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Direcção da PJ ameaça
demitir-se |
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Se perder relações com Interpol e Europol
A Direcção
Nacional da PJ ameaça demitir-se em bloco caso o Governo decida
retirar a esta polícia o pelouro das Relações Internacionais,
que inclui os contactos com a Europol e a Interpol, revelou hoje
fonte policial, noticia a agência Lusa.
Fonte ligada à
direcção nacional da PJ explicou à Lusa que no âmbito do
Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado, o
Governo prevê, entre outras medidas, retirar à Polícia
Judiciária as ligações com a Interpol e a Europol, passando-as
para o Gabinete Coordenador de Segurança, tutelado pelo
Ministério da Administração Interna (MAI).
A direcção
entende, segundo a mesma fonte, que a medida não é aceitável
porque constitui «o desmantelamento da estrutura» da PJ.
A fonte referiu
que esta questão foi hoje discutida numa reunião do Conselho de
Coordenação Operacional da PJ, que junta todos os directores dos
departamentos desta polícia de investigação criminal.
Os directores
terão manifestado o seu descontentamento com esta medida que,
dizem, se vem juntar à «grave situação orçamental da PJ que se
arrasta há vários meses», disse a fonte à Agência Lusa.
Os directores
decidiram pedir um esclarecimento urgente ao Ministério da
Justiça, afirmou, acrescentando que aguardam «uma resposta cabal
às suas questões», admitindo a hipótese de se demitir em bloco
caso o governo não reveja a sua intenção.
Contactado pela
agência Lusa, um assessor do Ministro da Justiça, Alberto Costa,
disse não ter sido recebido naquele ministério qualquer
documento proveniente dos directores da PJ, nem ter conhecimento
da alegada intenção de demissão da direcção desta força
policial.
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Polícias: sete casos de suicídio |
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Elementos da PSP e da GNR estão sujeitos a uma grande pressão
psicológica e têm armas sempre à mão. Hoje aconteceu mais um
caso de suicídio, na Guarda. O ano passado foram sete
Um militar da
GNR ter-se-á suicidado esta noite, na Guarda. Só no último ano,
a GNR registou três casos de suicídio entre os seus elementos.
Na PSP, morreram quatro polícias desta forma. A pressão
psicológica a que estes profissionais estão sujeitos e o facto
de terem a pistola sempre à mão, parecem ser factores
determinantes.
Ao todo, sete
polícias tiraram a vida a eles próprios em 2005. De acordo com
as informações recolhidas junto da PSP e da GNR, alguns traços
parecem ser comuns a quase todos os suicídios. As mortes ocorrem
quase sempre através do recurso a armas de fogo. São jovens a
rondar os 30 anos. E vivem sujeitos a pressão psicológica.
No caso
ocorrido esta quarta-feira, o soldado tinha 48 anos. O seu corpo
foi encontrado nas instalações do Grupo Territorial da GNR da
Guarda. O militar morreu com um tiro, alegadamente disparado com
a arma de serviço. Deixou algumas cartas escritas, razão pela
qual a GNR acredita na hipótese de suicídio.
O indivíduo
trabalhava no departamento de cinotecnia (equipas de
cães-polícia). O conteúdo das cartas não foi revelado mas tudo
indica que o militar vivia problemas pessoais.
Mas os
problemas pessoais nem sempre são a explicação para estes actos
de desespero. «Existe hoje na Guarda uma pressão cada vez maior
sobre os profissionais, devido ao aumento das cargas horárias e
à multiplicação de funções», atira Carlos Brás, da Associação
Sócio-Profissional Independente da Guarda em declarações à Lusa.
«É uma
profissão de risco. Lidamos com a parte mais podre da nossa
sociedade», desabafa outro elemento da GNR. «Há situações em que
ou matamos ou morremos e o acumular de situações destas leva-nos
a um estado de stress que não só não é compreendido pela
hierarquia [pelas chefias] como ainda somos punidos e
excluídos», explica Paulo Rodrigues, da Associação Sócio
Profissional da PSP.
O mesmo
dirigente sindical defende que «as instituições devem criar
condições e estar atentas às pessoas que precisam de ajuda». «É
muito mais fácil punir do que ajudar a evitar uma falha»,
remata.
Um oficial da
GNR acredita que os casos de investigação criminal são aqueles
que mais afectam os militares. E dá o seu próprio exemplo:
«Investiguei um caso de um pai que abusava sexualmente das duas
filhas, chegando a engravidar uma delas. Foi o caso que mais me
impressionou. Nessa noite não consegui dormir».

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Militar da GNR morre após perseguição |
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Um militar
da GNR, de 46 anos, morreu esta última madrugada em Estarreja
durante uma perseguição a dois menores suspeitos de furto,
informou uma fonte do Comando geral da GNR.
De acordo com
esta mesma fonte, não foram efectuados quaisquer disparos na
sequência deste incidente, desconhecendo-se para já a razão da
morte do militar, não estando excluída a hipótese de doença
súbita.
Por volta da 01h00 da madrugada, uma patrulha do posto
territorial da GNR de Estarreja, formada por dois militares,
surpreendeu dois jovens a carregarem uma grade de cerveja.
Suspeitando que a grave de cerveja tivesse sido roubada, os
militares da GNR encetaram uma perseguição aos menores, que se
separaram na fuga, abandonando o alegado produto do furto.
Ao regressar ao local de partida, depois de desistir da
perseguição, um dos militares encontrou o colega estendido no
chão em estado muito grave. Apesar de ser transportado para o
hospital de Estarreja, o militar acabou por morrer.
As autoridades aguardam agora a autópsia ao corpo do militar,
entretanto enviado para Aveiro, para determinar as causas da
morte, que pode ter resultado de doença súbita.
Mais tarde, uma segunda patrulha da GNR acabou por conseguir
identificar e deter os dois jovens em fuga, com 15 e 17 anos.
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Agente da PSP há 20 anos
fica em prisão preventiva |
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O arguido no
processo de alegado tráfico de armas que ficou detido
preventivamente é agente do Comando Metropolitano da PSP de
Lisboa com vinte anos de serviço e dono de uma espingardaria,
disse à Lusa fonte policial.
Além do detido, conhecido na PSP por "agente Martinho", a mesma
fonte adiantou que os outros dois polícias e os dois civis que
trabalham na corporação arguidos no processo pertencem ao mesmo
comando, o Comando Metropolitano de Lisboa (COMLIS).
A juíza Maria Antónia Andrade, do Tribunal de Instrução Criminal
de Lisboa, aplicou aos quatro uma medida de coacção que os
impede de exercer funções públicas.
Ao que o JN apurou, em causa estarão crimes de corrupção (activa
e passiva) para acto ilícito, não havendo para já qualquer
suspeito indiciado pela prática do crime de tráfico de armas.
Relativamente aos crimes de corrupção, a pena pode ir de dois a
oito anos de prisão.
Para justificar a medida de coacção mais gravosa ao "agente
Martinho", a juíza Maria Antónia Andrade assumiu existir perigo
de fuga bem como o risco de destruição de provas.
20 anos ao serviço da PSP
A PSP deteve quinta-feira 29 pessoas, entre os quais agentes da
corporação e armeiros, que foram ouvidas desde sexta-feira no
TIC de Lisboa por suspeitas de envolvimento num esquema de
tráfico de armas.
Os três agentes da PSP envolvidos no processo têm todos cerca de
20 anos de serviço, acrescentou a mesma fonte.
Entre os civis que trabalham na PSP e que são arguidos no caso
conta-se Celestino Soares, o chefe da repartição no Departamento
de Armas e Explosivos da PSP e foi ouvido na noite de
segunda-feira para ontem no TIC.
Outro dos civis, disse à Lusa fonte policial, é "um funcionário
administrativo".
O processo foi entretanto qualificado pelo director nacional da
PSP, Orlando Romano, como "o mais grave de sempre" na
instituição.
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Sócrates adia "sine die" decisão sobre
conflito entre Costa e Costa |
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A
reunião do Conselho Superior de Segurança Interna,
marcada para ontem, foi adiada a pedido do
primeiro-ministro, José Sócrates, que invocou
"dificuldades de agenda".
O general Leonel de Carvalho, coordenador do gabinete de
Segurança Interna, confirmou ao DN que a reunião foi
"adiada sine die". |
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O
plenário do Conselho Superior de Segurança, a que
preside o primeiro-ministro, deveria ter aprovado ontem
o novo Plano de Coordenação das Forças de Segurança, um
documento já aprovado no Conselho de Segurança Interna,
dependente do Ministério da Administração Interna. Na
reunião deveria também ser discutida a proposta de
alteração ao Plano feita pela Polícia Judiciária, que se
opõe ao projecto tal como foi desenhado por António
Costa. Recorde-se que o Plano foi aprovado no Conselho
de Segurança Interna com o parecer negativo da Polícia
Judiciária.
Depois de ter adiado, sem ter marcado qualquer nova data
para a discussão e aprovação do Plano de Coordenação das
Forças de Segurança, José Sócrates passou ontem a tarde
no seu gabinete.
O primeiro-ministro reuniu, em São Bento, com Mariano
Gago, com quem preparou o debate de hoje na Assembleia
da República. Recebeu outros ministros no âmbito da
redacção final do Programa de Reorganização da
Administração Central e do Estado (PRACE) que será
aprovado amanhã pelo Conselho de Ministros.
A oposição da Polícia Judiciária ao novo Plano de
Coordenação das Forças de Segurança tem provocado,
dentro do Governo, um clima de tensão política entre
Alberto Costa, ministro da Justiça, e António Costa,
ministro da Administração Interna.
A Polícia Judiciária defende que, em situações
inesperadas, deve prevalecer o "princípio da
investigação criminal" e não "o princípio da manutenção
da ordem pública", tal como está configurado no novo
Plano. A Judiciária e o Ministério da Justiça defendem
que a prevalência do "princípio da manutenção da ordem
pública", defendida por António Costa, pode pôr em causa
direitos, liberdades e garantias.
