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Euro 2004
Segurança de sucesso foi "discreta"
Estudo inglês elogia PSP
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Low profile da polícia explica os poucos incidentes,
apesar dos 'hooligans'
A presença discreta da PSP durante a realização do Euro 2004 esteve
na origem do sucesso do evento em termos de segurança. Esta é a
principal conclusão de um estudo realizado por uma instituição
inglesa sobre hooliganismo e a actuação policial portuguesa durante
o campeonato europeu em Junho e Julho do ano passado. Low profile, a
estratégia adoptada, parece ser a palavra de ordem para evitar
grandes incidentes. A presença aparatosa da polícia só incentiva o
confronto.
O relatório do estudo - terminado no mês passado e realizado pelo
Economic and Social Research Center, um dos maiores centros ingleses
financiado por fundos públicos - salienta que é importante impedir
pessoas já identificadas como "arruaceiras" de viajar, mas uma
postura amigável e firme da polícia é essencial, assim como "lidar
com os adeptos a partir do seu comportamento e não da sua
reputação".
Clifford Stott, da Universidade de Liverpool e um dos investigadores
responsáveis pelo estudo, afirmou ao DN que "Portugal fez um
excelente trabalho" e que os resultados da investigação foram
disponibilizados à UEFA e às autoridades alemãs, que estão agora a
organizar o campeonato mundial de 2006. "É o nosso desafio
desenvolver políticas de segurança", assegurando ainda que a
estratégia portuguesa seguida pela PSP foi bem sucedida e deverá ser
adoptada no futuro.
Numa situação de risco normal, apenas foi usada uma proporção de
quatro agentes fardados para cem adeptos. Os uniformes eram normais,
sem equipamento mais pesado, e o objectivo destes policiais era o de
observar o comportamento dos adeptos. A polícia de intervenção
estava perto, mas deliberadamente fora de visão. Foi ainda usado de
forma extensiva a presença de polícias à civil. "Durante o Euro
2004, quase não se registaram incidentes ou desordens nas nossas
observações de áreas controladas pela PSP", explica Clifford Stott.
Quando os ingleses foram tratados como adeptos e não hooligans,
assumiram-se como estando do mesmo lado da polícia e partilhando o
mesmo interesse pela segurança. Ou seja, perante o "low profile" da
polícia, era mais provável que se opusessem a eventuais problemas
causados por outros. Os incidentes de Albufeira - área sob a
jurisdição da GNR que não usou as mesmas tácticas que a PSP - são
mais uma prova. Os guardas, explicam, não foram capazes de
estabelecer os limites do comportamento dos adeptos e distinguir os
arruaceiros. Mais pessoas acabaram envolvidas e houve uma escalada
de violência.
Os hooligans estiveram presentes em Portugal. Mas nas áreas de
intervenção da PSP, "na maioria dos raros casos em que algo ocorreu,
as intervenções foram rápidas e tiveram pouco impacto. A maioria dos
adeptos nem se apercebeu que tinha havido detenções". Este estudo
foi realizado a partir de inquéritos e 14 observações, efectuadas
por estudantes universitários de Porto, Lisboa e Coimbra,
seleccionados pela equipa inglesa.
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Modelo de policiamento
do EURO 2004 foi «um sucesso», diz estudo
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Uma presença policial pouco
visível e a abordagem amigável com os adeptos, influenciando o seu
comportamento, contribuíram para o «sucesso» do EURO 2004, revela um
estudo internacional divulgado esta sexta-feira sobre o sistema de
policiamento durante o campeonato.
«O sistema utilizado em Portugal criou um modelo para o policiamento
de torneios internacionais no futuro», salienta o estudo, da autoria
dos especialistas Otto Adang, da Escola de Polícia Holandesa, de
Clifford Stout e de Martina Schreiber, ambos da Universidade de
Liverpool.
Os três
especialistas afirmaram que o sucesso da operação não se deveu à
sorte, mas sim à estratégia e tácticas policiais utilizadas.
As tácticas
utilizadas contribuíram para o «desenvolvimento de uma identidade
comum no futebol» e para «dar poderes» aos comportamentos não
violentos (auto-policiamento entre adeptos), frisou Otto Adang.
As «políticas de
baixo perfil» adoptadas levaram a policiamentos equilibrados e
percepcionados como legítimos pelos adeptos, disse, por seu turno,
Clifford Stout.
A abordagem
policial «impôs os limites comportamentais, que suportaram a
identificação social não violenta e a auto-regulação dos adeptos»,
acrescentou o especialista inglês, considerando que a actuação da
PSP foi uma acção que deu «grande mérito a Portugal».
«Foi preciso muita
coragem para assumir este perfil de acção policial», salientou Otto
Adang, fazendo eco de alguns comentários feitos por equipas
internacionais, que salientaram ainda a «incrível acção da polícia
não uniformizada».
Para tentar
descrever a eficácia da polícia, Martina Schreiber leu o comentário
de um adepto alemão: «Eles provocaram-nos e queriam começar uma
luta. Mas antes de o conseguirem, os polícias à paisana, que
estiveram lá sempre, detiveram-nos».
No entanto, apesar
do sucesso da operação policial, Otto Adang alertou que muitas vezes
o volume de interacção com os adeptos poderia ter criado situações
de risco potenciais.
Durante o
campeonato, que decorreu de 4 de Junho a 12 de Julho, apenas se
registaram incidentes graves em Albufeira que levaram à detenção de
adeptos ingleses.
Para os
especialistas, estes incidentes poderão ter atingido maiores
proporções devido à estratégia policial utilizada.
«A ausência de
opções tácticas está associada com os incidentes de desordem em
Albufeira», sustenta o documento.
Presente na
divulgação do estudo, o secretário de Estado- adjunto da
Administração Interna, Nuno Magalhães, sublinhou que o «modelo
civilista» utilizado foi um «enorme sucesso e que permitiu ser um
produto de exportação para outros países».
«Fomos capazes com
o modelo civilista utilizado, em que as forças de segurança e a
polícia estavam presentes, sobretudo numa perspectiva de cooperação
e colaboração com os adeptos, ter um nível de incidentes quase
nulo», frisou.
Nuno Magalhães
revelou que vários países como a Alemanha, que organiza o Mundial de
2006, a Áustria e a Suíça, que organizam o Europeu 2008, e a África
do Sul, que organiza o Mundial de 2010, já contactaram Portugal para
importar este modelo de policiamento.
O estudo, divulgado
no Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna, em
Lisboa, foi realizado a pedido da PSP pela Universidade de Liverpool
em colaboração com a Academia de Polícia da Holanda e foi baseado na
investigação prévia do Mundial 98, Euro 2000 e os jogos da Liga
Campeões 2002-2004.

