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Sofre em dobro, cada
vez que um civil morre pelas mãos da polícia. E para evitar essas
situações, insiste na adopção de novas formas de intervenção,
sobretudo nas patrulhas do dia-a-dia. Há oito anos a vigiar as
polícias, Rodrigues Maximiano não se conforma quando os comandantes e
chefes não são também responsabilizados pelos incidentes com cidadãos.
Uma conversa sem papas na língua.
A polícia continua
a abusar da força?
Eu penso que isso
está neste momento num processo de alteração qualitativa que passa por
duas questões. Primeiro: valorização nas escolas dessa temática.
Aumentar o currículo dos polícias na área dos direitos humanos. Fazer
perceber aos agentes que os direitos humanos são a essência de uma
sociedade democrática. E o comportamento da polícia exprime também o
grau de evolução da própria democracia. Há um segundo aspecto que
realmente me preocupa e que está a ser equacionado. Relativamente aos
agentes portugueses que estão na rua, os seus responsáveis têm que
pensar em novas formas de intervenção na rua. Há situações em que são
chamados a intervir numa situação. Os civis podem estar armados e os
agentes só dispõem de uma arma letal. Contrariamente a outros países,
não têm sprays nem paralizadores eléctricos. Ou fogem ou têm que
enfrentar a situação com a arma. Muitas vezes ou matam ou ficam lá. É
antes da intervenção dos polícias que tem que se resolver o problema.
Como?
Através de novos
instrumentos de trabalho e do enquadramento da intervenção policial.
São necessários novos processos de abordagem, com armas não letais e
nova formação. As armas não letais servem para resolver as questões do
quotidiano sem necessidade de disparar uma bala que mata uma pessoa. A
maioria das questões do quotidiano resolve-se com isso. Ou então um
numero de agentes manifestamente superior. Estamos a falar de
alterações de ordem de rua e de lutas de rua. Não falo do combate à
criminalidade. Aí penso que a polícia portuguesa está no bom caminho.
Apesar de tudo
este ano está a correr bem. Ainda não houve nenhum incidente mortal
com polícias.
Estou muito
satisfeito porque estamos em Abril e felizmente não há nenhum caso
mortal. Espero que continue assim até ao final do ano. São situações
que criam muita angústia. É que o agente que tem um comportamento
incorrecto, de onde resulta uma morte, vai ter responsabilidade por
essa morte. Mas há outra parte, que resulta da ausência de formação ao
agente, da ausência do enquadramento dos oficiais de comando à saída
do agente, da ausência de preocupação de uma série de responsáveis,
que continuam numa situação olímpica de não serem responsabilizados. E
isso não é justo.
E o que é que a
IGAI pode fazer para alterar essa situação?
Eu tenho procurado
chamar a atenção de todos os responsáveis da cadeia de comando e
depois responsabilizar pela omissão.
Concorda com a
opinião do director nacional da PSP, quando defende que a Polícia
deveria ter mais poderes?
A lei portuguesa dá à
polícia os instrumentos legais adequados para desempenhar a sua
função. Não tenho nenhuma dúvida sobre isso. O que a polícia não tem,
e devia ter, são outros instrumentos de trabalho que outras polícias
têm. Armas não letais, por exemplo, ou a possibilidade de visionar
alguns locais das cidades. Mas a [a polícia] não demonstra capacidade
organizativa de gestão. A polícia tem que ter uma lufada de ar fresco
nos seus critérios de gestão.
Já propôs esse
aumento de meios para à tutela?
Quanto ao uso das
armas já me pronunciei sobre isso.
Há quanto tempo?
A ministros
anteriores. Mas esses meios não vão servir para nada à polícia
portuguesa se não modificar os critérios de intervenção. [Importante
é] a precisão da gestão dos recursos humanos, a estratégia da
intervenção policial.
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