Na proposta de alteração ao Plano apresentada pela
Judiciária consta a criação de um grupo especial de
segurança, na sua dependência, a que possa recorrer no
âmbito desses casos inesperados (o sequestro de um
avião, por exemplo).
O Ministério da Administração Interna está contra a
duplicação dos grupos de operações especiais (já existem
os GOE e o batalhão especial da GNR, na dependência da
Administração Interna) e manifesta a sua oposição à
proposta avançada pela Polícia Judiciária de dispôr de
um batalhão de operações especiais, considerando-o
"duplicação de esforços".
O Ministério da Administração Interna defende as suas
propostas, argumentando que as novas realidades, como o
terrorismo, obrigam à revisão do Plano de Coordenação
das Forças de Segurança que está em vigor, exigindo a
prevalência do "princípio da manutenção da ordem
pública".
Só José Sócrates - que ontem adiou sine die uma decisão
sobre a matéria - pode desembrulhar este conflito entre
os dois Ministérios.
O novo Plano de Coordenação terá que ser aprovado no
Conselho Superior de Segurança Interna, antes de ir a
Conselho de Ministros, para aprovação final.

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Viseu: Investigação em
fase de conclusão
Agentes suspeitos de negligência |
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A investigação das causas da explosão que
há um ano ocorreu no edifício da PSP de Viseu,
provocando a morte do comandante da esquadra e esposa,
“está em fase final de conclusão”, apurou o CM junto das
autoridades policiais. |
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Explosão causou duas mortes e destruiu parte do edificio
da PSP |
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A Polícia Judiciária de Coimbra aguarda o relatório
final dos peritos do laboratório científico da PJ de
Lisboa para depois remeter o processo para o Tribunal de
Viseu – que depois decide pela Acusação ou arquivamento
do processo.
Segundo apuramos junto de fonte ligada ao caso, as
investigações da Judiciária salientam “a acção
negligente” dos dois agentes da Equipa de Inactivação de
Engenhos Explosivos que recolheram os sete quilos de
pólvora de um barracão de Avões (Lamego) e os levaram
para um compartimento – sem condições de armazenamento
de explosivos – contíguo ao quarto onde dormiam o
comandante da esquadra e sua mulher.
Na altura, a PSP de Viseu não disponha de um local
próprio para guardar os explosivos, facto que levou a
Associação Sindical de Profissionais de Polícia a
apontar o Ministério da Administração Interna de “ser
responsável pelo desastre” que matou duas pessoas.
No entanto, a tese de negligência já tinha sido apontada
como “causa principal” num relatório elaborado por
peritos do departamento de armas e explosivos da PSP.
Segundo o documento, os agentes que apreenderam o
material foram descuidados: “A referida pólvora foi
mantida durante a noite ensacada, amontoada e confinada
ao interior de uma embalagem de plástico que dificulta a
evaporação da humidade criando-se condições para o
desencadeamento da reacção e da explosão que acabou por
ocorrer”, lê-se no relatório. Os dois agentes continuam
ao serviço em Viseu.
Fernando Matos, na altura com 37 anos, e a mulher, de
35, dormiam no quarto ao lado da sala onde estavam os
explosivos. Tiveram morte imediata. Os dois filhos do
casal, de 12 e oito anos, que ocupavam outro quarto,
escaparam ilesos. Hoje, às 19h00, em Farminhão (Viseu),
realiza-se uma missa em memória das vítimas mortais.
COMANDANTE DE SAÍDA
O intendente Simões de Almeida vai deixar, no final
deste mês, o comando da PSP de Viseu a seu pedido. O
oficial vai para Lisboa liderar o Departamento de Armas
e Explosivos da PSP. Simões de Almeida esteve cinco anos
a liderar a Polícia de Viseu e há muito tempo tinha
solicitado a cessação da comissão de serviço à Direcção
Nacional. Para Viseu vai um intendente que estava ao
serviço em Lisboa.
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Incidente táctico |
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O Governo
prepara-se para aprovar um programa de coordenação das forças
policiais que tem algumas novidades apenas debatidas no circuito
fechado dos gabinetes governamentais e das polícias. O seu
potencial impacto no processo penal e na vida dos cidadãos
obrigaria, porém, a uma atitude de menos secretismo por parte do
Governo e de exigência de mais esclarecimento, pela oposição.
A principal mudança está na resposta à figura do "incidente
táctico", ou seja, um acontecimento que exige uma rápida reacção
policial, como um sequestro. Ora, a gestão do "incidente
táctico" vem alterar a hierarquia das competências policiais
para actuar no caso concreto e tem, na prática, um efeito
suspensivo sobre a intervenção das autoridades judiciais, em
particular do Ministério Público.·
Perante um crime daquela natureza, o poder de coordenação é
entregue à força de segurança territorialmente responsável pela
manutenção da ordem pública no local dos factos, PSP ou GNR.
Durante o chamado "incidente táctico", será essa autoridade
territorialmente competente que determinará os meios e os modos
de ataque à situação, não conhecendo qualquer tipo de limitação
ao seu poder de decisão. No fundo, é uma solução "à americana",
como se costuma ver nos filmes, com frequentes conflitos de
competências e, sobretudo, sobre quem pode ou não dar a ordem
decisiva para atirar a matar. Tem uma característica própria de
operação paramilitar e menos de justiça civil.
A questão não é fácil, mas uma coisa será certa: esta aparente
suspensão do tempo jurídico na gestão de um incidente criminal é
inaceitável. O critério da territorialidade para determinar quem
manda na resposta a factos criminais é uma subversão dos
princípios gerais do direito processual penal e da lei que rege
a investigação criminal. Apagar a hierarquia própria do
inquérito judicial durante os momentos em que decorre a acção
levanta todas as dúvidas constitucionais. Tem de lá estar o
Ministério Público, os factos têm de ser geridos dentro de um
inquérito conduzido pelos padrões do Código de Processo Penal,
não se pode transformar em regra aquilo que deve ser a
excepcionalidade absoluta. Defender o contrário em nome da
eficácia é destruir qualquer valor de justiça. É, afinal,
relativizar o valor da vida humana, esquecendo que tantas vezes
foi a dita eficácia das forças policiais que somou tragédia à
tragédia com o sangue de reféns abatidos pelos ditos salvadores.

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Tráfico de armas: Judiciária
investiga
Rede militar sob suspeita |
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A Polícia
Judiciária Militar (PJM) está a investigar vários casos de
tráfico de armas de guerra em que estão envolvidos militares dos
três ramos das Forças Armadas – como, de resto, o Correio da
Manhã noticiou em primeira mão. A notícia do nosso jornal foi
ontem confirmada por um comunicado da PJM, que dá conta de
diversos “inquéritos em fase adiantada de investigação”.
A reacção
oficial da Polícia Judiciária Militar, através do comunicado
assinado pelo director, major-general Fernando Governo Maia,
surge horas depois de o ministro da Defesa, Luís Amado, ter
recusado comentar a edição de ontem do CM que noticiava
suspeitas sobre o envolvimento de militares na rede que acaba de
ser desmantelada pela Divisão de Investigação Criminal da PSP.
O major-general Governo Maia ressalva que a “existência de
militares envolvidos” no tráfico de armas “só poderá ter
ocorrido em casos isolados e com responsabilidade individual”.
Diz ainda que a utilização de navios da Armada e de aviões da
Força Aérea para o transporte de armamento traficado “terá sido
feita à revelia da hierarquia militar”.
SUSPEITA ANTIGA
A Polícia Judiciária Militar (PJM) recebeu informações, em 2000,
que apontavam para a participação de pessoal dos três ramos das
Forças Armadas em redes organizadas que se dedicavam ao tráfico
de armas – disse ao CM um oficial que prestou serviço naquela
unidade de investigação criminal.
A mesma fonte recorda-se que informações sobre o tráfico de
armas por militares foram remetidas ao ministro da Defesa desse
tempo, Júlio Castro Caldas. A Polícia Judiciária Militar, ainda
de acordo com a mesma fonte, ponderou constituir uma “força de
intervenção” – que seria formada por fuzileiros do Destacamento
de Acções de Especiais (DEA), Comandos e Rangers – a fim de ser
utilizada na captura dos traficantes em flagrante. E pediu ao
Ministério da Defesa a aquisição de diverso material para aquela
força – com veículos todo-o-terreno, equipamento de visão
nocturna e de comunicações.
PJM AO LADO DA PSP
Apesar das informações recolhidas, a PJM não chegou a intervir.
As suspeitas acabaram por cair no esquecimento. Mas a operação
desencadeada na última quinta-feira pela Divisão de Investigação
Criminal da PSP contra uma rede de tráfico de armas, que envolve
o chefe do Departamento de Armas e Explosivos da PSP, reavivou o
caso. A Polícias Judiciária Militar colaborou nesta operação. As
investigações que ainda decorrem, tal como o CM ontem noticiou,
apontam para o envolvimento de militares e com utilização de
meios da Força Aérea e da Armada.
CRIME SEM EFEITO
O crime de tráfico de armas ainda não está previsto na Lei Penal
portuguesa. Faz parte da nova Lei do Armamento, já aprovada no
Parlamento, mas só entra em vigor a 23 de Agosto e não tem
efeitos retroactivos. Ou seja, todos os detidos na última
quinta-feira, envolvidos no negócio de mais de mil armas, não
responderão por tráfico, mas pelo crime de detenção de armas,
previsto na lei antiga e punível com penas até cinco anos de
prisão.
Ao contrário, o crime de tráfico de armas prevê penas até 12
anos. De qualquer forma, segundo fonte judicial disse ao CM, há
ainda “a hipótese de associação criminosa”.
AS MAIS DE MIL ARMAS APANHADAS
A operação da Divisão de Investigação Criminal (DIC) da PSP,
preparada há mais de três anos e levada a cabo na última
quinta-feira, fez ‘vítimas’ pelo País todo: 55 arguidos, 29 dos
quais por venda ou licenciamento ilícito de armas, em
instalações da Polícia e os restantes 26 pela compra das mesmas.
