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Segurança: Ministro entregou 480 equipamentos balísticos à
PSP e GNR
Terrenos por armamento |
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Melhor equipamento e melhores instalações para as forças
policiais. O ministro da Administração Interna traçou ontem, na
cerimónia de entrega de coletes balísticos à PSP e à GNR, os
objectivos a alcançar no próximo ano.
António Costa avisou que não tem “uma varinha mágica” e
deixou a receita para reunir o dinheiro: vender património e
poupar nos orçamentos. “Não se espere que seja possível fazer em
quatro anos o que não se fez em quatro legislaturas”, disse.
As novas regras vão começar a ser aplicadas já a partir de
Janeiro. A primeira, a venda de património, depende da
restruturação em curso nas forças de segurança, um projecto em
discussão há mais de um ano e que tem sido sucessivamente
adiado. “A rede de cobertura policial vai ser alterada, de
acordo com os novos dados do País”, disse António Costa.
O Governo espera que da reorganização do dispositivo – que prevê
a transferência de zonas da PSP para a GNR, e vice-versa, e o
encerramento de postos ou esquadras – venha a possibilidade de
alienar património. Nesses casos, 70 por cento do valor das
receitas da venda de património, que até agora seguia na
totalidade para o Tesouro, será aplicado na compra de
equipamentos para as polícias.
A fórmula de António Costa, que o ministro explicou perante uma
plateia onde estavam o director da PSP e o comandante da GNR,
prevê ainda que todo o dinheiro poupado ao orçamento das
polícias seja utilizado na compra de mais material e na
renovação das instalações – “que precisam de intervenções
significativas”, disse o ministro.
Ontem, PSP e GNR receberam os primeiros 480 coletes balísticos
de um lote de 1600 unidades que vão ser entregues até Janeiro. O
concurso para os coletes foi lançado em Setembro e a empresa
vencedora concebeu, a partir do mesmo modelo, duas versões
distintas: uma para cada força policial, sendo que a PSP
receberá 1600 coletes e a GNR 5000. O investimento total ronda
1,8 milhões de euros, o que representa um custo de 1125 euros
por unidade.
Até ao final de Janeiro, segundo António Costa, o Governo vai
entregar às polícias 500 ‘shotguns’ e 300 viaturas e, antes de
Abril do próximo ano, serão distribuídos mais mil coletes
balísticos, ao mesmo tempo que decorre o concurso para aquisição
das novas pistolas de 9mm.
COLETES FORAM FEITOS À MEDIDA
PSP e a GNR vão ter coletes balísticos exteriores iguais, mas
diferentes. A partir do modelo vencedor do concurso – capaz de
resistir a projécteis de 9mm e 357 Magnun e a golpes de arma
branca – cada força policial introduziu as especificações que
julgou adequadas à respectiva missão.
Se a PSP privilegiou a facilidade de utilização e o transporte
de todo o material, desde algemas a rádios, passando por uma
pega para arrastar agentes atingidos, com valências para as
operações especiais, a GNR optou por um modelo 4 em 1. O mais
simples para os patrulheiros, o segundo para acções de ordem
pública, o terceiro para as operações especiais e o quarto,
protecção total, para missões como o Iraque.
OS NOVOS COLETES
MENOS PESO
A regra diz que o peso do colete é inversamente proporcional à
protecção que oferece. Os novos coletes, que obtiveram óptimos
resultados nos testes, vão pesar, com todos os acessórios, 5,6
kg (PSP)
e 7,6 kg (GNR).
INTERIOR
É a versão comum às duas forças de segurança. O colete interior,
com um peso de 2690 kg, tal como o exterior, revela-se mais
leve, mais flexível
e menos volumoso, facilitando a mobilidade e o conforto dos
agentes.
TESTES
Os novos equipamentos foram testados no Reino Unido, de acordo
com normas internacionais de resistência a projécteis e a armas
brancas. Um exemplar escolhido ao acaso foi testado na PSP, com
bons resultados.
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Polícia Municipal funciona
com metade dos efectivos |
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Lisboa - Câmara propôs suportar custos de formação de 250 novos
agentes, mas não obteve resposta do Governo
Quadro orgânico é de 857 elementos, mas só 344 lugares estão
preenchidos
ACâmara de Lisboa propôs, em Março, ao Governo, suportar o custo
de formação de 250 novos agentes da PSP, que posteriormente
integrassem a Polícia Municipal (PM), mas até ao momento não
obteve qualquer resposta. Enquanto isso, o efectivo daquele
corpo policial tem vindo a diminuir de dia para dia. Ainda esta
semana, quatro elementos passaram à situação de pré-reforma e só
um foi substituído.
De acordo com a lei, o efectivo da PM de Lisboa (assim como do
Porto) é constituído por agentes e oficiais requisitados à PSP
pela Câmara, que suporta os encargos financeiros com o pessoal e
com o equipamento necessário ao desempenho das suas funções.
O quadro orgânico da corporação de Lisboa é de 857 elementos
mas, actualmente, só 344 lugares estão preenchidos, o que obriga
a uma grande "ginástica" em termos de gestão dos recursos
humanos.
