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Inspector
diz que PSP e GNR querem extirpar PJ
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A situação que
vivemos actualmente é a mais recente tentativa de
enfraquecimento e de, pelos vistos, desmantelamento da PJ." Esta
é apenas uma frase de um documento elaborado pelo inspector
Mário Coimbra, elemento da direcção da Associação Sindical dos
Funcio- nários de Investigação Criminal (ASFIC). No texto, o
inspector declara ainda que o poder político não gosta das
investidas dos "impertinentes" investigadores da PJ contra uma
"impunidade confortável, opaca e imune".
Num documento intitulado "A crise da PJ vista do seu interior",
disponibilizado em www.asficpj.org, Mário Coimbra descreve desta
forma o actual contexto: "O Governo e certos governantes e
políticos em especial já não se livram facilmente da suspeita de
que ficaram incomodados com a investigação a certos crimes e que
estão a reagir, pela via legislativa."
O tom duro das críticas estende-se a "outros responsáveis
colaterais que têm vindo a actuar face à PJ com o mesmo respeito
que os abutres têm pelos despojos deixados pelos predadores".
Daí que Mário Coimbra denuncie que está em curso a "mais recente
tentativa de enfraquecimento e de desmantelamento da PJ".
Enumerando, em seguida, os responsáveis: os "falcões"
portugueses adeptos da "americanização" da segurança interna,
"militares activos, reformados e desempregados que aspiram por
uma guerra, os "políticos que fizeram carreira na Defesa, na
Administração Interna e no SIS" e as "hegemónicas e imperiais
chefias superiores da PSP e da GNR e respectivas inteligentsias,
para quem a PJ é e sempre foi uma espécie de abcesso irritante
no sistema policial, que tem de ser extirpado, custe o que
custar, por absorção e/ou pulverização".
Mário Coimbra rejeita qualquer modelo de índole securitária que
faça com que a polícia portuguesa caminhe para a "realização de
operações à americana", defendendo a "cultura democrática" e a
forte consciência ética e deontológica dos limites
constitucionais e legais da investigação criminal e do combate
ao crime".
Num registo irónico, afirma ser "impensável que alguém do
Governo viesse dar uma ordem à PJ para investigar seja o que
for, fora de um inquérito ou de uma averiguação sindicada" pelo
Ministério Público. Ou que "alguém no interior da PJ tivesse a
veleidade de começar a combater o terrorismo com as mesmas armas
do terrorismo".
A finalizar, escreve o inspector, "seria absolutamente
impraticável, que alguém do Governo mandasse a PJ vigiar um
juiz, para lhe encontrar fragilidades, na vida privada,
susceptíveis de serem utilizadas para condicionar a sua livre
apreciação e decisão, num processo de corrupção com políticos
poderosos". Tudo se passa, segundo o autor, perante um
Ministério Público "distraído e apático". Ao DN, Carlos Anjos,
presidente da ASFIC, disse que o documento de Mário Coimbra, que
integra o Conselho Europeu de Sindicatos de Polícia (CESP),
reflecte o actual estado de espírito interno na PJ.

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Pena máxima para assassino
de polícias |
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Defesa pede internamento. E quando sair a sentença vai recorrer
O advogado de
Marcus Fernandes, acusado de ter morto dois agentes da PSP na
Amadora o ano passado, defende o internamento compulsivo do
arguido, mas disse hoje estar consciente que ele deverá ser
condenado à pena máxima.
A leitura da
sentença de Marcus Fernandes, acusado de ter morto a tiro dois
agentes e tentado matar um terceiro, na Amadora, em Março do ano
passado, foi marcada para 05 de Maio, no tribunal da Boa Hora,
em Lisboa.
«Parece-me
inevitável que a pena seja de 25 anos de prisão», afirmou Reis
Nogueira à saída do tribunal, garantindo que «vai recorrer
qualquer que seja a pena ou medida aplicada» ao seu cliente.
O advogado
solicitou que Marcus Fernandes não assistisse à leitura da
sentença, a pedido do mesmo e alegando razões de saúde, mas os
juízes consideraram não haver motivos para que este não ouvisse
a decisão, já que esteve presente em todas as sessões de
julgamento.
Reis Nogueira
demorou cerca de uma hora e meia a expor as suas alegações
finais, criticando o Procurador do Ministério Público, que pediu
a pena máxima (25 anos) para Marcus Fernandes, e o colectivo de
juízes porque lhe negaram a realização de novas perícias
psiquiátricas.
O advogado
interpôs um incidente de recusa à presidente Ana Paula Conceição
que será apreciado pelo Tribunal da Relação.
A estratégia da
defesa de Marcus Fernandes passou por alegar que o arguido é
doente, que toma 12 comprimidos por dia, três dos quais
anti-depressivos, e que necessita «de internamento compulsivo».
«Já sabemos
qual o desfecho deste colectivo, mas a decisão correcta não é
pena de prisão, mas o internamento compulsivo pelos anos que
forem considerados necessários e acompanhado pelo tribunal»,
disse Reis Nogueira.
O defensor do
luso-brasileiro frisou que nunca pediu a inocência do seu
cliente e que este confessou e assumiu a autoria dos factos, mas
apresenta como atenuantes a pressão que este sofria por parte da
testemunha Nuno Esteves, implicado num caso de tráfico de armas,
do stress que sofria e dos medicamentos que tomava.
O MP pediu a
pena máxima (25 anos) para Marcus Fernandes, acusado de matar
dois agentes da PSP e ter tentado assassinar um outro no bairro
de Santa Filomena, Amadora, em Março de 2005.
Marcus
Fernandes, de 31 anos, é acusado de dois crimes de homicídio
qualificado, pelo assassínio dos dois polícias, e outro de
homicídio qualificado na forma tentada, por ter disparado sobre
um terceiro PSP, o agente Pedro Pereira.
As vítimas
mortais foram António Carlos Fernandes Abrantes, 30 anos,
natural da Guarda, e Paulo Jorge de Oliveira Alves, 23 anos, de
Rio Tinto, ambos da esquadra da PSP da Mina, na Amadora.
Para os
advogados Carlos Aires, representante da família de Paulo Alves,
e Gusmão Nogueira, assistente da viúva de António Abrantes, o
arguido deve cumprir 25 anos de cadeia pela morte dos dois
agentes.
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Morte de
PSP: MP pede mais de 20 anos |
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Procuradora diz que arguidos actuaram com «perversidade e
frieza»
O Ministério
Publico pediu hoje 25 anos e pelo menos 20 anos de prisão para
os dois acusados da morte do agente da PSP Ireneu Diniz, em
Fevereiro de 2005 no bairro da Cova da Moura, Amadora. A
sentença foi marcada para o próximo dia 04 de Maio, avança a
agência Lusa.
Nas alegações
finais, a procuradora Natália Lima salientou que os dois
arguidos - Luís Carlos Santos, 41 anos, e Euclides Gonçalves
Tavares, 21 - «actuaram com perversidade, censurabilidade e
frieza». O agente Irineu Jesus Gil Diniz, solteiro, de 33 anos,
foi atingido mor talmente por vários disparos de arma automática
e de caçadeira quando seguia num carro patrulha da PSP que
circulava na madrugada de 17 de Fevereiro de 2005 no bairro da
Cova da Moura, concelho da Amadora.
O tiroteio
causou ainda ferimentos ligeiros no agente da PSP Nuno Miguel
Saramago.
Os dois
arguidos acusados da morte do agente da PSP Irineu Diniz no
Bairro da Cova da Moura, Amadora, são Euclides Gonçalves Tavares
e Luís Carlos Santos e ambos estão detidos no âmbito de outros
processos.
O primeiro, de
21 anos, é acusado de um crime de homicídio qualificado em
co-autoria e na forma consumada, um crime de homicídio
qualificado em co-autoria e na forma tentada, um crime de
detenção ilegal de arma de caça em autoria material e na forma
consumada, e um crime de dano em co-autoria e na forma
consumada.
Luís Carlos
Santos, de 41 anos, é acusado de um crime de homicídio
qualificado em co-autoria e na forma consumada, um crime de
homicídio qualificado em co-autoria e na forma tentada, um crime
de detenção e uso de arma proibida em autoria material e na
forma consumada, e um crime de dano em co-autoria e na forma
consumada.
Aquele arguido
saiu com licença precária a 22 de Dezembro de 2004 do
Estabelecimento Prisional de Vale de Judeus, onde não regressou
no prazo previsto, tendo sido recapturado em Março de 2005.
Cumpria uma pena de 12 anos de prisão.
Nas suas
alegações finais, a procuradora do Ministério Publico pediu um
cúmulo jurídico de 25 anos de prisão (pena máxima) para Luis
Carlos Santos, considerando «agravantes» os antecedentes
criminais do arguido.
Atendendo à
idade de Euclides Gonçalves Tavares (21 anos), a mesma
magistrada pediu uma pena de prisão inferior a 25 anos, «mas não
menos de 20 anos».
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Asfixia financeira na
Judiciária está a condicionar investigação |
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A Polícia
Judiciária (PJ) já está a pedir ajuda à PSP e à GNR para a
inquirição de testemunhas e arguidos nos seus próprios
inquéritos, na sequência da asfixia financeira que está a
atingir aquela que é considerada a elite da investigação
criminal das polícias portuguesas, segundo apurou o JN junto de
distintas fontes policiais. A PSP e a GNR já eram por vezes
solicitadas para inquirições, mas em casos mais simples,
situação que agora quase passou a rotina.
É que já nem
sequer há dinheiro para pagar as ajudas de custo para as
deslocações dos investigadores no âmbito dos inquéritos. Ao
mesmo tempo, os investigadores estão a ser desaconselhados de
utilizar as auto-estradas no sentido de reduzir os gastos, pondo
em causa a qualidade da investigação criminal, numa altura em
que se nota um crescimento do crime mais violento e complexo. As
próprias cartas de porte pago estão a ser limitadas pelos CTT,
dada dificuldade em cobrar as dívidas. Cálculos feitos, a verba
existente apenas permite à PJ funcionar até ao final do mês. A
instituição precisa urgentemente de uma injecção financeira
superior a nove milhões de euros.
A Associação
Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal (ASFIC),
através de Carlos Anjos, recusa-se a comentar os casos concretos
que atingem a PJ, mas espera que da reunião de hoje entre o
ministro da Justiça e o director nacional da Judiciária saia uma
"solução para a questão financeira. Não sabemos o que mais
havemos de fazer para sensibilizar o Governo para a
delicadíssima situação em que se encontra a Polícia. Se calhar,
o melhor é abrirmos uma conta de solidariedade, para a opinião
pública perceber o que realmente se está a passar".
Dignidade profissional
O JN questionou
Carlos Anjos se a "conta de solidariedade" seria apenas uma mera
ironia, mas o dirigente da ASFIC salientou que "é uma intenção".
