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Presos cúmplices nos crimes
ocorridos em Lagos |
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Polícia espanhola apanhou três suspeitos de estarem
envolvidos no roubo da caixa multibanco que acabou na morte de
elemento da PSP
Detenções tiveram lugar em Sevilha
rês homens suspeitos de envolvimento no homicídio do chefe da
PSP de Lagos foram detidos, ontem, nos arredores de Sevilha.
Fazem parte de um grupo de sete elementos já referenciados pelas
autoridades como tendo participado na tentativa de assalto a uma
caixa multibanco que terminou na morte do agente.
A detenção ocorreu por volta das 17 horas. Os três indivíduos
foram reconhecidos pela Polícia quando passeavam numa rua nos
arredores de Sevilha. Foram de imediato detidos por elementos da
Polícia Nacional espanhola, munidos de mandados de captura
internacionais. A operação foi acompanhada de perto por
elementos do Departamento de Investigação Criminal de Portimão e
ainda da Directoria de Faro da Polícia Judiciária (PJ), que
coordena as investigações.
Os detidos terão entre os 25 e os 35 anos e são de
nacionalidade portuguesa e espanhola. Um deles é irmão do
alegado líder do grupo, um português de 30 anos de etnia cigana
conhecido pela alcunha de "Pecas" e que ainda está a monte.
Ao que o JN apurou, o trio estava refugiado num acampamento
cigano em El Vacie, nos arredores de Sevilha, onde terá
procurado abrigo quando fugiu do Algarve, depois da morte do
polícia. Os homens não estariam à espera da presença das
autoridades, uma vez que não estavam armados nem ofereceram
resistência às detenções.
Em Sevilha, as autoridades já conseguiram deter cinco
indivíduos. Além dos três apanhados ontem, na madrugada de
quarta-feira foram detidos outros dois homens, num acampamento
cigano em El Vacie, após um tiroteio que deixou feridas cinco
pessoas, incluindo familiares de "Pecas".
No entanto, o JN sabe que os dois primeiros homens a ser
detidos não são suspeitos do homicídio do chefe da PSP, mas de
assaltos a caixas de multibanco. Sobre eles pendiam mandados de
busca e detenção europeus, emitidos a pedido das autoridades
portuguesas.
Nos próximos dias, os suspeitos serão conduzidos ao tribunal
de Madrid que deverá decidir pela sua extradição para Portugal.
Entretanto, vários elementos da PJ deverão continuar em Sevilha,
onde se suspeita que estejam escondidos os restantes elementos
do grupo. Na mira das autoridades estão dois acampamentos
ciganos - o de El Vacie e outro conhecido por Três Mil Viviendas
- situados nos arredores da capital da Andaluzia. É lá que moram
familiares de "Pecas" e de outros membros do bando, composto por
portugueses e espanhóis.
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Reestruturação da PSP e
GNR ainda por definir |
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«Não está decidido quais as localidades onde serão encerradas
instalações de uma ou outra força de segurança», diz porta-voz
do gabinete do ministro da Administração Interna
O Ministério da Administração Interna (MAI) esclareceu hoje
que ainda não há qualquer decisão tomada sobre o encerramento de
esquadras da PSP e postos da GNR, considerando "pura
especulação" qualquer informação em contrário.
"O MAI vai reestruturar o dispositivo territorial da PSP e da
GNR, mas ainda não foram definidos os critérios dessa
reestruturação, pelo que não está decidido quais as localidades
onde serão encerradas instalações de uma ou outra força de
segurança", disse à Agência Lusa um porta-voz do gabinete do
ministro de Estado e da Administração Interna, António Costa.
O jornal "Público" noticiou há cerca de uma semana que o MAI
desenvolveu um estudo que aponta para o eventual encerramento
total ou parcial, já no próximo ano, de mais de 20 esquadras da
PSP, entre as quais a de Estremoz, e dezenas de postos da GNR.
O presidente da Câmara Municipal de Estremoz, José Alberto
Fateixa, defendeu hoje a continuidade da PSP na cidade.
"Vimos com bons olhos a continuidade da PSP em Estremoz",
declarou o autarca socialista à Agência Lusa.
O porta-voz do MAI disse que o estudo divulgado pelo jornal
"é de 2003, tendo sido mandado elaborar pelo anterior Governo,
no tempo do ex-ministro da Administração Interna Figueiredo
Lopes".
"A actual equipa do MAI ainda não tomou qualquer decisão
sobre o assunto, pelo que qualquer informação em contrário é
pura especulação", frisou o responsável.
"O MAI vai desenvolver ao longo de 2006 a reestruturação do
dispositivo territorial da PSP e da GNR, no sentido de evitar a
duplicação de meios, racionalizando-os, mas antes de qualquer
decisão serão ouvidas várias entidades", garantiu o mesmo
porta-voz.
De resto, acrescentou, "serão anunciados publicamente os
critérios dessa reestruturação quando estiverem definidos, o que
ainda não aconteceu".
"Dizer neste momento que a PSP deixará Estremoz ou qualquer
outra cidade, ou que a GNR terminará a sua actuação nesta ou
naquela localidade, não faz qualquer sentido", disse ainda o
responsável do MAI.
Segundo o "Público", o levantamento feito pelo Gabinete de
Segurança do MAI em 2003 teve como critérios não só os locais
onde a acção da PSP se sobrepõe ao desempenho da GNR, mas também
o número de habitantes (menos de 15 mil) de 21 cidades e uma
vila onde as esquadras da PSP poderiam encerrar.
No que diz respeito à GNR, segundo o jornal, o plano de
reestruturação já está parcialmente em curso, com o fecho total
ou parcial de postos no Alentejo, Algarve e em várias
localidades do Grande Porto.
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Autarcas contra
encerramento de esquadras da PSP |
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Os autarcas de Alcobaça, Marinha Grande, Pombal e Ourém estão
contra o eventual encerramento das esquadras da PSP, no âmbito
de um processo de reestruturação das forças de segurança que
está a ser estudado pelo Ministério da Administração Interna (MAI).
David Catarino, autarca de Ourém, considera um "disparate" o
eventual encerramento das esquadras de Ourém e Fátima e está a
aguardar por uma reunião com o secretário de Estado da
Administração Interna, José Magalhães, para abordar os problemas
relacionados com a segurança no concelho. "Só alguém sem juízo é
que pode encerrar esquadras, numa altura em que precisamos de
melhorar a segurança", justifica.
Uma opinião partilha pelo presidente da câmara de Alcobaça.