Em Março, a autarquia propôs ao Governo suportar as despesas de
formação de 250 novos polícias. A contrapartida seria que os
agentes fossem depois integrados no quadro da PM. Na altura, a
Câmara calculou que a formação de cada agente custaria 39,41
euros por dia, o que perfazia 9852,5 euros no total. O objectivo
era aproveitar o curso de formação de agentes que se iniciou em
Novembro, na Escola Prática de Polícia, em Torres Novas, mas a
falta de resposta por parte do Governo inviabilizou essa
hipótese.
Em análise
Fonte do Ministério da Administração Interna disse, ao JN, que o
actual presidente da Câmara, Carmona Rodrigues, abordou essa
questão "informalmente" com António Costa há pouco tempo, tendo
sido informado de que o assunto está a ser analisado pela
Direcção Nacional (DN) da PSP.
Carmona Rodrigues confirmou que enviou um ofício ao Governo, "há
algumas semanas, a pedir que sejam contempladas as necessidades
urgentes da cidade", referindo-se ao facto de o quadro da PM
estar "muito pouco preenchido" e de o próprio Comando
Metropolitano da PSP de Lisboa também ter "muitas carências". O
autarca tem informações de que o assunto está a ser analisado
pela directora-nacional adjunta da PSP, de quem aguarda resposta
"nos próximos dias".
Carmona Rodrigues espera que o Governo tenha com a Câmara de
Lisboa a mesma atitude de colaboração que considera que a
autarquia tem tido com o Ministério da Administração Interna. E
lembrou que, recentemente, a autarquia disponibilizou
instalações do município para a instalação da 1ª Divisão da PSP,
cujas instalações ameaçavam ruir (ver caixa ao lado).
O JN tentou obter informações sobre o andamento do processo
junto da DN da PSP, mas não foi possível até ao fecho desta
edição, apesar das várias tentativas.
A sede da 1ª Divisão da PSP de Lisboa vai ser instalada,
provisoriamente, no antigo Tribunal Tributário, situado na Rua
Gomes Freire, no final de Janeiro, adiantou o comandante
Metropolitano. De acordo com o superintendente Oliveira Pereira,
na próxima semana será assinado o protocolo de cedência entre a
Câmara de Lisboa (proprietária do edifício) e a Polícia,
arrancando de imediato as obras de adaptação do imóvel às novas
funções. Recorde-se que a 1.ª Divisão da PSP funcionava num
edifício centenário na Rua das Taipas, que foi evacuado de
emergência em Outubro, devido ao risco iminente de derrocada.
Desde então, os 98 elementos afectos àquela unidade têm estado
sedeados na 15.ª esquadra, em Santa Apolónia. No final de
Janeiro, deverão ser transferidos para o antigo Tribunal
Tributário, embora o objectivo seja instalar aquela divisão no
Palácio da Folgosa, na Rua da Palma. Trata-se de um imóvel do
século XIX, também propriedade da autarquia, cedido à PSP no
âmbito de um acordo assinado entre as duas partes em Maio
passado. O projecto de adaptação do espaço está a ser gizado
pelo GEPI (Gabinete de Estudos e Planeamento de Instalações) do
Ministério da Administração Interna, não havendo ainda data para
o início das obras.
PSP das Taipas muda para a Gomes Freire em Janeiro
Enquadramento
Fundação
Os primeiros polícias municipais começaram a trabalhar em 1891,
quando o então Governador Civil Interino do Distrito de Lisboa
colocou ao serviço da Câmara dois elementos da Polícia Cívica,
cujos vencimentos eram suportados pela autarquia. Em Julho de
1931, foi aprovada em reunião de Câmara a criação de um corpo de
Polícia Municipal.
Alteração
Com a lei n.º 32/94, de 29 de Agosto, são criadas as polícias
municipais de Lisboa e do Porto, cujo efectivo é requisitado à
PSP. As despesas com os vencimentos e equipamentos necessários
ao seu funcionamento são suportadas pelas Câmaras.
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Polícia identificará
condutor e viatura em segundos |
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A GNR e a PSP vão ter um novo sistema de informática móvel que
lhes permitirá aceder a todos os dados de um condutor e
respectiva viatura em tempo real e a qualquer momento. O
objectivo é travar a insegurança rodoviária combatendo
eficazmente as infracções e a criminalidade. O processo deverá
entrar em vigor nos primeiros meses do próximo ano.
"Melhorámos os instrumentos de apoio à sua decisão, por forma
a perceberem com que viatura e indivíduos estão a actuar",
afirmou o ministro da Administração Interna, António Costa, na
apresentação, deste sábado, do programa "Polícia em Movimento".
O sistema permitirá a execução de contra-ordenações e o
pagamento ou depósito das contra-ordenações directas. Será ainda
possível aceder à informação de viaturas roubadas e a apreender,
histórico de contra-ordenações, cartas de condução, dados de
veículos ou membros de empresas de segurança privada.
As viaturas das forças de segurança vão ter ainda uma impressora
para que se possa imprimir o auto e fornecer de imediato a cópia
à pessoa autuada. Pretende-se com estes novos meios informáticos
que haja uma maior eficácia policial e diligência dos processos.
Com os aparelhos 'on-line', cujo investimento rondará os 4
milhões de euros, o acesso à informação será permanente.
