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“Falta
de meios e formação na PSP contribuiu para a morte de Sérgio
Martins”
Sindicato processa responsáveis
políticos pela morte de agente em Lagos |
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O Sindicato dos Profissionais de Polícia decidiu hoje
processar judicialmente "os responsáveis políticos e tutelares"
da PSP pela morte em serviço de um agente em Dezembro em Lagos,
Algarve.
"Confirmando-se que a falta de meios e formação na PSP
contribuiu para a morte do chefe Sérgio Martins, há que
processar judicialmente os responsáveis políticos e tutelares
pela situação", adiantou António Cartaxo, dirigente do Sindicato
dos Profissionais de Polícia (SPP/PSP) no Algarve, à Lusa.
A queixa do SPP/PSP será formalizada nos próximos dias junto
do Ministério Público, através do Departamento de Investigação e
Acção Penal de Lisboa. A decisão foi tomada hoje em
assembleia-geral do SPP/PSP, realizada na sede da organização,
em Lisboa.
No próprio dia 10 de Dezembro, em que Sérgio Martins foi
abatido, o SPP/PSP admitiu responsabilizar criminalmente o
ministro de Estado e da Administração Interna, António Costa, e
outros responsáveis políticos pelo "laxismo existente nas
condições de trabalho" concedidas aos agentes, que a estrutura
sindical considerou levar à morte de polícias em serviço.
O SPP/PSP reagia, assim, à morte em serviço do agente da PSP,
durante a madrugada de 10 de Dezembro, em Lagos, numa troca de
tiros com um grupo de homens que tentara assaltar uma caixa
multibanco em Vila do Bispo.
"Só começando a responsabilizar política e criminalmente os
responsáveis políticos, poderemos acabar ou fazer diminuir estas
tragédias que ciclicamente ocorrem", sustentou António Cartaxo.
O SPP/PSP assinala que no Algarve, há dois anos, o graduado
Armando Lopes - morto durante uma perseguição policial na Ponte
Internacional do Guadiana - foi vítima das mesmas "carências
materiais existentes na PSP".
O director da Polícia Judiciária de Faro, Guilhermino da
Encarnação, anunciou no dia 4 deste mês, em conferência de
imprensa, que o núcleo duro do grupo de assaltantes que matou a
tiro o polícia Sérgio Martins foi desmantelado com a detenção,
em Espanha, do presumível autor dos disparos e do líder da
quadrilha.
O responsável da PJ precisou que foram detidos oito elementos
do grupo, mas que só depois das investigações será possível
apurar quantos estão directamente ligados à morte do chefe da
PSP de Lagos.
Contudo, segundo Guilhermino da Encarnação, tudo indica que
os dois homens detidos no bairro El Vacie, em Sevilha, sul de
Espanha, são o cabecilha do grupo (Augusto Soares dos Anjos,
conhecido como "Pecas", de 30 anos) e o autor material do crime
(de identidade desconhecida e com 25 anos).
De todos os elementos detidos até agora, apenas um está em
território nacional, adiantou o director nacional da PJ, José
Santos Cabral, embora exista a hipótese de outros serem
extraditados em breve para Portugal.
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Segurança - Governador civil quer começar em Maio
Ruas do Algarve com
videovigilância |
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Usar a videovigilância para fazer diminuir a criminalidade no
Algarve pode tornar-se uma realidade a partir de Maio, altura em
que deverão estar operacionais as primeiras câmaras a instalar
nas ruas das cidades algarvias.
A ideia lançada pelo governador civil de Faro está em fase de
estudo e deverá avançar numa cidade-piloto até chegar aos 16
concelhos da região onde, em 2005, as práticas criminais
registaram uma redução de cerca de dez por cento em relação a
2004.
“Perante a evolução das práticas criminosas somos obrigados a
encontrar soluções inovadoras. As tecnologias terão de ser
usadas na prevenção e detecção do crime ”, explicou o
governador, António Pina, que se reuniu ontem com representantes
da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do
Algarve, Junta Metropolitana do Algarve, Associação de
Comerciantes da Região do Algarve, Região de Turismo do Algarve
e Globalgarve para avaliarem o projecto.
António Pina reunirá ainda com os comandos da PSP e GNR no
distrito e com o presidente da Comissão Nacional de Protecção de
Dados, a quem cabe dar parecer ao projecto após a sua aprovação
pelo Ministério da Administração Interna. “Temos de ter a
certeza que a Lei n.º1 de 2005, que regula a utilização de
câmaras de vídeo pelas forças e serviços de segurança em locais
públicos, permite a sua implementação” salientou o governador. O
referido diploma prevê a videovigilância como “protecção da
segurança das pessoas e bens, públicos ou privados, e prevenção
da prática de crimes em locais em que exista razoável risco da
sua ocorrência”.
O projecto acolhe a receptividade das forças de segurança. O
intendente Jorge Cabrita, comandante da PSP de Faro, reconhece a
utilidade do sistema na prevenção do crime: “Defendemos a ideia
como uma mais-valia para a segurança pública desde que esteja de
acordo com a legislação em vigor”, sublinhou.
ESSENCIAL MAS COM REGRAS
“A videovigilância é hoje um elemento essencial para defender a
ordem pública e prevenir a criminalidade”, afirma Rui Pereira,
presidente do Observatório de Segurança, Crime Organizado e
Terrorismo. No entanto, “no âmbito da videovigilância há uma
distinção, que resulta da Constituição, sobre o direito à
intimidade e o direito de reserva da vida privada. Assim, não é
admissível vigilância nas casas de banho, mas é legítima em
locais públicos ou abertos ao público”.
Rui Pereira assinala ainda que, segundo é exigido pela
legislação portuguesa e pela Comissão Nacional de Protecção de
Dados, sempre que há videovigilância, o público deve ser
informado. “Deve ser respeitado o princípio de lealdade do
Estado”, disse.
APANHADOS
GANG DO 'PECAS'
O gang do ‘Pecas’, que esteve por detrás do assassínio do chefe
Martins da PSP de Lagos, foi identificado pela videovigilância
quando, a 24 de Novembro, roubou a caixa de multibanco no posto
de combustível da Galp em Pêra, Silves.
