| |
|
|
| |
|
|
|
ASPP/PSP
exige direito à greve, Governo diz não |
| |
A Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP/PSP)
entregou hoje ao Governo uma moção a exigir o direito à greve
para a classe, mas o secretário de Estado José Magalhães
observou que «constitucionalmente» tal não é possível.
A ASPP/PSP
organizou hoje uma concentração e um desfile de polícias desde a
«Voz do Operário» até à Praça do Comércio, em Lisboa, onde se
situa o Ministério da Administração Interna (MAI), com dois
objectivos: assinalar os 17 anos sobre a manifestação de
polícias que ficou conhecida por «Secos e Molhados» e fazer
exigências ao Governo no sentido de melhorar as condições de
trabalho e garantir mais direitos para a classe.
No final da
«jornada de luta», uma delegação da ASPP entregou uma moção
reivindicativa no MAI que tinha sido aprovada por unanimidade na
reunião na «Voz do Operário».
«Consagração do
direito à greve; instituição do já há muito prometido subsídio
de risco; dotação da PSP com veículos em número suficiente,
adequados à actividade de patrulha e de perseguição, bem como de
armamento apropriado, e aprovação de um horário semanal de
trabalho de 35 horas» são algumas das reivindicações constantes
da moção.
Outras
exigências são o «reconhecimento do direito à remuneração por
horas extraordinárias; revisão do regulamento de assistência na
doença, abarcando a beneficiação do cônjuge; e obras de
requalificação urgentes em esquadras».
Na moção
propõe-se, também, ao Governo «a abertura de um verdadeiro
diálogo com a ASPP, através de reuniões programadas,
participação em grupos de estudos e do seu prévio parecer sobre
legislação respeitante ao estatuto profissional» dos polícias.
«Os
profissionais da PSP confiam» que o MAI «saberá dar uma resposta
positiva, pelo menos até fins de Maio, ao quadro de aspirações
ora apresentadas», refere-se na moção.
Se tal não
acontecer, a ASPP diz que apresentará «reclamações» junto das
instâncias comunitárias e judicativas, através do Conselho
Europeu dos Sindicatos de Polícia, de que é membro.
A moção foi
entregue pessoalmente ao secretário de Estado adjunto e da
Administração Interna, José Magalhães, por uma delegação
sindical, seguindo-se uma reunião.
No final do
encontro, José Magalhães disse aos jornalistas que, quanto ao
reclamado direito à greve, «constitucionalmente não é possível e
não faz sentido alterar».
A lei do
associativismo sindical nas forças de segurança veda o direito à
greve aos profissionais do sector.
Quanto às
restantes reivindicações, o secretário de Estado prometeu que «o
Governo vai analisar os direitos sociais» exigidos, «em diálogo
com os sindicatos».
José Magalhães
reconheceu que «há uma política de investimentos nas forças de
segurança que carece de reforços», mas frisou que «está a ser
feita principalmente em áreas sensíveis» da PSP e da GNR.
Citou, entre
outros exemplos, a aquisição de novas viaturas, coletes
anti-balísticos e de novas armas para as forças de segurança,
assim como novo material informático.
«Não podemos é
fazer em seis meses ou num ano o que não foi feito durante anos
por Governos anteriores», salientou José Magalhães.
Outro projecto
realçado pelo secretário de Estado foi «o reordenamento das
competências territoriais das forças de segurança, para
racionalizar meios».
O presidente da
ASPP, Paulo Rodrigues, em declarações aos jornalistas,
manifestou-se «renitente» sobre os resultados da reunião com
José Magalhães, alegando que o governante «não se comprometeu
com prazos para a execução de vários projectos», nomeadamente
quanto à reparação das esquadras degradadas.
No próximo dia
07 de Junho sindicatos e associações profissionais das forças de
segurança voltam a manifestar-se em Lisboa para reivindicar
melhores condições de trabalho e diálogo com o Governo.
A iniciativa é
da Comissão Coordenadora Permanente dos Sindicatos e Associações
dos Profissionais das Forças e Serviços de Segurança, que
engloba estruturas - entre as quais a ASPP - da PSP, GNR,
Polícia Marítima, Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e Guarda
Prisional.

|
|
|
Comboios da CP e do Metro
patrulhados por cães-polícia |
| |
Manuela Lopes
foi já duas vezes vítima de assalto no Metropolitano de Lisboa
e, em ambos os casos, o ladrão levou-lhe a mala. "Foi tudo tão
rápido que nem sequer tive tempo de reagir", conta. A partir
daí, garante que passou a ter maior cuidado na maneira como
transporta a mala, mas diz que mesmo assim não se sente "nada
segura".
Por isso, reclama a presença de mais polícias na rede do metro e
na Linha de Sintra da CP (que também utiliza diariamente) e
aplaude o facto de a PSP utilizar binómios (equipas constituídas
por um agente e um cão) no policiamento destes locais.
Desde Março que as linhas de Sintra e da Azambuja da CP e a rede
do Metro de Lisboa são também patrulhadas por equipas do Grupo
Operacional de Cinotecnia (GOC) do Corpo de Intervenção da PSP.
Em breve, o mesmo acontecerá na Linha de Cascais.
O recurso aos cães-polícia deve-se não a um aumento da taxa de
criminalidade nestes eixos, mas a uma "potenciação dos meios
operacionais e do sentimento de segurança dos passageiros",
explicou, ao JN, o subintendente Francisco Fernandes, comandante
da Divisão de Segurança a Transportes Públicos da PSP de Lisboa.
"O sentimento de insegurança que as pessoas dizem sentir não se
traduz nos dados relativos à criminalidade denunciada ou real",
acrescenta.
Os cães complementam a actuação dos agentes. "Não se intimidam
se o marginal empunhar uma arma, por exemplo, e têm maior
capacidade para efectuar uma captura, pois correm mais e
cansam-se menos", esclareceu, por seu lado, o comandante do GOC,
comissário Pacheco.