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Caso do assalto à sede do partido
CDS pede audiência à PSP |
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O secretário-geral do CDS-PP solicitou ontem uma audiência ao
Comandante Metropolitano da PSP de Lisboa, superintendente
Francisco Oliveira Pereira, para esclarecer a alegada falta de
efectivos disponíveis para velar pela segurança da sede do
partido, que foi assaltada duas vezes no passado fim-de-semana,
tal como noticiou ontem o CM.
No pedido de audiência, Martim Borges de Freitas afirma que
“o CDS-PP não contactou directamente o Comandante Metropolitano
de Lisboa”, a propósito da alegada falta de efectivos para fazer
a segurança da sede do partido, “mas pretende agora fazê-lo
directamente”. Martim quer saber por que razão a PSP se negou a
fazer tal serviço, embora “o CDS-PP se tivesse prontificado a
remunerá-lo”.
Em declarações ao CM, o superintendente esclareceu que esse tipo
de serviço é feito pelos ‘remunerados’. No caso concreto, “terão
informado que não tinham disponibilidade, pois a ‘bolsa de
remunerados’ tem limites”, a ‘bolsa’ é constituída por agentes
que se oferecem para executar o trabalho após as suas horas de
serviço e, às vezes, não há disponibilidade.
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Militares da BT vão
recorrer |
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Militares da Brigada de Trânsito da GNR de Albufeira, que
viram esta semana agravadas as suas penas de prisão, vão
recorrer da decisão da Relação de Évora para o Supremo Tribunal
de Justiça.
Este expediente pode, em teoria, permitir que o principal
arguido no processo das "luvas" à BT de Albufeira - o sargento
Joaquim Garcia - saia em liberdade. Ou seja, o recurso terá
efeitos suspensivos na pena de prisão que agora foi aumentada de
nove anos e meio para 12 anos. Manter-se-á assim detido
preventivamente. Mas se a decisão do Supremo não for conhecida
até Abril (quando se cumprem três anos sobre a prisão
preventiva), o militar sairá em liberdade, embora sujeito a
vigilância policial.
Quatro dos arguidos do processo da Brigada de Trânsito de
Albufeira viram as penas de prisão serem agravadas pelo Tribunal
da Relação de Évora, que deu provimento parcial a um recurso do
Ministério Público o primeiro sargento Joaquim Garcia, sobre
quem recaiu uma pena de nove anos e meio de prisão, passa agora
a ter de cumprir 12 anos, por corrupção passiva e abuso de
poder. Manuel Maio viu a pena agravada de dois anos e meio para
três, enquanto Armando Lomba passa de três anos de prisão, para
três anos e meio. A pena de Francisco Teixeira subiu de ano e
meio para dois .
A Relação avançou ainda com mandados de captura contra oito
guardas com pena suspensa, mas não deu provimento aos recursos
do Ministério Público em relação a seis dos arguidos envolvidos
no escândalo do perdão das multas em troca de dinheiro e
materiais de construção. Já os recursos de três empresários
envolvidos no caso mereceram provimento. Um deles viu suspensa a
pena de prisão de quatro anos se pagar 18 mil euros em seis
meses, enquanto outros dois lograram baixar as multas de 25 mil
euros para 18 e 15 mil.
Um dos militares que tinha sido absolvido em primeira instância
- e que regressou ao serviço em Setembro de 2004 - acabou por
ser condenado pela Relação ao pagamento de uma multa, o que não
lhe permite recorrer ao Supremo. "Sinto-me injustiçado, pelo que
tenciono apresentar queixa no Tribunal Europeu contra o Estado
português", disse ao DN.
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Agente da PSP condenado
por injuriar o comandante |
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Caso foi originado pela alteração de um auto
Um agente da PSP foi condenado pelo Tribunal do Entroncamento a
70 dias de multa, ou 46 dias de prisão efectiva, e a pagar uma
indemnização de três mil euros ao comandante da Esquadra de
Polícia da cidade, pelo crime de injúria grave. O processo tem
quatro anos e a sentença foi agora proferida. O agente,
actualmente com 50 anos e a prestar serviço em Fátima,
encontra-se de férias e não quis falar sobre o assunto.
O caso começa com uma carta anónima enviada, em Agosto de 2001,
ao Comando Distrital de Santarém da PSP e à Procuradoria Geral
da República. Na missiva, cujo autor nunca foi descortinado, são
feitas acusações de peculato, corrupção e favorecimento pessoal,
entre outras, ao subcomissário Celso Marques, justificadas com
"situações inventadas".
Excesso de velocidade
Alegados crimes que foram investigados pela Direcção Central de
Combate ao Crime Económico e Financeiro da Polícia Judiciária. O
procurador arquivou o processo em Abril último.
Uma das situações narradas na carta veio a ser investigada e
levou à condenação do agente-principal. Trata-se de um auto de
contra-ordenação por excesso de velocidade que foi alterado,
tendo o polícia alegado que foi "por ordem do comandante da
esquadra".
Uma acareação entre o comandante, o agente e outros polícias
provou a falsidade da acusação, pelo que Celso Marques
apresentou uma queixa contra o indivíduo, alegando que as
afirmações atentaram contra a sua dignidade pessoal e
profissional.
A razão do comandante, licenciado em Direito, viria a ser
confirmada pelo juiz.

