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Armamento
dos agentes considerado "antiquado"
Associação Sindical dos
Profissionais de Polícia diz que PSP tem falta de treino com
armas |
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A Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP)
denunciou hoje que a PSP tem falta de treino com armas e que o
armamento de que os agentes dispõem "está antiquado, por vezes
com 30 ou 40 anos”.
António Amoroso, da ASPP, avançou à Lusa que "o pessoal da
Polícia de Segurança Pública não está minimamente preparado para
agir em termos de precisão com o uso de arma, por falta de
instrução, que nos últimos anos não tem sido ministrada de forma
objectiva e real”.
O sindicalista indica que apenas existe “instrução com tiro real
num camião, mas limitado ao espaço de uma galera de camião",
quando "os agentes deveriam ser instruídos numa carreira de
tiro".
"A alegada falta de verbas não justifica que os agentes de
segurança não tenham a formação e instrução ou treino
suficientes para garantir a segurança das pessoas e bens. Devem
usufruir dessa formação, treinar-se, aperfeiçoar-se", sustentou
ainda António Moroso.
O sindicalista considera que "o sistema da PSP neste sector não
está adequado à realidade quando se nota um incremento da
criminalidade e agressões físicas, por vezes mortais, a agentes
de segurança, enquanto que a instrução de tiro está a diminuir".
O dirigente da ASPP referiu que o armamento dos profissionais de
polícia "está antiquado, por vezes com 30 ou 40 anos, como é o
caso das pistolas Walter, situação que se nota mais nos comandos
do interior do país, onde até os rádios vêm de outros comandos
depois de já terem sido utilizados".
"A Direcção Nacional da PSP e os governos têm dito que vão
substituir o armamento, mas nada até agora foi feito",
expressou.
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GNR integra força europeia
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O comandante-geral da GNR frisou ontem que "a condição
militar é uma mais valia para a função policial e um inestimável
contributo para garantir a integridade e a fiabilidade do
sistema de segurança" do País.
O general Mourato Nunes, que falava na cerimónia de
condecoração do Regimento de Cavalaria e da Banda Sinfónica da
GNR pelo Presidente da República, destacou a aposta "no
conhecimento técnico e científico, e no elemento tecnológico",
para valorizar o produto operacional e o serviço público
prestado.
Iraque
A presença da GNR na Força de Gendarmeria da UE (EUROGENDFOR),
cujo quartel-general foi inaugurado esta semana em Vicenza, é o
último exemplo do salto qualitativo que a presença no Iraque
permitiu consolidar.
Sendo "uma força militar", como frisou ao DN o ministro da
tutela, António Costa, a Guarda assume-se cada vez mais como uma
força adaptada "ao adversário" e menos como uma estrutura virada
para o meio rural. O "elevado comprometimento" dos militares da
GNR, sujeitos "a outro regime de obrigações" e onde não se faz
greve, conjugado com as novas missões, meios e equipamentos,
coloca-a cada vez mais ao nível das forças congéneres de
referência, como a Guardia Civil espanhola, os Carabinieri
italianos, a Gendarmerie francesa ou a Koninklijke holandesa,
adiantam fontes daquela força.
Parlamento
A associação da GNR a estas quatro forças militares com
missões de ordem pública - no âmbito das quais fazem
investigação criminal, vigiam e recolhem informações, protegem
pessoas e bens e têm laboratórios de polícia criminal - levou
ontem a bancada do PCP a requerer a presença do ministro da
tutela na Assembleia da República.
Os comunistas consideram que o "envolvimento da GNR na
EUGENDFOR (...) suscita questões que têm de ser esclarecidas,
tendo em conta o enquadramento constitucional e legal que rege"
a Guarda Nacional Republicana.

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PSP vai ter brigadas
de protecção ambiental |
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Cerca de 100 agentes espalhados pelo país vão trabalhar na
prevenção e investigação criminal
A PSP vai contar até ao final de 2006 com brigadas de
protecção ambiental com cerca de 100 agentes distribuídos por
todo o país, disse hoje à agência Lusa fonte policial.
A PSP já começou a fazer formação de formadores, provenientes
de todos os distritos e celebrou hoje um protocolo com a
Inspecção-Geral do Ambiente e Ordenamento do Território (IGAOT),
que prevê a continuidade destas acções no futuro.
"As equipas visam colmatar uma lacuna na actuação da PSP em
zonas urbanas ao nível do ambiente", disse à Lusa o director do
departamento de formação da PSP, intendente José Carlos Leitão.
As brigadas vão ser de dois tipos: de carácter preventivo,
agindo em caso de denúncia das populações ou quando forem
detectadas situações de infracção, e outras vocacionadas para a
investigação criminal, desencadeando este processo tal como em
qualquer outro delito.
A PSP pretende também, até ao fim de 2007, arrancar com a
sensibilização dos agentes das patrulhas "para que transmitam a
informação às brigadas especializadas caso detectem infracções".
O inspector-geral do Ambiente, Sequeira Ribeiro, explicou que
o protocolo abrange dois níveis: formação e acções de inspecção
e fiscalização do cumprimento da legislação ambiental, como por
exemplo, descargas de efluentes, resíduos ou níveis de ruído.
"Isto já acontece agora. Por exemplo, se recebermos uma
denúncia através da linha SOS Ambiente pode ser mais fácil pedir
à PSP que desloque um agente para o local do que deslocar um
inspector".
As acções de formação destinam-se a formadores que vão
integrar as brigadas da PSP para o ambiente e têm uma componente
teórica e prática.
Os polícias vão aprender por exemplo, a fazer colheitas ou
medições atmosféricas, explicou Sequeira Ribeiro.
A PSP segue assim o exemplo da GNR que também dispõe de um
Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente (SEPNA), com equipas
especialmente vocacionadas para esta área, cobrindo todo o
território.
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Funeral: PSP morre ao salvar homem
Heroísmo do agente Rui
reconhecido pelo Governo |
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O acto heróico do polícia Rui Lemos, que no domingo morreu em
Lisboa ao salvar um jovem caído nos carris da linha ferroviária,
foi ontem saudado de forma emotiva no funeral que teve lugar em
Atães, Vila Verde, onde o agente vivia com a mulher e dois
filhos menores.
Numa cerimónia participada por mais de meio milhar de
pessoas, incluindo as mais altas patentes da PSP e da GNR, o
secretário de Estado Adjunto da Administração Interna, José
Magalhães, sublinhou a grandeza do gesto de Rui Lemos, conforme
fez questão de deixar expresso num documento entregue à mulher
do polícia morto, Paula Cristina.
“Apesar da consequência trágica, é um acto exemplar de grande
significado ético, por parte de alguém que, na extensão do
cumprimento do seu dever de polícia, arriscou a própria vida
para ajudar uma pessoa em dificuldade”, sublinhou José
Magalhães, justificando assim a atribuição de uma compensação à
família de Rui Lemos, apesar da morte ter ocorrido fora do seu
horário de serviço.
O governante garantiu que assinou um despacho para a elaboração
de um inquérito relativamente ao caso, apenas por se tratar de
uma exigência legal, mas não tendo dúvidas quanto à atribuição
de uma compensação à família, que deverá ter direito a um valor
entre os 100 e os 150 mil euros, despesas de funeral e pensão de
sangue, mensal, de cerca de 600 euros líquidos .
Rui Miguel Brás Lemos, com 30 anos de idade, morreu domingo,
vítima de atropelamento por um comboio que circulava no sentido
Cais do Sodré. O acidente ocorreu por volta das 06h30, na
Avenida 24 de Julho, em Lisboa, onde Rui Lemos se cruzou com o
colega Bruno Oliveira (da PSP de Belém). Os dois agentes
aperceberam-se que um jovem tinha tropeçado e caído em cima dos
carris, ao tentar saltar a vedação de protecção da linha
ferroviária. Acorreram a ajudar o jovem, mas foram surpreendidos
pela locomotiva.
