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Segurança:
Ministro conhece relatório anual
700 polícias feridos |
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O número de ataques a agentes da autoridade está a aumentar e no
ano passado 700 polícias receberam tratamento hospitalar devido
a agressões. Quatro morreram, todos agentes da PSP, e outros
três mil foram também atacados, com menor gravidade.
No total, há um
aumento de casos em relação a 2004. A tendência de subida não é
nova, mas surge num contexto de descida da criminalidade
participada às autoridades policiais.
A versão de 2005 do Relatório Anual de Segurança Interna,
documento que congrega os dados da actividade de todas as forças
e serviços de segurança durante o ano, foi discutido ontem no
Gabinete Coordenador de Segurança do Ministério da Administração
Interna, na presença do ministro António Costa. E, tal como em
2004, houve uma descida no total de crimes participados à
Polícia.
O decréscimo na criminalidade total participada em 2005, quando
comparada com o ano anterior, deverá situar-se entre os cinco e
os seis por cento e é acompanhado por descidas em diferentes
tipos de crime. “Registou-se também uma quebra nos crimes mais
graves (3,5%)”, adiantou ao CM fonte oficial. A descer estão
igualmente os números da criminalidade grupal e juvenil (5,5%) .
Mas, apesar de todos estes ‘sinais positivos’, há indicadores em
sentido contrário. Um dos mais preocupantes é o dos ataques a
agentes da autoridade. Os quatro agentes da PSP mortos no ano
passado, três na Amadora e um no Algarve, mantiveram inalterado
o número mais trágico. Em 2004 tinham morrido também quatro
polícias.
“Ao nível dos ferimentos, desde os casos mais graves até aos
mais ligeiros, mas que obrigam a tratamento hospitalar, a
tendência também é de descida”, confirmou ao CM a mesma fonte.
Ainda assim, cerca de 700 agentes da autoridade foram feridos em
serviço, vítimas de agressões ou atropelamentos.
Por outro lado, o número de outros ataques à Polícia é cerca de
quatro vezes superior, 3200, e está a subir. “São casos menos
graves, pontapés e socos, em que os agentes não carecem de
tratamento. Mas que reflectem uma tendência muito preocupante”,
admitiu o responsável.
A subida, neste caso, ronda os 40 por cento e ajuda o aumento do
total de ataques à Polícia, uma tendência que tem vindo a
acentuar-se todos os anos. “É um fenómeno que está a crescer e
que não pode ser ignorado”, disse um responsável policial. De
2003 para 2004, por exemplo, a subida foi superior a 50 por
cento e a PSP, que tem a sua zona de intervenção nas principais
cidades, registou o maior número de situações.
'MENOS CRIME PARTICIPADO' (Leonel de Carvalho, Gab.
Segurança do MAI)
Correio da Manhã – Como se explica a descida registada o ano
passado na criminalidade participada às autoridades?
Leonel de Carvalho – Trata-se de um indicador global. Ou seja, é
o resultado da comparação de todos os crimes participados num
determinado ano com o mesmo valor do ano anterior. E esse valor
é menor. Ou seja, houve menos crimes participados. Mas a descida
global não significa que todos os crimes tenham descido. Alguns
aumentaram em relação a 2004.
– Mas houve descidas nos crimes mais graves, na criminalidade
grupal e juvenil. Porquê?
– Os factores que justificam essa variação podem ser muitos.
Podemos estar a analisar um determinado tipo de crime, praticado
por um grupo, que é desmantelado. Esse crime desce. Pode ter a
ver com factores económicos, sociais. E, claro, temos de admitir
uma maior eficácia das forças policiais no combate à
criminalidade.
– Ao contrário, houve mais ataques a elementos da Polícia.
– Esse é um indicador que tem vindo a aumentar desde que começou
a ser analisado.
– O facto de Portugal ter organizado, em 2004, o Europeu de
Futebol e o Rock in Rio, de características muito específicas,
pode condicionar a comparação com os valores de 2005?
– Ao contrário do que se temia, o Campeonato Europeu de Futebol
correu muito bem. As pessoas temiam que a grande afluência de
visitantes significasse a deslocação para Portugal de
criminosos. E isso não aconteceu. Em matéria de segurança o
balanço foi muito positivo. De tal modo que, quando comparado
com 2003, esse ano registou uma descida de um por cento na
criminalidade total participada, uma tendência que se acentuou
no ano passado. Por outro lado, registou-se também um
investimento nos meios ao dispor das forças e serviço de
segurança.
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Escoltas e guardas de
honra estão a dividir forças policiais |
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As forças
policiais vão reunir-se hoje, no âmbito do Gabinete Coordenador
de Segurança, para tentar eliminar as divisões, com
consequências delicadas a nível operacional, e em que vai ser
também debatida a revisão do Plano Coordenador de Segurança. Em
causa estão, por exemplo, as competências para realizar as
escoltas e guardas de honra a altas entidades, ou as
competências territoriais, o que tem vindo a criar situações de
conflito entre a PSP e a GNR. Tem havido situações em que as
duas forças chegam a disputar a presença, em particular nos
casos mais mediáticos.
As divisões acabam por ter consequências a nível operacional,
uma vez que obrigam a múltiplas reuniões para se chegar a
consensos, em situações tão simples como o facto de, por
exemplo, definir quem tem competências para realizar as
escoltas, como veio a acontecer na recente cerimónia de tomada
de posse de Cavaco Silva como presidente da República.
É que a GNR tem entendido que as escoltas a altas entidades têm
que ser definidas pela área de responsabilidade onde são
realizadas e quanto às guardas de honra estão regidas pelo
Regulamento de Continências e Honras Militares (RCH), que define
ser essa uma função estrita das forças militares - Forças
Armadas e GNR.
A PSP, pelo contrário, tem defendido o conceito de estender a
segurança pessoal a altas entidades - da sua exclusiva
competência - à segurança de grupo, ou de comitivas, o que
permitiria apagar a questão da competência territorial. Já
quanto às guardas de honra, a PSP tem conseguido executar essa
função através do designado "desembaraço de trânsito", o que lhe
permite ultrapassar a questão levantada pelo RCH e, na prática,
fazer uma guarda de honra a altas entidades.
No entanto, por trás destes problemas está também o Plano
Coordenador de Segurança, um documento que não é revisto desde
1989, não obstante o facto de desde então o panorama criminal
ter sofrido importantes alterações.
Mas a verdade é que não tem sido fácil chegar a um consenso, em
particular pelas disputas entre a PSP e a GNR, e o documento
revisto que hoje vai ser debatido já vai na sua terceira versão,
pela dificuldade de levar as forças policiais a um acordo.
O facto de a Polícia Judiciária querer agora criar a Unidade
Táctica aumentou a confusão, pelo receio por parte da PSP e da
GNR de perderem a margem de manobra para fazer intervir as suas
unidades especiais.
A questão da Unidade Táctica vai por certo ser colocada na
reunião a ter lugar durante a manhã de hoje, no Gabinete
Coordenador de Segurança, mas um responsável da Direcção da PJ,
contactado pelo JN, garantiu que da reunião não vai sair uma
decisão "Apresentámos o projecto de criação da unidade ao senhor
ministro da Justiça, de quem dependemos estatutariamente, e é
dele que sairá a decisão. No entanto, estamos disponíveis para
prestar os esclarecimentos que nos forem colocados".
Cimeira Ibérica realizada em Évora
A Cimeira Ibérica, que decorreu nos dias 18 e 19 de Janeiro, foi
um dos momentos mais mediáticos no plano das relações entre
Portugal e Espanha, mas a GNR e a PSP disputaram fortemente a
primazia na segurança. É que a cimeira decorria numa área da
competência da GNR mas as altas entidades estavam em parte
hospedadas em áreas da PSP. Houve inúmeras reuniões para definir
as competências, mas a verdade é que no final quase se gerou uma
situação de conflito entre a PSP e a GNR.
Tentativa de suicídio na ponte 25 de Abril
No dia 25 de Janeiro, um homem tentou atirar-se da ponte 25 de
Abril depois de ter assassinado a mulher na Amora, Seixal, na
Margem Sul do Tejo. Se bem que a ponte seja uma extensão da
Auto-Estrada n.º 2, da competência territorial da GNR, que só
acaba já no acesso a Alcântara, a verdade é que a PSP acorreu ao
local e acabou por solucionar o problema, evitando o suicídio.
Quem não ficou bem foi a GNR, que protestou junto do Ministério
da Administração Interna a alegada ingerência por parte da PSP
de Lisboa numa área da sua competência territorial,
desconhecendo-se o resultado da diligência.
Tomada de posse de Cavaco Silva
Os problemas levantaram-se na definição das escoltas aos
percursos seguidos por Cavaco Silva e por Jorge Sampaio, tendo
em conta também o conceito de guarda de honra. A GNR alegou que
a escolta a Cavaco Silva seria sempre da sua competência, uma
vez que se tratava de um chefe de Estado, mas a PSP jogou com o
"desembaraço de trânsito", para conseguir manter uma escolta com
meios motorizados. As questões foram levantadas igualmente no
percurso entre o Palácio de Belém e o Palácio de Queluz, com
Cavaco Silva já presidente da República.

