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Crise na Brigada de
Trânsito vai chegar ao Parlamento |
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Associação recorre à Comissão de Direitos Liberdades e
Garantias e contesta termos da suspensão dos 21 militares
Visados tinham sido ameaçados com processo disciplinar
A crise na Brigada de Trânsito da GNR, gerada pelos incidentes na
unidade doo Carregado, vai chegar ao Parlamento. Uma petição da
Associação de Profissionais da Guarda (APG) vai ser entregue
hoje na Comissão de Direitos Liberdades e Garantias e grupos
parlamentares, contestando a fundamentação que levou à suspensão
dos 21 militares do destacamento.
De acordo com José Manageiro, presidente da APG, em declarações
ao JN, os termos do processo são passíveis de contestação, a
nível administrativo e por configurarem a "violação de direitos
e garantias dos profissionais".
É que um dos fundamentos para a suspensão dos militares tem por
base o facto de a notificação para a reunião onde se verificaram
os incidentes entre o comandante e os praças ter sido
formalmente correcta. Mas para José Manageiro, a questão é outra
"Alguns dos militares nem sequer estavam presentes, portanto não
poderiam ser notificados".
Na convocação para a reunião de dia 23 o oficial ameaçava com um
processo disciplinar os militares que não comparecessem "Isso
não é correcto. Um oficial deve exercer o comando de uma forma
natural, não com ameaças", uma vez que se trata de
"profissionais, com anos e anos de serviço".
"É preciso perceber qual a formação dos oficiais da GNR oriundos
da Academia e que o Parlamento se pronuncie". A APG questiona a
conduta do major-general Meireles de Carvalho ao chamar "bando
de malfeitores" aos militares, no dia 29. "O respeito deve
funcionar para ambos os lados e um superior não pode acusar um
inferior, que é um órgão de polícia criminal, de ser um
malfeitor. Vai haver um processo por difamação". Este processo é
porém independente dos três outros processos que envolvem o
destacamento.
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Trânsito: 45 Km da auto-estrada do Norte sem vigilância
Patrulhas paradas |
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Suspensos na sexta-feira, por desobediência e insubordinação,
21 militares da Brigada de Trânsito do Carregado dizem-se
“perseguidos” pelo comando-geral da GNR. Fonte da BT garante ao
CM que “duas situações muito graves” se passaram naquele
destacamento.
Uma foi o “incêndio recente na unidade” que destruiu o
arquivo e reduziu a cinzas autos por transgressões ; e a outra,
que conduziu à suspensão, foi terem “insultado o comandante”
quando este lhes pediu “satisfações de serviço”. Desfalcado
ficou o patrulhamento numa das áreas mais movimentadas do País –
a auto-estrada do Norte, no troço entre Lisboa e Aveiras. Ontem,
as viaturas da BT ficaram paradas à porta do destacamento.
A mesma fonte desdramatiza: “O reforço do patrulhamento vai ser
garantido e será feito por outras unidades da zona – BT de
Lisboa e Santarém, por exemplo. Nesses casos, os militares
utilizam viaturas dos seus próprios destacamentos.”
Certo é que a situação pode prolongar-se até Março. Os 21
militares em causa foram alvo da medida cautelar mais grave
prevista pelo Regulamento Disciplinar da Guarda – e as
suspensões devem vigorar durante 90 dias. Desde sexta-feira, o
serviço é assegurado pelos restantes 49 elementos da unidade.
CASTIGO
Em 23 de Novembro, o tenente Madaleno, comandante da BT do
Carregado, chamou os 21 elementos, um por um, ao seu gabinete.
Fonte próxima dos militares afirma que “o comandante só estava
interessado em abordar o défice de multas”. E, para mais, “a
reunião foi convocada fora das horas de serviço. A conversa com
o primeiro militar demorou cerca de 40 minutos – e tudo o que os
outros fizeram foi alertar o comandante que, àquele ritmo, iriam
demorar dois dias”.
Do lado da BT, a explicação é simples: “Há muitas pessoas que
estão habituadas a não prestar contas a ninguém. Tudo o que o
comandante fez, e bem, foi pedir esclarecimentos aos seus homens
sobre o desempenho das suas funções.”
Segundo a mesma fonte, “os militares foram notificados dentro
das horas de expediente e por motivos de serviço. Nesse aspecto,
um destacamento é gerido como qualquer empresa pública ou
privada – há satisfações a dar”. Os 21 militares terão reagido
mal e uma acesa discussão terminou em ruptura total.
O mal-estar que se instalou no Destacamento do Carregado já vem
de trás. Tem origem no processo de corrupção na BT, a ser
julgado no Tribunal de Sintra, em que alguns dos arguidos
pertencem à unidade.