Bruno Oliveira sofreu vários traumatismos, mas está livre de
perigo. O jovem civil, de 23 anos, escapou do acidente com
hematomas de pouca gravidade.
CERIMÓNIA
EXEMPLO
“Não há maior prova de amor do que dar a vida por outro”,
sublinhou o padre Joaquim Filipe, numa cerimónia religiosa onde
comparou o acto de Rui Lemos com o exemplo do Bom Mestre, Jesus
Cristo.
TIROS DE SALVA
Uma salva de 18 tiros, a cargo de um destacamento do Corpo de
Intervenção da PSP do Porto, acompanharam a descida à terra da
urna de Rui Lemos, no cemitério de Atães.
COMANDOS
A cerimónia contou com a participação do Director Nacional da
PSP e do Comandante da GNR na Região Norte, juntamente com os
comandantes distritais da PSP de Braga, Porto, Aveiro e Lisboa,
a par de dezenas de polícias e GNR.
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Agente da PSP morre ao
socorrer jovem na Av. 24 de Julho |
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Um agente da PSP morreu hoje depois de socorrer na Avenida 24 de
Julho, em Lisboa, um indivíduo que caiu para os carris quando
saltava a vedação de protecção da linha ferroviária.
Em comunicado, o Comando Metropolitano de Lisboa (COMETLIS),
refere que o acidente ocorreu pelas 06:35 horas e envolveu outro
polícia, da esquadra de Belém, que sofreu vários traumatismos,
mas está livre de perigo, encontrando-se ainda internado no
hospital de S. José, em observação.
O agente Rui Lemos, 30 anos, que já tinha acabado o seu
serviço na Divisão de Segurança a Instalações, embora tenha sido
de imediato transportado para o Hospital S. Francisco Xavier com
ferimentos graves, acabou por falecer cerca das 12:15 horas.
Os dois polícias, que se encontravam na paragem de autocarro
da Av. 24 de Julho tentaram socorrer um jovem que, ao saltar a
vedação de protecção da linha do comboio, tropeçou e caiu em
cima dos carris.
Segundo o comunicado, os dois agentes «foram surpreendidos
pela aproximação de uma composição ferroviária que circulava no
sentido Cais do Sodré - Cascais».
O jovem sofreu apenas alguns hematomas e escoriações, tendo
sido assistido no Hospital de S. José.
As circunstâncias do acidente ainda estão por esclarecer e o
COMETLIS remete para mais tarde informações, nomeadamente,
depois de ouvirem as versões do indivíduo que saltou a vedação e
do polícia que se encontra internado.

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Carjacking |
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Vítimas contam ao JN os contornos dos roubos
Destreza demonstrada pelos assaltantes surpreendeu
Entregar o automóvel para não levar um tiro
"Sai, senão levas um tiro". O aviso foi reforçado com uma
caçadeira apontada à cabeça. Argumentos mais do que suficientes
para Márcio Santos deixar o volante do seu Audi A4 e passar a
fazer parte da extensa lista de vítimas de "carjacking"
(condutores forçados a entregar as viaturas), uma "moda"
criminosa cada vez mais em voga no Norte.
Passavam poucos minutos das 0.30 horas do dia 25 de Outubro do
ano passado. Márcio Santos, 59 anos, tinha acabado de estacionar
o carro na Rua de Junqueira de Baixo, em Vilar do Paraíso
(Gaia). Num ápice, viu-se cercado pelo gangue de assaltantes.
"Parou um carro atrás do meu, outro do lado direito e um
terceiro à frente", recorda, admitindo que fossem "quatro ou
cinco indivíduos", todos encapuzados.
"Um deles apontou uma pistola à cabeça da minha companheira e
outro, com uma caçadeira, fez-me o mesmo", acrescentou o
repórter de rádio, confessando que ficou sem qualquer reacção.
"Ele entrou, pousou a arma e arrancaram todos", continua. O
bando terá demorado "pouco mais de um minuto", revelando uma
"frieza" que surpreendeu a vítima. "Foram de uma agilidade
incrível. Não eram uns ladrõezitos, mas sim profissionais. O
assaltante que me ameaçou tinha classe", comentou.
O Audi A4, avaliado pelo proprietário em cerca de 20 mil euros,
nunca mais foi encontrado. E como um azar nunca vem só, na mala
do veículo estava guardado equipamento no valor "de mais de dois
mil contos". Na mesma noite, ocorreram mais dois roubos
semelhantes visando casais de namorados, em Gaia. O "gangue dos
Audi" estava imparável.
"Dá as chaves"
Experiência idêntica viveu o condutor de um BMW X5, em Dezembro
do ano passado, na Maia. Aquela noite de domingo (21.45 horas)
não lhe sairá tão cedo da memória. Estava a chegar a casa, com a
mãe e a mulher, e saiu do jipe para ir à mala buscar o
sobretudo. "A dada altura, um carro desceu a rua a alta
velocidade. Era um BMW escuro. Dois dos ocupantes saíram, um com
uma caçadeira e outro com uma pistola. Disseram-me para lhes dar
as chaves do jipe e para me afastar", relatou a vítima.
Tal como no caso de Gaia, a destreza foi imagem de marca dos
assaltantes. "Não foram agressivos e demoraram um ou dois
minutos", referiu o mesmo interlocutor que, ao contrário de
Márcio Santos, conseguiu reaver a viatura, na semana seguinte.
O BMW X5 foi recuperado em Braga, depois de ter sido usado numa
tentativa de assalto a uma carrinha de valores. "Julgava que
nunca mais iria aparecer", afirmou, reconhecendo, por outro
lado, que não voltou a pegar no carro desde que o mesmo veio da
oficina. "Mais do que nunca, tenho medo de sair à noite", diz.
Atacada em casa
O relógio marcava a 1 hora. Depois de mais um turno nocturno, a
enfermeira entrava com o seu "Land Rover" na garagem da
habitação, em Mafamude (Gaia). "Abri os portões e entrei
normalmente, sem me aperceber de nada", conta. Até ao momento em
que um carro parou em frente à rampa de acesso.
Da viatura saiu um indivíduo que, de pistola em punho, a obrigou
a sair do jipe. "Eu disse-lhe para ter calma e falei alto para
ver se alguém me ouvia para me vir ajudar", lembrou a vítima,
que foi depois abordada por outros dois encapuzados, que a
puxaram do carro por um braço.
"Saíram com uma rapidez! Ainda tiveram dificuldade em desbloquer
o jipe, mas conseguiram levá-lo", disse a enfermeira,
suspeitando que tenha sido seguida pelo gangue. Já na esquadra,
teve conhecimento que o mesmo grupo terá roubado mais dois
carros em Valongo.
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Deputados preocupados com
agressões a polícias |
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Dizem tratar-se de um indício de desrespeito pelo Estado e pela
autoridade. PDiário já tinha denunciado aumento de crimes contra
a GNR
Deputados socialistas e sociais-democratas manifestaram hoje
preocupação com o aumento da criminalidade contra os agentes
policiais, no debate parlamentar sobre o Relatório de Segurança
Interna de 2004.
"Se no relatório de 2004 já se assinalavam com alguma
inquietação os valores apresentados pelas forças de segurança no
que respeita ao número de agentes vítimas de crimes, essa
situação tem vindo a infelizmente a agravar-se", afirmou o
deputado do PSD Luís Montenegro durante o debate na Assembleia
da República.
Para o deputado, este tipo de criminalidade "tem um indício
de desrespeito pelo Estado e pela autoridade, que urge combater
com determinação".
