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Coletes amanhã e
milhões em 2006 |
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Ministro promete indemnização célere à família de agente morto
Associações querem mais meios
António Costa, ministro da Administração Interna, anunciou
ontem, em Lisboa, que serão distribuídos, já amanhã, 400 coletes
à prova de bala, mais 1600 até Janeiro e outros mil até Março.
Segundo o governante, haverá, em 2006, um aumento de 130% no
investimento às forças de segurança relativamente ao Orçamento
inicial de 2005, fixado primeiro em 6,8 milhões de euros e
depois reforçado para os 15,6 milhões.
O reforço de verbas e meios vão juntar-se à aquisição em
curso de novas armas, revisão do dispositivo territorial da GNR
e PSP e reforma do modelo do sistema de segurança interna, ainda
na forma de projecto de investigação, e com resultados
preliminares a revelar no próximo ano.
As medidas foram anunciadas no final da cerimónia da tomada
de posse de Clemente Lima como inspector-geral da Administração
Interna, cargo deixado vago há quase um ano por Rodrigues
Maximiano (ver caixa).
Apesar de sublinhar que os índices de criminalidade no país
são baixos quando comparados com o contexto europeu, António
Costa reconheceu que há "bolsas de criminalidade violenta" que
implicam "outro tipo de equipamentos e outros métodos de
actuação".
Aludindo ao assassinato, anteontem, de mais um efectivo da
PSP - o quarto este ano - o ministro lembrou que a tomada de
posse decorreu "num momento de luto e de profunda tristeza",
apresentando as condolências à família de Sérgio Martins.
António Costa expressou ainda o desejo de que se possa fazer
justiça neste caso com a mesma brevidade do que sucede com o
homicídio dos dois agentes da Amadora, assassinados no dia 20 de
Março. "Nestes oito meses foi possível a Administração instruir
e pagar integralmente as compensações devidas às famílias, assim
como o sistema judicial logrou investigar, acusar e iniciar o
respectivo julgamento, que está em curso", acrescentou o titular
da pasta do Ministério da Administração Interna.
Face aos protestos e reivindicações anunciados por várias
associações sindicais das forças de segurança, o ministro
aconselhou a que tivessem uma "atitude recolhida e de reserva",
argumentando que "este não é o momento para estabelecer
polémica".
Reivindicações
A morte de mais um agente em serviço fez reacender o clima de
contestação entre as associações de polícias, quer na GNR, quer
na PSP. Punições mais pesadas para os agressores de agentes da
autoridade, mais meios humanos e materiais e a revisão do
regulamento do uso da força e utilização das armas de fogo foram
ontem exigidas pelo presidente da Associação Sindical dos
Profissionais da Polícia (ASPP/PSP).
Alberto Torres sublinhou a necessidade de o Governo promover
medidas que salvaguardem a integridade física dos profissionais
e "desmotivem" aqueles que pratiquem as agressões. "Da mesma
maneira que, apressada e duramente, a tutela da PSP e o Governo
punem os profissionais, também se exige que os autores dos
crimes contra os polícias sejam punidos exemplarmente",
defende.
A escassez de efectivos - a ASPP estima que "faltam" 4500
profissionais -, as más condições do armamento, sistemas de
comunicações obsoletos e o parque automóvel a precisar de
renovação são, de resto, queixas sublinhados pelas estruturas
sindicais.
A revisão do regulamento do uso das armas de fogo é outra
exigência, "naquilo que diz respeito à protecção dos cidadãos
'que se dedicam à prática de crimes', já que o texto em vigor
(mais restritivo do que a própria lei) é um incentivo a esses
criminosos".
De referir que, para hoje, na Assembleia da República, está
agendada a apreciação na especialidade da proposta de lei que
aprova o novo regime das armas e suas munições.
Manifestações
O Sindicato dos Profissionais da Polícia (SPP) apelou a todos
os elementos da PSP para que hoje, às 11 horas, cumpram um
minuto do silêncio em homenagem ao agente morto em Lagos, na
mesma altura em que decorre o funeral.
Por sua vez, e como forma de protesto simbólico contra as más
condições de trabalho, a Associação Sindical Independente de
Agentes da Polícia de Segurança Pública (ASG/PSP) entrega hoje
cinco coletes à prova de bala na esquadra da Mina, Amadora.
O secretário-geral da ASG explicou, à agência Lusa, que os
coletes "vão ser entregues à porta da esquadra ao representante
sindical" e este depois irá remetê-las aos responsáveis daquele
destacamento da PSP para que fiquem disponíveis para os
elementos das patrulhas. Segundo Ernesto Peixoto Rodrigues, a
escolha da Mina "deve-se ao facto de, em Maio, terem sido
assassinados dois agentes" ao serviço naquela esquadra e porque
os quatro coletes existentes "não são suficientes". Também o
Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia (SNOP) já disse
esperar que as quatro mortes de agentes policiais em 2005 levem
o poder político a encarar como prioritário "o reforço da
autoridade das forças de segurança". A Associação dos
Profissionais da Guarda (APG) da GNR sublinhou, por sua vez, o
"descontrolado aumento da criminalidade violenta e organizada e
o crescente sentimento de impunidade" e apelou à mobilização
para um protesto marcado para amanhã, pelas 17 horas, no
Terreiro do Paço, em Lisboa.
Mediação em vez de força
Clemente Lima, empossado ontem como inspector-geral da
Administração Interna, defendeu a formação, a tolerância,o
respeito pelos direitos humanos e a mediação para "estimular o
reforço da autoridade democrática" e sedimentar uma "polícia
aberta", em oposição a respostas simplistas aos sentimentos de
decepção e insegurança. O responsável, que já ontem tinha
reconhecido ao JN que assumia o cargo num ambiente de "desânimo
e de frustração", disse preferir respostas menos lineares.
"Reclama-se o aumento do número de agentes policiais, a
musculação da reacção punitiva, a construção de mais esquadras e
mais prisões, exige-se uma atitude securitária e o agravamento
das penas dos delinquentes. Um caderno reivindicativo,
estimulado pela demagogia que acabou por favorecer resultados
bem conhecidos", disse Clemente Lima. Deu como exemplo, "a
violação de direitos fundamentais dentro de esquadras e postos
policiais, o desregramento da prisão preventiva, a sobrelotação
das prisões".