As equipas cinotécnicas patrulham tanto os comboios como as
estações, sobretudo nas horas de menor movimento. No caso do
metro, a opção por evitar horas de ponta prende-se com uma
questão de segurança. "Como a linha é electrificada, não podemos
correr o risco de a actuação de um dos nossos animais provocar a
queda de alguma passageiro à via", refere o subintendente
Francisco Fernandes.
Este novo modelo de policiamento não colhe, no entanto,
unanimidade entre os utentes dos transportes públicos. José
Torres, residente em Mem Martins, no concelho de Sintra,
considera que a presença dos cães-polícia "não reforça o
sentimento de segurança". "Se eu visse um cão desses à minha
frente sentir-me-ia intimidado", diz. O mesmo refere Alexandra
Cunha, também frequentadora da Linha de Sintra. "Como não sei
como é que o cão pode reagir, estarei sempre na defensiva",
afirma.
Já Carlos Martins e Sandra Santos têm opinião contrária. O
primeiro diz ter "algum receio" quando viaja à noite nos
comboios da Linha de Sintra, por isso, a presença dos cães
dá-lhe "alguma tranquilidade". "Só a presença deles já impõe
algum respeito", diz Sandra Santos.
Ao contrário do que pensa o cidadão comum, a taxa de
criminalidade nestes eixos ferroviários "não é muito elevada e
tende a diminuir", garante o comandante da Divisão de Segurança
a Transportes Públicos. Em 2004, foram apresentadas 1708
queixas. No ano passado, o número desceu para 1523 (ver
gráfico). "A criminalidade denunciada representa 40% da
criminalidade real, mas se tivermos em conta o número de
passageiros diários, que rondará um milhão, temos taxas
baixíssimas", continua o mesmo responsável policial.
Muitos destes crimes incluem-se naquilo a que as autoridades
policiais denominam de criminalidade oportunística. Como diz o
provérbio popular, a ocasião muitas vezes faz o ladrão. "Uma
pessoa que leve a mala no banco, sem qualquer cuidado, acaba por
atrair a atenção de quem se dedica ao crime", exemplifica o
subintendente Francisco Fernandes, que aconselha os utentes a
tomarem algumas medidas de auto-protecção (ver texto ao lado).
Apesar dos esforços desenvolvidos pela Polícia e pelas
operadores de transportes públicos, este responsável policial
refere que a raiz da criminalidade está a montante e muitas
vezes deve-se a problemas sociais que têm de ser combatidos por
outras entidades.
Falar ao telemóvel junto às portas dos comboios
A pessoa vai tão distraída que não se apercebe que está a ser
observada. Quando o comboio pára e as portas abrem, o assaltante
tira-lhe o telemóvel e foge. A tendência da vítima é para sair
também. O que significa que acaba rodeada pelos ladrões,
aumentando as probabilidades de ser agredida.
Nunca viajar em carruagens vazias
Principalmente nos períodos de menor movimento, a Polícia
aconselha os utentes a escolherem carruagens onde estejam mais
pessoas ou aquela onde viaja o maquinista. A presença de mais
passageiros, muitas vezes funciona como factor de dissuasão para
quem pretende cometer um crime.
Malas e computadores resguardados
Mochilas, computadores ou outros objectos de valores devem ser
transportados junto ao corpo. No caso do passageiro ir sentado,
os objectos devem ser colocados no banco junto à parede ou ao
colo.
|
|
|
Casino: polícia teme
mais crime |
| |
Sala de jogo vai aumentar a criminalidade. Polícia vai reforçar
o policiamento
A Polícia prevê
um aumento de criminalidade na zona do novo Casino de Lisboa.
Num estudo de impacto na segurança, a PSP mostra preocupações
acrescidas com as implicações que a actividade da sala de jogo
vai trazer à área do Parque das Nações. O Comando Metropolitano
de Lisboa garantiu ao PortugalDiário que vai haver reforço
policial, nomeadamente através de gratificados.
Vai ser,
espera-se, o maior casino da Europa. Com 1500 slot machines
(numa segunda fase) e 22 bancas de jogos tradicionais, a nova
aposta da sociedade Estoril-Sol deverá receber diariamente entre
cinco a seis mil pessoas, número que deverá duplicar aos
fins-de-semana. Será muita gente - supostamente com os bolsos
recheados - o que pode ser um apetecível jackpot no jogo de mão
de alguns criminosos.
O aumento da
movimentação de indivíduos ligados a actividades ilícitas
preocupa as autoridades. Fonte policial explica ao
PortugalDiário o acréscimo do número de pessoas vulneráveis, que
estarão mais presentes naquele local, e que vão circular em
horários de risco. As portas vão estar abertas entre as 15h00 e
as 03h00.
Além destes
factores de perigo, de referir ainda que a periferia do Parque
das Nações acolhe alguns dos bairros mais problemáticos da
Grande Lisboa. A presença de gangs também foi ponderada,
sobretudo na execução de crimes de furto no interior de carros e
assaltos a clientes do Casino, o grupo de risco identificado.
O Comando de
Lisboa tenciona executar acções de prevenção e está alertado
para eventuais problemas de ordem pública, de investigação
criminal e, por último, de trânsito. O estacionamento
desorganizado também vai aumentar uma vez que o Casino tem
previstos apenas 600 lugares para clientes.
Além da
segurança caseira prevista, mas que a sociedade Estoril Sol não
confirmou, a PSP vai avançar com o regime de gratificados tal
como já acontece no Casino Estoril. Um modelo em que os agentes
fazem o policiamento de área com retorno financeiro patrocinado,
neste caso, pelos casinos.
O Comando de
Lisboa da PSP garante «um policiamento sempre presente» no
exterior das instalações nomeadamente através das «equipas de
investigação criminal» e de «ordem pública», como confirmou ao
PortugalDiário a subcomissário Paula Monteiro.