Esta opinião foi partilhada pelo deputado socialista João
Serrano, afirmando que "uma nota de preocupação deverá assinalar
os resultados das operações e intervenções policiais
efectuadas", ao constatar-se "um crescimento dos valores
apresentados pelas forças de segurança no que respeita ao número
de agentes vítimas de crimes".
No debate, os deputados dos grupos parlamentares analisaram o
Relatório de Segurança Interna de 2004 e congratularam-se com
seus resultados, que apontam para a diminuição da criminalidade
em um por cento relativamente a 2003, apesar do aumento dos
crimes graves e violentos.
Segundo o documento, a diminuição do número total de crimes
representa o melhor resultado dos últimos seis anos, invertendo
a tendência de aumento do número de ocorrências participadas,
nomeadamente em 2002 e 2003, em que tinha havido um acréscimo de
criminalidade na ordem dos 4,9 por cento e seis por cento,
respectivamente.
Para Luís Montenegro (PSD), a diminuição da criminalidade
obriga à necessidade de se prosseguirem com "políticas de
prevenção que visem e viabilizem" esta tendência para que se
"ofereça uma efectiva e tranquilizadora percepção dessa
tendência aos cidadãos".
Fernando Rosas, do Bloco de Esquerda (BE), também considerou
que Portugal tem uma boa situação em termos de segurança
pública, mas que é preciso investir mais nesta área.
João Serrano (PS) afirmou, por seu turno, que "o problema de
segurança na nossa sociedade, apesar de ser uma questão grave,
não está fora do controlo, antes pelo contrário".
"Sendo certo que não podemos deixar de nos preocupar com a
dimensão desta problemática, constata-se que Portugal patenteia
valores relativamente baixos no ratio de crimes/1000 habitantes,
estando o nosso país bem posicionado nesta matéria", sustentou.
Os deputados criticaram ainda o modo como o relatório é
elaborado, defendendo nova metodologia mais abrangente.
O deputado comunista António Filipe considerou "absolutamente
inaceitável a forma como o relatório foi elaborado", juntando
situações de conflito social com criminalidade, e apelou ao
Governo para que esta situação seja alterada no próximo
relatório, que deverá ser divulgado em Março.
"Espero que isto seja alterado" se não ainda se corre o risco
de no relatório de 2006 aparecerem "as arruadas das campanhas
eleitorais", comentou o deputado do PCP.
Esta sugestão foi ouvida pelo ministro dos Assuntos
Parlamentares, Augusto Santos Silva, que no final do debate
assegurou que "não haverá confusão entre situações de segurança
e conflituosidade social" no próximo relatório anual de
Segurança Interna.
Para João Serrano (PS), o relatório, "apesar do seu mérito e
importância, peca por uma visão, por um lado, excessivamente
estatística e, por outro, parcelizada, ao nível dos vários
serviços e forças de segurança".
"Muito ganharia de optasse por uma natureza mais ágil e
articulizante, dando-lhes foros de indicador e volante da
política criminal, como novos elementos de análise como os
inquéritos de vitimização".
Fernando Rosas (BE) também criticou a "falta de concepção e a
metodologia" do relatório, considerando que é "um somatório de
fichas das diversas forças de segurança".
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Patrulhas da BT vão passar
a andar com metralhadoras |
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Comando Geral da GNR vai reforçar o armamento dos
militares para responder ao aumento de ataques e também de
crimes nas zonas límitrofes das grandes urbes e no interior
As patrulhas da Brigada de Trânsito (BT) da GNR vão passar a
andar armadas com pistolas metralhadoras e terão shotguns nas
viaturas. Os restantes militares da GNR também vão ver o
armamento reforçado para fazer face ao aumento do número de
casos de agressão às autoridades, por um lado, e a uma
"deslocalização" do crime das grandes áreas metropolitanas para
o interior, por outro.
As 4500 pistolas metralhadoras "Famae" recentemente adquiridas
pela GNR deviam equipar apenas os pelotões de intervenção
rápida, mas o Comando Geral já decidiu alargar a sua
distribuição ao resto do efectivo, incluindo, pela primeira vez,
os elementos da BT. Não será, assim, de estranhar que numa mera
operação "STOP", de rotina, se vejam os militares fortemente
armados . Para isso, apurou o JN, foram já incluídos nos grupos
que vão receber formação de tiro com a nova arma. Além disso, as
viaturas da BT passarão a andar com shotguns, embora neste caso
com balas de borracha.
Este conjunto de decisões, que têm vindo a ser tomadas nos
últimos meses, visa fazer face ao aumento de casos de agressão a
elementos da autoridade. Só este mês, por exemplo, dois
militares ficaram gravemente feridos ao serem alvejados em
situações que não eram, aparentemente, de perigo iminente.
Além deste reforço no armamento - já no final do ano foram dadas
indicações para que se recorresse ao uso da G 3 com mais
frequência -, a GNR decidiu também que determinadas acções
tenham segurança reforçada. Isto é, meras operações de
fiscalização ou de controlo rodoviário contam já com o apoio de
uma unidade de reserva do Comando da Guarda. Esta presença do
Regimento de Infantaria pretende, assim, conferir outra
segurança em momentos que até agora não eram classificados como
de maior risco.
Regras para cumprir
Outra questão que preocupa o Comando Geral da GNR prende-se com
o cumprimento rigoroso das regras de conduta. As regras de
abordagem devem ser respeitadas em todas as situações. Uma
informação que, por ordem do Comando Geral da GNR, tem sido
passada a todas as patrulhas com alguma regularidade, tendo em
conta a salvaguarda da integridade física dos agentes da
autoridade.
Um dos casos mais frequentes, explicam fontes da GNR ao nosso
jornal, é o de ver dois militares a abordarem ao mesmo tempo um
indivíduo. Mandam as regras, e é o que deverá passar a
acontecer, que um dos elementos se aproxime enquanto o outro se
mantenha a alguma distância, preparado a agir.
Além dos avisos regulares (nas formaturas ou quando se preparam
as operações, por exemplo) foi recuperado um vídeo elaborado em
2000 sobre regras de segurança que agora será novamente
visionado.
Crime no interior
Todas estas medidas já tinham vindo a ser estudadas no seio da
GNR tendo em conta, além do aumento significativo de casos de
agressões a agentes da autoridade, uma acentuada deslocalização
da criminalidade.
O maior número de casos já não se regista nas grandes áreas
metropolitanas mas sim no interior e nas áreas limítrofes das
grandes urbes. Algo que é facilmente comprovado pelos números do
Gabinete Coordenador de Segurança. A forte pressão policial nos
grandes centros populacionais, como Lisboa e Porto, conduziu a
uma deslocalização de actividade dos grupos de jovens criminosos
para o interior e zonas litorais, consideradas mais frágeis a
nível de policiamento. Em 2005, por exemplo, a GNR já registou
mais crimes participados (148.373) do que a PSP (139.370),
invertendo a tendência verificada em 2004, segundo dados até
Setembro de 2005.
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PSP - Grupo de
elite pronto para tudo
Presidente aplaude capacidade do
GOE |
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O Presidente da República, Jorge Sampaio, esteve no meio de
fortes tiroteios e de explosões, mas nunca esteve tão bem
protegido. Tudo se passou numa demonstração de operacionalidade
do Grupo de Operações Especiais (GOE), que decorreu ontem na
sede daquela força, em Belas, na qual estiveram presentes o
ministro da Administração Interna, António Costa, o director
nacional da PSP, Orlando Soares, outras individualidades e
dezenas de agentes.
“Os agentes do GOE têm prestado serviços muito relevantes
para o País. São um instrumento muito importante para a defesa
dos fundamentos básicos de uma sociedade democrática.”, disse na
altura Jorge Sampaio.