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Polícias discordam de
contas do Euro |
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O Sindicato dos
Profissionais de Polícia (SPP) acusou, ontem, a Direcção Nacional (DN)
da PSP de não estar a cumprir o acordo estabelecido relativamente ao
pagamento das horas extras efectuadas durante o Euro2004. "As horas
estão a ser pagas como policiamento desportivo (9,55 euros à hora) e
não como ficou acordado, a 10,75 euros", explicou o presidente do SPP.
Segundo António Ramos, "esta situação está a causar mau estar e
revolta entre polícias, porque se sentem enganados".
Num comunicado, o SPP lembra ainda que "milhares de polícias estão há
mais de três anos à espera das promoções", enquanto a DN acaba de
nomear seis superintendentes-chefes, e volta a relembrar a
inexistência de um seguro de vida ao polícias, "já tantas vezes
prometido".
O chefe de gabinete do director nacional da PSP garante "haver um mal
entendido", relativamente à questão do pagamento das horas efectuadas
durante o Euro 2004. Segundo o comissário Coimbra, "o que ficou
estabelecido é que as horas feitas a mais seriam pagas a 10,75 euros,
e é isso que será pago". Explica ainda que "o pessoal que foi nomeado
para os estádios irá receber 9,55 euros, dado que se tratou de um
policiamento desportivo e a verba a ser paga é essa".
Relativamente às promoções, o responsável admite haver "um atraso de
caracter administrativo e legal", e que tem a ver com "as reclamações
que os próprios candidatos candidatos apresentam". As promoções dos
seis superintendentes-chefes, cujo despacho saiu em Diário da
República de 2 de Junho, "resultaram de um concurso que tinha seis
vagas".

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MAI louva forças de segurança
e empresas privadas |
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Segurança privada
tinha lamentado a falta de reconhecimento do Governo
O ministro da
Administração Interna agradeceu e louvou esta quarta-feira o esforço
de todos os que contribuíram para a segurança do Euro-2004, incluindo
as empresas de segurança privada, que tinham lamentado a falta de
reconhecimento do governo.
O governo reuniu hoje
os responsáveis dos serviços de segurança do Estado e entregou um
louvor a cada, atribuindo-lhes a medalha de ouro dos Serviços
Distintos de Segurança Pública.
Foram distinguidos o
SNBPC (Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil), o SEF
(Serviço de Estrangeiros e Fronteiras), do SIS (Serviços de
Informações e Segurança), a PSP, a GNR e o Gabinete Coordenador de
Segurança.
No discurso,
Figueiredo Lopes, que não respondeu a perguntas dos jornalistas,
estendeu os agradecimentos a outros funcionários, ligados a outros
Ministérios, como a Polícia Judiciária e as forças que integram o
sistema de Autoridade Marítima e a Autoridade Aeronática, e às Forças
Armadas.
"É com muito gosto
que manifesto também o nosso apreço e merecido reconhecimento às
empresas de segurança privada, que pela primeira vez no nosso país
lançaram os Assistentes de Recinto Desportivo, cujo trabalho dentro
dos Estádios se revelou muito eficiente e bem organizado", acrescentou
Figueiredo Lopes.
Empresas privadas de
segurança lamentaram terça-feira que o Governo não tivesse reconhecido
o trabalho dos Assistentes de Recinto Desportivo, que estiveram aos
milhares nos estádios onde decorreram jogos do Euro.
Hoje, Figueiredo
Lopes, além de os englobar, fez também um agradecimento especial ao
secretário de Estado da Administração Interna, Nuno Magalhães, o
responsável pela supervisão de todo o sistema de segurança do
Euro-2004.
Um trabalho de dois
anos e três meses que culminou "na maior operação de segurança alguma
vez realizada" em Portugal, disse Nuno Magalhães.
Lembrando a criação
de nova legislação, as reuniões que levaram ao Plano Global de
Segurança, a aquisição de novos equipamentos, que custaram 16,5
milhões de euros, a formação e treino de pessoas e todo o trabalho que
levou ao Euro-2004, Nuno Magalhães concluiu que "a chave do sucesso"
foi "a competência, a dedicação e a cooperação".
O Euro-2004 foi
considerado unanimemente um êxito em matéria de segurança.
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Balanço: Arnaut destaca imagem deixada por Portugal
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SOMOS UM PAÍS
MODERNO E SEGURO |
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José
Luís Arnaut, ministro Adjunto do primeiro-ministro, fez ontem um
balanço muito positivo à organização do Euro'2004, congratulando-se
com a excelente imagem que passou de Portugal para a Europa e para o
Mundo.
"Fomos capazes de
realizar o terceiro maior evento mundial e demos uma imagem de um País
moderno que sabe organizar grandes eventos. Por isso, podemos dizer,
que terminado o Euro, Portugal teve sucesso", referiu Arnaut em
conferência de Imprensa, destacando a imagem que o País passou ao
Mundo.
"Mostrámos ao Mundo uma grande Selecção e um País em festa. A
competição foi conhecida por todos como um modelo de organização e
ajudou a mostrar a marca Portugal, um país moderno, seguro e que sabe
receber as pessoas. Aliás, a segurança era essencial, mas mostrámos
capacidade e respondemos muito bem", salientou o ministro, agradecendo
o empenho de todos.
"Queria deixar um agradecimento especial às forças de segurança, a
GNR, a PSP, o SEF, a PJ, a todos pelo serviço notável que prestaram ao
País. Tenho de agradecer também aos portugueses pela sua
disponibilidade e adesão ao Europeu".
E em fase de balanço Arnaut não deixou de abordar o principal cavalo
de batalha do Governo para a organização do evento: os custos.
"Tivemos sempre como principal orientação não gastar nem mais um
tostão do que aquilo que estava estabelecido. Cumprimos com rigor e
transparência, naquela que foi a obra pública mais auditada se
sempre".
NOVO DESAFIO NO HORIZONTE
O ministro Adjunto do primeiro-ministro não se cansou de elogiar as
capacidades organizativas que o nosso país revelou e referiu mesmo que
Portugal está preparado para realizar grandes competições. Mas quando
confrontado com o próximo evento a que Portugal se pode candidatar,
Arnaut recusou. "Jogos Olímpicos de 2012? Neste momento ainda estou a
fazer o balanço do Euro'2004", afirmou.
IMPACTE EM OUTUBRO
Por conhecer estão ainda os resultados do impacte económico do
Europeu. Segundo adiantou Arnaut, o estudo está a ser feito por um
grupo de universidades e será divulgado em Outubro próximo. Mas, para
já, as estimativas apontam para números bastantes positivos.
NÚMEROS
RECORDE NA FINAL
A final do Europeu foi a que mais espectadores registou num estádio.
Na Luz estiveram 62.865 pessoas com a competição a registar um total
de 1.165.389 espectadores.
INEM SEM DESCANSO
Ao longo do Europeu, o INEM realizou 2003 intervenções, numa média de
65 por jogo. Cerca de 70 por cento foram realizadas no interior dos
recintos e 30 por cento nas imediações dos mesmos.