"Temos que usar todos os meios legais ao nosso alcance para
impedir que a PJ perca a dignidade profissional e continue a ser
capaz de prestar aos cidadãos o serviço para o qual foi criada",
frisou.
No entanto,
segundo sabe o JN, esse objectivo, o de servir os cidadãos,
começa já a sofrer com as falhas orçamentais. É que idealmente
são os inspectores que têm que ouvir testemunhas e arguidos no
âmbito dos inquéritos que investigam, mas isso significa
deslocações e o pagamento das consequentes ajudas de custo. Ora,
uma vez que não há verba para cobrir essa despesa, a PJ tem
vindo a enviar ofícios rogatórios à PSP e à GNR a solicitar a
realização das inquirições, bem mais do que seria aceitável.
Resultado: as diligências são realizadas por quem,
necessariamente, não está dentro dos inquéritos, com a
consequente redução da qualidade da investigação.
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Judiciária -
1010 são da investigação
Faltam 1507 homens à PJ |
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A PJ está a funcionar com menos 1507 funcionários do que está
previsto na sua Lei Orgânica. O maior défice de pessoal está na
investigação criminal – onde faltam 1010 coordenadores e
inspectores, cerca de metade do quadro ideal. O segundo grupo
mais deficitário é o de pessoal de apoio à investigação criminal
(técnicos de laboratório e lofoscopia), com 375 elementos em
falta.
Os números da
Direcção Nacional da PJ, a que o CM teve acesso (ver infografia),
são de 31 de Dezembro de 2005. Nos últimos três meses, segundo
Carlos Anjos, presidente da Associação Sindical de Funcionários
de Investigação Criminal da PJ (ASFIC), já saíram mais 74
inspectores, que passaram à reforma.
“As dificuldades dos diversos departamentos são muitas. A
operacionalidade só é conseguida devido ao ‘amor à camisola’ dos
funcionários de investigação criminal, que estão sobrecarregados
de trabalho porque não há quem os substitua”, disse.
Segundo o dirigente da ASFIC, os investigadores têm visto ser
aumentadas as horas extraordinárias realizadas e os dias de
folga por gozar, sem que sejam compensados. “Foi o agravar da
situação, para a qual vimos a alertar há quatro anos, que nos
levou, em Janeiro, a avançar para a greve sectorial, agora
suspensa para uma greve nacional no dia 17”, afirmou.
Como exemplo do “esgotamento” dos investigadores, Carlos Anjos
refere o caso recente de um inspector do Porto que viu ser-lhe
movido um processo disciplinar por após ter resolvido um
sequestro, investigação em que esteve “três dias sem ir à cama”,
lhe ter sido imediatamente entregue um outro caso complexo.
“Ele recusou porque não estava em condições de investigar,
conduzir ou manejar a arma. Felizmente, o departamento de
disciplina deu-lhe razão”, referiu.
A ASFIC tem vindo a alertar a direcção da PJ e o Ministério da
Justiça para o problema. “Estão sensibilizados, mas do Estado
não tem havido capacidade orçamental para resolver a questão. Já
foram anunciados dois concursos [150 vagas para inspector
estagiário e 50 para pessoal de apoio], mas ainda não foram
lançados”, lamentou.
REUNIÃO DECISIVA
A reunião de hoje à tarde entre o ministro da Justiça, Alberto
Costa, e o director nacional da PJ, Santos Cabral, será decisiva
para o futuro da direcção da instituição.
O CM sabe que Santos Cabral não tem intenção de se demitir, mas
o mal-estar existente pode levar o Governo a exonerar o
responsável máximo da PJ. Fica por saber se os restantes membros
da direcção acompanham Santos Cabral caso Alberto Costa o
demita.
A PJ tem vindo há muito a alertar o ministro para a falta de
meios humanos, a par do problema orçamental e material – da sua
frota de três mil carros (dois mil apreendidos), apenas 897
estão operacionais, por falta de verba para manutenção.
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Rede de Tráfico
- Polícia investiga desvio
Armas roubadas |
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Doze
espingardas-caçadeiras apreendidas pela PSP foram desviadas do
Departamento de Armas e Explosivos da Polícia durante o ano
passado. A Divisão de Investigação Criminal (DIC) da PSP de
Lisboa investiga agora a possibilidade de, por detrás deste
desvio, poder estar a rede de alegado tráfico de armamento
liderada pelo chefe Celestino Soares e pelo agente Henrique
Martinho.
As armas em
questão, todas preparadas para disparar cartuchos de caça
grossa, foram, ao que o CM apurou, apreendidas no âmbito de
buscas domiciliárias feitas por uma brigada da DIC, no ano
passado. Depois de terem estado alguns meses armazenadas no
Departamento de Armas e Explosivos da Direcção Nacional da PSP,
na Rua Artilharia 1, em Lisboa, as armas foram desviadas.
“Cada arma tem um valor unitário estimado em cerca de 15 mil
euros, e estavam prestes a ser leiloadas pela Polícia, em
Janeiro, quando desapareceram”, disse fonte policial.
De imediato se iniciou uma investigação que, com a megaoperação
da DIC da PSP de Lisboa de 24 de Março – onde foi apreendido um
milhar de armas –, tomou um novo rumo. “As doze armas foram
negociadas, logo após o desvio, com receptadores de etnia
cigana”, acrescentou o mesmo informador.
Por detrás do roubo das caçadeiras poderá estar a rede de
alegado tráfico liderada por Celestino Soares e Henrique
Martinho. O facto de o primeiro destes homens ter trabalhado,
durante anos, nas instalações da Rua Artilharia 1,
“facilitava-lhe o acesso aos depósitos de armas”.
As doze caçadeiras poderão agora, ao que o nosso jornal apurou,
estar escondidas num armazém, propriedade de um armeiro da zona
de Loures.
“Este indivíduo comprou-as aos receptadores, e agora guarda-as
para uma possível transacção”, referiu a mesma fonte policial.
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Corrupção condena 81 BT |
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Ao fim de quase um ano de julgamento, 81 militares da Brigada de
Trânsito foram condenados por corrupção passiva: 65 saíram com
pena suspensa, mas 16 foram punidos com prisão efectiva. Só não
recolheram à cadeia porque os advogados manifestaram intenção de
recorrer das condenações.
Adérito Machado
da Silva, cabo da BT de Setúbal, condenado a nove anos e meio de
cadeia, encabeça a lista de 16 militares da BT que saíram ontem
do Tribunal de Sintra com penas de prisão efectiva por crimes de
corrupção passiva no exercício das suas funções.
Sessenta e cinco outros elementos da Brigada de Trânsito e 15
empresários que lhes pagavam foram também condenados – todos com
penas suspensas. Os restantes 97 arguidos foram todos
absolvidos.
Machado da Silva, condenado à pena mais pesada pelo colectivo de
juízes presidido por Anabela Cardoso, era suspeito de várias
dezenas de crimes de corrupção passiva, mas apenas foi condenado
por 19 pagamentos que recebeu de empresários de camionagem da
zona de Setúbal para fechar os olhos a infracções ao Código da
Estrada. Os empresários disseram que lhe pagaram gratificações –
“em dinheiro e em géneros”.
O cabo Machado da Silva já foi julgado na Comarca de Setúbal e
absolvido da prática de um crime de abuso de autoridade. Mas já
cumpriu uma pena de três anos por extorsão – crime praticado em
negócios da noite de que era sócio na zona de Setúbal. Os crimes
pelos quais respondeu agora no Tribunal de Sintra foram
cometidos entre 1999 e 2000, antes de responder pela extorsão.
Além da pena de nove anos e meio de cadeia, a que foi
sentenciado ontem em Sintra, o cabo foi condenado à pena
acessória de cinco anos de suspensão das funções da GNR. Machado
da Silva continua em liberdade – porque o advogado vai recorrer
da sentença.
Para a condenação deste e dos restantes 15 militares da BT, a
quem foram aplicadas penas de prisão efectiva, contribuiu,
segundo Anabela Cardoso, a prova testemunhal. Além dos
depoimentos da equipa de cinco inspectores da Polícia Judiciária
responsáveis pela investigação, o colectivo valorizou os
testemunhos dos empresários, acusados de terem feito os
pagamentos, todos arrolados como testemunhas de acusação. “Todos
referiram que nas épocas festivas militares da BT iam às
empresas pedir prendas, prometendo em troca o perdão de
infracções”, disse a juíza.
Foram relatadas em Tribunal várias entregas de dinheiro a
militares da BT feitas por empresários. Virgílio Cunha, gerente
da transportadora com o mesmo nome, disse que instruiu os seus
funcionários para pagarem aos militares para eles “fecharem os
olhos”.
Noventa e sete arguidos (seis dos quais empresários) foram os
primeiros a conhecer as penas – todos absolvidos. Quinze
empresários foram condenados a um ano de cadeia, mas com as
penas suspensas por três anos. Sessenta e cinco militares da BT
foram, por sua vez, condenados a penas de dois anos de cadeia
suspensas por quatro anos: todos vão pagar mil euros ao Centro
de Recuperação de Alcoitão.
ADVOGADOS VÃO RECORRER
O CM apurou ontem no Tribunal de Sintra que os advogados dos 16
militares da Brigada de Trânsito da GNR condenados a penas de
prisão efectivas vão recorrer para o Tribunal da Relação. Murta
Xavier (na foto), defensor de 24 militares da BT que se sentaram
no banco dos réus, foi um dos advogados que assegurou ao nosso
jornal ir recorrer.
“Seis clientes meus foram condenados a penas suspensas, enquanto
dois foram a penas efectivas. Em relação a todos, irei
apresentar recurso”, disse. Para Murta Xavier, ficou claro que
durante o processo, “não existiu prova suficiente para ligar o
recebimento de ofertas a benefícios práticos”.
"AS LISTAS É QUE CONDENARAM"
Minutos após a juíza ter terminado a leitura do acórdão, Machado
da Silva era a imagem da desolação. Durante os dez meses que
durou o julgamento, os outros arguidos habituaram-se a vê-lo
chegar ao Tribunal de Sintra acompanhado por dois guardas
prisionais.
O cabo Machado da Silva cumpriu, durante o processo, os últimos
meses de uma pena de três anos e meio de cadeia, por delitos
relacionados com extorsão, no presídio de Santarém, destinado a
reclusos das forças de segurança. Machado da Silva já tinha sido
igualmente réu noutro processo, que correu na Comarca de
Setúbal.
Neste julgamento, o cabo do Destacamento de Trânsito de Setúbal
respondeu por um crime de abuso de autoridade. Foi absolvido.
Agora, e perante a possibilidade de passar mais nove anos e meio
na cadeia, Machado da Silva responde que irá dar instruções ao
seu advogado para recorrer, “até onde for possível”.
"As listas da empresa, que eu acho que não deviam ter tido o
mínimo crédito, é que me condenaram”, disse ao CM. A pena, no
seu entender, é “demasiado pesada”. “Já fui absolvido de um
crime parecido com este. Por que é que tenho de ser condenado
agora”, afirmou.