Uma semana antes dos incidentes entre os 21 militares e o
tenente Madaleno, um misterioso incêndio no destacamento deixou
no ar dúvidas sobre uma possível tentativa de eliminação de
provas. Aliás, o caso é investigado pela Polícia Judiciária
Militar. E no último dia 30, foi a vez de o comandante da
Brigada de Trânsito, major-general Meireles de Carvalho,
apelidar aqueles elementos de “bando de malfeitores”.
REGIÃO MOVIMENTADA
Os 70 militares da BT do Carregado – agora apenas 49 – patrulham
diariamente 45 quilómetros da auto-estrada do Norte (A1), entre
Lisboa e Aveiras de Cima; parte da Estrada Nacional 1 e vias
importantes nas zonas de Alenquer, Vila Franca de Xira e
Infantado.
REACÇÕES
"SÃO SEMPRE OS MÁRTIRES" (José Manageiro)
“Há uma clara tendência persecutória de cariz militarista. É uma
grande precipitação e injustiça”, diz ao CM o presidente da
Associação dos Profissionais da Guarda. “Os problemas da BT são
estruturais e orgânicos – mas os praças são sempre os mártires
do processo. O comando-geral da Guarda nem os quis ouvir”, diz.
"DOIS NEM LÁ ESTAVAM" (António Bernardino)
“Foi uma medida precipitada e aplicada sem processo
disciplinar”. O presidente da Associação Socioprofissional
Independente da Guarda pergunta “como é que podem estar 21
militares acusados se, nesse dia, dois deles nem sequer estavam
no Carregado? Em 26 anos de serviço nunca vi uma medida cautelar
destas – nem direito a defesa tiveram”.
PORMENORES
CORTE NOS ORDENADOS
Enquanto se mantiverem suspensos, em princípio até Março, os 21
militares da BT do Carregado só têm direito a dois terços do
salário. Ao que o CM apurou, o vencimento dos praças varia entre
os 600 e os 900 euros, conforme os anos de serviço.
INQUÉRITO
O processo disciplinar instaurado pelo Comando-Geral da GNR aos
21 militares vai dar origem a inquérito. O primeiro arguido será
ouvido quarta-feira, no próprio destacamento do Carregado, por
um oficial instrutor. Durante o inquérito, os militares estão
proibidos de entrar nas instalações do destacamento.
APOIO PSICOLÓGICO
A Associação Socioprofissional Independente da Guarda
disponibilizou um psicólogo para acompanhar os militares da BT
suspensos e as suas famílias nos próximos tempos.
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Suspensos os 21
militares da GNR do Carregado |
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Comando encontrou indícios de "desobediência" e
"insubordinação nos incidentes de 23 de Novembro
Punição
colectiva inédita pode acabar em penas de prisão
Vinte e um militares da Brigada de Trânsito da GNR do
Carregado foram ontem suspensos de funções, por se encontrarem
indiciados pelos crimes de "desobediência" e "insubordinação". A
decisão do Comando-Geral da GNR surge na sequência dos
incidentes ocorridos a 23 de Novembro na referida unidade. A
medida cautelar aplicada é mais gravosa prevista pelo
Regulamento de Disciplina da Guarda (RDG) e só pode ser revogada
pelo ministro da Administração Interna ou pelo comandante-geral
da GNR. Concluído o processo e a haver condenação, a pena pode
chegar, no limite máximo, à prisão.
Pela gravidade das punições e pelo número de envolvidos, a
decisão é inédita e poderá ter como consequência uma reacção na
mesma medida por parte dos militares. Já ontem, aliás, as
associações começaram a reunir com os militares indiciados para
dar uma resposta imediata ao Comando - pelo menos no campo
jurídico.
Os incidentes ocorreram na sequência de uma troca de palavras
entre um oficial (um tenente) e os militares em causa, a
propósito de algum défice de passagem de multas e de um incêndio
ocorrido na unidade, que terá degenerado em insultos ao oficial.
A acusação é desmentida pelos visados. Segundo outra versão, não
oficial, alguns dos militares em causa terão sido convocados
para uma reunião pelo tenente, mas o facto de o encontro estar
marcado para fora do horário de serviço e de tudo indicar que
pudesse prolongar-se por algumas horas, terá incomodado os
militares, levando-os a questionar a iniciativa. O oficial
reagiu com desagrado, e daí até surgir uma discussão acesa pouco
tardou.
Logo no Relatório Imediato (RELIM) enviado ao Comando no dia
23, porém, o oficial alegou que os actos de desobediência e
insubordinação tinham ocorrido na presença de inspectores da
Inspecção-Geral de Administração Interna (IGAE), que na altura
realizavam uma inspecção de rotina no Destacamento.
De uma forma ou de outra, a verdade é que vinte dos militares
foram ontem chamados ao Comando da BT, em Lisboa, cerca das
15.00 horas, onde o comandante da BT, major-general Meireles de
Carvalho, lhes comunicou a suspensãoo. Um militar que não esteve
presente por se encontrar de férias vai ser notificado mais
tarde.