Entre a DIC, o Grupo de Operações Especiais e o Corpo de
Intervenção da PSP, 365 elementos policiais romperam logo de
manhã por cerca de cem armeiros e residências adentro, nas zonas
de Lisboa, Porto, Leiria, Setúbal, Caldas da Rainha, Faro e
Beja, entre outras. E só numa garagem de Massamá Norte, em
Sintra, foram apreendidas cerca de 100 armas, 47 mil munições de
diferentes calibres proibidos e dezenas de quilos de pólvora.
O dono da casa, empresário com cerca de 30 anos, é casado com
uma ex-funcionária de um comando da PSP e entre as mais de mil
armas de fogo encontradas pela Polícia no total da operação,
esta terá sido das maiores apreensões.
QUEM MANDA NO DIAP
A directora do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP),
a procuradora Francisca van Dunen, nasceu em Luanda, numa
tradicional família angolana. Teve uma juventude marcada pela
guerra e chegou a Portugal em 1977 com um sobrinho nos braços.
Um dos irmãos, José van Dunen, e a cunhada, Cita Valles, foram
presos nesse mesmo ano na sequência de uma tentativa de golpe de
Estado contra Agostinho Neto e assassinados na cadeia.
José van Dunen era um dos principais dirigentes do MPLA; ela
batera-se no passado pela Juventude Comunista Portuguesa.
Francisca, aos 20 anos, desembarcou em Lisboa com os pais,
assumindo a educação do sobrinho. Licenciou-se em Direito,
concorreu á magistratura e, passados alguns anos, já era
assessora na Procuradoria-Geral da República.
O HOMEM QUE MANDAVA NO NEGÓCIO DAS ARMAS
Brilhantina no cabelo e fato invariavelmente às riscas, o senhor
Moisés “andava sempre impecavelmente bem posto”, descrevem ao CM
alguns dos mais antigos armeiros de Lisboa. Simpático e “bem
falante”, era este homem que, no início dos anos 70, chefiava o
Departamento de Armas e Explosivos da PSP – responsável pelo
controlo de licenças e alvarás para posse e venda de armas em
Portugal.
E ao seu lado, recordam as nossas fontes, “já trabalhava
Celestino Soares”, jovem adjunto e civil, “com cerca de 25
anos”, que assumiu o ‘poder’ cinco anos mais tarde.
Conhecido e todo-poderoso no meio, “o Celestino percebeu que só
dependia de si próprio”, adiantaram as nossas fontes. O negócio
cresceu e, ao longo dos tempos, “foi contando sempre com a
conivência de muita gente”.
Celestino Soares era “o cérebro de todo o círculo de
influências”. “Era ele quem arranjava as licenças e alvarás para
a posse e venda das armas”, ao mesmo tempo que uma ampla rede de
tráfico, chefiada por si, “comprava no estrangeiro as armas em
peças, montava-as em oficinas e eram vendidas mais tarde, em
contacto com várias espingardarias”, entre elas a Caça e Defesa,
na zona das Olaias, Lisboa.
Ao que o CM apurou, as armas de guerra agora apreendidas, desde
que licenciadas, podem estar nas mãos de civis. Basta, para tal,
que sejam adaptadas para tiro, com o objectivo de caça grossa ou
provas de tiro desportivo. Mas as metralhado podem ser alteradas
para disparos de rajada.
NOTAS
IDENTIFICAÇÃO
Os 29 detidos foram conduzidos na sexta-feira ao Tribunal de
Instrução Criminal para serem identificados e informados dos
crimes de que são suspeitos.
LIBERDADE
Na sexta-feira foram interrogados apenas quatro arguidos e todos
eles saíram em liberdade. Ontem foram ouvidos mais onze, que
igualmente não ficaram detidos.
INTERROGATÓRIO CONTINUA
Hoje são ouvidos mais 12 detidos, entre eles os três agentes da
PSP e Celestino Costa, chefe do Departamento de Armas e
Explosivos da PSP.
AFIRMAÇÃO DE DEMOCRACIA
O procurador-geral da República, Souto Moura, disse que o caso
deve ser visto como mais “uma afirmação da democracia e do
Estado de Direito”.
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Armamento
de guerra estava em bairros problemáticos |
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Tribunal de
Instrução Criminal põe em liberdade onze dos detidos mas proíbe
alguns deles de voltar a pegar em armas.
Principais arguidos vão ser hoje ouvidos, entre os quais os dez
elementos da PSP suspeitos de estar na base do negócio.
Parte das armas de qualidade e de guerra apreendidas pela PSP na
operação contra o tráfico, em que surgem envolvidos agentes e
funcionários civis da força policial, foram descobertas em zonas
problemáticas e nas mãos de pessoas que, com frequência, puxam
das armas para resolver disputas, segundo apurou o JN junto de
fontes policiais.
Na sequência da
operação policial de quinta e sexta-feira, foram detidos 29
indivíduos e 26 foram constituídos arguidos. Ontem, a juíza
Maria Antónia Tavares, do Tribunal de Instrução Criminal de
Lisboa, libertou 11 dos detidos com termo de identidade e
residência e obrigação de apresentação regular nos postos
policiais. Alguns ficaram proibidos de manusear armas. No
entanto, os elementos policiais e funcionários civis da PSP -
sobre os quais impende a maior responsabilidade criminal - só
hoje serão ouvidos.
Artifícios
ilegais
A medida de
coacção que hoje for determinada pela juíza irá mostrar até que
ponto havia uma ligação directa entre o núcleo de funcionários
públicos e os indivíduos que foram descobertos na posse de armas
para as quais não estavam habilitados ou cuja posse resultou de
falseamento de dados e favorecimento. É que algumas das armas
apreendidas surgiam registadas como armas de caça ou de tiro
desportivo. Artifícios que permitiam a posse de armas tão
sofisticadas ou perigosas como revólveres de calibre .22 ou
espingardas de assalto HK e carabinas de precisão, que vieram a
ser apreendidas pela PSP.
Foi através
desta suspeita que a operação chegou a um dos principais alvos,
o Bairro da Torre, em Loures - um local de tiroteios frequentes,
alguns com consequências graves -, assim como a habitações da
Avenida Alfredo Bensaúde, em Lisboa, onde foram encontradas mais
de trinta armas, entre as quais carabinas de precisão e
espingardas de assalto, além de pistolas de 9 mm e revólveres
.22.
A operação teve
que ser coberta pela acção do Grupo de Operações Especiais e
pelo Corpo de Intervenção dado o elevado risco de que se
revestiu. Foi também na Quinta da Torre que a PSP veio a
encontrar um indivíduo que, além de ter várias armas em casa,
estava na posse de 150 mil euros, um automóvel Porsche e vário
material contrafeito.
O campeão
nacional de tiro prático e uma outra figura da modalidade estão
entre os detidos na operação desencadeada pela PSP. O campeão
nacional foi detido em Beja, na área da sua residência, após
buscas domiciliárias, zona onde foi também detido um segurança
de discoteca na posse de uma arma ilegal. Ainda não se sabe o
que estará por detrás da detenção dos dois desportistas, mas
aparentemente será a compra de material para tiro, inclusive
armas e munições, ao elemento da PSP cuja mulher era
proprietária de uma espingardaria. Os principais alvos do
Ministério Público são, porém, os funcionários civis e os
agentes que controlariam o negócio de venda de armas e não os
detentores do armamento. Com efeito, os receptores do armamento
e dos serviços poderão funcionar antes como elementos de prova
contra os funcionários públicos.
Negócio ilegal
era conhecido há muito
Já há vários
anos que eram conhecidas na PSP as actividades do grupo de
indivíduos associados à venda ilegal de armas e ao licenciamento
irregular de armas desportivas e uso e porte de arma de defesa.
Investigações
foram iniciadas há dois anos
As
investigações começaram há dois anos, com recurso a estruturas
policiais como a Depipol, o departamento da PSP destinada à
recolha e análise da informação, tendo por alvo agentes da PSP e
elementos ligados à segurança de discotecas.
Planeamento
mantido no segredo dos deuses
A decisão final
para realizar a operação foi definida há duas semanas, mas o
planeamento ficou no segredo dos deuses para evitar as fugas de
informação, tendo em conta o facto de as "ligações perigosas"
serem do conhecimento geral.
Apreensão de
material militar "chama" PJM
A operação, que
decorreu na quinta e na sexta-feira envolveu 365 elementos da
PSP, do MP e da Polícia Judiciária Militar, que tem competência
na área, tendo em conta o facto de ser esperada a apreensão de
material militar e de poder vir a ser determinada a condução de
inquéritos autónomos, como poderá vir a suceder. Foram
apreendidas cerca de mil armas e 55 indivíduos constituídos
arguidos.

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PSP:
Oficiais em protesto caso tutela não atenda reivindicações |
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A Associação Sindical dos Oficiais de Polícia (ASOP) ameaçou
hoje em Torres Novas avançar com uma vigília de protesto à porta
do Ministério da Administração Interna se a tutela não atender
às suas reivindicações.
No final de uma
assembleia geral, o presidente da ASOP, Jorge Soares, disse à
Agência Lusa que a «vigília vai ter lugar» caso os contactos que
irão ser iniciados junto direcção nacional da PSP e do
Ministério da Administração Interna «não tenham sucesso».
Em causa estão
matérias como a avaliação da formação, a progressão nas
carreiras e alterações estatutárias, referiu Jorge Soares,
salientando que a ASOP reclamam uma «carreira única» para os
oficiais, ao contrário do hoje sucede, em que a direcção
privilegia aqueles que têm licenciatura em Ciências Policiais em
prejuízo dos que desempenharam o seu trabalho nas esquadras.
«Estamos a
defender a transparência» e que «acabem as escolhas de valia
duvidosa», afirmou Jorge Soares, lamentando que a futura
reformulação dos comandos distritais implique somente convites a
intendentes com licenciatura, prejudicando «os subintentendentes
que já desempenharam os cargos de comandantes e segundos
comandantes».