O Presidente da República salientou que a criminalidade está a
baixar em Portugal, mas regista-se um aumento dos crimes com
grande violência, o que “coloca as polícias numa posição
difícil. “Para combater este tipo de crimes “precisamos de
pessoas bem equipadas, bem preparadas e motivadas”, disse Jorge
Sampaio.
Na demonstração de operacionalidade, os agentes do GOE mostraram
que estão bem preparados física e psicologicamente para actuar
nas áreas da sua intervenção, com a apresentação de simulações
de protecção de uma alta individualidade numa situação de
tentativa de assassinato por ataque a uma coluna de três
viaturas, exercício de tiro real com os atiradores de precisão,
simulação de sequestro e detenção numa viatura com detecção e
detonação de explosivos e exercícios de técnicas de acesso e
penetração em edifícios.
Mas o que mais impressionou o Presidente da República foi a
simulação de sequestros na chamada Casa da Morte. Numa pequena
divisão encontravam-se dois homens, um sequestrado e o chefe dos
sequestradores. O resto do ‘bando’ eram apenas alvos com
figuras. Uma equipa do GOE irrompe pela sala e poucos segundos
depois os alvos estavam ‘mortos’, o líder do gang algemado e o
sequestrado posto em segurança.
Na altura foram também divulgados alguns números da actuação da
PSP em 2005. Até Novembro foram realizadas 30 186 detenções,
foram retiradas do ‘mercado’ mais de nove milhões de doses de
drogas e, entre outras acções, foram recuperadas 14 259 viaturas
furtadas.
A PSP possui 20 984 efectivos, 215 dos quais pertencentes ao GOE.
AGENTES TREINADOS PARA AS SITUAÇÕES MAIS PERIGOSAS
Depois de descer em rapel do alto de uma torre, uma equipa do
GOE simula uma operação de tomada de um edifício ocupado por
terroristas.
Jorge Sampaio falou com vários agentes do Grupo de Operações
Especiais e inteirou-se dos meios técnicos à disposição da força
policial.
Casa da Morte, onde as equipas de assalto simulam com fogo real
a libertação de reféns. O Presidente da República viu como se
faz.
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Pistolas da
GNR vão ser sujeitas a testes de avaria |
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Arma teve avaria em Sobral de Monte Agraço, quando
militares faziam busca
Equipamento pode vir a ser retirado do serviço
As pistolas Star de calibre 7,65 mm, com mais de 40 anos de
serviço, vão começar a ser sujeitas a testes e há a
possibilidade de as retirar, na sequência da avaria que uma
destas armas sofreu em Sobral de Monte Agraço, onde um militar
da GNR sofreu ferimentos graves. A questão é saber o que esteve
de facto por detrás da avaria da arma.
Uma Star encravou ao segundo disparo, depois de um dos militares
do NIC de Vila Franca de Xira ter aberto fogo para proteger a
recolha do camarada que fora ferido a tiro por um indivíduo que
ontem recolheu à cadeia, em prisão preventiva.
A decisão de sujeitar as armas a testes foi tomada na
segunda-feira, logo depois do crime e após a apresentação do
relatório e na calha está a substituição do conjunto das Star,
uma pistola de origem espanhola que, no calibre 7,65 mm, equipa
a maioria dos núcleos de investigação criminal da GNR.
No entanto, ontem também o Comando da GNR enviou uma directiva
para todo o dispositivo recomendando o incremento de cuidados
sobre a manutenção do armamento.
Os lotes de munições foram sujeitos a verificação, no receio de
estarem fora de prazo, mas esta hipótese não se verificou. O JN
sabe, no entanto, que o Comando da GNR já começou a procurar,
nos depósitos e nas várias unidades, uma arma de calibre 7,65 mm
que possa substituir a Star e as possibilidades inclinam-se para
as Walther PP e PPK, por razões que se prendem com a possível
quebra de confiança na Star por parte de quem a utiliza.
É que, além de questões que se possam prender com a manutenção e
com idade desta arma, que é similar à da Walther, a verdade é
que a pistola espanhola nunca foi do agrado do efectivo, por
encravar com facilidade.
Entretanto, o alegado autor do disparo que feriu o militar das
GNR foi ontem presente ao tribunal de Torres Vedras, onde após
duas horas de interrogatório foi-lhe determinada a prisão
preventiva.
O indivíduo, Manuel, é acusado de ter baleado o militar da GNR
que continua internado no Hospital de Santa Maria, fechando-se
em casa, de onde só saiu após 28 horas, na sequência da acção de
negociadores da GNR. O ferimento ocorreu na sequência de uma
busca.
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"Treino
de tiro faz-se apenas nos dias de folga" |
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Os recentes actos de violências contra polícias obrigam a que
a formação inicial das forças de segurança seja repensada e haja
um maior investimento na formação contínua. Os polícias estão
preparados do ponto de vista da formação para reagir perante
situações de risco inesperadas? Os principais sindicatos da PSP
e da GNR respondem negativamente.
"É claro que depois de seis, sete meses de formação na Escola
Prática os polícias não saem preparados para enfrentar esta nova
realidade", declarou ao DN Paulo Rodrigues, presidente da
Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP). Este
dirigente defende que o período de formação de um agente seja de
dois anos, de modo a adquirir um conjunto de conhecimentos
teóricos e técnicos que lhe permita reagir com segurança a
situações inesperadas próprias do dia-a-dia policial.
No actual quadro, diz Paulo Rodrigues, "a formação contínua
também é escassa". "A ASPP viu-se obrigada a lançar cursos para
colmatar esta deficiência." É que, numa situação em que um
agente é surpreendido por alguém que empunha uma arma de fogo,
"o polícia tem que manter a calma, para, além do agressor, ter
toda a percepção do ambiente para calcular o risco que um
disparo pode causar".
Um dos aspectos que este dirigente sublinha prende-se com o
treino do tiro. "Geralmente é feito nos dias de folga dos
polícias, quando deveria ser nos dias normais de trabalho. Isso
evitava que as pessoas não fossem para o treino desanimadas."
"Há casos em que um polícia acaba o turno às sete da manhã e
está escalonado para uma carreira de tiro às nove", adianta, por
sua vez, António Ramos, presidente do Sindicato dos
Profissionais de Polícia (SPP/PSP). "Em Espanha, os polícias têm
uma semana por mês para acções de formação contínua, quer seja
teórica, para estudo de nova legislação, quer prática para
treino de técnicas operacionais", acrescenta.
António Ramos levanta ainda a questão do uso da arma "Se o
polícia é o primeiro a disparar, a sua vida está estragada, mas
o que tem acontecido é que se o polícia não der o primeiro tiro,
dá-o o criminoso."
Segundo este dirigente sindical, o agente da PSP está hoje
"abandonado" na rua. "Há uns anos, as patrulhas eram feitas por
três pessoas. Um chegava-se à frente, os outros mantinham-se a
uma distância para dar apoio. Hoje há patrulhas de dois ou
apenas um agente."
Desmilitarizar a formação
Os soldados da GNR são formados durante um ano lectivo na Escola
Prática da Guarda. "E pode dizer-se que saem bem formados",
afirma o presidente da Associação de Profissionais da Guarda (APG),
não obstante considerar anacrónico que no rol dos módulos
permaneça um de natureza militar. "Fala-se ali no combate ao
inimigo, quando vamos lidar com os nossos concidadãos", observa
José Manageiro.
Os problemas, neste campo, surgem depois. "O patrulheiro
(colocado nos postos) não tem tido, nestes últimos anos, a
formação contínua que se exige para a actividade policial. Nem
ao nível da utilização dos meios (treinos com equipamentos) nem
ao nível da formação teórica (jurídica)".
Mais. Nos poucos postos onde a formação é oferecida, exige-se
aos guardas que a frequentem durante os período de folga
laboral", explica José Manageiro. Ora, "estamos a falar de
pessoas, na maioria com família, que tem também direito ao
descanso". Por outro lado, a qualidade dos formadores "deixa
muito a desejar. São chamados a dar instrução porque têm uma
patente, mas não têm os conhecimentos necessários", assegura.