O encontro em que o INEM realizou mais intervenções foi na partida da
final entre Portugal e a Grécia, quando se registaram 156
assistências.
METRO BATE RECORDES
O metro revelou-se ao longo do Europeu como o principal meio de
transporte para os estádios, tendo conduzido aos recintos cerca de 40
por cento dos adeptos. Em Junho, cerca de 14 milhões de passageiros
utilizaram o metro, o que representa um acréscimo de mais de dois
milhões relativamente ao mesmo período do ano passado.
RESTAURAÇÃO EM BAIXA
Os resultados do sector da restauração estiveram abaixo das
expectativas. Para isso, terá contribuído o horário dos jogos (19h45)
perto da hora do jantar, que fizeram com que os portugueses ficassem a
ver os jogos em casa ou nas ‘Funzones’ e os estrangeiros se
deslocassem para os bares e zonas de animação.

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OS SINDICATOS DEVIAM TER TIDO
MAIS PONDERAÇÃO
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Na hora da
vitória e da recolha dos louros, o secretário de Estado da
Administração Interna e responsável pela segurança do Euro, Nuno
Magalhães, evita as palavras e expressões mais duras e opta por
críticas menos directas, mesmo quando aborda os sindicatos e
associações das forças de segurança. |
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E no momento em
que tanto se fala do novo governo não esquece e salienta os papéis
de Figueiredo Lopes e José Arnaud, companheiros de coligação.
Quanto às rivalidades entre as forças de segurança reduze-as ao
amor à camisola
Correio da Manhã - Qual é o balanço que faz do Euro?
Nuno Magalhães - É um balanço positivo na área que me competiu, da
qual fui incumbido por determinação do senhor ministro da
Administração Interna. Faço um balanço positivo, que aliás já foi
reconhecido internacionalmente. Quer pela própria UEFA quer por
vários governos europeus, que escreveram ao senhor ministro da
Administração Interna a felicitá-lo pela forma extraordinária como
a segurança foi organizada. Inclusive ministros do Interior de
vários estados da Federação alemã solicitaram audiências pedindo a
Portugal também cooperação, informação e formação e partilha de
experiências para a organização do Mundial de 2006.
- Mas essa eficácia de segurança de que fala era já esperada
pelos parceiros europeus, ou eles mostraram-se surpreendidos?
- Obviamente que confiavam. Nós tivemos sempre um reflexo de
confiança da parte da UEFA e por parte dos Estados da União
Europeia. Faço um balanço positivo, como aquilo que até já foi
apelidado como o campeonato do fair-play.
- Mas nem tudo correu bem. A GNR, por exemplo, considera ter
sido preterida na atribuição de verbas em relação à PSP.
- Como sabe, a PSP tinha sete dos dez estádios do Euro 2004. Ou
seja, parte da segurança incidiu muito em áreas da PSP,
nomeadamente as áreas dos estádios e de grandes aglomerações de
adeptos. Obviamente, que a GNR teve um papel fundamental, como a
segurança dos árbitros, das equipas nos locais onde estagiavam e
até nos locais de divertimento e lazer, como foi o caso de
Albufeira, e outra área também que se calhar passou despercebida,
que foi a sinistralidade rodoviária.
- No entanto, os incidentes mais graves ocorreram nas áreas de
lazer e não dentro dos estádios, aliás, como a GNR previa.
- Exactamente. Eu próprio já o disse, mas os incidentes ocorreram
também em áreas da PSP. Aliás, os primeiros incidentes,
eficazmente resolvidos, ocorreram precisamente no Rossio. A
distribuição de verbas, e isto é importante que se diga, foi
atingida por força de uma determinação conjunta entre o Ministério
da Administração Interna, a Direcção Nacional da PSP e o
Comando-Geral da GNR. E ao contrário do que muitas pessoas
disseram, os factos comprovam que quer a GNR quer a PSP estavam
bem formados e equipados.
- As associações profissionais e os sindicatos das forças de
segurança disseram e dizem o contrário.
- Os factos falam por si. Algumas das questões lançadas foram
desprestigiantes em relação aos próprios colegas.
- Então como é que entende as posições de crítica que foram
assumidas pelas associações e sindicatos?
- Respeito muito as associações e sindicatos, mas creio que é
preciso fazer uma distinção entre aquilo que são reivindicações e
aquilo que é o sentido de Estado. E essas posições eram evitáveis,
por algum alarme que a certa altura criaram na opinião pública
portuguesa.
- Quer dizer que as associações e sindicatos das forças de
segurança tiveram falta de sentido de Estado?
- Eu não disse isso, bem pelo contrário. Porque todos os elementos
das forças de segurança pertencendo ou não às associações e
sindicatos trabalharam de uma forma extraordinária. Penso que
perante este evento e previamente ao Euro 2004, a ponderação de
interesses entre aquilo que é a actividade sindical e associativa
e o posicionamento em relação a algo que era extraordinário,
poderia ter havido, não digo sentido sentido de Estado, mas uma
maior ponderação e uma maior contenção, que eu também sei que não
fácil.
PERFIL
Com 32 anos, solteiro e nascido em Luanda, Nuno Miguel Miranda de
Magalhães entrou no Governo para secretário de Estado da
Administração Interna pela mão do PP, onde chegou a ser presidente
da Comissão Política Distrital do CDS-PP de Setúbal, e
vice-presidente da comissão de Lisboa. Licenciou-se em Direito na
Universidade Lusíada em 1996 e no PP trabalhou nas áreas do
Trabalho e Segurança Social, Imigração e Segurança Interna.
OS TRÊS VECTORES DE UM SUCESSO
Grande parte do sucesso na segurança do Euro'2004 dependeu de três
vectores de cooperação. O primeiro ao nível interno, com a
Comissão de Segurança, onde estavam representadas todas as forças
de segurança e a própria Polícia Judiciária, a Autoridade
Marítima, a Autoridade Aeronáutica e a própria promotora do
evento, a Sociedade Euro'2004, e a Sociedade Portugal 2004. Todas
estas forças foram cooperando durante dois anos de forma
permanente. Depois há um segundo nível ainda interno e que foi a
cooperação interministerial de acompanhamento do Euro'2004,
presidida pelo senhor ministro José Arnaut, e que permitiu que
alguns problemas fossem resolvidos de imediato. E depois há num
terceiro patamar a extraordinária cooperação externa que tivemos,
que começou desde logo, muitos meses antes. Isso permitiu-nos com
os nossos parceiros europeus parar um conjunto de movimentos que
se podiam revelar perigosos.