ARRASTÃO
Logo após o arrastão de 10 de Junho na Praia de Carcavelos,
Cascais, a PSP instalou câmaras de videovigilância que
transmitiam para a sede da PSP de Cascais imagens em tempo real
do areal, do paredão e dos acessos à praia. Tratou-se de uma
medida preventiva, explicou então o ministro da Administração
Interna .
REDUÇÃO DE CRIMES
Nos primeiros 11 meses de 2005 as forças de segurança no Algarve
registaram menos 10,6 por cento de participações de crimes em
relação ao mesmo período de 2004. No período em apreço, apenas
aumentaram os crimes contra o Estado e contra pessoas, e caíram
as taxas percentuais dos crimes contra o património e a vida em
sociedade.
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"Hoje
há uma banalização do uso de uma arma de fogo"
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Os atentados contra a vida de agentes da autoridade
representam uma "degradação do Estado de direito". Esta é a
opinião de Rui Sá Gomes, membro do Observatório de Segurança,
Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT), para quem o
emprego de uma arma de fogo, mesmo em crimes menores, se tornou
uma "banalidade".
Em declarações ao DN, este especialista em segurança interna
considerou que o fenómeno das armas de fogo deve merecer
"preocupação". Isto porque, nos últimos anos, tem-se verificado
um aumento no emprego de armas, mesmo nos chamado pequenos
crimes, como os crimes contra o património. "Se há uns anos quem
queria cometer um crime de furto ia preparado para roubar e
fugir, hoje vai preparado para o que der e vier", isto é, para
encontrar oposição e retaliar.
E é a reacção à oposição (quer seja por forças policiais ou de
segurança privada) que tem gerado mais preocupação. Rui Sá Gomes
fala mesmo numa "sociedade violenta" que tem como pano de fundo
uma "cultura da violência".
Cultura esta que se reflecte na forma como quem comete um crime
reage à presença das autoridades policiais como força de
oposição. "Tem havido uma degradação da autoridade do Estado",
nestes casos representado na figura do agente da PSP ou no
soldado da GNR. Segundo Rui Sá Gomes, não há da parte de quem
está a cometer um crime qualquer tipo de "contenção para o facto
de ter à sua frente um agente do Estado". O que não acontecia há
uns anos.
E, como salientou Carlos Anjos, presidente da Associação
Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal (ASFIC) da PJ,
"os casos de agressão a forças policiais têm acontecido com
polícias fardados, sejam da GNR ou PSP". Ou seja, mesmo nos
pequenos crimes, o agente da autoridade poderá ter deixado de
ser uma referência dissuasora, passando a ser mais um obstáculo
a ultrapassar.
Este dirigente sindical sublinha que é "em tempo de crise
económica que o crime tem tendência para aumentar", realçando
uma especial preocupação com as armas ilegais em circulação e
com a facilidade com que estas podem ser adquiridas quer em
Portugal quer no Leste da Europa.
Daí que, para Paulo Rodrigues, presidente da Associação Sindical
dos Profissionais da PSP (ASPP), os conceitos de policiamento de
proximidade devem ser reajustados ao novo paradigma social.
"Mais polícias na rua não quer dizer mais segurança, mas pode
querer dizer mais insegurança por parte dos próprios", declarou
ao DN.
Para o dirigente sindical, o poder político tem que repensar a
estratégia das forças de segurança, porque "a actual não tem
sido a mais adequada". E dá como exemplo o caso da Inglaterra,
onde "não se vêm muitos polícias na rua". "Mas há um sistema de
videovigilância que permite identificar todo o tipo de
ocorrências e levar a polícia a agir atempadamente", referiu.
O actual Governo aprovou recentemente uma nova lei para o uso e
porte de arma, que aumenta o número de requisitos para a
adquirir. No entanto, os especialistas duvidam da sua eficácia.
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PJ procura grupo violento
que actua na zona centro |
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A Polícia Judiciária está a investigar a eventual ligação
entre o ataque de anteontem a dois militares da GNR e outros
casos recentes protagonizados por um grupo armado que actua na
zona de Aveiro e que já terá à sua conta pelo menos dois
homicídios.
Em Maio de 2005 uma outra patrulha da Brigada de Trânsito foi
atacada por um grupo de indivíduos, que também circulava num
carro roubado e disparou contra o veículo das forças da
autoridade. Na sequência de uma perseguição, foram disparados
vários tiros e a noite acabaria com os agentes da BT em
retirada. Horas depois ocorreu o homicídio de um
guarda-nocturno, em Fradelos, Albergaria-a-Velha, abatido no
carro com mais de 30 tiros disparados contra a viatura.
O caso encontra-se ainda em investigação, já que os autores
deste homicídio poderão ter ligações com um outro caso ocorrido
semanas antes, também na zona de Aveiro, em que foi abatida uma
pessoa que terá testemunhado uma tentativa de furto de uma
vitura.
A facilidade com que este grupo dispara armas de fogo, contra
qualquer pessoa mas, em particular, contra agentes de
autoridade, tem uma similitude com a agressão de anteontem aos
militares da Brigada de Trânsito. Até à morte do guarda-
-nocturno a PJ já tinha apurado que as armas utilizadas terão
disparado dezenas de vezes contra agentes das forças de
segurança.
"Atiraram a matar"
Desta vez, foi igual. "Atiraram a matar". Esta é a leitura feita
pelos colegas dos dois agentes da GNR baleados domingo à noite,
em Estarreja. Os autores dos disparos, que viajavam num Honda de
cor vermelha com matrícula falsa e estavam a ser seguidos pelos
dois guardas na sequência de infracções ao Código da Estrada,
abrandaram a viatura e esperaram que o carro da GNR estivesse a
par. Dispararam então quatro tiros de uma pistola de calibre
superior a 6,35 milímetros. Portanto, ilegal. "São armas que não
estão acessíveis ao comum dos cidadãos", disse ao DN Manuel
Afonso, capitão do destacamento territorial de Ovar.