Gonçalves Sapinho justifica a continuidade da esquadra na cidade
com o número de visitantes diários, e com a dimensão da malha
urbana. "Não faz qualquer sentido o encerramento, porque
precisamos é de aumento de efectivo ", defende.
Por outro lado, o presidente da Câmara da Marinha Grande, João
Barros Duarte, não acredita no encerramento da esquadra no
concelho, embora tenha algumas dúvidas sobre as políticas
implementadas pelo actual Governo. "Acho isso inconcebível, mas
nos governos socialistas tudo é possível", critica o edil.
Em Pombal, a intenção de encerrar a esquadra já se arrasta desde
o Governo de Cavaco Silva. O então ministro da Administração
Interna, Dias Loureiro, tinha intenções de retirar a polícia da
cidade, mas uma reunião com presidente da autarquia, Narciso
Mota, evitou esse desfecho. Passados dez anos, o assunto volta a
ser equacionado, e o autarca diz que "não faz sentido" o
encerramento da esquadra, numa cidade com cerca de 18 mil
habitantes. "Se o Governo quer melhorar a segurança tem de
reforçar os meios e não optar pelo encerramento, mas a
dificuldade é dialogar com o actual ministro que tutela a
polícia", sublinha, salientando a importância da continuidade da
PSP na manutenção da segurança dos cidadãos.
Os comandantes distritais das esquadras de Leiria e Santarém,
Diamantino Jordão e Levy Correia, respectivamente, limitam-se a
referir "que oficialmente" não têm conhecimento de qualquer
encerramento de esquadras.
Número de habitantes é um dos critérios
Segundo um estudo do Ministério da Administração Interna (MAI)
citado pelo jornal 'Público' na edição de ontem, mais de 20
esquadras da PSP e dezenas de postos da GNR poderão fechar total
ou parcialmente já no próximo ano.
De acordo com o matutino, a medida insere-se no plano de
reestruturação territorial das forças de segurança que está a
ser pensada pelo MAI tutelado por António Costa.
Com a alienação de parte do seu património, o MAI pretende obter
verbas que lhe permitam restaurar imóveis degradados e também
auto-financiar-se para comprar equipamento, nomeadamente armas e
viaturas.
O levantamento do Gabinete de Segurança do MAI tem como
critérios não só os locais onde a acção da PSP se sobrepõe ao
desempenho da GNR mas também com o número de habitantes.
A PSP deverá abandonar aglomerados com menos de 15 mil
habitantes, como por exemplo Fátima, Tavira, Vila Real de Santo
António, Ourém, Torres Novas, Cartaxo, Abrantes, Elvas,
Estremoz, Moura, Mirandela, Gouveia, Feira e Ponte de Lima.
Também as cidades de Alcobaça, Pombal, Marinha Grande, Vila
Franca de Xira, Torres Vedras, Lamego, Ovar, Chaves, estão na
lista de eventuais encerramentos de esquadras da PSP.
Problemas acrescidos
O Sindicato dos Profissionais da Polícia (SPP), citado pelo
'Público', considerou que a medida é um passo atrás no propósito
de promover um policiamento de proximidade. "Centenas de agentes
serão obrigados a residir noutros locais e isso acarreta
inúmeros problemas de ordem financeira, não só devido ao preço
das deslocações, mas também porque muitas famílias serão
obrigadas abandonar as cidades onde moram e muitas crianças em
idade escolar terão de ser transferidas", disse ao jornal o
presidente do SPP, António Ramos.
No entender do responsável, existem medidas positivas na
reestruturação pensada pelo MAI, nomeadamente evitar que haja
sobreposição de policiamento em zonas sensíveis, como são, por
exemplo, as áreas de Almada e Felgueiras. "O mais importante, em
vez de estar a promover o fecho e posterior venda de
instalações, ou simplesmente deixar de pagar rendas, seria
criar-se um verdadeiro plano estratégico para as forças de
segurança, em que fossem estabelecidos timings para aquisição de
todo o material em falta e reparação das instalações degradadas,
que no caso da PSP, serão mais de 70 por cento a nível
nacional", disse António Ramos.
No que diz respeito à GNR, o jornal escreve que o plano de
reestruturação já está parcialmente em curso, com o fecho total
ou parcial de 32 postos no Alentejo e Algarve.
O assessor do MAI, Duarte Moral, confirmou ao 'Público' que está
em marcha um plano de reestruturação territorial das forças de
segurança, o qual deverá estar totalmente concluído no próximo
ano, pelo que ainda não se podem avançar quantos e quais os
postos e esquadras que irão encerrar.
Adelino Mendes, adjunto do governador civil afirma que o estudo,
elaborado em 2002 pelo anterior ministro da Administração
Interna, Figueiredo Lopes, aponta para o reforço da capacidade
operacional e a libertação de agentes, com tarefas
administrativas, para o terreno.

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Crime económico: Eficácia
da investigação ameaçada
Combate à corrupção agita Polícia
Judiciária |
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A Polícia Judiciária (PJ) prepara uma reestruturação profunda no
combate à corrupção. As alterações, que serão hoje comunicadas
aos operacionais da Direcção Central de Investigação da
Corrupção e Criminalidade Económica e Financeira (DCICCEF) são
as primeiras em 14 anos de existência daquele departamento e
passam pela extinção de três secções.
A Secção Central de Investigação Anti-Corrupção, liderada por
Pedro Fonseca, a Secção Central de Investigação da Criminalidade
Económica e Contrabando, liderada por Rita Galamba, e a Secção
Central de Investigação e Combate ao Branqueamento de Capitais,
liderada por Manuela Santos.
Em sua substituição serão criadas duas grandes áreas de
investigação; a dedicada ao branqueamento e às infracções
tributárias, que terá três brigadas, e a dedicada à corrupção,
que terá três secções centrais, todas com competência
generalizada e com nove brigadas.
Estas mudanças estão a causar um profundo mal-estar dentro da
polícia e fala-se já em “pressões políticas” sobre a condução de
determinados processos.
O CM sabe que o coordenador da secção que se dedicava ao combate
à corrupção já apresentou formalmente o seu pedido para sair da
DCICCEF em protesto contra esta decisão. Um gesto que poderá ser
seguido hoje por todos os inspectores – chefes que trabalham
naquela área – o que iria paralisar as investigações de
processos tão importantes como são os que envolvem a Câmara da
Amadora e de Cascais, o caso Freeport ou a corrupção na
Administração Fiscal.