A medida vai vigorar durante 90 dias e os militares receberão
apenas um terço do vencimento, ao abrigo do nº 5, do artigo 88,
e do nº 3, do artigo 90, do RDG, no primeiro caso para permitir
o normal desenrolar do processo no segundo considerando que a
medida de transferência coersiva não seria suficiente.
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Associação critica
suspensão de 21 militares da BT |
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Associação dos Profissionais da Guarda criticou facto dos
militares terem sido suspensos de funções na sequência de um
processo disciplinar em que ainda não foram sequer ouvidos
A Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) criticou
hoje que 21 militares da Brigada de Trânsito da GNR do Carregado
tenham sido suspensos de funções na sequência de um processo
disciplinar em que ainda não foram sequer ouvidos.
Em comunicado divulgado ao princípio da noite de hoje, a APG/GNR
diz ter tido "hoje conhecimento da aplicação da medida
disciplinar de 90 dias de suspensão preventiva de funções a 21
elementos da Brigada de Trânsito (BT) em serviço no Destacamento
do Carregado".
Para a APG/GNR, "a instauração de processos disciplinares com
aplicação de uma medida provisória, sendo esta a mais grave do
Regulamento de Disciplina da Guarda, só revela uma postura de
prepotência, militarista e arrogante para camuflar os
verdadeiros problemas com que a instituição se debate".
A intenção de instaurar processos disciplinares a militares
da BT do Carregado que alegadamente se insurgiram contra o
comandante do destacamento já tinha sido anunciada a 25 de
Novembro pelo Comando-Geral da GNR.
Nesse dia, o jornal "Público" noticiou que o destacamento da
BT do Carregado estava a ser investigado pela Polícia Judiciária
devido a ter ardido, no domingo anterior (20 de Novembro), parte
da documentação guardada na secretaria, entre ela muitas contra-
ordenações (multas) rodoviárias.
Fonte ligada ao processo disse à Lusa que, no passado dia 23
de Novembro, o comandante do destacamento convocou 21 militares
da BT para serem ouvidos no seu gabinete, numa conversa
alegadamente relacionada com falta de produtividade, resultante
de poucas contra- ordenações.
O comandante de destacamento esteve 40 minutos a ouvir o
primeiro militar, o que causou grande impaciência nos restantes
e alguns protestos quando este saiu da sala, referiu a mesma
fonte, admitindo que os ânimos se alteraram um pouco.
Em declarações à agência Lusa a 25 de Novembro, o
tenente-coronel Costa Cabral, do comando-geral da GNR, contou
que alguns militares da BT do Carregado tiveram atitudes menos
correctas contra o comandante do destacamento, que já estavam a
ser investigadas.
Hoje, em comunicado, a APG/GNR critica que os militares em
questão tenham sido suspensos de funções por 90 dias na
sequência daquele episódio e fonte da associação sindical
lamentou à Lusa que o mesmo tenha acontecido sem os visados
terem sido ainda ouvidos nos respectivos inquéritos
disciplinares.
A mesma fonte sublinhou que os militares têm agora 10 dias
para contestar esta decisão do comando da guarda, que teve na
origem apenas questões de índole profissional.
"Num efectivo de cerca de 70 homens, foram suspensos 21. Isto
vai causar ainda um maior mal-estar dentro do destacamento",
disse a fonte, considerando que existem no regulamento outras
medidas disciplinares que podiam ser aplicadas enquanto está a
decorrer o processo.
A APG/GNR sublinha no seu comunicado que "a insatisfação
reina em todo o dispositivo da GNR e que não é com processos
disciplinares ou com medidas repressivas que este sentimento
desaparecerá ou que se resolverão os verdadeiros problemas que
afectam a instituição e os seus profissionais".
Queixam-se de "cargas horárias penosas e desumanas",
"condições humilhantes de trabalho", "desrespeito pelos direitos
mais elementares dos profissionais" e de "uma estrutura de
comando insensível às preocupações mais sentidas".
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Militares da BT podem ser
suspensos de funções |
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Vintes praças do Carregado vão ser notificados do processo
disciplinar
Medida de coacção provisória está também na calha
Visados encaram acção judicial contra comandante da BT
Vinte militares do Destacamento da BT do Carregado poderão
vir a ser suspensos do serviço, na sequência do conflito gerado
entre eles e o comandante da unidade, segundo apurou o JN. A
suspensão provisória do serviço é uma das medidas que poderão
vir a ser avançadas, além do desarmamento ou da transferência
preventiva enquanto decorrerem os processos disciplinares.
Os incidentes ocorreram no dia 23, na sequência de uma
reunião entre o comandante do destacamento e militares da
unidade, após um incêndio no quartel e a propósito da passagem
de multas, cujo número estaria abaixo do desejado pelo
comandante. A recomendação não foi bem aceite e os ânimos
aqueceram.
