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Brigada de Trânsito passou
menos 29% de multas este ano |
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Polémica no destacamento do Carregado, devido a alegadas
pressões por diminuição de autos de contra-ordenação passados,
pode levar à abertura de processos. Decréscimo de multas
registado naquela unidade estende-se a todo o país. APG avisa
que «as pressões podem levar o agente a actuar quando não deve»
O número de multas passadas pela Brigada de Trânsito
diminuiu, este ano, 29 por cento em comparação com o ano
passado. Este decréscimo verifica-se a nível nacional e o
destacamento do Carregado alinha pela mesma percentagem. O
Comando Geral da GNR anunciou que poderá instaurar processos aos
militares da Brigada de Trânsito do Carregado que se insurgiram
contra o comandante do destacamento alegadamente devido a um
decréscimo no número de autos de contra-ordenação registado
naquele destacamento.
Apesar de admitir que as advertências feitas pelo comandante
do Carregado implicavam «aspectos da produtividade de alguns
militares», o major Lourenço da Silva, da Brigada de Trânsito (BT)
explica ao PortugalDiário que a diminuição no número de autos
relativamente à legislação aplicada pelo «Código da Estrada e
outra legislação complementar não tem a ver com o desempenho dos
militares mas sim com o decréscimo na constatação de
infracções».
Outro entendimento tem a Associação de Profissionais da
Guarda (APG). A diminuição de multas passadas na estrada
deve-se, segundo José Manageiro, «ao desalento e desmotivação
que se vive na GNR e que se reflecte no trabalho dos militares».
Em nome da APG, o mesmo militar avisa que «as multas devem
existir em função das infracções praticadas. Os comandos não
devem exercer pressões que possam levar os agentes a actuar
quando não devem. Porque se não são levados a cumprir uma ordem
e não a cumprir a lei».
Lourenço da Silva adianta, por outro lado, que os documentos
que terão ardido na secretaria do destacamento do Carregado eram
«autos que já tinham sido processados e pagos» e que não terão
sido destruídos documentos por processar.
O PortugalDiário sabe que o Comandante da Brigada de Trãnsito
se deslocou esta tarde ao Comando-Geral da GNR para encontrar
soluções para o problema que se vive naquele destacamento.
Em cada destacamento da BT trabalham, em média, 70 militares.
No caso do Carregado, os casos de alegada insubordinação foram
registados apenas entre 20 elementos. Esta unidade tem sob a sua
responsabilidade os troços parciais das: A1, N366, N1, N3 e IC2.
A análise feita pela BT para o PortugalDiário indica que
entre Janeiro e Outubro de 2005 os militares assinaram menos 29
por cento de autos de contra-ordenação, comparando com igual
período de 2004. Recorde-se que no último ano, foram passadas
(pela PSP e pela GNR) quase um milhão de multas. Os números
registados este ano contrariam a tendência de crescimento de
infracções registadas nos últimos anos.
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Deliberação da Alta Autoridade para a Comunicação Social
"Arrastão": trabalho dos media
revelou "evidente falta de rigor informativo, isenção e
objectividade" |
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A Alta Autoridade para a Comunicação Social considerou
"claramente discriminatório" o tratamento dado "pela
generalidade dos meios de comunicação social" ao desmentido da
polícia sobre o envolvimento de 500 jovens negros no alegado
"arrastão" da praia de Carcavelos.
De acordo com uma deliberação divulgada hoje pela Alta
Autoridade para a Comunicação Social (AACS), os media "deveriam
ter assumido publicamente o seu erro" e "formulado um pedido de
desculpas (...) à opinião pública em geral e às comunidades de
raça negra e de emigrantes em geral", em vez de "praticamente
omitir ou menorizar" o desmentido da polícia em relação às
descrições iniciais.
A deliberação da AACS foi tomada na sequência de uma queixa
da Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial
contra vários órgãos de comunicação social.
O caso ocorreu em Carcavelos, a 10 de Junho deste ano. Nesse
dia, os media noticiaram a ocorrência de alterações na ordem
pública na praia de Carcavelos, em Cascais, na forma de um
"arrastão" que teria envolvido 400 a 500 jovens de raça negra.
A deliberação da AACS refere que as notícias difundidas
naquele dia e nos dias seguintes continham "declarações, por
vezes não coincidentes, de responsáveis da polícia".
O director nacional da PSP terá afirmado, no dia seguinte aos
acontecimentos em Carcavelos, ser "impensável fazer face a um
fenómeno como o de ontem com os meios normais", enquanto o
subcomissário do Comando Metropolitano de Lisboa adiantava terem
sido "registadas apenas duas queixas por roubo de objectos
pessoais".
"É só no dia 17 de Junho" que começam a ser publicadas
declarações de responsáveis da Direcção Nacional da PSP "no
sentido de que, afinal, os alegados assaltantes 'não excederam
os 50' e de que 'muitos jovens que apareceram em imagens
televisivas e fotográficas a correr na praia de Carcavelos,
naquele dia, não eram assaltantes, mas tão só jovens que fugiam
com os seus próprios haveres'", recorda o texto da deliberação.
Lamentando a alegada discriminação em relação às declarações
das autoridades, a AACS acusa a generalidade dos órgãos de
comunicação de "evidente falta de rigor informativo, isenção e
de objectividade".
Este comentário, que segundo a entidade reguladora dos media
é "especialmente dirigido à RTP pelas suas obrigações de serviço
público", teve como base uma análise que abrangeu também a
agência Lusa, cujas notícias a AACS considera terem estado "na
origem das notícias"; as diferentes edições de telejornais; e os
vários jornais.
As notícias em causa são qualificadas pela AACS como uma
"versão deturpada, enganadora [e] tendenciosa dos
acontecimentos", que levou a acções de "racismo e xenofobia", e
passaram "para o estrangeiro uma imagem errada do espírito de
convivência interracial e de paz social que se vive em
Portugal".