O director nacional adjunto, Mouraz Lopes, justifica esta
mudanças com a necessidade de “tornar a DCICCEF mais ágil e
preparada para enfrentar o fenómeno da corrupção”. “Ao fim de 14
anos, o fenómeno da criminalidade é uma realidade diferente e
quem negar isto nega uma evidência”, acrescentou aquele
responsável, que negou “qualquer espécie de ingerência política”
nesta reestruturação.
O QUE VAI MUDAR DA DCICCEF
PERITOS
A DCICCEF vai contar com um grupo de peritos que irá trabalhar
em exclusivo para os processos que se encontram em investigação
na Alexandre Herculano.
JANEIRO
Mouraz Lopes quer implementar o novo modelo na DCICCEF até dia
30 de Janeiro de 2006. “Penso que será uma transição pacífica
com a colaboração das pessoas da casa”.
REFORÇOS
Em Fevereiro haverá mais uma colocação de inspectores que se
espera venha reforçar as brigadas que combatem a corrupção e a
criminalidade económica e financeira.
BUSCAS DELICADAS
A reestruturação no combate à corrupção é o corolário de uma
série de acções que incomodaram o poder político e que
culminaram com as buscas realizadas a casa do dirigente do
Partido Socialista, Jorge Coelho. O CM sabe que após essa
diligência, o coordenador da investigação foi duramente
criticado pelo director nacional adjunto, que adiou mesmo as
suas férias. O mesmo coordenador assinou o relatório final onde
se pedia a prisão preventiva do presidente da Câmara Municipal
da Amadora, Joaquim Raposo, um pedido que foi negado pelo
Ministério Público. Foi ainda o mesmo responsável que liderou a
investigação no caso Portucale que envolveu o BES.
'FOI UM MODELO DE PROGRESSO'
“A criação de um departamento especializado e de uma secção
especializada no combate à corrupção foi um grande progresso que
deveria ser aprofundado”, afirmou ao Correio da Manhã Maria José
Morgado, procuradora-geral adjunta e ex-responsável pela DCICCEF.
Salvaguardando sempre o facto de não querer intrometer-se na
organização interna da polícia, a magistrada lembra que as
organizações de competência especializada “correspondem a todas
as recomendações feitas por entidades internacionais” e que a
diluição das responsabilidades leva à perda de informação e de
eficácia”.
“Pessoalmente, receio que a publicidade que se está a dar à
extinção desta secção possa ser mal compreendida pela opinião
pública”, acrescenta Maria José Morgado. Em relação a um
eventual aproveitamento por parte das organizações criminosas
desta mudança, a procuradora refere que “o crime aproveita tudo,
porque senão não seria crime”. Para Maria José Morgado o combate
à corrupção não pode ser reduzido a um acto singular, mas antes
deve ser um conjunto de acções continuadas.
GOVERNO ASFIXIA PJ
“O Governo tem vindo, nos últimos meses, a asfixiar a Polícia
Judiciária cortando os meios humanos e materiais que servem de
suporte à investigação”, afirmou ao CM Carlos Anjos, presidente
da ASFIC – Associação Sindical dos Funcionários de Investigação
Criminal. “Se em 2006 não forem abertos concursos, a PJ não
poderá levar a cabo as funções que lhe estão a ser entregues”,
refere Carlos Anjos, acrescentando, “estamos numa situação de
ruptura”.
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Reestruturação
das forças de segurança
Mais de 50 esquadras e postos da
PSP e GNR vão encerrar |
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A PSP poderá abandonar, em breve, 22 esquadras em todo o
país, enquanto a GNR vai encerrar total ou parcialmente várias
dezenas de postos.
A medida insere-se no plano de reestruturação territorial das
forças de segurança que está a ser pensada pelo Ministério da
Administração Interna (MAI), que, desse modo, pretende, com a
alienação de algum do seu património, obter verbas que lhe
permitam restaurar imóveis degradados e, também,
autofinanciar-se para comprar outros equipamentos, nomeadamente
armas e viaturas.
A primeira reacção acerca do eventual fecho das esquadras da PSP
veio do Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP), que
considera tal medida como um passo atrás no propósito de
promover um policiamento de proximidade. "Centenas de agentes
serão obrigados a irem residir para outros locais, e isso
acarreta inúmeros problemas de ordem financeira, não só devido
ao preço das deslocações, mas também porque muitas famílias
serão obrigadas a abandonar as cidades onde residem e muitas
crianças em idade escolar terão que ser transferidas", disse ao
PÚBLICO o presidente do sindicato, António Ramos.
O presidente do SPP entende que existem medidas positivas na
reestruturação pensada pelo MAI (a ideia surgiu já em 2003,
altura em que foi elaborado um primeiro estudo por ordem do
então ministro, Figueiredo Lopes), nomeadamente evitar que haja
sobreposição de policiamento em zonas sensíveis, como são, por
exemplo, as áreas de Almada e Felgueiras. "O mais importante, em
vez de estar a promover o fecho e posterior venda de
instalações, ou simplesmente deixar de pagar rendas, seria
criar-se um verdadeiro plano estratégico para as forças de
segurança, em que fossem estabelecidos timings para aquisição de
todo o material em falta e reparação das instalações degradadas,
que, no caso da PSP, serão mais de 70 por cento em todo o país",
disse o sindicalista.
Reestruturação da GNR em marcha no Alentejo e Algarve
Em relação à GNR, o plano de reestruturação já está parcialmente
em andamento. O PÚBLICO apurou junto de alguns efectivos que,
por exemplo, na área da Brigada 3, que abrange o Alentejo e o
Algarve, há já 32 postos que encerraram totalmente ou apenas
parcialmente.
No caso dos primeiros, a ideia será proceder quanto antes à
venda das instalações, enquanto no que respeita aos segundos,
tal como antes já havia explicado o tenente-coronel Costa
Cabral, pretende-se rentabilizar o efectivo existente, mantendo
apenas, por alguns períodos do dia, dois efectivos a receberem
participações. Todos os restantes militares serão distribuídos
por postos das imediações que se mantém em funcionamento, o que,
ainda segundo o mesmo responsável, irá permitir colocar mais
efectivos em serviço de patrulhamento.
A medida em vigor na área da Brigada 3 deverá, em breve,
estender-se a outras zonas do país. Prevê-se que a GNR saia de
Felgueiras, Rio de Mouro, Mercês e Alverca, bem como de várias
localidades da zona do Grande Porto. Em todos esses locais o
policiamento passará a ser assegurado pela PSP.