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Sindicatos recebidos
na portaria |
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Foi com
evidente mal-estar que ontem terminou a manifestação de
polícias, organizada pelo Sindicato de Profissionais de Polícia
(SPP), na Praça do Comércio, em Lisboa. É que o abaixo-assinado
com 12 mil assinaturas pelo pagamento de horas extraordinárias e
reposição de regalias perdidas foi entregue ao Ministério da
Administração Interna, mas a comitiva policial, liderada por
António Ramos, dirigente do SPP, não passou da portaria, onde o
documento acabou por ser deixado.
O ministro estava na Assembleia da República, na Comissão de
Assuntos Constitucionais Direitos Liberdades e Garantias (ler
caixa), onde teceu fortes críticas ao SPP, mas António Ramos
reagiu com naturalidade "Já estamos habituados às palavras do
senhor ministro. Mas a verdade é que ele vai sempre colmatar as
coisas depois de nós fazermos críticas". Em contrapartida,
Peixoto Rodrigues, dirigente da Associação Sindical de Agentes (ASG),
um dos outros sindicatos presente na manifestação, lembrou o
tratamento bem diferente na Madeira: "O nosso documento foi
recebido pelo doutor Alberto João Jardim e em Faro, Coimbra e
Porto fomos recebidos pelos governadores civis. É bom ver as
diferenças".
A manifestação em Lisboa não teve mais de duzentos
participantes, embora tenha sido convocada por cinco sindicatos
e uma associação da GNR (a ASPIG), facto que foi justificado por
Peixoto Rodrigues, por o comando da PSP ter "convocado os
agentes à última horas para operações". Um dado desmentido pelo
Comando de Lisboa. Visível foi também o aparato de segurança
convocado, com duas viaturas de transporte de pessoal com mais
de vinte agentes da Secção de Intervenção Rápida, uma força
especialmente equipada para ordem pública.
Indiferença do ministro
"A manifestação é-me completamente indiferente". O tom do
comentário do ministro da Administração Interna sobre o protesto
de ontem foi de total recusa ao diálogo. António Costa garantiu
não ter "nada a dizer" aos sindicatos organizadores e teceu
críticas particularmente duras para o Sindicato dos
Profissionais de Polícia, que acusa de agir de forma
"lamentável" e com "mentiras". Sobre a acusação de haver
serviços marcados para impedir agentes de ir à manifestação,
disse desconhecer "Têm de perguntar aos comandos".
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Manif de forças de
segurança «é-me indiferente», diz ministro |
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O ministro da
Administração Interna reagiu com indiferença à concentração de
profissionais da PSP e da GNR na Praça do Comércio,
acrescentando que a um dos sindicatos que a organizou (SPP) só
tem a dizer «não».
«A manifestação
é-me indiferente», disse António Costa, questionado pelos
jornalistas após uma reunião conjunta nas comissões
parlamentares de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades
e Garantias e eventual para os Fogos Florestais.
Algumas
centenas de profissionais da PSP e GNR estão concentrados desde
as 17:30 de hoje na Praça do Comércio, em Lisboa, nas
proximidades do Ministério da Administração Interna para
exigirem a «reposição imediata» de regalias sociais.
Esta
manifestação de profissionais das forças de segurança - uma
acção descentralizada que também decorre nas principais capitais
de distrito, assim como nos Açores e na Madeira - foi organizada
por cinco estruturas sindicais e associativas da Polícia de
Segurança Pública (PSP) e da Guarda Nacional Republicana (GNR).
Sindicatos dos
Profissionais de Polícia (SPP/PSP), Associação Sindical
Independente de Agentes da PSP, Sindicato Nacional da Carreira
de Chefes, Sindicato Independente de Agentes e Associação
Sócio-Profissional Independente da Guarda são as entidades
organizadoras da manifestação.
António Costa
apelidou de «lamentável» a atitude do SPP, ao qual só tem a
dizer «não», e remeteu para os comandos a questão de haver ou
não profissionais da PSP que foram colocados em serviços para
assim não comparecerem na manifestação.
«Não sei se é
verdade que estão a ser chamados», disse, acrescentando: «têm de
perguntar aos comandos».
O presidente da
Associação Sindical Independente de Agentes, Peixoto Rodrigues,
disse à Lusa que «muitos elementos da PSP pretendiam deslocar-se
à Praça do Comércio para participar na concentração mas os
comandos prepararam operações de última hora, impedindo-os de
participar».
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Agressões às
forças policiais sobem dez por cento na PSP e na GNR |
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A s agressões aos agentes da autoridade aumentaram no ano
passado mais de dez por cento, face a 2004, segundo dados
reportando-se à actividade da PSP e da GNR a que o JN teve
acesso. No seio das forças policiais, a preocupação é grande e
tem sido acompanhada por soluções operacionais e de formação,
mas é cedo para verificar se a resposta oficial à violência é a
mais indicada.
O número de ocorrências mortais manteve-se em quatro casos, os
feridos graves e feridos ligeiros diminuíram cerca de 20 e 25
por cento respectivamente, mas as agressões corporais que não
obrigaram a tratamento hospitalar aumentaram cerca de 40 por
cento. A média geral cifra-se num aumento que ronda os 10 por
cento. Os números vão fazer parte do relatório nacional de
segurança interna, mas a verdade é que a tendência de subida se
manifesta desde 2002, isto numa altura em que hoje uma
plataforma sindical de forças forças policiais, liderada pelo
SPP vai sair à rua em protesto.
No entanto, para um homem que marcou a história criminal do
país, conhecido por Zé da Caçadeira, de 56 anos, o problema está
em "haver muitas armas". "No meu tempo só quem andava no roubo à
mão armada é que andava com armas. Éramos aí uns 100, mas também
havia muitos disparos e na altura a polícia também disparava por
tudo e por nada", recorda.
Agora, é diferente, "qualquer ladrão de carros, um arrombador,
até mesmo um carteirista, anda armado. E depois nem sabem usar
uma arma". A geração do Zé da Caçadeira veio da Guerra
Colonial."Estávamos habituados a usar armas. Agora não, às vezes
nem sabem puxar uma culatra atrás" e a possibilidade de "um
maior nervosismo e de um disparo fortuito é também grande e as
armas são também mais sofisticadas". E conhece o perfil das
novas gerações, até pelos 21 anos que passou na cadeia. "Conheço
muitos deles", confessa.
Início de ano preocupa GNR
Como corolário de uma violência que está longe de se extinguir
no uso de armas de fogo, o início do ano corrente está marcado
por uma nova subida de agressões contra as forças policiais, em
particular contra a GNR, segundo o tenente-coronel Costa Cabral,
responsável pela 5ª Repartição do Comando-Geral adiantou ao JN
"Os nossos números apontam um crescimento das agressões face a
igual período do ano anterior. Vamos ver se é uma situação
contingente ou se pelo contrário se mantém".
Costa Cabral salienta, no entanto, que a "resposta da Guarda tem
sido também mais rápida relativamente às situações", uma vez que
a "informação corre também de modo mais célere". Ou seja, ao
contrário do que se verificava em anos anteriores, é agora cada
vez mais frequente os militares da Guarda chegarem aos locais
onde se verificam os actos criminosos numa altura em que os
agressores ainda se encontram no local. Como consequência, "é
mais fácil também haver confrontos", sustenta o oficial que
dirige a repartição de relações públicas da GNR.
Já a PSP, através de Hipólito Cunha, responsável pelo Gabinete
de Relações Públicas da Direcção Nacional, reconhece um aumento
dos números, em particular na zona de Lisboa, onde as agressões
aos agentes aumentaram 54 por cento - tal como o comandante do
Comando Metropolitano de Lisboa, superintendente Oliveira
Pereira, salientou no dia do respectivo comando.

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Ministro traça quadro
negro das instalações policiais |
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Condições de
funcionamento das unidades da PSP e da GNR são "um dos mais
graves problemas" de infra-estruturas do país
António Costa quer maior partilha de recursos
O ministro da Administração Interna, António Costa, admitiu
ontem que as condições de funcionamento da maioria das esquadras
da PSP e postos da GNR estão longe do desejável, afirmando mesmo
que este é um dos "mais graves problemas" de infra-estruturas
que o país tem.
O governante falava nas comemorações do 139.º aniversário do
Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, que decorreram no
Estoril, e durante as quais foi inaugurada a primeira Esquadra
do Século XXI (ver texto ao lado). Trata-se de um projecto
inovador, de aposta nas novas tecnologias, que estará em teste
até Junho e que deverá ser alargado a todo o dispositivo da PSP
e da GNR.