O CASO DA INVASÃO DE CAMPO NA FINAL
Os estádios foram construídos de acordo com as normas da UEFA e
uma das preocupações de acordo com esse conceito foi evitar as
situações de esmagamento produzidas pela existência de grades,
como se verificou em alguns encontros anteriores ao Euro'2004, com
a morte de várias pessoas. Até porque as grades não se coadunam
com o ambiente de festa. Isso traz responsabilidades acrescidas e
dificuldades acrescidas a nível do controlo de possíveis invasões
de campo. A entrada em campo de um adepto na final, como veio de
facto a acontecer no jogo Portugal-Grécia, não pode de maneira
nenhuma manchar o sucesso que também rodeou a acção dos
assistentes de recintos desportivos, do promotor do evento que é a
Sociedade Euro'2004. E a situação foi rapidamente controlada
usando uma força proporcional ao risco, quer com os assistentes de
recintos desportivos quer os elementos das forças de segurança.
Foi um incidente, de maneira nenhuma o nego, mas que foi sanado da
melhor forma e de uma forma positiva de segurança na resposta. O
incidente não pode nem deve manchar tudo o que de bom foi feito.
Houve um outro caso com um jornalista de Leste, mas que foi
igualmente sanado.
QUESTÕES
MINISTÉRIO
O Ministério da Administração Interna tem sido talvez a mais
sensível das pastas do actual Governo. Mas a eficácia das forças
de segurança reveladas durante o Euro’2004 e inexistência de
incidentes graves foi uma lufada de ar fresco.
REMODELAÇÃO
Um novo governo e um provável novo ministro não vão retirar o
cariz de fragilidade e polémica ao MAI, até pela visibilidade e
pelo facto de o seu funcionamento implicar directamente com a vida
e segurança dos cidadãos.
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Empresas de
segurança querem felicitações do Governo |
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Segurança privada considera injusto que o Governo só reconheça o
trabalho das forças de segurança públicas
Os assistentes de
recintos desportivos que trabalharam nos estádios durante o Euro 2004
lamentaram hoje que o Governo se tenha «esquecido» de os felicitar
pelo seu trabalho durante o torneio.
Em declarações à
Agência Lusa, Jorge Leitão, presidente do Conselho de Administração da
Prossegur (empresa que fez segurança ao estádio da Luz e ao de Leiria)
considerou «profundamente injusto» que o Governo reconheça o trabalho
das forças de segurança públicas e se «esqueça» das empresas de
segurança privada.
«A PSP, a GNR e o
gabinete coordenador de segurança tiveram uma acção meritória e estão
de parabéns. Mas parece-me um esquecimento lamentável que o Governo
não tenha uma palavra para dirigir às empresas privadas», disse Jorge
Leitão.
Segunda-feira, o
Ministério da Administração Interna anunciou que vai atribuir ao
gabinete coordenador de segurança do Euro 2004 e às forças que o
compõem a medalha de ouro de serviços distintos de segurança pública.
Também os
responsáveis da empresa Companhia de Segurança Privada, que foi
responsável por cinco dos 10 estádios do Euro 2004, lamentaram o
esquecimento do Governo e salientaram o trabalho desempenhado pelos
assistentes de recinto desportivo, também chamados «stewards».
«Não quero acreditar
que a falta de uma palavra de parabéns do Governo tenha sido mais do
que um lamentável esquecimento», referiu à Lusa João Martins,
presidente do Conselho de Administração da Companhia de Segurança
Privada, que colocou quase oito mil pessoas a trabalhar durante as
três semanas do campeonato.
«Se o país está de
parabéns, se tudo correu bem, muito se deve aos stewards, que
controlaram os acessos aos estádios e orientaram as pessoas», afirmou
João Martins.
O responsável
considera que o Governo deveria ter endereçado também «parabéns aos
sector privado» e lembra que as empresas privadas «também são
tuteladas pelo Ministério da Administração Interna».
«Nalguns dias tivemos
quase mil homens a trabalhar, isso implica muito investimento e
organização», frisou o responsável da empresa que teve a cargo a
segurança dos estádios de Guimarães, Bessa, Aveiro, Alvalade e
Faro-Loulé.
Também Jorge Leitão,
da Prossegur, referiu que «nenhuma empresa de outro ramo nem nenhum
corpo institucional tiveram tantos» profissionais a trabalhar ao mesmo
tempo.
«Dos 1.200 efectivos
que estiveram a trabalhar para a Prossegur nos estádios da Luz e de
Leiria, só na final do campeonato estiveram 800», disse à Lusa Jorge
Leitão, acrescentando ainda que a Prossegur também recrutou 35
seguranças particulares para acompanharem «algumas personalidades»
durante o Euro 2004.
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MEDALHA DE OURO PARA A
SEGURANÇA |
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O Ministério da
Administração Interna anunciou esta segunda-feira a atribuição da
Medalha de Ouro de Serviços Distintos de Segurança Pública ao Gabinete
Coordenador de Segurança do Euro’2004 e a todas as forças de segurança
que estiveram temporariamente sob a sua tutela, nomeadamente GNR, PSP,
SEF, SIS e SNBPC.
A eficácia da
actuação das forças de segurança neste Euro’2004 tinha já sido
reconhecida pela UEFA e até pelas autoridades nos países organizadores
dos próximos Mundial e Europeu, que já solicitaram assistência às
autoridades portuguesas. Agora foi a vez de o Ministério da
Administração Interna (MAI) de Portugal distinguir os homens e
mulheres das forças de segurança a cujo esforço também se deve o
rótulo de melhor Europeu de sempre.
No entender o MAI, a actuação do Gabinete Coordenador de Segurança e
das forças de segurança nacionais tornou “claro que a actividade da
segurança interna não visa manipular ou tolher a sociedade e os
cidadãos, mas pelo contrário criar as condições indispensáveis ao
exercício de uma cidadania saudável”.
Os principais responsáveis pelo Gabinete Coordenador de Segurança do
Euro’2004, da Polícia de Segurança Pública, da Guarda Nacional
Republicana, do Serviços de Estrangeiros e Fronteiras, dos Serviços de
Informação e Segurança e do Serviço Nacional dos Bombeiros e Protecção
Civil recebem a medalha de ouro na próxima quarta-feira, no MAI.

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Polícias reivindicam o mérito
e apontam o dedo à tutela |
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"Bem podem os
políticos e o ministro da Administração Interna deleitar-se com os
louvores e elogios que a segurança do Euro 2004 possa merecer, mas
eles vão direitinhos para os profissionais das forças de segurança, já
que o Governo não poderá nunca esconder a realidade", afirma, em
comunicado, a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP),
que dá exemplos daquilo que este sindicato classifica como "a
irresponsabilidade com que a tutela da PSP menosprezou a programação
da segurança" do Campeonato Europeu de Futebol.
"O Euro 2004 foi um êxito em matéria de segurança, mas isso foi fruto
do profissionalismo, da entrega e do sacrifício dos polícias em prol
da segurança da comunidade e da imagem do país", afirma a ASPP/PSP,
que acusa os governantes de terem preferido "apostar na demagogia e em
fazer passar a ideia de que seriam feitos grandes investimentos em
recursos humanos e materiais nas forças de segurança".