Já esta
terça-feira, a PSP do Porto deteve um gang de indivíduos que
furtavam carteiras em todo o país e no estrangeiro. O dinheiro
que arrecadavam era depois metido em circulação através de
casinos e casas da sorte.
|
|
|
Polícias em «mega manifestação» a 7 de Junho |
| |
Forças de segurança juntam-se em Lisboa para reivindicar
melhores condições de trabalho
Os sindicatos e
associações profissionais das forças de segurança marcaram hoje
para o dia 7 de Junho uma concentração em Lisboa para
reivindicar melhores condições de trabalho e diálogo com o
Governo.
A decisão foi
anunciada após uma reunião da comissão Coordenadora Permanente
dos Sindicatos e Associações dos Profissionais das Forças e
Serviços de Segurança, que engloba os profissionais da Polícia
Marítima, Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), Guardas
Prisionais, PSP e GNR.
Paulo
Rodrigues, da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP),
da PSP, disse à agência Lusa que para o dia 7 de Junho se espera
uma «mega manifestação» com uma «forte mobilização dos
trabalhadores afectados pelas medidas do Governo».
Se o ministro
da Administração Interna, António Costa, não abrir o diálogo com
as forças de segurança, será então tomada uma «posição», disse a
mesma fonte da ASPP, sem adiantar mais pormenores.
De acordo com
Paulo Rodrigues, na reunião, os participantes concluíram que a
«atitude economicista do Governo tem hipotecado o investimento
nas forças de segurança».
A mesma fonte
acrescentou que face ao aumento do crime organizado e violento,
as forças de segurança continuam mal apetrechadas, nomeadamente
com falta de viaturas, armas e coletes à prova de bala.
«Tem havido
marketing político por parte do ministro da Administração
Interna», disse Paulo Rodrigues, criticando o governo por
prometer armas que nunca entregou e de entregar, por exemplo,
algumas viaturas e coletes em número «muito insuficiente em
relação às necessidades».
Segundo Paulo
Rodrigues, a Comissão Coordenadora criticou também a forma como
o Governo «impôs, sem negociar» algumas questões como a retirada
de direitos sociais - os cônjuges deixaram de ter direito à
assistência na doença - e a alteração da lei da pré-aposentação.
As forças de
segurança criticam o facto de a pré-aposentação ter sido
prolongada até aos 60 anos, disse a mesma fonte, que acrescentou
que face ao aumento do crime organizado e violento é necessária
uma «polícia mais jovem».
A questão do
pagamento das horas extraordinárias e a «insensibilidade do
Governo para a criação de um subsídio de risco», são outras
razões que levaram a Comissão Coordenadora a decidir-se por uma
concentração.
|
|
Porto -
Derrocada na Divisão de Investigação criminal
Tecto de esquadra da PSP desaba e
causa estragos |
| |
Parte do tecto do segundo piso da sede da Divisão de
Investigação Criminal (DIC) da PSP do Porto abateu sobre o
mobiliário e computadores da Secção de Combate ao Tráfico de
Estupefacientes, danificando processos e outro material de
investigação que ali se encontrava
A queda do
estuque, que ocorreu cerca das 05h00 de anteontem, não provocou
vítimas porque na altura ninguém se encontrava a trabalhar na
referida secção, mas deteriorou várias pastas com importantes
processos sob investigação naquele departamento relativos à área
metropolitana e a todo o distrito.
Contactado pelo CM, o superintendente Machado da Silva, 2.º
comandante da PSP do Porto, a par da situação, informou que hoje
irá ao local ver os estragos, e que foram feitas obras de
requalificação do edifício há cerca de três anos.
“Por diversas vezes estive no edifício e não me lembro de ter
visto sinais de degradação dos tectos. Mas como o prédio tem 50
anos, os estuques podem ter cedido. Só no último andar é que
foram detectadas algumas infiltrações, e as casas de banho dos
cinco andares do prédio é que estão com problemas e a precisar
de reparações”, afirmou o superintendente Machado da Silva.
Ainda segundo este responsável, também “as portas do rés-do-chão
estão a precisar de ser reparadas, bem como algumas outras
esquadras e postos onde a degradação é muita, com tectos a cair
e pisos destruídos, sendo impossível às pessoas trabalharem
naquelas condições”.
As péssimas condições em que funcionam várias esquadras da PSP
do Porto tem sido constantemente denunciadas pela direcção da
Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASP/PSP). O
comandante distrital da PSP do Porto, superintendente Gomes
Pereira, já informou o titular da pasta da Administração
Interna, para que haja uma rápida solução para o problema.
Este acidente mereceu fortes críticas por parte da Associação
Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), que mais uma
vez insiste na denúncia das péssimas condições em que trabalham
grande parte dos seus associados, “com tectos a cair e pisos
destruídos, em ambientes húmidos, com paredes esburacadas, isto
para não falar das condições em que estão as casas de banho”.
Enquanto não são feitas as obras no tecto entre o segundo e o
terceiro pisos a circulação no andar superior está para já
proibida, porque o chão, de tijoleira, não oferece a segurança
devida.
INSTALAÇÕES ESTÃO EM MÁS CONDIÇÕES
As principais críticas quanto ao estado das esquadras e postos
da PSP tem partido da Associação Sindical dos profissionais de
Polícia (ASPP/PSP). Que agora voltam a ouvir-se pela voz de
Agostinho Pinto, elemento da direcção da ASPP/PSP, para quem “as
reparações das infra-estruturas existentes não são acompanhadas
devidamente, e depois as coisas acontecem”.