Além disso, os
50 associados da ASOP aprovaram hoje uma moção exigindo ao poder
político «um projecto bem definido para a PSP», com «regras de
actuação da instituição» e responsabilidades nos atrasos das
nomeações.
Exemplo destes
problemas é o facto da PSP não ter um «director- adjunto para a
área das Finanças desde Outubro», afirmou Jorge Soares, que
reclama ainda um «estatuto para a instituição» que «clarifique e
responda aos desejos de valorização dos seus quadros».
«Os oficiais,
em muitos casos, têm de estar preocupados com o acessório, as
suas carreiras, em vez de se dedicarem ao essencial: o combate
ao crime», acrescentou.
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Caso de
armas ilegais é «o mais grave de sempre» |
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Director da
PSP diz que actuação dos polícias detidos «não é positivo» para
o nome da instituição
O caso de venda
ilícita de armas envolvendo dez elementos da PSP é «o mais grave
de sempre» com membros daquela instituição, reconheceu hoje o
director nacional da Polícia de Segurança Pública, Orlando
Romano, à agência Lusa.
O responsável
assinalou ainda que alguns dos agentes envolvidos, cujos cargos
recusou explicitar, «actuaram fora do exercício das suas
funções» e admitiu que o caso «não é positivo» para o nome da
instituição.
Orlando Romano
falava em conferência de imprensa no quartel do Grupo de
Operações Especiais (GOE) da PSP, em Belas, onde revelou que o
caso conta já com 29 detidos (entre os quais três agentes da PSP
e dois funcionários da PSP com funções civis) e 26 arguidos (dos
quais cinco são funcionários civis da PSP), quase todos
portugueses.
A investigação
deste caso, que envolveu directamente 365 pessoas, teve início
há dois anos no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP)
com o conhecimento do Ministério Público e contou com a
participação do GOE e do Corpo de Intervenção da PSP, além do
auxílio de peritos em armamento da Polícia Judiciária Militar.
Na terça-feira
foram realizadas 90 acções de busca a armeiros, oficinas ,
viaturas e residências suspeitas, daí resultando a apreensão de
cerca de um milhar de armas de guerra, de caça e de defesa
pessoal, algumas das quais podem ser fruto de roubos.
Foram ainda
apreendidas viaturas, documentação sobre a actividade dos
elementos envolvidos, 150 mil euros numa residência e várias
peças de roupa falsificada.
Na sequência
das buscas, diversos armeiros de dentro e fora de Lisboa ficaram
com as suas lojas seladas, por venderem armas ilegais ou cuja
legalização era suspeita.
Caçadeiras,
metralhadoras, pistolas e revólveres de diversos calibres,
munições, silenciadores, coletes e aparelhos de pontaria
contam-se entre o material encontrado nas buscas, mas, segundo
Orlando Romano, «não é de crer que se tratem de armas da própria
PSP».
O valor do
arsenal ainda não foi determinado e, segundo Orlando Romano,
poderá ser difícil estabelecer um número definitivo, já que «o
valor das armas varia em função da sua comercialização», que em
princípio teria lugar em Portugal.
Para o director
nacional da PSP, também «nada leva a pensar que se está perante
uma rede criminosa organizada, pois, no geral, os proprietários
das arm as não se conheciam» e «muitas pessoas têm armas porque
as coleccionam, para praticar caça ou tiro».
Orlando Romano
afastou ainda a hipótese de «as armas terem sido usadas para
cometer crimes», mas acrescentou que o historial das mesmas «só
agora será realizado», podendo ser dificultado pelo facto de
várias peças terem o número de série rasurado.
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Oficiais da PSP preparam-se para vigília |
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Os oficiais da
PSP ponderam realizar uma vigília de forma continuada à porta do
Ministério da Administração Interna, caso não sejam resolvidos
os seus problemas.
Avaliação da
formação, as carreiras e as alterações estatutárias necessárias
são exigências que a Associação Sindical dos Oficiais de Polícia
(ASOP) quer ver resolvidas a curto prazo e que se arrastam desde
a entrada em vigor do actual estatuto, que data de Novembro de
1999.
De acordo com o
presidente da ASOP, comissário Jorge Soares, "apesar das boas
intenções demonstradas por António Costa, e de alguma
disponibilidade em dialogar, o facto é que nenhum dos problemas
que afectam os oficiais foi resolvido e tardam em ser
solucionados". Desta forma, e perante "a ausência de soluções",
a ASOP pode vir a tomar "medidas mais drásticas", com o intuito
de "alertar também a opinião pública para as dificuldades dos
polícias".
A vigília vai
ser discutida em assembleia geral da Associação, marcada para
amanhã, em Torres Novas. "Os nossos associados é que vão decidir
que medidas de força deverão ser tomadas para que estes
problemas sejam resolvidos", adiantou Jorge Soares.

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Quatro polícias detidos por tráfico
de armas |
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Quatro agentes
da PSP foram ontem detidos pela força policial a que pertencem,
na sequência de um processo de investigação por suspeitas de
tráfico de armas. A operação levou também à detenção de seis
civis, entre os quais armeiros e um funcionário civil da PSP,
além da apreensão de mais de 200 armas, muitas delas
consideradas de guerra ou de uso militar, pistolas, revólveres e
armas de caça.
A totalidade dos agentes detidos estava colocada no Comando de
Lisboa, mas as cerca de 90 buscas realizadas envolveram, ainda,
os distritos do Porto, Setúbal, Leiria, Faro e Beja. No entanto,
ontem à noite a operação ainda não estava concluída e eram
esperadas mais detenções e a apreensão de mais armas.
Fontes policiais admitem que se trate da maior apreensão de
sempre, quer em quantidade quer em qualidade, uma vez que, além
de espingardas automáticas, como a G-3 ou a Kalashnikov, ou
pistolas-metralhadoras, como a MP-5, foram igualmente
apreendidas metralhadoras e milhares de munições, assim como
espingardas de sniper e equipamentos para tiro de precisão e
silenciadores.
Além do tráfico de armas, há também suspeitas da prática dos
crimes de corrupção, peculato e falsificação, e o Ministério
Público poderá ainda caminhar para a associação criminosa ou
para a fraude, tendo em conta a importação de armas. Há, por
outro lado, suspeitas do fornecimento de armas a grupos
criminosos, em particular os relacionados com elementos ligados
a negócios da noite e grupos neonazis, assim como seguranças de
discotecas.
Nesta área, o crime em causa poderá relacionar-se também com os
licenciamentos de uso e porte de armas, cedidos a indivíduos que
não teriam condições para obter esse título, dado o seu cadastro
ou as suspeitas de ligações a actividades ilícitas, mas que
acabavam por estar na posse de armas
Aliás, um dos civis detidos estava colocado como funcionário no
Departamento de Armas e Explosivos, responsável pela passagem
destes certificados. Um outro agente pertencia ao Comando de
Lisboa da PSP e estava indirectamente ligado a uma espingardaria
- a Caça e Pesca - localizada na Avenida Coronel Eduardo
Galhardo, nas imediações da 5.ª Divisão.
Com efeito, o estabelecimento estava em nome da mulher, em
sociedade com um outro comerciante, e ontem à noite o
estabelecimento tinha sido selado por ordem do tribunal, uma vez
que poderá ter elementos de contabilidade e de comercialização
de armas e munições que poderão ser considerados essenciais para
o desenrolar do processo. Um outro elemento estava em serviço na
3.ª Divisão, mas não é conhecido o seu papel na rede.
O JN sabe também que, pelo menos, um dos elementos da PSP estava
ligado a uma carreira de tiro desportivo, infra-estrutura que
servia para justificar a importação ilícita de munições
proibidas e só acessíveis a praticantes de tiro desportivo. Com
efeito, uma vez que os praticantes de tiro desportivo não têm
limite na aquisição de munições, por autorização legal, as
munições eram importadas justificando o seu consumo com a
carreira de tiro desportivo, embora o seu destino possa ter sido
também o mercado paralelo de armas e munições.
As buscas realizadas envolveram os locais de trabalho dos
agentes, mas também as suas residências e numa delas foram
encontradas dezenas de armas e munições, que também entraram no
rol do material apreendido.
Bairros considerados de risco foram igualmente alvo das buscas
policiais, que contaram também com elementos do Departamento de
Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, do Ministério
Público.
Ontem à noite, havia referências a que entre os detidos se
encontrava também um elemento ligado a actividades criminosas,
apanhado na sequência da mesma investigação. Com ele foram
encontradas armas, além de cerca de 20 mil euros em dinheiro,
cuja proveniência não estava esclarecida.

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Em 2005 houve
1218 roubos com armas de fogo só em Lisboa
Crime mais violento |
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Há sinais preocupantes de que o crime está mais violento para as
vítimas. O acesso a armas de fogo é cada vez mais fácil e os
criminosos não hesitam em agredir ou abrir fogo. As autoridades
preparam respostas e ontem polícias e Ministério Público
discutiram o fenómeno num encontro em Lisboa.
O nível de
violência associado aos crimes praticados na Grande Lisboa está
a aumentar. Contra as estatísticas policiais, que traduzem uma
descida da ‘criminalidade violenta’, a percepção dos polícias é
a de que os criminosos, muitas vezes jovens com fácil acesso a
armas de fogo, não hesitam em recorrer à violência. Ontem,
Polícia Judiciária, PSP, GNR e Ministério Público estiveram lado
a lado, numa conferência, em Lisboa, à procura de soluções para
um fenómeno cada vez mais preocupante. Algumas respostas vão
surgir a curto prazo.
Os sinais são preocupantes. Apesar de os indicadores da PSP para
Lisboa mostrarem uma descida na categoria ‘criminalidade
violenta’, crimes como assaltos a bancos, a casas de câmbio e
roubo de viaturas, que integram o grupo, aumentaram em 2005. O
acesso às armas de fogo – vindas da Europa de Leste ou
transformadas em oficinas artesanais – é mais fácil.