Como exemplo daquilo que não deve ser uma instalação policial,
António Costa destacou a esquadra de Cascais, que funciona num
edifício exíguo no centro da vila. A construção do novo imóvel
está parada há cerca de quatro anos, devido a problemas com o
então empreiteiro, estando prevista a conclusão dos trabalhos
para dentro de cerca de ano e meio.
O estado em que se encontram as instalações policiais deve-se,
segundo o ministro, ao "desinvestimento" dos últimos anos. "Não
há milagres, mas não podemos ficar conformados com a situação",
frisou.
Só a fixação do dispositivo territorial de ambas as forças de
segurança e o levantamento da situação de todas as unidades
permitirá "ter uma visão das reais necessidades".
Uma vez que os recursos financeiros do MAI não são ilimitados,
há que alterar procedimentos para que o investimento possa
crescer. António Costa lembrou que 85% do orçamento do MAI
destina-se à PSP e à GNR, mas, destes, 95% são gastos em
despesas com o pessoal. "Não é que o pessoal ganhe muito. A
verba disponível é que é pouca", explicou.
Para alterar este cenário, tem que haver "mais serviços
partilhados". Um dos exemplos avançados é o da Rede Nacional de
Segurança Interna, que deverá estar em funcionamento a partir do
final do próximo ano. Actualmente, são gastos todos os anos 12
milhões de euros com as redes de comunicação do MAI, PSP e GNR.
Com o novo sistema, essa verba baixa para os 6,5 milhões de
euros.
António Costa destacou ainda os 10 helicópteros que vão ser
comprados e que não poderão ficar exclusivamente afectos ao
Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil.
"Terão que estar permanentemente em serviço, para evitar
situações como a de ontem [anteontem], em que a PSP teve que
recorrer a um helicóptero da Força Aérea durante a cerimónia de
posse do novo Presidente da República", afirmou.
Segundo o ministro, só esta partilha de serviços e uma aposta
forte nas novas tecnologias permitirão "novas formas de
trabalho". "Em Portugal, não há nada mais difícil do que colocar
dois serviços a funcionar em parceria, mesmo dentro do mesmo
ministério", salientou.
Números
12
milhões de euros são gastos anualmente com as redes de
comunicação do MAI, PSP e GNR. Quando, no final do próximo ano,
estiver a funcionar a Rede Nacional de Segurança Interna, essa
verba irá baixar para os 6,5 milhões de euros.
200
mil euros foram investidos pelo Grupo PT no desenvolvimento da
primeira Esquadra do Século XXI.
Inaugurada esquadra do século XXI
Colocar ao serviço do cidadão e dos elementos das forças
policiais as potencialidades das novas tecnologias é o
princípio-base de um novo modelo de segurança que desde Janeiro
está em teste na esquadra da PSP do Estoril e que, ontem, foi
apresentado. A Esquadra do Século XXI - uma iniciativa conjunta
do MAI, PSP e Grupo PT - está equipada com as mais recentes
inovações tecnológicas, o que permite agilizar procedimentos
administrativos e aproximar a comunidade da Polícia. Enquanto
espera para ser atendido numa esquadra, o cidadão pode assistir
a vídeos sobre segurança, através do Canal PSP, ou imprimir
formulários necessários à participação de ocorrências, no
quiosque multimedia. Outras ferramentas importantes são a
videoconferência - o comando da esquadra pode reunir on-line com
os responsáveis da divisão evitando deslocações - e a
georeferenciação através da qual se sabe, em tempo real, a
localização das viaturas e os agentes apeados. Em www.psp.pt/esquadrasecxxi,
tem-se acesso a informação sobre a esquadra da área de
residência e a possibilidade de denunciar qualquer ocorrência.
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Esquadra-modelo da
PSP inaugurada sexta-feira |
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Dia do Comando Metropolitano de Lisboa comemorado com abertura
de esquadra com inovações tecnológicas
A inovação
tecnológica é uma das apostas da Polícia de Segurança Pública
(PSP) que celebra sexta-feira o dia do Comando Metropolitano de
Lisboa, no Centro de Congressos do Estoril, com a inauguração de
uma esquadra-modelo.
Em
funcionamento desde 1997, «a 51ª esquadra da PSP do Estoril foi
convertida em esquadra-modelo do século XXI», como disse à
agência Lusa a sub-comissária do Comando Metropolitano de
Lisboa, Paula Monteiro.
As inovações
tecnológicas efectuadas na esquadra fazem parte de um protocolo
entre a Portugal Telecom (PT) e a PSP que será assinado
sexta-feira, de acordo com a mesma fonte.
Entre as
potencialidades da nova esquadra, destacam-se a utilização de
videoconferência e de um novo sistema de geo-referenciação que
permite localizar os agentes no terreno. Este sistema permitirá
aos profissionais, através do alarme do rádio, pedirem ajuda sem
que tenham que dizer onde estão.
Durante a
cerimónia, a PT fará uma apresentação técnica das
potencialidades da nova esquadra, sendo também projectado um
filme sobre a mesma.
Ainda no âmbito
das comemorações do dia do Comando Metropolitano de Lisboa, o
ministro da Administração Interna (MAI), António Costa, visitará
a esquadra-modelo.
No Centro de
Congressos, será inaugurada uma exposição temática dos meios do
Comando de Lisboa e cerca de 60 crianças vão aprender regras de
segurança rodoviária, numa escola fixa de trânsito.
As comemorações
ficam completas com os discursos do Comandante do Comando
Metropolitano de Lisboa e do MAI e a entrega de louvores e
condecorações. Vão estar também presentes na cerimónia o
presidente da Câmara Municipal de Cascais e o governador civil
de Lisboa, o director Nacional da PSP e administradores da PT,
entre outros.
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PSP:
Esquadra de Trânsito de Queluz recebeu dois
Coletes fora de prazo |
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A Direcção Nacional (DN) da PSP entregou, na última sexta-feira,
dois coletes antimotim na esquadra de trânsito da PSP de Queluz.
Os acessórios respondem a uma reivindicação antiga dos agentes
daquele departamento policial.
Só que o prazo
de validade de uso – tempo durante o qual os materiais de que
são compostos os coletes oferecem garantias de protecção – de
ambos os equipamentos já expirou há dez anos.
Desde 4 de Fevereiro de 2002, dia em que o agente Felisberto
Silva, da esquadra da PSP da Damaia, foi morto quando tentava
resolver um acidente de viação, que a esquadra de trânsito de
Queluz vem reivindicando a entrega de coletes antimotim.
“Trata-se da única esquadra de trânsito existente na Divisão da
Amadora. Os agentes têm de tratar dos acidentes em todo o
concelho da Amadora, e ainda Cacém e São Marcos. As
probabilidades de situações de violência são enormes”, disse ao
CM fonte policial.
Na sexta-feira de manhã, após mais de quatro anos de espera,
chegaram finalmente dois coletes antimotim. “Vieram directamente
da Direcção Nacional da PSP. Foram fabricados pela empresa sueca
Swedish Body Armour, e pesam nove quilos cada”, acrescentou a
mesma fonte.
No entanto, quando abriram os coletes, os agentes verificaram
que a validade dos mesmos tinha expirado em 1996. Fora de prazo,
os equipamentos oferecem uma protecção quase nula. “Na rua, o
agente está susceptível a tudo. Fica sem qualquer tipo de
protecção”, salientou.
Contactado pelo CM, Hipólito Cunha, chefe do gabinete de
Relações Públicas da DN , disse “desconhecer o assunto”.
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Segurança: Força de Elite é objectivo para este ano
Judiciária vai ter operações
especiais |
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A Unidade de
Resposta Táctica da PJ começou a ser preparada há cerca de dois
anos. Em Janeiro, Santos Cabral assumiu que era um dos
objectivos para 2006. Mas a entrada ao serviço da nova força
está a abrir uma guerra entre polícias.
A Polícia
Judiciária vai contar, dentro de pouco tempo, com uma equipa de
operações especiais vocacionada para missões de combate ao crime
organizado e ao terrorismo, à semelhança do que já faz o Grupo
de Operações Especiais (GOE) da PSP e a Companhia de Operações
Especiais (COE) da GNR. A criação da Unidade de Resposta Táctica
(URT) é um dos objectivos de gestão da Direcção Nacional da PJ
para este ano, mas a nova unidade, encarada por muitos como uma
duplicação desnecessária de meios, ameaça abrir uma guerra entre
polícias mesmo antes de nascer.
“Entendeu-se por correcto criar uma unidade que desse apoio a
operações da Polícia Judiciária – nas áreas da sua competência –
que se revestissem de maior risco para os investigadores”,
explicou ao Correio da Manhã Manuel Rodrigues, porta-voz da
Direcção Nacional da PJ. A decisão, explica o mesmo responsável,
foi tomada “no seguimento de diversas operações, algumas
recentes, que vieram reforçar a sua necessidade”.