“Tapam um buraco aqui, outro acolá, e nunca matam o mal pela
raiz. Neste caso, se o tecto caísse em horas de expediente era
capaz de se ter ferido alguém”, lamentou Agostinho Pinto. As
denúncias de outros casos vieram ao de cima, com Agostinho Pinto
a lembrar que há cerca de duas semanas a esquadra de Ermesinde
teve de encerrar por motivos de obras, porque não tinha as
mínimas condições de funcionamento. “Situação idêntica ocorre no
quartel da Bela Vista, onde existem secções que estão encerradas
devido às derrocadas de tectos e ao estado degradado das
paredes. Isto não pode continuar, e o Governo tem de melhorar as
condições de trabalho para os profissionais da Polícia”.
|
|
|
Agentes com medo
disparam mais... e mal |
| |
"Este ano, em
três meses, já tombaram três colegas meus da GNR. A morrerem
como têm sido mortos os polícias em Portugal, é do senso comum
que haja um crescendo da utilização da arma de defesa." Daí, diz
José Manageiro, da Associação dos Profissionais da Guarda, até
ao uso abusivo da força letal, o caminho é curto. "Chega um
momento em que a polícia, que jurou garantir a liberdade e
segurança dos cidadãos, vê o cidadão como inimigo."
Uma perspectiva que parece chocar com a da Associação
Sócio-Profissional da PSP (ASPP), o sindicato mais
representativo dos agentes da corporação. O seu presidente,
Paulo Rodrigues, faz coro com Manageiro na exigência de mais
meios e de uma melhor formação dos agentes, assim como de um
"novo paradigma" que privilegie o policiamento de proximidade e
a interacção com a população, mas reclama "maior latitude" no
uso da arma de fogo pelas polícias, reputando de "excessivas" as
restrições legais que o regem. Não para "andar para aí a
disparar à cowboy", especifica, mas para "poder retirar a arma
do coldre só para dissuadir" - coisa que, frisa, não é
permitida. Mas acrescenta também: "Queríamos que fosse dada a
possibilidade de os polícias poderem ripostar em determinadas
circunstâncias."
Disparos em contramão
"A melhor maneira de dar um tiro ou levar um tiro é exibir uma
arma", contrapõe o juiz Clemente Lima, que, à frente da
Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI), tem a função de
apreciar, entre outras faltas disciplinares dos elementos da PSP
e GNR, os casos de suspeita de uso excessivo da força. "Houve
situações concentradas de agressões a agentes da PSP e da GNR e
percebo que haja esse tipo de discurso. Como há o perigo de os
polícias reagirem pelo excesso, por causa do receio. Por outro
lado, têm merecido pouca atenção os casos de utilização da força
que resultam em mortes de cidadãos."
Em 2005, a IGAI investigou sete casos de morte associada à
intervenção policial ou atribuída a polícias fora de serviço. A
maioria dos processos está ainda a correr. Em 2006, para além
das três mortes atribuídas a disparos policiais (ver P&R), a
IGAI vai também investigar o uso da arma de fogo pelo
Destacamento de Trânsito da GNR contra um jovem que foi baleado,
em Março, enquanto conduzia em contramão na A1.
"Um caso aparentemente de fronteira", o da contramão, comenta o
inspector-geral, que desencadeou na IGAI a realização de um
estudo sobre "perseguições em movimento com utilização de armas
de fogo". Os disparos quer contra pessoas quer contra veículos
em fuga são responsáveis por uma alta percentagem das mortes
atribuídas às polícias.
Os riscos de discursos
Rodrigues Maximiano, que dirigiu a IGAI desde a sua criação, em
1996, até 2004, recorda que o primeiro grande levantamento
sindical da PSP ocorreu na sequência de morte, em Évora, de um
suspeito de furto, atingido nas costas enquanto fugia,
desarmado. "Foi ordenada a prisão preventiva do agente que
disparou e os colegas entregaram as armas nas esquadras. O
comandante solidarizou-se e foi demitido, mas o então ministro
da tutela, Alberto Costa, caiu."
Uma década depois, Maximiano crê que muito foi feito, mas muito
continua por fazer. "Não se pode correr o risco de, por um
discurso menos cuidado, voltar atrás." O ex-inspector diz-se
preocupado com o facto de, há semanas, após uma cerimónia em
honra dos agentes mortos em serviço com a presença do ministro
da Administração Interna, António Costa, se ter dado como certo
um aumento da "margem de manobra" das polícias no uso das armas.
"Polícia com licença para disparar", titulou o Correio da Manhã.
O desmentido oficial só ocorreu com a ida da tutela ao
Parlamento, a requerimento do BE.
Sem ordem para matar
Assegurando que "num Estado de Direito nenhuma força de
segurança pode receber ordem para atirar a matar", o secretário
de Estado do MAI, José Magalhães, negou existir qualquer
alteração do enquadramento do uso da força pelas polícias. Ao DN,
no entanto, admitiu que os regulamentos internos da PSP e GNR
que explicitam a lei que regula o uso da força pelas polícias
estão em processo "normal" de revisão (embora o da PSP date de
Junho de 2004). E justifica: "O decreto-lei não nos dá um manual
de procedimentos nem é um guia." Quanto a eventuais alterações
do dito, Magalhães não é definitivo: "Vamos tentar não abrir a
malha jurídica."
A cautela rima com a da resposta sobre a preparação dos agentes
para decidir sobre o recurso à arma: "Julgo que as polícias
portuguesas estão mais preparadas para saber quando devem usar a
arma, que há muito mais capacidade de discernir mas não tanta
quanto seria de desejar".

|
|
|
Paulinho levou um tiro da GNR e morreu |
| |
Acordei com um
barulho que me pareceu ser de um tiro e olhei para o
despertador. Foi entre as 00.25 e as 00.30. Levantei-me e fui à
janela da frente, pensei que pudesse vir dos lados do café, mas
não vi nem ouvi nada. Achei que tinha feito confusão e adormeci
outra vez." Olhasse por outra janela e este morador da
urbanização das Vilas da Serra podia ser uma testemunha vital de
uma história envolta em mistério e contradições.
