heliana Bibas,
da Casa do Brasil, recorda no filme "a fabricação de arrastões"
como facto noticioso no Brasil com intenções políticas.
O primeiro
jornalista a escrever negando a existência do arrastão, Nuno
Guedes, da Capital, relatou como as fontes que contactou não
confirmaram a notícia difundida a 10 de Junho e reiterou que na
PSP não houve queixas por furtos na praia.
O sociólogo
José Rebelo afirmou que houve a "construção de um
pseudo-acontecimento", em que "pseudo-factos" avançados depois
de 10 de Junho se limitaram a "confirmar" o primeiro.
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Apoio à vítima sai das Lojas do Cidadão para as polícias |
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As vítimas de
crime têm já ao ser dispor 286 salas de atendimento e apoio nas
esquadras da PSP e da GNR, espaços que substituem os postos das
Lojas do Cidadão. Estes passam a estar disponíveis para o
Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).
Uma das últimas salas a ser criada foi ontem inaugurada pelo
ministro de Estado e da Administração Interna, António Costa, na
19ª esquadra da PSP de Lisboa, em Telheiras.
O público-alvo destas salas são os menores, as mulheres,
nomeadamente vítimas de violência doméstica, os idosos e os
deficientes. Os espaços pretendem ser locais privados e mais
humanizados, com agentes com formação específica no atendimento.
Para o biénio 2005/2007, a PSP tem prevista a formação de mais
152 elementos policiais, nomeadamente na área da vitimologia,
para a criação de mais equipas específicas de atendimento e de
investigadores em crimes de violência familiar, cujas denúncias
têm vindo a aumentar anualmente.
Para António Costa, a criação destas salas nas esquadras
"reforça a confiança das vítimas nas forças de segurança e
permite-lhes mais privacidade na transmissão dos abusos ou
agressões". No entender do ministro, os espaços reúnem condições
de privacidade e humanidade que dispensam a existência dos
postos das Lojas do Cidadão, passando estes a ser utilizados
pelo SEF, nomeadamente para burocracias ligadas com a alteração
de residência dos imigrantes.
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Polícias em 'greve' à multa |
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O Sindicato dos
Profissionais de Polícia (SPP/PSP) propõe a "greve às multas"
como forma de protesto contra as medidas anunciadas pelo
Governo. Num comunicado divulgado ontem, o SPP propôs a
"tolerância às coimas durante o mês de Julho". Se esta medida
não resultar, admite avançar para "outras mais duras". Amanhã, o
ministro da Administração Interna terá uma reunião com aquela
estrutura, confirmou ao DN fonte oficial do gabinete de António
Costa.
Em carta dirigida à Associação Sindical dos Profissionais de
Polícia (ASPP) - outro sindicato do sector -, o SPP propõe ainda
um entendimento entre sindicatos, considerados "rivais", uma vez
que o SPP provém de uma cisão da ASPP. Neste documento, o
presidente do SPP, António Ramos, mostra-se disponível para um
entendimento alargado com a direcção da ASPP, pois o momento
actual, diz, "é de união". Ao DN, Alberto Torres afirmou que "a
ASPP não deve enveredar por medidas deste género", lembrando que
os agentes das forças de segurança estão proibidos de fazer
greve. No entanto, confessa o dirigente sindical, "o Governo, na
forma como tem conduzido este processo, está a empurrar as
forças de segurança para medidas de protesto nunca vistas em
Portugal". António Ramos acredita ainda que a proposta da caça à
multa terá uma adesão forte, pois "os agentes já reclamaram este
tipo de acções nas manifestações da semana passada". Os
sindicatos contestam, entre outras coisas, a alteração do
sistema de aposentação.

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PSP gastou mais de dois
milhões para salas do Euro |
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A PSP gastou
mais de dois milhões de euros no equipamento das chamadas "salas
de situação" instaladas no comando central e nos comandos
regionais das cidades onde se realizaram jogos do Euro-2004. No
concurso público aberto para o efeito, a PSP começou por
considerar que uma proposta apresentada pela empresa Prosonic
(no valor 741.134,38 mil euros, já com IVA incluído) era a mais
vantajosa. Mas, dois meses após, acabou por adjudicar o
fornecimento de material à empresa Beltrão Coelho, que
apresentou uma proposta no valor de 2 706 086,04 milhões de
euros (considerando os 19% de IVA aplicáveis). A primeira
impugnou o concurso e o caso encontra-se em julgamento no
Tribunal Administrativo e Fiscal de Lisboa (TAFL).