ALARME SOCIAL SUSPENDE TRÊS
Na recta final da leitura do acórdão, Anabela Cardoso dirigiu-se
a três arguidos. Carlos Pedro, José Batista Amado e Rui Moreira,
todos condenados a penas de prisão efectivas, foram, segundo a
magistrada, “exemplos flagrantes de abuso de autoridade
pública”.
Para Anabela Cardoso, a acção delituosa dos três arguidos
contribuiu para “a perda de confiança dos cidadãos de vários
pontos do País na acção da Brigada de Trânsito da GNR”. Graças a
“listas negras de empresários” que terão mantido durante alguns
anos de serviço na BT, os três arguidos, colocados em diferentes
destacamentos do dispositivo da Brigada de Trânsito, “deixaram
muitos cidadãos na obrigação de lhes dar determinadas
gratificações”.
Por isso, e para evitar que a continuação em funções dos três
contribua para lançar o “alarme social”, o colectivo de juízes
determinou suspendê-los imediatamente de todas as funções na
Brigada de Trânsito, até que seja conhecida a decisão dos
tribunais de recurso. Todos os outros, excepto o cabo Machado,
retomam o serviço na Brigada de Trânsito – pelo menos até que o
processo transite em julgado após a decisão final do último
recurso.
ASSOCIAÇÕES CRITICAM "DUREZA DO ACÓRDÃO"
As duas maiores associações da GNR convergem na discordância
face à “excessiva dureza do acórdão”. José Manageiro, presidente
da Associação dos Profissionais da Guarda (APG), referiu que a
condenação a 81 militares da BT se baseou mais “na convicção do
Tribunal do que em material de facto”.
“Ficou provado que foram cometido muitos erros de investigação”,
acrescentou o sindicalista. Apesar de mais de metade dos 172
militares da BT que se sentaram no banco dos réus ter sido
absolvida, José Manageiro considerou que “muitas pessoas foram
alvo de profundas injustiças, sujeitas a pressões psicológicas
intensas, com grande prejuízo na sua vida pessoal e
profissional”. Já para António Bernardino, presidente da
Associação Sócio-ProfissionalIndependente da Guarda (ASPIG),
“falhou a tentativa do Tribunal de estabelecer um exemplo”. “Não
foram arrolados oficiais, e isso é negativo para a ASPIG”,
concluiu.
PRISÃO EFECTIVA
- Machado da Silva: Condenado a 9 anos e meio de cadeia, por 19
crimes de corrupção passiva. Suspenso por 5 anos.
- António Rodrigues: Condenado a 4 anos de cadeia, por cinco
crimes de corrupção passiva. Suspenso por 5 anos.
- António Barra: Condenado a 5 anos de cadeia, por seis crimes
de corrupção passiva. Suspenso por 5 anos.
- A. Luís Santos: Condenado a seis anos e meio de cadeia, por 14
crimes de corrupção passiva. Suspenso por 5 anos.
- Carlos Santos: Condenado a sete anos de cadeia, por 16 crimes
de corrupção passiva. Suspenso por 5 anos.
- Carlos Pedro: Condenado a 4 anos por dois crimes de corrupção
passiva e extorsão. Suspenso por 5 anos.
- Gil Veríssimo: Condenado a oito anos de cadeia por 23 crimes
de corrupção passiva. Suspenso por 5 anos.
- Serras Lourenço: Condenado a 4 anos e meio de cadeia, por dois
crimes de corrupção passiva. Suspenso por 5 anos.
- Joaquim Fernandes: Condenado a seis anos e meio de cadeia, por
10 crimes de corrupção passiva. Suspenso por 5 anos.
- Batista Amado: Condenado a cinco anos de cadeia, por 5 crimes
de corrupção passiva. Suspenso por 5 anos.
- Lino Brás: Condenado a três anos e meio de cadeia, por três
crimes de corrupção passiva. Suspenso por 5 anos.
- Luís A. Teles: Condenado a seis anos e meio de cadeia, por 12
crimes de corrupção passiva. Suspenso por 5 anos.
- Manuel Matias: Condenado a 4 anos de cadeia, por 2 crimes.
Suspenso por 5 anos.
- Manuel Rocha: Condenado a 7 anos de cadeia, por 14 crimes.
Suspenso por 5 anos.
- Rodrigo Moreira: Condenado a 6 anos, por 3 crimes. Suspenso
por 5 anos.
- Rui Moreira: Condenado a quatro anos, por 4 crimes. Suspenso
por 5 anos.
NOTAS
PRIMEIRO JULGAMENTO
O primeiro julgamento de corrupção de elementos da BT-GNR
decorreu em Albufeira entre Outubro de 2003 e Outubro de 2004.
CORRUPÇÃO E EXTORSÃO
A 26 de Outubro de 2004, o Tribunal de Albufeira condenou dez
militares e oito empresários pelos crimes de corrupção e
extorsão.
JUSTIÇA FOI DURA
O principal arguido, primeiro-sargento Joaquim Garcia, foi
condenado com uma pena de nove anos e meio de prisão.
PENAS DIFERENTES
Os restantes arguidos do processo de Albufeira foram condenados
com penas que variaram entre um ano e meio e três anos de
cadeia.
OPERAÇÃO 'CENTAURO'
Depois do caso de Albufeira, a PJ fez uma investigação à
corrupção na BT, em que foram pronunciados 173 militares.
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MP pede pena máxima para
homicida de polícias |
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O Ministério
Público pediu a pena máxima (25 anos de prisão) para Marcus
Fernandes, acusado de matar dois agentes da PSP e de ter tentado
assassinar um outro, no bairro de Santa Filomena, Amadora, em
2005.
Marcus Fernandes, de 31 anos, foi acusado de dois crimes de
homicídio qualificado, pelo assassínio dos dois polícias, e
outro de homicídio na forma tentada, por ter disparado sobre um
terceiro PSP.
O Procurador do Ministério Público (MP), citado pela Lusa, disse
ontem no Tribunal da Boa Hora, em Lisboa, onde decorre o
julgamento, que Marcus Fernandes "agiu com toda a frieza, quis
matar os três agentes e sabia que eram polícias da PSP".
As vítimas mortais foram António Carlos Fernandes Abrantes, 30
anos, natural da Guarda, e Paulo Jorge de Oliveira Alves, 23
anos, de Rio Tinto, ambos da esquadra da PSP da Mina, na
Amadora.
Os dois polícias, que vinham num carro patrulha com um terceiro,
abordaram Marcus Fernandes na tentativa de o identificar e este
disparou 36 vezes de uma pistola semiautomática (uma Glock com
calibre de guerra, 9 milímetros).
Marcus Fernandes atingiu mortalmente os dois polícias e tentou
atingir o agente da PSP Pedro Pereira, que seguia no carro
patrulha.
Marcus José Fernandes foi detido pela Polícia Judiciária numa
casa em Melides, Grândola, a 21 de Março de 2005, um dia depois
de, alegadamente, ter cometido o duplo homicídio.
Nas alegações finais, o Procurador do Ministério Público
referiu-se a Marcus Fernandes como "um assassino de sangue frio,
implacável e sempre pronto a disparar".
Quando foi detido no litoral alentejano, a polícia encontrou um
arsenal de armas de guerra na casa de Melides, tendo a PJ
iniciado uma investigação que terminou com Marcus a ser também
constituído arguido num processo de tráfico de armas.
Advogados divergem
Os advogados das famílias dos dois agentes mortos concordam com
a condenação máxima (25 anos) para Marcus Fernandes, pedida pelo
Ministério Público, mas o advogado de defesa alegou que o réu é
"doente".
"Subscrevo as alegações do MP", afirmou Gusmão Nogueira,
enquanto Carlos Aires disse que a sua exposição vai "seguir os
passos do MP".
O advogado de defesa de Marcus Fernandes tem uma opinião
contrária e admitiu ter ficado surpreendido com o pedido de pena
máxima por parte da acusação, até porque, o arguido "confessou
os factos". "Fiquei surpreendido. Perante a prova produzida em
tribunal não se pode deduzir que ele é um matador profissional,
um assassino implacável", disse o advogando.
O causídico insistiu na repetição das perícias médicas e que "o
tribunal deveria ter tomado uma posição muito séria sobre a
situação do arguido", porque este está em greve de fome e sede
há 18 dias, chegando mesmo a comparar a cadeia do Linhó com a
prisão de Guantanamo.
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O
grande tráfico das pequenas armas |
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No
fim-de-semana passado o País acordou sobressaltado com a notícia
sobre o tráfico de armas. A investigação corria há dois anos no
DIAP. A megaoperação da PSP fez cem buscas e apreendeu cerca de
mil armas. Resultado: 55 arguidos, 29 detidos, cinco dos quais
membros da própria Polícia. O eco dos media fez o resto.
Subitamente, a opinião pública portuguesa foi confrontada com
uma questão que, felizmente, não lhe é familiar: a das armas.
Punhamos ordem na questão. Armas, há as grandes e há as
pequenas. Comecemos pelas grandes. O que se passa com a produção
e o comércio de armas na geopolítica mundial? Durante a Guerra
Fria, a produção e o comércio de armas eram ordenados pela
lógica bipolar do sistema internacional. Isto é, cada bloco
armava o seu próprio bloco. Segundo critérios políticos e
militares, o armamento era fornecido como dádiva ou vendido a
tarifas preferenciais aos países aliados. Os EUA praticaram essa
política até aos anos 60, a URSS até aos anos 80.
O fim da Guerra Fria e a nova ordem internacional têm reflexo
imediato na produção e comércio internacional de armas. Em pelo
menos três áreas de mudança. Primeiro, na lógica do sistema.
Desaparece a lógica geopolítica dos blocos e emerge a lógica
económica do mercado. Não significa isto que não continue a
haver grandes fluxos de armamento e que as grandes potências não
continuem a ter o papel central. Significa, sim, que
desapareceram os dons e as tarifas preferenciais como sistema.
Que lógica não é mais a da solidariedade política, mas a da
solvabilidade financeira. Que em matéria de armamento há cada
vez menos aliados e cada vez mais clientes. Segundo, na
tendência de baixa generalizada dos fluxos. As duas instituições
mais credíveis nesta matéria (SIPRI e CRI) são unânimes nesta
conclusão. Baixa dos fluxos não só para o armamento pesado, que
já vinha desde o fim da Guerra Fria, mas também, para o
armamento ligeiro, desde o fim da década de 90. Isto, porque com
o fim das guerras civis nos Balcãs e em África diminuiu a
procura. Mas também porque, do lado da oferta, os países
pós-soviéticos renunciaram ao comércio ilegal de armas, com
excepção da Bielorrússia. E essa é a terceira questão. É que
estes números são os do mercado legal. Não os do tráfico ilegal.