É muito perto da casa que habita, num pequeno pinhal, que os
amigos de Paulo Duque, o jovem de 19 anos que na madrugada de 5
para 6 de Fevereiro foi baleado mortalmente por um agente da
GNR, garantem ter encontrado uma grande mancha de sangue,
entretanto lavada pelas chuvas de Inverno. "Depois eles [os
guardas] pegaram nele e arrastaram-no por aqui fora [cerca de 50
metros de terreno acidentado] até este candeeiro."
Ao pé do candeeiro está rua alcatroada e carros estacionados, e
em frente um prédio de apartamentos onde ninguém viu ou ouviu
nada. É pelo menos o que dizem os moradores a quem lhes bate à
porta a perguntar sobre o ocorrido. Na pequena e quieta
urbanização, onde num dia de semana impera um silêncio fundo às
sete da tarde, parece incrível que um tiro não tivesse
sobressaltado toda a gente. Mas coisas incríveis acontecem.
Por exemplo nesta noite, uma noite de domingo como todas as
outras em Penalva, zona rural do concelho do Barreiro. À beira
da hora de fecho, os dois cafés da zona partilham a meia dúzia
de clientes do costume. Paulo é um deles, desses rapazes de pose
descaída, rebelde, que moram perto e passam por aqui os dias,
entre cervejas, cigarros, conversas e ocasionais confrontos.
Está-lhes na idade, talvez - é assim que um dos habitantes, dos
poucos que aceitam falar sobre "o caso", o lembra. "Um rapaz
rebelde, muito provocador. Mas eu dava-me muito bem com ele, era
bom miúdo."
"Não era flor que se cheirasse"
Pai de um bebé de cinco meses, com cuja mãe, da mesma idade,
nunca viveu, Paulo Duque andaria a tirar um curso
técnico-profissional. Na fotografia que um dos companheiros
guarda no telemóvel e exibe em tributo mudo, o morto é um rosto
ao desafio, de barrete de malha hip hop enterrado até aos olhos.
"Gente que não presta, para ali o dia todo no café a partir
garrafas de cerveja e a dizer palavrões, nem se pode lá ir.
Basta olhar para eles para perceber o que a casa gasta", opina
outro morador, a coberto de anonimato que aqui é regra. E
gastará o quê, a casa? "Ele já era referenciado pela polícia,
por assaltos e posse de arma, não era flor que se cheirasse."
Aponta uma moradia: "Tá a ver aquela ali? Há pouco tempo foi
assaltada com as pessoas lá dentro..."
Nas notícias publicadas sobre o caso jurou-se mesmo, citando a
GNR, pelo cadastro de Paulo Duque: posse ilegal de armas,
assaltos. Agora, a mesma GNR reconhece que afinal não: o que
havia era um processo ou dois, não se sabe bem, contra ele.
"Estava ali a polícia, íamo-nos meter?"
O caso daquela noite não teve a ver com assaltos, mas com uma
moto. Uma moto que Paulo guiava, segundo amigos e família, há
poucos dias, e que levara às Vilas da Serra. Quando perto da
meia-noite saiu, acompanhado por dois amigos, de um dos cafés,
estavam dois guardas da GNR a examinar a dita. O motivo do
interesse teria a ver com a participação do roubo de uma moto
idêntica. Várias testemunhas garantem, no entanto, que quando
Paulo, carregando dois capacetes, passou pelos guardas, estes
nada lhe disseram (o DN não conseguiu saber se a moto era ou não
furtada).
Isso viria, de acordo com os relatos conhecidos, mais tarde.
Patrícia, de 17 anos, empregada de um dos cafés locais e amiga
do "Paulinho", diz que se separou dele e de outro amigo, o Luís
Filipe, em cima da meia-noite. "O Paulinho queria que eu ficasse
mais um bocado a conversar, mas disse-lhe que tinha de me
levantar cedo. Despedi- -me e fui de bicicleta para casa." Os
rapazes, pensa ela, terão voltado para trás, talvez para ir
buscar a moto. "Só soube o que se tinha passado quando o pai do
Paulinho veio na manhã seguinte ao café perguntar quem é que
tinha estado com o filho na noite anterior e me disse que ele
tinha levado um tiro e estava muito mal."
Entre o momento em que Patrícia se despediu de Paulo e de Luís
Filipe e a morte do primeiro, por volta das 11 da manhã, no
Hospital do Barreiro, alegadamente devido à hemorragia, cabem
muitas incertezas. Desde a da trajectória da bala que o atingiu
- o relatório da autópsia não foi ainda divulgado, não se
sabendo se é verdade, como foi dito pelos médicos ao pai, que o
rapaz foi atingido pelas costas - até ao motivo do disparo,
passando por todas as circunstâncias que rodearam o
acontecimento.
Luís Filipe, o amigo de Paulo, vive numa casa perto da
urbanização, para onde terá fugido, pelo meio do mato, naquela
noite, depois de um confronto com os dois guardas que terá
começado com palavras agrestes. Segundo narrou aos media, o
conflito verbal evoluiu para a agressão física (um dos guardas
ter-lhe-á dado um "estalo"). A dada altura, contou, os guardas
puxaram do cassetete e da arma de fogo, e os rapazes correram
para o pinhal. Aí, no escuro, ter-se-ão perdido um do outro.
Luís Filipe, que se recusa agora a "falar aos jornais", ainda
terá ouvido um tiro. Mas não deu conta de que atingira o amigo,
não tendo, aparentemente, tentado contactá-lo nessa noite. Um
facto estranho na era dos telemóveis, mas que o seu blackout não
permite questionar.