O documento elogia, contudo, o "clima de pluralismo que
permitiu a reposição da verdade", destacando, nesse aspecto, o
trabalho de "A Capital", da jornalista Diana Andringa e o
contributo de comentadores e outras figuras como provedores dos
leitores do "Diário de Notícias" e do "Jornal de Notícias".
A deliberação da Alta Autoridade, aprovada anteontem por
maioria, contou com a abstenção de três elementos (João Amaral,
José Garibaldi e Sebastião Lima Rego). Na sua declaração de
voto, aqueles três elementos consideram o texto da deliberação
"extrema e inadequadamente agressivo para com os media,
parecendo designadamente atenuar a responsabilidade das
autoridades na divulgação inicial das notícias que deram conta
do alegado 'arrastão'". Embora considerem que o caso do
"arrastão" foi "uma inventona", os três membros da AACS que se
abstiveram sustentam que o tom da deliberação é "marcadamente
hostil em relação à comunicação social", o que consideram
"injusto".
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Redução de
multas gera revolta na GNR |
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Questões relacionadas com a diminuição do número de autos
(multas de trânsito) emitidos terão estado na origem dos
desentendimentos que levaram duas dezenas de militares do
destacamento da Brigada de Trânsito da GNR do Carregado a
insurgir-se contra o seu comandante, revelou ao DN o presidente
da Associação dos Profissionais da GNR (APG), José Manageiro.
Sobre os factos, o responsável das relações públicas do
Comando-Geral da GNR, tenente-coronel Costa Cabral, limita-se a
confirmar ao DN que os militares "estão a ser alvo de processos
de averiguações para determinar se houve atitudes incorrectas
que justifiquem a aplicação de sanções disciplinares". O caso
registou-se na quarta-feira, quando os militares terão proferido
palavras contra o comandante do destacamento.
Embora a mesma fonte oficial considere que este "é um caso
isolado e nada justifica que as pessoas sejam incorrectas", o
presidente da APG alerta que "esta situação é uma consequência
do mal-estar que se vive em toda a GNR". Por isso mesmo, o
sindicalista teme que "casos destes alastrem a outros
departamentos da corporação".
José Manageiro salienta que "ultimamente tem havido um acumular
de insatisfação e mal-estar entre os militares, que têm visto
ser-lhes retiradas muitas regalias sociais, enquanto lhes são
exigidas cada vez mais horas de serviço e os salários continuam
congelados. Eles sentem-se revoltados e estão no limite da
paciência".
Referindo-se ao caso de quarta--feira, recorda que, "já na
segunda-feira, o comandante tinha-se reunido com os militares e
exigiu- -lhes que passassem mais multas, mas eles responderam
não haver justificação para o fazer nem terem capacidade para
isso, porque já trabalham horas a mais".
O ambiente de trabalho já se tinha adulterado desde a semana
passada, após um incêndio na secção de autos do destacamento do
Carregado, "em que arderam todas as multas que tinham sido
passadas", revelou José Manageiro, adiantando que as causas do
incêndio estão a ser averiguadas pela Polícia Judiciária
Militar.
Na quarta-feira, relata ainda o sindicalista, "terá havido nova
pressão junto dos militares para não deixarem reduzir o número
de autos, o que ultimamente tem sucedido de forma
significativa". Terá sido na sequência desta atitude que os
militares se insurgiram contra o comandante.
Para José Manageiro, "o comando tem de tratar esta situação com
muita ponderação, porque não é normal um destacamento inteiro
insurgir-se contra o comandante. Alguma coisa de grave está a
suceder". Na sua opinião, "não deve enveredar pela aplicação de
processos disciplinares, porque arrisca-se a causar ainda mais
revolta no seio da corporação".
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Prometo que não
iremos ser pacíficos |
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Paulo
Rodrigues, Presidente da Associação Sindical dos
Profissionais a Polícia (ASPP), foi ontem eleito para um
mandato de três anos.
CM – É sinónimo de democracia interna haver uma única
lista nas eleições da ASPP?
Paulo Rodrigues – Nós cumprimos o que
está estipulado na lei. O acto eleitoral foi marcado
pela Assembleia Geral, com os 91 dias de antecedência
previstos. Durante este último ano dirigentes e
associados foram informados do acto eleitoral. Foi um
processo transparente. e por isso democrático. |
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– Porquê a decisão de avançar para a
liderança do sindicato?
– As pessoas, os dirigentes, acharam
que deveriam apostar em mim, e foi por isso que eu
avancei. Em termos de ASPP, foi decidido encontrar uma
equipa que consiga dignificar a instituição, o que me
levou a aceitar o convite.
– A herança de Alberto Torres
(presidente cessante) é fácil de seguir?
– Quando há uma alteração de uma figura
que é conhecida, posso dizer uma figura pública, como o
Alberto Torres, as pessoas estranham. É evidente que a
sucessão é complicada. E o facto de eu ser mais jovem,
deixa todos à espera para ver o que sai daqui. Tenho a
consciência de que será uma tarefa difícil, mas prometo
que irei dar o meu melhor.
– Como no passado (antes do
sindicalismo), a ASPP ainda é apologista das lutas
clandestinas?
– Essas lutas clandestinas, quando se
fazem, têm de ser por um motivo muito forte. Não nos
podemos esquecer que além de termos as nossas
reivindicações, somos polícias, e temos deveres. No
entanto, este Governo atacou quase de forma insensível a
PSP. Depois da eleição, vou reunir com a nova direcção e
falar de novas formas de luta. Mas prometo que não
iremos ser pacíficos. Se for necessária uma luta mais
contundente, é evidente que a iremos fazer.
– A nova direcção da ASPP vai lutar
pelo direito à greve?
– Sem dúvida. Não o iremos fazer de
forma gratuita, mas sim porque o Governo não tem
respeitado a lei sindical nem a negociação colectiva.
Por isso, acho que o direito à greve se justifica mais
que nunca.
– Como se relaciona a ASPP com um
director nacional da PSP civil?