Esta realidade não se aplica às unidades de reserva da GNR, como
por exemplo o Batalhão Operacional - onde está também inserida a
Companhia de Operações Especiais. Trata-se de agentes altamente
preparados e em formação permanente, que se distinguem em
qualquer parte do mundo.
Porém, diz, "é com o patrulheiro que o cidadão convive
diariamente, esperando dele um sentimento de segurança". E
acrescenta "Lamentavelmente, não só não se aposta na formação,
como também se deixa degradar a pouca que existe". O dirigente
sindical lamenta também que haja guardas a fazerem trabalhos
indignos, de verdadeira subserviência a certos oficiais. "Saem
da Escola Prática com expectativas de vida profissional. Mas
logo morrem quando calcam o terreno", disse.
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Chefias da PSP e GNR
garantem que agentes estão preparados |
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A PSP garantiu, ontem, que os agentes que actuam no terreno
recebem formação e preparação para lidar com as agressões de que
têm sido alvo. Fonte da direcção nacional da PSP rejeitou, em
declarações ao DN, as críticas dos sindicatos sobre a falta de
preparação contínua, esclarecendo que está neste momento a
decorrer, no Grupo de Operações Especiais (GOE), o terceiro
curso de formação de formadores em técnicas de intervenção
policial.
São 40 os polícias - "de diversos comandos da PSP" - que estão a
frequentar o curso sobre tiro policial, técnicas de defesa
policial, movimento táctico e abordagem a viaturas suspeitas.
Concluída a formação, os formandos "fazem estágios de
actualização" e dão formação aos agentes do seu comando.
"Tentamos sempre adaptar os temas da formação ao tipo de
criminalidade que vai surgindo", explicou a mesma fonte,
garantindo, no entanto "Estamos preparados para enfrentar a
realidade." Então porque acontecem casos como o de Lagos e
Estarreja? "Não vou comentar... é um fenómeno novo, esta é uma
profissão de risco e são 'ossos do ofício.'"
Igual justificação foi dada ao DN por fonte do Ministério da
Administração Interna "O que aconteceu em Estarreja ou Sobral de
Monte Agraço pode acontecer em qualquer lado. Trata-se de uma
profissão de risco..." A mesma fonte reconheceu que "é preciso
dotar a PSP e a GNR de melhores condições, mas avisou que "não é
numa legislatura que se resolve a descapitalização que o sector
sofreu em anteriores legislaturas".
"Somos a instituição que em Portugal mais horas de formação
contínua ministramos", garantiu o tenente-coronel Timóteo
Pedroso, chefe do gabinete do Comandante Geral da GNR. "Há
acções de formação em permanência, envolvendo 20 por cento dos
efectivos", assegurou.
Esta aprendizagem contínua abrange os patrulheiros colocados nos
postos, a quem são oferecidos conhecimentos nas mais diversas
áreas - treino com equipamentos e conhecimentos ao nível das
leis. Estas explicações do tenente-coronel referem-se à mesma
realidade apontada pela Associação dos Profissionais da Guarda.
Mas, claro, em diferentes perspectivas.
Porém, ambos concordam num ponto a formação na GNR ao nível da
especialização - ministrada na Escola Prática em horário de
trabalho - é excelente. Assim como a formação das unidades de
reserva - companhia sinotécnica, cavalaria, batalhão - e mesmo a
das unidades especiais (brigada de trânsito, por exemplo). Para
Timóteo Pedroso, o guarda têm formação para lidar com o risco.
Mas, ninguém está livre...
As agressões a agentes da autoridade têm vindo sempre a
aumentar. Registaram-se 924 em 2004, só na GNR. O ano passado
morreram quatro agentes na PSP.
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PSP fez 90 detenções por
dia no ano passado |
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A Polícia de Segurança Pública (PSP) realizou noventa detenções
por dia em 2005 e retirou do mercado mais de nove milhões de
doses de diversos tipos de droga, segundo dados divulgados esta
quarta-feira.
Os dados foram apresentados pela Direcção da PSP ao
Presidente da República, durante uma visita que Jorge Sampaio
fez à sede do Grupo de Operações Especiais (GOE), em Belas.
Em 2005, segundo a PSP, foram feitas 30.186 detenções, o que
corresponde a cerca de 90 detenções por dia, e foram recuperadas
14.259 viaturas, o que equivale a uma taxa de recuperação na
ordem dos 76% dos carros roubados.
Relativamente à segurança rodoviária, foram fiscalizadas, em
média, mais de 100 viaturas em cada hora e levantados 1.643
autos por dia.
Durante o mesmo ano, o dispositivo de Investigação Criminal
da PSP apreendeu cerca de oito milhões de euros de património
ilícito.
A PSP tem ao seu serviço cerca de 21 mil efectivos e 4.300
veículos.
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Barricado -
Entregou-se após 28 horas
GNR tenta disparar mas pistola
encrava |
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Quando viu o seu colega de equipa tombar no chão, ferido a tiro,
um dos elementos do Núcleo de Investigação Criminal (NIC) da GNR
de Vila Franca de Xira – que anteontem se deslocou ao Sobral de
Monte Agraço para a busca a casa do homem que acabou por se
barricar – ainda tentou disparar para imobilizar o agressor. Mas
a sua arma, uma pistola ‘Star’, de 7.65 mm, encravou.
Manuel Cardoso conseguiu escapar e barricar-se em casa. Só
saíu ontem, pelas 16h00, 28 horas após deixar o soldado João
Ferreira em estado grave.
O CM soube junto de uma fonte policial que a equipa do NIC
chegou à casa de Manuel Cardoso, na aldeia da Adega, a meio da
manhã de segunda-feira. Levava o seu filho, André Cardoso,
detido na noite anterior por suspeitas de furtos e roubos de
carros e a residências. Os militares já tinham avisado Manuel
Cardoso, um padeiro de 59 anos, que se íam deslocar à sua casa
para uma busca. Ele não se opôs.
A sua atitude mudou com a chegada dos guardas.“Não abriu a
porta. Falou connosco através da janela e disse que ninguém
tinha de entrar na casa dele. Falámos calmamente. Dissemos que a
busca seria feita apenas ao quarto do filho. Caso contrário,
teríamos de arrombar a porta”, disse a nossa fonte.
Manuel Cardoso não acedeu e recolheu-se em casa. O soldado João
Ferreira e um colega avançaram: arrombaram a primeira porta, que
dá acesso a um hall, não havia ninguém; bateram na segunda porta
e, como não obtiveram resposta, também a deitaram abaixo.
“A casa estava escura e não se via nada”, disse. O soldado
Ferreira entrou e não deu pela presença do proprietário. Manuel
Cardoso estava de arma em punho e não hesitou em abrir fogo,
atingindo-o no olho esquerdo, cegando-o.
O colega de João Ferreira só teve tempo de o puxar para o pôr a
salvo – longe do hall de entrada. Ainda foi atingido por
estilhaços de chumbo no braço e no peito.
Manuel Cardoso continuou a disparar para o exterior, em direcção
aos outros militares. Eles ripostaram. Só que o guarda que se
encontrava em posição de de lhe fazer frente, viu a sua arma
encravar-se na altura do disparo. Colocando-se ele próprio em
risco já que estava sob fogo de Cardoso. “Estas armas, por
defeito, encravam em diversas situações. Mas não há 9 mm para
todos. E os elementos do NIC têm de usar armas discretas”, disse
uma outra fonte da GNR.