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Governo promete mais
coletes, armas e poderes aos polícias |
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MAI garante que plano de aquisição de coletes vai
continuar no próximo ano. Secretário de Estado refere concurso
para compra de armas novas e promete para os próximos dias lei
que alarga poderes de acção das polícias em revistas, buscas e
apreensões
Além dos 1600 coletes que já adquiriu para os elementos da
PSP e da GNR, o ministério da Administração Interna promete
continuar o programa de aquisição ao longo do próximo ano. Mais
coletes, mais armas e uma nova lei que alarga os poderes das
polícias em operações especiais de prevenção criminal.
O Governo considera que o reforço de equipamento é necessário
para dotar as polícias de meios para combater a criminalidade
mas José Magalhães, secretário de Estado Adjunto da
Administração Interna, acredita que é igualmente importante
adequar os planos de intervenção às necessidades de cada
situação. «Não se actua da mesma maneira no combate à
criminalidade juvenil ou no combate a grupos de crime
organizado», explica.
A pensar nas armas legais atribuídas aos elementos das
patrulhas que todos os dias enfrentam situações semelhantes à
deste fim-de-semana, em que um chefe da PSP foi morto a tiro no
decorrer de uma acção policial, o Governo avança nos próximos
dias, no Parlamento, com a nova proposta de lei de uso e porte
de armas. No diploma estão previstas novas ferramentas de
trabalho para os polícias que actuam em operações especiais de
prevenção criminal.
«Num capítulo dedicado apenas a esta matéria ficam ampliadas
as margens de intervenção das forças de segurança» nomeadamente
em casos de «identificações, revistas, buscas e apreensões»,
adianta o mesmo governante.
A par do apoio legislativo, a tutela salienta a «compra de
1600 coletes à prova de bala», um programa de aquisições que
continuará ao longo de 2006. José Magalhães recordou ainda a
distribuição de carros novos para as patrulhas e do concurso que
está a decorrer para a aquisição de «milhares de armas novas
(9.mm)» que serão também repartidas pela PSP e pela GNR «através
de um critério selectivo de eficácia e necessidade», sobretudo
para os polícias que trabalham em zonas mais problemáticas.
Esta segunda-feira o ministro António Costa reafirmou que a
lei (revista no início do mandato) já permite pagar todas as
indemnizações pelos ferimentos ou morte de militares da GNR e
agentes da PSP que estavam em atraso e tornar o processo mais
célere.

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Ministro garante
indemnização rápida à família de agente PSP |
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Questionado sobre os protestos e reivindicações das associações
sindicais, António Costa afirmou que «não é o momento de
estabelecer polémica com os sindicatos»
O ministro da Administração Interna, António Costa,
apresentou hoje as condolências à família do agente da PSP
assassinado na madrugada de domingo em Lagos e garantiu que a
indemnização será paga rapidamente.
«A legislação anterior não satisfazia as necessidades ao
nível das compensações e foi alterada no início do mandato,
permitindo pagar rapidamente as indemnizações», afirmou aos
jornalistas, à margem da tomada de posse do novo inspector-geral
da Administração Interna.
A revisão da lei permitiu pagar todas as indemnizações pelos
ferimentos ou morte de militares da GNR e agentes da PSP que
estavam em atraso e tornar o processo mais célere, adiantou o
ministro, dando como exemplo o caso dos dois efectivos
assassinados a 20 de Março na Amadora.
«Nestes oito meses foi possível a Administração instruir e
pagar integralmente as compensações devidas às famílias, assim
como o sistema de justiça logrou investigar, acusar e iniciar o
respectivo julgamento, que já está em curso», sublinhou.
O ministro disse ainda esperar que «se possa fazer justiça
com a mesma brevidade» no caso do agente morto domingo em Lagos.
Questionado sobre os protestos e reivindicações das
associações sindicais, que exigiram um reforço de meios, um
aumento das penas para agressões a polícias e uma regulamentação
do uso da força e da utilização de armas de fogo na sequência da
morte do agente da PSP, António Costa afirmou: «Este não é o
momento de estabelecer polémica com os sindicatos».
«Vive-se um momento de luto e devemos ter uma atitude de
reserva e de recolhimento. Tenho ouvido o que os sindicatos têm
dito desde ontem [domingo], mas não pretendo comentar», afirmou.
António Costa escusou-se igualmente a comentar a posição do
Sindicato dos Profissionais da Polícia (SPP), que admitiu
domingo responsabilizar criminalmente o ministro da
Administração Interna e outros responsáveis políticos pelo
«laxismo existente nas condições de trabalho» concedidas aos
agentes.
«Existem dez sindicatos na polícia e não devemos confundir os
outros nove com esse. Desse, eu não costumo falar», disse.
No discurso a propósito da tomada de posse do novo inspector-
geral da Administração Interna, o ministro sublinhou o reforço
de verbas concedidas pelo Governo à PSP e à GNR, nomeadamente a
nível da aquisição de equipamento, frisando que o Orçamento
inicial para 2006 contempla um aumento do investimento da ordem
dos 130 por cento relativamente ao orçamento inicial de 2005.
«Definimos o reforço do investimento nas Forças de Segurança
como uma prioridade. De um orçamento inicial de 6,8 milhões de
euros em 2005 atingimos ao longo de um ano um investimento total
em equipamento de 15,6 milhões, graças ao reforço que o actual
Governo efectuou», declarou.

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Sindicato
espera que morte de
agentes «não seja em vão» |
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«A segurança interna não pode continuar a ser encarada
numa perspectiva economicista e com medidas avulsa», afirmou
representante sindical dos Oficiais de Polícia
O Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia (SNOP) disse hoje
esperar que as quatro mortes de agentes policiais verificadas em
2005 levem o poder político a encarar como prioritário «o
reforço da autoridade das forças de segurança».
«A segurança interna não pode continuar a ser encarada numa
perspectiva economicista e com medidas avulsa», afirma o SNOP em
comunicado acerca da morte de um agente da PSP na madrugada de
domingo passado, em Lagos. O sindicato lamenta que os polícias
«continuem a exercer a sua missão sem as condições mínimas de
segurança e eficácia», apesar «das promessas governamentais de
melhoria das condições de exercício das missões das forças de
segurança».
O documento sustenta que desde a formulação de tais promessas
«as condições de trabalho dos profissionais da PSP não
melhoraram absolutamente em nada».
«Pelo contrário, a acção governamental tem-se feito sentir de
forma bem vincada apenas no cercear do apoio social e dos
direitos adquiridos como forma de compensação pela
especificidade e deveres acrescidos da função policial», afirma
o SNOP.