Uma estranheza mais para juntar às outras. Um morador da
urbanização, que também não quer mais conversas com os media ,
garantiu ao pai de Paulo e a alguns jornalistas que entre o tiro
e a chegada da ambulância passou uma hora, durante a qual os
guardas se teriam "metido no carro, a falar" (sem que, a ser
assim, à testemunha tivesse ocorrido ligar a pedir
ajudaquot;Estava ali a polícia, íamo-nos meter?", justifica um
familiar, que recusa "mais conversas". "Tanta gente viu o que
aconteceu, porque é que só nós é que havemos de nos expor?").
"Quando na manhã seguinte fui à GNR falar com o comandante, um
dos guardas envolvidos disse-me que quem tinha dado o tiro no
meu filho tinha sido o tal Luís Filipe", garante o pai do morto,
Teixeira Duque, um industrial de congelados. "Alguém acredita
que se a GNR achasse que tinha sido esse miúdo a dar o tiro não
o tinha ido procurar? Virei-me para o comandante, que conheço
bem, e disse: 'A verdade tem de vir ao de cima.' E ele percebeu:
chamou a PJ, que desmontou logo essa história."
A desmontagem implicou a identificação de um dos guardas como o
autor do disparo. Mas dois meses depois a GNR não exarou um
único comunicado sobre o caso nem apresenta qualquer versão dos
factos - nem sequer o motivo alegado pelo guarda para disparar.
O segredo de justiça é o motivo da reserva. Sobre a eventual
posse de armas por Paulo ou o amigo, a resposta oficial é: "Não
foram encontradas armas." Quanto ao guarda que disparou, foi
transferido, "como é costume nestes casos".
O pedido de socorro para o ferido, informa a GNR, foi feito pelo
posto a que pertenciam os guardas. Mas, ao contrário do que foi
noticiado - e do que seria correcto - não foi ao INEM que a GNR
ligou. A ambulância que fez o transporte é dos bombeiros de Sul
e Sueste, que receberam a chamada às 00.47, por via de outro
corpo de bombeiros. "A informação que nos deram era de que
estava uma pessoa caída na via pública", diz o comandante dos
primeiros, Sérgio Vinagre. "Ninguém falou de um baleado." Calhou
à sua corporação tomar conta do caso porque, explica, "era na
nossa área". O comandante do outro quartel confirma. O seu
pessoal recebeu às 00.35 uma chamada da GNR, mencionando apenas
a existência de "um ferido", sem especificações sobre o tipo e
gravidade do ferimento. "Se nos tivessem dito que se tratava de
um tiro, possivelmente ter-se-ia informado o 112, que pode
accionar uma viatura médica." No INEM, o director do
departamento de emergência médica, Nelson Pereira, garante que a
obrigação dos bombeiros é sempre, na existência de um ferido,
ligar ao 112. E que o envio de uma viatura com médicos seria
obrigatório: "Numa situação de choque hemorrágico quanto mais
cedo se inicia a reposição de líquidos mais hipóteses tem o
paciente. Poderia ter-se-lhe dado soro e iniciado outros actos
médicos. "Sobre os quase dez minutos que separam a primeira
chamada para os bombeiros da comunicação destes com os colegas
não é possível obter explicação. "Está a querer polémica, é?",
lança um dos comandantes. Como fica por saber o motivo pelo qual
o posto da GNR não ligou para o INEM, cuja central grava cada
chamada que lá cai.
"Ninguém viu nada, não é?"
A hora exacta a que o ferido chegou ao hospital também não é
revelada ao DN: "Foi por volta da uma da manhã", relata a
administração, sem adiantar razões para ser tão vaga. Certo é
que, segundo os bombeiros que o transportaram, Paulo Duque não
só "apresentava sinais vitais" quando chegaram às Vilas da Serra
como "estava consciente e disse algumas palavras". O que terá
dito e que relevância poderá ter não foi possível averiguar.
"Os médicos disseram-me que quando ele chegou tinha perdido
demasiado sangue, era tarde de mais para o salvar", diz o pai,
que, baseado no relato de testemunhas, acredita que os guardas,
desorientados por terem atingido o jovem, não pediram socorro de
imediato. "O disparo vejo mais como um acidente; recusarem
auxílio é que não lhes perdoo."
Mas se o disparo foi perto das 00.30 e o registo dos bombeiros
está certo, entre um e outro decorrem, no máximo, dez minutos.
Mais outros dez para a passagem do testemunho à outra
corporação, mais o tempo de chegar ao local e seguir para o
hospital, somam-se uns três quartos de hora. Muito tempo para
alguém atingido na aorta. Tempo suficiente, talvez, para
determinar a diferença entre a vida e a morte, sendo que esse
tempo só é relevante porque houve um tiro. Tudo o resto que
falta perceber e explicar - se faz sentido que quando um polícia
atira sobre alguém seja a sua corporação a tomar conta da
ocorrência, se é correcto que a PJ só tivesse sido notificada
após a intervenção da família da vítima, se dois polícias
mexerem num ferido e arrastarem-no sem justificação aparente é
coisa para passar sem reparo, se é normal que neste caso, como
em muitos outros em que um agente policial atinge alguém a tiro,
todo o processo de averiguações se centre na sua actuação
individual, afastando, à partida, quaisquer responsabilidades da
cadeia de comando - é subsidiário dessa questão essencial: há
algum motivo plausível para o disparo?
À espera das conclusões da PJ e da IGAI , a família Duque
contratou um advogado. Mas na voz do pai o pragmatismo é
máscara. "Afastei-me um bocado das coisas. A ver se agora falo
com as pessoas, para tentar perceber."
O tempo de uns e de outros, como as razões e os sentidos, é
muito diferente, às vezes como de outros mundos. "Isso foi há
tanto tempo", comenta-se nas Vilas da Serra. "Porque há-de
interessar a alguém?" No minimercado da urbanização, a empregada
faz uma careta: "Isto é gente muito metida consigo. Ninguém viu
nada, não é?" Mesmo em frente fica o pinhal onde "aquilo"
aconteceu. Foi ali, naquele bocado de árvores e arbustos, atrás
daquela moradia caiada de branco, que Paulo, o Paulinho, caiu.