Um despacho do director nacional da PJ, Santos Cabral, já
homologado pelo ministro da Justiça, Alberto Costa, com os cinco
objectivos principais para este ano, incluindo a criação da URT,
veio tornar público um processo que decorre há pelo menos dois
anos. Foi em Novembro de 2004 que, segundo consta no relatório
de importações de armas do Ministério da Defesa relativo a esse
ano, a PJ adquiriu os primeiros exemplares daquela que se supõe
vir a ser a espingarda de assalto da URT.
As oito metralhadoras israelitas Tavor TAR 21, compradas por
8076 euros, foram apresentadas aos instrutores de tiro da
Judiciária, na carreira de tiro da Carregueira, por um um
técnico da IMI – Israel Army Industries, fabricante da Tavor.
Desde então, e segundo fontes policiais contactadas pelo CM,
alguns elementos da PJ terão viajado até aos Estados Unidos da
América para receberem formação, ao mesmo tempo que se
intensificou o esforço de equipamento.
A Judiciária não revela muitos pormenores sobre a URT – segundo
Manuel Rodrigues “para evitar polémicas sem sentido”–, mas
confirma que os homens das operações especiais já estão na PJ.
“Recorremos à ‘prata da casa’. A unidade será composta por
quadros da Polícia Judiciária. Alguns elementos estão já há
algum tempo a receber formação específica em diversas áreas que
consideramos fundamentais.”
A implementação da Unidade de Resposta Táctica está referenciada
no mesmo objectivo em que se alude à necessidade de continuar a
implementar a estrutura de resposta à ameaça terrorista, feita
através de uma alegada reestruturação da Direcção Central de
Combate ao Banditismo (DCCB).
Embora tudo aponte para que a URT venha a estar na dependência
directa do director nacional, como uma espécie de unidade de
reserva, à semelhança do que sucede na PSP, é provável que a
maior parte do trabalho seja feito directamente com a DCCB, mais
do que com qualquer outro departamento da PJ.
Isto porque é à DCCB que cabe investigar o terrorismo e a
criminalidade mais grave e organizada – onde as operações de
captura de suspeitos podem revestir-se de maior perigosidade. “O
objectivo é evitar danos graves para o pessoal de investigação
e, até mesmo, para os suspeitos que estejam a ser capturados”,
disse Manuel Rodrigues.
Quando for apresentada, a URT tornar-se-á na sexta unidade de
operações especiais portuguesa e passarão a ser três os
ministérios – Defesa, numa vertente militar, Administração
Interna e, agora, Justiça – a tutelar forças com este tipo de
capacidade à disposição. Contactado pelo CM, o assessor do
Ministério da Justiça, que tutela a PJ, afirmou desconhecer o
assunto. Resposta igual teve o assessor do Ministério da
Administração Interna, a que respondem a PSP e a GNR.
PORTUGAL TEM CINCO EQUIPAS
A Unidade de Resposta Táctica da PJ será a sexta equipa
vocacionada para operações especiais a actuar em Portugal,
juntando-se às duas das forças de segurança, o GOE da PSP e a
COE da GNR, e às três dos ramos militares. Na Marinha, o
Destacamento de Acções Especiais dos Fuzileiros tem participado
em diversas acções da PJ, nomeadamente na abordagem a navios em
operações de combate ao tráfico de droga. As capacidades de
Portugal, contudo, não se esgotam no mar. Em Lamego, o Exército
mantém activo o Batalhão de Elementos de Operações Especiais, ao
mesmo tempo que na Força Aérea uma unidade treina todos os dias,
na Base Aérea do Montijo, acções de resgate de pilotos em
território inimigo. Chama--se Rescom, Resgate em Combate.
TREINAR COM ALTA EXIGÊNCIA
A diferença abissal entre o número de candidatos a qualquer
unidade de operações especiais, seja civil ou militar, e o grupo
de escolhidos no final do curso é suficiente para perceber a
dureza do treino. Normalmente, as centenas transformam-se em
dezenas em escassas semanas. “O treino é muito exigente porque
as missões não admitem falhas”, explicou ao CM um elemento do
GOE. Para pertencer a uma unidade de elite, o candidato tem de
mostrar capacidade psicológica, de modo a lidar com situações de
pressão máxima, destreza e resistência física e, acima de tudo,
discrição. A formação inclui exercício físico, defesa pessoal,
tiro com todo o tipo de armas e as mais diversas acções tácticas
em todo o tipo de ambientes operacionais.
CRIAÇÃO DE NOVA UNIDADE MAL RECEBIDA PELAS POLÍCIAS
Começou por ser apenas um rumor, que circulava aos mais altos
níveis na PSP e na GNR, mas de há um ano para cá a possibilidade
de a PJ criar uma Unidade de Resposta Táctica tornou-se tão
certa como mal recebida no seio das forças de segurança.
Oficialmente, e apesar de contactadas pelo CM, nem a PSP nem a
GNR querem comentar, mas entre os operacionais são cada vez mais
frequentes expressões como “duplicação desnecessária de meios” e
“absoluta falta de lógica”.
Neste momento, quer a GNR quer a PSP têm unidades vocacionadas
para as situações policiais de maior violência: a Companhia de
Operações Especiais (COE), do Batalhão Operacional do Regimento
de Infantaria, e o Grupo de Operações Especiais (GOE),
respectivamente,
Uma e outra apoiam, sempre que é necessário, acções pela PJ,
como confirmaram ao CM fontes policiais. No ano passado, por
exemplo, realizaram-se, pelo menos, dez acções conjuntas.
“O País é demasiado pequeno para que se dupliquem meios desta
forma. Se já há duas unidades deste tipo, qual é a necessidade
de se criar uma terceira?”, questiona um alto responsável
policial, sob anonimato. “Pela frequência com que são
utilizadas, há valências policiais que não devem ser duplicadas.
Falta definição nesta matéria”, sublinha.
A PSP escusou-se a fazer qualquer comentário oficial e a GNR,
através do seu porta-voz, tenente-coronel Costa Cabral, fez o
mesmo. “Não comentamos. Apenas posso dizer que quanto melhor
equipadas estiverem as forças de segurança mais eficaz será o
combate à criminalidade”, disse o oficial.
COMO É LÁ FORA COM AS POLÍCIAS
ESPANHA
Espanha tem duas equipas policiais de operações especiais: os
GEO (do Corpo Nacional de Polícia, equivalente à PSP); e os UEI
(Guardia Civil, como a GNR).
FRANÇA
A Gendarmerie Nationale (equivalente à GNR) conta com duas
unidades, a GIGN e a EPIGN. Já a Polícia Nacional francesa
(congénere da PSP), tem apenas um grupo, o RAID.
ISRAEL
Israel conta apenas com uma unidade especial na polícia civil –
a YAMAM –, já que grande parte da segurança interna está
entregue à IDF, o Exército israelita.
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PSP e GNR manifestam-se
dia 14 |
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Estruturas sindicais anunciam «manifestações» e exigem reposição
de regalias sociais
Cinco
estruturas sindicais e associativas da PSP e da GNR voltaram a
anunciar «manifestações descentralizadas» por todo o país no dia
14 para exigirem ao governo a «reposição imediata» de regalias
sociais.
Em conferência
de imprensa, em Lisboa, o Sindicato dos Profissionais de
Polícia, Associação Sindical Independente de Agentes da PSP,
Sindicato Nacional da Carreira de Chefes, Sindicato Independente
de Agentes e Associação Sócio-Profissional Independente da
Guarda indicaram que já recolheram cerca de 10 mil assinaturas
de profissionais da PSP e GNR «descontentes com a situação» que
serão entregues no dia da manifestação no Ministério da
Administração Interna.
Os dirigentes
daquela «plataforma sindical» referiram que as assinaturas
recolhidas serão entregues também nos Governos Civis do Porto,
Coimbra e Faro e ao ministro da República para os Açores.
«Nesse dia
realizar-se-ão manifestações/concentrações de profissionais da
Polícia de Segurança Pública (PSP) e Guarda Nacional Republicana
(GNR) junto das instalações daquelas instituições», explicaram
os dirigentes sindicais.
A «plataforma
sindical» da PSP e da GNR acusa o governo de «desonestidade
intelectual» e exige o «pagamento das horas extraordinárias, do
trabalho nocturno e aos sábados, domingos e feriados e do
subsídio de risco em vigor noutras forças de segurança».
Outra exigência
é «a definição de horário de trabalho e a extinção da
disponibilidade total, que vai contra os direitos consagrados na
Constituição».
«Se somos
equiparados à Função Pública para os deveres, também exigimos
sê-lo para os direitos. É uma questão da mais elementar
justiça», afirmou Fernando Peixoto, dirigente da Associação
Sindical Independente de Agentes da PSP.
Por seu lado, o
presidente do Sindicato dos Profissionais de Polícia, António
Ramos, defendeu «a necessidade de unir todos os profissionais da
PSP e da GNR num movimento nacional contra o Governo» e garantiu
que os polícias «não vão baixar os braços».