– É uma questão complicada, porque a
ASPP chegou a defender que a PSP deveria ser dirigida
por um civil. Se o director nacional tivesse uma voz
mais activa na defesa dos interesses da Polícia, as
coisas seriam melhores. Por isso, queremos que o
director nacional tenha um carácter mais interventivo na
PSP, e não seja apenas político. Ele tem de ser um
líder, e não defender apenas os ideais políticos.
Independentemente de ser civil ou oficial da PSP.
PERFIL
Paulo Jorge Pires Rodrigues nasceu há
31 anos, em Bragança. Entrou para a PSP em 1998. Após
concluir o curso da Escola Prática de Polícia, foi
colocado na esquadra da PSP da Damaia. Ao fim de um ano,
tirou o curso do Corpo de Intervenção (CI), vindo a
ingressar no grupo do CI de Lisboa. Quatro anos depois
consegue transferência para o CI do Porto, onde ainda
permanece. É casado, e tem uma filha de três meses.
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Alberto Torres deixa o sindicato após 27 anos em funções
Futura direcção da ASPP
reivindica direito à greve |
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A lista única que concorre às eleições na Associação Sindical
dos Profissionais de Polícia (ASPP/PSP), que se realizam amanhã,
reivindica o direito à greve na Polícia de Segurança Pública,
até agora proibido por lei.
O candidato à presidência da Direcção Nacional da ASPP para o
triénio 2005/2008, Paulo Rodrigues, disse hoje que a exigência
do direito à greve surge porque "o Governo desrespeita a lei
sindical e a negociação colectiva, impondo sempre a sua
vontade".
Depois de eleito, Paulo Rodrigues vai solicitar reuniões aos
partidos com assento parlamentar, com vista "a pressionar" no
sentido do fim da proibição legal da greve na PSP.
"No nosso programa eleitoral assumimos o compromisso de abrir o
debate sobre a oportunidade de exigência do direito à greve na
PSP. É um direito que nos assiste, como acontece com a
generalidade dos sectores profissionais", adiantou Paulo
Rodrigues.
Além de Paulo Rodrigues para presidente da Direcção Nacional da
ASPP, a lista - sob o lema "Continuidade na luta com coerência e
responsabilidade" - apresenta Jorge Quina para presidente da
Assembleia Geral e Adrião Silva para presidente do Conselho
Fiscal.
Os futuros dirigentes da ASPP comprometem-se, também, a "pugnar
pela regulamentação do horário de trabalho" e pela "alteração
dos requisitos para formação de oficiais". Por outro lado,
exigirão que a requalificação dos profissionais da PSP para
progressão na carreira tenha em conta a frequência de cursos na
Escola Prática de Polícia.
A lista integra 53 profissionais da PSP (37 agentes, 13 chefes e
três oficiais), representando todos os comandos da polícia no
continente e regiões autónomas dos Açores e da Madeira, 15 dos
quais concorrem pela primeira vez aos órgãos da ASPP.
Abandonará a liderança da ASPP o histórico Alberto Torres,
presidente da Direcção Nacional nos últimos oito anos, e que
termina agora mais de 27 anos de funções de dirigente sindical
na PSP.
"Deixo uma mensagem de grande esperança quanto ao futuro,
acreditando que a nova Direcção Nacional da ASPP tudo fará para
melhorar as condições de trabalho e sociais dos profissionais da
PSP", disse hoje Alberto Torres.
"Espero que os polícias se mantenham muito unidos à volta da
mais representativa estrutura associativa da PSP, para que a
ASPP continue a defender, com grande sentido de
responsabilidade, os direitos dos profissionais e a dignificação
da instituição policial", disse Torres.
A ASPP afirma representar dez mil dos 22 mil profissionais da
PSP, sendo uma organização profissional constituída por pessoal
com funções policiais, independentemente da categoria ou posto
na escala hierárquica.
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Estudo: Novo modelo
de segurança
Governo de olho no terrorismo |
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Preocupado com o cenário internacional após os atentados
de 11 de Setembro e com o problema do terrorismo, o
Governo encomendou a Nuno Severiano Teixeira – antigo
ministro da Administração Interna – um estudo sobre o
actual sistema de Segurança Interna e a sua adequação
aos dias de hoje. |
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“O actual modelo de segurança interna foi traçado em 1987.
Hoje, a realidade é outra. Não vivemos isolados do mundo
e há ameaças globais, como o terrorismo”, disse ontem o
ministro da Administração Interna, António Costa, após a
assinatura do protocolo com o Instituto Português de
Relações Internacionais – responsável pelo estudo.
António Costa lembrou que “as fronteiras interna e
externa do País estão cada vez mais diluídas”, pelo que
é necessário “interrogar a organização das forças de
segurança”, disse. Sublinhou ainda que, num País onde
existem duas forças de segurança – uma de cariz militar
e outra civil, – é necessário saber “se a distinção
entre PSP e GNR é apenas territorial ou se é funcional”.
Nuno Severiano Teixeira vai ser o responsável pelo
projecto, que conta com profissionais de diversas áreas.
“A ligação entre o conhecimento científico e os centros
de decisão económicos e políticos é fundamental”, disse
Severiano Teixeira.
O relatório vai incidir sobre a conjuntura internacional
pós ‘11 de Setembro’, não descurando a caracterização da
criminalidade em Portugal e os modelos de segurança
vigentes noutros países.
O governo vai pagar 72 500 euros pelo projecto, que
deverá ser entregue daqui a um ano. O resultado será
fundamental para futuras alterações legislativas.
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Segurança -
polícia organiza procedimentos
GOE vai a França estudar tumultos |
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O comandante do Grupo de Operações Especiais (GOE) da PSP,
subintendente Magina da Silva, desloca-se quinta-feira a Paris
para, durante dois dias, estudar no terreno a resposta
operacional das autoridades policiais francesas aos incidentes
ocorridos nos arredores de várias cidades de França, onde foram
incendiadas milhares de viaturas e decretado, em diversas
localidades, o recolher obrigatório.
A visita, contudo, insere-se num contexto mais alargado, já
que, na sequência dos confrontos em França, a PSP está a
preparar um documento estratégico com todas as vertentes de
ataque à violência urbana.