O oficial alega que foi insultado, facto que é desmentido
pelos subordinados.
Em todo o caso, o incidente no Destacamento do Carregado é
inédito em toda a história da GNR. Teme-se ainda que uma reacção
violenta por parte do Comando-Geral possa ser considerada
intempestiva e gerar ainda mais problemas.
O despacho relativo à medida provisória, na sequência da
abertura do processo disciplinar, foi ontem à tarde assinado no
Comando-Geral da GNR, e embora o resultado não seja ainda
público, uma das opções é a suspensão provisória de serviço dos
vinte militares, tanto mais que há a ideia de que se tratou de
uma situação "muito grave", tal como o JN noticiou.
"Bando de malfeitores"
Os militares constituídos arguidos no âmbito do processo
disciplinar só não começaram ontem a ser notificados da decisão
do Comando-Geral por ter sido tomada já durante a tarde, após a
hora normal de serviço.
Por hoje ser feriado, só amanhã os visados começarão a ser
notificados da abertura do processo disciplinar e da medida
disciplinar provisória. O despacho foi assinado pelo comandante
da GNR interino, major-general Cunha Lopes.
O caso avançou ontem, com a chegada ao Comando-Geral da
participação elaborada pelo comandante da BT, major-general
Meireles de Carvalho. Na terça-feira, no entanto, Meireles de
Carvalho esteve no Destacamento do Carregado, mas, segundo foi
noticiado, acabou por chamar "bando de malfeitores" aos
militares envolvidos no incidente.
O caso poderá acabar em tribunal já que os militares ameaçam
processar o oficial por difamação.
Polícia Judiciária Militar já recebeu participação
A Polícia Judiciária Militar recebeu ontem oficialmente a
participação por parte do Comando-Geral relativa aos incidentes
no Carregado, no âmbito da abertura de um processo-crime. Em
causa estão eventuais indícios de desobediência ou
insubordinação - um crime militar. Por outro lado, decorre
também um processo de investigação relativamente ao incêndio
ocorrido no destacamento, cuja origem, já se sabe, foi
criminosa. O fogo atingiu os talões de multas por excesso de
álcool que são normalmente produzidos pelos dois tipos de
máquinas existentes na BT para medição dos níveis de alcoolemia.
Esta terá sido uma das questões que originaram as desavenças
entre o comandante da unidade e os subordinados. Primeiro
durante uma reunião entre o oficial e um cabo, que durou cerca
de 40 minutos, com os outros 19 militares à espera de vez.
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Estatuto de
trabalhador-estudante em risco na PSP |
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Directora-nacional adjunta da instituição assinou despacho em
que considera que os benefícios dos trabalhadores-estudantes são
incompatíveis com o «dever de disponibilidade dos polícias»
O Sindicato Nacional da Polícia (SINAPOL) considerou hoje
"ilegal" um despacho da direcção da PSP que entende que os
benefícios dos trabalhadores-estudantes são incompatíveis com o
dever de disponibilidade dos polícias.
O despacho, a que a Lusa teve acesso, refere que "os
benefícios legalmente previstos para o trabalhador-estudante,
nomeadamente os relativos a fixação de horários especiais ou à
dispensa para frequência de aulas ou participação em provas e
avaliação, não são compatíveis com o dever de disponibilidade" a
que o pessoal da PSP está "sujeito estatutariamente e que é
resultante do carácter permanente e obrigatório da prestação de
serviço na PSP".
O despacho - com data de 24 de Novembro e assinado pela
directora nacional adjunta para a área dos Recursos Humanos,
Maria Teresa Caupers - surge como resposta aos comandantes da
PSP que "pretendem ver esclarecida a questão de saber em que
termos podem ser concedidos ao pessoal dos quadros da PSP os
benefícios do estatuto do trabalhador-estudante", previsto no
Código de Trabalho e que também goza de protecção
constitucional.
Analisando a Lei de Organização e Funcionamento da PSP que
dispõe que "o serviço da PSP é de carácter permanente e
obrigatório" e lembrando que esta disponibilidade é "abonado de
um suplemento remuneratório", a directora nacional adjunta da
PSP, citando ainda o Estatuto do Pessoal da PSP, determina que a
concessão do estatuto do trabalhador-estudante ao pessoal da PSP
"não pode implicar redução do horário diário de trabalho ou
fixação de horários especiais".
No que respeita ao tempo de serviço para a prestação de
provas, incluindo exames, a responsável da PSP determina que
"pode o mesmo, em regra, ser autorizado", mas "desde que não
ocorra grave lesão para o interesse público em razão do
funcionamento do serviço, devendo o interessado comunicar essa
necessidade ao respectivo superior hierárquico, com antecedência
razoável".
A directora nacional adjunta propõe ainda que os "comandos e
demais serviços da PSP devem proceder ao levantamento das
situações existentes de concessão do estatuto de
trabalhador-estudante, de modo a apurar se estão reunidos os
requisitos para a sua manutenção, devendo, em caso afirmativo,
passar a conformar-se com o disposto no presente despacho".