Um dos guardas foi atingido no pescoço e a bala alojou-se na
região cervical. O outro, que conduzia a viatura, viu o braço
esquerdo ser perfurado por uma bala que entrou e saiu. Apesar
disso, ainda teve condições para conduzir a viatura nos poucos
metros que os separavam do hospital, onde receberam os primeiros
cuidados.
De acordo com Manuel Afonso, não é a primeira vez que algumas
viaturas de forças policiais são atingidas a tiro na região. "Há
nesta zona alguma criminalidade", explica o capitão da GNR, mas
é a primeira vez que se verifica um caso de violência tão
desproporcionada face a um acto normal por parte dos agentes de
segurança, como tentar identificar um condutor infractor.
Teófilo Santiago, responsável pela Direcção Central de Combate
ao Banditismo, disse ao DN que estes grupos são diferenciados na
sua composição e que actuam "com grande mimetismo", merecendo um
forte empenho da PJ no seu combate.
Fonte da PJ do Porto disse ontem ao DN que ainda estão a ser
efectuadas as primeiras diligências na investigação, mas, dados
os contornos, tudo aponta para indivíduos com currículo no
crime. Opinião corroborada pelo capitão Manuel Afonso, para quem
a reacção dos indivíduos à presença dos soldados da GNR é
reveladora quanto ao grau de ameaça do indivíduos.

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Viseu - comandante da
PSP sugere
Intendente defende fusão das
polícias |
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O
comandante da PSP de Viseu, intendente Simões de
Almeida, defende a fusão de todas as forças de segurança
e investigação do País, considerando que uma polícia
nacional, dividida em vários departamentos
especializados, “seria mais eficaz e eficiente”. |
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Esta é uma das ideias que Simões de Almeida vai expor hoje,
na cidade de Lamego, durante uma conferência inserida
nas comemorações do 129.º aniversário da PSP de Viseu.
Sob o tema ‘Organização Policial na Europa
Contemporânea’, o oficial da PSP vai defender uma
opinião que já tem “há muito tempo” e que, entre outros
aspectos positivos, levaria “à economia de meios” e
“aproximava, ainda mais, as forças de segurança aos
cidadãos”. “É apenas uma opinião muito pessoal que vale
o que vale”, referiu ao CM o intendente Simões de
Almeida, que não se quis pronunciar sobre o eventual
fecho da esquadra de Lamego, cidade com menos de 15 mil
habitantes.
Numa altura em que a PSP de Viseu comemora o 129.º
aniversário, Simões de Almeida salienta que, apesar de a
cidade ter atingido nos últimos anos um “elevado grau de
desenvolvimento”, os níveis de criminalidade “têm-se
mantido estáveis”. “De um modo geral, Viseu é uma cidade
que oferece segurança aos cidadãos”, adianta o
intendente, salientando que o furto “é o crime que tem
‘furado’ a boa estatística criminal”. Mesmo assim refere
que, sempre que a denúncia é contra desconhecidos, o
nível de eficácia de identificação dos autores “é de 65
por cento”. “Uma cifra boa e que é mérito das nossas
equipas de investigação criminal”, disse.
Simões de Almeida regozija-se também por, em Viseu, ter
“o tráfico de droga controlado”, afirmando que os
consumidores se vão abastecer na zona do Porto ou em
Espanha. “Não damos hipóteses aos traficantes”, afirma
de forma peremptória.
O comando de PSP de Viseu conta com a colaboração de 270
homens – um intendente, um subintendente, um comissário,
quatro subcomissários, 31 chefes e 194 agentes. Neste
momento tem 38 vagas no quadro por preencher.
GOE SIMULA RESGATE
As comemorações do 129.º aniversário da PSP de Viseu
decorrem hoje e amanhã. Em Lamego, as cerimónias começam
às 14h00 de hoje com uma evocação histórica, seguindo-se
a conferência de Simões de Almeida, que abordará a
organização policial na Europa contemporânea. Para a
avenida Dr. Alfredo de Sousa está prevista uma
demonstração cinotécnica. Segunda-feira, em Viseu, será
içada a bandeira no edifício da sede de comando e
celebrada uma missa pelos falecidos da PSP da cidade.
Seguir-se-ão a imposição de condecorações, apresentações
animadas sobre as actividades do Grupo de Operações
Especiais (GOE), intervenções do presidente da Câmara de
Viseu, do director nacional da PSP e um debate sobre o
policiamento de proximidade. Está previsto um exercício
de simulação de libertação de reféns, pelo Grupo de
Operações Especiais.
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Crime - mais
116 casos nos primeiros nove meses de 2005 do que em 2004
Aumentam agressões à PSP |
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Nos primeiros nove meses de 2005 (entre Janeiro e Setembro,
inclusive), 690 profissionais da PSP foram agredidos em serviço.
Três deles foram mesmo mortos a tiro. Um aumento de 116 casos em
relação ao mesmo período de 2004, quando ‘apenas’ 574 agentes
foram agredidos quando vestiam a farda. Nesse ano não se
registou qualquer morte.
Na estatística relativa aos primeiros nove meses de 2005 já
estão incluídas as mortes dos agentes Ireneu Diniz, António
Abrantes e Paulo Alves, todos da PSP da Amadora e abatidos a
tiro no desempenho das funções. Falta, no entanto, averbar a
morte de Sérgio Martins, chefe da PSP de Lagos, ocorrida em
Dezembro às mãos do gang de assaltantes chefiado por ‘Pecas’.
Faltam ainda as agressões de que dezenas de agentes foram alvo
nos últimos três meses do ano.
“Além das mortes em serviço, os números incluem feridos graves,
ligeiros, e sem necessidade de tratamento hospitalar”, disse ao
CM fonte da PSP. Números definitivos só serão conhecidos no
Relatório de Segurança Interna.
Quem irá fazer parte destas estatísticas é o agente Queirós.
Este elemento da 11.ª esquadra da PSP de Lisboa fazia, a 10 de
Dezembro, uma patrulha quando detectou um Honda Civic suspeito,
na Morais Soares.