Recordando a falta de recursos necessários e as degradantes condições
de trabalho na Polícia, o Sindicato aponta, por exemplo, a forma como
a tutela da PSP "fez deslocar pessoal, viaturas e equipamento de ordem
pública de áreas de comandos onde não houve jogos (debilitando níveis
normais de segurança das populações) para reforçar comandos
directamente envolvidos na segurança do Euro 2004". A ASPP/PSP lemtra
ainda a distribuição tardia de equipamentos, a insuficiência de carros
para o transporte de brigadas de intervenção rápida, as sucessivas
avarias nas comunicações e o planeamento tardio de operações,
"obrigando a que, em todos os jogos, tivesse que haver ajustamentos
mesmo em cima da hora".
A ASPP/PSP destaca o empenhamento profissional dos "oficiais da PSP
que tiveram a responsabilidade de, em cada comando, organizar e
coordenar a segurança dos jogos" e os elogios internacionais aos
polícias portugueses.

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Um
campeonato tranquilo |
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Autoridades receberam 11 ameaças de bomba. Todas falsas. Cerca de 300
detidos e apenas feridos ligeiros, em confrontos, fizeram deste
o Euro mais seguro de sempre.
O Euro 2004 chegou ao
fim com uma derrota e uma vitória. Da derrota desportiva sai o consolo
de Portugal ter organizado o melhor campeonato europeu de futebol de
sempre. E apesar dos receios e dos alertas, nomeadamente dos EUA, que
avisaram que Portugal podia ser alvo de um atentado terrorista, não
houve durante todo o campeonato nenhuma ameaça terrorista e os detidos
não chegaram aos 300.
O PortugalDiário
juntou os relatórios diários da PSP e o balanço final da GNR e
traz-lhe em primeira mão os resultados mais significativos, não
desportivos, mas de segurança, do Euro 2004.
A GNR foi obrigada a
sair em alerta dez vezes devido a ameaças de bombas feitas através de
telefonemas anónimos. Na maioria das vezes as equipas de binómio
(homem/cão) da GNR circunscreveram as áreas em questão e não
necessitaram de maiores cuidados. As ameaças eram falsas. Apenas por
duas vezes o susto foi maior. A Brigada de Inactivação de Explosivos
da GNR procedeu à inactivação de dois objectos suspeitos. Sem
percalços. Sem feridos.
As bombas foram uma
das principais preocupações das forças de segurança. Uma das ameaças
mais perigosas foi a registada no metro de Lisboa. Um descuido ou uma
ameaça levada menos a sério podia significar perda de vidas. A
prevenção foi uma arma. A GNR efectuou 259 buscas preventivas à
procura de engenhos suspeitos. Mais de 20 buscas foram feitas
recorrendo ao trabalho de subsolo.
Os estádios, em dias
de jogos e treinos, os hotéis, os comboios, os autocarros das equipas
e muitos outros locais foram passados a pente fino por 13 equipas de
explosivos, em todo o país, trabalhando e apoiando também os grupos de
trabalho da PSP.
Tudo isto foi
conseguido com mais de 4700 militares da GNR que garantiram a
segurança de todos nós. Só na protecção das áreas de serviço estiveram
envolvidos 2650 soldados com mais de 600 viaturas. A escolta às
selecções foi feita por 789 guardas. Já os adeptos, que chegaram de
toda a Europa, estiveram sempre debaixo dos olhos da GNR, não só
através dos mais de mil homens que efectuaram patrulhas aos comboios,
como também recorrendo à vídeo-vigilância.
Em todo o campeonato
de futebol o crime mais cometido foi igualmente o crime com menor
gravidade: A venda ilegal de bilhetes de futebol. Juntando os números
da GNR e da PSP foram detidas 101 pessoas por este motivo.
No total foram
detidos 258 adeptos. Muitas destas detenções ocorreram em Albufeira
onde os desacatos com as autoridades tiveram maior dimensão. De
salientar que 96 eram ingleses e 28 portugueses. Os restantes arguidos
tinham as mais variadas nacionalidades.
As forças de
segurança tiveram em conta todo o território nacional. Um dos momentos
mais complicados de segurança foi precisamente no último dia do
campeonato. Os milhares de pessoas que se juntaram na beira das
estradas levaram a um planeamento de segurança como Portugal raramente
viu. «Foi uma verdadeira prova de fogo. Mas a GNR conseguiu evitar
qualquer problema. Nunca tinha sido feito um acompanhamento de tal
dimensão», explicou fonte da GNR.
Mas nem tudo são
rosas, ou neste caso, bandeiras. A Associação Sindical dos
Profissionais da Polícia (ASPP) emitiu um comunicado em que se
congratula com o sucesso obtido na segurança do campeonato, mas lembra
o Governo das dificuldades que foram feitas para que tudo corresse da
melhor forma. A ASPP afirma que foram retirados vários polícias dos
comandos distritais onde não existiram jogos e enviaram-nos para
comandos onde existiam competições. A segurança de alguns portugueses
esteve em causa, segundo o sindicato.
Esta associação chama
também a atenção para o facto de alguns equipamentos só terem chegado
às mãos dos policias a meio do campeonato, nomeadamente o guia
policial. Segundo o sindicato, também os rádios portáteis não estavam
a funcionar e os polícias tiveram de comunicar através de telemóveis.
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Governo atribui medalha a
forças de segurança |
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MAI
distingue actuação dos que contribuíram para a segurança do Euro2004
O Gabinete
Coordenador de Segurança do Euro 2004 e as forças que o compõem vão
ser distinguidos com a medalha de ouro de «serviços distintos de
segurança pública», anunciou hoje o Ministério da Administração
Interna.
«O ministro da
Administração Interna expressa o seu agradecimento, louvor e muito
apreço a todos quantos contribuíram para a segurança do Euro 2004»,
refere um comunicado do Ministério tutelado por Figueiredo Lopes.
Assim, a medalha de
ouro de serviços distintos de segurança pública será atribuída ao
Gabinete Coordenador de Segurança do Euro 2004 e às forças que estão
sob sua tutela: GNR, PSP, Serviço de Estrangeiros e Fronteiras,
Serviços de Informação e Segurança e Serviço Nacional de Bombeiros e
Protecção Civil.
«Ficou claro o
empenhamento e motivação de todos os homens e mulheres que trabalharam
neste grandioso projecto e assim contribuíram directamente para que o
Euro 2004 fosse a tradução real da festa, do convívio e do espírito
desportivo», lê-se no comunicado do gabinete de Figueiredo Lopes.
O ministro sublinhou
ainda «o salto qualitativo que representou a actuação» das forças e
serviços de segurança durante o Campeonato da Europa de futebol.
O comunicado
acrescenta que «ficou claro que a actividade da segurança interna não
visa manietar ou tolher a sociedade e os cidadãos, mas pelo contrário
criar as condições indispensáveis ao exercício de uma cidadania
saudável e respeitadora da lei e da ordem pública».