Sublinha que aqueles direitos não são privilégios, mordomias
ou benesses, «como habilmente têm sido adjectivados». |
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'Se fosse o meu pai a matar
já estava preso' |
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Família de polícia morto transmite revolta ao JN
Rodeada de familiares que vieram de Óbidos e das Caldas
da Rainha, Maria da Conceição Tomás Martins, a viúva do
chefe Sérgio Martins, é a imagem do desespero "O mundo
caiu-nos em cima. Sabíamos todos que ser polícia é uma
profissão de alto risco, mas é um desfecho inesperado.
Quando fui à porta e vi dois colegas do meu marido
pensei logo que tinha acontecido uma desgraça". |
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Sérgio Martins saiu de casa na madrugada de domingo para
fazer o turno da 1h30 às 7H30 da manhã e não regressou
mais. "Se o meu pai, como polícia, tivesse dado um tiro
e morto alguém, estava arruinado. A esta hora já estava
preso. Mas foi ele o atingido mortalmente e os
assaltantes continuam a monte. A polícia não tem
condições mínimas", diz, revoltado, o filho, Gonçalo, de
22 anos, apesar de ele próprio se ter inscrito na PSP. A
vítima deixa também órfão um outro filho de 13 anos.
Familiares, amigos e vizinhos são unânimes em considerar
Sérgio Martins "um indivíduo acessível, prestável e
comunicativo". Para Leonel Martins, irmão do falecido,
"era muito querido por todos, não tinha inimigos",
enquanto a sogra, Maria do Nascimento Antunes, refere
"Perdi um genro a quem estimava muito".
No café próximo da residência, Sandra Branco, uma das
funcionárias. lamenta "Foi muito duro receber a notícia
da morte do senhor Sérgio, um polícia exemplar,
comunicativo, uma pessoa boa".
Vítima
Tinha 49 anos, era das Caldas da Rainha e trabalhava em
Lagos há 10 anos. Esteve colocado na Bósnia.
Sérgio Martins
Chefe da PSP
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Polícia morto a tiro |
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Novo inspector-geral da Administração Interna diz ao JN
que as forças policiais "têm que ser mais apoiadas"
Chefe da PSP morto ao tentar travar assaltantes armados
O ambiente nas forças policiais é de "desânimo e de frustração",
disse, ao JN, o juiz-desembargador Clemente Lima, que hoje toma
posse como inspector-geral da Administração Interna, em
substituição de Maximiano Rodrigues. As declarações de Clemente
Lima foram feitas a pedido do JN, num comentário à morte em
serviço de mais um elemento da PSP, desta feita em Lagos, na
tentativa de travar um grupo de assaltantes armados.
Foi o quarto elemento da PSP a morrer em serviço só este ano,
mas o número poderia ter subido para cinco não fora uma falha
técnica na arma de um traficante no Seixal, durante o Verão, ao
apontar directamente a um agente da PSP da Torre da Marinha, que
o tentava deter. Também um militar da BT escapou quase
milagrosamente ao ser atingido a tiro na cabeça, no mês passado,
em Chaves.
É neste cenário de violência contra as forças policiais que
Clemente Lima assume a direcção da Inspecção-Geral da
Administração Interna, mas o juiz-desembargador já tem a ideia
formada de que o ambiente nas forças policiais não é o melhor
"As forças policiais têm que ser estimadas e reconhecidas, pelo
Estado e pela população". Para o juiz-desembargador, que estava
colocado na Relação de Lisboa, o estado de espírito nas polícias
é, por isso, de "desânimo e de frustração. Sinto que estão
decepcionados, e por isso têm que ser mais apoiados para voltar
a ganhar auto-estima".
Trabalho ingrato
De acordo com o jurista, o "problema é mais sentido no
patrulheiro, no elemento policial que diariamente tem que fazer
face e resolver um enorme conjunto de problemas, um trabalho
ingrato". Mas salienta que o sentimento de frustração ainda não
atingiu a qualidade do serviço prestado às populações. "Os
polícias fazem tudo para que esse estado de espírito não tenha
implicações". E manifesta a "total solidariedade para com a
família e colegas" do chefe da PSP morto em Lagos.
O chefe Martins foi um dos cinco elementos destacados para deter
um grupo de assaltantes em fuga que terá tentado assaltar a
caixa multibanco do hipermercado Ecomarché, em Budens, concelho
de Vila do Bispo. Um grupo considerado "altamente perigoso" e já
referenciado pelas várias forças policiais portuguesas, que
ontem decidiram unir-se, em articulação com a Guardia Civil
espanhola, para deter os suspeitos.
O assalto iniciou-se por volta das 4.30 horas, quando entre seis
a oito indivíduos, encapuzados, arrombaram as portas do
hipermercado com um veículo de pronto-socorro, que havia sido
furtado horas antes na zona de Portimão.
Apercebendo-se do barulho, um militar da GNR, que mora perto e
estava fora de serviço, deslocou-se ao local, desarmado, tendo
sido recebido a tiro. Decidiu ir buscar a arma e chamar uma
patrulha, regressando pouco depois. Terá chegado a efectuar
alguns disparos na direcção dos assaltantes. O grupo já tinha
conseguido entrar no hipermercado e dirigir-se à caixa
multibanco, tentando colocá-la na parte de trás de uma carrinha
Ford Transit, furtada na freguesia de Budens.
Espanha colabora
Uma testemunha garante ter assistido a tudo. "Eram à volta de
seis homens, todos encapuzados. Falavam em espanhol uns com os
outros", contou, ao JN, José António. No entanto, a chegada de
um jipe de GNR e a troca de tiros que se seguiu precipitaram a
fuga. Os assaltantes deixaram a caixa multibanco e seguiram em
dois carros de alta cilindrada em direcção a Lagos.
Alertada pela GNR de Vila do Bispo, a PSP montou uma barreira
policial numa rotunda à entrada de Lagos, onde estava o chefe
Martins.O grupo decidiu forçar a passagem pela berma da estrada,
enquanto um dos assaltantes efectuava disparos à queima-roupa
que mataram o graduado da PSP. Os elementos policiais
ripostaram, mas não conseguiram evitar que o bando fugisse em
direcção ao interior da cidade. PSP, GNR, PJ, SEF e Guardia
Civil espanhola concertaram esforços no sentido de impedir a
fuga para Espanha, dado existirem suspeitas de que alguns dos
indivíduos são naturais do país vizinho. Foram montadas
barreiras policiais em vários pontos do Algarve e também no
Alentejo, nomeadamente na zona de Almodôvar. Esforços que
levaram as autoridades a conseguir recuperar duas das viaturas
alegadamente utilizadas pelos assaltantes. Um Opel Astra foi
abandonado na A22 - com coletes à prova de bala e
intercomunicadores - e um Mercedes perto de Loulé. Ambas, apurou
o JN, têm matrícula falsa.