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Brigada de Trânsito - Mandados de captura para militares
Acórdão revolta BT |
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O acórdão do Tribunal da Relação de Évora, que anteontem agravou
as penas de vários arguidos do processo de corrupção da BT de
Albufeira, foi mal recebido pelos militares envolvidos e,
segundo adiantaram ao CM fontes da GNR, está a causar “grande
descontentamento” no efectivo. O agravamento de penas levou
mesmo o tribunal a emitir mandados de captura para oito dos
militares, que até aqui estavam em liberdade.
A decisão, que diz respeito aos recursos apresentados pelo
Ministério Público e pelos arguidos sobre a sentença de Outubro
do ano passado, é favorável a, pelo menos, três empresários,
condenados a penas de prisão, suspensas, e à entrega de verbas à
Segurança Social. O tempo de cadeia continua suspenso mas
diminui, tal como desce o valor a pagar.
Ao contrário, o Tribunal da Relação deu razão aos recursos do
Ministério Público sobre a pena aplicada aos militares e, com
isso, agravou o tempo de prisão determinado na primeira
instância e ordenou a emissão de mandados de captura para oito
militares (que tinham sido condenados a penas entre ano e meio
até dois anos e meio).
O principal arguido, o primeiro-sargento Garcia, viu a sua pena
passar de nove anos e meio para doze anos de cadeia. “A Justiça
é para os ricos. Ninguém falou no meu nome ”, desabafou ao CM um
militar alvo de mandado, que solicitou o anonimato, enquanto
outro militar considerou “uma aberração” a decisão da Relação.
Contactado pelo CM, o comando da GNR não fez declarações: “Não
comentamos decisões dos tribunais”, disse fonte oficial. Pela
Associação Sócio-Profissional Independente da Guarda, José Alho
mostrou-se “admirado” por ver “apenas ‘mexilhão’ condenado”.
Vários advogados declinaram também comentar, por não conhecerem
o acórdão, que é passível de recurso para o Supremo Tribunal de
Justiça.
TRIBUNAL ABSOLVE CABO ALHO
O Tribunal Militar absolveu José Alho, cabo da Brigada de
Trânsito, no processo em que um superior o acusava de
insubordinação na sequência de declarações prestadas ao CM em
Junho de 2002. Na altura, o militar, então dirigente da
Associação dos Profissionais da Guarda, acusava de prepotência o
comando do destacamento da Brigada de Trânsito da GNR de
Albufeira. Na entrevista, o cabo José Alho afirmou que os
militares daquele destacamento teriam sido obrigados a fazer a
cama do comandante às três da madrugada e que, por esta e outras
situações, andavam desmotivados.
“O tribunal absolveu-me desta acusação e estou, por isso,
bastante feliz. Espero que esta decisão seja vista como uma
forma de incentivar os militares e os polícias pela luta por
melhores condições de trabalho”, disse ontem ao CM o cabo José
Alho, agora dirigente da Associação Sócio-Profissional
Independente da Guarda.
CRONOLOGIA
ABRIL DE 2002
Oito militares da Brigada de Trânsito de Albufeira são detidos
pela Polícia Judiciária de Faro por suspeita de corrupção,
associação criminosa, extorsão e abuso de poder.
OUTUBRO DE 2002
A investigação da PJ volta a dar resultados. Seis meses após as
primeiras detenções, mais seis militares da BT de Albufeira são
detidos pela Judiciária no dia 10. Um dia depois, mais quatro
elementos da Brigada de Trânsito são presos pela PJ.
NOVEMBRO DE 2002
Antes do final do ano, um outro militar da BT de Albufeira, o
19.º, é detido pela PJ no âmbito do processo que levara às
primeiras detenções, em Abril.
ABRIL DE 2003
Treze empresários ligados à construção civil e ao transporte de
materiais são constituídos arguidos no processo de corrupção da
BT de Albufeira. No dia 7 de Abril, a PJ efectua a detenção de
mais seis militares.
JULHO DE 2003
A juíza Ana Meireles opta por deixar cair a acusação de
associação criminosa sobre os arguidos da GNR e não leva a
julgamento três empresários. Acaba por pronunciar 25 militares
da BT e dez empresários.
18 DE OUTUBRO DE 2003
O julgamento de corrupção da BT de Albufeira, um dos mais
importantes do ano, realiza-se no Auditório Municipal de
Albufeira, devido ao elevado número de testemunhas e arguidos. O
Ministério Público aponta o primeiro-sargento Garcia como o
líder do grupo da BT.
27 DE OUTUBRO DE 2004
Mais de um ano depois de começar, chega ao fim o julgamento da
BT de Albufeira. O primeiro-sargento Garcia, que estava em
prisão preventiva, é condenado à pena mais pesada: nove anos e
meio de prisão. O tribunal ilibou de todos os crimes 15
militares da BT e dois empresários. As penas aplicados aos
restantes arguidos, nove militares e oito empresários, variam
entre os 18 meses e os três anos e meio.
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Morte do Chefe
Martins - Fotos dos suspeitos ajudam nas buscas
Patrulhas armadas com G3 |
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As autoridades policiais têm desenvolvido operações nocturnas de
caça ao homem na região algarvia. Os patrulhamentos são feitos
por elementos fortemente armados, em zonas onde se sabe que os
membros do gang que assassinou o chefe Martins têm um
conhecimento minucioso do terreno.