Ao ver o carro-patrulha, o condutor da viatura acelerou. Metros
depois, na Rua José Falcão, os dois suspeitos abandonaram o
carro, separando-se na fuga.
O agente Queirós separou-se também do seu colega, perseguindo um
dos detidos até à Rua António Pedro. No momento em que foi
interceptado, o fugitivo, um cabo-verdiano de 18 anos, sacou de
uma navalha, esfaqueando o agente na cabeça, no lado direito da
cara, e no peito, a centímetros do coração.
Mesmo ferido, o agente Queirós conseguiu, com a ajuda de um
colega à paisana e de populares, prender o indivíduo que apenas
ficou sujeito a apresentações periódicas à PSP.
Quase um mês depois do acidente, o agente Queirós ainda está de
baixa. Ostenta uma cicatriz profunda na cara, e corre o risco de
ficar desfigurado para o resto da vida.
MAIS VIOL~ENCIA E MENOS MORTOS
Com 8 milhões de residentes e um número de crimes superior a
Portugal (550 homicídios, 1697 violações e 23 239 roubos com
violência até 20 de Dezembro), a cidade de Nova Iorque, nos
Estados Unidos, teve, em 2005, apenas dois agentes do seu
departamento de polícia assassinados a tiro, contra os quatro
registados pela PSP (três na Amadora e um em Lagos).
Apesar do ‘reduzido’ número de baixas, a reacção das autoridades
foi rápida. Foram contratados mais 100 agentes – com um
orçamento de 24 milhões de dólares – para fazer cumprir a
recém-aprovada lei contra a posse ilegal de armas (15 mil são
apreendidas todos os anos em Nova Iorque, pouco mais de 3 mil em
Portugal) e dada maior liberdade aos agentes para usar a arma.
Para isso, 27 mil polícias tiveram aulas de tiro.
PORMENORES
SEM CARTA
E. Tavares, o agressor do agente Queirós, é um cabo-verdiano de
18 anos, residente na zona do Lumiar, em Lisboa. Sentou-se ao
volante do Honda Civic sem ter carta de condução.
ASSISTÊNCIA
Não se sabe quando o agente Queirós regressará ao trabalho. Para
já, permanece em casa, e visita periodicamente o centro clínico
da PSP de Lisboa, onde recebe assistência médica.
SINDICATO
Para a Associação Sindical Independente de Agentes da PSP, as
agressões a agentes só serão atenuadas quando os agressores
forem punidos com penas de prisão efectivas.
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Morte do chefe
Martins - Núcleo duro do gang desmantelado em Espanha
Presos Pecas e atirador |
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O autor material do homicídio do chefe da PSP de Lagos, Sérgio
Martins, ocorrido no dia 11 de Dezembro, foi detido ontem, pelas
05h30 (hora portuguesa), no acampamento cigano de El Vacie, em
Sevilha. Também o líder do gang responsável por vários assaltos
a caixas multibanco, conhecido por ‘Pecas’, foi apanhado no
mesmo local pelas autoridades espanholas em colaboração com a
Polícia Judiciária.
O autor do disparo fatal de caçadeira – que atingiu o polícia
na cabeça –, identificado como Florentino S.J., tem 25 anos e é
português naturalizado espanhol, à semelhança de ‘Pecas’. Com
estas detenções, que se juntam a outras seis efectuadas nos
últimos dias, cinco das quais em Espanha, a PJ acredita que “o
núcleo duro do gang foi desmantelado”.
A PJ garante que tanto os dois indivíduos ontem capturados como
outros dos já detidos, com idades entre os 24 e os 30 anos,
estarão relacionados com o assalto que resultou no homicídio do
chefe da PSP.
Por capturar estão ainda três suspeitos de pertencerem ao gang
de Augusto Soares dos Anjos (‘Pecas’), sobre os quais pendem
mandados de detenção internacionais. O grupo contará ainda com
outros elementos espanhóis.
“Actuam sem regras, são violentos e matam quem se atravesse no
seu caminho. Querem roubar para viver e têm-no feito”, revelou
ontem Carlos do Carmo, da PJ de Portimão.
A operação do Corpo Nacional de Polícia espanhol envolveu de 50
polícias, entre elementos do Grupo de Operações Especiais,
militares a cavalo, em motos e apeados, e cerca de uma dezena de
inspectores da PJ de Portimão e Faro. As autoridades entraram na
barraca quando os dois suspeitos dormiam. Não tiveram
possibilidade de reagir. “Não houve resistência nem troca de
tiros”, revelou o director da PJ de Faro, Guilhermino da
Encarnação. Em El Vacie foi apreendido material “relacionado com
o homicídio”.
O acampamento, para onde o gang se deslocou ainda antes da
barreira policial montada na fronteira do Guadiana, começou a
ser vigiado logo após o homicídio, mas os suspeitos não
permaneceram sempre no mesmo local, o que dificultou a
localização. A polícia espanhola colocou-se no terreno no dia
14.
‘Pecas’ e o presumível homicida foram detidos ao abrigo de um
mandado de detenção europeu (Euroordem) emitido pelo Tribunal de
Lagos – que chegou a Espanha dia 22 – e um de busca do Tribunal
de Sevilha. Foram presentes à Audiência Nacional (Tribunal) de
Madrid e encaminhados para uma cadeia de Sevilha. Dos oito
detidos, até agora só um está em Portugal. Passou pela cadeia de
Faro e encontra-se em prisão preventiva no Linhó, Sintra. Os
restantes serão entregues em breve pela Europol às autoridades
portuguesas.
ASSALTOS FEITOS EM FAMÍLIA
Augusto Soares dos Anjos (na foto), mais conhecido por ‘Pecas’,
natural das Caldas da Rainha mas naturalizado espanhol, tem 30
anos e lidera um gang com mais de uma dezena de assaltantes e
uma base familiar. Detidos em Sevilha foram, no dia 27,
Francisco Anjos e Adolfo Ramirez Rosa, respectivamente irmão e
cunhado de ‘Pecas’.