Contactado o assessor do ministro da Administração Interna,
Duarte Moral, este confirmou que está em marcha um plano de
reestruturação territorial das forças de segurança, o qual só
deverá estar totalmente concluído no próximo ano, pelo que ainda
não se podem avançar quantos e quais os postos e esquadras que
irão encerrar.
Esta semana, na cerimónia de entrega de coletes balísticos às
forças de segurança, o ministro António Costa havia dado conta
da intenção de se proceder à alienação de património para
obtenção de verbas destinadas à melhoria de instalações e compra
de equipamentos.
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SPP entrega queixa em tribunal contra Governo |
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O Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP/PSP) enviou hoje
pelo correio uma queixa para o Tribunal Administrativo para
tentar anular as recentes alterações governamentais ao regime de
reforma e serviços de saúde dos polícias.
Em declarações à agência Lusa, o presidente do SPP/PSP, António
Ramos, afirmou que o advogado do Sndicato «enviou hoje a queixa
pelo correio» para o Tribunal Administrativo, cujo prazo limite
de entrega termina terça-feira.
Paralelamente a esta acção, o SPP/PSP vai avançar, em
Janeiro, com uma queixa para o Tribunal Europeu dos Direitos do
Homem, alegando que «os agentes da PSP estão a ser lesados nas
expectativas jurídicas que lhes foram criadas aquando da sua
entrada para a instituição que servem com empenho e dedicação».
A PSP tem actualmente cerca de 22.000 efectivos, referiu a
mesma fonte, acrescentando que cerca de 4.800 são filiados no
SPP/PSP.
A estrutura sindical sublinha que, caso o Governo não «reveja
as leis que aprovou ilegalmente», vai deliberar na próxima
Assembleia Geral, marcada para 11 de Janeiro, «adoptar uma forma
de luta jamais levada a cabo por qualquer estrutura associativa
ou sindical na história da polícia».
Esta medida, que será analisada e votada na Assembleia Geral,
proporá que os polícias se concertem e metam «um ou dois dias de
férias todos na mesma altura», disse o presidente do SPP/PSP,
esclarecendo que o podem fazer ao abrigo dos regulamentos.
O SPP/PSP também já pediu audiências aos cinco candidatos à
Presidência da República, para expor os problemas de segurança
em Portugal e a «desmotivação» existente na polícia.
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Segurança - jovens em risco visitam escola da PSP
Polícia procura amigos |
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O
filme de apresentação mostra um mundo demasiado estranho
para a jovem assistência. Espaços verdes, ruas limpas,
até um moinho de água. Os assistentes, quase uma
centena, vieram desde os bairros mais problemáticos da
Linha de Sintra até à Escola Prática da PSP, em Torres
Novas, para conhecerem um pouco melhor aqueles que se
habituaram a ver do outro ‘lado da barricada’. A visita
faz parte do projecto-piloto ‘Um amigo hoje... Um futuro
amanhã’, em curso no Gabinete de Estudos Criminológicos
da PSP. |
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Socióloga Mónica Santos,
autora do projecto ‘Um amigo hoje’, quer mudar a
mentalidade dos jovens de bairros difíceis em relação à
polícia |
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“Alguém quer fazer perguntas?”, atira o subdirector da
escola no final do filme. Nem uma pergunta. Chegaram há
menos de uma hora e continuam demasiados excitados com a
viagem de comboio desde Lisboa. Alguns parecem querer
falar, mas olham para o lado e desistem.
Os polícias presentes na sala, todos ligados ao programa
Escola Segura, e os dois coordenadores do projecto, um
chefe com anos de experiência e uma socióloga a
contrato, olham uns para os outros. A fase das perguntas
mostra um pouco como é a relação com as polícias. “Esta
influência do grupo, a acção por imitação, é uma das
características destes miúdos”, diz um dos agentes.
Os objectivos são ambiciosos. “A nossa meta não é mudar
um miúdo. É mudar todos os miúdos”, diz Mónica Santos,
socióloga, de 26 anos. Não gosta de usar a palavra
“delinquentes”, mas sabe que os há nos 500 jovens em
risco do grupo-alvo.
Os visitantes caminham em grupos na parada da escola da
PSP, bonés enfiados na cabeça, calças largas, orelhas
furadas. Mónica Santos e o chefe da PSP João Pais
visitaram escolas de Mira Sintra, Cacém, Cova da Moura
e, junto dos respectivos conselhos executivos,
seleccionaram as turmas mais difíceis.
“Temos realizado pequenas acções e passado tempo com os
miúdos, quando não têm aulas”, explica a socióloga. O
plural aqui refere-se apenas a duas pessoas: Mónica
Santos e João Pais.
Os agentes ligados ao Programa Escola Segura constituem
o grosso do pelotão. São os que de mais perto lidam com
os jovens. “Neste momento, o contacto existe, na maioria
das ocasiões, quando acontece algo mau. A ideia é
alterar isso, estabelecer o contacto com um sinal
positivo”, diz a responsável.
A visita a Torres Novas foi, por isso, um teste. “Mas
tudo correu bem”, diz João Pais, cansado, ao final do
dia. As viagens de comboio decorreram sem problemas e o
comportamento na Escola Prática foi “exemplar”. Quando
assistiram ao filme, quando conheceram as diferentes
valências da PSP – do Grupo de Operações Especiais aos
patrulhas – e quando viram de muito perto o que fazem os
cães do Corpo de Intervenção.
APRENDER A ANDAR DE COMBOIO
A CP é um dos parceiros privilegiados do projecto ‘Um
amigo hoje... um futuro amanhã”. Rui Lucena, do gabinete
de comunicação da empresa, explica que ao ajudar a CP
está também a ajudar-se. Os prejuízos causados por actos
de vandalismo nas composições da Linha de Sintra
representam muitos milhares de euros todos os anos.
“Muitas vezes, os miúdos não têm ideia das consequências
que podem ter os seus actos. Não sabem o que custa
limpar as pinturas, não imaginam que, ao apedrejarem um
comboio, podem tirar a vida a alguém”, diz Rui Lucena.
“O comboio faz parte do imaginário das crianças, mas
muitos jovens têm uma ideia errada do que é o comboio.