“Na prática, trata-se de reunir num único documento
procedimentos e conhecimentos que se encontram dispersos”,
adiantou ao Correio da Manhã fonte da PSP. No entanto, haverá
algumas novidades. A principal será a consagração operacional
das Equipas de Reacção Táctica, formações que foram utilizadas,
à experiência, no último Verão, com resultados satisfatórios.
“Com estas linhas de actuação será possível, por exemplo,
determinar que em determinada zona não pode entrar apenas um
carro-patrulha, mas terá de ser uma equipa de reacção táctica”,
explicou a fonte.
A elaboração do documento é um trabalho em curso e as conclusões
da visita do comandante do GOE a França serão um importante
contributo. Durante dois dias, Magina da Silva vai assistir à
fase de balanço da actuação da Polícia Nacional (polícia civil,
congénere da PSP) e recolher elementos sobre o tipo de
intervenção, resposta táctica e articulação com os níveis de
investigação e criminal e policiamento de proximidade. “Este é
um tipo de trabalho semelhante ao que foi feito em Julho, nos
atentados de Londres, junto da polícia inglesa”, refere a fonte
da PSP.
GNR ANALISA RESPOSTAS
Dois oficiais da GNR estão a preparar um relatório com o
resultado das observações que efectuaram em França, durante os
confrontos ocorridos nas últimas semanas.
Os militares, dois capitães, um com experiência no Iraque e no
Euro 2004 e o outro ligado às informações no Comando Geral,
trabalharam de perto com a Gendarmerie, ao abrigo de uma
organização que reúne todas as forças de segurança militarizadas
de diversas nações do Sul da Europa.
Segundo adiantou ao CM fonte oficial, a decisão de enviar
observadores para França partiu da GNR, tal como sucedeu com a
PSP, devido à colaboração estreita que existe com as polícias
francesas.
PARA NÃO ERRAR
HORA DE BALANÇO
“Esta é a altura ideal para a deslocação a França, já que vamos
assistir à fase de balanço das operações, numa altura em que a
situação está mais calma”, referiu um responsável da PSP, quando
questionado sobre a oportunidade da deslocação do comandante do
GOE.
COLABORAÇÃO ESTREITA
Quer a PSP quer a GNR trabalham de perto com as suas congéneres
francesas: a Polícia Nacional e a Gendarmerie, respectivamente.
No caso da PSP, todos os anos um oficial português efectua um
estágio junto da polícia francesa, assistindo de perto a todas
as vertentes do trabalho operacional. Já no caso da GNR, a
colaboração faz-se no âmbito do grupo FIEP, que reúne as forças
de segurança militarizadas de França, Itália, Espanha, Holanda,
Turquia, Marrocos e Roménia.
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Bairros problemáticos com
vigilância reforçada |
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Autoridades policiais receiam que os incidentes em França
possam levar a confrontos em Portugal por "imitação"
GNR teve equipa de observadores em Paris
Os bairros problemáticos das regiões de Lisboa e Porto estão a
ser alvo de uma vigilância policial reforçada. Desde que os
tumultos em França começaram, existe o receio de que, à
semelhança do que aconteceu noutros países, algo de similar
viesse a suceder em Portugal. Fontes policiais adiantaram ao JN
que a atenção se mantém, embora num grau menos rigoroso, uma vez
que a situação de conflito em França também baixou de
intensidade.
As decisões do aumento da vigilância emanaram quer da Direcção
Nacional da PSP quer do Comando-geral da GNR, que chegou
inclusive a enviar dois oficiais para França como observadores
(ver caixa), que diariamente iam relatando para Portugal o curso
dos incidentes e a sua caracterização.
Em Portugal, a situação nas zonas potencialmente mais difíceis
foi sendo monitorizada no âmbito do Gabinete Coordenador de
Segurança, onde diariamente ia sendo medido o nível de risco,
através do cruzamento da informação produzida pela PSP, pela GNR
e pelo SEF, em particular. O próprio SIS terá igualmente
contribuído, não só com a sua própria informação, mas também com
a análise dos dados que iam sendo recolhidos.
Desde o início, as autoridades recearam que um "fenómeno de
imitação" pudesse vir a ser gerado nas zonas mais críticas, em
particular na Área Metropolitana de Lisboa, onde se têm
verificado com alguma frequência graves incidentes entre forças
policiais e grupos de jovens com origem em famílias imigrantes.
Os confrontos têm tido origem em questões de natureza criminal,
mas as autoridades admitem que os problemas sociais possam
também transbordar para as ruas, até porque é entendido que as
soluções estão longe de se esgotar na acção policial e passam
também por questões sociais e urbanísticas.
O JN sabe que a vigilância tem sido feita com recurso a meios
electrónicos, mas em particular com recurso às equipas de
investigação criminal, quer da PSP quer da GNR, recolhendo
informações sobre "tendências". "Aumentámos os pedidos de
pesquisa de indícios técnicos", salientou, a propósito, uma
fonte policial, mas o JN sabe que o trabalho de recolha de
informação foi feita também com recurso a informação recolhida
nos próprios locais.
A recolha e análise de informação tem reflectido, no entanto, um
acréscimo de atenção por parte de elementos jovens dos bairros
aos acontecimentos em França, mas sem risco imediato de
incidentes. No entanto, as autoridades vão permanecer atentas.
Tirar lições junto dos franceses
O envio dos dois oficiais da GNR para França foi decidido logo
que os incidentes começaram a agravar-se, e teve como objectivo
perceber procedimentos operacionais e de recolha de informação.
Foi enviado um capitão do Regimento de Infantaria, que já esteve
em serviço no Iraque e participou no controlo dos confrontos no
Algarve, durante o Euro 2004. O outro oficial tem igualmente a
patente de capitão e está colocado no Comando-Geral, onde
trabalha na área das operações e informações. Os dois militares
foram para França, para trabalhar com a Gendarmerie, no âmbito
do grupo FIEP, que engloba forças militares de segurança de
Portugal, França, Itália, Holanda e Espanha. Os capitães
regressaram a Portugal na sexta-feira e deverão produzir esta
semana relatórios sobre o que observaram. Os documentos deverão
conter também recomendações sobre a estratégia policial a
seguir.