A cerimónia da
entrega da medalha de ouro aos principais responsáveis pelos serviços
de segurança realiza-se quarta-feira à tarde no Ministério da
Administração Interna.
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Quatro detidos no
fecho do campeonato |
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Dois
gregos, um português e um espanhol, que invadiu o campo
A PSP deteve quatro
indivíduos e identificou um quinto, nas últimas 24 horas do Euro2004.
De acordo com o comunicado da Direcção Nacional da força policial, não
se registou «qualquer incidente significativo».
No dia anterior ao
jogo, a ansiedade por um bilhete levou à confusão no Largo da Luz, em
Lisboa, pelas 16h05, quando se registaram conflitos entre adeptos
gregos e membros da Federação Grega de Futebol. Foi detido um
indivíduo grego.
Já ontem, dia da
final inédita entre Grécia e Portugal, a PSP indicou que «o
policiamento desportivo e o policiamento à cidade decorreram dentro da
normalidade». Mas houve quatro detenções e uma identificação.
O indivíduo grego
identificado, de 25 anos, foi apanhado a furtar bilhetes a um cidadão
brasileiro. Este optou por não apresentar queixa do cidadão da Grécia,
que foi identificado e seguiu o seu destino.
Um indivíduo grego,
do sexo masculino, de 30 anos, atingiu um agente da PSP com uma pedra,
também no Largo da Luz, em Lisboa. O agente não teve necessidade de
receber tratamento hospitalar.
Um português, de 23
anos, depois do jogo, foi detido depois de agredir com um murro um
oficial da PSP, depois de ter sido advertido - por estar a injuriar e
a provocar adeptos gregos -, para abandonar um local onde estes
festejavam a vitória.
Já durante o jogo
dois indivíduos foram detidos por invasão de campo. Um grego, de 25
anos, que se entusiasmou com o golo, e um adepto espanhol, de 29 anos,
que saltou da bancada do topo Sul e percorreu o campo até ao topo
Norte. Só foi apanhado pelos voluntários de campo e agentes da PSP,
quando se atirou contra as redes da baliza grega.
"Jimmy Jump" assim se
apelida o adepto catalão que parece ainda não ter esquecido a polémica
transferência de Figo do Barcelona para o Real Madrid: quando dentro
de campo agitou uma bandeira do Barcelona que atirou à cara do jogador
português da equipa de Madrid. "Jimmy Jump" diz - no seu "site" - que
«o seu prazer, a sua razão de ser é aparecer em qualquer acto público
e superar as barreiras de entrada».
"Jimmy", «o
saltador», pôs a nu as dificuldades dos voluntários e agentes em
travar adeptos mais fogosos, como já tinha acontecido no
Portugal-Rússia, também no Estádio da Luz, quando um adepto russo
invadiu o terreno, no momento da expulsão do guarda-redes da selecção
russa.
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PSP Desaconselha Realização
de Cordão Humano
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A Polícia de
Segurança Pública (PSP) desaconselhou ontem, por razões de segurança,
a realização, prevista para hoje, de um cordão humano de apoio à
selecção, entre a Ponte Vasco da Gama e o Estádio da Luz, em Lisboa.
"Se a intenção de
criar um cordão humano passar à prática, o Comando de Lisboa
desaconselha, por motivos que se prendem com a segurança", disse a
comissária Isabel Canelas, do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP.
Nos últimos dias tem
vindo a circular por correio electrónico um apelo para que no domingo,
pelas 16h, se forme um cordão humano na Segunda Circular, entre o ramo
de acesso da Ponte Vasco da Gama e o Estádio da Luz.
Trata-se de um
percurso de nove quilómetros e que visa apoiar a selecção nacional na
sua deslocação entre o centro de estágio de Alcochete e o estádio onde
decorre a final do campeonato europeu de futebol.
Em conferência de
imprensa, a comissária explicou que se trata de um itinerário com
estradas muito movimentadas e com limites de velocidade perigosos.
"Caso aconteça, a
polícia estará atenta, tudo fará para que o cordão de apoio à selecção
se faça com segurança, mas evitem levar crianças", adiantou.
O subcomissário da
Divisão de Trânsito da PSP de Lisboa, Virgílio Sá, adiantou ainda que
não há certezas de qual será o itinerário da selecção. "É
desaconselhável a formação do cordão, até porque nada garante que o
itinerário da selecção seja pela segunda circular".
Na final do
campeonato europeu de futebol, entre Portugal e a Grécia, o Estádio da
Luz, em Benfica, com 65 mil lugares, deverá receber 13 mil gregos e
quatro mil adeptos de outras nacionalidades, entre ingleses,
americanos, holandeses e suecos. Em Lisboa estarão hoje cerca de 20
mil gregos, que deverão concentrar-se no Rossio e na Rua Augusta.
Para este jogo, a PSP
mantém os mesmos conselhos de sempre: "Venha cedo, entre as cinco e as
seis da tarde, tenha atenção aos carteiristas, use os transportes
públicos e se não tiver bilhete não venha para o estádio".

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PSP Quer Hoje Dia do
Euro Sem Carros |
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A Divisão de
Trânsito da PSP de Lisboa lançou ontem um repto aos portugueses para
que comemorem hoje uma eventual vitória da selecção nacional frente à
Grécia realizando o dia do Euro 2004 sem carros.
"Se festejamos o dia
europeu sem carros em Setembro, porque não realizar o dia do Euro sem
carros? É um repto que lanço a todos", disse, em conferência de
imprensa, o subcomissário Virgílio Sá. Caso a equipa portuguesa se
sagre campeã e a festa volte a invadir as ruas de Lisboa, a polícia
apela a que as comemorações sejam feitas apenas por pessoas. "Que seja
uma festa de pessoas. São as pessoas que têm uma palavra a dizer e a
festa é dirigida às pessoas e não a veículos. O que tenho visto é que
há um misto de festa de pessoas e veículos, um convívio nada
pacífico", acrescentou o graduado, citado pela Lusa.
Segundo o
subcomissário, o automóvel é um meio perigoso e o estado de euforia
das pessoas também não ajuda."Festejar sim, mas em segurança. E que
segunda-feira todos estejam a festejar o que foi o Euro 2004 sem
incidentes, sem vítimas a lamentar, sem quedas de pessoas das janelas,
sem atropelamentos", aconselhou.
À semelhança do que
ocorreu nos outros jogos do Euro marcados para Lisboa, o trânsito
estará condicionado em algumas zonas. Na Segunda Circular será criado
um corredor Bus no sentido Norte/Sul, entre a entrada de Lisboa e o
Relógio, e no sentido oposto, entre o IC19 e o Estádio da Luz.
Encerrado estará o prolongamento da Av. da Pontinha, entre a Av.