Com estas iniciativas, esperamos ajudá-los a perceber
que pode ser agradável viajar assim. Esta parceria tem
uma dupla finalidade: humanizar o serviço e actuar
preventivamente sobre os jovens”, explica o responsável
da CP. O projecto-piloto do Gabinete de Estudos
Criminológicos do Departamento de Informações da PSP
integra diversas entidades, todas na Linha de Sintra: a
associação Moinho da Juventude, da Cova da Moura, e as
escolas D. João V, Azevedo Neves e Pedro d’Orey da
Cunha, as três da Damaia, Matias Aires, do Cacém,
Cardoso Lopes e Francisco Manuel de Melo, ambas da
Amadora. Poderá ser alargado se os resultados forem
positivos.
JANITO TEM DÚVIDAS
Janito fica desconfiado quando chega o momento de
responder às perguntas.
O à-vontade que mostrou todo o dia desaparece em
segundos, as frases em crioulo são substituídas por
palavras curtas, que saem a custo. “Foi a primeira vez
que vim aqui”, diz. O que pensa da polícia. “Não gosto.”
Mas achas que estas visitas podem ajudar a mudar alguma
coisa. “Não sei bem.” Janito não é muito alto, mas
caminha muitas vezes à frente dos colegas, olha à volta
à procura de uma ‘dama’. Tem 18 anos, é da Cova da
Moura, “da cova éme”, como gostam de dizer, e faz parte
do projecto.
ANA RITA QUER SER AGENTE
Ana Rita ficou envergonhada quando o chefe João Pais, em
pleno comboio, disse em voz alta que ela queria ser
polícia. “Não precisava de ter dito isso”, queixou-se a
rapariga, de 16 anos, da escola Matias Aires, no Cacém.
Aprendeu pouco na visita à escola da PSP em Torres
Novas. Não por ter falta de interesse, “longe disso”,
mas porque as demonstrações na escola já lhe ensinaram
quase tudo. “Gostei da comida. Disso gostei, porque é
melhor do que a da escola”, diz a rapariga, sempre uma
das primeiras a chegar e presença assídua nos lugares da
frente durante as demonstrações.
ROSALINO E O ROBOCOP
Talvez seja a estatura, talvez seja o chapéu que tem na
cabeça, mas Rosalino Gomes não passa despercebido. Veio
do Cacém e o chefe João Pais chama-lhe “guarda-costas”.
“Acho que isto é bom para os mais novos”, diz Rosalino,
pouco à vontade e pouco tempo depois de ter
experimentado o enorme fato verde utilizado pelos
elementos da equipa de inactivação de engenhos
explosivos da PSP. “Pareces o ‘Robocop’”, dizem-lhe os
colegas. Ele vira-se devagar – “aquilo é muito pesado” –
e sorri. “Assim, vemos que os polícias não são todos
iguais. Aqui são bons, na esquadra não.”
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"Não
tenho confiança nas armas da Polícia" |
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O
agente Bento está cansado. Mais de 20 anos de tiros
dados e recebidos, centenas e centenas de detenções,
ameaças, perseguições, a morte adiada várias vezes, mas
até aí tudo bem - "ou eles ou nós, é apenas um jogo". O
pior é o resto e o resto foi ver morrer o colega em
Lagos, o chefe Sérgio Martins, "de forma inglória", a
gota de água que o fez perder a paciência. "Perder a
vida em serviço é um risco inerente à nossa profissão de
polícia e temos que o assumir, não temos que nos
queixar", justifica o agente da investigação criminal da
PSP da Torre da Marinha, na Margem Sul do Tejo. Mas
saber que ele "morreu rodeado de carros velhos, armas
obsoletas ou que só disparam balas de borracha isso é
revoltante". |
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Fala ao JN sabendo que as suas palavras "assumidas" podem
custar-lhe um processo interno, mas, nos seus 45 anos,
já não está para se preocupar com processos
disciplinares "Só espero que as minhas palavras sirvam
para alguma coisa, que cheguem lá acima, às chefias". E
esse é um dos problemas, segundo aponta, "até comandante
de esquadra ou de divisão ainda vão conhecendo as
condições de trabalho reais de quem anda na rua, mas daí
para cima...", e deixa um silêncio de dúvidas. Este
Verão viu-se pertante um traficante no Bairro da Jamaica
a apontar-lhe directamente uma arma. O suspeito premiu o
gatilho, mas a bala não partiu, possivelmente por
problemas na munição. O Bento não morreu "porque não
calhou" e não sacou da pistola para responder à ameaça
"porque havia muita gente à volta". "Mas senão tinha
disparado, para me defender, como já o fiz, mas com
confiança, porque a arma é minha, fui eu que a comprei,
quando percebi que não podia ter confiança na pistola de
serviço".
Sabe que a opção é ilegal à face das normas policiais,
mas riposta "Pela minha vida sou eu que respondo e se a
polícia não me dá armas em condições, então eu só tenho
um caminho". Mas não bastam as armas, salienta, "o crime
violento tem vindo a aumentar, mas a instrução de tiro
além de ser pouca não é a adequada. Limitamo-nos a ir
para uma carreira de tiro, neste caso o camião, e fazer
uns quantos tiros para alvos fixos. Devíamos ter também
instrução para abrir fogo contra alvos em movimento,
porque as situações que se nos deparam são cada vez mais
nestas condições. E haver mais munições: não faz sentido
apenas 16 distribuídas por agente". Mas salienta que
"não basta dizer que as pistolas são velhas. Se não
houver instrução correcta, o agente dificilmente
consegue manusear em condições seja que arma for e se
assim acontecer até a pode encravar".
São falhas que o agente Bento aponta, ainda com a morte
do chefe Sérgio Martins a marcar-lhe a memória, mas
salientando que "seria também necessário alterar as
regras de empenhamento. Quando eu vim para a PSP há 22
anos, havia menos criminalidade e tínhamos mais
liberdade de acção; agora com mais crime e mais
violência, a polícia até tem medo de disparar".

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"Investiram milhares para
arranjar as armas" |
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"Eles tinham muito armamento. Investiram milhares de contos
para o arranjar". Paulo Cunha não tem dificuldades em falar de
um passado que diz querer esquecer. Foi membro do "gangue do
Vale do Sousa" - o grupo que ganhou fama, há quase cinco anos,
pelos assaltos a carrinhas de valores e que é ainda acusado de
envolvimento no homicídio de um inspector da PJ do Porto - e,
apesar de jurar não ter feito parte do núcleo duro do bando, não
esconde a importância dada às armas.
"Eram pesadas, como metralhadoras. Não faço ideiade onde as iam
buscar, só sei que conseguiam as munições nos armeiros", revela
ao JN, ressalvando que apenas participou numa das investidas
(precisamente a que teve um desfecho mortal na sequência da
emboscada da PJ). Recorde-se que João Melo, o inspector abatido,
foi atingido com disparos de uma metralhadora "Kalashnikov".