No ano passado, a PJ apreendeu em Lisboa 65 armas. E prendeu
mais gente por crimes cometidos com armas de fogo: 263 suspeitos
– dos quais 156 ficaram em prisão preventiva. Há cinco anos que
este tipo de crime está a subir e os alvos são cada vez mais
variados. Tabacarias e papelarias, por exemplo, são atacadas à
quinta e à sexta-feira.
Estão a ganhar força os assaltos a estabelecimentos com
clientes. “Isso já não é obstáculo e houve um caso de assalto a
um restaurante com mais de cem pessoas”, disse Carla Falua, da
PJ de Lisboa, sublinhando a necessidade de este tipo de crime
dever ser comunicado o mais depressa possível à PJ, o que nem
sempre acontece.
A dispersão territorial da actividade criminosa, com grupos de
número variável a cometerem vários roubos em diferentes locais
em pouco tempo, é outro sinal a preocupar as autoridades. “É um
fenómeno associado às principais estradas, eixos ao longo dos
quais se processa a actividade criminosa”, disse Carlos Farinha,
responsável da PJ de Lisboa.
Para fazer face a este tipo de acção, conhecido por ‘fezada’, a
GNR revelou que tem em fase final de preparação um plano de
intercepção e controlo rodoviário, que permitirá uma intervenção
mais rápida nestas situações.
Também o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de
Lisboa, vai criar uma equipa, dedicada à grande criminalidade,
para evitar a disseminação de processos por vários tribunais.
PJ CONTRA OS ROUBOS
Foi a ocorrência frequente de crimes cometidos com arma de fogo
que levou a PJ de Lisboa a criar, no ano passado, um serviço
permanente especializado nestas situações.
No entanto, e como foi revelado ontem, pouco mais de metade das
ocorrências (58,8 por cento) foi comunicada quer pela PSP quer
pela GNR em tempo útil. Apesar de, segundo a PJ, “99,9 por cento
dos casos terem sido comunicados”.
“As vantagens da rapidez prendem-se com a recolha de vestígios e
com outras diligências no local, com o processamento da
informação e com a conexão com outros factos”, referiu Carla
Falua, da PJ de Lisboa, reconhecendo que, apesar de nem sempre
“ser fácil, é muito importante que as autoridades garantam a
preservação do local”. A recolha de indícios e a identificação
de testemunhas podem ser determinantes.
DIAP AVANÇA COM EQUIPA ESPECIAL
O Departamento de Investigação e Acção Penal vai contar ainda
este mês com uma nova unidade especial para combater a grande
criminalidade na comarca de Lisboa, anunciou Teresa Almeida,
procuradora da República naquele organismo, durante a Jornada de
Reflexão sobre Criminalidade Urbana e Violência, organizada pela
directoria de Lisboa da Polícia Judiciária.
“A unidade possui uma vocação distrital, tendo em conta os
fenómenos que têm uma expansão territorial”, disse Teresa
Almeida. O objectivo da nova unidade, que ainda não tem
designação, é dar uma “resposta imediata e uniforme, sem
disseminação de processos” para aumentar a qualidade de
resposta. Durante a intervenção no encontro, a procuradora
apontou como “falhas” a “fragmentação da informação em círculos
autónomos de que ninguém tem o conhecimento global e cruzado”.
“O tratamento burocrático do crime” foi outro dos “erros”
apontados por Teresa Almeida, que considera existir “um uso
excessivo de métodos invasivos de obtenção de prova e deficiente
tempo de resposta”.
VIOLÊNCIA URBANA
BEBIDAS PERIGOSAS
A PSP revelou que está a analisar os crimes cometidos sobre
vítimas que ingerem sem saber bebidas adulteradas que induzem
desmaios. Apesar de não existirem estatísticas, já há alguns
casos relatados de roubos e violação.
TRANSPORTES
Os crimes cometidos em transportes públicos são uma das áreas
mais sensíveis em termos de criminalidade e das que maior
insegurança podem gerar entre a população, disse Santos Cabral,
director nacional da Polícia Judiciária.
DESCONHECIDOS
Teresa Almeida, procuradora do Ministério Público, alertou para
a importância da presença das autoridades no local dos crimes
praticados por desconhecidos, sublinhando que a recolha de
vestígios e a presença, numa atitude não burocrática, podem
contribuir para a prevenção criminal.
EQUIPAS POLICIAIS
A criação de equipas de agentes de várias Polícias para fazer
face à criminalidade urbana mais violenta foi uma das sugestões
apresentadas por Teresa Almeida, que defendeu também uma melhor
comunicação e coordenação entre forças de segurança e Ministério
Público.
RAÇA NEGRA E BRANCA
A procuradora Francisca van Dunen, natural de Angola, afirmou
que, quando se torna “relevante” para a compreensão de um
determinado fenómeno, não deve evitar falar-se de indivíduos
negros, brancos ou outros.
GRUPOS MISTOS
As forças de segurança detectaram uma nova tendência: a adesão
de jovens brancos a grupos de negros. “São franjas da sociedade
atraídas para os pequenos grupos que deviam ter sido
integrados”, disse fonte da PJ.
ROUBAR SEM PRECISAR
No retrato que fez da criminalidade urbana, a PJ destaca o facto
de os roubos cometidos com armas de fogo não terem por objectivo
a satisfação de necessidades.
SEGURANÇA EM LISBOA
Roubos por esticão: 474 (2003) / 715 (2004) / 843 (2005)
Roubos na via pública: 1041 (2003) / 1557 (2004) / 1511 (2005)
Assaltos a bancos: 29 (2003) / 22 (2004) / 39 (2005)
Assaltos a tesourarias ou correios: 2 (2003) / 4 (2004) / 7
(2005)
Assaltos a postos de combustível: 12 (2003) / 12 (2004) / 5
(2005)
Homicídios: 23 (2003) / 28 (2004) / 26 (2005)
Roubos com sequestro: 76 (2003) / 75 (2004) / 74 (2005)
Armas apreendidas: 299 (2003) / 274 (2004) / 316 (2005)
Roubos com armas de fogo em 2005: 1218

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PSP
altera comandos com nova fornada de oficiais |
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Os dezasseis
comandos da PSP, correspondentes à quase totalidade dos
distritos do país, vão pela primeira vez ser alterados no seu
conteúdo, passando das mãos dos oficiais de carreira para as dos
oficiais oriundos do Instituto Superior de Polícia. Em
contrapartida, os oficiais de carreira ou aceitam ser colocados
como "número dois" ou poderão ser transferidos, o que poderá
levar a alguns protestos.
A medida acaba por alterar por completo todo o panorama de
comando da PSP, tanto mais que na mesma reestruturação está
previsto, por fim, o preenchimento do cargo de director
nacional-adjunto para a logística, deixado em aberto desde
Outubro, com a passagem à reserva do superintendente-chefe
Coelho Lima.
Para ocupar o cargo o nome mais falado é o de Pinto do Carmo,
actualmente comandante da Madeira, que poderá ser substituído
por Guedes da Silva, a comandar Setúbal, e que poderá dar lugar
à ascensão do seu "número dois", do Instituto Superior de
Polícia.
O mesmo deverá acontecer no Corpo de Intervenção, com Francisco
Santos a subir a inspector-geral, abrindo caminho à chefia para
o seu segundo-comandante, também do Instituto.
A iniciativa insere-se na promoção de 31 subintendentes a
intendentes, na quase totalidade oriundos do Instituto Superior
de Polícia. No entanto, nem por isso o respectivo sindicato
encontra razões para estar satisfeito. Com efeito, para Carlos
Resende, presidente do Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia
(SNOP), a medida agora em execução "decorre da lei" e, portanto,
"não há razões para estarmos satisfeitos ou deixarmos de estar".
Em contrapartida, para o sindicato que representa os futuros
chefes da PSP é razão de preocupação a preponderância que a GNR
tem vindo a ganhar, segundo aponta, quer na segurança quer na
protecção civil.
Carlos Resende cita como exemplo a questão das escoltas e
guardas de honra a altas entidades - alterações noticiadas pelo
JN - atribuídas à GNR, no âmbito da revisão do Plano Coordenador
de Segurança.
Carlos Resende sustenta que "em face de conflitos de
competências entre a PSP e a GNR, invariavelmente a decisão da
tutela é tomada em detrimento da PSP". Também a projectada
Unidade Táctica da PJ é motivo de preocupação e Carlos Resende
aponta a "falta de firmeza com que a Direcção Nacional da PSP
tem conduzido este processo, negligenciando as competências" da
PSP.
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Polícias há anos sem
disparar |
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Elementos da PSP e da GNR dizem que o plano de acção para os
bairros problemáticos vai aumentar os processos-crime e
disciplinares. E recordam que há polícias que nem sabem mexer
nas armas que usam.
Os polícias
estão com o pé atrás relativamente ao plano de acção anunciado
esta segunda-feira pelo ministro da Administração Interna,
António Costa. Um policiamento mais musculado vai «aumentar os
processos-crime e os processos disciplinares», dizem os
sindicatos. Além disso, sublinham que há militares que, desde o
início da carreira, nunca mais treinaram o uso da arma.
Um policiamento
mais reactivo e disparos mais rápidos são respostas da PSP e da
GNR à crescente ameaça aos agentes das forças de segurança. O
Modelo Integrado de Prevenção e Intervenção Policial foi
apresentado ao ministro da Administração Interna um ano depois
do assassinato de dois agentes na Amadora e dá instruções de
reacção em caso de tiroteio.
Mas os
sindicatos prevêem o pior. «Nós neste momento já temos processos
disciplinares só por andarmos na rua com a mão na arma», explica
Ernesto Rodrigues, da Associação Sindical Independente de
Agentes da PSP. «Com a actual legislação não podemos usar armas
de fogo de uma forma mais musculada», afirma. Se o fizerem,
admite, isso «vai aumentar o número de processos [crime e
disciplinares] contra os elementos das forças de segurança».
A anunciada
liberdade para disparar também não convence José Alho, dirigente
sindical da GNR. «A lei só nos permite ripostar perante ameaça
de morte - nossa ou de colegas - e perante igualdade de armas»,
esclarece. Ora, «se a lei não foi alterada», fica a dúvida:
«podemos disparar em que aspecto?»