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GNR diz que agressões não
têm fundamento |
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Fonte da instituição garante que relação entre os dois
militares era saudável. Tendo a alegada vítima sido convidada
pelo tenente-coronel acusado para trabalhar na investigação
criminal
Um cabo da GNR apresentou queixa contra Albano Pereira, o
tenente-coronel que chefia a investigação criminal da GNR, por
ofensas à integridade física qualificada, ameaças, injúrias e
abuso de poder, avança esta sexta-feira o semanário Tal e Qual.
Ao que o PortugalDiário apurou junto de fonte da instituição, a
«queixa não tem fundamento, até porque, foi o próprio chefe da
investigação que convidou a alegada vítima para vir trabalhar»
na referida secção.
O Comando-Geral da GNR já abriu um processo disciplinar a
Albano Pereira para averiguar a veracidade das queixas
apresentadas. A alegada vítima das agressões é o cabo Luís
Filipe Semedo, de 40 anos, licenciado em antropologia, com
pós-graduação em criminologia e mestrado na área da sociologia
do crime, segundo o semanário. Na participação apresentada pode
ler-se que o cabo alega que «tem sido tratado pelo respectivo
responsável em termos xenófobos e racistas, até na presença de
camaradas».
«Tais afirmações não fazem sentido porque a relação entre o
oficial e o cabo era saudável, chegando mesmo o chefe de
investigação criminal a desviar caminho para dar boleia ao
referido militar. Além disso, foi o próprio tenente-coronel que
o convidou para trabalhar na investigação criminal devido às
suas habilitações», explicou fonte da GNR.
Segundo a acusação, no dia 21 de Setembro, o cabo foi
surpreendido no seu gabinete de trabalho pela entrada
«intempestiva» do tenente-coronel que lhe terá chamado de
incompetente e exclamado «seja o que Deus quiser». Em acto
contínuo, o oficial terá fechado a porta do gabinete e agredido
o cabo, fazendo com que ele batesse por duas vezes com a cabeça
na secretária. Os gritos terão sido ouvidos por outros
militares. O processo está actualmente a ser investigado, mas o
alegado agressor ainda não terá sido ouvido.
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Menos crimes participados
às autoridades em Portugal |
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Garante a PGR "É bom que se saiba que o trabalho dos magistrados
do Ministério Público, continua, com o passar dos anos, a ser
muito difícil"
O número de crimes participados está a diminuir em Portugal.
Em 2004, o Ministério Público (MP) registou menos 8062 crimes do
que no ano anterior - menos 1,6% -, segundo o relatório anual da
Procuradoria-Geral da República (PGR) ontem divulgado. O
Ministério da Administração Interna (MAI) confirma o decréscimo,
mas no seu Relatório da Segurança Interna garante que o
decréscimo foi de apenas 1%, correspondente a menos 3904 casos
participados. Em contrapartida, a pendência dos inquéritos
aumentou.
Os dados do relatório da PGR revelam que a tendência crescente
desde 1998 só foi quebrada o ano passado. Qual a explicação? "É
difícil apontar uma causa", disse ao DN o procurador-geral
distrital de Lisboa, João Dias Borges. "Pode até acontecer que a
diminuição de cerca de oito mil processos esteja relacionada com
atrasos administrativos. Os crimes podem estar à espera de ser
registados", adiantou, dizendo não perceber a discrepância entre
os números da PGR e do MAI. "Talvez uns serviços informáticos em
condições nos dessem uma visão mais real da criminalidade
participada", disse.
Rui Pereira, tal como João Dias Borges, valoriza pouco a
diminuição da criminalidade anunciada pela PGR. "É pouco
expressiva e não reflecte uma tendência", disse ao DN o
coordenador da Unidade de Missão para a Reforma Penal.
"Verifica-se uma tendência de subida entre 1998 e 2002. Depois
há uma estabilização na orla dos 500 mil inquéritos."
A diferença de números entre o MAI e a PGR é igualmente pouco
relevante. "Pode estar relacionado com a duplicação de queixas,
ou até com a diferença de tempo entre a participação e a
abertura do inquérito", explicou Rui Pereira.
A diminuição registada em 2004 parece, no entanto, estar a
consolidar-se, segundo os números já apurados por João Dias
Borges. No relatório da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa,
referente aos inquéritos do 1.º semestre de 2005, lê--se que se
iniciaram naquele pe- ríodo 100 837 inquéritos, o que permite
antever que os valores no final do ano se situarão próximos dos
de 2004 (204 563).
Esta diminuição não significa, no entanto, maior celeridade
processual. Pelo contrário. Segundo a PGR, a pendência dos
inquéritos, em 2004, aumentou mais de 1% relativamente ao ano
anterior.
Segundo o relatório, tal aumento deve-se às condições da
actividade do MP "carência de magistrados com a categoria de
procurador-adjunto; subdimensionamento dos quadros de
magistrados, especialmente ao nível da representação do MP nos
tribunais de 1.ª instância; insuficiência e impreparação de
funcionários de apoio; deficiências de instalações e
equipamentos", lê-se no relatório da PGR. Acrescenta-se a isto,
"isolada ou cumulativamente, as situações de ruptura ou
pré-ruptura, de bloqueio, de obstrução à celeridade e eficiência
do serviço, bem como de acumulação ocorridas em di-versos
tribunais ou serviços do MP".
Garante a PGR "É bom que se saiba que o trabalho dos magistrados
do MP continua, com o passar dos anos, a ser muito difícil". E
fazendo-se alusão ao Departamento Central de Investigação e
Acção Penal (DCIAP), onde se investiga a criminalidade
económica, lembra-se que os países da Europa apostam em unidade
especializadas do MP para combater aquele tipo de crime. "O
DCIAP contrasta com o que se passa lá fora".