Que a desregulação do mercado e a privatização da violência, com
a entrada na cena internacional das redes de criminalidade
organizada e do terrorismo transnacional, só vieram potenciar.
Ora este mercado ilegal de armas, fluorescente e lucrativo,
afecta, particularmente, as armas ligeiras.
Vejamos então estas pequenas armas. Segundo as estimativas
oficiais, andam em circulação no mundo 639 milhões, que são
responsáveis por meio milhão de mortos por ano. Desse meio
milhão, 310 mil estão ligadas a guerras civis. As outras andam
dispersas entre a criminalidade e outras actividades. São
pequenas, mas, a avaliar pelos números, são as verdadeiras armas
de destruição maciça.
Alguns Estados, organizações internacionais e não governamentais
têm tentado controlar este mercado ilegal e até assinado
convenções. Em África, por exemplo.
Mas, sem qualquer vinculação jurídica ou capacidade coerciva, o
resultado é quase zero. A ONU lançou em 2001 uma Conferência
Mundial sobre o Comércio Ilícito de Armas Ligeiras, com um
programa de acção que visa chegar a uma convenção que instaura
um regime de marcação e registo de armas de fogo. Isto é, tornar
obrigatória a identificação da marca e o registo da transacção,
como ocorre com outro tipo de bens. Não é fácil, mas é
fundamental e urgente para travar o passo ao tráfico dessa
pequena tecnologia de sofrimento e morte. Para isso, é preciso o
trabalho da ONU e a cooperação dos Estados e das ONG, como a
Amnistia Internacional que tem tido um papel relevante.
Punhamos as coisas no seu lugar. Basta ter visto Bowling for
Columbine, de Michael Moore, ou A Cidade de Deus, de Fernando
Meireles, para perceber que a dimensão do problema em Portugal
não tem nada a ver com o que se passa nos EUA ou no Brasil.
Mas há muitas armas ilegais. E toda a arma ilegal é uma arma a
mais. E uma ameaça potencial à segurança das pessoas.
Por isso, faz bem o Governo em lançar uma campanha de
desarmamento voluntário. Faz bem em lançá-la sem sanções, porque
incentiva a entrega das armas, e sem indemnizações, porque está
adequada à dimensão do caso português. E faz bem em lançá-la em
conjunto com a Comissão Nacional Justiça e Paz, que tem nesta
matéria trabalho e provas dadas.

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Segurança - Polícia
Judiciária pára dia 17 de Abril
Greve nacional na PJ
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A luta sindical dentro da Polícia Judiciária (PJ) vai endurecer
com a marcação de uma greve nacional para o próximo dia 17 de
Abril por parte da Associação Sindical dos Funcionários de
Investigação Criminal da Polícia Judiciária (ASFIC).
Esta decisão
dos sindicalistas da Polícia de investigação criminal é a
resposta ao que consideram a “postura do Ministério da Justiça”,
nomeadamente “o seu silêncio em relação às nossas
reivindicações” e substituí todas as greves sectoriais levadas a
cabo até agora, afirma em comunicado da direcção da ASFIC. A
ASFIC, dado o momento difícil por que a PJ atravessa, apela
ainda à união de todos os funcionários da investigação criminal
em torno desta greve nacional “fundamental para mostrar a nossa
indignação e exigir deste Governo o respeito que merecemos”.
A tensão entre a estrutura sindical da PJ e o Ministério da
Justiça arrasta-se desde Janeiro passado, por recusa da tutela
em pagar as horas extraordinárias. Todo o primeiro mês do ano, a
PJ fez greve às horas extraordinárias, passando a greves
sectoriais desde o início de Fevereiro e previstas até ao final
de Abril. Mas ao fim de cinco dias de greves sectoriais, os
responsáveis da ASFIC já admitiam o endurecimento das formas de
luta, o que ontem foi anunciado.
A Polícia Judiciária atravessa momentos difíceis com uma asfixia
financeira que, segundo o presidente da ASFIC, Carlos Anjos,
resulta no não pagamento “a certos fornecedores e aos
funcionários de investigação criminal deve ajudas de custo e
piquetes”, além de fazer com que “a operacionalidade da PJ
esteja a 40 por cento do normal.
Santos Cabral, director nacional da PJ, depois de ter evitado
que esta perdesse a alçada dos contactos com a Interpol e a
Europol, tem de enfrentar uma nova ‘guerra’: a perda do comando
na luta contra o terrorismo e crime organizado, defendida pelo
Gabinete Coordenador de Segurança que prefere o princípio da
territorialidade: o comando das operações passa para a PSP ou a
GNR – conforme seja a área de actuação de uma ou outra força de
segurança.
QUANTO GANHA UM INSPECTOR
(Vencimento + Suplemento de Risco = TOTAL)
PESSOAL DIRIGENTE E CHEFIA
- Director Nacional: 5498,56 + 690,36 = 6188,92
- Director Nacional Adjunto: 4139,89 + 655,78 = 4795,67
- Subdirector Nacional Adjunto: 3794,90 + 586,64 = 4381,54
- Director do Departamento Central: 3794,90 + 586,64 = 4381,54
- Director de Departamento: 3277,41 + 522,07 = 3829,48
PESSOAL DE INVESTIGAÇÃO*
*Suplemento de Risco (SR) = 371,80 (igual para todos)
- Assessor de Investigação Criminal: 3889,67 + SR = 4261,47
- Coordenador Superior de Investigação Criminal Mínimo - 3393,93
+ SR = 3765,73 / Máximo - 3775,27 + SR = 4147,07
- Coordenador de Investigação Criminal: Mínimo - 2745,65 + SR =
3117,45 / Máximo - 3393,93 + SR = 3765,73
- Inspector-Chefe: Mínimo - 2326,17 + SR = 2697,97 / Máximo -
2745,65 + SR = 3117,45
- Inspector: Mínimo - 1487,23 + SR = 1859,03 / Máximo - 2326,17
+ SR = 2697,97
- Inspector Estagiário: 991,48 + SR = 1363,28
- Agente Motorista: Mínimo - 1029,62 + SR = 1401,42 / Máximo -
1754,16 + SR = 2125,96
AJUDAS DE CUSTO
- Portugal: entre 43,29 e 57,98 euros
- Estrangeiro: entre 103,37 e 137,58 euros
* Nota: Vencimentos em bruto
Fonte: Diário da República

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António Costa encomenda estudo para
definir áreas de segurança |
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O ministro da
Administração Interna, António Costa, encomendou um estudo sobre
a reforma da organização do sistema de segurança a uma equipa
coordenada por Nuno Severiano Teixeira, que foi titular da mesma
pasta durante o Executivo de António Guterres. A encomenda data
de Novembro mas ganha agora novo destaque com o conflito de
competências que estalou nos últimos dias no Governo opondo o
ministro da Justiça, Alberto Costa, ao seu colega António Costa.
O relatório preliminar deverá ser entregue a António Costa no
fim de Maio, confirmou Nuno Severiano Teixeira ao DN. O trabalho
de campo já efectuado incluiu depoimentos prestados por todos os
antigos titulares da pasta da Administração Interna desde 1975 e
de quase todos os antigos directores e comandantes de forças de
segurança - incluindo a PSP, a GNR, a PJ e o Serviço de
Estrangeiros e Fronteiras.
"A segurança, quer na teoria quer na prática, alterou-se muito
desde o 11 de Setembro de 2001. Deve haver uma reformulação
nesta área, desde alguns princípios até ao funcionamento do
sistema", declarou ao DN Severiano Teixeira, que dirige o
Instituto Português de Relações Internacionais da Universidade
Nova de Lisboa, organismo encarregue de elaborar o estudo.
O ex-ministro de Guterres, que tutelou a Administração Interna
entre 2000 e 2002, coordena uma equipa que inclui os professores
Nuno Piçarra e Nelson Lourenço, além de peritos na área das
ciências policiais.
"O objectivo geral do projecto é fornecer ao ministro da
Administração Interna um estudo teórico de fundamentação e um
conjunto de propostas de reforma sobre o modelo de organização
do sistema de segurança interna com vista a apoiar científica e
tecnicamente futuras decisões sobre a matéria", especificou
António Costa no protocolo celebrado com a Universidade Nova. O
que este documento não especifica, mas que se infere do seu
articulado, é que as conclusões poderão servir para fundamentar
alterações orgânicas nos organismos da área da segurança.
Incluindo a Polícia Judiciária, eventualmente para suportar as
aspirações do ministro nesta matéria.
Severiano Teixeira garante que o estudo se concentrará em
questões "macrorganizacionais", sem se pronunciar sobre as mais
recentes polémicas. Em análise estará, designadamente, a
comparação com países como Espanha, França, Bélgica e Áustria.
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GNR: condenados 81
agentes e 15 empresários. |
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O Tribunal de Sintra condenou esta setxa-feira 81 militares da
Brigada de Trânsito da GNR por crimes de corrupção passiva e 15
empresários por crimes de corrupção activa, no âmbito do
julgamento que começou em Maio do ano passado.
Dezasseis
militares da Brigada de trânsito (BT) foram condenados a penas
efectivas, que variam entre os nove anos e seis meses de prisão
e os três anos e seis meses de prisão, bem como a uma pena
acessória de proibição do exercício de função pelo período de
cinco anos.
As restantes
condenações para os arguidos militares da BT traduziram-se em
penas de prisão suspensa por quatro anos.
No caso dos
empresários, as penas foram suspensas por três anos.
O colectivo
presidido pela juíza Anabela Cardoso decidiu igualmente que os
arguidos com condenações suspensas terão de pagar, dentro de
seis meses, mil euros ao Centro de Medicina de Reabilitação de
Alcoitão.
No âmbito deste
processo, foram constituídos 193 arguidos, 172 dos quais eram
militares da Brigada de Trânsito da GNR e os restantes 21
empresários ligados ao sector dos transportes.
O resumo do
acórdão lido pela juíza Anabela Cardoso referiu que testemunhos,
entre os quais de inspectores da Polícia Judiciária, escutas,
vigilâncias e buscas a empresas apontaram para um «tratamento
favorável» dos agentes da BT na inspecção a veículos de empresas
de transportes.
«A forma
preferencial de pagamento era, em 90% das vezes, em dinheiro»,
disse a juíza.
Senhas de
gasolina, garrafas, bacalhau, presunto e relógios foram outras
das formas de pagamento mencionadas pela magistrada.
A juíza citou
diversos testemunhos da acusação que revelaram que na época do
Natal e, às vezes, da Páscoa, militares da BT se deslocavam às
empresas para receber esses favores.
Um empresário
de São João das Lampas, no concelho de Sintra, referiu que a
situação durava há dez ou 15 anos, sendo que há sete anos, no
Natal, apareceram cerca de 300 militares na sua empresa.
As escutas a
telefonemas entre os agentes e os empresários «registaram
conversas elucidativas» sobre o tipo de relação entre ambas as
partes e as deslocações às empresas.