Em que aspecto
e com que armas, acrescente-se. É que, de acordo com os
sindicatos ouvidos pelo PortugalDiário, os elementos das forças
de segurança não estão preparados para responder ao fogo com
fogo. «Eu, por exemplo, não faço tiro há três anos», admite
Ernesto Rodrigues. Três anos sem treinar. Um prazo demasiado
longo que pode ser fatal em caso de tiroteio.
Mas há casos
piores. «No grupo territorial da GNR de Beja há cinco anos que
ninguém faz tiro com a arma que usa», garante José Alho, da
Associação Socio-Profissional Independente da Guarda. O mesmo
responsável acrescenta: «há pessoas que só fizeram [treino de
tiro] no curso e depois nunca mais». O ideal, explica, «devia
ser mensalmente». «Há pessoas que exercem funções burocráticas
que se forem chamados a intervir numa situação de ordem pública
não estão preparadas», sublinha Ernesto Rodrigues.
Optimista
relativamente ao novo plano de acção, Paulo Rodrigues está, no
entanto, céptico quanto à sua execução. O dirigente da ASPP
(Associação Sindical dos Profissionais de Polícia) defende um
«patrulhamento activo» e de «proximidade». Concorda com o
aumento do número de polícias em cada patrulha e espera pela
«execução prática» do plano teórico.
Este projecto
prevê mais elementos nas patrulhas em bairros perigosos. Recurso
frequente e articulado ao Grupo de Operações Especiais e ao
Corpo de Intervenção. E um mapa digital com as pontos mais
perigosos das grandes áreas metropolitanas.
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Instruções para atirar |
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O fogo
hostil em bairros problemáticos, que só no ano passado matou
três agentes da PSP, na zona de Lisboa, passa a ter uma resposta
à altura por parte da Polícia. Chama-se Modelo Integrado de
Prevenção e Intervenção Policial e foi ontem apresentado, na
Direcção Nacional, ao ministro da Administração Interna, António
Costa.
Depois de
Ireneu Dinis, abatido à traição na Cova da Moura, Amadora, em
Fevereiro, foi a vez de os agentes António Abrantes e Paulo
Alves caírem às mãos de um criminoso, na madrugada de 20 de
Março, também na Amadora.
Nessa altura, disse ontem o intendente Barros Correia, director
do Departamento de Operações da PSP, “foi criado um grupo que se
dedicou ao diagnóstico da criminalidade violenta em bairros
problemáticos” – e às directivas operacionais, que foram
apresentadas ao ministro António Costa.
A partir de agora, segundo fontes policiais contactadas pelo CM,
os agentes têm instruções para responder aos tiros criminosos .
O patrulhamento vai ser reforçado, mais do que os dois agentes
habituais num veículo; armamento mais eficaz, sempre à mão e
pronto a atirar – e coletes à prova de bala sempre vestidos
nessas circunstâncias.
O nível de actuação, segundo disse ontem o ministro, vai
depender da perigosidade de cada local: “Os bairro estão
classificados em três níveis [de perigosidade] – alto, médio e
baixo – e a actuação é traçada em função desse risco.”
Estas novas medidas vão abranger o Corpo de Intervenção, o Grupo
de Operações Especiais e as simples patrulhas da PSP.
A GNR também vai passar a dar “resposta adequada ao fogo
criminoso” durante as suas operações – de acordo com instruções
do comando-geral. Os militares autores de disparos fatais vão
ter acompanhamento jurídico, já garantido pelo actual
comandante-geral daquela força, tenente-general Mourato Nunes.
“O apoio jurídico a polícias que, em serviço, atinjam os
suspeitos em fuga ou em legítima defesa” é fundamental, disse ao
CM fonte policial, salientando: “A falta de protecção jurídica
inibe as forças policiais de ripostarem ao fogo hostil.”
Entretanto, três pelotões (90 militares) do Batalhão Operacional
do Regimento de Infantaria da GNR, que fizeram parte do
subagrupamento Alfa, em Nassíria, no sul do Iraque, vão reforçar
o patrulhamento nas zonas de maior criminalidade dos concelhos
de Almada, Loures e Sintra. Estas equipas passam a estar
fortemente armadas com as novas pistolas-metralhadoras HK G36.
A grande maioria dos militares que compõem estes três pelotões
passaram três ou mais meses no Iraque. “O treino que receberam e
as situações que enfrentaram dão uma garantia de segurança em
zonas de maior tensão”, diz a mesma fonte.
"HOMENAGEM TAMBÉM É PUNIR"
Dez elementos do Corpo de Intervenção da PSP, fardados a rigor,
perfilaram ontem à tarde em sentido, ao som do Hino Nacional. E
em frente ao painel com a imagem da Nossa Senhora da Penha de
França, na sede da Direcção Nacional da PSP, ao lado do memorial
com os nomes de todos os agentes da PSP mortos em serviço, o
ministro da Administração Interna depositou uma coroa de flores
em forma de homenagem.
Uma homenagem que, segundo António Costa, também passa por
“combater e punir todos os que atentam contra a vida de um
agente de segurança. Não há nada mais grave num Estado de
Direito”.
PORMENORES
PISTOLAS NOVAS
Os operacionais da PSP e da GNR serão equipados em breve com
novas pistolas, após a abertura de um concurso público por parte
do Governo para aquisição de armas. As principais candidatas são
as Glock de 9 mm, iguais às utilizadas pelos inspectores da
Polícia Judiciária.
BATALHÃO AVANÇA
Os bairros de maior risco, nas áreas vigiadas pela GNR, serão
patrulhados por equipas do Batalhão Operacional, uma unidade de
reserva às ordens do Comando Geral, e que já esteve em operações
no Iraque.
PATRULHAMENTO
Cada equipa do Batalhão Operacional da Guarda Nacional
Republicana destacada para bairros de risco será formada por
sete a 14 militares, liderada por um oficial ou sargento. Um
pelotão, constituído por 30 homens, vai estar sempre no terreno
– enquanto outros dois ficam de prevenção 24 horas por dia.
POLÍCIA DISPARA
- Viseu 13/03: Um homem que assaltara um apartamento de
prostitutas em Viseu é abatido pela PSP e um comparsa é ferido.
- A1 05/03: A BT do Carregado atinge um condutor em fuga, depois
de ter provocado um acidente, num contramão de 14 quilómetros.
- Ancora 05/03: Um condutor indiciado na prática contínua de
furtos foi ferido por uma patrulha da BT, depois de abrir fogo
de caçadeira.
- Albufeira 28/02: Numa troca de tiros, a Polícia Judiciária
abate um traficante durante uma operação de descarga de haxixe.
- Mangualde 15/02: A GNR responde a tiro na perseguição a
ladrões de loja de telemóveis, que abriram fogo.
- Sintra 25/0: Na perseguição a três assaltantes armados, a GNR
abate um e fere outro.
OPERAÇÃO APANHA 234 ILEGAIS
Samba, churrasco e muita cerveja, conforme manda a tradição
brasileira, há muito que faziam as delícias de centenas de
imigrantes ilegais nas noites loucas de fim-de-semana.
O dono do restaurante dava o mote, as festas eram um sucesso,
mas chegaram aos ouvidos do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras
(SEF). E, domingo à noite, o Bufalo Grill, em pleno Jardim
Zoológico de Lisboa, foi invadido por 15 inspectores do SEF e
dezenas de polícias fortemente armados.
Das quinhentas pessoas identificadas, 234 estrangeiros estavam
em situação ilegal e, destes, 222 “foram notificados a
abandonarem o País, de forma voluntária, num prazo máximo de 20
dias”, adiantou ao Correio da Manhã Carlos Patrício, director
regional do SEF.
Só que, para além destes, os inspectores não tiveram a mesma
cortesia para com 12 “reincidentes”, que acabaram detidos e
deverão ser expulsos nos próximos tempos. “Privilegiamos as
notificações, só que há casos em que as pessoas voltam a ser
encontradas depois dos 20 dias.”
São presentes ao juiz de Pequena Instância Criminal, “para
validar as detenções e aplicar medidas de coacção” – e posterior
“processo de expulsão”. Nesta operação, os 234 imigrantes
ilegais são, “na sua grande maioria, brasileiros”.
Mas os 15 inspectores do SEF não chegaram sozinhos, e, para
evitar surpresas, o perímetro de segurança foi garantido por
dezenas de elementos da Equipa de Intervenção Rápida da 3.ª
Divisão da PSP, Brigada de Fiscalização, Corpo de Intervenção e
três equipas cinotécnicas – agentes da PSP com cães treinados.
“Numa festa com 500 pessoas há situações muitas vezes
imprevisíveis e temos de assegurar a máxima segurança na
operação”, justificou ao CM fonte policial. De qualquer forma, a
fiscalização foi pacífica e outras entidades interessadas
aproveitaram a boleia: Inspecção-Geral das Actividades Culturais
e Sociedade Portuguesa de Autores.
E outras irregularidades foram encontradas. “Foram levantados 14
autos de contra-ordenação por infracções várias – alvará,
licenças e sistemas de segurança – e apreendidos 262 CD”.
Segundo Carlos Patrício, o SEF faz um planeamento operacional
mensal – e estas acções são executadas com informações
recolhidas no terreno e denúncias. No caso do Bufalo Grill, os
clientes foram traídos “por uma denúncia”.
JUDICIÁRIA DÁ PRIORIDADE AO COMBATE DOS ILEGAIS
Ninguém sabe ao certo quantos imigrantes ilegais vivem em
Portugal – mas fontes da Polícia Judiciária e do Serviço de
Estrangeiros e Fronteiras estimam ao Correio da Manhã o número
em 100 mil. A estimativa tem por base a experiência dos outros
países do Espaço Schengen: por cada três imigrantes que entram,
pelo menos um fá-lo ilegalmente. Segundo os números oficiais do
Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, vivem legalmente em
Portugal 200 mil imigrantes.