Em relação a esse incidente, cujo processo será julgado
separadamente ao dos assaltos, Paulo Cunha sublinha que não teve
qualquer intervenção, além do facto de acompanhar o autor dos
disparos. "Não usei nenhuma arma. A minha missão foi apenas
transportar os sacos do dinheiro e conduzir o carro".
"Convite" irrecusável
Condenado em primeira instância a um pena de oito anos (reduzida
para seis pelo Tribunal da Relação) no processo dos roubos, o
mesmo interlocutor acabou por ser libertado, em Abril passado,
depois de ter sido excedido o prazo da prisão preventiva -
esteve quatro anos e três meses na cadeia de Custóias.
Aguarda agora pela decisão do Supremo Tribunal de Justiça,
relativa ao recurso, e por novo julgamento, agora pela morte do
inspector.
De resto, Paulo Cunha diz estar arrependido de ter integrado o
gangue. Mas recorda a proposta milionária que lhe foi feita na
altura. "Disseram-me que o assalto ia render 100 mil contos a
cada um (éramos seis)", confidencia.
"Eu não estava em mim. Fizeram-me a oferta e alinhei. Na altura,
não tinha nada a perder e nem pensei. Não tinha casa nem carro.
Porque não haveria de arriscar?" , argumenta.
Bandos "cada vez piores"
Mesmo tendo integrado um bando que se destacou pela violência,
Paulo vê com surpresa a vaga de criminalidade que tem assolado o
país, e que já resultou, este ano, na morte de quatro agentes da
PSP.
"Pelo que sei das notícias que tenho lido, dá a impressão que os
gangues não fazem as coisas à toa. Estão cada vez mais
violentos, usam mais armas e não se importam de disparar. Estão
cada vez piores", comenta, lembrando que o seu gangue tinha
particular cuidado na preparação de todos os assaltos. "Era tudo
bem planeado. Eles sabiam os trajectos e horários das carrinhas
de valores", diz.
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Armas velhas e sem
condições |
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As armas da GNR e a PSP têm um várias características comuns.
Todas más são velhas e desajustadas, em particular na autonomia,
estão limitadas a um máximo de oito tiros, quando as novas armas
chegam quase ao dobro, para reduzir as possibilidades de quem as
usa ficar sem munições. Hámais de 30 anos que são usadas e por
mais que o Governo fale de renovação quem anda no terreno só
acredita quando vir. A PSP sofreu com essas as indecisões e há
cinco anos foi lançado um concurso para a aquisição de pistolas
que acabou por levar à compra de dois tipos de armas, a HK USP e
a Walther P90, ambas de 9 mm. A compra foi feita em dois
concursos porque não houve dinheiro para comprar as duas mil
armas de uma única vez. Só a PSP de Lisboa recebeu as novas
pistolas e apenas algumas divisões, mas as armas são
completamente distintas, quer no funcionamento quer nos sistemas
de segurança, dificultando a instrução e a manutenção. E a quase
totalidade dos agentes continua com a pistola de 7,65 mm. Na GNR
a situação é apenas diferente no calibre, uma vez que dispõem da
Walther P 38, já de 9 mm, mas há mais de 30 anos. É uma arma
robusta mas pesada, concebida durante a Segunda Guerra Mundial.
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Tráfico de armas
esquecido na lei |
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Armamento é importado, adulterado em oficina e até alugado
entre gangues de assaltantes
A proliferação de armas de fogo ilegais é uma realidade que,
segundo diversas fontes policiais ouvidas pelo JN, tem as mais
variadas origens. As "importações" de Espanha e do Leste da
Europa (calibres 7,65 mm e 9 mm, em particular); os assaltos a
armeiros ou a caçadores e o surgimento, em Portugal, de oficinas
artesanais de transformação de armas - tanto fazem a conversão
de armas de alarme em calibres de guerra como conseguem
sofisticar simples caçadeiras - são algumas das fontes dos
bandos que têm estado mais activos nos últimos tempos. A compra
de peças através da Internet será outro dos métodos adoptados.
Rui Pereira, presidente do Observatório de Segurança,
Criminalidade Organizada e Terrorismo e coordenador da Unidade
de Missão para a Reforma Penal, admite o aumento do fenómeno,
mas sublinha uma lacuna da lei "Não existe o crime de tráfico de
armas, mas somente o de posse ilegal", realçou, apontando
vantagens ao Regime Jurídico das Armas de Fogo, em discussão no
Parlamento.
Armas de aluguer
O aluguer de armas de fogo para serem utilizadas em assaltos ou
outros tipos de crime também será prática corrente.Ou seja, o
armamento poderá "circular" entre os grupos criminosos, tendo
muitas vezes como contrapartida os próprios produtos dos roubos.
Certo é que a questão das armas de fogo é uma realidade nova e
que ainda está a ser "estudada" pelas autoridades nacionais.
Conclusões, para já, são poucas. O tenente-coronel Mário
Antunes, coordenador da Secção de Investigação Criminal da
GNR/Norte reconhece também a "preocupação" que o aumento de
armas ilegais no mercado está a gerar entre as forças de
segurança.
"Temos notado que há de facto cada vez mais armas de calibre de
guerra utilizadas pelos criminosos", comentou.
O mesmo responsável considera que factores como a abertura das
fronteiras e de novas vias rápidas têm tido influência na
proliferação das armas.
PSP apanha mais armas
Apesar do aumento dos crimes com armas de fogo, registou-se uma
diminuição no número total de apreensões.
Segundo os dados revelados pela PSP, até Novembro deste ano
foram apreendidas 2800 armas por parte de todas as forças
policiais, contra as 3245 do ano anterior. Da parte da GNR, até
Outubro deste ano foram apreendidas 1627 armas, número aquém do
registado no ano passado 2333.
Em contrapartida, a PSP registou um significativo acréscimo 1070
armas apreendidas este ano e 702 em 2004. Rui Pereira tem uma
explicação: "O tráfico de armas surge primordialmente a partir
de zonas urbanas".
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Crime violento sobe em
flecha em Portugal |
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Número de assaltos a bancos subiu 92% relativamente ao ano
passado
Roubos com armas cresceram cerca de um terço, e criminalidade
violenta aumentou fortemente
Salta aos olhos e é um facto confirmado pelos números. A
criminalidade violenta está a aumentar fortemente em Portugal.