Através de um ofício dirigido à Prosonic, em 9 de Dezembro de
2003, a PSP informava que o "projecto de decisão final é no
sentido de adjudicar fornecimento" do material (mobiliário e
equipamentos electrónicos, como câmaras de vídeo e televisões)
àquela empresa, "classificados em 1º lugar". No mesmo ofício,
era dado um prazo de cinco dias úteis, como impõe a lei, para
que a empresa se pronunciasse por escrito "sobre questões
relacionadas com a referida decisão". Certo é que dois meses
depois, a 23 de Fevereiro de 2004, um novo ofício é enviado à
Prosonic, comunicando que por despacho do então ministro da
Administração Interna, Figueiredo Lopes, "foi autorizada a
adjudicação do serviço à firma Beltrão Coelho, classificada em
1º lugar". Nesta carta, não há nenhuma referência a qualquer
prazo para que os interessados se pronunciem sobre a decisão.
Nas alegações junto do 2º juízo do TAFL, o advogado da Prosonic
alegou, entre outros motivos para a impugnação do concurso
público, que a proposta da Beltrão Coelho é "omissa no que
respeita à quantificação dos elementos que formam o preço
total". Sendo que, continua Francisco Bacelar Monginho, no
caderno daquela empresa "os preços são apresentados por grupos
de items e nunca individualmente, por forma a aferir como se
quantificou o preço total". E exemplifica com o mobiliário
proposto "É proposto um preço de tal forma elevado que só se
justificaria se cada cadeira custasse ao erário público 2500
euros".
E sobre a diferença de preços apresentados pelos dois
concorrentes, o advogado que a opção pela proposta da Beltrão
Coelho "implica para o Estado uma despesa quatro vezes
superior". Sendo assim, alegou, assiste-se a uma "violação do
princípio da prossecução do interesse público" e a uma
"flagrante violação do dever geral de boa administração".
Por outro lado, sustenta o advogado, aquando da segunda decisão,
assiste-se a uma "flagrante violação do princípio da audiência
prévia dos concorrentes", porque, ao contrário do que aconteceu
no primeiro ofício de 9 de Dezembro, este concorrente não foi
chamado a pronunciar-se. "A lei é bem clara ao referir que antes
de ser proferida qualquer decisão final ou respeitante à
selecção de candidaturas, a entidade adjudicante deve proceder à
audiência prévia", escreveu o advogado para o TAFL.
O processo encontra-se na fase das alegações finais e uma
decisão final sobre a matéria poderá ser conhecida durante as
férias judiciais. Contactado pelo DN, o advogado Francisco
Bacelar Monginho declinou prestar declarações, uma vez que o
processo se encontra em julgamento. Invocando o mesmo motivo,
fonte oficial da direcção nacional da PSP apenas afirmou que "o
critério de adjudicação é o da proposta economicamente mais
vantajosa e não o preço mais baixo". Este critério, segundo a
mesma fonte, engloba "factores como qualidade do material,
adequação às especificações, prazos de garantia e entrega".
Por sua vez, Teresa Moreira, responsável pela área dos concursos
públicos da Beltrão Coelho, afirmou ao DN "Em todos os concurso
públicos é manifestada uma intenção de adjudicação, decorrendo o
período de audiência prévia de modo a que os concorrentes tenham
acesso à análise técnica e se possam pronunciar sobre esta, até
para detecção de eventuais erros na análise".
Em relação à comparação entre os preços das duas propostas, esta
responsável da empresa ainda adiantou "A Prosonic não requereu a
acta do júri referente aos factores de ponderação, não consultou
o relatório técnico de pontuação das propostas e por isso não se
pronunciou na fase de audiência prévia. A proposta da Beltrão
Coelho, além dos equipamentos, incluía ainda um prazo de
garantia de 5 anos, contra 1 ano da Prosonic e formação
intensiva para o manuseamento dos mesmos". O TAFL tem procedido
à audição de peritos, indicados pelas partes, para aferir se
existem ou não diferenças substanciais que impliquem a
discrepância nos preços.