A Polícia Judiciária, ainda de acordo com as nossas fontes,
“está preocupada” com a actividade dos clandestinos – e,
sobretudo, com as redes de fomento da imigração paralela e da
falsificação de documentos de identificação. “Uma das
prioridades da Polícia Judiciária, a par dos assaltos à mão
armada e do tráfico de armas, é a imigração ilegal” – diz ainda
a nossa fonte. Muitas investigações iniciadas pela PJ, com vista
a localizar clandestinos, têm sido passadas à PSP e ao SEF.
A ÚLTIMA OPERAÇÃO POLICIAL CONTRA CLANDESTINOS
MARTIM MONIZ
No passado dia 13 de Fevereiro, o Serviço de Estrangeiros e
Fronteiras tomou de assalto toda a zona do Martim Moniz, em
Lisboa. Foram apanhados mais de 400 imigrantes ilegais.
PROVA DE FORÇA
A operação no Martim Moniz, em 13 de Fevereiro, foi levada a
cabo por 64 inspectores do SEF com a cobertura de mais de 200
operacionais do Corpo de Intervenção da PSP.
PATRULHA REFORÇADA
O patrulhamento em bairros problemáticos passa a ser feito por
mais de dois elementos policiais dentro de um veículo, ao
contrário do que era feito até agora.
ARMAMENTO
Agentes da PSP e militares da GNR têm instruções para dar
“resposta adequada” ao fogo criminoso. ‘Ninjas’ da GNR equipados
com metralhadoras que levaram para o Iraque.
COLETES ANTIBALA
Uma das novas directivas policiais passa por os agentes de
serviço em bairros perigosos andarem sempre com os coletes à
prova de bala vestidos.
APOIO JURÍDICO
O comandante geral da GNR, tenenente-general Mourato Nunes,
decidiu oferecer apoio jurídico a todos os militares que sejam
autores de disparos fatais.
NÍVEIS DE RISCO
Os níveis de perigosidade nos bairros difíceis estão
classificados pela Polícia entre alto, médio e baixo. A actuação
das forças de segurança vai depender desse risco.
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Informação digital vai fornecer dados sobre as áreas de
risco |
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Projecto
está a ser desenvolvido pelo Laboratório Nacional de Engenharia
Civil sob encomenda do ministro António Costa.
Mapa digital vai abranger áreas metropolitanas do Porto e Lisboa
e permitirá um maior controlo dos grupos criminosos.
A s áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, em particular as
áreas de risco, estão a ser sujeitas a um levantamento cadastral
(com recurso a GPS para ser operado em suporte digital) que
servirá de apoio à intervenção no combate ao crime por parte da
PSP e da GNR, segundo soube o JN junto de fontes policiais. A
informação ali contida vai abranger desde dados relativos a
actividades criminosas até elementos demográficos e urbanísticos
e acaba por se enquadrar no objectivo de melhorar a acção
policial, que vai passar também a operar com meios mais
musculados pelas directivas da GNR e para a PSP (ver texto em
baixo).
O projecto, realizado no âmbito do programa "Metrópoles
Seguras", está a ser desenvolvido pelo Laboratório Nacional de
Engenharia Civil (LNEC), sob encomenda do Ministério da
Administração Interna, que confirmou a informação, embora se
tenha recusado a prestar declarações mais pormenorizadas.
O JN sabe, no entanto, que quer a PSP quer a GNR já estão a
recolher informação para fornecer ao LNEC, no âmbito dos
respectivos Planos de Intervenção em Áreas de Risco, entretanto
já elaborados. Foi também constituído um grupo de trabalho com
um representante do Ministério da Administração Interna, Pedro
Botelho, enquanto pelo LNEC está o sociólogo Paulo Machado, que
chefia a equipa de especialistas. Do grupo de trabalho fazem
parte outros ministérios, embora a liderança pertença ao MAI e
está previsto que os trabalhos estejam concluídos ainda este ano
ou no início de 2007.
E se bem que o suporte digital abranja as áreas metropolitanas,
o objectivo é que chegue ao pormenor de identificar as ruas onde
se verificam mais incidentes criminosos, assim como identificar
a origem mais frequente desses mesmos grupos. O sistema pode
permitir assim conciliar a informação recolhida pela PSP e pela
GNR e prevenir a prioridade da actuação em determinadas áreas. A
isto surge agregada a informação dos grupos demográficos
originários e alvos dos grupos criminosos, assim como definir a
malha urbanística.
Parte desses dados urbanísticos poderão igualmente ser
recolhidos com recurso à fotografia aérea ou por satélite,
elementos que permitirão classificar as áreas de risco e melhor
definir os tipos de intervenção policial.
Os riscos vão ser definidos em três níveis - baixo risco, médio
risco e crítico - embora enquanto a PSP tenha como base um
sistema de cores (laranja, amarelo e verde) para classificar o
sistema já a GNR utiliza um conceito com base exactamente na
designação. O sistema vai ser essencialmente utilizado a nível
de comando.
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Segurança - direcção nacional diz que é 'normal'
Comando mal aceite |
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O processo
de nomeação dos novos comandantes distritais da PSP, que deverá
estar concluído dentro de duas semanas, está a ser mal acolhido
por muitos oficiais. Os novos comandantes queixam-se de “falta
de lógica” nas escolhas e de tudo ter sido decidido em “completo
segredo” – rompendo com a tradição na Polícia. A Direcção
Nacional (DN) garante que a situação é normal e que está de
acordo com a Lei Orgânica.
Tal como o CM
noticiou ontem, são vários os comandos da PSP com novos
responsáveis: Castelo Branco, Portalegre, Leiria, Guarda, Vila
Real, Viseu e Cascais, entre outros, e alguns chefes de
departamento na Direcção Nacional vão também ser substituídos.
No centro de todas as movimentações estão os 31 novos
intendentes, que, em Janeiro, após um curso de vários meses,
foram promovidos ao topo da hierarquia.
“Até agora, quando havia necessidade de ocupar posições, à
classificação no curso de promoção equivalia uma preferência na
escolha. Era algo que todos aceitavam”, disse ao CM um oficial,
sob anonimato. “Agora as pessoas foram simplesmente informadas
da decisão.”
Os novos postos foram comunicados pessoalmente pelo director
nacional, Orlando Romano, aos novos comandantes, na semana
passada. E as reacções foram as mais diversas. “Não se
compreende que critério foi aplicado para as escolhas”, alega um
outro oficial. “Para um lugar de topo deve ser indicado alguém
motivado e disposto a sacrificar-se. O que se passa agora é
muito diferente e há muita gente contrariada, que talvez se vá
limitar a fazer o que é de lei.”
Contactada pelo CM, uma fonte oficial da Direcção Nacional da
PSP afirmou que a nomeação dos novos comandantes “é um movimento
normal de oficiais da PSP, que ascenderam à categoria de
intendentes, e que vão ocupar lugares de comando de acordo com a
Lei Orgânica da Polícia”.
SEM RECUSAS, NEM VONTADE
Apesar da surpresa e do mal-estar com que muitos oficiais
receberam a notícia, a verdade é que, segundo apurou o CM,
nenhum terá recusado o cargo – algo que seria possível, uma vez
que se trata de uma nomeação por escolha do director nacional e
que pressupõe a aceitação do escolhido. No entanto, alguns dos
novos comandantes distritais vão assumir funções com pouco
entusiasmo.
“Poderemos ver casos de pessoas que se limitam a actuar de
acordo com a lei. Sem o voluntarismo nem o espírito de
sacrifício que teriam se tudo fosse feito de outra forma. Mas a
segurança não está em causa, de forma alguma”, referiu um
oficial.
CASOS
DESCONHECIA
Pelo menos numa situação um oficial da PSP terá sabido por
terceiros, estranhos à instituição, que iria cessar as funções
que até então desempenhava. Um caso que caiu mal no topo da
hierarquia da Polícia.
VENCIMENTO
De acordo com fontes contactadas pelo CM, um oficial da PSP, com
o posto de intendente, que esteja à frente de um comando de
Polícia ganha menos do que um comissário colocado na Direcção
Nacional.
'SEM LÓGICA'
“Se uma pessoa tem preferência por determinado comando, que
outra prefere não assumir, por que não se respeita isso?”,
pergunta um oficial.
DIRECTOR ESCOLHE
As escolhas são decididas pelo director nacional, que sujeita à
aprovação do Governo.
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Segurança - oficiais contra 'menorização' da PSP face à GNR
Polícia muda comandos em clima de
contestação |
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Duas dezenas de altos lugares na hierarquia da PSP,
desde comandos distritais a departamentos na Direcção
Nacional, vão ter novos responsáveis. A ‘dança de
cadeiras’, que apanhou de surpresa alguns oficiais,
surge numa altura em que aumenta o descontentamento no
seio da Polícia face ao que as duas associações de
oficias consideram ser a “menorização” da PSP no âmbito
do Plano Coordenador das Forças e Serviços de Segurança. |
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Orlando Romano, director da PSP, muda chefias quando os
oficiais estão em guerra com a GNR |
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São
várias as alterações introduzidas pelo director nacional
da PSP, Orlando Romano, na hierarquia. A nível
distrital, haverá novas estruturas de comando, entre
outras, em Portalegre, Castelo Branco, Guarda, Leiria,
Braga, Vila Real, Viseu e Cascais. Alguns dos oficiais
deverão passar a chefiar departamentos na Direcção
Nacional, enquanto outros, que até aqui eram
responsáveis por áreas de gestão e de estudos, passam a
comandar divisões.
Prevista está também a saída do actual comandante do
Corpo de Intervenção, superintendente Francisco Santos,
para a Inspecção-Geral da PSP, sendo substituído pelo
até agora segundo-comandante, intendente Lucas. Por fim,
o cargo de director nacional adjunto para a Logística e
Finanças, terceiro na hierarquia da PSP, mas que está
vago desde Outubro, deverá também ser preenchido.