Em declarações à agência Lusa, Armando Ferreira, presidente
da SINAPOL, defendeu que este despacho "põe em causa o direito
que os trabalhadores da PSP têm em usufruir daquilo que a lei
lhe confere como trabalhadores-estudantes".
Na sua perspectiva, o despacho "deixa aberto a possibilidade
de serem negados esses direitos", sendo motivo para questionar
se "a direcção nacional da PSP não quer que os polícias tirem
cursos superiores" e melhorem a sua formação.
Quanto às dispensas para exame (véspera e no próprio dia de
exame), o dirigente da SINAPOL entende que "basta que alguém da
parte da directiva da PSP invoque motivos de serviço para não
atribuir essas dispensas" e impeça assim essa pessoa de fazer
exame.
O presidente da SINAPOL disse não possuir dados precisos
sobre o número de trabalhadores-estudantes, mas estimar que
entre os 21 mil polícias portugueses existam entre 200 e mil
nessa situação.
Disse contudo ter conhecimento do caso de polícias que estão
a estudar em Universidades privadas e que desembolsam
mensalmente cerca de 250 euros.
O responsável da SINAPOL adiantou que quando, na próxima
época especial de exames (Janeiro/Fevereiro de 2006), ocorrer o
primeiro indeferimento de dispensa para exame, o sindicato irá
propor ao polícia lesado que avance com um processo contra a
Direcção Nacional da PSP, por "incumprimento de uma lei" da
Nação.
"Até agora usufruímos desses direitos e não é agora que o
deixaremos de fazer", vincou.
Confrontado com toda esta contestação da SINAPOL, o assessor
da Direcção Nacional da PSP garantiu à Lusa que, "relativamente
ao estatuto do trabalhador-estudante, este não é posto em causa"
pelo despacho.
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Insultos dos agentes ao comandante poderão originar vinte
processos disciplinares
“Rebelião” na BT do Carregado
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Uma investigação da Inspecção-Geral da Administração Interna
(IGAI) ao Destacamento de Trânsito da GNR do Carregado,
e um incêndio ocorrido nas instalações, desencadearam o
ambiente de tensão vivido nos últimos dias, entre o
comandante daquele unidade, Tenente João Madaleno, e
alguns efectivos que ali prestam serviço. Segundo
apurámos, vários militares dirigiram insultos ao
oficial, quando este acompanhava, no dia 23 de Novembro,
uma equipa de inspectores da IGAI de visita ao
Destacamento. Os actos então verificados, originaram um
inquérito de averiguações, que poderá resultar em
processos disciplinares a duas dezenas de militares que
terão protagonizado a pequena “rebelião”. |
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Ao que O MIRANTE conseguiu apurar, o mal-estar no
Destacamento da BT do Carregado agravou-se, com o pedido
feito à Polícia Judiciária Militar para que investigasse
um incêndio ocorrido na secção onde estavam guardados
autos e outros documentos que estariam a ser alvo de
investigação.
Segundo fonte do Comando Geral da Guarda, quando uma equipa
de investigadores da IGAI, composta por magistrados e um
oficial superior da GNR se encontrava nas instalações,
alguns militares terão insultado o comandante da
unidade. No dia seguinte, terá sido um cabo a ofender o
Tenente Madaleno. O comportamento dos militares foi
considerado pela mesma fonte de “insubordinação” e
“desobediência”.
Para José Manageiro, presidente da Associação dos
Profissionais da Guarda (APG), não se justificam os
processos disciplinares aos militares alegadamente
envolvidos em actos de indisciplina, por não acreditar
nessa versão. “A Guarda Nacional Republicana é uma
instituição disciplinada. Não acreditamos que os
elementos do Destacamento de Trânsito do Carregado
tenham ofendido de alguma forma o senhor comandante ou
os elementos da IGAI. Na nossa opinião, não fizeram nada
que justifique os processos disciplinares”, disse a O
MIRANTE o presidente da associação. “Dizemos isto pela
experiência que temos, por nunca terem ocorrido actos de
rebelião ou indisciplina na Guarda“, rematou.
Segundo o porta-voz da APG, as questões de desalento e
desmotivação que se verificam por todo o efectivo da
GNR, relacionadas com a carga horária e outras
situações, devem ser resolvidas pelo Comando Geral da
Guarda e pelo Governo, e “não com processos
disciplinares”, sustenta José Manageiro.
Sobre os rumores vindos a público que os militares do
Destacamento do Carregado estariam a ser pressionados
pelo comandante devido ao reduzido número de multas
passadas, o porta-voz da APG considera que, a ser
verdade, “os militares não estão a cumprir a lei, mas
sim a cumprir uma ordem”
“É à lei que devem fidelidade e não por imposição do
comando”, remata.