Há muito que o grupo - com seis a oito indivíduos - está
referenciado pelas autoridades pela prática de vários assaltos à
mão armada, tendo como principal alvo caixas multibanco. Os
últimos em que terão estado envolvidos ocorreram em estações de
serviço em Faro, na quinta-feira, e em Silves, a 24 de Novembro.
O alegado cabecilha - um português com cerca de 30 anos e fortes
ligações a Espanha - já terá sido preso em Abril deste ano, no
Algarve. Indiciado por mais de 50 assaltos, foi libertado pelo
Tribunal da Relação de Évora há cerca de 20 dias.
Sindicatos criticam Governo
Duas das estruturas sindicais da PSP reagiram à morte do chefe
Martins. O SPP admite "responsabilizar criminalmente" o ministro
da Administração Interna e outros responsáveis políticos pelo
"laxismo nas condições de trabalho". Já a ASSP exige para os
agentes "medidas que salvaguardem a sua integridade física e a
tranquilidade dos seus familiares". "Só começando a
responsabilizar política e criminalmente os políticos poderemos
acabar ou fazer diminuir estas tragédias que ciclicamente
ocorrem", disse, ao JN, o delegado regional de Faro do SPP,
António Cartaxo. Em comunicado, a ASSP critica o Governo. "Em
vez de dotar a PSP dos necessários efectivos humanos e de mais e
melhores recursos para combate à criminalidade, preocupa-se,
sim, em retirar os já poucos direitos que os profissionais da
PSP tinham". O MAI não quis fazer comentários.
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Sindicato acusa MAI e
ameaça depor armas |
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O Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP) admite
responsabilizar criminalmente o ministro da Administração
Interna e outros responsáveis políticos pela "falta de condições
de trabalho que têm contribuído para a morte de agentes em
serviço". E chega a colocar a hipótese de os polícias entregarem
as armas nas esquadras, em sinal de protesto contra a situação.
Fonte do Ministério da Administração Interna (MAI) escusou- -se
a comentar estas acusações, dizendo que "este é um momento de
pesar e de apresentar condolências à família enlutada e à PSP".
Pêsames que não conformam os sindicalistas, como o delegado do
SPP no Algarve, António Cartaxo, que considera necessário
"responsabilizar os responsáveis políticos para acabar com estas
tragédias". Acusa-os de "laxismo e negligência por não porem à
disposição dos agentes todas as condições de protecção material
para acções policiais".
Em declarações ao DN, denunciou que "não há lagartas de pregos
para barrar veículos em fuga, as esquadras têm dois ou três
coletes à prova de bala para efectivos de 50 a 60 elementos, as
viaturas estão podres e as armas inoperacionais". Recordou que,
"há dois anos, a mesma falta de lagartas de pregos resultou na
morte do chefe Armando Lopes, também no Algarve, vitimado
durante uma perseguição na ponte do Guadiana".
António Cartaxo exige "a revisão da lei, que protege os
criminosos e desprotege as forças policiais". Exemplifica que
"os dois indivíduos envolvidos na morte do chefe Lopes foram
libertados sem serem acusados de homicídio".
evolução. O presidente do SPP, António Ramos, afirma ao DN que
"os crimes são cada vez mais violentos e cometidos por
profissionais bem organizados, pelo que o policiamento tem de
acompanhar essa evolução. Mas isso não sucede e faltam acções de
formação prática para intervenções policiais".
Sobre o caso concreto de ontem, considera que "o Corpo de
Intervenção de Faro seria mais adequado para aquela missão de
alto risco, porque tem mais formação e melhor equipamento".
Também o presidente do Sindicato Nacional da Polícia, Armando
Martins, denuncia que "falta formação da polícia para situações
de tiroteio, perseguição e imobilização de viaturas", acusando o
Governo de "nada fazer para proteger a polícia". Chega mesmo a
considerar que "os criminosos preferem vir para Portugal e não
para Espanha, porque sabem da falta de poder da polícia
portuguesa para abrir fogo sobre suspeitos".
Uma questão que leva a Associação Sindical dos Profissionais de
Polícia a exigir que "seja revisto o regulamento do uso da força
e utilização das armas de fogo pelos polícias".
O presidente desta associação, Alberto Torres, esclareceu ao DN
que "a PSP tem regras muito apertadas no que se refere ao uso da
arma. Quando um agente dispara é fortemente penalizado, motivo
pelo qual os polícias raramente o fazem".
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Morte de polícia em Lagos
lança PJ em acção de caça ao homem |
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A morte de um chefe da Polícia de Segurança Pública (PSP) de
Lagos, na madrugada de ontem, após um assalto frustado ao
multibanco de um supermercado em Búdens (Vila do Bispo)
efectuado por um gang espanhol, provocou uma caça ao homem no
Alentejo e Algarve. A operação envolve dezenas de agentes em
vários dispositivos montados pelas autoridades nacionais, com o
apoio das espanholas, junto à Ponte do Guadiana.
A vítima, Sérgio Martins, de 49 anos, teve morte imediata ao ser
atingida por um tiro, deixando dois filhos com 12 e 20 anos. Era
um dos cinco elementos da PSP de Lagos que tentaram com duas
viaturas barrar, perto da rotunda de acesso à Via do Infante/
A22, a passagem de dois veículos de alta cilindrada utilizados
pelos assaltantes. O bando estava a ser perseguido desde o local
do assalto, por um carro da Guarda Nacional Republicana (GNR) de
Vila do Bispo.
Segundo apurou o DN, tudo começou cerca das 04.30 da madrugada,
quando, em pouco mais de cinco minutos, o gang arrombou a
entrada do supermercado "Ecomarché", donde retirou uma caixa
multibanco, utilizando um reboque roubado. Cerca de 15 minutos
depois, os assaltantes colocaram o multibanco em cima do
reboque, do qual retiraram a caixa já à saída do parque de
estacionamento. O objectivo era transferir o multibanco para a
bagageira de uma carrinha Ford Transit, entretanto furtada junto
de um mini-mercado em Búdens. A presença inesperada de um carro
da GNR impediu o transporte do multibanco para a carrinha. A
caixa ficou no chão e os assaltantes puseram-se em fuga na
Estrada Nacional 125 utilizando duas viaturas também roubadas.