No dia 29, Mário Anjos (irmão de ‘Pecas’) e Ricardo J.J., no dia
31, Arturo R.R., e, ontem, ‘Pecas’ e Florentino S.J. ‘Pecas’ é
suspeito de 50 crimes à mão armada e já havia sido detido a 28
de Abril de 2005, em Albufeira por roubo num armazém. Foi
libertado pelo Tribunal da Relação de Évora, a 23 de Novembro.
JUIZ FEZ PARAR OPERAÇÃO NO DIA 22
A PJ e a polícia espanhola tiveram tudo preparado no dia 22 de
Dezembro para apanhar o gang no acampamento de El Vacie, onde os
suspeitos já tinham sido localizados – era ali a sua base
operativa. Mas, segundo apurou o CM, a operação acabou por ser
cancelada porque um juiz de Sevilha achou não estar reunida a
informação necessária para emitir os mandados de busca para
entrar nas barracas e prender os suspeitos.
A situação criou algum mal-estar na PJ, que tinha mandados
europeus de detenção emitidos pelo tribunal de Lagos. A PJ
regressou ao bairro e fez fotografias dos suspeitos a entrar e
sair das barracas e as buscas foram autorizadas. As detenções
começaram a 27, dia do tiroteio que visou elementos do gang em
El Vacie. O pai e dois irmãos de ‘Pecas’ ficaram feridos.
PORMENOTRES
ANTECEDENTES
Dos oito elementos do gang detidos até agora, todos têm
antecedentes criminais e já estavam referenciados pelas
autoridades portuguesas e espanholas por participação em
assaltos. Alguns deles já estiveram detidos. Sobre os membros do
gang pendem mandados de detenção não só do Tribunal de Lagos,
mas também de Tavira e Loulé, onde efectuaram assaltos.
REFLEXÃO
O director nacional da PJ, Santos Cabral, que ontem se deslocou
a Faro, espera “que este caso faça reflectir todos os que
pensarem em perpetrar crimes desta gravidade. “A PJ vai onde for
necessário e faz aquilo que for preciso para que gente que
comete crimes desta gravidade não fique impune”, garantiu Santos
Cabral.
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Número de armas
apreendidas pela PSP subiu 52% |
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A PSP apreendeu 1070 armas até Novembro de 2005, o que
representa um acréscimo de 52% em relação ao mesmo período de
2004. Em números absolutos, são mais 368 armas apreendidas.
Segundo o chefe da divisão de Análise de Informações Policiais
da PSP, comissário Alexandre Coimbra, até Novembro foram
apreendidas por todas as forças policiais 2800 armas - uma média
de oito por dia. No total do ano passado, este número ascendeu a
3245 - cerca de nove apreensões diárias.
No entanto, só será possível saber se o número de armas
apreendidas subiu em relação a 2004 quando a GNR e a PJ
divulgarem os seus dados referentes a Dezembro de 2005 - a PSP
já sabe que, entre 1 de Dezembro e 2 de Janeiro, foram
apreendidas na sua área de intervenção 45 armas.
O DN apurou já junto da PJ que o número de armas automáticas
utilizadas em acções criminosas apreeendidas por esta força
policial em 2005 subiu em relação ao ano anterior. Segundo fonte
da Directoria de Lisboa, este dado é mesmo motivo de grande
preocupação naquela polícia.
A mesma fonte disse ao DN que a "recuperação de armas de fogo"
tem sido uma estratégia de investigação "transversal" a todos os
departamentos da PJ. Porém, o facto de estas estarem em
circulação e serem utilizadas com fins criminosos está a gerar
alarme, uma vez que o mais comum eram apreensões de caçadeiras
de canos cerrados, pistolas 6,35 mm ou pistolas de alarme
adaptadas.
De acordo com os números da Direcção Central de Combate ao
Banditismo da PJ - avançados ontem pelo DN -, os crimes
violentos em Portugal aumentaram 32% em 2005. No entanto,
segundo o comissário da PSP, este ano houve uma diminuição de
12% da criminalidade global. Alexandre Coimbra justifica a
contradição com o número de "itens" analisados para a
contabilidade, acrescentando que a PSP leva em conta 12 itens "e
não dois ou três".
Entre 1 de Dezembro e 2 de Janeiro, a PSP registou 194 assaltos
armados a pessoas (menos 21 que em igual período de 2004), 72 a
estabelecimentos (mais 50) e 53 a habitações (mais 40). Segundo
Alexandre Coimbra, a subida dos dois últimos "aconteceu apenas
porque Dezembro de 2004 teve números excepcionalmente baixos".

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Capturado
cabecilha do 'gang' ibérico |
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Presumível autor dos disparos que mataram agente da PSP também
detido
O líder do gang suspeito do homicídio do agente da PSP de
Lagos e o presumível autor material dos disparos foram detidos,
cerca das cinco da madrugada de quarta-feira, num acampamento
cigano na zona de El Vacie, perto de Sevilha, no sul de Espanha.
A operação policial conjunta das autoridades ibéricas envolveu
dezenas de agentes. Depois de serem presentes à Audiência
Nacional (Tribunal de Instrução), em Madrid, os dois indivíduos
serão extraditados para Portugal dentro dos prazos normais (dez
dias), se não surgir qualquer obstáculo.
Foi o "factor surpresa" que possibilitou capturar Augusto Soares
dos Anjos, de 30 anos, cabecilha do grupo e conhecido por
"Pecas", e o outro elemento, de 25 anos, de naturalidade
espanhola.
"Não estavam armados, nem tiveram tempo" para reagir, disse,
ontem à tarde, em conferência de imprensa, nas instalações da
Polícia Judiciária de Faro, Carlos do Carmo, coordenador do
Departamento de Investigação Criminal de Portimão. Mas também só
ontem estiveram "reunidas as condições de actuação da polícia,
com os instrumentos judiciais necessários e localização dos
principais suspeitos" do bando luso-espanhol envolvido em
dezenas de assaltos à mão armada em ambos os países.
"Não houve resistência nem troca de tiros", acrescentou
Guilhermino Encarnação, responsável da PJ de Faro, frisando que
a operação resultou do cumprimento de mandatos de captura
internacional.