Um dia talvez se saiba porquê.
|
|
|
Alberto Costa desconhece
intenção de transferir PJ para o MAI |
| |
O ministro da Justiça, Alberto Costa, afirmou hoje desconhecer
qualquer intenção do Governo de passar a Polícia Judiciária (PJ)
para a tutela da Administração Interna e disse achar que «a
solução actual é a adaptada à realidade portuguesa».
Em entrevista à
Antena 1, Alberto Costa lembrou que, quando era ministro da
Administração Interna, no primeiro Governo de António Guterres,
considerava que não era importante este Ministério tutelar a PJ,
tal como continua a considerar agora.
«Acho que a
solução actual [o Ministério da Justiça tutelar a PJ] é a
adaptada à realidade portuguesa e a que responde melhor»,
afirmou.
Segundo o
semanário Expresso, a hipótese de transferência da tutela da PJ
poderá ser defendida num estudo encomendado pelo ministro da
Administração Interna, António Costa, a uma equipa coordenada
pelo antigo ministro da Administração Interna Severiano
Teixeira, que deverá estar pronto até ao final de Maio.
Alberto Costa
recusou também a existência de qualquer guerra entre ministérios
- Justiça e Administração Interna - e recusou-se a atribuir à
demissão na direcção da Judiciária o adiamento desta mudança.
Sobre as
mudanças na PJ, o ministro disse que esta polícia «vai ter um
grande director nacional» e lembrou que este cargo «não é
considerado um cargo político», apesar de os últimos ministros
da Justiça terem optado por mudar o seu director nacional.
O Governo
demitiu na passada segunda-feira o director da PJ Santos Cabral
e substituiu-o por Alípio Ribeiro.
Questionado
sobre a alegada crise financeira na PJ, Alberto Costa garantiu
que «o Governo assegurará as condições orçamentais necessárias»
para o seu funcionamento.
Como balanço do
primeiro ano de governação, Alberto Costa elegeu como «o facto
mais grave» o «congestionamento dos tribunais e o atraso na
resposta às pretensões que as pessoas colocam aos tribunais».
Sobre esta
matéria, o ministro lembrou que «o Governo tomou dezenas de
medidas para diminuir o fluxo destas pretensões e tornar mais
fluida a resposta», prometendo resultados para o final deste
ano.
|
|
Segurança: José Magalhães na AR
Lei mais pesada protege polícias |
| |
Não pode haver ataques à Polícia. Pode contestar-se a actuação
das forças de segurança, pode discordar-se. Mas não se pode
responder com violência”. Foi com esta introdução que José
Magalhães, secretário de Estado adjunto da Administração
Interna, anunciou ontem no Parlamento a intenção do Governo de
agravar as consequências para quem agredir agentes da
autoridade.
O reforço da
protecção aos polícias é uma das alterações a ser introduzida no
novo Código Penal. O artigo 347.º (resistência e coacção sobre
funcionário) vai, segundo José Magalhães, passar a punir também
as tentativas de agressão. “As consequências vão ser graves e
aplicadas de forma mas rápida.Desafiar as autoridades é uma
péssima ideia”, disse o governante.
As novidades surgiram no período de debate com os deputados da
Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Liberdades e
Garantias, a propósito das novas regras de uso de arma de fogo
por parte das Polícias. José Magalhães negou que o Governo
tivesse dado qualquer ordem à Polícia para “atirar a matar” em
caso de agressão e anunciou a intenção de definir uma Lei de
Programação para compra de meios e equipamentos para as
Polícias.
José Magalhães explicou ainda que o Relatório Anual de Segurança
Interna de 2005, que deveria ter chegado ao Parlamento até 31 de
Março, será entregue “logo que possível”.
|
|
|
Alemanha: Portugal deve mandar
grupo de 18 polícias para o Mundial de Futebol |
| |
Portugal deverá enviar uma
equipa de 18 agentes da PSP e GNR para o mundial de futebol
Alemanha 2006 para acompanhar os adeptos. Alguns polícias
deverão fardar à civil e estarão autorizados a levar arma de
serviço. O semanário "Expresso" dá hoje destaque a declarações
de um dirigente do grupo Frente Nacional, Mário Machado, que
avisa que "haverá problemas com os adeptos", nomeadamente nos
jogos das selecções africanas, como o Angola-Portugal, agendado
para o dia 11 de Junho.
Segundo o mesmo
jornal, este neonazi parte n odia 9 de Junho, com outros 15 "skinheads",
para a Alemanha, onde deverão concentrar-se nacionalistas de
toda a Europa, bem como selecções de diversos países africanos.
Para fazer face a este risco, o Gabinete Coordenador de
Segurança (GCS) do Ministério da Administração Interna propôs o
envio de uma delegação de 18 agentes da PSP e GNR que
acompanharão os adeptos e farão a comunicação com as polícias
dos outros países envolvidos.
Falta apenas a aprovação do ministro, António Costa, que
regressa de férias na segunda quinzena de Abril.
As forças de segurança portuguesas reuniram-se já três vezes com
as autoridades alemãs, a última vez em Berlim com delegações dos
32 países participantes.
Ao contrário do que aconteceu durante o Euro-2004 em Portugal,
na Alemanha os agentes estrangeiros poderão estar fardados e
armados, explica ainda o "Expresso", citando o secretário-geral
da GCS, o general Leonel de Carvalho.