Marechal Teixeira Rebelo e a Estrada Militar, enquanto a continuidade
da Av. do Colégio Militar, entre a Rua Ana de Castro Osório e a Av.
Lusíada, será interrompida a partir das 14h00.
Igualmente
condicionado estarão os eixos Marquês do Pombal-Av. António Augusto de
Aguiar, Av. dos Combatentes e Av. Lusíada e Rua Castilho-Rua Marquês
da Fronteira
Até amanhã às 12h00 o
troço da CRIL entre Algés e o IC19 estará também sujeito a
condicionamentos.
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SEF barrou cinco mil
estrangeiros |
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Fronteiras – Controlo instituído a 26 de Maio será retirado às zero
horas de amanhã
O Serviço de
Estrangeiros e Fronteiras (SEF) recusou a entrada em Portugal a 5.357
estrangeiros, entre 26 de Maio e 30 de Junho, período em foram
repostos os controlos fronteiriços devido à realização do Euro 2004.
O maior número de
recusas de entrada, segundo fonte do SEF citada pela agência Lusa,
registou-se no Sul do país, na área do Guadiana. Nessa zona foi
recusada a entrada a 2.262 cidadãos estrangeiros, enquanto na região
do Alentejo, que inclui as fronteiras do Caia, Marvão, São Lourenço e
Vila Verde de Ficalho, foram efectuadas 1.540 recusas. Na região Norte
(Tuy, Valença, Quintanilha) concretizara-se 598 recusas e na região
Centro (Vilar Formoso e Termas de Monfortinho) 279. Nas fronteiras
aéreas o aeroporto de Lisboa foi onde se registou o maior número de
recusas (611), contra as 53 no Porto e as 14 de Faro. A ausência de
visto ou de documento de viagem, bem como a apresentação de documentos
falsos ou falsificados foram os principais motivos para as recusas de
entrada. A maioria dos estrangeiros que viram a entrada em Portugal
recusada foram marroquinos, seguindo-se brasileiros, romenos e
paquistaneses. De entre os turistas comunitários, o maior número de
recusas atingiu os espanhóis e os ingleses.Entre 26 de Maio e 30 de
Junho, foram instaurados cerca de 80 processos de expulsão de Portugal
a cidadãos estrangeiros, a maioria dos quais já concretizados. O
Algarve foi a zona de Portugal onde se registaram mais afastamentos,
devido aos desacatos ocorridos em Albufeira, envolvendo
maioritariamente ingleses.
O controlo
fronteiriço, instituído a 26 de Maio, termina às zero horas do dia 5
de Julho, restabelecendo-se a livre circulação no espaço Schengen.
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Segurança no Euro2004:
Polícia diz que as expectativas foram superadas |
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As autoridades
policiais dizem que ao nível da segurança as expectativas foram
"largamente superadas" no Euro 2004, que decorre em Portugal até
amanhã. Os principais problemas foram mesmo a venda ilegal de bilhetes
e alguns desacatos, mas a PSP congratula-se com a forma como correu a
segurança durante o campeonato europeu de futebol.
"Até agora correu
tudo muito bem", afirma o comissário Alexandre Coimbra, porta-voz da
PSP para as questões do Euro2004, sublinhando que é "muito
gratificante" ver que "foram largamente superadas as expectativas
iniciais".
Ao contrário do que a
PSP temia, não se registaram situações de "alteração da ordem pública"
e o maior problema enfrentado pelas autoridades policiais acabou por
ser a venda ilegal de bilhetes. De acordo com o comissário Alexandre
Coimbra, até sexta-feira tinham sido apreendidos 695 bilhetes e 25.015
euros provenientes da venda ilegal de ingressos para os jogos de
futebol.
Aliás, das 142
detenções realizadas pela PSP até essa data, 69 deveram-se à venda
ilegal de bilhetes e especulação do seu valor. Ainda segundo o
porta-voz da PSP, dos 142 detidos, 27 eram ingleses, 23 alemães, 19
portugueses, 14 romenos, sete franceses, cinco russos, cinco suíços e
cinco croatas, entre outros.
Na "receita" para os
bons resultados alcançados estão dois "ingredientes": "50 por cento do
trabalho de todos os elementos da PSP e 50 por cento do comportamento
dos adeptos e do 'fair-play' que demonstraram", disse o comissário
Alexandre Coimbra.
Outro dos factores
que, para o porta-voz da PSP, foi também "fundamental" para o êxito da
operação de segurança realizada no âmbito do Euro2004 foi o trabalho
dos "'spotters' e oficiais de ligação" dos países que participaram no
campeonato.
"Com os adeptos
estrangeiros vieram sempre polícias de cada país", explicou o
responsável, adiantando que só de Inglaterra deslocaram-se 25
elementos.
Desde o início do
Euro2004, a GNR fez 70 detenções relacionadas com o campeonato de
futebol, 69 das quais na primeira semana. Cinquenta e quatro dos
detidos são de origem inglesa, outros seis são russos, três espanhóis,
dois gregos, um português, um holandês, um sueco, um suíço e uma
cidadã romena.
Para a final do
Euro2004, que se disputa amanhã, a partir das 19h45, no Estádio da
Luz, em Lisboa, entre a selecção portuguesa e a selecção grega, a PSP
e a GNR não montaram nenhuma operação especial, mas apelam a todos os
adeptos para que o clima de "fair-play" continue a imperar.
A PSP apela ainda aos
adeptos que pretendam participar no cordão humano que deverá ligar o
final da Ponte Vasco da Gama ao Estádio da Luz, como forma de apoio à
selecção, num percurso de nove quilómetros, que não causem
interrupções de trânsito.

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Falso alarme de bomba no jogo de
Portugal |
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PSP registou falso
alarme no Metro de Lisboa
A PSP registou
quarta-feira, no âmbito do Portugal-Holanda, um falso alarme de bomba
no Metro de Lisboa, «alguns desacatos» devido a «excesso de euforia»,
dois atropelamentos e cinco detenções, informou a polícia.
Relativamente ao alarme de bomba, feito ao início da tarde por um
homem e que se veio a revelar falso, a PSP procedeu a uma «vistoria
discreta» no Metro, não tendo sido necessária a evacuação do local.
Os desacatos
referidos pelo porta-voz da Direcção Nacional da PSP, comissário
Coimbra, foram registados em diversos pontos da cidade de Lisboa, não
passaram de «escaramuças e arremesso de pedras a viaturas que
festejavam a vitória de Portugal» e foram prontamente travados por
esta força de segurança. Já os atropelamentos ocorreram por volta das
03:40, na Avenida 24 de Julho, tendo as vítimas - duas cidadãs
espanholas - sido transportadas para o Hospital de São José, uma delas
em estado grave.