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51 por cento dos processos-crime
arquivados em 2004 |
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Relatório da PGR sobre 2004 revela que dos 722.623 processos
movimentados mais de 370 mil foram arquivados. E apenas cerca de
12 por cento tiveram despacho de acusação. Souto Moura aponta
falta de meios técnicos e humanos. E refere «grande dificuldade»
em punir toda a criminalidade
Durante o ano de 2004 foram arquivados 51 por cento dos
processos investigados pelo Ministério Público.
Os dados recolhidos pelo PortugalDiário no Relatório da
Procuradoria Geral da República (PGR) referente ao ano de 2004,
publicado esta semana no site da PGR, referem que foram
movimentados 722.623 inquéritos no ano transacto, sendo que
370.197 processos terminaram com o arquivamento, «o que
representa aproximadamente 51 por cento do valor dos
movimentados», sublinha o relatório assinado pelo PGR, Souto
Moura.
O mesmo documento aponta, ainda, que apenas cerca de «12 por
cento dos processos movimentados (86.153)» tiveram despacho de
acusação.
Dos 78.535 processos julgados, 69 por cento terminaram com
condenações, o que equivale a 54.502.
Em 2004 foram registados 509.839 inquéritos, ou seja, menos
8.062 do que em 2003, o que representa uma diminuição de cerca
de 1,6 por cento na criminalidade participada.
Os dados estatísticos da Procuradoria apontam para uma
movimentação de 722.693 inquéritos, representando uma diminuição
de 8.062 inquéritos-crime, em relação ao ano anterior. Apesar
disso, aumentou o número de processos transitados para o ano
seguinte.
Ainda em 2004 foram concluídos 506.729 inquéritos, valor este
superior ao verificado no ano transacto (mais 5.342), e ficaram
pendentes 213.201.
«É bom que se saiba que o trabalho dos magistrados do
Ministério Público continua, com o passar dos anos, a ser muito
difícil de levar a cabo. Afogados em processos, porque os
quadros antigos, já de si obsoletos, continuam por preencher»,
aponta o mesmo relatório, acrescentando que estão muitas vezes
«mal instalados, com carências de meios materiais».
O contraste com os restantes países da Europa é evidente
neste relatório em que pode ler-se que «a moderna criminalidade
económica e transnacional já levou à criação, nos vários países
da União Europeia, de unidades do Ministério Público centrais, e
altamente especializadas, para combate àquele tipo de
criminalidade. Ora a falta de apoio que até agora tem penalizado
o nosso DCIAP (Departamento Central de Investigação e Acção
Penal) contrasta, também aqui, impressivamente, com o que se
procura fazer lá fora».
Neste Departamento com competência para investigar a alta
criminalidade, há seis carros, quatro deles com mais de 200 mil
quilómetros, e os processos acumulam-se por todo lado, na
ausência de um local próprio para os guardar. Não há dinheiro
para intérpretes, tradutores ou peritos e a formação tem de sair
do próprio bolso.
Em declarações ao PortugalDiário, na passada sexta-feira, o
procurador-geral da República, Souto Moura, reconheceu «a grande
dificuldade em punir toda a criminalidade denunciada» e explicou
com exemplos na primeira pessoa: «Esta semana bateram-me no
carro, à frente e atrás, e fugiram. Nunca saberei quem foi»; «Há
uns anos assaltaram-me a casa, até saiu nos jornais, e nunca se
descobriu quem foi».
Confrontado com as críticas do ministro da Justiça à
ineficácia da investigação criminal, Souto Moura garantiu que as
dificuldades de investigação «não são monopólio de Portugal»,
mas admitiu que «a eficácia pode ser melhorada».
O procurador-geral da República confessou ainda o receio de
que a falta de meios venha a comprometer a eficácia da nova lei
quadro da investigação criminal que remete para a Assembleia da
República, sob iniciativa do Governo, a definição dos tipos de
crime que devem ter prioridade em termos de investigação
criminal.
«Tudo falhará no terreno se a clássica questão dos meios não
for considerada», referiu o procurador em declarações ao
PortugalDiário, à margem da III Encontro Anual do Conselho
Superior da Magistratura, no Porto.

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Segurança - suspeitos controlados
Terror passa por Portugal |
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As autoridades portuguesas já registaram a presença de
vários suspeitos com ligações a movimentos extremistas em
Portugal mas, segundo o responsável pelo Gabinete Coordenador de
Segurança, “não há informação de que se tenham estabelecido no
País”, disse ao CM o general Leonel Carvalho, responsável pelo
Gabinete.
“Passam por Portugal devido à nossa situação geográfica, que
serve como ponto de passagem para outros países”, afirmou. Ainda
assim, Portugal já foi referenciado, pelo menos cinco vezes, em
mensagens – escritas em árabe e divulgadas pela internet – que
incluem o País na rota de ataques terroristas. Um dos ‘recados’,
que está a ser investigado pela PJ, foi assinado por um grupo de
jovens muçulmanos europeus, cuja organização é ainda
desconhecida.
“(...) E vocês, líderes da Itália, Dinamarca, Ucrânia, Portugal,
Holanda, Polónia e todos os aliados dos assassinos americanos,
os vossos exércitos não vos protegerão, nem os vossos túneis ou
agentes”, diz parte de uma das mensagens que mereceram a atenção
do Departamento de Informações Policiais da PSP e da Direcção
Central de Investigação, Pesquisa e Análise de Informação do
Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Na mesma página da
internet, a “Organização dos Pelotões da Jihad na Europa” ameaça
lançar uma vaga de atentados terroristas a uma série de países.
Esta não é a primeira mensagem transmitida na internet, através
de páginas ‘on-line’ de pequena duração, que refere Portugal
como alvo. A Unidade Central Anti-Terrorista reuniu em Julho
último – dias após o atentado de dia sete em Londres – e foi
informada de cinco ameaças a Portugal, divulgadas pela internet
desde o Euro’2004.