A juíza referiu
ainda que nas buscas foram apreendidas listas elaboradas por
empresários com nomes de agentes, números de telefone e, em
alguns casos, as matrículas dos carros que usavam.
Também agentes
elaboravam listas de «empresários pagadores», acrescentou a
magistrada.
O acórdão tem
mais de 1.000 páginas e só estará disponível para consulta na
terça-feira, no Tribunal da Boa-Hora, iniciando-se nessa data o
prazo para o recurso.
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Primeira mulher nomeada
comandante distrital da PSP |
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O Ministério da Administração Interna (MAI) anunciou hoje novas
nomeações para comandantes distritais e para directores de
departamentos da PSP, com a novidade de pela primeira vez haver
uma mulher como comandante distrital.
Dez intendentes
foram nomeados para dirigir outros tantos comandos distritais da
PSP, surgindo Madalena Maria Rodrigues Amaral como comandante do
Comando da Polícia de Beja.
«Pela primeira
vez na história da instituição, há uma mulher como comandante
distrital da PSP», realçou uma fonte do MAI. «Todos os comandos
distritais são assegurados por oficiais com a patente mínima de
intendente», frisou a mesma fonte.
Por outro lado,
foram nomeados sete oficiais de Polícia para cargos de direcção
de departamentos da Direcção Nacional da PSP.
A fonte do MAI
referiu, ainda, que houve «grande rotação nos serviços da
Direcção Nacional da PSP, com alguns dos elementos que aí
exerciam funções a avançar para o terreno, para comandos
distritais».
A posse dos
novos comandantes distritais e directores de departamentos da
PSP está marcada para a próxima segunda-feira.
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Justiça - Falta dinheiro para
pagar à Polícia
Judiciária, Governo recua |
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O Governo recuou ontem nas suas
pretensões de retirar as ligações da Interpol e da
Europol da alçada da Polícia Judiciária (PJ). O Conselho
de Ministros cedeu ao ultimato da Direcção Nacional da
Polícia, liderada pelo Juiz Conselheiro, Santos Cabral. |
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O ministro da Justiça terá de decidir o destino de
Santos Cabral na próxima segunda-feira |
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Mas
podem já não existir condições para segurar a actual
Direcção da Judiciária, apesar de fonte daquele
organismo garantir ao Correio da Manhã que Santos Cabral
“não apresentará a sua demissão” nem “antes, nem durante
a reunião da próxima segunda-feira (com Alberto Costa)”.
“Não estamos apegados ao lugar. Fizemos um conjunto de
exigências claras e que foram, parcialmente, resolvidas,
a situação é para nós clara e sem ambiguidades. O
ministro sabe o que queremos”, afirmou ao CM uma fonte
da PJ.
Na questão orçamental, Alberto Costa veio dizer que o
Ministério das Finanças já libertou um milhão de euros
que irá directamente para os cofres da PJ. Mas segundo
apurou o CM, este dinheiro, que foi disponibilizado no
fim de Fevereiro, já foi todo gasto no pagamento de
dívidas de 2005. “Um milhão de euros não vem resolver
nada”, afirmou uma fonte da Direcção da Polícia.
Uma auditoria realizada pela Direcção-Geral do Orçamento
(DGO) já este ano detectou um défice de financiamento na
Polícia Judiciária de 10,3 milhões de euros. O relatório
da 5.ª Delegação do Ministério da Justiça da DGO
recomendava ao Ministério das Finanças que iniciasse a
transferência imediata do Fundo de Provisão daquele
ministério para a Polícia Judiciária à razão de um
milhão de euros por mês. Estas transferências nunca
foram realizadas ao ritmo que foi recomendado pela DGO.
ENCONTRO DECISIVO NO DIA 3 DE ABRIL
A reunião entre o Director Nacional da PJ, Santos
Cabral, e o ministro da Justiça, Alberto Costa, foi
pedida antes da reunião que juntou os vários directores
nacionais adjuntos esta semana na Gomes Freire. Na
actual conjuntura trata-se de um encontro decisivo para
ambos os intervenientes e para a própria PJ.
Alberto Costa não pode ficar refém das exigências de um
director-geral, mas também aparece como aquele que
impediu que a ligação à Interpol e à Europol fugisse da
esfera da Polícia, abrindo caminho ao esvaziamento de
todas as estruturas de cooperação internacional que
gravitam em torno da PJ. Santos Cabral entra como aquele
que ficou ao lado dos seus homens, batendo o pé ao
Governo, pela segunda vez. Não estão esquecidas as
críticas que fez à constituição do Gabinete Coordenador
de Segurança.
JUDICIÁRIA EM NÚMEROS
- 13 milhões: Orçamento, em euros, atribuído no ano
passado à PJ para o funcionamento no dia-a-dia.
- 5 milhões: Orçamento de funcionamento para 2006:
combustível, telefones, horas extraordinárias, luz, etc.
- 1 milhão: Valor transferido há uma semana para pagar
dívidas de funcionamento relativas a Dezembro.
- 2,4 milhões: Dívida da Polícia Judiciária a
fornecedores acumulada nos primeiros três meses deste
ano.
- 83,7 milhões: Valor dos salários do pessoal da Polícia
Judiciária em 2006 – única verba que está assegurada.
- 2762: Número de funcionários da PJ: directores,
investigadores, pessoal de apoio, auxiliares, operários.
- 1194: Número de inspectores de investigação criminal
ao serviço da Polícia Judiciária.
O QUE É A INTERPOL E A EUROPOL
O Gabinete Nacional da Interpol, na dependência da PJ,
actualmente chefiado por Ana Mafalda, faz a ligação às
Polícias de 180 países: assegura a execução de mandados
de captura internacionais e troca informações sobre
redes criminosas transnacionais. O Gabinete da Europol,
chefiado por Joaquim Pereira, tem as mesmas funções para
os países da União Europeia.
A GUERRA DOS COSTAS
A divergência de entendimento entre António Costa,
ministro da Administração Interna (MAI), e Alberto
Costa, ministro da Justiça (MJ), ficou ontem sanada no
Conselho de Ministros com a decisão de se manter a
Interpol e Europol na alçada da PJ, ou seja, na tutela
da Justiça. Impediu-se assim a saída destes organismos
para a tutela, mesmo que indirecta, do MAI, como foi
proposto pela Comissão Técnica do PRACE .
Os argumentos para retirar à PJ as relações com a
Interpol e Europol “foram técnicos, mas a decisão foi
política e tomada em total liberdade”,explicou Alberto
Costa, sublinhando o facto de “haver sempre motivos
técnicos, mas a decisão política deve presidir”.
Segundo apurou o CM junto de fonte próxima do processo,
“tudo ficou na mesma porque o ministro da Justiça não
estava de acordo com a proposta e fez valer a sua
posição”.
Instado a responder à acusação segundo a qual o Governo
recuou na decisão devido a pressões, Alberto Costa foi
taxativo: “Nenhuma pressão pode, num Estado democrático,
influenciar o Conselho de Ministros ou um Governo.”
“As divergências entre Costas”, expressão usada ontem
pelo deputado do CDS-PP Nuno Magalhães para se referir
ao caso, é mais um episódio da velha ‘guerra’ entre o
ministério das ‘Polícias’ e o da Justiça sobre o
controlo da PJ.
A proposta da comissão, que teve a oposição frontal dos
sindicatos e da direcção da PJ, que ameaçou demitir-se
em bloco, não era a passagem da PJ para a tutela do MAI.
Tratava-se apenas de integrar o Gabinete Interpol e a
Unidade Europol (desde sempre na PJ) no Gabinete de
Coordenação e Segurança, sediado na Presidência do
Conselho de Ministros (PCM) sob a tutela directa do
primeiro-ministro.
Ora acontece que José Sócrates delegou as competências
do Gabinete de Coordenação e Segurança em António Costa
(número dois do Governo). Deste modo, a PJ, embora
continuasse na alçada da Justiça, perdia o seu
interlocutor internacional e, portanto, capacidade de
investigação.
Em contrapartida, o MAI, que já controla a PSP, GNR e
SEF, ganhava competências, pois ficava com o controlo
das informações de investigação criminal partilhadas
pela Interpol e Europol.
"ORGANISMOS PRECISOSOS" (MARIA JOSÉ MORGADO,
PROCURADORA)
“A Interpol e a Europol são organismos preciosos para o
combate ao crime organizado, de natureza policial, e são
destinados à perseguição penal desses fenómenos.
A partilha destas informações tem de ser sempre encarada
no plano do combate ao crime organizado, da partilha de
informação entre Polícias e da cooperação policial e
judicial. Como tal, a PJ não pode nunca ser afastada
destes organismos, sob pena de não haver resposta para
todas essas ameaças.
É altamente desaconselhável fazer mexidas nessas áreas
sem se perceber qual é a estratégia da polícia criminal
de combate ao crime organizado. Tem de haver um
projecto. Quanto à redução de orçamento, acho que isso
não devia acontecer. Uma Polícia ‘pé-descalço’ é uma
mensagem de impunidade para o crime. Em Espanha não há
limites de orçamento para a polícia.”
LEI-QUADRIO CRIMINAL APROVADA
A Unidade de Missão para a Reforma Penal, liderada por
Rui Pereira, elaborou o anteprojecto da lei-quadro da
política criminal, ontem aprovada na Assembleia da
República, com os votos favoráveis do PS e CDS-PP,
contra do PCP e Verdes, e abstenção do PSD e BE.
Esta lei prevê que seja o Parlamento, por ordem do
Governo, a definir, de dois em dois anos, as prioridades
nacionais no combate à criminalidade e cria ainda
condições para se avaliar e prestar contas.
No entanto, o procurador-geral da República, Souto
Moura, questionou anteontem à noite, em Coimbra, vários
pressupostos desta lei-quadro, entre eles o princípio da
legalidade, com o estabelecimento de prioridades da
política criminal.
PROCESSOS QUENTES
CASO FREEPORT
Em plena campanha eleitoral, em Fevereiro de 2005, o
nome de José Sócrates aparece ligado à autorização dada
para a construção do Freeport de Alcochete. Uma obra, em
parte, edificada em reserva agrícola nacional.
AMADORA
As alegadas irregularidades na Câmara da Amadora, em que
aparece ligado Joaquim Raposo, foram investigadas em
2005. O inquérito foi remetido aos tribunais com
proposta de acusação e com a recomendação de prisão
preventiva.
JORGE COELHO
Três agentes da PJ realizaram, a 24 de Outubro, buscas à
casa de Jorge Coelho, em Sintra, à procura de um
tabuleiro de xadrez, que constaria de uma alegada lista
de prendas do empresário da construção civil Américo
Santo.
SOBREIROS
O caso Portucale, que envolveu o ex-ministro Nobre
Guedes, o Grupo Espírito Santo e o dirigente centrista
Abel Pinheiro, ainda se encontra em investigação,
prevendo-se para breve a conclusão daquele inquérito.