"Estava deitado, ouvi um estoiro e nem sequer liguei mas os cães
começaram a ladrar. Seguiu--se um outro barulho menos intenso",
contou ao DN um residente. "Eram pelo menos cinco homens
encapuzados que, antes de fugirem, dispararam tiros contra a
GNR". Um dos carros que esperava parte do grupo de assaltantes
estava já junto à estrada.
Pelas 05.10 horas, a GNR pediu a colaboração da PSP de Lagos,
que deslocou para a EN 125, duas viaturas e cinco agentes,
posicionando-se no meio da estrada. Quando um dos carros da PSP
estava "ainda a tomar posição, surgiram dois veículos a grande
velocidade que eram perseguidos por uma viatura da GNR. Os
suspeitos, ao aperceberem-se da barreira policial, reduziram a
velocidade, acelerando de imediato e conseguiram forçar a
passagem pela berma", refere um comunicado do Comando da Polícia
de Faro.
Ao mesmo tempo, "um dos suspeitos efectuava disparos de arma de
fogo na direcção dos elementos policiais, atingindo na cabeça um
elemento, provocando-lhe morte imediata". O corpo encontra-se na
morgue do Hospital do Barlavento, em Portimão, onde deverá ser
hoje autopsiado. O funeral realiza-se, em princípio, na terça ou
quarta- -feira nas Caldas da Rainha, donde era natural o agente
da PSP.
O director nacional adjunto da PSP, António Chumbinho, em
conferência de imprensa, foi evasivo quando questionado sobre a
falta de meios de que se queixou o sindicato. Recusando entrar
em detalhes, limitou-se a dizer que "os meios de actuação, os
procedimentos e as técnicos foram correctos e adequados",
tendo-se registado disparos dos agentes que estavam na zona onde
o colega foi abatido. A PSP disse ainda que o gang tinha seis ou
sete pessoas.
O director adjunto António Chumbinho assegurou que todos os
comandos do País dispõem de "lagartas" (tapete com pregos para
barrar carros em fuga) e a PSP "está em condições de as usar.
Hoje estiveram em mais de uma posição de serviço policial".
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Crime: tentativa de deter assaltantes leva a morte brutal de
chefe da PSP
Mataram polícia e fugiram |
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Gang espanhol, oriundo de Sevilha, abateu com um tiro na cabeça
Sérgio Martins, chefe na PSP de Lagos, e fugiu. Assassinos são
suspeitos de vários assaltos a multibancos e ‘bombas’ no
Algarve. Ontem à noite decorria, sem sucesso, a caça ao homem.
Um tiro na cabeça, provavelmente de caçadeira, tirou ontem a
vida a um chefe da PSP, na primeira rotunda do Nó de Lagos da
Via do Infante. O disparo foi efectuado a apenas três ou quatro
metros de distância. A vítima, Sérgio Martins, de 49 anos,
comandava duas patrulhas que tentavam barrar o caminho aos dois
carros em que fugia um gang de espanhóis após uma tentativa
falhada de roubo da caixa multibanco no supermercado Ecomarché,
em Budens, Vila do Bispo.
Os assaltantes – acossados pela GNR – começaram por reduzir a
velocidade, dando a ideia de que iam parar na barreira da PSP,
defendida por cinco homens. Só que avançaram, repentinamente,
contornando pela berma o carro e o jipe da polícia que estavam
no meio da via. Um dos membros do gang abriu fogo. O chefe
Martins teve morte imediata. A PSP não esclarece se os agentes
ripostaram aos tiros dos ladrões.
Por detrás do assassinato do elemento da PSP estará um grupo de
assaltantes espanhol, provavelmente da zona de Sevilha,
responsável por numerosos assaltos praticados nos últimos tempos
na região algarvia e que anda a ser investigado pela PJ. Este
gang poderá ter integrado no assalto de ontem pelo menos um
português. É que testemunhas garantem ter ouvido os indivíduos a
falar e nem todos o fariam em espanhol.
Os criminosos foram para o ataque de ontem num Opel Astra, de
matrícula espanhola. Dirigiram-se a Silves, tendo assaltado um
armazém, de onde levaram um Mercedes C220. Na zona de Portimão,
apoderaram-se de um auto-reboque.
Por volta das 04h45, o gang, que seria composto por sete
elementos encapuzados, chegou ao Ecomarché de Budens e cortou o
fio telefónico. Com o pronto-socorro em marcha atrás, destruíram
a porta metálica do supermercado e retiraram a caixa de
multibanco.
Testemunhas referiram ao CM que a meio do assalto o gang
abandonou o supermercado no Mercedes, reaparecendo pouco depois
também com uma carrinha Ford Transit, roubada junto de um café
da localidade.
Os assaltantes começaram então as operações para colocar a caixa
multibanco dentro da Transit, fazendo uso do guincho do
auto-reboque. Dois elementos permaneceram em vigia, um dentro do
Opel Astra e outro apeado e armado.
Na altura, um militar da GNR, num carro particular à civil,
passou na zona e foi alvo de um disparo. O militar buscou um
lugar seguro e ripostou. O gang optou pela fuga, deixando a
caixa, o reboque e a Transit. O grupo seguiu a alta velocidade
em direcção a Lagos, levando no seu encalce um jipe da GNR. A
PSP montou uma barreira no nó de Lagos da Via do Infante.
Depois de terem furado a barreira e assassinado o chefe Martins,
os meliantes fugiram pela Via do Infante, abandonando o Opel
perto de Portimão.
As autoridades mantiveram até às 13h00 operações Stop nas
principais quatro vias da região e também na Ponte do Guadiana.
Mercedes e assaltantes fugiram ao cerco.
"ERA UM PAI EXEMPLAR"
“Era um pai e marido exemplar”. A recordação emocionada é de
Maria da Conceição, viúva de Sérgio Martins. O casal teve dois
filhos – Gonçalo de 22 anos e André de 13. O mais velho desabafa
a revolta contra os assassinos do pai: “Deviam morrer todos
afogados no Guadiana”.
A família, oriunda das Caldas da Rainha, chegou há onze anos a
Lagos. O chefe da PSP viera de férias à cidade e pediu para ser
colocado na esquadra local. “Ele gostava da praia”, refere Maria
da Conceição.