O MIRANTE fez várias tentativas para falar com o comandante,
mas tal não foi possível até ao fecho desta edição.
Fonte do Comando Geral da GNR confirmou a abertura de
uma investigação para apurar o que se passou no
“incidente” verificado no Destacamento do Carregado.
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APG defende que se deve evitar o recurso à via repressiva
Militares da BT do Carregado
negam insultos |
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A Associação dos Profissionais da Guarda (APG) tem sido
receptora das denúncias de vários militares da Brigada de
Trânsito da GNR do Carregado, que negam ter insultado o
comandante da unidade, na semana passada.
José Manageiro, presidente da APG, assegurou ao CM que
durante os últimos dias, já falou com “diversos militares da BT
do Carregado, que contam uma versão diferente dos factos”.
“Todos negam que se tenha assistido a uma tentativa de rebelião.
Durante a visita da Inspecção-Geral da Administração Interna às
instalações do Destacamento de Trânsito, na tarde da passada
quarta-feira, tudo, segundo eles, decorreu normalmente”, referiu
o dirigente sindical.
Aliás, acrescenta José Manageiro, “tudo não se poderia ter
passado de outra forma”. “Na GNR nunca houve cultura de
indisciplina”, acrescentou o presidente da APG.
Por isso, defende o sindicalista, há que tentar averiguar as
verdadeiras razões da desmotivação do pessoal, em vez de optar
“pela via repressiva”.
“Não acredito em processos disciplinares. Se há alguém que foi
ofendido na quarta-feira à tarde foram os profissionais da BT do
Carregado, quando o comando da unidade não revelou vontade para
resolver os problemas”, concluiu José Manageiro.
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Julgamento -
perseguição fatal
Militar da GNR acusado do crime
de homicídio |
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É a primeira vez em Portugal que um agente de autoridade é
julgado por homicídio cometido no exercício da sua missão. A
vítima é um civil, que tentou fugir no decurso de uma
investigação de tráfico de droga, e morreu com um tiro na testa
disparado pela arma que o militar empunhava. Por isso, o cabo
Brejo da GNR apresenta-se hoje como arguido no Tribunal de
Santarém.
O militar integrava uma equipa do Núcleo de Investigação
Criminal (NIC) do destacamento de Santarém da GNR, que procurava
indivíduos suspeitos de tráfico de droga. Os investigadores
sabiam que eram de etnia cigana e transaccionavam o produto numa
zona de pinhal perto de Vale de Cortiço, em Fazendas de
Almeirim, e decidiram agir.
Mas a operação correu mal: não foi detectada qualquer droga e um
dos supostos criminosos foi morto a tiro, após tentar fugir do
local e confrontar-se fisicamente com o arguido.
Ao Tribunal de Santarém cabe apurar se o cabo Brejo, que
responde por um crime de homicídio, tinha o propósito de matar o
oponente. Segundo o relatório da autópsia, Gabriel Carmo, então
com 29 anos, morreu em consequência das “graves lesões
traumáticas crânio-encefálicas” causadas por um tiro disparado a
“curta distância”, o que “faz presumir a intenção de matar”.
O militar diz que não. Alega que a arma – que empunhava e usara
para fazer um disparo de intimidação para o ar – disparou em
“condições acidentais que desconhece em absoluto e não consegue
explicar”. A “culpa exclusiva” do tiro, alega a Defesa, foi da
vítima, que não acatou a ordem de parar. Além disso, enfrentou
fisicamente o militar, mesmo sabendo quem era e que estava
armado.
O caso chega à barra do Tribunal seis anos após os factos. Desde
4 de Abril de 1999 até agora, o processo percorreu um longo
caminho, que começou com o arquivamento do inquérito pelo
Ministério Público, que entendeu “não existir suporte factual
indiciado que permita imputar ao arguido o crime de homicídio”.
Depois, foi pedida a instrução, mas como a “prova produzida não
trouxe qualquer esclarecimento adicional” o juiz decidiu pela
não pronúncia.
A companheira de Gabriel Carmo não se conformou com a decisão e
recorreu para o Tribunal da Relação de Évora, que deu provimento
ao recurso e pronunciou o militar. Os juízes entenderam que
“houve contradições nas versões do arguido” e consideraram
“pouco consistente” a tese do disparo acidental.
Nessa altura, a companheira da vítima apresentou ao Tribunal, em
nome das filhas, um pedido de indemnização no valor de 300 mil
euros, por danos patrimoniais e não patrimoniais.
O militar – que se escusou a prestar declarações ao CM – tem 35
anos, está há 12 na GNR e comandou interinamente o posto de
Salvaterra de Magos. Desde Setembro de 2004 integra o NIC do
destacamento de Santarém da GNR.