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Agentes da PSP absolvidos
de crime de sequestro |
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Eram acusados também de abuso de poder. Tudo porque retiveram
numa sala da esquadra de Santarém um outro agente que se recusou
a fazer um teste de alcoolemia
O Tribunal de
Santarém absolveu um oficial e uma chefe da PSP que tinham sido
acusados por um agente da corporação de sequestro na esquadra da
cidade, na noite de 11 de Junho de 2002.
O caso terá
ocorrido quando um subintendente da PSP, segundo comandante da
Escola Prática de Polícia, em Torres Novas, e na altura a
desempenhar funções de inspector na Inspecção-Geral da PSP, se
deslocou à Esquadra da polícia de Santarém para uma acção de
fiscalização.
Na ocasião, o
agente de sentinela à esquadra encontrava-se a fumar um cigarro,
o que terá sido motivo para uma troca de palavras entre o
oficial e o agente. A discussão culminou com uma ordem do
oficial para que o agente se submetesse ao teste de alcoolemia.
Tendo recusado,
e encontrando-se na sala dos graduados, ter-lhe-á sido impedida
a saída, mesmo quando pediu para beber água, ir à casa de banho
ou fumar um cigarro. Apenas saiu para ir à casa de banho quando
a chefe - na ausência momentânea do subintendente - autorizou o
agente a sair da sala, para onde voltaria logo de seguida, tendo
aí permanecido até às 23:30.
O agente
intentou então um processo-crime contra o oficial e a chefe, por
sequestro e abuso de poder, que o colectivos de juízes do
Tribunal de Santarém viria hoje a dar como não provados,
absolvendo os arguidos.
O Tribunal
considerou que não terá havido privação da liberdade do agente,
uma vez que o seu dever de obediência ao oficial cessava a
partir do momento em que a ordem [de retenção na sala]
configuraria um crime.
O agente foi,
por sua vez, condenado ao pagamento das custas judiciais do
processo. À saída, o advogado do agente, João Martins Leitão,
admitiu recorrer do acórdão.
Entretanto,
está a correr um processo cível do agente da PSP contra o
oficial e a chefe, no qual reclama uma indemnização de 15 mil
euros.
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DGV pode mandar
apreender veículos que não tenham seguro válido
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Direcção-Geral
de Viação (DGV) está autorizada a pedir às forças policiais para
apreenderem todos os veículos que não tenham o seguro
obrigatório em vigor. A luz verde foi dada pelo Governo em
finais de Julho passado, aquando da publicação em Diário da
República do novo regime de pagamento de prémios de seguro
(Decreto-Lei 122/2005) que entra hoje em vigor para os contratos
já existentes, os chamados continuados.
Até agora quem circulava sem contrato de seguro obrigatório (o
tradicional responsabilidade civil contra terceiros), apesar de
ser considerado uma infracção grave - segundo o novo Código da
Estrada -, punida com coima entre 500 a 2500 euros no caso de
automóvel ou motociclo, só era apanhado se tivesse um sinistro
ou se fosse detectado numa operação stop.
A nova legislação faz um aditamento ao Decreto-Lei 142/2000 e
impõe que todas as companhias de seguros, a operar em território
nacional, comuniquem à DGV sempre que acabe um contrato de
seguro obrigatório automóvel, bem como todos os novos contratos
realizados. Nessa base de dados a enviar à DGV, as seguradoras
terão que revelar a matrícula do veículo, a identificação do
condutor e a respectiva morada. Feito o cruzamento de dados, a
DGV, "caso verifique não ter sido coberto o risco por um novo
contrato, comunica o facto à força policial competente para
efeitos de fiscalização" (...) "devendo estas apreender,
procedendo à remoção ou bloqueamento".
Fonte do sector segurador explica que "passa a haver, pela
primeira vez, uma contabilização e um controlo efectivo dos
veículos que circulam sem seguro".
Até agora, as estimativas feitas pelo Instituto de Seguros de
Portugal, órgão que supervisiona o mercado segurador português,
apontam para a existência de mais de 70 mil veículos a circular
sem seguro válido nas estradas nacionais.
Outro gestor do sector destaca ainda que o novo poder dado à DGV
vai permitir reduzir bastante o número de queixas junto do Fundo
de Garantia Automóvel (FGA) - organismo responsável pelas
indemnizações por lesões corporais quando se desconhece o autor
ou não exista seguro e por danos materiais quando o responsável
não tem seguro válido.
"Será benéfico para as finanças do FGA", disse gestor de uma
companhia de seguros que admitiu ainda que as zonas periféricas
de Lisboa e Porto são as mais problemáticas em termos de
circulação de veículos sem seguro.
O DN contactou, na segunda-feira, a DGV para obter mais
pormenores sobre a aplicação da nova legislação, mas até ao
fecho da edição não esteve ninguém disponível devido ao feriado.
A revisão da
lei sobre pagamento de seguros determina que o seguro só é
válido depois de pago. A partir de hoje entra em vigor para os
contratos já existentes que estejam para ser renovados.
Ao contrário do que acontecia até agora, os acidentes deixam de
estar cobertos pelo seguro 30 dias após se vencer a data que o
segurado tinha para pagar.
A nova lei tinha entrado em vigor já no início de Dezembro, mas
apenas para os novos contratos de seguros, a partir de hoje
alarga-se também aos chamados "seguros continuados", ou seja,
renovados na data determinada.
Actualmente, em cerca de 20% dos contratos de seguro não são
pagos dentro do prazo-limite, o que origina cerca de três
milhares de processos em tribunal, segundo a Associação
Portuguesa de Seguradores (APS). Em termos financeiros, os
gestores do sector asseguram que representa mais de 100 milhões
de euros por ano.
No que respeita ao seguro de responsabilidade civil automóvel
obrigatório, tanto o certificado internacional como o
certificado provisório passam a ser emitidos só depois do
pagamento do prémio, uma vez que só a partir desse momento se
inicia a cobertura do risco. É neste sentido que a generalidade
das seguradoras tem antecipado o envio do recibo de pagamento
para os segurados, fazendo-o acompanhar de um panfleto
explicativo sobre as novas normas, já que quem não pagar o
seguro até à data de vencimento fica automaticamente sem seguro.
Uma realidade que, segundo vários gestores do sector, poderá
apanhar, a curto prazo, desprevenidos muitos segurados que sem
saber poderão vir a circular sem seguro.
Fonte do sector segurador prevê que esta nova legislação irá
também incentivar a rotação de clientes entre seguradores.
"Agora basta não pagar o seguro para mudar de seguradora",
refere.
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Deputado do PSD apanhado
a mais de 200 km/hora |
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Ricardo
Almeida pediu ao Governo Civil de Coimbra para não lhe apreender
a carta
Do currículo do "acelera" constam quase duas dezenas de multas,
quase todas arquivadas
Um deputado do PSD, eleito pelo círculo do Porto, foi
interceptado na auto-estrada, na zona de Coimbra, a circular a
mais de 200 quilómetros por hora. O auto está no Governo Civil
de Coimbra, ao qual Ricardo Almeida, de 31 anos, fez um pedido
especial no sentido de lhe ser perdoada a apreensão da carta de
condução. O problema é o historial de infracções graves e muito
graves do político, que já foi autuado quase duas dezenas de
vezes. Em quase todas teve a "sorte" de ver os processos
arquivados.
O "deputado voador", como é conhecido nos meandros policiais, já
foi autuado pela Brigada de Trânsito de Aveiro, Guarda, Leiria e
Lisboa, pela PSP e pela GNR. Do seu "currículo" constam
transgressões cometidas ao volante de pelo menos quatro carros
distintos. Mas nenhum deles registado em nome de Ricardo
Almeida.
Apesar do "azar" de ter sido surpreendido pelas autoridades a
infringir o Código da Estrada, o deputado acabou sempre por ter
"sorte", uma vez que os autos ou foram arquivados ou estão em
vias disso.
Há pelo menos quatro multas que foram arquivadas por prescrição
na entidade autuante. Isto significa que quem levantou o auto
reteve-o durante pelo menos um ano em seu poder, sem o enviar à
Direcção-Geral de Viação (DGV).
Só por excesso de velocidade, o deputado tem pelo menos seis
multas no "currículo" (quase todas "graves" ou "muito graves"),
sem contar com a "muito grave" que aguarda despacho de decisão
no Governo Civil de Coimbra. A mais grave de todas foi
"arquivada por decisão de prescrição". Trata-se de uma multa
levantada pela BT de Aveiro, em Junho de 2004, que o Governo
Civil daquele distrito decidiu arquivar.
Mas também há arquivamentos de multas de Ricardo Almeida por
decisão do tribunal e outras por decisão de delegados regionais
da DGV.
Há uma "infracção grave", por excesso de velocidade, que foi
"arquivada por prescrição enviada ao infractor". Quer isto
significar que durante o processo de instrução, na DGV, foram
ultrapassados os 18 meses que a Lei então em vigor determinava
como prazo limite para a prescrição (com a nova Lei, o prazo
aumentou para 30 meses).