Depois de 12 anos ao serviço do Grupo de Operações Especiais da
PSP – um acidente de moto obrigou-o a abandonar este corpo
especial –, uma passagem pelos Açores e quase um ano na Bósnia
em missão de paz, o chefe Martins ambientou-se bem à pacatez de
Lagos.
Na esquadra não lhe são poupados elogios:“Era uma pessoa muito
dedicada ao trabalho e um bom comandante”. O ar de profundo luto
nas instalações policiais era ontem revelador do apreço dos
colegas.
Amigos e família, todos são unânimes em afirmar que Sérgio
Martins “era um homem recatado, que vivia para a família e para
o trabalho”. Na intimidade gostava de contar algumas anedotas. O
casal ia celebrar em Agosto as suas bodas de prata.
Maria da Conceição diz agora que já nada a prende a Lagos. O
regresso da família às Caldas da Rainha está para breve. Nessa
localidade do Oeste, a família recorda um polícia “destemido mas
ponderado”. “Ele dizia: ‘só tenho de morrer onde tiver de
morrer’”, recordou a cunhada, Maria Martins. “Não gostava de
violência, era pacato e cumpria o dever com justiça”, sublinhou
o sobrinho Marco. Luís Martins, irmão, lembrou que “ser polícia
era o seu grande sonho. E conseguiu-o”.
"GOVERNO RESPONSÁVEL"
A Direcção Distrital de Faro do Sindicato dos Profissionais de
Polícia (SPP) está a analisar a viabilidade jurídica de
responsabilizar política e judicialmente os titulares de cargos
políticos responsáveis pela área das polícias.
A afirmação foi ontem proferida por António Cartaxo, delegado
regional do SPP, que explicou as razões desta tomada de posição:
“Devido à irresponsabilidade, laxismo e abandono que os
responsáveis têm proporcionado às forças policiais, dado que,
legalmente, já esgotámos todas as outras iniciativas sindicais
de crítica, está na altura de começar a pensar em iniciativas
jurídicas, responsabilizando o Ministro da Administração Interna
e todos aqueles que tutelam a PSP, sentando-os no banco dos
réus”.
Uma crítica também veiculada por Sérgio Marreiros, da ASPP, que
denuncia ainda o facto de a “Esquadra de Lagos só dispor de duas
viaturas caracterizadas”.
'LAGARTA' POLÉMICA
Os sindicalistas mostram-se revoltados pela não utilização das
‘lagartas’ de pregos em operações policiais. Uma crítica
rejeitada pelo superintendente António Chumbinho, director
nacional adjunto: “O comando distrital de Faro da PSP dispõe de
‘lagartas’ de pregos e está em condições de as usar. É um
recurso legítimo, só usado em circunstâncias apropriadas e
devidamente coordenadas.” A barreira policial onde morreu Sérgio
Martins não tinha o equipamento.
APONTAMENTOS
ARMADOS E VIOLENTOS
O grupo que matou o chefe Sérgio Martins é suspeito de vários
assaltos praticados recentemente no Algarve. O penúltimo ocorreu
na quinta-feira, tendo como alvo o posto de abastecimento de
combustível da Galp, junto à EN125, entre Faro e Olhão. Na
altura, houve troca de tiros com a GNR, mas os criminosos
conseguiram, como ontem, escapar. Um dia antes, o gang terá
tentado assaltar um ‘stand’ na Guia mas embateu com a carrinha
contra o estabelecimento e o ruído atraiu a atenção de algumas
pessoas. Uma caixa multibanco que o mesmo grupo roubou em Pêra
apareceu depois em Sevilha.
FALTA DE MEIOS
António Cartaxo estranhou que “para enfrentar um bando tão
perigoso só houvesse cinco polícias disponíveis, transportados
num carro patrulha e num jipe”. O sindicalista alertou para o
facto “de as esquadras algarvias estarem desequipadas, existindo
apenas três coletes à prova de bala para 50 ou 60 elementos”. Os
agentes que ontem acompanhavam a vítima tinha armas antimotim e
as pistolas 7,65mm de serviço.
COMANDO
O comando da PSP de Faro emitiu um comunicado relatando o
incidente em Lagos. Mais tarde, em conferência de Imprensa, o
director nacional adjunto, António Chumbinho, garantiu que “os
procedimentos policiais e os recursos humanos postos no terreno
em Lagos foram os correctos e adequados”. Invocando possível
prejuízo das investigações, o responsável escusou-se a mais
pormenores.
ANO TRÁGICO PARA A POLÍCIA
Sérgio Martins, de 49 anos, é o quarto elemento da PSP a morrer
em serviço desde o início do ano. Em Fevereiro, na madrugada do
dia 17, o agente Ireneu Dinis não sobreviveu aos múltiplos
ferimentos de bala causados por uma rajada de tiros sobre o jipe
da PSP em que seguia, numa rua estreita do bairro da Cova da
Moura, na Amadora. A investigação à sua morte foi concluída há
duas semanas pela PJ, que acusa dois homens de efectuarem o
ataque.
Mais avançado está o processo da morte dos agentes António
Abrantes e Paulo Alves, mortos a 20 de Março também na Amadora.
O alegado autor dos disparos, Marcus Fernandes, está a a ser
julgado em Lisboa.
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Falta de pessoal torna
postos em balcões de atendimento |
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"A GNR tem feito um esforço para rentabilizar melhor o
efectivo e direccioná-lo para a actividade operacional", revelou
ao DN o responsável das relações públicas do comando-geral da
corporação, quando confrontado com a falta de pessoal em vários
postos territoriais. Uma situação que levou alguns a encerrar à
noite, disponibilizando guardas de dois turnos para reforçar
outros postos.
Segundo o tenente-coronel Costa Cabral, alguns postos de áreas
com menos habitantes têm sido transformados em meros locais de
atendimento ao público, durante oito horas por dia, ocupando
apenas um militar. Os outros guardas que se encontravam nesse
posto são integrados noutro da zona, que passa a ter efectivos
suficientes para funcionar 24 horas por dia e fazer policiamento
na área dos dois postos.
Esclarece, a propósito, que "um posto com 20 elementos acaba por
ter, na prática, em cada um dos três turnos de oito horas,
apenas duas patrulhas com dois homens cada uma e um guarda no
balcão de atendimento".