FURACÃO
O processo liderado pela procuradora Cândida Almeida
colocou os banqueiros em ‘pé de guerra’ contra o
Governo. As buscas no ‘Off-Shore’ da Madeira revelaram
um esquema de triangulação de capitais para fugir ao
pagamento de impostos.
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Sócrates protege PJ e acalma
ministros |
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O Governo deu
ontem um passo atrás na perspectiva de retirar à Polícia
Judiciária (PJ) as ligações à Interpol e Europol e passá-las
para o Gabinete Coordenador de Segurança, que responde perante a
presidência do Conselho de Ministros. E cedeu ainda no problema
orçamental, também levantado na reunião de anteontem da Direcção
da PJ. Ontem mesmo, foi desbloqueado um milhão de euros para
fazer face a despesas correntes de funcionamento, como água, luz
e combustível, que estavam em dívida desde o início do ano e que
levaram inclusivamente a que três directores assumissem
compromissos pessoais, no valor de 500 mil euros.
Havia duas
visões em disputa quanto ao problema dos contactos
internacionais. A do ministro da Administração Interna, António
Costa, segundo a qual as comunicações com a Interpol e Europol
deveriam passar para a égide do Gabinete Coordenador de
Segurança, sob a égide da Presidência do Conselho de Ministros,
servindo todas as polícias. E a do ministro da Justiça, Alberto
Costa, que defendia a manutenção da situação actual, com a PJ.
O JN sabe que
este braço-de-ferro obrigou à intervenção do primeiro-ministro,
José Sócrates, num "Conselho de Ministros antecipado". Houve uma
reunião anteontem à noite, já a seguir ao ultimato comunicado
pelo director nacional da PJ, Santos Cabral, quanto ao desagrado
pelas medidas que iriam ser decididas no Conselho de Ministros
de ontem. E que, até anteontem, eram desconhecidas pelos
responsáveis da PJ. A dita reunião levou ao apaziguamento da
crise entre Costas, António e Alberto. Desfecho: as comunicações
com aqueles organismos, essenciais na troca de informação de
investigação policial, mantêm-se sob a tutela da PJ, conforme
reivindicava a sua Direcção.
Vêm aí mais milhões
Por outro lado,
outro passo favorável à PJ ontem dado pelo Governo está
relacionado com a cedência de um milhão de euros, para compensar
um orçamento notoriamente deficitário.
Mas, de acordo
com informações recolhidas, nos próximos meses serão dados mais
passos para preencher o buraco de cerca de "dez milhões de
euros" existente nas contas daquela polícia de investigação.
Números reconhecidos pela própria Direcção Geral do Tesouro.
Alguns responsáveis de topo da PJ, contactados pelo JN, também
frisam que um milhão de euros não chega para resolver os
problemas de um orçamento cortado em cerca de 60%. E esperam o
reforço de verbas, que levou a que, até ao momento, não tenham
sido pagas as facturas referentes a despesas de água, luz,
combustíveis de 2006, e ao corte de vários fornecimentos.

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A crise
da PJ |
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A Polícia
Judiciária está confrontada com um grave problema de
desconfiança por parte do Governo quanto à importância do seu
papel na investigação criminal. Não tenhamos ilusões nem
procuremos subterfúgios linguísticos, é disso que se trata: o
Governo não tem confiança na PJ.
Se assim não fosse, esta polícia de investigação criminal não
estaria confrontada com uma grave asfixia financeira, não teria
sido objecto de uma tentativa de amputação de uma componente
essencial do seu relacionamento internacional com outras
polícias, não estaria confrontada com o seu afastamento da
liderança da reacção a factos criminais muito graves.
Toda esta conjuntura é, no mínimo, estranha. Mais ainda quando
se veri-fica que a subtracção da Interpol e da Europol,
organismos essenciais da cooperação internacional quando são
pedidas investigações a polícias estrangeiras para inquéritos
nacionais, implica a concentração de um fluxo de informação
criminal em segredo de justiça no Gabinete Coordenador de
Segurança, ou seja, ao alcance do SIS e do próprio Governo.
Esta não é, obviamente, uma mistura aceitável, já que coloca num
organismo submetido, em primeira instância, a mecanismos de
decisão política e não judicial, informação relacionada com a
investigação de casos concretos.
A partir daqui toda a suspeita é legítima e o Governo está a
pôr-se na linha de fogo, ainda que se resguarde com um relatório
da União Europeia mas que não tem um carácter impositivo.
Para já, é neste contexto que devem procurar-se as explicações
para esta extravagante crise de uma das mais prestigiadas
instituições de investigação criminal do País aos olhos da
população. Queira qualquer Governo ou não, é mesmo assim: a
função, a vocação, a eficácia, a história da PJ são respeitadas
pelos portugueses e vai mal quem as submeta a pressões de
qualquer espécie que não sejam inteligíveis por critérios de
racionalidade e respeito por princípios fundamentais de direito.
O Governo está, pois, a meter-se por um caminho ínvio. No curto
prazo até pode concretizar a concentração de poder no topo da
hierarquia e na Administração Interna. Mais tarde, a factura a
pagar poderá ser brutal. Desde logo porque está a instalar um
clima de guerra civil entre os pode- res de Estado. Mas
sobretudo porque manter por muito tempo um controlo absoluto de
tudo o que nos aborrece é impossível.

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Sócrates dá luz verde a Plano de
Segurança que tem a oposição de Alberto Costa e da PJ
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José Sócrates
vai aprovar o novo Plano de Coordenação e Cooperação entre
Forças e Serviços de Segurança - um documento que a direcção da
PJ considera ser ilegal e que também tem a oposição do ministro
da Justiça, Alberto Costa.
O primeiro-ministro defende a "prevalência da reposição de ordem
pública", em detrimento da "prevalência da investigação
criminal", em caso de incidente inesperado - um sequestro, um
assalto -, cabendo a competência do comando da operação à força
que, territorialmente, seja responsável pela segurança interna:
PSP numas zonas do País, GNR noutras.
José Sócrates e António Costa sustentam a legalidade do plano
num parecer pedido pelo procurador-geral da República a um
jurista da Procuradoria, na sequência de interpelação da PJ e do
próprio Gabinete Coordenador de Segurança, onde o plano já foi
aprovado. Nesse parecer da PGR considera-se que as normas "nem
contrariam, nem ultrapassam as legalmente previstas,
satisfazendo os requisitos de legalidade, exigibilidade,
necessidade e proporcionalidades", exigidos pela Constituição.
O parecer da PGR considera que o plano faz "uma clara opção, em
situações de grave ameaça, pelo restabelecimento da segurança
das pessoas e das coisas, traduzindo a concepção de que a
investigação criminal não é um valor absoluto que, enquanto tal,
deva prevalecer sobre a prevenção do perigo".
O director da PJ considera que o novo plano constitui "um
subterfúgio" que serve para "atribuir à PSP e à GNR a
competência para a investigação criminal".
A discórdia centra-se nos "incidentes táctico-policiais". No
plano, o incidente táctico-policial é descrito como "uma
ocorrência inopinada e de carácter reactivo, configurando uma
situação de flagrante delito ou que exija a imediata intervenção
policial, cuja natureza, características e resolução envolvam,
por motivos diversos, o emprego de recursos que ultrapassem os
normal e quotidianamente utilizados".
Na definição dos "incidentes táctico-policiais" cabem os que
envolvam suspeitos com armas de fogo, ou o "potencial uso de
substâncias explosivas, incendiárias ou outras potencialmente
perigosas", "ou que envolvam a tomada de reféns ou sequestro de
pessoas". Além destes, incluem-se todos os outros que venham a
ser considerados como tal pelo responsável policial da área.
A PJ não aceita o comando da PSP e da GNR e reivindica o primado
da investigação criminal, que tem o controlo do Ministério
Público. O plano admite que o Ministério Público possa ter
acesso ao Posto de Comando do Incidente na qualidade de elemento
permanente, mas o comando pertence sempre à GNR ou PSP
presentes. Aliás, à excepção do Ministério Público, todas as
outras forças presentes (incluindo PJ) têm que depender "directa
e obrigatoriamente do Comandante do Posto de Comando".
O Ministério da Administração Interna defende que, no plano,
fica salvaguardado que a PJ assume de imediato as suas funções
de investigação criminal, mal chegue ao local onde se deu o
incidente.
Ao que o DN apurou, também o ministro da Justiça, Alberto Costa,
se opõe ao plano, considerando que abre brechas no território
dos direitos, liberdades e garantias. O controlo da investigação
por parte do Ministério Público existe no caso da investigação
feita pela Polícia Judiciária, mas não no caso da PSP ou da GNR.
O Ministério da Justiça discorda que seja a regra da
territorialidade a determinar qual a polícia mais competente
para enfrentar problemas desta natureza.
O papel de subordinação da Polícia Judiciária à PSP e à GNR
mesmo em crimes da sua natureza reservada é também questionado
dentro do Ministério da Justiça. No Ministério da Administração
Interna, por seu lado, insiste-se que a Judiciária é "uma
polícia de investigação" não vocacionada para a necessidade do
uso da força e da reposição rápida da ordem pública e da
segurança interna. A Polícia Judiciária, ao contrário da PSP e
da GNR, não dispõe de corpos especiais - aliás, é esta uma
pretensão da PJ, precisamente para acorrer a casos deste tipo.
O plano deveria ter sido aprovado numa reunião marcada para
terça- -feira passada, que Sócrates adiou por motivos de agenda.
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Guerra aberta entre António e Alberto Costa
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Vários membros do Governo, nomeadamente o ministro de
Estado e número dois do Governo, António Costa, estão
contra a decisão do ministro da Justiça, Alberto Costa,
em manter em funções a direcção da Polícia Judiciária
depois do ultimato público de quarta-feira.
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Reunido
na manhã de ontem, o Conselho de Ministros decidiu
manter as competências da PJ. A decisão foi anunciada à
margem da apresentação do PRACE pelo ministro da
Justiça, Alberto Costa, que recusou qualquer cedência a
pressões que, aliás, disse desconhecer: "Não me foi
comunicada qualquer atitude demissionária."
Questionado sobre se admite demitir a direcção da PJ,
Alberto Costa foi evasivo - " é totalmente impertinente
pronunciar-me agora". O ministro deixou ainda antever
que a alteração das competências não é um assunto
fechado: "As competências [da PJ] serão conservadas, sem
prejuízo de poderem ser avaliadas num momento ulterior."
O acontecimento de ontem configura mais um episódio na
guerra surda entre o Ministério da Administração Interna
e o Ministério da Justiça à volta das competências das
respectivas polícias. O Ministério da Justiça mantém a
confiança na direcção da Judiciária, que está em guerra
aberta ao Plano de Coordenação e Cooperação das Forças
de Segurança aprovado pelo Gabinete de Segurança
Interna, que funciona, por competência delegada do
primeiro-ministro, na órbita do Ministério da
Administração Interna (ver página 4).