Quem o garante ao JN é Leonel de Carvalho, secretário-geral do
Gabinete Coordenador de Segurança Interna, na posse de dados
comparativos relativamente a 2004.
Assiste-se ao regresso sistemático de crimes já guardados na
memória de há dez e 20 anos, mas com uma diferença as polícias
são cada vez mais alvo de agressões e disparos, por vezes
mortais. "Em média estamos a assistir a três ou quatro agressões
diárias a agentes de autoridade", sustenta.
Os riscos aumentaram, até porque o "recurso às armas de fogo é
cada vez maior e sem preocupação nos danos que são causados". Em
termos gerais, os números de crimes têm vindo a descer - "embora
não significativamente" -, "mas verifica-se a aplicação de uma
maior violência, em particular no segundo semestre deste ano".
Consequentemente, "existe, no seio das polícias, o receio de
que a criminalidade atinja níveis nunca antes vividos e próximos
dos piores índices europeus a nível de violência", explica
Leonel de Carvalho. Exemplo dado por este responsável é o dos
assaltos a bancos. "Comparativamente ao período homólogo de 2004
aumentaram 92 por cento", afirma.
Banditismo cresce 30%
Os dados na posse da Direcção Central de Combate ao Banditismo
(DCCB) da Polícia Judiciária (PJ) apontam no mesmo sentido. Mas
com a diferença de se referirem não só a assaltos a bancos mas
também a carrinhas de valores, estações de serviço, correios e a
generalidade dos assaltos à mão armada.
"Neste segmento a subida está muito próxima dos 30 por cento",
sublinha ao JN Teófilo Santiago, director-nacional adjunto da PJ.
Além de reconhecer o maior volume de casos com que tem de lidar
diariamente, o responsável máximo da DCCB assume ainda o
sentimento de "maior violência nos crimes". Tudo bastante por
força do uso de armas cada vez mais sofisticadas. Apetrechos
que, em vários casos, colocam a ridículo a forma como se
apetrecham as polícias, além de acentuarem um quadro de extrema
insegurança, pelo fomento de um mercado aparentemente bem
organizado de tráfico de armas. "Mas a situação não está fora de
controlo. Estamos atentos", avisa Teófilo Santiago.
"Não aumentaram tanto os crimes contra as pessoas. Mas cresceu
o número de crimes contra o património, com uso de armas de fogo
e violência, que se reflecte nas pessoas", assinala, por sua
vez, Rui Pereira, presidente do Observatório de Segurança,
Criminalidade Organiza e Terrorismo, atento ao aumento
"paulatino, desde há dez anos", fruto de "tendências urbanas",
de criminalidade que apoia a sua violência pela força das armas
de fogo.
O aumento da criminalidade violenta ainda beneficia do vazio
legal existente quanto ao crime de tráfico de armas. A
quantidade de dinheiro disponível torna-se, assim, na única
condicionante à quantidade e qualidade do armamento que é
possível adquirir no mercado negro, como explicou ao JN um dos
membros do antigo gangue do "Vale do Sousa", grupo que, há
quatro anos, matou a tiros de metralhadora o inspector da PJ,
João Melo. Dinheiro que sobra aos assaltantes na medida em que
tem faltado às polícias.
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Homicídio do chefe Martins
Falta um helicóptero às polícias |
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O recurso à utilização de um helicóptero, nas horas imediatas ao
homicídio do chefe Martins, da PSP, poderia ter levado à captura
quase imediata do gang, admitiu ontem fonte ligada à PJ.
“Os helicópteros são fundamentais no combate ao crime, com o
apoio dos novos equipamentos de videovigilância e detecção que
os dotam”, disse a nossa fonte.
“Porém há equipamentos muito mais baratos, para prevenção e
acção operacional que poderiam condicionar mais o crime e tornar
a polícia mais operativa”, acrescentou.
Tanto quanto o Correio da Manhã sabe, as forças policiais não
fizeram uso desse recurso, quer requisitando uma destas
aeronaves à Força Aérea quer aos bombeiros.
“O helicóptero ao serviço dos bombeiros, no Algarve, não foi
requisitado”, disse fonte ligada aos bombeiros, acrescentando:
“No entanto registe-se que este helicóptero só é utilizado para
operações de resgate e salvamento, mas admitimos que se fosse
requisitado para outras missões, desde que devidamente
fundamentadas junto do Centro Nacional das Operações de Socorro
[que o tutela], ele poderia ser utilizado num caso como este,
embora não seja esta a sua missão. No entanto, nestes casos
faria mais sentido ser usado um ‘heli’ da Força Aérea”.
Por sua vez, o porta-voz da Força Aérea referiu ao nosso jornal
desconhecer a requisição de alguma das aeronaves deste ramo
militar.
Em 1987, aquando das operações da Polícia Judiciária para a
captura, no Algarve, de Faustino Cavaco e Vítor Cavaco, evadidos
da prisão e considerados altamente perigosos, pelo rasto de
sangue que deixaram para trás, por duas vezes foram usados
helicópteros da Força Aérea. “No entanto, as capturas foram
feitas por terra, sem apoio do ar”, relembrou um dos inspectores
envolvidos nessas operações.
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Metralhadoras sem uso |
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Uma das maiores operações de caça ao homem de que há memória em
Portugal decorre sem êxito há precisamente uma semana, no
Algarve. O chefe Sérgio Martins foi assassinado com um tiro de
caçadeira na cabeça, faz hoje uma semana, por um perigoso gang
de assaltantes. Os suspeitos do crime ainda estão a monte. As
autoridades acreditam que o grupo se possa ter dividido e têm
vindo a alargar as buscas ao Centro do País.
As forças da PSP e da GNR que sob coordenação da Judiciária
perseguem o gang dispõem de equipamento e armamento já antigo –
mas a GNR tem no Algarve pelo menos 80 pistolas-metralhadoras
Famae encaixotadas, novas em folha, que aguardam distribuição
pelas patrulhas.
FALTA FORMAÇÃO
Dado o elevado grau de perigosidade do gang, as autoridades
decidiram adoptar cuidados excepcionais com a segurança: todos
os carros--patrulha da PSP estão equipados com
pistolas-metralhadoras Beretta, arma com mais de dez anos de
uso, e os da GNR com a espingarda-automática G3, que contam com
décadas de serviço. A Guarda dispõe ainda no Algarve de cerca de
uma centena de pistolas-metralhadoras Famae. Só que a
generalidade dos militares não pode usar estas armas novas por
falta de formação.