A arma do soldado ferido caíu ao chão no momento do disparo. E
ali ficou caída , no pequeno hall de entrada, até às 16h00 de
ontem – hora a que Manuel Cardoso se rendeu, 28 horas depois de
um diálogo difícil com os negociadores da Companhia de Operações
Especiais da GNR.
Durante a noite o barricado manteve-se incontactável, de
telefone e telemóvel desligados. Começou a comunicar graças aos
apelos da filha Paula Cardoso, que serviu de intermediária
através de um megafone. Às 15h00, disse que ia almoçar e cuidar
da sua higiene pessoal para depois se entregar. À saída, Manuel
Cardoso abraçou a filha e o genro. Depois foi entregue à PJ.
O filho André foi ouvido no tribunal de Vila Franca de Xira.
Acabou por ser libertado, sob obrigação de apresentações
periódicas à GNR. O ai é hoje presente a tribunal.
"VIA NEGOCIAL É MELHOR"
Conhecer o perfil do barricado. Este é o primeiro passo que uma
equipa de negociadores - seja da GNR, da PSP ou da PJ - deve dar
e que o inspector-chefe Manuel Rodrigues (um dos negociadores
mais experientes da PJ) considera fundamental para o sucesso da
negociação. O objectivo é conhecer melhor o percurso de vida do
barricado, para poder chegar ao diálogo. Em campo está uma
equipa composta por vários técnicos, entre os quais psicólogos,
e não há nenhum ‘timming’ pré-estabelecido.
“Há um sentimento pelo público de que as coisas têm de ser
feitas rapidamente. Mas a via negocial é sempre a melhor e a GNR
fez um excelente trabalho”, sublinhou. Esta regra é aplicável a
todos os barricados “sejam eles vítimas, reféns, ou
sequestradores”, disse. Ontem a GNR recorreu aos filhos e ao
patrão de Manuel Cardoso, para o convencerem a abandonar a casa,
com sucesso.
HORAS DE TENSÃO
As 28 horas que o padeiro Manuel Cardoso (de boné na primeira
foto) passou barricado em casa foram vividas com tensão. Desde
os primeiros momentos, elementos das Operações Especiais da GNR
– incluindo snipers –, fortemente armados e equipados, ocuparam
posições junto à habitação. O aparato mobilizou a curiosidade de
dezenas de populares e da Comunicação Social, que assistiram de
longe.
PORMENORES
PERFIL DO BARRICADO
Manuel Cardoso, padeiro há seis na ‘Padaria Reunidos’, no
Sobral, é descrito como pontual e pacato. De alcunha ‘Zeca
Malandro’, é divorciado e pai de três filhos. Cumpriu pena pelo
homicídio do tio.
BUSCAS À CASA
A busca domiciliária à casa de Manuel vai ser executada hoje na
presença do filho, suspeito de furtos e roubos. Ontem foram
recolhidos vestígios do tiroteio no local. Manuel vai hoje a
tribunal.
SOLDADO FERIDO
O comandante geral da GNR, tenente-general Mourato Nunes,
visitou ontem o soldado Ferreira. Os médicos do Hospital de São
José disseram-lhe que o militar perdeu a visão esquerda, está em
estado grave, mas livre de perigo. A mulher do soldado está a
ser acompanhada por psicólogos da GNR.
CASO FATAL
O agente da PSP que integrava a equipa do Chefe Martins, morto a
tiro por assaltantes na madrugada de 11 de Dezembro em Lagos,
também quis proteger o seu superior. Mas quando tentou disparar
contra os agressores, a sua pistola Walter 7.65 mm encravou.
TRIO DE LADRÕES ATROPELA DOIS MOTOCICLISTAS DA BT
Dois agentes motociclistas da BT/GNR foram atropelados, ontem ao
início da tarde, em Lisboa, por um condutor em fuga. Um dos
militares sofreu ferimentos graves e o outro ligeiros. Na
viatura em fuga seguiam três suspeitos de vários furtos na
Margem Sul, que foram detidos.
A patrulha circulava, pelas 14h00, na Avenida de Ceuta quando
detectaram o condutor de um Opel Corsa a conduzir de forma
perigosa, desrespeitando semáforos e fazendo ultrapassagens
irregulares. O condutor e os dois passageiros não levavam os
cintos de segurança.
Os guardas mandaram o condutor parar, mas este preferiu a fuga,
iniciando-se uma perseguição que veio a terminar no Bairro da
Liberdade, Campolide, quando os fugitivos entraram numa rua sem
saída. Encurralado, o condutor engatou a marcha-atrás e atirou o
veículo para cima dos motociclos da BT, atropelando com
gravidade um dos guardas e ferindo ligeiramente o outro.
Apesar da tentativa violenta de fuga, os meliantes foram
detidos. Têm entre 30 e 40 anos de idade, são cadastrados,
residentes na Quinta do Conde, Sesimbra, com um largo historial
de assaltos na região de Almada e sobre os quais pendem mandatos
de detenção.
A GNR de Almada investigava-os há já algum tempo por suspeitas
de furtos a moradias, por arrombamento, em Quinta do Conde,
Fernão Ferro, Barreiro e Coina. Actuavam quase sempre juntos e
além do recheio das casas levavam acessórios de jardinagem,
automóveis e motos.
O condutor do veículo ficou detido no comando da BT, em Lisboa,
sendo hoje presente a tribunal, acusado de desobediência, fuga e
tentativa de homicídio dos militares que o perseguiam. Os outros
dois foram levados para a GNR de Almada e são amanhã presentes a
tribunal.
O carro, que foi apreendido, não possui qualquer documentação e
desconhece-se o seu proprietário, mas a GNR sabe que não foi
furtado. O veículo está em mau estado de conservação, com as
chapas de matrícula seguras por arames.
Um morador do Bairro da Liberdade, que quis manter o anonimato,
assistiu ao incidente quando chegava a casa. “Deviam ser umas
14h40 quando vi uma moto da GNR com o guarda a ser arrastada por
um carro que vinha em marcha-atrás. O guarda ficou no chão no
fundo da rua, mas ainda se levantou e fez três disparos”. O
militar em questão foi arrastado ao longo de cerca de vinte
metros nas traseiras dos lotes 1 a 6 do Bairro da Liberdade.
Segundo conta aquela testemunha, os meliantes fugiram em
direcção à Rua B, mas um carro da GNR barrou-lhes o caminho.
Subiram então a Rua C em contramão, perseguidos por uma moto e
um carro da GNR, desparecendo da sua vista em direcção ao Bairro
da Serafina. “O guarda que ia de moto ainda caiu, mas conseguiu
levantar-se e perseguir o carro”, acrescentou.
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Às 17.30 houve "debandada
geral" na Polícia Judiciária |
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Às 17.30 horas de ontem, os inspectores da Polícia
Judiciária (PJ) deram por terminadas todas as diligências
processuais que estavam a realizar, cumprindo o primeiro dia de
greve às horas extraordinárias, "com uma adesão de quase cem por
cento". Várias acções de reconhecimento a locais ficaram a meio.
"Foi a debandada geral", assegurou ao DN o presidente da
Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal (ASFIC).
Carlos Anjo disse ter tido conhecimento de apenas dois
inspectores que cessaram as tarefas um pouco para além das
17.30. "Depois desta hora, apenas permaneceram nos locais de
trabalho os inspectores que integram as equipas de prevenção e
de piquete", explicou, dizendo desconhecer se foi interrompida
alguma diligência de cariz investigatório.
Contudo, o DN sabe que algumas acções de reconhecimento a locais
foram abandonadas pelos inspectores quando iam entrar em período
extraordinário de trabalho.
A paralisação às horas extraordinárias deverá também afectar
muitas diligências processuais , nomeadamente a realização de
escutas telefónicas e de buscas domiciliárias.