Com o recuo decidido na madrugada de quarta-feira,
Sócrates decidiu ceder às pretensões da PJ. A ideia
inicial do Governo, ao admitir a junção dos serviços,
era corresponder aos processos de avaliação ocorridos em
2003, no âmbito da União Europeia, sobre forças de
segurança.
No ponto 7.5.1 do "Relatório de avaliação sobre troca de
informações entre as autoridades nacionais e a Europol",
a que o DN teve acesso, defende-se que Portugal crie "a
curto prazo uma unidade nacional de coordenação que
agrupe os serviços encarregados da cooperação nacional e
internacional - UNE (Unidade Nacional Europol), Interpol
e SIRENE" e faça "esforços para que todas estas unidades
estejam instaladas no mesmo piso de um mesmo edifício.
Deste modo, a situação seria conforme a recomendação 1
do Plano de Acção do Grupo de Alto Nível, de 1997". No
ponto 7.5.2 é referido: "Nomear para essa unidade
nacional de coordenação um representante de cada um dos
departamentos ministeriais do sector da segurança -
Polícia Judiciária, GNR, PSP, SEF e alfândegas."
No relatório de avaliação de Schengen, afirma-se que "a
divisão de responsabilidades entre serviços e forças de
segurança dependentes de diferentes ministérios pode
contribuir, se não for devidamente compensada, para
gerar ineficiências na utilização dos instrumentos de
cooperação Schengen".
A origem do colapso
O colapso orçamental da PJ foi previsto em Outubro, por
altura da aprovação do Orçamento do Estado. Ao que o DN
apurou, tendo em conta a diminuição das receitas
originárias dos chamados "cofres dos tribunais" -
devida, sobretudo, à privatização dos notários - a
Direcção Nacional da Judiciária alertou o MJ para a
necessidade de o Orçamento do Estado compensar essa
quebra. Os alertas sucederam-se ao longo dos últimos
meses. Aliás, em Janeiro, Carlos Anjos, presidente da
Associação Sindical dos Funcionários de Investigação
Criminal da PJ (ASFIC), denunciou uma espécie de
pré-estado calamitoso nas finanças da Judiciária. Disse
que a PJ só tinha dinheiro até Julho e que já não havia
verba para pagar combustíveis e outras despesas
correntes. O ministro da Justiça, Alberto Costa, reagiu,
classificando as palavras do dirigente sindical como
"alarmistas" e "verdadeiramente reprováveis".

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Terroristas
estão activos em Portugal |
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O Serviço de Informações e Segurança (SIS) detectou em Portugal,
no ano passado, um crescimento da actividade de grupos
terroristas islâmicos. De acordo com o Relatório Anual de
Segurança Interna de 2005, embora não se tenha detectado a
existência de células locais de grupos terroristas
internacionais, passaram por Portugal diversos suspeitos de
envolvimento em “recrutamento e preparação de atentados”.
E no País
continuam a existir, e aumentar, estruturas de apoio logístico e
financeiro a grupos extremistas.
De acordo com o documento, a que o CM teve acesso, as “redes
jihadistas transnacionais representam hoje uma ameaça para
Portugal”. O SIS alerta que foi “detectada a presença de
indivíduos com ligações às redes jihadistas europeias, suspeitos
de integrarem células terroristas noutros países europeus e de
estarem envolvidos em recrutamento e preparação de atentados”.
Não há, no entanto, indícios de que estes suspeitos tenham
realizado actividades que se traduzam numa ameaça de atentado em
Portugal, “embora a sua deslocação ao nosso país constitua um
factor de risco considerável”.
As actividades de estruturas de apoio logístico a indivíduos
suspeitos continuaram também a verificar-se. O SIS refere que
estes terroristas deslocaram-se a Portugal “em busca de
documentos falsos, de financiamento e de recuo temporário”, ou
seja, um local onde se esconder após terem sido descobertos ou
‘apertados’ noutro país. O SIS refere ainda que “parte
significativa” dos suspeitos que pertencem às estruturas de
apoio logístico dedica-se simultaneamente – como forma de
conseguir fundos – “a outras actividades criminosas como o
tráfico de droga, roubo e furto de documentos, cartões de
crédito e telemóveis, bem como auxílio à imigração ilegal”.
Em 2005, foram ainda detectados “novos indícios de actividades
de financiamento para organizações radicais e grupos extremistas
a actuar fora de território nacional”. Esses grupos têm base
principalmente na região indo-paquistanesa, para onde o dinheiro
angariado é transferido, maioritariamente através de sistemas
informais ou de correios humanos.
O SIS precisa que parte dos fundos recolhidos em Portugal
foram-no através de “donativos de membros das comunidades
islâmicas”. Outra parte dos apoios financeiros conseguidos para
os terroristas provêem de actividades ilegais realizadas “a
coberto de pequenas empresas comerciais” estabelecidas no País.
'TAKFIR WAL HIJRA' VIGIADO
A ‘secreta’ portuguesa refere que no ano passado acompanhou
“especialmente” – no âmbito da prevenção do terrorismo de
inspiração islâmica – as actividades em Portugal de grupos
“afectos às correntes salafistas, aos movimentos tabliguistas e
ao movimento Takfir wal Hijra”. A perigosidade, principalmente,
deste último grupo – que consta na lista negra da União Europeia
– decorre da influência que exerce sobre as comunidades
islâmicas, no sentido de as isolar da sociedade geral.
O movimento Takfir wal Hijra – fundado na década de 40 no Egipto
e cujos elementos são conhecidos por ‘takfires’ – tem laços
muito chegados à al-Qaeda. É uma das facções islâmicas mais
fundamentalistas. São suspeitos de (num cemitério de Madrid)
terem profanado o cadáver do chefe da equipa de operações
especiais que morreu no assalto ao apartamento onde se escondiam
os terroristas do 11 de Março. O grupo é mesmo considerado uma
“heresia” dentro do Islão. Tem vindo a ganhar força e a recrutar
elementos no Norte de África (Argélia e Marrocos).
Este movimento ultra-religioso permite mesmo aos seus membros
assassinar outros muçulmanos – incluindo crianças e mulheres –
que não cumpram os preceitos do Islão ou para evitar que se
convertam a outras religiões.
É precisamente no Magreb que o Takfir wal Hijra tem vindo a
colaborar com outro grupo que o SIS afirma ter vigiado em 2005,
vindo da corrente salafista. Os salafistas, com grande
implantação na Argélia, estão muito ligados à al-Qaeda, com quem
colaboraram em vários atentados (alguns deles gorados pelas
autoridades).
O Relatório Anual de Segurança Interna de 2005 aguarda parecer
no Conselho Superior de Segurança Interna (presidido pelo
primeiro-ministro José Sócrates) para ser discutido na
Assembleia da República.
O VOO DE MAGREB
Em Setembro de 2005, a convite de uma empresa portuguesa, 48
passageiros oriundos do Magreb aterraram no aeroporto da Portela
em Lisboa. O motivo da visita era dar a conhecer o nosso país
como destino turístico. Dos que desembarcaram na capital, apenas
onze pessoas regressaram aos seus países.
Este episódio colocou as forças de segurança “à beira de um
ataque de nervos”. Todos os hotéis da capital foram revistados à
procura dos fugitivos e todas as forças policiais foram
mobilizadas para o efeito. O episódio foi até discutido na
Unidade de Coordenação Anti-Terrorista (UCAT), onde as
autoridades manifestaram a sua preocupação pela quebra de
segurança existente no aeroporto de Lisboa.
As investigações das autoridades revelaram que, alguns dos
passageiros magrebinos nunca tiveram intenção de regressar ao
seu país. As cassetes de vigilância do aeroporto mostram vários
passageiros a apanharem táxis com destino a Espanha.
O desaparecimento dos passageiros foi comunicado a todas as
autoridades policiais internacionais, desde o FBI à Interpol,
passando pela CIA. Aliás, estes organismos visitaram Portugal no
início do ano, manifestando a sua preocupação ao Governo pela
facilidade com que eram obtidos documentos no nosso país.
As identidades dos passageiros foram confirmadas, assim como a
validade dos seus papéis. Alguns nomes já constavam na base de
dados de outros países, directamente relacionados com movimentos
extremistas.
A ocorrência terá contribuído decisivamente para que a Polícia
Judiciária colocasse o reforço do combate ao terrorismo como
prioridade principal da sua gestão durante o ano de 2006.
ESPIONAGEM ECONÓMICA
No âmbito da contra-espionagem, o SIS identificou e acompanhou
acções, em Portugal, de serviços de informação de diversos
países, susceptíveis de prejudicar os interesses nacionais.
Alguns desses espiões estrangeiros – cujos países não são
referidos no Relatório – mostraram interesse na recolha de
informações com valor económico na área da investigação
científica e tecnológica e nos sectores empresariais (público e
privado).
Para proteger os sectores estratégicos nacionais de investidas
hostis por interesses estrangeiros, o SIS “desenvolveu esforços
com vista a pôr em prática um programa preventivo de segurança
económica”.
DESTRUIÇÃO MACIÇA
O Serviço de Informações e Segurança revela, no Relatório Anual
de Segurança Interna de 2005, que ocorreu nesse ano em Portugal
uma “intensificação de esforços por parte das estruturas de
‘procurement’ de alguns países de risco, na obtenção de
materiais e tecnologias de risco que lhes permitam prosseguir os
seus programas nuclear, químico e de mísseis balísticos”. A
revelação é feita no item da actividade realizada no âmbito da
contraproliferação de armas de destruição maciça.
A ‘secreta’ portuguesa refere ainda, no referido documento, que
paralelamente às estruturas que buscam adquirir materiais e
tecnologia foi possível verificar que alguns Estados
“proliferadores” – aqueles que têm os componentes para e a
intenção de construir armas de destruição maciça –
“privilegiaram a formação e a especialização dos seus estudantes
e cientistas no nosso País”. Isto no âmbito das áreas
indispensáveis ao desenvolvimento dos seus programas militares
nos países de origem.
No particular da contraproliferação, o SIS afirma ter dado
particular ênfase à cooperação internacional, escudada nas
várias iniciativas políticas e diplomáticas efectuadas junto de
alguns países de risco. “Foi possível um envolvimento dinâmico e
organizado da comunidade internacional no que diz respeito à
definição de medidas preventivas”, diz o SIS.
MAIS DADOS
'EX-COMUNHÃO E EXÍLIO'
Após os atentados de 11 de Setembro de 2001, nos Estados Unidos,
o grupo Takfir wal Hijra (excomunhão e exílio) passou a ter mais
adeptos na Europa, entre salafistas magrebinos em Espanha e no
Reino Unido. Ayman al-Zawahiri – braço-direito de bin Laden – é
partidário da facção Takfir wal Hijra.