'FOI ALI PARA COMPRAR DROGA'
A companheira de Gabriel Carmo diz que ele “não fazia mal a
ninguém. Ele era toxicodependente e foi ali comprar droga para
consumir”, conta Maria de Fátima. Na altura, o casal e as três
filhas estavam acampados nos Paços Negros, em Fazendas de
Almeirim, e ela estava grávida de outra menina.
Maria de Fátima defende que o militar da GNR matou Gabriel Carmo
“porque quis, porque ele fugiu”. “Foi mais uma exibição, porque
a autoridade é para ser respeitada”, acrescenta Nelito Maia,
líder da comunidade cigana. Maria de Fátima diz que tem mais
“interesse” na indemnização do que na condenação do militar,
pois as filhas “não têm meios de sobrevivência”. “Agora ando a
pedir esmolas para sustentar as milhas filhas”, conta. A mulher
reside na zona de Lisboa, com o pai e tem um novo companheiro e
mais um filho.
'SÓ PODE SER ABSOLVIDO'
A Associação dos Profissionais da Guarda (APG) defende que “a
decisão do Tribunal só pode ser a sua absolvição”. José
Manageiro, presidente da APG, lamenta que “numa situação de
flagrante delito e após perseguição, um militar seja julgado por
homicídio”.
“Está na altura de o País saber se quer um sistema de segurança
permissivo em que tudo é permitido. Não se pode incutir uma
mentalidade de exigência e rigor e depois deixar que as forças
de segurança sejam achincalhadas por quem promove a
conflitualidade, porque então a autoridade não serve para nada”,
frisa José Manageiro. Os superiores do militar elogiam o seu
desempenho “acima da média”, e afirmam que “tem cumprido o seu
serviço”.
“Está perfeitamente integrado, não tem apresentado qualquer
desvio no seu comportamento e não notamos que precise de
qualquer apoio específico”, diz o major Lopes Pereira,
comandante da Secção de Operações e Informações do Grupo de
Santarém da GNR.
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António Ramos,
do sindicato da polícia
A greve é algo justo |
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António Ramos, presidente do Sindicato dos Profissionais de
Polícia (SPP), foi reeleito na sexta-feira para um terceiro
mandato à frente da estrutura. Promete lutar pelo direito à
greve na polícia.
Correio da
Manhã - Que perspectivas tem para um terceiro mandato à frente
do SPP?
António Ramos - O SPP vai continuar a ser um sindicato
combativo. Há diversas questões em que iremos até às últimas:
reformas, horas extraordinárias, trabalho nocturno, feriados e a
falta de um horário de trabalho. Para tal, estamos em contacto
com alguns juristas para pedir a inconstitucionalidade de todos
estes diplomas.
- Como vai o SPP enquadrar-se no clima de contestação
sindical ao Governo?
- Passámos por um processo eleitoral. A nova direcção toma posse
a 6 de Dezembro. Para já, há só a possibilidade de irmos passar
a consoada à porta do ministro António Costa.
- Como explica a elevada abstenção (60%) no processo
eleitoral do SPP?
- Houve forças de bloqueio, que afastaram os sócios das
eleições. A Lista B fez uma campanha difamatória no que toca à
contabilidade, que sempre foi organizada. Por isso, vai entrar
um processo-crime no DIAP contra o líder da Lista B, por crimes
de difamação e injúrias.
- Acha que terá de, nos próximos três anos, lidar com
oposição interna?
- Considero que não tenho oposição interna. Houve uma tentativa
de destruição do SPP. Mas continuamos a ser o único sindicato
que não se cala e luta contra as injustiças.
- À semelhança da ASPP, o SPP vai lutar pelo direito à greve?
- A Associação dos Profissionais de Polícia [que antecedeu o SPP]
teve, em 2001, um papel fundamental na aprovação do sindicalismo
na PSP. Na altura, abdicámos do direito à greve. Hoje, face ao
comportamento dos Governos. a greve é algo justo. Mas para isso,
defendemos a urgência de uma revisão constitucional que permita
a sua implementação a muito breve prazo.
PERFIL
António Ramos nasceu há 49 anos, perto do Fundão. Em 1979 entra
para a PSP, sendo colocado na Esquadra dos Caminhos de Ferro. No
princípio dos anos 80, adere à luta pela criação de sindicatos
na PSP. Em 1994, sai da Associação Sócio-Profissional da PSP,
ajudando a criar a Associação dos Profissionais de Polícia,
antecessora do SPP. É casado e tem um filho de 21 anos.
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Situação na BT do
Carregado considerada grave |
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A situação na Brigada de Trânsito da GNR do Carregado é
considerada "muito grave", segundo adiantaram, ao JN, elementos
do Comando-Geral da GNR, na sequência de incidentes entre o
comandante do destacamento e pelo menos vinte militares daquela
unidade, num total de cerca de oitenta.
Os militares envolvidos estão a ser alvo de processos e, de
acordo com a legislação militar que enquadra a GNR, os casos
ocorridos podem implicar acusações de insubordinação e
desobediência, "no âmbito das infracções disciplinares muito
graves".