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Máfias chinesas
dividem polícias |
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SIS garante que organizações estão em Portugal. SEF e PJ não têm
"indícios"
Os Serviços de
Informações e Segurança (SIS) associam, numa análise inscrita no
último Relatório de Segurança Interna (2004), a comunidade
chinesa em Portugal ao fenómeno das "organizações criminosas
asiáticas no nosso País". Mas a Polícia Judiciária (PJ) e o
Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) afirmam não haver
indícios de movimentações de tais organizações, normalmente
conhecidas como tríades. No que respeita à expansão da
comunidade chinesa, SIS e SEF também divergem o primeiro fala em
crescimento moderado, o segundo alerta para o "boom" das lojas
chinesas.
Questionado pelo DN, o coordenador do Gabinete de Segurança
Interna, Leonel de Carvalho, atribui a conclusão do SIS quanto
às máfias chinesas a uma "questão de interpretação". Segundo os
dados daquele gabinete, tal leitura não "assenta em bases da
realidade portuguesa. Não se tem provado nada de concreto.
Quanto muito, pode haver indícios em relação à imigração ilegal,
mas este não é um fenómeno exclusivo da comunidade chinesa".
Do lado do SEF, um inspector admitiu ao DN que a questão
colocada pelo SIS como "hipótese", não está alicerçada "em dados
objectivos que permitam concluir isso". No entanto, o SEF, no
último Relatório de Segurança Interna, também refere existir uma
"especial preocupação" no que toca ao "boom da actividade
empresarial de cidadãos chineses, claramente desproporcional ao
número oficial da comunidade estabelecida em Portugal" - os
dados oficiais mais recentes indicam que vivem no nosso País
mais de 15 mil chineses. Ora, questionado se esta proliferação
das lojas poderia encobrir, de alguma forma, actividades
ilícitas ligadas às tríades do oriente, a mesma fonte garantiu
que não há indícios que sustentem tal tese. Por isso, afirmou "É
arriscado partir para uma colagem imediata." Este entendimento é
partilhado por uma fonte da PJ, que também defende a
inexistência de indícios consistentes sobre as tríades.
Islâmicos. No âmbito da criminalidade organizada, o SIS prevê
"nos próximos anos" um "incremento" da actividade de
organizações criminosas em Portugal. Uma das áreas que tem
merecido acompanhamento dos serviços tem a ver com a
"legalização fraudulenta de cidadãos de origem islâmica no
espaço europeu através de casamentos brancos". Afirmando que
"Portugal é frequentemente utilizado como país de trânsito ou de
destino, bem como centro privilegiado de recrutamento de
nubentes". Leonel de Carvalho disse ao DN que este não é um
fenómeno exclusivo da comunidade islâmica, registando-se também
em imigrantes de outras nacionalidades.
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Violência |
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Membros
libertam-se quando um grupo ataca |
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Uma das características mais marcantes dos fenómenos grupais –
que a Psicologia identifica quer na política mundial quer em
cenas de violência como a ocorrida no Carvalhal – é a
‘desresponsabilização’ de cada um dos membros face às acções do
todo.
O estudo da
tomada de decisão em episódios históricos como a Baía dos Porcos
e a Crise dos Mísseis Cubanos, ambos envolvendo os Estados
Unidos da América, ajudam a compreender fenómenos mais mundanos
como o que sucedeu ontem.
“Nesse tipo de situações, existe um conformismo muito grande e
assiste-se à perda da consciência individual de cada um dos
membros. É uma espécie de preço a pagar por pertencer ao grupo,
um preço de tal modo que ninguém ousa enfrentar”, explica o
psicólogo Luís Reto. E, continua, “a partir daí toda a gente
endossa a responsabilidade ao grupo e ninguém a assume
individualmente”.
A procura de um ‘bode expiatório’, qualquer que seja, é também
uma das marcas do grupo, que não aceita ser enfrentado nas suas
dinâmicas. E quem ousa fazê-lo pode ser expulso ou tornar-se
vítima. “O povo judeu foi durante séculos encarado dessa forma
por diferentes povos”, refere o especialista.
Segundo Luís Reto, a única hipótese de travar os fenómenos
grupais surge quando se trata de algo “programado”. “Alguns dos
membros do grupo têm de actuar, como se costuma dizer, a fazer o
papel de advogados do diabo”, explica.
ATITUDE DOS AGRESSORES DIFICULTA INVESTIGAÇÃO
Os exames médico-legais e a recolha de testemunhos podem ser as
chaves para a investigação, quase sempre muito complexa, de
casos de linchamento popular. Isto porque, como é já sucedeu em
casos semelhantes, os agressores tendem a não colaborar e a
encobrir-se mutuamente.