Ao JN, Ricardo Almeida afirmou-se surpreendido com o "histórico"
de infracções e disse não se lembrar de ter sido tantas vezes
autuado. "Reconheço que, às vezes, ultrapasso os limites de
velocidade, mas isso é porque sou um deputado que cumpre
horários. Não sou como outros que não chegam a horas às
reuniões", justificou o deputado, ex-dirigente da Federação
Académica do Porto .
O governador civil de Coimbra, Henrique Fernandes, garantiu que
não perdoará multas a ninguém, "independentemente do seu
estatuto". "Se é deputado, é mais uma razão para dar o exemplo e
cumprir as leis", frisou o governador civil.
14
arquivados É pelo menos este o número de autos por infracções ao
Código da Estrada que foram levantados ao deputado do PSD e,
entretanto, arquivados.
4
prescrições No "currículo" de Ricardo Almeida constam pelo menos
quatro autos que foram arquivados por prescrição na entidade
autuante, que não enviou os processos em tempo útil para a DGV.
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Maioria das vítimas
portuguesas calam agressões e não pedem justiça
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A maioria das
vítimas portuguesas não apresentam queixa junto das autoridades.
Também não pedem indemnizações nos casos graves. E muitos dos
objectos furtados encontrados pelas polícias não são reclamados.
Os cidadãos têm falta de informação e de confiança na Justiça,
argumentam os técnicos. Hoje é o Dia Europeu da Vítima de Crime.
A conclusão resulta da comparação dos dados de organismos que
apoiam as vítimas de crime. E todos convergem na escassa
participação dos portugueses quanto a queixas judiciais. Aliás,
esse facto é comprovado pelo Inquérito Internacional de
Vitimação, realizado há cinco anos com a colaboração do
Ministério da Justiça, e que comparou os dados de 17 países, a
maioria europeus, mas também o Canadá, a Austrália e o Japão.
Portugal apresentava a mais baixa participação às autoridades
policiais, apenas 32% das ofensas criminais, quando média
internacional era de 50%. O valor mais elevado registava-se na
Dinamarca, 60%.
"Não era um
crime sério"; "a questão foi resolvida pelo próprio"; "não vale
a pena"; "a polícia não iria fazer nada", foram os argumentos
para não apresentar o caso à polícia.
"As pessoas não devem pensar assim. Vale sempre a pena
denunciar", contrapõe o subintendente Luís Elias do Departamento
de Operações da Direcção Nacional da PSP. E explica: "É
fundamental termos conhecimento dos ilícitos criminais, não só
porque os cidadãos fazem uso dos direitos, mas também porque
ajudam as autoridades a encontrar os autores dos crimes. O
grande problema são os realizados por desconhecidos".
Os dados de 2005 da Associação de Apoio à Vítima (APAV), a que o
DN teve acesso, indicam que apenas 43% das 6 701 pessoas que
recorreram à organização apresentaram queixa junto das
autoridades. Destas, 55,5% deslocaram-se à PSP; 31,5% à GNR e
6,7% ao Ministério Público. A APAV abriu 6186 processos,
correspondendo a 14 375 factos criminais.
"As pessoas vêem a autoridade policial como a porta de entrada
no sistema judicial e querem esquecer os maus tratos, fazer uma
nova vida", explica João Lázaro, dirigente da APAV. E
acrescenta: " Por outro lado, o sistema judicial não é célere e
isso não ajuda. E quando a vítima está com um novo projecto de
vida recebe uma notificação do tribunal. É um processo de
revitimação".
Mas, quando não
há denúncia, não se podem accionar os mecanismos de protecção.
E, no caso dos objectos furtados, estes acabam por não ser
entregues, à excepção dos carros. Grande parte dos artigos,
nomeadamente relógios, rádios, carteiras e computadores, são
vendidos e a receita reverte para o Estado.
Mas a inversa também é verdadeira, ou seja, há muitos queixosos
que recorreram a uma autoridade policial e nunca viram os bens.
Há melhorias, diz Luís Elias: "Com o Sistema Estratégico de
Informação conseguimos fazer o cruzamento de informação e, com
alguma eficácia, detectar onde foram apresentadas as denúncias
dos objectos encontrados nas operações".
As pessoas não reclamam, mesmo no caso de crimes graves. Em
2005, a Comissão de Protecção às Vítimas dos Crimes Violentos
apenas recebeu 65 pedidos de indemnização menos um do que em
2004. Esta tem sido a média anual, com excepção de 1997 devido
às indemnizações das FP-25 e em que os processos duplicaram.
Em 2005, a maioria dos pedidos são de viúvas, cujos maridos
foram vítimas de homicídio. A média da indemnização é de 15 mil
euros, menos quatro mil que em 2004. Criada em 1993, a Comissão
analisa as compensações nos crimes que provoquem lesões graves e
uma doença de 30 dias ou que altere o nível de vida da vítima. O
limite da verba é 30 mil euros.

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Reacção a anúncio do
Governo
ASPP: "Direitos dos polícias não
devem ser reduzidos com uma reestruturação" |
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A Associação
Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP-PSP) rejeitou hoje
uma reestruturação das forças de segurança que implique a
redução de salários e outros direitos dos agentes.
"Os direitos
dos polícias não devem ser reduzidos com uma reestruturação,
antes pelo contrário, é preciso estabilizar e motivar os
profissionais porque o crime organizado está a aumentar", disse
à Lusa o presidente da ASPP, Paulo Rodrigues.
O sindicalista reagia ao anúncio feito hoje pelo ministro da
Administração Interna, António Costa, de que a tutela pretende
"aumentar o peso do investimento e diminuir o peso da despesa
com pessoal, o que implica uma reestruturação do conjunto das
forças, tendo em vista racionalizar as estruturas de forma a
haver melhor investimento".
Segundo referiu o ministro, 85 por cento do orçamento da
Administração Interna vai exclusivamente para a GNR e a PSP e,
deste, 95 por cento é despendido com gastos em pessoal, ficando
apenas cinco por cento para despesa de investimento.
António Costa afirmou, contudo, que não está em causa o
despedimento de funcionários públicos, antes "recolocar as
pessoas para locais onde possam ser mais úteis".
O governante apontou a deslocação de funcionários públicos para
as secretarias das esquadras da PSP como exemplo de uma das
medidas que pode melhorar a eficácia das polícias sem aumentar a
despesa com pessoal.
ASPP defende "optimização dos profissionais para que
respondam às solicitações"
A ASPP-PSP "defende há vários anos a reestruturação no sector e
a optimização dos profissionais para que respondam às
solicitações das populações, mas essa reforma não pode reduzir
os seus direitos, como já aconteceu", afirmou, por seu lado,
Paulo Rodrigues.
Por exemplo, no ano passado, "os cortes no antigo serviço de
assistência na doença levaram a um aumento de despesas de saúde
e, consequentemente, a perdas de vencimento estimadas em dez por
cento", disse também Paulo Rodrigues.
O presidente da ASPP considerou que a intenção do Governo de
transferir profissionais da polícia de ocupações administrativas
para missões operacionais "não faz sentido porque muitos deles
trabalham nestas tarefas há 20 e mais anos e não estão em
condições físicas e mentais para serem operacionais de rua".
Em vez disso, defendeu "uma aposta nas camadas mais jovens de
profissionais" para as missões operacionais e "a manutenção de
polícias em certos trabalhos" como as comunicações na central de
rádio, a recolha de informação e o apoio à investigação
criminal.
"São tarefas especiais que devem ser feitas por polícias com
formação e não por funcionários públicos", frisou ainda Paulo
Rodrigues, admitindo, contudo, que outras áreas administrativas
poderiam ser asseguradas por civis.
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Polícias: Governo quer
reduzir despesas com pessoal para aumentar investimentos |
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O ministro da Administração Interna, António Costa, afirmou
hoje, no Porto, que o Governo pretende reduzir as despesas com
os profissionais da GNR e PSP para poder investir mais em
«infra-estruturas e equipamentos» novos.
«Nós temos que
aumentar o peso do investimento e diminuir o peso da despesa com
pessoal, o que implica uma reestruturação do conjunto das
forças, tendo em vista racionalizar as estruturas de forma a
podermos ter melhor investimento», afirmou o ministro, no âmbito
de uma cerimónia de entrega de 179 novas viaturas e motociclos à
GNR e PSP.
Segundo
referiu, 85 por cento do orçamento da Administração Interna vai
exclusivamente para a GNR e a PSP e, deste, 95 por cento é
despendido com gastos em pessoal, ficando apenas cinco por cento
para despesa de investimento.
António Costa
afirmou, contudo, que não está em causa o despedimento de
funcionários públicos, antes «recolocar as pessoas para locais
onde possam ser mais úteis».
Apontou a
deslocação de funcionários públicos para as secretarias das
esquadras da PSP como exemplo de uma das medidas que pode
melhorar a eficácia das polícias sem aumentar a despesa com
pessoal.