A PJ reconhece terem existido dificuldades na detenção dos
indivíduos devido ao seu "poder de mobilidade muito grande",
embora as famílias se mantenham naquele acampamento em Espanha.
Os elementos do gang, com idades compreendidas entre 24 e 35
anos, actuam "sem regras, são violentos e matam quem se
atravesse no seu caminho. Querem roubar para viver e têm-no
feito", sublinhou, por seu turno, Carlos do Carmo.
Com estas duas detenções, sobe agora para oito o número de
elementos do bando já capturados desde a morte do chefe Sérgio
Martins, no dia 11 de Dezembro de 2005, quando tentava barrar
duas viaturas dos assaltantes em fuga à saída de Lagos, no
acesso à Via do Infante/A22, após tentativa de assalto à caixa
de multibanco de um supermercado em Búdens, no concelho de Vila
do Bispo. Falta ainda deter três suspeitos.
O director nacional da PJ, Santos Cabral, que ontem se deslocou
ao Algarve, sublinhou que o êxito da operação só foi possível
devido a uma "boa cooperação" com as autoridades espanholas,
além da GNR e da PSP.
Santos Cabral aproveitou para enaltecer o facto de muitos
elementos da Judiciária no Algarve terem prescindido do convívio
familiar na quadra natalícia e passagem de ano "para que isto
tivesse este resultado".
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Autarca garante que a PSP
não sairá da cidade |
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O presidente da Câmara de Torres Novas revelou ontem ao JN
ter «garantias do Governo» de que «a PSP não sairá da cidade».
Um dia depois da manifestação de alguns comerciantes e
populares, contra a eventual substituição da PSP pela GNR,
António Rodrigues sustenta «não haver qualquer fundamento das
notícias vindas a público».
Frisando «não ser a comunicação social a governar o país», o
autarca garante ter já contactado o Governo «para saber da
veracidade da extinção de algumas esquadras da PSP». «Havia um
estudo que foi deitado fora e colocava essa hipótese», adianta
António Rodrigues, explicando que «está a ser feito um novo
estudo».
A hipótese das cidades que têm menos de 15 mil habitantes
poderem vir a ficar sem a PSP «já caiu por terra», diz o
autarca, assegurando que essa garantia que lhe foi dada pelo
Governo.
«A saída da Polícia de Torres Novas não se podia colocar», frisa
o presidente da Câmara, lembrando que apesar da cidade ter menos
de 15 mil habitantes «tem uma grande população flutuante, que
usa o hospital, as empresas e utiliza a A23, que fica aqui ao
lado». Outra das razões invocadas prende-se com a presença na
cidade da Escola Prática de Polícia, a única do país. «Faz algum
sentido nós termos aqui a escola, que forma polícias para todo o
país, e não termos uma esquadra?», questiona.
Afirma concordar com a manifestação realizada por populares e
comerciantes, pois desta forma «ajudam a consolidar a posição,
que é manter a Polícia na cidade». Garantindo que se manterá
«atento» aos desenvolvimentos, António Rodrigues revela que,
caso a hipótese dos 15 mil habitantes se mantenha no novo estudo
de restruturação da PSP, «não haverá problemas para Torres
Novas». É que a revisão do Plano Director Municipal está em fase
final, prevendo o alargamento do limite urbano da cidade, de
molde a conter 19.800 habitantes.
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PSP: 800 agentes policiais serão promovidos em breve |
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O director nacional da PSP, Orlando Romano, anunciou hoje
a promoção em breve de 800 agentes policiais, ao discursar na
posse de 31 novos intendentes, formados no Instituto Superior de
Ciências Policiais e Segurança Interna.
Depois de realçar «a qualidade, o sentido do dever e a
ponderação» dos novos intendentes, Orlando Romano referiu que
recentemente foram também promovid os 320 subchefes da Polícia
de Segurança Pública (PSP).
Há muito que os sindicatos e as associações profissionais da
PSP vêm re ivindicando promoções, nomeadamente ao nível dos
agentes, queixando-se que muitos aguardavam há mais de dois anos
para serem promovidos.
Os 31 intendentes, cuja posse decorreu hoje à tarde na
Direcção Nacional da PSP, são os primeiros oriundos do Instituto
Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna, licenciados
em Ciências Policiais, a acederem àquele posto de oficial
superior.
Tendo em conta o Estatuto da PSP, o acesso ao posto de
intendente foi feito mediante concurso de avaliação curricular,
de acordo com as vagas existentes e de entre subintendentes
habilitados com licenciatura ministrada por aquele
estabelecimento de ensino.
Além da acção formativa com a duração de seis meses, o
concurso de avaliação curricular para acesso ao posto de
intendente incluiu a apresentação de um trabalho inédito no
âmbito da segurança interna.
Por isso, o director nacional da PSP, Orlando Romano,
destacou «a antiguidade» de serviço, «o mérito árduo e avaliado»
e «a promoção merecida» dos novos 31 intendentes, que vêm
preencher os quadros da PSP num posto que se encontrava
temporariamente vazio, como foi referido no acto de posse.
Considerando que «os postos superiores da PSP estão
desguarnecidos», recai sobre os novos intendentes maiores
responsabilidades dirigentes na PSP, segundo Orlando Romano, que
os exortou a continuarem a demonstrar «lealdade à instituição».
Os novos intendentes, a maioria dos quais já exerce funções
dirigentes, têm cargos de comando, direcção e chefia de unidades
orgânicas complexas, assessoria, docência e inspecção.

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Governo tenta travar saída
dos profissionais da PSP |
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Aposentação e pré-aposentação Do total de 650 pedidos,
foram autorizados 107
Sindicato sustenta que existem pressões políticas para protelar
decisões de juntas de saúde
A entrada em vigor, anteontem, do decreto-lei que eleva para
40 o número mínimo de anos de serviço necessários para os
profissionais da PSP se aposentarem com a pensão por inteiro
contribuiu para que, em 2005, um elevado número de polícias
tivesse decidido requerer a passagem à reforma ou à
pré-aposentação, quer ao abrigo do Estatuto do Pessoal da PSP,
quer através de juntas de saúde (ver texto ao lado).