“Neste tipo de investigação, além dos resultados dos exames
médico-legais, é importante recolher o testemunho de quem
presenciou o ataque e tentar encontrar outros meios de prova”,
explica ao CM o advogado Francisco Arrobas da Silva. “Há todo um
trabalho que deve permitir saber quem fez o quê no ataque.”
No caso do Carvalhal, é possível que todos os envolvidos venham
a ser acusados de ofensas à integridade física agravadas pelo
resultado. “Mas, em teoria, já que não disponho de elementos
sobre o caso, também pode suceder que, no meio de tudo aquilo,
alguém tentasse serenar os ânimos e afastar os atacantes”,
admite o advogado.
Afastada, para já, parece estar a hipótese de o ataque ter sido
premeditado. Juridicamente, a premeditação obriga a que
determinado crime seja preparado com uma antecedência superior a
24 horas. “Neste caso, e segundo os dados de que disponho,
estaremos perante uma situação de outro tipo, mais espontânea”,
admite Arrobas da Silva.
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- Francisco
Só existe uma solução, prisão perpétua.
- LOPES CARLOS
1. Em Portugal é sempre o mesmo. A culpa é de TODOS, logo não é
de NINGUÉM. Quando a "autoridade" policial dá espectáculo com a
simulação de um camarada morto e com a bandeira nacional e um
"senhor" a fazer de padre...2. Mas, a Escola aprovando alunos
fraquíssimos com mais de 50 FALTAS DISCIPLINARES/ano tb não
ajuda. É sempre a descer. Esforços não, PRIVILÉGIOS sim. E em
2007, como é?
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«Jovem, vem aprender técnicas de desobediência civil» |
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Workshop do Bloco de Esquerda explica como fazer «boicotes»,
«ocupar espaços públicos», «resistir a uma agressão policial» e
como agir numa manifestação
Num acampamento
destinados aos jovens, o Bloco de Esquerda tem no menu um
workshop, no mínimo, original. Chama-se «técnicas de
desobediência civil». A ideia é ensinar aos mais novos o
«básico» para puderem estar preparados para o futuro. Sobretudo,
para as futuras manifestações que a comunidade estudantil
promete para os próximos tempos.
Os jovens do
Bloco de Esquerda reúnem-se no próximo mês de Julho. O nome
«técnico» deste workshop está incluído num programa «artístico».
José Soeiro do
Bloco de Esquerda explicou ao PortugalDiário que esta actividade
«consiste basicamente em ensinar as técnicas de desobediência
civil». Aprender a fazer «boicotes», «ocupação de espaços
públicos», «como se comportar numa manifestação» e «como
resistir a uma agressão policial» serão alguns dos temas
abordados. E necessários para os dias de contestação que correm.
A desobediência
civil é «uma forma de luta utilizada desde o tempo de Ghandi»,
diz José Soeiro, e recorda que em Portugal tem sido utilizada
pelos jovens universitários, nomeadamente «no combate às
propinas, quando os estudantes invadiram vários senados nas
universidades».
Segundo os
manuais dedicados ao assunto, «a desobediência civil corresponde
a uma tradição de violação não violenta e pública da lei,
concebida para chamar a atenção para leis ou políticas
injustas».
Este tema está
incluído nos «workshops artísticos» que integram o acampamento
do Bloco, e é já o segundo ano em que o curso é ministrado.
Na senda da
irreverência característica do Bloco de Esquerda, um workshop em
desobediência civil é «obrigatório» para ingressar nas fileiras
da contestação.
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Julgamento -
Empresário confessa que organizava jantares com militares |
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Oficiais
sabiam das festas |
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Um empresário,
testemunha de acusação do processo de corrupção na Brigada de
Trânsito (BT) da GNR, admitiu ontem no Tribunal de Sintra que
organizou jantares com militares de vários Destacamentos de
Trânsito da zona de Lisboa, e que os oficiais tinham
conhecimento desta prática.
Alcino Matias,
sócio-gerente da empresa de extracção de areia e pedra ‘BritalBritas’,
foi ontem chamado a depor pela segunda vez no processo. Instado,
pelo colectivo de juízes, a esclarecer dois encontros que
manteve com um dos arguidos do processo, o empresário recordou o
seu passado de militar.