Uma das áreas batidas pelos inspectores da PJ e por militares
da GNR é a de Tunes-Algoz, onde, aliás, o gang realizou
assaltos. Foi nessa zona também que os fugitivos abandonaram o
Mercedes e um camião furtados na madrugada do ataque ao
Ecomarché, em Budens, que acabou na morte do chefe Sérgio
Martins.
A Polícia Judiciária reforçou os meios existentes no Algarve
através do envio de elementos da Direcção Central de Combate ao
Banditismo e do Laboratório de Polícia Científica. A GNR e a PSP
têm empenhado grande número de homens nas operações de busca. O
elevado grau de perigosidade do gang obriga a cuidados
redobrados, em especial à noite, apresentando-se os elementos
das forças de segurança fortemente armados, com ‘shot-guns’ e
G3.
O suspeito detido terça-feira foi ontem conduzido pela PJ ao
Tribunal de Albufeira, onde foi ouvido. Os inspectores acreditam
que o jovem, de cerca de 20 anos de idade, possa dispor de
informações sobre o gang.
Os assaltantes actuam há pelo menos quatro anos no Algarve e têm
vindo a desenvolver acções cada vez mais sofisticadas e
violentas. Ao longo do tempo, o grupo foi ganhando confiança,
afastando-se cada vez mais da fronteira.
O modo de actuação revela uma preparação meticulosa de cada
assalto, com o roubo de veículos com características apropriadas
a cada situação: carros potentes para o caso de fuga, carrinhas
fechadas para transporte das caixas de multibanco e pesados com
guincho para arrombamento e arrasto.
Os indivíduos dispõem ainda de armamento pesado, coletes
antibala e rádios intercomunicadores. Presume-se que não usem
telemóveis, o que dificulta a acção policial. Aliás, o provável
líder do gang, Augusto Soares dos Anjos, conhecido como ‘Pecas’,
foi detido em Abril por ter usado um cartão de telemóvel furtado
no assalto a um armazém de electrodomésticos, em Vale de Lousas,
Alcantarilha.
Um telefonema para Espanha deu a pista decisiva ao Núcleo de
Investigação da GNR de Silves, que alertou as autoridades do
país vizinho, desencadeado o processo que levaria à captura do
indivíduo, em Paderne. A Relação de Évora libertou-o dia 23 de
Novembro. No dia seguinte foi roubada a caixa de multibanco da
bomba de gasolina de Pêra. Duas semanas depois tentaram acção
idêntica em Faro e trocaram tiros com a GNR. No passado domingo,
mataram o chefe Martins, com um disparo de caçadeira.
OPERAÇÕES NA FRONTEIRA
As autoridades portuguesas e espanholas procedem diariamente a
operações inopinadas na fronteira entre os dois países, junto à
ponte internacional do Guadiana, numa tentativa de interceptarem
eventuais elementos do gang responsável pela morte do chefe
Sérgio Martins que pretendam chegar a Espanha.
O CM apurou que, dos dois lados da fronteira, o controlo
policial tem como base de apoio as fotos de pelo menos seis dos
suspeitos e incide em viaturas com características semelhantes
às que foram utilizadas pelo bando nos diversos assaltos
praticados na região algarvia. Realizadas a partir do posto
misto fronteiriço, que concentra dispositivos de Portugal e
Espanha, as operações têm sido efectuadas de forma discreta para
garantir “maior eficácia”. Fonte policial garantiu ao CM que,
apesar dos esforços desencadeados, não foram efectuadas
detenções no espaço de fronteira.
FILME DOS ACONTECIMENTOS
FARO
Horas antes da tentativa de assalto ao Ecomarché de Budens, que
culminou com o assassinato do chefe Sérgio Martins, seis
alegados elementos do gang são filmados num posto de
combustíveis, onde pararam para tomar café. Uma das suas
viaturas surge nas imagens.
SILVES
Por volta das 03h00 da madrugada em que se deu o crime, o grupo
furta um Mercedes C220 e um camião com guincho num armazém em
Palmeirinhas, no concelho de Silves. Colocam no Mercedes a
matrícula de uma carrinha Mitsubishi, que se encontrava
estacionada no local.
PORTIMÃO
Como o guincho do camião roubado em Silves estava avariado, o
gang opta por abandoná-lo pelo caminho, na zona do Poço Barreto.
Segue em direcção à cidade de Portimão, onde efectua o roubo de
um auto-reboque.
BUDENS
0 grupo chega ao Ecomarché de Budens cerca das 04h45. São
cortadas as ligações telefónicas, colocados vigias armados no
perímetro e arrombada a porta metálica do supermercado, sendo
retirada a caixa multibanco. Roubam uma carrinha Ford Transit na
povoação para transporte da caixa. São surpreendidos por militar
da GNR à civil e trocam tiros. Iniciam a fuga.
LAGOS
A PSP de Lagos monta uma barreira no nó de acesso à A22 para
tentar travar a fuga dos assaltantes, que seguiam num Opel e num
Mercedes, trazendo no seu encalço a GNR. Os assaltantes rompem a
barreira pela berma. É feito pelo menos um disparo que atinge
mortalmente o chefe Sérgio Martins.
VIA DO INFANTE
O Opel dos assaltantes, de matrícula espanhola, é encontrado
abandonado na A22, ainda com o motor ligado. No interior estava
um colete antibala, cartuchos de caçadeira e um rádio
intercomunicador. Fuga segue no Mercedes, que é descoberto
posteriormente próximo do nó de acesso de Algoz à A22. Dentro do
carro estava um cartucho de caçadeira usado.