O porta-voz do Comando da GNR, tenente-coronel Costa Cabral,
confirma que as armas estão armazenadas, mas garante que no
Algarve os militares das Forças de Intervenção Rápida dispõem de
formação e estão e equipados com a referida
pistola-metralhadora. O CM apurou que existem duas Forças de
Intervenção na região, totalizando duas dezenas de homens. Isto
significa que pelo menos 80 pistolas-metralhadoras permanecem
encaixotadas.
O tenente-coronel Costa Cabral adianta que “está previsto a GNR
receber mais armas e, à medida que isso for acontecendo, será
dada a necessária formação aos restantes militares para que as
possam usar”.
De acordo com o porta-voz da GNR, a G3 tem, no entanto, “uma
maior capacidade de resposta e um maior poder de fogo do que a
pistola-metralhadora Famae, sendo uma arma já antiga mas
bastante fiável”. A vantagem das pistolas-metralhadoras
prende-se com a sua utilização em zonas urbanas: “Os projécteis
fazem uma trajectória mais curta, pelo que existe um menor risco
de serem provocados danos colaterais”.
A PSP tem em permanência no Algarve cerca de uma centena de
elementos do Corpo de Intervenção, que estão equipados com
pistolas-metralhadoras AK45. Existem também algumas armas iguais
nas esquadras de investigação criminal.
BUSCAS EM ESPANHA
Segundo as nossas fontes, a PJ, que coordena a perseguição ao
gang, alargou as buscas ao Sul de Espanha, onde os assaltantes
terão o seu ‘quartel-general’, na zona de Sevilha. As
autoridades espanholas estão a colaborar activamente com a
Polícia Judiciária.
Em Portugal, as operações de caça ao homem envolvem todas as
forças de segurança, verificando-se um reforço do patrulhamento,
sobretudo à noite. Movimentos considerados mais suspeitos são
comunicado à PJ.
IMAGENS AJUDAM NAS BUSCAS
Imagens obtidas horas antes da tentativa de assalto ao Ecomarché
de Budens, pelo sistema de videovigilância de uma bomba de
gasolina, já permitiram à Judiciária identificar alguns dos
membros do grupo.
Os indivíduos foram filmados quando bebiam café, numa altura em
que, ao que tudo indica, se deslocavam em direcção ao Ecomarché
de Budens, provavelmente em acção de reconhecimento. No Algarve,
apenas cerca de 40 por cento das bombas dispõem de
videovigilância.
O presidente da Associação Nacional de Revendedores de
Combustíveis, António Saleiro, revelou ao CM que está em cima da
mesa a hipótese de as petrolíferas virem a custear a instalações
de mais sistemas.
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Multas -
carros-patrulha da BT e da PSP equipados com novo sistema
Computador na estrada |
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Transparente e eficaz, assim se quer o patrulhamento do futuro.
Chama-se Sistema Estratégico de Informação, foi ontem
apresentado e será o ‘Big Brother’ das estradas portuguesas. Vai
equipar todos os veículos da Brigada de Trânsito da GNR e
divisões de trânsito da PSP, substituir o velho rádio e,
garantem, por a nu todo o passado do condutor. A estreia está
marcada já para a ‘Operação Natal’.
A burocracia tem os dias contados. O sistema informático faz
parte do programa ‘Polícia em Movimento’ e põe cobro à actual
imagem do “dactilógrafo em movimento”, como lhe chamou o
ministro da Administração Interna, António Costa, durante a
cerimónia, no Estoril.
E tudo porque, através do novo equipamento móvel, com impressora
incluída, “o condutor autoado recebe logo uma cópia do auto, em
formato A5.” As multas são digitadas só uma vez, pelo agente, e
transmitidas automaticamente para as bases de dados da PSP, GNR
e Direcção-Geral de Viação (DGV).
Segundo António Costa, PSP e GNR passam a ter “melhores
ferramentas para exercer as suas funções com mais eficácia e
segurança. Trata-se de um projecto de futuro, para duas forças
de futuro”.
E quando o ministro fala de segurança para os agentes, é
simples. “Conforme as informações que obtêm sobre o condutor, em
tempo real, podem tomar decisões no terreno, em função do grau
de risco”, explicou o major Lourenço da Silva da BT.
O novo sistema informático tem um portal de acesso às bases de
dados da DGV, GNR ou PSP e as vantagens são claras. “Se a
patrulha se deparar com um condutor procurado por um crime
grave, avalia a sua forma de agir”.
O comissário Mário Pereira, da PSP, lembrou que “fazendo uma
pesquisa pelo nome do condutor ou alcunha é possível receber
pacotes de informação com a morada, todo o tipo de ocorrências
pendentes, ou mandados de captura”.
O Sistema Estratégico de Informação está a ser progressivamente
instalado nos veículos da BT e PSP e vai estar nas estradas
nacionais, de Norte a Sul, já na próxima semana.
SISTEMA MAIS TRANSPARENTE
Um dos atributos do Sistema Estratégico de Informação é primar
pela transparência. Ou seja, quando o agente acede ao sistema
informático, para passar um auto de contra-ordenação, “o auto
fica imediatamente registado na base de dados da Direcção-Geral
de Viação”, segundo o major Lourenço da Silva, da Brigada de
Trânsito. E assim, diz, “o sistema pode ser auditado a todo o
momento pelas diversas entidades, para saber o que foi feito
pelos agentes no terreno.”
Aquela que já é conhecida como a ‘esquadra móvel’ vai cortar com
grande parte da burocracia e será, segundo o comissário Mário
Pereira, da PSP, um contributo importante para reduzir “os 25
por cento de pessoal efectivo com funções administrativas”.
O novo sistema informático deverá ser também alargado à Brigada
Fiscal.
OUTROS PORMENORES
ORÇAMENTO
A aquisição do novo Sistema informático custou dois milhões de
euros ao Estado. Este ano, já foram gastos um milhão de euros em
prevenção rodoviária e 900 mil na aquisição de alcoolímetros,
balanças e radares.
DISTRIBUIÇÃO
Para já, serão atribuídos mil equipamentos à PSP e GNR. Todos os
veículos estarão equipados até Março de 2006. Em Janeiro, o
sistema também começa a ser fornecido a agentes que fazem
patrulhamento a pé.
ACIDENTES
O comissário Mário Pereira, da PSP, lembra que se registam, em
média, 200 acidentes por dia e um morto em cada dois dias, só na
área da PSP. “Esperamos que o novo sistema ajude a diminuir
estes números”, disse. |
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