“Fui oficial-miliciano durante cinco anos e criei várias
amizades no meio militar. Inclusive na GNR. Por isso organizei
vários jantares, no Natal, com praças, cabos e sargentos da BT
”, disse Alcino Matias.
O empresário garantiu que vários comandantes de Destacamentos de
Trânsito da zona de Lisboa sabiam desses jantares, mas não
referiu se estes participaram nos referidos encontros.
“Esses jantares aconteceram durante cerca de quatro anos. Não me
recordo se oficiais participaram”, concluiu a testemunha.
EXIGIDA A LISTA DE TODOS OS PERDÕES
A Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados (ACA-M), na sequência
da notícia ontem publicada pelo CM sobre o perdão a deputados
por infrações ao Código da Estrada, requereu a diversas
entidades públicas a divulgação imediata da lista de detentores
de cargos públicos que beneficiaram da ‘atenção’ da GNR. Em
requerimentos enviados ao comandante-geral da GNR, secretário de
Estado da Administração Interna, comandante da Brigada de
Trânsito e director-geral de Viação, o presidente da ACA-M,
Manuel João Ramos, considera “grave que titulares de cargos
públicos possam evidenciar comportamentos rodoviários
infractores”.
- mario martins
Senhor Artur! Saem da escola (de seis meses) a ganhar 140
contos, há licenciados que começam a ganhar menos. Depois ainda
levam com subsidios de patrulha, de turno, da condição de
policia, mais 25% de aumento sobre o tempo de serviço ... e
daqui a pouco ainda vão exigir subsidios para irem trabalhar.Nao
tenho pena nenhuma deles e o indices de desistencias, igual a
zero, diz tudo! Aquilo é bom ..
- Artur
Enquanto os Polícias receberem um ordenado de miséria, serão
facilmente corrompidos.
- Silva
É uma vergonha, já há alguns anos que quando trabalhava com
camionistas de cisternas de combustiveis, ouvia diariamente
falar, que os motoristas tinham que andar com dinheiro
diariamente para dar aos militares da BT-GNR quando eram
fiscalizados, só espero é que esses militares que a PJ deteve
como corruptos, sejam exemplarmente punidos,caso contrária daqui
a algum tempo continuarão.
- Edson Martins
- Rio de Janeiro
Se o corrupto e o corruptor fossem punidos severamente, não
tenho dúvida que a corrupção no BRASIL e em PORTUGAL seria bem
menor.Aqui no Brasil existe uma certa doutora Georgina que
fraudou em milhões a Previdência Social. Está presa? Está! Mas o
dinheiro fraudado até agora não apareceu. Não que eu
saiba!Amanhã é solta e vai desfrutar do dinheiro.Assim vale a
pena ser corrupto.
- Pedro
Troviscais -Faro
A culpa não é deles,é do sistema, pagam salários de miséria à
Polícia com responsabilidade na manutenção da ordem, e nas
receitas para o Estado que são as multas.Este é o resultado de
quem paga mal aos seus funcionários que os obriga a ir à caixa e
fazer o que não deve.Paga-se bem ao Administrador,para
administrar bem,neste caso é o mesmo,pague-se bem à Policia, e
não haverá surpresas.
- TICIANA
Assim querem q nós respeitemos e confiemos nos q deveriam
representar a lei e defender os cidadãos.Assim está o nosso
país, festas e corrupção e esta hem?
- ADRIANO HOMEM
Essa Associação, vai ter uma negativa no seu querer de, saber
demais, essas coisas são restritas a quem beneficia delas e as
faz valer no círculo dos amigos protegidos. Não acredito que
venhamos a saber a verdadeira verdade (nua e crua? Os advogados
de defesa tinham que (os-ter) bem seguros para enfrentar máfias.
Canada
- ELIZABETE
TEIXEIRA
ISTO É Q É DEIXAR A CARAVANA PASSAR;E O POVO A PAGAR;PRA HAVER
JANTARES,E TUDO O MAIS!É UMA ALEGRIA!NÃO HAJA DÚVIDA!ISTO É Q É
PORTUGAL??PAÍS Q EU DEIXEI HÁ MAIS DE 2 DEZENAS DE ANOS?NÃO
ACREDITO!AO Q A GENTE CHEGA,MEU DEUS;VALHA-NOS SÃO BENTINHO DA
PORTA ABERTA!!LONDRES
- Manuel
Assim anda o nosso Pais. Entretanto com tantas novidades, ainda
haverá mais que nós cidadãos não sabemos???????? |
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