Apesar de esperadas – devido à promoção de 31
intendentes em Janeiro – as alterações apanharam de
surpresa alguns dos envolvidos. Os sindicatos de
oficiais da PSP, mesmo estranhando a simultaneidade das
mudanças e reconhecendo a agitação que provocam,
consideram-nas “normais”.
O pior, explica o presidente do Sindicato Nacional de
Oficiais de Polícia (SNOP), é que tudo acontece numa
altura em que os ânimos estão “ao rubro”. “A PSP está a
ser esvaziada de competências”, diz Carlos Resende,
presidente do SNOP, que representa os oficiais saídos do
Instituto Superior da Polícia. “E quando surgem
conflitos de competência entre a PSP e a GNR,
invariavelmente a decisão da tutela é tomada em
detrimento da PSP.”
Na base da “preocupação”, também partilhada pela
Associação Sindical dos Oficiais de Polícia (ASOP), está
o Plano Coordenador das Forças e Serviços de Segurança,
discutido esta semana. As escoltas policiais a altas
entidades, a distribuição de zonas de acção por todo o
País e a área das operações especiais são os pontos mais
discutidos.
“Tememos que a tutela tenha decidido relegar a PSP para
um plano claramente subalterno em relação às forças
policiais de cariz militar”, diz Carlos Resende. Jorge
Soares, da ASOP, considera que “a PSP tem vindo sempre a
perder”. “Existe uma união sem precedentes entre todos
os oficiais face à situação da Polícia e ao que está
acontecer”, referiu Jorge Soares.
MARATONA SEM ACORDO
A uma semana do tiro de partida para a Meia-Maratona de
Lisboa, a PSP e a GNR ainda não chegaram a acordo sobre
quem fará o quê em matéria de segurança. As duas
reuniões realizadas até agora não foram conclusivas. A
prova, na qual milhares de pessoas vão atravessar a
Ponte 25 de Abril no próximo domingo, começa numa zona
de controlo da Brigada de Trânsito (BT), à qual se chega
através de outra da PSP. O tabuleiro é controlado pela
BT e o resto do percurso até à meta pela PSP. Além
disso, é preciso detectar explosivos na Ponte – algo que
a GNR e a PSP podem fazer. E, apesar de a segurança não
estar em causa, ainda ninguém sabe como será.
ESCOLTAS E AUTOCARROS
A escolta a altas entidades é um dos pontos mais quentes
na discussão entre as Polícias. Segundo apurou o CM,
terá “caído mal” na GNR o facto de a PSP, no dia da
tomada de posse do Presidente da República, “ter
colocado sete batedores, em cunha, a acompanhar o carro
de Cavaco Silva, quando está previsto que as escoltas
sejam competência da GNR”. A PSP também tem queixas e um
responsável lembra os jogos de futebol em Alvalade.
“Quando o Sporting joga em casa, o autocarro é
acompanhado desde Alcochete pela GNR. A PSP no estádio
só sabe da chegada quando vê. Não avisam”, disse fonte
da PSP.
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Gestão de multas com
sentença de ineficácia |
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A gestão de
infracções e multas rodoviárias é, no actual quadro
organizacional e informático, ineficaz. A conclusão consta de um
relatório enviado esta semana pela Direcção-Geral de Viação (DGV)
à tutela, na sequência do chamado caso do "deputado voador",
denunciado pelo JN. Mediante o diagnóstico traçado, o secretário
de Estado da Administração Interna, Ascenso Simões, determinou a
criação de uma Comissão para o Estudo do Processo
Contra-ordenacional Estradal, que tem 120 dias para começar a
apresentar serviço.
O relatório, a que o JN teve acesso, surge na sequência da
denúncia do arquivamento e prescrição de multas do deputado
social-democrata Ricardo Almeida. Foi exigida uma averiguação à
DGV, mas os resultados foram considerados insuficientes e
"meramente burocráticos" pelo secretário de Estado, que
solicitou uma análise e proposta de recomendações visando evitar
que idênticas situações viessem a repetir-se.
Em resposta, a DGV identifica problemas organizacionais e
informáticos que impedem "um efectivo controlo" e gestão de
multas. São mostrados "estrangulamentos" nos serviços centrais e
distritais da DGV, dificuldades na articulação com as forças de
segurança e governos civis e limitações da aplicação informática
de gestão de contra-ordenações, a que se junta a "preocupação
com os recursos humanos insuficientes".
Reconhecendo a necessidade de "introdução de medidas que visem a
normalização de todo o processo contra-ordenacional", Ascenso
Simões indica, para coordenar a comissão encarregue do estudo, o
major-general Afonso Lourenço, que comandou a Brigada de
Trânsito da GNR em 2003 e 2004 e está na reserva.
A relação com as forças de segurança é, aliás, um dos factores
que merece reparos por parte dos autores do relatório. Por um
lado, apontam-lhes falhas como o "deficiente preenchimento do
auto de contra-ordenação". E acrescentam-lhe - neste caso com
excepção para a PSP - falta de colaboração na audição de
testemunhas, na fase de defesa dos infractores.
O diagnóstico apenas "salva" o aspecto legislativo, o que é
normal tendo em conta que a revisão do Código da Estrada apenas
fará um ano para a semana. O alargamento do prazo de prescrição
de procedimentos, coimas e respectivas sanções acessórias é
apontado como "um dos maiores contributos" para reduzir a
incidência da prescrição.
De resto, são deixadas propostas concretas de resolução dos
problemas (ver destaques em baixo), que poderão servir de base
de trabalho à comissão agora criada. Contudo, fica o aviso as
sugestões nem sequer são novas e passam, em larga medida, por
uma proposta de nova lei orgânica da DGV, feita por um grupo de
trabalho criado em 2004 e entregue em 17 de Junho desse ano.
Aparentemente sem qualquer resultado, salientando os autores que
desconhecem "qual o respectivo desenvolvimento".
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PSP: sindicato acusa
ministro de «não gostar dos polícias» |
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O Sindicato
dos Profissionais de Polícia (SPP/PSP) acusou sexta-feira o
ministro da Administração Interna, António Costa, de «não gostar
dos polícias», em resposta à afirmação do governante de que só
tem a dizer «não» àquela estrutura sindical.
«Lembramos ao
ministro que a discriminação é um princípio que a Constituição
da República Portuguesa não consente, a qual jurou cumprir e
respeitar, mas que na parte que nos diz respeito parece ter
esquecido», realça o SPP/PSP em comunicado apresentado em
conferência de imprensa, em Lisboa.
Cinco
sindicatos e associações sócio-profissionais da PSP e da GNR,
entre os quais o SPP/PSP, promoveram terça-feira passada
manifestações descentralizadas no país, uma das quais na Praça
do Comércio, em Lisboa, para exigir a «reposição imediata» de
regalias sociais.
No mesmo dia,
em declarações aos jornalistas, o ministro António Costa reagiu
com indiferença à concentração de profissionais da PSP e da GNR
na Praça do Comércio, acrescentando que a um dos sindicatos que
a organizou, o SPP/PSP, só tem a dizer «não».
«A manifestação
é-me indiferente», disse António Costa, questionado pelos
jornalistas após uma reunião conjunta nas Comissões
Parlamentares de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades
e Garantias e Eventual para os Fogos Florestais.
António Costa
apelidou de «lamentável» a atitude do SPP/PSP, que considerou
pouco representativo.
«Aquando de uma
concentração de polícias, em vários pontos do país, cumprindo
todos os preceitos legais e agindo estritamente dentro daquilo
que a lei que lhes permite, o ministro da Administração Interna
não se inibiu de afirmar, peremptória e publicamente, que ao SPP,
que classificou como pouco representativo, só tem a dizer não»,
refere a estrutura sindical no comunicado.
Assim, o SPP/PSP
decidiu lançar um «desafio» a António Costa: «Tenha a coragem de
dizer, das nove ou dez organizações sindicais que diz existirem
na PSP, quais as duas que, em eleições livres organizadas pela
Direcção Nacional da PSP, obtiveram representatividade e
elegeram dirigentes seus para o Conselho Superior de Justiça e
Conselho Superior de Polícia».
O SPP/PSP
desafia também o ministro da Administração Interna «a dizer
publicamente o número de associados de cada sindicato da PSP,
dados esses que lhe podem ser fornecidos pela Direcção de
Finanças da instituição, a entidade que faz a retenção das
respectivas quotizações sindicais».
O SPP assume-se
como a segunda estrutura sindical da PSP, com cerca de 4.500
sócios, depois da Associação Sindical dos Profissionais de
Polícia (ASPP/PSP), que diz representar cerca de dez mil dos 22
mil profissionais da corporação.
As palavras do
ministro António Costa «fizeram lembrar os ministros do Interior
de Oliveira Salazar e Marcelo Caetano», afirma também o SPP/PSP,
acrescentando que «o tempo da velha senhora já passou».
O SPP/PSP apela
a todos os profissionais da PSP e GNR para enviarem, nos
próximos trinta dias, um lápis azul para a tutela
governamental.
«Assim, o
ministro não terá de deixar o seu gabinete para censurar as
nossas mais do que justas reivindicações públicas», afirma o SPP,
avisando que, na próxima semana, uma delegação da plataforma
sindical que organizou as manifestações vai entregar em mão um
lápis azul no Ministério da Administração Interna, «símbolo da
censura que durante anos asfixiou a liberdade de expressão» em
Portugal.
As
manifestações descentralizadas foram organizadas pelo Sindicato
dos Profissionais de Polícia, Associação Sindical Independente
de Agentes, Sindicato Nacional da Carreira de Chefes, Sindicato
Independente de Agentes e Associação Sócio-Profissional
Independente da Guarda.
Os sindicatos e
as associações das forças de segurança têm contestado as
alterações introduzidas pelo Governo no regime de assistência na
doença, congelamento da progressão automática nas carreiras
profissionais e novo regime de aposentação e pré- aposentação.
O Governo
equiparou os subsistemas de saúde da PSP e GNR à ADSE
(Assistência na Doença aos Servidores do Estado) e aumentou a
idade de reforma dos 55 para os 60 anos nas forças de segurança. |
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