«É uma forma de
termos mais cinco mil agentes disponíveis para as actividades de
segurança, sem termos necessidade de aumentar a despesa e termos
funcionários públicos a desempenhar funções mais úteis«,
sustentou.
Para o
ministro, o que está em causa na reforma da administração
pública é »reorientar o conjunto da despesa pública«.
«Não se trata
de gastar menos, trata-se, sobretudo, de gastar melhor, gastar
menos em áreas que não são essenciais à actividade do Estado»
para concentrar a despesa em funções de soberania e actividades
que «assegurem a segurança interna», disse.
António Costa
entende que aumentar o peso da despesa de investimento no
contexto da PSP e GNR é possível através de «grande rigor e
imaginação na gestão», por forma a dotar aquelas forças
policiais de melhores instalações, viaturas e armamento.
Defendendo que
o Estado precisa de reforçar «ao longo dos anos» o investimento
na segurança, António Costa disse que os novos veículos e
motociclos hoje entregues representam cerca de 2,1 milhões de
euros.
O governante
disse ter sido já possível aumentar a despesa do investimento no
orçamento rectificativo de 2005, «com um reforço de 130 por
cento no orçamento do investimento da PSP e GNR», bem como foi
viável «consolidar em 2006» esse reforço, apesar de todos os
constrangimentos financeiros.
«Ao longo dos
últimos 20 anos o país desinvestiu nas forças de segurança e tem
que agora recuperar e acelerar a recuperação quanto a esse
desinvestimento«, afirmou.
As viaturas e
motociclos entregues destinam-se aos distritos de Aveiro, Braga,
Bragança, castelo Branco, Coimbra, Guarda, Porto, Viana do
Castelo, Vila Real e Viseu.
No final da
cerimónia, ficou a promessa para »breve« de mais uma entrega à
PSP e GNR de novas viaturas para distritos do sul do país.

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Como Se Investiga em
Portugal |
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Ao contrário do que acontece na série norte-americana, os CSI
portugueses – peritos do Laboratório da Polícia Científica (LPC),
fundado em 1957 – não prendem, não interrogam suspeitos e, na
maioria das vezes, nem sabem como é que terminam os casos em que
estiveram envolvidos. Mas os 87 técnicos e 24 administrativos
que pertencem aos quadros da Polícia Judiciária são responsáveis
pela resolução de inúmeros crimes: a maioria, na área da moeda
falsa.
Em cada 100
perícias realizadas no ano passado, 42 relacionavam-se com a
falsificação de euros e dólares. Neste ramo, a competência dos
técnicos nacionais é tal que o Banco Central Europeu não hesita
em pedir-lhes ajuda, sempre que detecta excelentes imitações de
notas. Também na toxicologia os investigadores da PJ têm forte
reputação. Há dois anos, numa espécie de concurso para detectar
os componentes de uma droga, bateram outros 30 laboratórios
europeus que tiveram a mesma incumbência.
Além dos falsários e dos traficantes, há muitos outros arguidos
na cadeia por causa de um laboratório que a partir de um cabelo
ou de uma microscópica gota de sémen é capaz de chegar a um
violador. E que, se o local do crime não tiver sido muito
frequentado, não tem problemas em reconstituir os últimos passos
de uma pessoa, antes desta ter sido assassinada.
Foi o que sucedeu o ano passado, no caso Joana. O LPC foi
determinante na condenação da mãe e do tio da jovem algarvia. Os
peritos estiveram na casa de Leonor, na aldeia de Figueira, e
conseguiram detectar os vestígios que a menina deixou no último
dia em que o Tribunal disse que ela esteve viva. Assinalaram
cinco, com recurso a luz ultravioleta. Dois estavam no exterior
da casa. Eram impressões palmares, ambas da mão direita da
menina cujo corpo ainda não apareceu: uma a cerca de 70
centímetros do chão, outra a 25 centímetros. No interior da
residência, encontraram mais três marcas: uma de cada mão e uma
que se admite ser da cara da jovem. Perante estas conclusões,
juízes e jurados não tiveram dúvidas em afirmar, na sentença,
que Joana havia sido atirada com violência contra uma das
paredes.
NÃO COMO RESPOSTA
"Não posso falar desse caso. Ainda não acabou. Os arguidos
recorreram da decisão do Tribunal", disse Saudade Nunes,
directora do LPC. Não, aliás, foi a palavra que o CM mais ouviu
na reportagem sobre o secretíssimo Laboratório da Polícia
Científica, que está instalado na sede da PJ, em Lisboa. Não se
pode falar com os peritos. Não se pode fotografar as
instalações. Não se pode entrar nos gabinetes onde estão a ser
feitas análises. Não há respostas quando a pergunta tem a ver
com casos concretos, do passado ou do presente.
A Direcção Nacional da PJ só autorizou uma entrevista e fotos à
principal responsável do CSI Lisboa. "Vejo a série algumas
vezes, mas anda muito longe da realidade. Há ali uma mistura de
polícia e perito. Em Portugal o perito não interroga nem ouve
pessoas. Não temos contactos com suspeitos. Apenas realizamos as
perícias com base nos vestígios que são recolhidos. Enfim, na
série há alguma promiscuidade entre a polícia e os peritos",
disse Saudade Nunes, bem instalada num gabinete amplo, decorado
com quadros e dois crachás gigantes da PJ.
Saudade Nunes cumpriu à risca as instruções que recebeu dos
superiores hierárquicos e começou por dizer 'não' a um pedido de
fotos das instalações, sugerindo uma foto do exterior. Mas
acabou por dizer ‘sim’. No entanto, todos os passos da equipa do
CM foram vigiados pela secretária da directora, Helena Martins.
Simpática mas inflexível sempre que a máquina era apontada a
algo que tinha de ficar em segredo.
Como um cartaz onde apareciam as caras de vários peritos a
trabalhar ou outro onde se liam recomendações da ENFIC, a
associação europeia de laboratórios policiais. Um metro ao lado,
outro rotundo ‘não’. Desta vez, num quadro branco, aparecia um
carro a despenhar-se num precipício, que bem podia ser no Cabo
da Roca. Na fotocópia A3, a cores, surgia uma viatura em várias
posições: a primeira, ainda em terra firme; a segunda, já com as
rodas da frente fora da falésia; a terceira, no ar, já meio
inclinada; a quarta, ainda no ar, mas com as rodas viradas ao
contrário, e a quinta no local onde foi encontrada, desfeita, a
centímetros do mar.
"É um caso que está a ser investigado", justificou Helena
Martins, quando solicitou ao repórter fotográfico para não
'disparar'. "Ali já pode", sugeriu, indicando vários ‘placards’,
bem como um armário com uma colecção de balas, outro com uma
colecção de plantas bem acondicionadas em frascos – num deles a
mortal cicuta, que tirou a vida ao filósofo grego Sócrates (399
a.C.) – e um microscópio da balística desactivado.
HOMICIDA E FALSIFICADOR
Num dos ‘posters’ gigantes, porém, há duas histórias do LPC.
Daquelas que o CM pediu a Saudade Nunes para contar...
A primeira fala de uma carta anónima enviada para a Polícia
informando que uma pessoa tinha sido assassinada e
posteriormente queimada. As autoridades deram crédito ao que
leram e foram ao local mencionado. Não tardaram muito tempo a
encontrar o cadáver: estava exactamente nas condições descritas
pelo autor da carta. Durante algum tempo, a polícia não soube o
que fazer. Foram ouvidos muitos suspeitos e nada. Não havia um
único indício que apontasse o dedo a quem quer que fosse ou que
permitisse fazer qualquer conjectura. Até que um dos peritos do
Laboratório da Polícia Científica decidiu dar uma vista de olhos
aos autos de declarações dos suspeitos que tinham sido
inquiridos. Parou numa assinatura que lhe chamou a atenção.
Havia ali algo que já tinha visto. E tinha mesmo. Uma das letras
da assinatura era de tal forma característica que justificou o
pedido de autógrafo da pessoa em questão. Era uma das que mais
tinha colaborado nas investigações. Estava sempre pronta a dar
palpites e a opinar sobre tudo e mais alguma coisa. Era o
assassino. Tinha sido ele o autor da carta anónima. Foi
descoberto por causa de uma letra.
A segunda história é a de um cheque tinha sido passado pelo
valor de três mil escudos. Mais tarde, quer no numerário quer no
extenso, passou a valer trinta e três mil escudos. Ciente de que
o acrescento da palavra "trinta" no início do extenso era
demasiado evidente, o falsário responsável pela alteração do
valor do cheque decidiu dar-lhe um toque de veracidade. Virou o
papel rectangular ao contrário e, no verso, escreveu: "Declaro
que são trinta e três mil escudos", seguido da assinatura,
falsificada, do titular.