Uma questão antiga
Há muitos anos que os inspectores da PJ reivindicavam o direito
à remuneração de horas extraordinárias. O actual Governo aceitou
dialogar, mas reconheceu que seria financeiramente insuportável
o pagamento, uma vez que, segundo as contas a que chegou, cada
inspector contabilizava mais de 40 horas extraordinárias por
mês.
Com este dado, o Ministério da Justiça (MJ) chegou a acordo com
a ASFIC no sentido de os inspectores receberem mensalmente um
subsídio de disponibilidade. O anteprojecto de lei chegou a
estar feito, e enviado à entidade sindical a 6 de Dezembro,
assim como a correspondente verba foi transferida para o
orçamento da PJ", explicou ao DN Carlos Anjo.
Embora a negociação tenha avançado, "o Governo deu depois o dito
pelo não dito", acrescentou aquele responsável sindical,
justificando, assim, a paralisação dos inspectores no horário
pós-laboral.
Mas, as questões reivindicativas não se ficam por aqui. Quando o
Governo anunciou a sua intenção de alterar os regimes de
aposentação e de saúde dos inspectores, o Ministério da Justiça
combinou com a ASFIC que, relativamente à aposentações, a idade
da reforma passaria dos 55 para os 60 anos, mas com um período
de transição. Relativamente à saúde, foi acordado manter-se o
regime de acesso aos Serviços Sociais do MJ.
Ora, a 30 de Dezembro foi publicado em Diário da República os
diplomas sobre aquelas matérias, com entrada em vigor dois dias
depois. A ASFIC ficou surpreendida ao verificar que o Governo
decidira abolir o tal período de transição no regime de
aposentação, retirando também aos cônjuges dos inspectores o
direito de continuarem a usufruir dos SSMJ. "Ou seja, o MJ
acorda umas coisas e depois legisla outras - o que é
completamente inadmissível ", disse ao DN Carlos Anjo.
As acções de protesto vão, pois, continuar. De acordo com aquele
responsável, a 1 de Fevereiro cessa a greve às horas
extraordinárias e, caso o Governo se mostre intransigente,
começam os vários departamentos da PJ a paralisar um dia por
mês, até Abril.
A par destes gestos, a ASFIC já entregou no tribunal um pedido
de impugnação dos diplomas publicados no Diário da República,
com o fundamento de que o Governo "violou a lei da negociação".

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Baleou militar da GNR e
barricou-se em casa |
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Soldado cumpria, com outros guardas, mandado de busca quando foi
surpreendido por tiros de caçadeira
Autoridades procuravam provas de furtos, que terão sido
praticados pelo filho
Um indivíduo de 54 anos baleou ontem, ao início da tarde, um
GNR, atingindo-o com gravidade no rosto, e depois barricou-se no
interior da sua residência, no Lugar da Adega, Sobral de Monte
Agraço. À hora do fecho desta edição, e após mais de 12 horas de
cerco policial, o homem, que já cumpriu pena de prisão pelo
assassinato de um tio, mantinha-se fechado em casa, em silêncio
quase absoluto.
Tudo aconteceu cerca do meio-dia, quando seis militares da GNR
se deslocaram à casa do indivíduo, munidos de um mandado de
busca domiciliária, para recolher provas da prática de furtos a
viaturas e residências, alegadamente perpetrados pelo filho do
atirador, detido na noite anterior.
Os militares chegaram a trocar palavras com o pai do detido e
proprietário da casa, mas quando tentaram entrar na residência o
homem empunhou uma caçadeira e disparou sobre um dos guardas. "O
proprietário teve algum tempo a falar connosco e, sem motivo
aparente, fez um disparo", explicou ao JN o tenente-coronel
Cardoso Pereira.
Prognóstico reservado
O militar, do destacamento de Vila Franca de Xira, de apelido
Ferreira, com 26 anos, sofreu graves lesões no rosto,
nomeadamente num olho, tendo sido encaminhado para o Hospital de
Torres Vedras e, mais tarde, para S. José, em Lisboa, onde foi
sujeito a uma delicada intervenção cirúrgica. De acordo com
fonte hospitalar, "o prognóstico é reservado e as próximas horas
são cruciais".
Segundo Varandas Fernandes, director da Urgência, o militar
ainda corre risco de vida devido a um "traumatismo neurofacial".
As lesões, feridas e fracturas múltiplas, atingiram sobretudo o
lado esquerdo da face. Aquele responsável não sabe precisar,
para já, que tipo de sequelas poderão resultar do disparo
sofrido.
A GNR montou um perímetro de segurança na zona e cercou a casa
do atirador. A Estrada Nacional 240, entre Sobral de Monte
Agraço e Arruda dos Vinhos, foi cortada ao trânsito. As
negociações, quer por elementos da Guarda, quer pela Polícia
Judiciária, revelaram-se difíceis. A meio da tarde, o indivíduo
deixou de atender os telefonemas das redes móvel e fixa feitos
pelos negociadores.
Filha tentou comunicar
Durante horas, não houve resposta ao megafone das autoridades.
Os movimentos do indivíduo eram controlados do exterior, com a
ajuda de elementos da Companhia de Operações Especiais da GNR.
Cerca das 21 horas, uma filha e um genro do indivíduo foram ao
local para tentar quebrar o impasse, mas este continuou sem
responder. O JN soube que a filha, com quem o homem tem fortes
laços afectivos, tentou falar com o pai através de um megafone,
mas este não terá manifestado qualquer reacção.
O "acto tresloucado", como definiu a Guarda, foi testemunhado
pelo filho do atirador, que acompanhava os militares na operação
de busca à residência. "O jovem disse que estava surpreendido e
que nem sabia que o pai tinha uma arma em casa", avançou o
tenente-coronel Cardoso Pereira.
Alguns populares desconfiam da surpresa manifestada pelo jovem
suspeito, afirmando que o indivíduo terá um "arsenal de armas"
na residência. "São conhecidos aqui na terra por arranjar
problemas", apressou-se a explicar Manuel Pipa, um morador,
junto a um café de Monfalim, o mais próximo da casa do atirador.
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PSP e GNR anunciam manifestações
em todo o País |
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Os profissionais da PSP e os militares da GNR vão avançar
para uma manifestação em vários pontos do País para exigirem ao
Governo a reposição imediata de "todas as regalias sociais" que
dizem ter perdido. A concentração está marcada para o próximo
dia 14 de Março e vai ter lugar junto do Ministério da
Administração Interna, em Lisboa, e dos governos civis da
capital, Porto, Coimbra e Faro. Idêntica acção está também
prevista no mesmo dia para as regiões autónomas.
A iniciativa foi ontem anunciada, em conferência de imprensa,
por quatro estruturas sindicais da PSP e pela Associação
Sócio-Profissional Independente da Guarda. Que se insurgiram
contra o facto de o Executivo as ter equiparado aos demais
funcionários públicos em matéria de serviços sociais e
aposentação [aumentando a idade de reforma para os 60 anos]. "O
Governo só nos equiparou em matéria de deveres, não respeitou o
facto de exercermos uma profissão de desgaste permanente",
criticou o dirigente sindical Peixoto Rodrigues, exigindo
"também queremos os direitos".
Os policiais disseram estar a "viver um momento difícil" e
sublinharam que aquelas manifestações descentralizadas têm por
objectivo "mostrar ao Governo o descontentamento" dos elementos
das forças de segurança.
O protesto desta "plataforma sindical" não se fica por aqui os
sindicatos têm já pronto um abaixo-assinado que vão distribuir
em todos os postos e esquadras do País, onde se insurgem contra
"a ofensiva que tem sido levada a cabo pelo Governo contra os
elementos da PSP" e exigem "o pagamento das horas
extraordinárias, do trabalho nocturno e do subsídio de risco". O
documento será entregue ao ministro no dia 14 de Março, aquando
da concentração. "Será isto pedir demais? Os policiais e
militares da Guarda serão filhos de um Deus menor?",
questionaram-se os dirigentes sindicais.