Confrontado com as ameaças, o ministro da Administração Interna,
António Costa, afirmou ontem que “as autoridades têm acompanhado
a situação e têm adoptado as medidas adequadas ao nível da
ameaça”.
SUSPEITOS NO PORTO DURANTE EURO'2004
Na véspera do Euro’2004, a 11 de Junho do ano passado, foi
marcado um jantar, no Porto, para diversas personalidades
nacionais e internacionais, entre elas Durão Barroso, o então
primeiro-ministro. Uma informação do Sistema de Informações
holandês viria a alterar os planos do primeiro-ministro.
Segundo as autoridades holandesas, como o Correio da Manhã
noticiou, estaria em Portugal um grupo de 18 muçulmanos, entre
os quais três suspeitos de ligações a grupos radicais. O então
director da PJ, Adelino Salvado, avisou Durão Barroso para não
comparecer no jantar, ao que ele acedeu.
A cerimónia prosseguiu com cerca de 700 convidados, enquanto a
PJ identificava o grupo suspeito e revistava os quartos de hotel
em que se encontravam. Não foi encontrado nenhum material
suspeito. O grupo foi expulso do País por questões de segurança
do Euro’2004, altura em que as fronteiras foram repostas. As
autoridades holandesas sublinharam tratar-se de membros do grupo
‘Hofstad Network’, que assassinou o cineasta Theo Van Gogh.
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Transferidos da
Brigada de Trânsito em 2002 |
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Dezanove militares da GNR exigem um milhão de euros ao
Estado
Dezanove militares da GNR que foram transferidos da Brigada
de Trânsito (BT) para a Brigada Territorial daquela força de
segurança, há três anos, no âmbito de um processo de suspeita de
corrupção, exigem agora ao Governo uma indemnização de um milhão
de euros pelos danos causados.
De acordo com a rádio TSF, os 19 militares moveram três
processos contra o Ministério da Administração Interna e três
acções de pedido de indemnização. No total, o valor exigido ao
Estado é de um milhão de euros. Em causa estão os danos
patrimoniais e morais alegadamente sofridos pelos militares na
sequência da sua transferência.
Em Novembro de 2002, um grupo de 150 elementos da BT foi
transferido para a força territorial da GNR. O então comandante
da BT da GNR, general Alfredo Assunção, justificou que os homens
não tinham perfil para desempenharem as funções que lhes estavam
destinadas.
Um ano mais tarde, no dia 18 de Novembro de 2003, o Ministério
da Administração Interna ordenou a reintegração de 29 desses 150
militares na Brigada de Trânsito, o que motivou o pedido de
demissão de Alfredo Assunção, bem como o do segundo comandante,
coronel Alves Martins. A decisão da tutela foi tomada com base
numa auditoria jurídica, que determinou que os argumentos dos
comandantes da BT não estavam devidamente fundamentados.
De acordo com a mesma rádio, o Ministério da Administração
Interna actual ainda não tem conhecimento oficial deste pedido
de indemnização.
Associação de sargentos considera que pedido de indemnização
"é justo"
José O'Neill, da Associação de Sargentos da Guarda Nacional
Republicana, considera que o pedido de indemnização dos
militares da GNR "é justo". "Foi posto em causa o bom-nome
deles. Não só o deles como o das famílias, da própria Brigada de
Trânsito, da própria Guarda Nacional Republicana", considera.
Para José O'Neill, a fundamentação do pedido dos 19 militares "é
muito justa" porque conclui que "quando não há provas concretas,
e quando não se consegue chegar à razão do porquê de eles terem
sido expulsos, houve, com certeza, outras coisas por trás. Nós,
conhecendo a Guarda como conhecemos, sabemos que temos
superiores hierárquicos que avaliam as pessoas não pelo valor do
profissional mas sim pela pessoa em si."
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Provas não chegam para
condenar militares da GNR |
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Corrupção na BT
É o próprio Ministério Público a admitir as falhas na
investigação e a acreditar que haverá absolvições
APG quer que responsabilidades sejam assumidas no final
Oprocurador do Ministério Público (MP) admitiu, ontem, que
alguns dos 173 militares da GNR arguidos no processo de
corrupção na Brigada de Trânsito da GNR, que está a ser julgado
no Tribunal de Sintra, serão absolvidos por falta de provas.
Durante as alegações finais, o magistrado fez duras críticas às
investigações da Polícia Judiciária (PJ).
As críticas acabaram, no entanto, por cair também no próprio
Ministério Público, o titular do inquérito e com quem foi
elaborada toda a estratégia de investigação, numa colaboração
entre a PJ e o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP)
de Lisboa.
O procurador salientou que "haverá arguidos que vão ser
absolvidos. Não porque não tenham cometido os crimes, mas porque
a existência de prova é insuficiente". Para o Ministério
Público, além das "falhas na investigação" levada a cabo pela PJ,
as quase mil testemunhas arroladas neste processo "de pouco"
serviram para provar a culpabilidade dos arguidos. A "inaptidão
de equipamento", como a inexistência de aparelhos de escuta, e a
própria técnica de investigação foram algumas das causas que
levaram à falta de prova, reconheceu o MP.
No entanto, para a Associação Sindical dos Funcionários de
Investigação Criminal (ASFIC), da Policía Judiciária, os "meios
disponibilizados para a investigação estiveram de acordo com
aquilo que os orçamentos permitem ter", disse, ao JN, Carlos
Anjos, presidente daquela organização. E quanto a eventuais
falhas em termos de recursos humanos, uma vez que apenas quatro
investigadores foram atribuídos ao processo, Carlos Anjos foi
peremptório "Não sei se haverá muitos processos que tenham
alocados quatro investigadores". É que no ano em que o processo
foi concluído, em 2004, "entraram na Polícia 40 mil inquéritos".
Defesa em sintonia
Cinco advogados proferiram, ontem, também, as alegações finais.