Isto sucede, porque é preciso "dividir o pessoal por três
turnos, descontar os elementos que estão de folga, outros de
férias, de baixa, a prestar apoio à família ou de licença para
frequentar um curso", refere o chefe das relações públicas do
comando-geral da GNR.
alterações. O mesmo responsável considera que "a realidade
actual é muito diferente do que se passava há 20 ou 30 anos,
onde áreas com cinco mil ou seis mil habitantes passaram a ter
só 500 moradores". Admite que, "nestes casos, não se justifica a
existência do posto da GNR, mas a decisão de o manter ou não é
da responsabilidade do Ministério da Administração Interna (MAI).
E as populações nunca querem deixar de ter o posto da GNR,
porque têm medo que a insegurança aumente".
Acrescenta que "também sucede o inverso. Locais em que há dez
anos só havia campo têm agora populações residenciais de 15 mil
ou 20 mil pessoas".
Em relação à proposta da Associação dos Profissionais da GNR (APG)
para retirar aos guardas tarefas que podem ser desempenhadas por
civis, libertando esses militares para actividades de segurança
pública, o tenente-coronel Costa Cabral explica que "o
comando-geral da GNR não tem autorização do MAI nem do
Ministério das Finanças para contratar pessoal civil para
aqueles serviços".
Deste modo, salienta "não ser possível disponibilizar esses
guardas para missões operacionais, porque a estrutura da GNR não
pode funcionar se não tiver pessoal para tratar de todos os
outros serviços necessários à instituição, como, por exemplo,
cozinhar, fazer a manutenção das viaturas e das comunicações,
tratar do fardamento e dos cavalos, etc".
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Governo
quer guardas da GNR fora dos quartéis |
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O Ministério da Administração Interna (MAI) está "a estudar a
reestruturação da GNR para tornar os meios existentes mais
eficazes", disse ao DN fonte da tutela. Trata-se de uma
reorganização que irá implicar a reafectação do actual
dispositivo aos vários serviços da corporação para que se
resolva a falta de militares para policiamento. Um problema que
tem vindo a ser denunciado pela Associação dos Profissionais da
GNR (APG).
Segundo o presidente da APG, José Manageiro, o ministro António
Costa já confirmou que o processo conduzirá, pelo menos, "à
junção das duas unidades de reserva - Infantaria e Cavalaria,
que totalizam cerca de três mil homens -, permitindo
disponibilizar efectivos para guarnecer os postos territoriais
ou integrá-los no Grupo de Intervenção de Protecção e Socorro (GIPS)".
No entanto, ao DN a mesma fonte ministerial nada mais adiantou
sobre o modo como a reorganização será efectuada, alegando que o
estudo "ainda está a ser feito".
Para o sindicato é "urgente e inadiável a reestruturação da GNR,
que todos os anos perde efectivos, porque saem mais militares do
que entram - este ano passam à reforma mais de mil -, e tem cada
vez menos elementos nos postos territoriais e em acções de
segurança pública" (ver caixa). Até porque, salienta José
Manageiro, as competências da GNR só "têm aumentado, com o
recrutamento de agentes para a investigação criminal, o Serviço
de Protecção da Natureza e do Ambiente e a criação do GIPS, com
500 elementos para detectar e combater incêndios florestais". Na
sua opinião, "os cerca de 25 mil efectivos da GNR são
suficientes, mas estão mal distribuídos. Há homens a mais onde
não são necessários e pessoal a menos onde faz falta, como nos
postos territoriais". E explica "Entre 25% e 30% do efectivo não
tem actividade de segurança pública. Mais de seis mil elementos
estão ocupados com tarefas administrativas e de manutenção
logística", como cozinheiros, pedreiros, mecânicos e das mais
diversas actividades.
Segundo refere, "o problema é a GNR continuar a funcionar num
regime de auto-suficiência. Como é de natureza militar, está
concebida para, em caso de conflito, não ficar dependente da
sociedade civil. Por isso, tem militares para desempenhar todo o
tipo de profissões".
rácio. Um facto que faz adulterar os dados sobre as
forças de segurança. José Manageiro diz que "Portugal tem um
rácio de um polícia para 217 cidadãos, porque conta com todos os
elementos da GNR, independentemente das funções que desempenham.
Na realidade, em muitas zonas o rácio é de um guarda para dois
mil cidadãos".
Ainda no que se refere ao "desperdício" de recursos humanos, o
sindicalista considera "não se justificar ter cerca de três mil
militares em reserva nas unidades de Infantaria e Cavalaria, que
são reactivas e só intervêm em situações mais complicadas e
pontuais".
"Só em Lisboa, onde a GNR não tem intervenção policial - porque
é uma área sob jurisdição da PSP -, há cerca de sete mil
militares", denuncia.
O presidente da APG critica o facto de continuarem a existir
"cerca de 800 postos disseminados por todo o território, mesmo
em locais onde não são necessários, porque praticamente já quase
ninguém mora lá. Depois faltam militares para os guarnecer e não
é possível fazer policiamento de proximidade e preventivo. Só há
meios para prestar um serviço reactivo, mobilizando agentes para
responder às ocorrências".
O sindicalista sublinha "não ser possível manter um modelo que
já não é compatível com as necessidades das populações". E
propõe "A supressão de postos em zonas de baixa densidade
populacional e que as tarefas estranhas à acção policial deixem
de ocupar os guardas e ser desempenhadas por civis".
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Presidente
de sindicato processado
por declarações |
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A Inspecção-Geral da PSP instaurou um processo disciplinar ao
presidente do Sindicato Nacional da Polícia por «eventual
responsabilidade» nas notícias que acusam a Direcção Nacional da
PSP de mentir, disse esta segunda-feira à agência Lusa o
arguido.
O presidente do Sindicato Nacional da Polícia (SINAPOL),
Armando Ferreira, recebeu esta segunda-feira uma notificação
informando que tinha sido constituído «arguido por eventual
responsabilidade nas notícias divulgadas» a 16 e 17 de Novembro
em vários jornais.
No mês passado, o presidente da SINAPOL acusou a Direcção
Nacional da PSP de mentir aos futuros candidatos à profissão ao
divulgar no seu site oficial regalias sociais que os agentes
deixaram usufruir desde Outubro.
Em declarações à Agência Lusa, Armando Ferreira anunciou que
vai processar o responsável pela actual situação, por considerar
que a «única finalidade do processo é prejudicar as pessoas que
dizem a verdade».
«Mal saiba quem deu despacho para a instauração do processo
disciplinar, essa pessoa também terá de responder perante a
justiça pelos danos causados», disse o sindicalista à Lusa.