Os profissionais da PSP e da GNR exigiram ainda ser ouvidos nas
negociações colectivas de contratação laboral - "não nos
sentimos representados pelo sindicato da Função Pública e temos
o direito à negociação colectiva". António Ramos, dirigente do
Sindicato dos Profissionais da Polícia, admitiu mesmo recorrer
ao Presidente da República para que ponha fim à discriminação de
que dizem ser alvo nas negociações em sede de concertação
social.
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Investigação policial sem
fiscalização |
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Os órgãos de polícia criminal (OPC), nomeadamente a Polícia
Judiciária (PJ), estão a investigar sem qualquer fiscalização
externa, avisa o presidente do Sindicato dos Magistrados do
Ministério Público (SMMP), ilibando de responsabilidades os
procuradores que investigaram o caso Casa Pia relativamente aos
números de telefone de altas individualidades que surgem no
processo.
"O MP não requereu nenhuma facturação detalhada dos titulares
dos telefones noticiados, nem tais documentos estão nos autos. A
noticia é falsa", disse ao DN António Cluny, no seguimento do
comunicado do Procuradoria-Geral da República (PGR) que negava
também os factos narrados pelo jornal 24 horas.
Mas, ao que o DN apurou, trata-se de informação com fundamento
(ver texto ao lado). Por isso, questionamos Se o MP não o
solicitou aquela facturação detalhada, como é que ela surge
junta ao processo?
É uma questão que, para António Cluny, deve ser investigada.
Mas, partindo-se de um pressuposto "A PSP, GNR e PJ têm leis
orgânicas que lhes permite investigar sem qualquer controlo
externo", afirmou. Perante esta premissa, outra questão se
coloca? Terão sido os inspectores da PJ, ligados ao processo
Casa Pia, que solicitaram à PT a facturação à revelia do MP?
A directoria da PJ, contactada pelo DN, preferiu não se
pronunciar sobre o assunto. O presidente do SMMP, por seu lado,
lembra que, até Novembro de 2000 - quando entrou em vigor a nova
lei orgânica da PJ -, o MP tinha competência para inspeccionar a
actividade daquela força de segurança. No anos noventa, com
Cunha Rodrigues à frente da Procuradoria-Geral da República
(PGR), foram realizadas três inspecções (1990, 1993 e 1997). A
primeira destas foi motivada, precisamente, por "situações
graves" relacionadas com escutas telefónicas. As intercepções
das comunicações seriam feitas no âmbito de averiguações
sumárias e, portanto, sem controlo judicial.
Lembrou António Cluny que, após Novembro de 2000, a PJ passou a
ser controlada pela inspecção-geral dos serviços da justiça,
dependente do Ministério da Justiça. Porém, têm competência
apenas para questões de natureza administrativa, e não para
fiscalizar processos em segredo de justiça.
Neste sentido, António Cluny advoga "a necessidade urgente de se
repensar todo este sistema inspectivo", frisando "Os cidadãos
tem de ter a certeza que as diligência desenvolvidas nas
investigações são as do processo, e não outras".
No contexto de um maior controlo da acção judiciária,
recorde-se, também o Governo está preocupado com a actuação do
MP. O Ministério da Justiça já tem preparado um anteprojecto de
lei-quadro para a política criminal que prevê uma fiscalização
mais apertada dos magistrados. Depois de o diploma entrar em
vigor, caberá à Assembleia da República definir as prioridades
da investigação, de dois em dois anos, pedindo depois contas ao
PGR.
O Sindicato do Ministério Público já fez saber, em relação
aquele projecto, que quem pede contas também tem de fornecer
meios.
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"Faltam
700 polícias e instalações dignas" ao Comando Metropolitano
da PSP |
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O Comando Metropolitano do Porto da PSP precisa de mais 700
efectivos, enquanto os actuais 3100 agentes trabalham em
condições degradantes. Em média, o patrulhamento apenas fica a
cargo de 120 elementos, porquanto os restantes estão afectos a
outros serviços. A denúncia partiu do PCP, após uma visita de
uma delegação daquele partido aos comandos da PSP e da GNR da
cidade. Para os deputados Jorge Machado e Ilda Figueiredo, as
instalações das forças de segurança "são francamente más", o
parque automóvel encontra-se "desactualizado" e a rede
informática "é obsoleta". Neste caso, os agentes "têm de
servir-se, inclusivamente, de material pessoal".
De acordo com os comunistas, que, afirmaram, reflectiam as
preocupações da PSP e GNR, os coletes à prova de bala "são
manifestamente insuficientes" e as armas pessoais antiquadas,
"facto grave mediante o aumento da criminalidade violenta, bem
organizada e melhor equipada".
Os deputados elencaram, igualmente, as esquadras da PSP
desajustadas das novas realidades urbanas e aquelas que,
sublinharam, "não apresentam condições mínimas de dignidade".
Essas "péssimas condições" são extensivas à GNR, disseram. Para
além da ausência de meios apropriados para a investigação, foi
dado o exemplo do Quartel do Carmo, onde chegam a pernoitar 60
homens em beliches, num espaço dotado de três sanitas.

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Brincar à segurança
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A segurança é um dos pilares fundamentais do Estado. Talvez
mesmo a sua justificação primordial. A greve dos profissionais
da Polícia Judiciária (PJ) e a ameaça de gozo de um dia de
férias, numa mesma data, por parte dos agentes da Polícia de
Segurança Pública (PSP) revelam o estado de irresponsabilidade
que faz caminho na segurança portuguesa.
Legitimamente, os profissionais da PJ protestam contra a
falta de pagamento de parte do trabalho prestado fora do horário
de trabalho. Se o Estado está a faltar aos seus compromissos,
impõe-se que os respeite. É óbvio, mas nem por isso regra de
aplicação. Mas quando se avança para a greve num sector tão
sensível para a segurança e a justiça, importa que se marque a
diferença em relação ao alvo do protesto. Se o Governo não se
comporta como pessoa de bem, ao não respeitar compromissos
assumidos, os agentes policiais devem demonstrar as suas razões
de forma responsável. Não é o que vem acontecendo. Ontem, um
dirigente sindical da PJ admitia que a greve às horas
extraordinárias poderia conduzir a interromper perseguições a
criminosos "(...) Uma perseguição que esteja a decorrer às 17.30
poderá ficar a meio... ser interrompida." A declaração seria
hilariante se estivéssemos perante qualquer aventura de banda
desenhada. Mas como estamos perante polícias de investigação
criminal a atitude é grave e reprovável. Se o protesto policial
tem justificação, perde-a quando os seus agentes se mostram tão
irresponsáveis.
Também os polícias de segurança pública, que não têm direito
à greve, encontraram uma forma ridícula de a fazerem. "Não faça
greve, goze férias com os colegas de trabalho" - é o lema que
encontraram para lutar contra as alterações aos regimes de
aposentação e de saúde recentemente aprovadas. O cenário é
impossível, pois as férias não se gozam unilateralmente, mas o
tom de brincadeira com que se lida com a segurança dos cidadãos
faz-nos pensar na pouca responsabilidade e respeitabilidade das
forças policiais. Alguns sindicalistas das polícias teimam em
confundir-se com desordeiros. Parecem incapazes de tomadas de
posição sérias quando lhes podemos reconhecer razões fundadas de
protesto.
O Governo não estará decerto a preparar a extinção das
polícias, como um divertido sindicalista referia ontem, mas
também não se mostra à altura dos problemas que atravessam as
designadas forças da autoridade. Há cada vez mais instabilidade
nas polícias, demasiadas deficiências e desleixo. Se a
autoridade não se dá ao respeito, como é que pode ser
respeitada? E alguém se importa?
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