"Até princípios de Novembro de 2005, deram entrada cerca de 650
pedidos e, até 31 de Dezembro último, foram autorizados a sair
107 para pré-aposentação ou aposentação", disse ontem ao JN o
director do Departamento de Relações Públicas da PSP, Hipólito
Cunha.
Já a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP)
- sindicato maioritário na PSP - acredita que o número de
pedidos seja bastante mais elevado, "porque muitos polícias, em
situação de baixa médica, contestam as decisões das juntas de
saúde distritais, que protelam sucessivamente a sua apresentação
à Junta Superior de Saúde", disse ontem ao JN o presidente da
Direcção Nacional da ASPP/PSP, Paulo Rodrigues.
Recorde-se que a aposentação dos profissionais da PSP (que se
mantém nos 60 anos) é antecedida por um período de
pré-aposentação (que era caracterizado pela ausência de
prestação de serviço) e que podia ser requerido aos 55 anos de
idade ou 36 anos de serviço.
A partir de agora, esse período não será caracterizado pela
ausência de serviço e, por outro lado, o tempo de serviço
efectivo deixa de ser contado com a bonificação de 25% que
vigorava. Além disso, o cálculo da pensão passa a ser feito pelo
regime da Segurança Social, equivalendo a uma redução de cerca
de 10% relativamente ao regime que vigorava na PSP.
Em face destas alterações, a ASPP/PSP considera que o elevado
número de pedidos para cessação de serviço, apresentados em
2005, foi feito não apenas pelos polícias ingressados na PSP no
período 1977-1979 (que reúnem as condições para a
pré-aposentação).
Hipólito Cunha disse ontem ao JN não poder quantificar o número
de baixas, "por ser assunto que está em estudo".
Por sua vez, Paulo Rodrigues admite "haver pressões políticas
para impedir que esses colegas se desliguem da PSP através da
Junta Superior de Saúde. A situação não é saudável, nem para
eles, nem para a Polícia", adianta o presidente da ASPP/PSP,
sublinhando ser "visível o desgaste físico e psicológico que
estão a sofrer, ao serem forçados a continuar ao serviço e de
baixa".
À lupa
Serviço de Saúde da PSP
O Regulamento deste serviço consta da Portaria n.º 17.788, de 4
de Julho de 1960, ao abrigo do Decreto-Lei n.º 42.942, do mesmo
ano.
Juntas de Saúde da PSP
Entre outras competências, emitem parecer sobre a concessão de
licenças por motivo de saúde até 15 dias e pronunciam-se sobre a
incapacidade do pessoal que não esteja em condições de continuar
a prestar serviço.
Tipos de juntas Para efeitos do referido no parágrafo anterior,
existem a Junta Superior de Saúde (JSS) e as Juntas da Direcção
Nacional (JDN) e de comando distrital (JCD).
Constituição A JSS é constituída pelo Director Nacional da PSP
ou um oficial superior, o chefe do serviço de saúde, um oficial
médico e um secretário; a JDN é formada por um oficial superior
da PSP, dois médicos e um secretário; a JCD é constituída por um
oficial superior, dois médicos da PSP ou o médico da PSP e o
delegado de saúde, e um secretário.
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Crimes violentos
subiram 32 por cento |
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Em 2002, SIS alertou para mercado ilegal das armas de fogo que
continuam a circular
A criminalidade mais violenta aumentou 32 por cento em
Portugal, no ano de 2005. Os números, apesar de provisórios, já
estão fechados e foram ontem comunicados ao Governo pela
Direcção Central de Combate ao Banditismo (DCCB), departamento
da Polícia Judiciária que tem a competência exclusiva da
investigação do terrorismo e da criminalidade mais violenta.
O aumento de 32 por cento reporta-se aos crimes clássicos de
hold up, expressão da gíria policial anglo-saxónica para definir
os casos de assalto a bancos, casas de câmbio, transporte de
valores, agências dos CTT e prospectores bancários. Estes
números assinalam a existência de uma criminalidade mais
organizada, na maior parte dos casos protagonizada por grupos de
cidadãos estrangeiros indocumentados ou que efectuam incursões
rápidas e abandonam de imediato o país. Outra nota distintiva
destes grupos é o habitual recurso a armas de fogo, em regra de
calibres de guerra, e a sua forte preparação para o uso da força
física.
"Muitos destes casos são praticados por cidadãos que não têm
existência legal em Portugal, ou por estarem ilegais ou por
abandonarem o País logo após a prática do crime, mas a nossa
preparação para enfrentar estes casos também é cada vez maior",
disse ao DN o director da DCCB, Teófilo Santiago. As taxas de
sucesso registadas pela DCCB subiram de 42,5 em 2004 para 52,5
por cento em 2005.
A criminalidade mais violenta associada a crimes como os
assaltos a bancos, carrinhas de transporte de valores, CTT,
prospectores bancários e casas de câmbio é apenas uma das
competências da DCCB.
Esta unidade antiterrorista da PJ investiga também raptos,
sequestros, assaltos com arma de fogo (mas com menor nível de
violência), extorsão e escravidão. No conjunto de crimes que são
obrigação da DCCB investigar, os números apontam para um aumento
global de 1,8 por cento em relação a 2004.
Os raptos diminuíram de 356 para 251, mas os números escondem
realidades diversas. Por um lado, a despistagem rápida das
denúncias efectuadas têm demonstrado que uma parte significativa
dos casos não são de verdadeiros raptos. Ao mesmo tempo, algumas
das investigações revelaram grupos com tendência para este tipo
de crime com o recurso a grande violência. Nestas situações, a
DCCB tem procurado actuar com rapidez, como foram os casos de um
cidadão grego atraído a Portugal e de um português raptado na
Rua da Emenda, em pleno Bairro Alto, Lisboa (ver textos nesta
página).