QUEBRAR REGRAS
Aos terroristas desta facção é permitido quebrar as regras do
Islão para se infiltrarem nos países onde planeiam atentados.
Podem ter sexo com prostitutas, comer porco ou consumir bebidas
alcoólicas, tudo o que for necessário para ‘entrar’ nas
“sociedades infiéis”.
SALAFISTAS
Há na Europa várias ramificações desta corrente fundamentalista
nascida no Magreb. Estiveram nos atentados de Madrid e Marrocos
e planearam atacar Paris e novamente Madrid. Houve detenções no
Reino Unido, França, Espanha, Holanda, Bélgica e Alemanha.
COOPERAÇÃO
O SIS refere ter colaborado operacionalmente com outras forças e
serviços de segurança (no âmbito da Unidade de Coordenação
Anti-Terrorista), difundido relatórios de informações para a
Polícia Judiciária investigar ameaças de cariz terrorista.
CONTRA-ESPIONAGEM
O SIS ‘apanhou’ espiões estrangeiros que recolhiam informação
sobre a política interna e estratégia, efectivos e equipamento
das Forças Armadas.
SKINHEADS E NEONAZIS
Concluiu-se que a extrema-direita não é “ameaça global contra o
Estado”. Mas é factor de risco para a segurança interna, ao
incitarem à violência política e racial.
CÉLULAS CLANDESTINAS
Os neonazis organizam-se em células autónomas clandestinas (com
características paramilitares), onde se destacam os Hammerskins.
CLAQUES DE FUTEBOL
A extrema-direita continua a infiltrar-se nas claques (agravando
a violência planeada) e recruta, pela internet, adeptos cada vez
mais jovens.
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Governo na mira da Polícia |
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O
secretário-geral do Conselho Europeu dos Sindicatos de
Polícia (CESP), Gérard Greneron, criticou a esperada
ausência de membros do Governo do colóquio promovido
pela Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP),
que hoje decorre em Peniche |
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Falta de condições é uma das principais queixas dos
polícias |
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Num
momento em que a actualidade nacional é marcada por
acontecimentos que fazem reflectir sobre valores como o
sentimento de segurança, ou insegurança - e que afligem
tanto a comunidade em geral como os próprios elementos
das forças de segurança, para quem 2005 ficou marcado
pelo homicídio a tiro de quatro profissionais da PSP -,
o programa do debate, subordinado ao tema "Na Mira de
Fogo", reúne temática e participação que prometem lançar
pistas para soluções pertinentes.
Sebastian Roché, investigador e sociólogo especialista
em actuação de Polícia e docente na Escola Superior de
Polícia de Lyon, é um dos intervenientes convidados.
Presente em Peniche, está também o secretário-geral do
CESP, Gérard Greneron, que preside ao colóquio.
Recorda-se que a ASPP/PSP e a ASFIC/PJ são os sindicatos
que representam Portugal no CESP, que congrega
organizações sindicais de 17 estados-membros do Conselho
da Europa, representando 280.000 polícias.
Paulo Rodrigues, presidente da ASPP/PSP, disse ontem ao
JN prever a participação de cerca de 300 pessoas nesta
iniciativa, para a qual foram convidados também membros
do Governo e a cúpula hierárquica da PSP.
Apesar das insistências que tem vindo a fazer junto do
ministério da tutela, a ASPP/PSP não tinha ontem, à hora
do fecho desta edição, confirmação da presença de
qualquer membro do Governo.
"Mais uma vez, o Governo parece recusar o diálogo e o
debate. Um ministro forte não teme um sindicato forte",
comentou ontem ao JN Gérard Greneron, sublinhando que
"não é recusando o diálogo que o Governo encontrará
soluções para os problemas da Polícia".
"Quisemos trazer especialistas para provar ao Governo
que temos razão", disse ao JN o presidente da ASPP/PSP.

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Plano
do Governo leva PJ a ameaçar com demissão |
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Os directores
da Polícia Judiciária (PJ) ameaçam demitir-se em bloco se o
Governo insistir em retirar da alçada desta força policial a
actividade da Interpol e da Europol. Afastando a Judiciária da
intervenção e competências que actualmente detém em matéria de
cooperação internacional.
A Polícia Judiciária, liderada por Santos Cabral, não aceita a
reorganização que está a ser preparada pelo Governo, no âmbito
do Programa de Reorganização da Administração Central e do
Estado (PRACE). Um programa coordenado pelos ministros de
Estado, António Costa e Teixeira dos Santos, e que hoje é
aprovado em Conselho de Ministros e divulgado com pompa e
circunstância ao início da tarde no Ministério das Finanças.
Na calha, de acordo com o documento preliminar do PRACE, está a
transferência da área do gabinete nacional da Interpol e da
Unidade Nacional da Europol da Judiciária para o reestruturado
Gabinete Coordenador de Segurança, que funciona na dependência
da Presidência do Conselho de Ministros.
A medida veio colocar mais achas na fogueira entre polícias e
Governo. E que envolve directamente Alberto Costa, ministro da
Justiça, e António Costa, ministro de Estado da Administração
Interna, que tem também a seu cargo a reestruturação da
administração central.
Ontem, o conselho operacional - que integra os directores da PJ
- esteve reunido e ficou decidido, por unanimidade, que a
Polícia Judiciária não vai aceitar qualquer alteração do quadro
legal de competências existente à data da tomada de posse da
direcção (ainda durante o anterior Governo, quando era ministro
da Justiça, José Pedro Aguiar Branco).
No limite, ou seja, se o Governo avançar com tal mexida, a
direcção da PJ admite mesmo abandonar funções. "A ser assim, não
corresponde ao projecto que esta direcção abraçou e a direcção
colocará os lugares à disposição. Este projecto não é o nosso e
outras pessoas terão que abraçá-lo", disse ao DN Manuel
Rodrigues, porta-voz da Judiciária.
A Direcção Nacional alega que a Interpol e a Europol "são
fundamentais na actuação da PJ" e acusa o Governo de querer
esvaziar a sua actuação a nível internacional. A actuação da PJ
em matéria de combate ao terrorismo ficará, em consequência
dessa alteração, "prejudicada". A PJ não aceita, também, perder
terreno no que respeita à coordenação das forças policiais.
"Noventa por cento do que é feito através dos canais da Interpol
são no âmbito de questões inerentes à PJ", avisa Manuel
Rodrigues, acusando o Executivo de José Sócrates de estar a
"alterar o modelo" da Polícia sem antes ouvir os seus
responsáveis máximos. "Porque é que o fazem?", questiona o
porta-voz da Polícia Judiciária. Avançando, de imediato, com uma
provável explicação. "Por causa da ligação às outras polícias? O
actual modelo não significa sonegação de informação às outras
polícias." Manuel Rodrigues prossegue: "As coisas sempre
funcionaram bem no âmbito da Polícia Judiciária e a Interpol e a
Europol são organismo de polícia."
A juntar a este descontentamento, o porta-voz da PJ avisa ainda
para a situação de agonia financeira que a Judiciária tem vivido
nos últimos tempos. "Neste momento funcionamos com menos de 40
por cento do orçamento inicialmente previsto."
Conflito a dobrar
Está, assim, instalado o braço- -de-ferro entre Judiciária e
Governo. Um conflito que se soma a um outro que mais uma vez
opõe os ministros Alberto Costa e António Costa, por causa do
Plano de Coordenação das Forças de Segurança. A Judiciária
queria a constituição de um grupo especial de segurança, na sua
dependência, que possa acorrer a casos inesperados (como o
sequestro de um avião). A Administração Interna está contra a
duplicação dos grupos de operações especiais (que já existem na
PSP e GNR).

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Cortes
orçamentais
Falência da PJ leva direcção a
fazer ultimato ao Governo |
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A Polícia
Judiciária está em falência técnica. A situação é de tal forma
grave que ontem os elementos da direcção daquela polícia
reuniram-se de emergência em Lisboa. Aprovaram por unanimidade
um texto de que, telefonicamente, Santos Cabral, director da
instituição, deu conta ao ministro da Justiça, Alberto Costa. A
dizer que não estão disponíveis para continuar, caso o projecto
tivesse alterações em termos de estrutura e também no plano
orçamental. Mesmo assim, a ameaça de demissão, que ficou no ar,
não terá sido claramente abordada.
A Associação
Sindical da PJ também já manifestou total solidariedade aos seus
responsáveis máximos, tendo garantindo ao PÚBLICO que apoiará
qualquer iniciativa. "Se, no limite, a direcção avançar para a
demissão terá a nossa total solidariedade", afirmou Carlos
Anjos, garantindo que a PJ se encontra actualmente falida. "Se
estivéssemos a falar de uma empresa particular, já tinha
fechado. Ultrapassámos as piores expectativas, com os directores
a serem obrigados a assumir compromissos pessoais."
O PÚBLICO sabe que a situação se precipitou quando os principais
fornecedores da PJ, designadamente a GALP, a BRISA e a PT,
ameaçaram cortar os serviços. Santos Cabral, director nacional
da instituição, e os responsáveis pela área financeira e pela
contabilidade, tiveram mesmo de assumir, eles próprios, que
suportariam os débitos, caso aqueles não fossem liquidados.
Compromissos que já ultrapassam os 500 mil euros, mas ainda não
é certo que aquela verba seja disponibilizada atempadamente.
Aliás, um ofício da Direcção-Geral do Tesouro, datado do início
do mês, alertava a PJ para a impossibilidade de serem
disponibilizadas verbas para despesas sem cabimento orçamental.
O mesmo documento assumia, porém, que a PJ estava
sub-orçamentada em 10,3 milhões e que é imprescindível serem
feitas despesas como as de combustíveis para a frota ou os
gastos com as telecomunicações.
Só salários estão garantidos
O buraco financeiro é de tal forma que a PJ, no primeiro
trimestre, já acumulou dívidas a fornecedores de 2,4 milhões de
euros. E sem liquidez de tesouraria corre o risco de parar a
qualquer momento. O orçamento deste ano é, aliás, 62,57 por
cento inferior ao de 2005 e só ainda não foi esgotado por estar
a ser pago em duodécimos. No entanto, há cortes verdadeiramente
problemáticos, que ameaçam parar a instituição, como as reduções
nos combustíveis e no material de escritório. No primeiro caso,
foi de 71 por cento e no segundo de 88 por cento. Relativamente
a horas-extra e verbas acessórias, como as que correspondem aos
cargos directivos, não estão a ser pagas desde Janeiro.
Ainda segundo o PÚBLICO apurou, a redução do financiamento da PJ
foi mais sentida no montante das verbas provenientes dos "cofres
dos tribunais", com nefasta repercussão nas despesas de
funcionamento da corporação. A única rubrica que não está em
risco de défice respeita aos vencimentos dos funcionários, que
absorvem 90 por cento do orçamento da instituição, no montante
de 83,7 milhõ | |