Como, à primeira vista, estava tudo bem, o banco não teve
qualquer problema em pagar o cheque à pessoa que o apresentou no
balcão. Mais tarde, porém, o titular reclamou: afinal,
tinham-lhe sacado trinta mil escudos a mais da conta. As
autoridades foram chamadas a intervir e o cheque acabou por ir
parar às mãos de um dos 11 peritos em falsificações do
Laboratório da Polícia Científica. Acompanhavam-no autógrafos do
suspeito. Do indivíduo que foi ao banco sacar o cheque.
Após uma análise aturada, os elementos do LPC concluíram: a) que
os dizeres da face do cheque "Trinta" e "3", bem como os do
verso "Declaro que são trinta" foram redigidos pelo falsário
imitando a escrita originária do cheque; b) – que os restantes
dizeres da "Declaração" - "Três mil escudos" - bem como a
assinatura foram decalcados dos dizeres existentes na face do
cheque.
Os peritos do LPC não sabem o que sucedeu ao assassino e ao
falsário. Presumem que terão sido detidos. "Não é como no CSI,
cujos agentes estão em todo o lado. Nós não estamos do princípio
ao fim dos casos. Temos o nosso lugar. Ninguém deve esquecer que
a série é ficção." Saudade Nunes fez mesmo questão de sublinhar
que não se compara ao chefe do CSI. "Em Portugal não há um
Grissom. É impossível alguém dominar tantas áreas como ele
domina. Ah.. e, já agora... convém dizer que, ao contrário da
série norte-americana, uma análise ao ADN não se faz em minutos.
No mínimo, demora sempre 48 horas", salientou, escusando-se a
revelar a identidade dos responsáveis pelas cinco áreas do LPC:
Biologia, Física, Química, Toxicologia, Balística e
Falsificações. "Eles não querem. Gostam de passar
despercebidos".
Um dia depois de o CM ter estado na sede da PJ, os peritos do
LPC concluíram que o recente incêndio em Faro, onde morreram
quatro pessoas, teve origem num curto-circuito.
MEMÓRIAS DE UM PERITO
Quem já não está abrangido pelo secretismo evidenciado por
Saudade Nunes é José Manuel Anes, que trabalhou no Laboratório
da Polícia Científica como responsável pela área de vestígios de
1978 a 1998. Dos inúmeros casos em que participou recorda alguns
que "não é capaz" de tirar da memória. Camarate (1980) foi um
deles. "Chefiei a equipa que concluiu a existência de uma
explosão a bordo do Cessna, onde viajavam, entre outros, o, na
altura, primeiro-ministro, Francisco Sá Carneiro, e o
responsável pela pasta da Defesa, Adelino Amaro da Costa. Nas
roupas de alguns tripulantes e alguns passageiros identificámos
vestígios de que tinha havido mesmo uma explosão".
E acrescentou: "Mas houve suspeitas de contaminação. Passados
alguns anos, Comissões de Inquérito da Assembleia da República
chegaram à mesma conclusão. Através de análises metalúrgicas com
técnicas que não havia na altura foi possível provar que houve
mesmo uma explosão e que nós não contaminámos os vestígios."
Outro caso que demorou algum tempo a resolver – "no final dos
anos 80" – teve a ver com uma "moeda, raríssima", de 10 dólares
em prata. "Creio que do ano 1801 ou 1804. Havia apenas dez no
Mundo. Valia, por isso, milhares de contos. Como apareceu à
venda em Portugal, isso fez com que fossemos visitados por um
perito do tesouro norte-americano, que teve dúvidas sobre a
autenticidade da moeda. Mas não se atreveu a dizer que era
falsa".
Perante o impasse da situação, o actual professor da Faculdade
de Direito da Universidade Nova de Lisboa, nas cadeiras de
criminalística e terrorismo religioso, lembra que o Laboratório
da Polícia Científica foi chamado a pronunciar-se. "Na área da
moeda falsa éramos muito bons. E voltámos a provar a nossa
categoria internacional. Através de raios x, apuradas análises
químicas e técnicas especiais de fotografia descobrimos que um
dos últimos números tinha sido alterado. O proprietário da moeda
foi acusado de burla. Era português".
MERCÚRIO DE TERMÓMETRO
Outro caso que preocupou as autoridades portuguesas, recorda
José Manuel Anes, foi protagonizado por cidadãos africanos.
"Estavam instalados num hotel de luxo em Lisboa e puseram a
circular que tinham para vender mercúrio vermelho, essencial
para a construção de bombas atómicas. Quando foram detidos
enviaram-nos o material. Apurámos que queriam colocar no mercado
uma mistura de mercurocromo com mercúrio cinzento, daquele que é
utilizado nos vulgares termómetros para medir a temperatura".
A morte de uma pessoa à porta de uma discoteca dos arredores de
Lisboa também só foi solucionada graças à intervenção dos CSI
portugueses. "Quando chegámos ao local do crime deparámos com um
indivíduo que tinha sido abatido com um tiro de pistola. Havia
um suspeito que negava peremptoriamente ter algo a ver com
aquilo. Só que, quando o analisámos, detectámos, com o recurso a
um sofisticadíssimo microscópio electrónico, vestígios metálicos
e de pólvora na roupa e na pele. Acabou detido e condenado por
homicídio".
Já o pó encontrado nas calças de um homem que apareceu morto num
terreno baldio foi determinante para chegar ao autor do crime.
"Dessa vez, detectámos que a terra do local onde foi descoberta
a vítima não condizia com a que tinha colada à roupa. Quando
conseguimos apurar de onde é que provinha a terra foi com
facilidade que chegámos ao assassino, que foi julgado e
condenado", concluiu José Manuel Anes.
ASPIRINA E HEROÍNA
Mas as análises do Laboratório da Polícia Científica não têm
servido só para 'apanhar" criminosos. Também houve casos em que
foram essenciais para ilibar pessoas. Em São Miguel, nos Açores,
um colocador de alcatifas esteve em prisão preventiva desde o
dia 13 de Dezembro de 1998 a 4 de Novembro de 1999. Por causa de
um pacote com um produto de cor castanha que a polícia encontrou
na casa onde vivia e que, de acordo com os resultados de um
teste rápido, seria heroína. O indivíduo ainda alegou que o
pacote pertencia à sua mulher toxicodependente. As autoridades,
porém, não ligaram. No entanto, após os exames feitos no LPC, o
alcatifador teve de ser libertado: o pó castanho não era
heroína, era aspirina com cafeína.
EQUIPAMENTO E PARCEIROS
REDE EUROPEIA
O ‘CSI Lisboa’ é um dos membros fundadores da rede europeia
(trinta países) de laboratórios da Polícia Científica. O
European Network Forensic Science Institute tem como missão
primordial traçar os objectivos que devem nortear a investigação
dos laboratórios dedicados à investigação criminal.
300 MIL CONTOS
No laboratório do LPC existe equipamento no valor de cerca de
1,5 milhões de euros. Só um sequenciador de ADN - do mais
moderno - custou mais de 150 mil euros. A próxima aposta é
adquirir equipamento que permita fazer análises de voz. “Sabemos
que é uma área muito cara”, diz Saudade Nunes.
PERFEIÇÃO NA HOLANDA
Saudade Nunes, directora do LPC, considera que a Polícia
holandesa tem o melhor laboratório do mundo: "Foi inaugurado o
ano passado, numa cerimónia que contou com a presença da rainha
Beatriz: “Tem tudo do mais moderno num edifício que foi
construído de raiz para o efeito. É o laboratório perfeito".
ÁREAS DO LABORATÓRIO DA POLÍCIA CIENTÍFICA
BIOLOGIA
Chefe: Lic. Química Aplicada, mestre Eng. de Materiais
16 peritos
Análises a vestígios biológicos: sangue, cabelos, suor.
FÍSICA
Chefe: Licenciada em Química Aplicada
4 peritos
Análises a vestígios como fibras, vidros, tintas, moeda
metálica, resíduos de disparos.
QUÍMICA
Chefe: Licenciada em Química Aplicada
6 peritos
Análises a ‘sprays’
lacrimogéneos, incêndios, explosões, reavivamentos de números de
série em armas, automóveis e outros equipamentos.
TOXICOLOGIA
Chefe: Licenciado em Farmácia e doutorado em Toxicologia
9 peritos
A maior parte das análises são feitas a produtos suspeitos de
serem estupefacientes.
FALSIFICAÇÃO
Chefe: Licenciada em Química
14 peritos
Determinar autenticidade de documentos suspeitos (BI, cartas de
condução e passaportes, etc).
BALÍSTICA
Chefe: Licenciada em Engenharia Física
6 peritos
Análises a projecteis cápsulas, armas, bem como marcas deixadas
pelos objectos no local do crime.
ESCRITA MANUAL
Chefe: Licenciada em Antropologia
13 peritos
Determinar autoria e autenticidade das escritas (manuais).
DELEGAÇÃO DO LPC NO PORTO
Chefe: Licenciada em Biologia
11 peritos
Há ainda a própria secretaria do LPC que conta com 14
funcionários.
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