Os agentes portugueses estarão divididos em duas subdelegações:
uns acompanharão os adeptos, quer à civil quer de uniforme, em
contacto com o centro de informação da PJ alemã; outros vão
trabalhar junto da polícia federal alemã para controlar as
fronteiras, terminais ferroviários e aeroportos.
|
|
|
«O
meu sonho é ser traficante» |
| |
PSP preocupada com aumento no número de menores usados como
«correios de droga». Há crianças a ser «agarradas» ao vício para
depois servirem os senhores da droga
A PSP
registou, em 2005, um aumento no número de menores usados como
«correios de droga». A situação ganhou expressão a partir de
2001 e daí para cá tem vindo a crescer.
Os últimos
números da PSP, referentes a 2005, divulgados ao PortugalDiário
por fonte da PSP, revelam um aumento de 40 casos no número de
menores usados para tarefas de vigia, transporte, apoio a
traficantes e mesmo venda ao público. A mesma fonte adianta que,
em 2004, o número de menores usados nestas tarefas situava-se na
ordem das dezenas, pelo que um aumento de 40 casos, em apenas um
ano, ganha ainda maior expressão.
De acordo
com o chefe da Divisão da Prevenção da Criminalidade da Direcção
Nacional da PSP, Luís Elias, a situação explica-se facilmente:
«Os traficantes conhecem a lei e sabem que um menor é
inimputável e usam-nos para as tarefas mais expostas, logo mais
arriscadas, por saberem que nada acontece», explicou o
superintendente ao PortugalDiário, à margem da Tertúlia
promovida pelo Sindicato dos Magistrados do Ministério Público
sobre «Menores - A Responsabilidade do Estado», quinta-feira à
noite, em Lisboa.
«Trata-se de
uma mão-de-obra barata. Estes menores não resistem ao dinheiro
fácil», explica Luís Elias. Mais: alguns menores são «agarrados»
à droga para depois a venderem a troco de uma porção para
consumo próprio.
«Há crianças
de oito anos a serem iniciadas na droga para, depois de
agarradas, funcionarem como correios de droga». Quem o garantiu,
durante a Tertúlia promovida pelo Sindicato, foi a advogada
Francisca Mascarenhas, ex-residente no Bairro da Cova da Moura,
na Amadora. Uma denúncia que o superintendente confirma. A
educadora do centro social 6 de Maio, Paula, não esquece a
resposta que recebeu de alguns menores à pergunta clássica o que
queres ser quando fores grande?: «Quando for grande quero ser
traficante de droga»,!
Aumenta
número de menores com armas de fogo
A PSP
registou, ainda, durante o ano de 2005, um «aumento preocupante»
no número de menores apanhados com armas de fogo, referiu o
superintendente, acrescentando que se, por um lado, os dados da
PSP, relativos a 2005, apontam uma redução da criminalidade, por
outro lado, verificou-se um aumento de 6,8 por cento da
delinquência juvenil, envolvendo, sobretudo, menores entre os 12
e os 15 anos.
Fonte da PSP
refere que esta polícia registou, em 2005, mais 50 casos de
menores com armas de fogo, quando em anos anteriores os valores
se situavam na ordem das dezenas. «Estes jovens usam, sobretudo,
armas adaptadas, as 6,35, e armas de caça furtadas a que depois
cerram os canos». Durante o ano passado registaram-se: 2250
crimes contra o património (essencialmente furto no interior de
veículo), 490 crimes contra as pessoas (roubos por esticão e
agressões) e crimes de condução sob o efeito do álcool (pouco
mais de 100). Todos envolvendo menores.
O
responsável da Divisão de Segurança da PSP adianta que, mais de
metade destes jovens são reincidentes. A outra face da moeda é o
falhanço da reinserção social destes jovens. Sem hesitações, a
actual presidente do Instituto de Reinserção Social, a
magistrada Leonor Furtado disse expressamente, no encontro
promovido pelo Sindicato do Ministério Público, aquilo que todos
já advinhavam: «As percentagens de sucesso da reinserção social
de jovens são muito pequeninas». E dá exemplos: «muitas vezes os
jovens terminam o cumprimento da medida tutelar e deixam o
centro educativo sem concluírem os cursos pré-profissionais».
Sem formação, sem trabalho e sem acompanhamento para lá das
portas do centro educativo, não é difícil imaginar o desfecho
destas histórias.
|
|
|
Não há «bairros malditos» |
| |
Governo nega
que tenha dado ordem às polícias para «disparar a matar»
O secretário de
Estado adjunto da Administração Interna, José Magalhães,
garantiu esta sexta-feira na Assembleia da República, que o
Governo não emitiu nenhuma directiva que incite as forças de
segurança a «atirar a matar» como foi recentemente anunciado na
comunicação social.
O governante
respondia às questões dos deputados na Comissão dos Assuntos
Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias. Luís Fazenda,
do Bloco de Esquerda, interrogou directamente José Magalhães
sobre as razões que levaram o Governo a não desmentir a notícia
que anunciava um reforço do policiamento musculado sobretudo em
zonas de risco. O secretário de Estado explicou que «não há
novas directivas nem ordens secretas».
Um oficial da
PSP começou, no início da audição, por explicar em que consiste
o Modelo Integrado de Intervenção Policial aplicável a bairros
problemáticos. Luís Elias mencionou ainda algumas «necessidades»
de equipamento como pistolas, coletes, bastões metálicos e gás
pimenta.
Os deputados do
PSD, Luís Montenegro, do PS, Marques Júnior, do CDS-PP, Nuno
Magalhães, e do PCP, António Filipe, insistiram na importância
da clarificação da «suposta orientação às forças de segurança»
sobre um novo modelo de actuação policial. O deputado
social-democrata sublinhou mesmo a «não alteração do regime
legal de uso de armas de fogo».
O secretário de
Estado citou o Código Penal e defendeu a alteração da «armadura
legal» para penalizar as tentativas de agressão aos elementos
das forças de segurança.
José Magalhães
falou ainda sobre a estigmatização dos bairros considerados
perigosos. «Não temos a noção de bairros malditos. Mas se há
essa noção, a nossa missão é alterar isso», defendeu. |
|
|