Entre eles está João Murta Xavier, que defende, com José
Quintal, 24 arguidos. "Creio que houve alguma falta de cuidado
na acusação, por parte do titular do inquérito, depois de ter
dito que a acusação tinha sido feita em tempo recorde", disse ao
JN.aquele causídico, para quem "aquilo que foi provado durante o
julgamento não foi a corrupção. Foram provadas, sim, diversas
situações de "oferta", mas isso é admissível no nosso
ordenamento jurídico. Repare que até o IRS admite as
gratificações". E quanto à alegada relação entre os agentes da
BT e as empresas, "não ficou também provado que as empresas
deixavam de ser autuadas só porque alguém da BT recebia ofertas.
O objectivo era sim criar um clima de simpatia, mas isso não é
crime".
Profissionais da Guarda satisfeitos
José Manageiro, presidente da Associação de Profissionais da
Guarda (APG), não ficou surpreendido com os resultados da sessão
de ontem do julgamento do processo da BT, em Sintra "Fez-se
justiça". Para José Manageiro, "desde o início do processo que a
APG sempre defendeu que estava a julgar uma falsa questão. Salvo
muito raras excepções, não havia uma prática de corrupção na BT,
havia sim um sistema que se foi prolongando ao longo dos anos".
José Manageiro só lamenta que "tantos homens e as suas famílias
tenham sofrido neste processo. Para muitos deles, tem sido um
processo traumático, porque estamos a falar de corrupção, o
crime mais grave, tendo em conta a função dos homens da BT". E
depois, sustenta José Manageiro, "foi também o processo de
transferências que surgiu associado e para nada. Gostava de
saber se alguém, algum dia, irá assumir a responsabilidade do
desfecho deste caso".
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Julgamento de
Marcus começa 4ª feira |
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Luso-brasileiro Marcus Fernandes é acusado da morte a tiro de
dois agentes da PSP, a 20 de Março último na Amadora
O luso-brasileiro Marcus Fernandes, acusado da morte a tiro
de dois agentes da PSP, a 20 de Março último na Amadora, começa
quarta-feira a ser julgado por duplo homicídio no Tribunal
Criminal da Boa-Hora, em Lisboa.
Marcus José Fernandes, 31 anos, está em prisão preventiva no
Estabelecimento Prisional do Linhó, Sintra, após ter sido detido
pela Polícia Judiciária numa casa na freguesia de Melides,
Grândola, um dia depois de, alegadamente, ter cometido o duplo
homicídio.
Quando foi detido no litoral alentejano, a polícia encontrou
um arsenal de armas de guerra na casa que ocupava em Melides,
tendo a PJ iniciado uma investigação por alegado tráfico de
armas, mas o processo vai decorrer em separado.
Os dois agentes da PSP foram mortos no bairro da Falagueira,
Amadora, perto de um bar, quando três agentes, num carro
patrulha, abordaram um homem de cerca de 30 anos na tentativa de
o identificar e este disparou várias vezes sobre os polícias,
atingindo-os mortalmente.
As vítimas foram os agentes António Carlos Fernandes
Abrantes, 30 anos, natural da Guarda, e Paulo Jorge de Oliveira
Alves, 23 anos, de Rio Tinto, ambos polícias da Esquadra da PSP
da Mina, Amadora.
Além de estar acusado destes dois homicídios qualificados na
forma consumada, Marcus Fernandes responde por um crime de
homicídio na forma tentada contra o agente da PSP Pedro Pereira,
que seguia também no carro patrulha da polícia, da marca
Mitsubishi, utilizado na madrugada fatídica.
Segundo os autos do processo, a que agência Lusa teve acesso,
os factos reportam-se à madrugada de 20 de Março de 2005, quando
Paulo Jorge Oliveira Alves, Pedro Manuel Dias Pereira e António
Carlos Fernandes Abrantes, agentes da PSP da Amadora,
"devidamente uniformizados", seguiam no carro patrulha que faz a
ronda daquela área, nos arredores de Lisboa.
Quando circulavam na Avenida Humberto Delgado e passaram
perto do denominado "Chop Bar", o agente Abrantes, ao avistar o
arguido e a viatura em que este se fazia transportar,
identificou-o como interveniente numa "situação anterior como
suspeito de posse de arma de fogo", pelo que decidiram
abordá-lo, para o identificar e revistar.
Para o efeito, o agente Abrantes deu a volta ao quarteirão de
carro para abordar o suspeito.
Segundo a acusação, os três ofendidos saíram da viatura
policial e os agentes Abrantes e Alves dirigiram-se
imediatamente para junto do arguido, enquanto o agente Pereira,
num primeiro momento, trocou breves palavras com outro indivíduo
que estava no local.
"Simultaneamente, os ofendidos Abrantes e Alves abordaram o
arguido, ao que este recuou e colocou-se entre duas viaturas
automóveis ali parqueadas, esbracejando no sentido de não deixar
os agentes deles se aproximarem", diz o processo.
Os agentes tentaram também proceder à revista do suspeito, o
que Marcus Fernandes, também logrou impedir, esbracejando e
recuando em pequenos passos.
Contudo, a certa altura, o arguido entrega à vítima (agente
Abrantes) o seu bilhete de identidade, que "cai ao solo".
Acto contínuo, encontrando-se o arguido entre os agentes
Abrantes e Alves, empunha uma pistola da marca Glock, de calibre
9 mm Parabellum (de origem austríaca e funcionamento
semi-automático), que detinha num coldre colocado nas costas e,
a uma distância de cerca de dois metros, "apontando
alternadamente ao corpo dos ofendidos Abrantes e Alves, efectua
uma série de disparos, atingindo-os em diversas partes do
corpo", refere a acusação.
"A rapidez e eficácia da acção do arguido impediram que
qualquer destas vítimas tivesse possibilidade de reagir à
agressão", refere a investigação, acrescentando que nesse
instante o agente Pereira "procurou abrigo por detrás da viatura
policial", tendo Marcus Fernandes efectuado diversos disparos na
direcção deste último.
Pereira teve ainda que se "abrigar num declive de terreno
existente do outro lado, "logo depois do lancil, junto aos
semáforos" perto do local do crime. |
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