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PJ procura em Espanha
assassinos de polícia |
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Cinco suspeitos estão em fuga e quatro deles têm laços
familiares
Jornal espanhol compara grupo a outro que actuou em Sevilha
Elementos da Polícia Judiciária já estão a trabalhar em Espanha,
juntamente com as autoridades do país vizinho, no sentido de
levar à captura dos autores ou autor do homicídio do chefe
Sérgio Martins, da PSP de Lagos, segundo fonte policial adiantou
ao JN.
A deslocação foi justificada tendo em conta as origens da
quadrilha, composta por indivíduos portugueses e espanhóis,
alguns deles com laços familiares entre si.
O chefe Sérgio Martins foi assassinado com um tiro na cabeça na
madrugada de domingo, ao tentar travar a fuga de um grupo de
cinco indivíduos, suspeitos do envolvimento em vários roubos de
caixas multibanco.
No entanto, as autoridades suspeitam que o grupo seja composto
por pelo menos dez a quinze indivíduos, que se têm deslocado em
vários pontos do país, em particular nas zonas centro e sul,
onde as autoridades têm vindo a aumentar a vigilância.
O principal suspeito e tido como líder do grupo é um indivíduo
de 30 anos, natural de Peniche, eventualmente o principal
suspeito pelo assassínio do chefe Sérgio Martins. Do grupo de
cinco indivíduos procurado pelas autoridades portuguesas e
espanholas faz parte um outro elemento com o mesmo apelido, e
logo ligações familiares, um elo que está também estabelecido
entre dois outros elementos da quadrilha. Quanto ao quinto
indivíduo, tem nome e apelido espanhóis, mas ainda não é claro
se haverá mais algum outro elemento também de origem espanhola.
Sabe-se, isso sim, que o grupo tem fortes ligações a Sevilha e
ontem o jornal espanhol "ABC", noticiando o assassínio do
polícia português na sua edição "on-line", dava conta de que
elementos ligados ao grupo são conhecidos por actividades
criminosas na Andaluzia desde 2001. De acordo com o jornal
espanhol, os "investigadores espanhóis começaram a traçar o
perfil destes perigosos assaltantes", cuja actuação é similar à
de um grupo cujas acções em Sevilha, em 2001, vieram a causar a
morte a tiro de um elemento da quadrilha, fazendo ainda dois
outros feridos graves, um deles um imigrante senegalês.
Entretanto, o elemento detido em Albufeira, e que poderá estar
dentro das actividades do grupo, foi ontem presente a tribunal,
ficando em prisão preventiva, mas pela prática de assaltos, não
parecendo por isso associado directamente ao grupo em questão.
As autoridades sabem, no entanto, que o conjunto da quadrilha é
composto por pelo menos dez a quinze elementos, que vão
integrando o núcleo duro de assaltantes consoante as
necessidades.
Há receios, no entanto, que o grupo possa tentar disseminar-se
junto de outras comunidades ciganas em Portugal e que possa
estar a reduzir a sua actividade criminosa para evitar vir a ser
detectado pelas polícias. No entanto, em particular na região
sul, imagens dos suspeitos estão a ser distribuídos junto da PSP
e da GNR.
Vítima
O chefe Sérgio Martins, de 49 anos, da PSP de Lagos, foi
assassinado a tiro na madrugada de dia 11 ao tentar, numa
barreira policial, fazer parar o grupo de assaltantes que vinha
em fuga perseguido pela GNR. O chefe Sérgio Martins usava um
colete à prova de bala, mas foi atingido na cabeça.
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Novo
presidente da ASPP
insiste no direito à greve |
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«Não vamos esmorecer nas formas de luta conta medidas que
consideramos injustas», afirmou hoje Paulo Rodrigues, enumerando
de seguida algumas das reivindicações da associação
profissional
O novo presidente da Associação Sindical dos Profissionais da
Polícia (ASPP/PSP) garantiu hoje que vão continuar as formas de
luta contra as medidas do Governo consideradas injustas para os
polícias e insiste no direito à greve.
«Não vamos esmorecer nas formas de luta conta medidas que
consideramos injustas», afirmou hoje Paulo Rodrigues à agência
Lusa, após a sua tomada posse como presidente da ASPP que contou
com a presença de um representante da Inspecção-Geral da
Administração Interna (IGAI) e o director Nacional da PSP.
No seu discurso, Paulo Rodrigues enumerou algumas das
reivindicações da ASPP, entre as quais a alteração da lei
orgânica e do estatuto da PSP, a definição urgente de um horário
de trabalho com direito a receber horas extraordinárias, a
criação da carreira de investigação, modernização de
equipamentos e substituição do actual regulamento disciplinar.
Paulo Rodrigues lamentou também que os «sucessivos governos
não venham respeitando a lei sindical da PSP (lei nº 14/2002)» e
garantiu que vão ser exigidos «substitutivos de reivindicação,
incluindo o direito à greve».
O novo líder do maior sindicato da PSP, que conta com cerca
de 10.100 associados, lembrou a morte a tiro do chefe Sérgio
Martins, ocorrida domingo em Lagos, e disse esperar que «a sua
trágica morte sirva para testemunhar que a função dos
profissionais da PSP não é tão igual à dos restantes
profissionais da administração pública, conforme o actual
governo pretende fazer crer à opinião pública».