A DCCB passou nos últimos tempos por um processo de
reestruturação e recebeu ontem a visita do ministro da Justiça,
Alberto Costa. Naquela que foi a sua primeira visita de trabalho
em 2006, Alberto Costa fez o ponto de situação sobre os
mecanismos da DCCB para investigar o terrorismo e a
criminalidade violenta e organizada. O Ministério da Justiça
emitiu depois uma nota em que é destacado o facto de a DCCB ser
a unidade de contraterrorismo que possui "as competências, os
recursos humanos, os meios técnicos, as valências e a
experiência para melhor cumprir o objectivo de combate ao
terrorismo, criminalidade violenta e organizada".
armas de fogo. Intimamente relacionada com a criminalidade
violenta está o emprego de armas de fogo. Uma situação que a PJ
já classifica como preocupante, mas que não é propriamente uma
novidade no panorama criminal português.
Já em 2002, um relatório do SIS (Serviços de Informações e
Segurança) alertava para o "franco crescimento" do mercado
ilegal de armas ligeiras. O que, advertia na altura o SIS,
poderia "contribuir para um efectivo agravamento do potencial de
violência dos grupos de delinquentes e do crime organizado".
O coordenador do Gabinete de Segurança Interna, Leonel de
Carvalho, salientou ontem ao DN que o que mais tem gerado
preocupação é o crime "transnacional" - os grupos chegam a
Portugal, cometem crimes e regressam ao respectivos países. "É
um preço que se paga com a livre circulação de pessoas e bens."
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PSP: quatro mortes em
serviço e dois suicídios marcam 2005 |
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Três agentes perderam as vidas em patrulhas na Amadora. Outro,
já em Dezembro, morreu quando integrava uma barreira policial,
em Lagos, para capturar um bando de assaltantes. E outros dois
suicidaram-se. 2005 foi ano de perdas para a Polícia de
Segurança Pública
O ano de 2005 foi negro para a PSP, com quatro agentes mortos
em serviço, um subcomissário vítima de uma explosão nas
instalações do Comando de Viseu e dois suicídios.
O primeiro agente a morrer em serviço foi Irineu Dinis, a 17
de Fevereiro. Estava a efectuar uma patrulha no bairro da Cova
da Moura quando o carro em que seguia com um colega foi atingido
por vários disparos de armas diferentes. O acidente ocorreu
cerca das 5h na rua principal do Bairro da Cova da Moura.
Quando o veículo foi atingido, o condutor do automóvel, ao
aperceber-se que o seu colega estava ferido, acelerou em
direcção ao hospital Amadora Sintra. Irineu, natural de Vinhais,
solteiro, de 33 anos, faleceu. Os autores do crime ainda andam a
monte.
Cerca de um mês depois, a Amadora foi de novo cenário de
morte para agentes da PSP. Dois polícias foram mortos numa
operação de rotina, tendo sido baleados várias vezes por um
indivíduo a quem tinham pedido que se identificasse.
Os dois agentes, de 23 e 30 anos, seguiam num carro de
patrulha com um outro colega, tendo abordado um indivíduo, para
o identificar, que imediatamente efectuou vários disparos na
direcção dos três polícias.
Após ter disparado os primeiros tiros e baleado o motorista
do carro patrulha, o indivíduo pôs-se em fuga na viatura que
conduzia, mas de seguida fez marcha-atrás, voltou a passar pelo
local e tornou a disparar, tendo só nessa altura atingido outro
agente da polícia com gravidade.
A morte dos dois agentes ocorreu cerca das 2 da manhã, na
Avenida General Humberto Delgado, na Amadora, junto a um
estabelecimento de nome «Chop Bar».
Marcus José Fernandes, 31 anos, que alegadamente matou os
dois polícias está em prisão preventiva no Estabelecimento
Prisional do Linhó, Cascais, após ter sido detido pela PJ numa
casa em Melides. O julgamento está em curso.
Já em Dezembro, dia 11, o chefe da PSP Sérgio Martins, de 49
anos, foi atingido mortalmente na cabeça quando integrava uma
barreira policial, na entrada da cidade de Lagos, para
interceptar o bando de assaltantes em fuga.
Depois de receber a GNR com tiros enquanto tentavam roubar
uma caixa Multibanco numa superfície comercial de Budens, Vila
do Bispo, o grupo pôs-se em fuga, furando a barreira policial
entretanto montada e atingido o chefe da PSP de Lagos. O bando
já era procurado por outros assaltos feitos a multibancos na
zona.
O chefe da PSP abatido tinha 49 anos, era natural de Caldas
da Rainha e trabalhava na esquadra de Lagos há cerca de 10 anos.
A PJ já sabe as identidades dos sete suspeitos do crime, que têm
entre os 20 e os 40, e já deteve cinco.
A 28 de Março, a PSP sofreu outra baixa, mas desta feita não
foi homicídio. Um subcomissário e a sua mulher morreram numa
explosão nas instalações do comando da PSP de Viseu. O
rebentamento ocorreu na área de explosivos do edifício,
atingindo a área de dormitórios, onde se estava o subcomissário,
de 37 anos, e a sua mulher, de 35.
A explosão deu-se no gabinete de trabalho da equipa de
inactivação de explosivos, situado mesmo ao lado do apartamento
onde residia o subcomissário Fernando Matos, que não era agente
da PSP. A explosão terá sido provocada por pólvora de foguetes
que tinham sido apreendidos.
O Verão da PSP ficou marcado por dois suicídios. A 4 de
Agosto, um agente de Setúbal suicidou-se à porta do Comando com
um tiro na cabeça, às 3 da manhã. Walter Machado tinha 51 anos e
apresentara há dez meses o requerimento para a reforma.
O agente, casado e com um filho maior de idade, trabalhava
nas oficinas da PSP em Setúbal e suicidou-se com um tiro na
cabeça dentro da sua viatura particular, deixando uma mensagem
que dizia «adeus reforma» e «adeus amigos e camaradas por tudo o
que fizeram por mim».
Pouco mais de um mês depois, o comandante da PSP de Lamego,
comissário Aurélio Guedes da Silva, suicidou-se. As relações
públicas da PSP limitaram-se a confirmar o suicídio, sem
adiantar mais pormenores sobre as circunstâncias em que ocorreu. |
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