«Este processo terá consequências. Instauram-me um processo
por dizer a verdade e na história da PSP nunca instauraram
nenhum processo a quem os faz de forma errada», criticou Armando
Ferreira.
O presidente do SINAPOL considera que «os sindicatos estão a
ser alvo de perseguições por parte da direcção nacional»,
chegando a acusá-la de «usar os processos disciplinares como
arma de arremesso contra quem querem prejudicar».
Contactado pela Lusa, o gabinete de relações públicas da
Direcção Nacional da PSP recusou-se a prestar quaisquer
declarações sobre o assunto, afirmando que o processo se
encontra «em segredo de justiça».
Na notícia divulgada em Novembro, o SINAPOL considerava que
as informações erradas expressas na página da Internet eram uma
tentativa «desesperada» de tentar cativar novos agentes para a
PSP, mas a Direcção Nacional da Polícia garantiu que se trata de
um lapso.

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Reacção à
morte de um agente da PSP em Lagos
Polícias exigem revisão do
regulamento sobre utilização de armas de fogo |
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Os
profissionais da PSP exigem a revisão do regulamento do uso da
força e da utilização das armas de fogo, que consideram ser "um
incentivo" aos criminosos, depois da morte hoje registada de um
agente em Lagos, no Algarve.
Em comunicado, a Associação Sindical dos Profissionais da
Polícia (ASPP/PSP) lamenta que o Governo "não faça nada
relativamente ao elevado número de polícias que são
violentamente agredidos todos os dias".
A posição da ASPP surge na sequência da morte em serviço de
um agente da Polícia de Segurança Pública (PSP), durante a
madrugada de hoje, em Lagos, após uma tentativa de assalto a uma
Caixa Multibanco.
Para os profissionais da PSP, "o elevado número de mortes e
agressões sofridas pelos agentes de polícia em serviço exigem
medidas que salvaguardem a sua integridade física e
tranquilidade dos seus familiares".
Também de acordo com a ASPP/PSP, este é o quarto profissional
da PSP que "Portugal vê morrer barbaramente em 2005", cita a
Lusa.
"Afinal, a função dos profissionais da PSP não é tão igual à
dos restantes profissionais da administração pública", prossegue
o comunicado, no qual a associação alerta para uma falta de 4500
polícias.
A ASPP/PSP exige igualmente que "as punições previstas para
os crimes de agressão e morte aos polícias se tornem evidentes,
e que não se dê alento aos indivíduos marginais às normas
sociais e aos deveres de cidadania num Estado de direito".
No comunicado, a associação exige ainda que "seja revisto o
regulamento do uso da força e utilização das armas de fogo" e
considera que o texto em vigor é "um incentivo a esses
criminosos".
O chefe Sérgio Martins, 49 anos, natural de Caldas da Rainha
e a exercer funções na PSP de Lagos há vários anos, foi morto
esta madrugada, entre as 05h00 e as 06h00, com um tiro na cabeça
disparado por um dos assaltantes do grupo que tentou assaltar
uma caixa Multibanco do hipermercado Ecomarché da localidade de
Budens, no concelho algarvio de Vila do Bispo e que pertence à
área judicial de Portimão. O policial realizou várias missões de
paz na ex-Jugoslávia e desempenhou funções em várias unidades da
PSP.
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Sindicato admite processar
ministro por morte de polícia |
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Pelo «laxismo existente nas condições de trabalho» dos agentes e
que, segundo o Sindicato dos Profissionais de Polícia, terá
levado à morte de um chefe da PSP. Esta madrugada, em Faro, o
polícia foi morto com um tiro na cabeça. Já este fim-de-semana
outro agente foi esfaqueado em Lisboa
O Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP) admitiu hoje
responsabilizar criminalmente o ministro da Administração
Interna e outros responsáveis políticos pelo "laxismo existente
nas condições de trabalho" concedidas aos agentes, que
considerou levar à morte de polícias em serviço.
O SPP reagia assim à morte em serviço de um agente da PSP,
durante a madrugada de hoje, em Lagos, segundo o sindicato numa
troca de tiros com um grupo de homens que tentara assaltar uma
caixa Multibanco em Portimão.
"Só começando a responsabilizar política e criminalmente os
responsáveis políticos poderemos acabar ou fazer diminuir estas
tragédias que ciclicamente ocorrem", disse à agência Lusa o
delegado do SPP no Algarve, António Cartaxo.
O dirigente sindical garantiu que, nos próximos dias, o SPP
vai analisar a viabilidade jurídica de responsabilizar os
titulares de cargos políticos responsáveis pela área das
polícias e o próprio director nacional da PSP.
Em comunicado, o SPP atribui as causas profundas de
acontecimentos como o desta madrugada à "incúria, desleixo,
negligência e insensibilidade" dos responsáveis políticos da
área da Polícia.
"Não nos conformamos apenas com as lamentações e os sentidos
pêsames à família que já se adivinham vir aí da parte dos
responsáveis políticos e tutelares da Polícia", adianta o
comunicado, observando ser necessário "muito mais do que isso
para que os polícias deixem de morrer em acções policiais onde
deviam ter todas as condições de protecção material ao seu
dispor".
O SPP/Algarve assinala que, na região, há dois anos atrás, o
graduado Armando Lopes - morto durante uma perseguição policial
na Ponte Internacional do Guadiana - foi vítima das mesmas
"carências materiais existentes na PSP" que a do polícia, que
hoje morreu em Lagos.
"Dois anos se passaram sem que as tão reivindicadas lagartas
de pregos tivessem sido colocadas ao serviço dos profissionais
da Polícia, com as quais estas duas mortes poderiam ter sido
evitadas", afirma o sindicato.
Defende ainda a revisão de toda a legislação que "concede
alguns excessos de garantias aos protagonistas de acções
criminais e desprotege os profissionais das forças policiais".
"Não nos podemos esquecer que, há cerca de dois anos, dois
dos autores da morte do chefe Armando Lopes foram colocados em
liberdade sem sequer terem sido acusados da morte do malogrado
chefe de polícia, situação que também contribui para o
sentimento de impunidade reinante nestes grupos de criminosos
altamente perigosos", afirma o SPP.
O Centro Distrital de Operações de Socorro confirmou a morte
do agente da PSP de Lagos, com um tiro na cabeça, na sequência
de uma tentativa de assalto em Portimão a uma Caixa Multibanco. |
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