«É urgente uma alteração à lei orgânica, uma reestruturação
profunda da PSP», disse.
A ASPP/PSP pretende agora pedir reuniões aos partidos
políticos e ao Ministério da Administração Interna.
Paulo Rodrigues, 31 anos, natural de Bragança, é polícia há
oito anos, está a tirar o curso de administração pública e neste
momento exerce funções no Comando de Intervenção do Porto.

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Funeral - Irmão do chefe assassinado zangado com ministro
Falta poder à polícia |
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O funeral de Sérgio Martins, o chefe da PSP de Lagos abatido a
tiro por assaltantes, ficou marcado pela revolta e dor dos seus
familiares, sobretudo de um irmão, que interpelou o ministro da
Administração Interna sobre a falta de meios da polícia.
“Um agente está em desvantagem: se atirar está sujeito a um
processo, se não atirar acontece como ao meu irmão. A polícia
precisa de ter poder para actuar. Quatro mortes seguidas é mais
do que suficiente para os políticos pensarem que alguma coisa
está mal”, disse Leonel, irmão do chefe Martins, ao ministro da
Administração Interna, António Costa.
Os dois conversaram durante dez minutos, mas, no final, António
Costa optou por não fazer comentários sobre o que o Governo vai
fazer para evitar novas mortes. “Não é ocasião para fazer
declarações”, disse o ministro. “Vamos esperar para ver o que o
senhor ministro vai fazer”, concluiu Leonel Martins.
O funeral de Sérgio Martins, de 49 anos, realizou-se no
cemitério de Santo Onofre, nas Caldas da Rainha, terra natal do
polícia. Na homília, o padre Nelson Pereira referiu-se ao agente
abatido como sendo “um herói”, enquanto o capelão da Escola
Prática de Polícia, João Fanha, destacou que “envergar uma farda
e dar a face a uma situação de risco implica coragem”. Nas
exéquias fúnebres foram disparados três tiros de salva e o corpo
foi a enterrar sob uma salva de palmas.
Alberto Torres, dirigente da ASPP/PSP, presente do funeral,
disse que o anunciado investimento em mais coletes à prova de
bala não passa de “uma medida de ‘show-off’, anunciada pelo
poder político sempre que morre um agente. Já em Janeiro,
aquando da morte de três colegas na zona da Amadora, os
políticos afirmaram que iriam ser feitos investimentos na PSP,
mas nada aconteceu”.
“O parque automóvel continua envelhecido, as esquadras continuam
a cair, as comunicações funcionam com muitas dificuldades e
algumas armas têm quase 60 anos, o que demonstra como estamos
deficitários”, disse Alberto Torres.
António Ramos, presidente do Sindicato dos Profissionais de
Polícia, também criticou o Governo por “descurar a falta de
efectivos, não permitindo a formação de agentes em número
suficiente, o que faz aumentar a insegurança”.
ELITE DA PJ EM FORÇA NO ALGARVE
A caça aos homicidas do chefe da PSP de Lagos, na madrugada de
domingo, está a ser conduzida por inspectores da Direcção
Central de Combate ao Banditismo enviados de Lisboa para o
Algarve. Entretanto, ‘Pecas’, de 30 anos, suspeito de ser líder
do gang que matou o chefe Sérgio Martins, está a ser activamente
procurado no Algarve. Este homem já tinha sido detido, a 28 de
Abril, por roubo de equipamento de ar condicionado num armazém
em Silves – mas acabou por ser libertado pela Relação de Évora,
a 23 de Novembro, apesar de indícios que o relacionavam com dois
outros assaltos no Algarve.
As autoridades chegaram a ‘Pecas’ depois de terem encontrado
impressões digitais no armazém assaltado. A polícia espanhola
descobriu parte do material roubado numa rulote que ele tinha em
Sevilha. Após ter sido emitido um mandado de detenção, a GNR de
Albufeira e a PJ capturaram ‘Pecas’ num acampamento situado em
Paderne, tendo ficado em prisão preventiva.
Exames balísticos feitos a uma caçadeira encontrada na sua posse
vieram a provar que foi usada num assalto à Caixa Agrícola de
Tunes. Terá ainda participado no roubo de uma caixa de
multibanco em Ferreiras. Segundo fonte policial, o Ministério
Público podia ter pedido a sua prisão à ordem destes últimos
processos.
NOTAS
2000 ARMAS ILEGAIS
Entre Janeiro e Outubro deste ano, já foram apreendidas pelas
autoridades mais de duas mil armas ilegais em Portugal, o que
prefaz uma média superior a sete armas apanhadas por dia no
mercado negro. Os números são assustadores e, até ao final do
ano, podem não andar longe das 3200 armas ilegais apreendidas em
2004. A posse destas armas levou à detenção de quase 100 pessoas
no ano passado.
COLETES OFERECIDOS
A Associação Sindical Independente de Agentes da PSP entregou
ontem, de forma simbólica, cinco coletes à prova de bala ao
delegado sindical na esquadra da PSP da Mina, na Amadora. Os
coletes foram oferecidos por uma companhia de seguros.