Os incidentes ocorreram na quarta-feira passada, na sequência
de uma acção inspectiva da Inspecção-Geral da Administração
Interna, a propósito do incêndio ocorrido no arquivo da unidade,
onde se encontravam autos referentes a multas de trânsito. Essa
é a área que está a ser investigada pela IGAI, o que está a
levantar mais dúvidas sobre o que poderá estar por detrás do
incêndio.
A Polícia Judiciária foi chamada a investigar a situação e há
já praticamente a certeza de que se tratou de fogo-posto, tanto
mais que foram descobertos vestígios de gasolina.
No entanto, a verdade é que parte dos documentos visados
acabaram por não ser destruídos, aparentemente por incúria ou
inépcia de quem os tentou destruir na aplicação do combustível,
o que vai constituir um elemento-chave para se chegar ao
responsável ou responsáveis pelo que poderá ser considerado um
crime, associado aos outros crimes no âmbito da disciplina
militar que vigora na GNR.
Também a Polícia Judiciária Militar está a investigar o crime
de enquadramento militar, mas para a Associação dos
Profissionais da Guarda, citada pela agência Lusa "não faz
qualquer sentido a aplicação de processos aos militares", porque
"não houve insultos e porque o que está em causa não se resolve
com processos disciplinares", sustentou José Manageiro. Para o
dirigente, a questão está nas condições de trabalho e nas
últimas medidas do Governo.
Os processos estão ainda no âmbito da Brigada de Trânsito, cujo
comandante, major-general Meireles de Carvalho, já reuniu,
entretanto, com o comandante-geral da GNR, Mouranto Nunes.
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António Ramos reeleito
presidente do sindicato |
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Presidente foi reeleito pela terceira vez presidente do
Sindicato dos Profissionais de Polícia, encabeçando a lista A,
contra a lista B presidida por Jorge Rufino
António Ramos foi hoje reeleito pela terceira vez presidente
do Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP/PSP), encabeçando
a lista A, contra a lista B presidida por Jorge Rufino.
Num universo de 2.200 votantes, a lista A recolheu 596 votos
e a lista B 212, tendo-se registado uma abstenção de cerca de 60
por cento, segundo disse António Ramos à Agência Lusa.
O mau tempo nalgumas regiões do país, o facto de as urnas
terem encerrado às 19:00 - quando muitos polícias ainda estão a
terminar o turno - e "uma certa desmotivação por o sindicato não
conseguir vitórias contra as medidas do Governo" foram as razões
apontadas por António Ramos para justificar a abstenção.
"O facto de existirem cada vez mais pequenos sindicatos,
alguns criados apenas para que os seus dirigentes possam ter
direito a horas [horário reduzido de que beneficiam os líderes
sindicais], também tem vindo a desacreditar o trabalho sindical
sério", alegou.
O SPP diz representar cerca de sete mil dos aproximadamente
22 mil profissionais da PSP, mas apenas estavam inscritos para
votar 2.200 polícias, ficando excluídos do acto eleitoral os que
não têm as quotas em dia e os que se inscreveram na SPP depois
de Agosto de 2005.
Do programa da lista A, que se prevê vencedora, faz parte
"continuar a lutar contra os diplomas do Governo, nem que seja
nos tribunais", afirmou à Lusa António Ramos, acrescentando que
o SPP solicitou a juristas e constitucionalistas que "averigúem
a constitucionalidade das medidas referentes às reformas e à
saúde".
Segundo os seus Estatutos, "o SPP representa todos os
profissionais da PSP que exercem funções policiais,
independentemente da categoria ou postos hierárquicos".
Além disso, "rege toda a sua acção pelos princípios da
liberdade democrática, igualdade, pluralismo e independência".
António Ramos enfrenta dois processos disciplinares
instaurados pela Direcção Nacional da Polícia de Segurança
Pública (PSP), um dos quais poderá levar ao seu afastamento da
corporação.
O dirigente sindical foi alvo de um processo disciplinar por
ter proferido declarações consideradas desrespeitosas para com o
primeiro-ministro.
Na defesa que apresentou, o presidente do SPP manifesta
"especial simpatia" pelo primeiro-ministro, José Sócrates, e
considera "abusivo" este processo disciplinar, alegando que as
palavras ou expressões em causa foram proferidas "no desempenho
de funções sindicais" e não no exercício da função policial.
O outro processo disciplinar instaurado a António Ramos
prende- se com um eventual apelo do SPP/PSP à não aplicação de
multas de trânsito pelos polícias como forma de protesto contra
medidas do Governo envolvendo as forças de segurança.
Os sindicatos de polícia têm estado em luta contra o Governo
devido à alteração ao regime de assistência na doença,
congelamento da progressão das carreiras profissionais e novo
regime de aposentação e pré-aposentação. |
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