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Procurados cinco
suspeitos da morte de chefe da PSP |
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Grupo a que pertenciam suspeitos tem mais de uma dezena de
elementos
Perseguição policial já foi alargada a todo o país mas ainda não
teve resultados
Cinco indivíduos portugueses e espanhóis estão a ser procurados
pelas autoridades dos dois lados da fronteira por suspeitas de
terem participado no homicídio do chefe Sérgio Martins, da PSP
de Lagos, na madrugada de domingo. Para a identificação dos
suspeitos contribuíram investigações já em curso a uma série de
assaltos a caixas multibanco. Fazem parte de um grupo
constituído por dez a quinze elementos, que tem protagonizado
inúmeros assaltos semelhantes m vários pontos do País. O
assassinato a homicídio de Sérgio Martins aconteceu na sequência
de mais um golpe.
Fontes da Polícia Judiciária garantiram, no entanto, ao JN que
até ao princípio da noite de ontem ainda não tinha sido detido
qualquer suspeito da morte do elemento policial "Estamos ainda
na fase da recolha de provas", firmou.
Sabe-se que o líder do grupo é um indivíduo de etnia cigana -
tal como todos os outros elementos - que, tal como o JN avançou
na edição de segunda-feira, chegou a estar em prisão preventiva
indiciado pela prática de 50 assaltos à mão armada. A defesa
recorreu para o Tribunal da Relação de Évora, que decidiu
libertá-lo.
PJ, PSP, GNR e SEF estão a colaborar no processo de
investigação, com o maior esforço a incidir nas zonas centro e
sul do país, em particular no Algarve. Sabe-se, entretanto, que
um jovem foi detido anteontem em Albufeira por se encontrar
evadido da cadeia, sendo conhecidas as suas ligações ao grupo
perseguido. A sua captura poderá permitir às autoridades
recolher informações sobre os movimentos dos fugitivos.
Há, por outro lado, mais pormenores sobre a forma como decorreu
a tentativa de assalto em Budens. Por exemplo, os três veículos
usados pela quadrilha e recuperados pelas autoridades, foram
furtados em Portugal e Espanha. Os dois Mercedes - num deles foi
descoberto um cartuxo de caçadeira - foram furtados de um
armazém em Silves, onde se encontravam guardados com a chave na
ignição e prontos a funcionar, já tendo sido devolvidos ao
proprietário. Quanto à outra viatura, um Opel Kadett, tinha sido
furtado em Espanha.
As caixas multibanco eram roubadas e depois enterradas, após o
arrombamento do cofre. Mas em alguns casos eram transportadas
para Espanha, em particular para a zona de Sevilha.
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Seis homens procurados pela morte do chefe Sérgio Martins
Homicidas de polícia foram
filmados em posto de combustíveis |
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A polícia já conhece a identidade dos homens que, na
madrugada de domingo, nas imediações de Lagos, abateram a tiro
um chefe da PSP. São seis indivíduos, cujas idades oscilam entre
os 20 e os 40 anos e que algumas horas antes do homicídio foram
filmados pelas câmaras de uma estação de serviço, onde pararam
para beber café. Essas imagens permitiram ainda identificar um
dos carros utilizados pelo grupo.
Ontem ao fim da tarde ainda não havia qualquer detenção
efectuada, mas as diversas forças policiais intervenientes (PJ,
PSP e GNR) continuavam a acreditar que o bando, eventualmente
dividido em dois, continua no Algarve, nomeadamente nas zonas da
serra.
Fonte policial disse ao PÚBLICO que, face aos fracassos dos
dois últimos assaltos, os suspeitos (portugueses e espanhóis,
com laços familiares entre alguns deles) podem vir a tentar
novos crimes para conseguirem o dinheiro que lhes possa permitir
a fuga para fora do país. Essa é, no entanto, uma hipótese de
alto risco, uma vez que toda a zona fronteiriça tem sido alvo de
vigilância reforçada e, mesmo em Espanha, já existe um
dispositivo policial montado.
Os investigadores acreditam ainda que os homens que perseguem
praticam assaltos violentos há vários anos, tanto em Portugal
como em Espanha. Nos veículos que haviam furtado para o assalto
de Budens foram encontrados dois aparelhos de intercomunicações,
de onde já foram retiradas impressões digitais. O uso destes
aparelhos, ainda segundo fonte policial, pode significar que não
arriscavam a comunicação por telemóvel para evitar eventuais
escutas e consequente detecção da sua localização.
A polícia está ainda atenta a movimentações de, pelo menos,
mais uma dezena de pessoas que eventualmente possam ter contacto
com os suspeitos. Acredita-se que, para além dos seis homens
directamente envolvidos no homicídio do chefe Sérgio Martins,
outros possam, pontualmente, ter praticado alguns crimes com um
ou mais elementos do grupo foragido.
Outra das conclusões a que as autoridades chegaram é que o
grupo não se preocupa em esconder a identidade. Quer nas imagens
recolhidas na estação de serviço, quer noutras colhidas por
máquinas de levantamento de dinheiro que pretenderam furtar,
actuaram sempre de rosto descoberto. O próprio cartucho de
caçadeira encontrado no interior do Mercedes de onde partiu o
tiro que matou o chefe da PSP ficou abandonado sem que,
aparentemente, tenha havido qualquer preocupação de o esconder
ou limpar, eliminando assim impressões digitais.
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