No total foram
detidas cinco pessoas, entre as quais três ingleses, um português e um
angolano. Os ingleses, com 16, 41 e 44 anos, foram detidos por venda
ilegal de bilhetes e especulação do preço, na Praça da Figueira, em
Lisboa, tendo-lhes sido apreendidos nove títulos para as meias-finais,
1.615 euros e 1.220 libras inglesas. Um português, de 21 anos, foi
detido no Marquês de Pombal, em Lisboa, por roubo de telemóvel, e um
angolano, de 18 anos, por permanência ilegal no país. O comissário
Coimbra contou que o angolano se dirigiu de forma injuriosa a um
suposto adepto da Holanda, que na realidade era um polícia à paisana,
tendo sido detido por esse facto. Contactado depois o Serviço de
Estrangeiros e Fronteiras, a PSP verificou que o jovem tem um mandado
de expulsão do país.
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PSP já apreendeu 684 bilhetes
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E 23
mil euros provenientes de venda ilegal
A PSP apreendeu, desde o início do Euro2004, 684 bilhetes e 23.400
euros provenientes de venda ilegal, sendo que este crime tem sido
cometido principalmente por portugueses, ingleses, alemães e romenos,
segundo o Comissário Alexandre Coimbra.
No balanço feito à actuação da PSP durante as duas primeiras semanas
do europeu de futebol, altura em que decorreram 21 jogos sob a
responsabilidade desta força de segurança, 17 dos quais considerados
de risco significativo, foram registadas 136 detenções e 95
identificações.
Quanto aos crimes que deram origem às detenções, a PSP destaca 66
casos por venda ilegal de bilhetes (49 por cento), 16 por furto e
roubo (12 por cento), 13 por injúrias e agressão (10 por cento), 10
por moeda falsa (sete por cento) e 10 por distúrbios (sete por cento).
Já a realidade das identificações é diferente: 29 dos casos registados
devem-se a distúrbios (31 por cento), 21 a venda ilegal de bilhetes
(22 por cento) e 17 a furto e roubo (18 por cento).
O que leva à detenção ou identificação de indivíduos por venda ilegal
de bilhetes prende-se com o facto de estes especularem, ou não, o
preço dos títulos.
Relativamente aos detidos, a PSP especificou que 25 são alemães, 24
ingleses, 19 portugueses, 14 romenos, sete franceses, cinco russos,
cinco suíços e cinco croatas.
Dos cidadãos identificados, 22 são ingleses, 21 portugueses, 13
italianos, oito alemães e sete romenos.
O comissário Alexandre Coimbra considerou que a missão da PSP,
«garantir as condições de segurança» e «contribuir para um ambiente de
concórdia e bem-estar», resultou «em pleno» durante estas duas
semanas.
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Segurança - CM acompanha policiamento por toda a Lisboa
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A VITÓRIA PELOS
OLHOS DA PSP |
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A constatação, em
jeito de lamento, chega perto do final do Portugal-Inglaterra. “Há um
rádio à nossa frente, uma televisão atrás de nós e estamos a duzentos
metros do Estádio. Mas não sabemos o que se passa em campo”, diz
desanimado um dos elementos da PSP destacado para a estação de Metro
do Alto dos Moinhos, cansado de escutar os festejos sem perceber qual
era a festa.
Mas catorze pénaltis
depois, tal como centenas de polícias por toda a Lisboa, ergue os
braços, aperta a mão aos colegas e respira fundo. Finalmente.
“Ganhámos. Agora é trabalhar.”
Os ingleses aparecem
logo de seguida. Os primeiros adeptos são como gotas de chuva que
anunciam a tempestade. Ao fim de duas horas de ruas sem trânsito nem
peões, a Linha Azul estava prestes a ser invadida. “Vamos limitar o
acesso à estação a uma entrada, de modo a que a outra possa servir
como possível evacuação”, explicou um responsável da PSP ao CM – que
acompanhou a Polícia em noite de festa.
O fim do jogo de alto
risco vigiado ao milímetro coincide com um dos momentos críticos para
o dispositivo de segurança: a saída dos adeptos. O grosso dos meios –
cavalaria da GNR, Corpo de Intervenção (CI) e Secções de Intervenção
Rápida (SIR) da PSP – chega quinze minutos antes dos noventa. “Os
elementos estão lá, no trajecto do estádio até ao Metro, prontos a
actuar. Mas aposta-se, acima de tudo, na dissuasão.”
Os ingleses, em
silêncio e passo acelerado, dão uma ajuda, indiferentes às bandeiras,
aos gritos e às buzinadelas dos portugueses. Em pouco mais de uma
hora, a calma regressa ao Alto dos Moinhos. A festa de Portugal já
começou na zona do Marquês.
Cortar o trânsito. No
rádio da polícia só se fala disso. Até esta hora, e passa pouco das 23
horas, a situação mais tensa ocorreu na zona das Docas, junto ao Tejo,
quando as SIR foram obrigadas a intervir para acalmar os ânimos entre
portugueses e ingleses que assistiam ao jogo no écrã gigante de um
bar.
CARROS E BUZINADELAS
“A festa portuguesa é
isto. Carros, pessoas a andar para cima e para baixo na rua e muitas
buzinadelas”, grita o polícia, numa Avenida da Liberdade repleta de
adeptos. A multidão começa no Marquês de Pombal, mas a polícia quase
não se vê até aos Restauradores, excepção feita aos elementos do
trânsito. O evoluir da situação é acompanhado à distância, mas ao
pormenor, e as fardas só aparecem em caso de necessidade.
Mas invisível não
significa inexistente, algo que se percebe melhor no Rossio. ‘Spotter’
é a designação técnica para os polícias, portugueses e estrangeiros,
que se misturam com os adeptos à procura de focos e elementos
potencialmente perigosos. Junto à fonte, no meio de portugueses e
ingleses, estão dois: calças de ganga, t-shirt e boné. Como se
distinguem na multidão? São os que olham para todos, quando todos
olham para outra coisa qualquer.
Do centro para a
periferia sem sair do Rossio, depois dos ‘spotters’, que estão com os
adeptos, há elementos à civil da PSP espalhados pela Praça D. Pedro IV
e, num terceiro perímetro, o CI e as SIR. Às 23h30, o dispositivo é
testado, quando um português rasga a bandeira de Inglaterra. Os
ingleses reagem e, em segundos, há dois grupos quase frente a frente.
Cabe à PSP ficar no meio. “Tínhamos de evacuar alguém e foi o que
fizemos com os ingleses”, explica um responsável policial. Minutos
depois, um inglês atira um caixote de lixo ao chão, à procura do
telemóvel que, diz, lhe foi roubado pelo homem que um agente segura
pelo braço. O inglês e o acusado seguem para a esquadra. O lixo ainda
fica por ali algum tempo. Há mais um inglês por terra, desta vez
ferido na cabeça. “OK!”, diz, a recuperar de uma queda empurrada pelo
álcool.
Aos poucos, o
efectivo policial colocado no Rossio começa a deslocar--se para o
Bairro Alto, acompanhando o movimento natural dos adeptos. “Está muita
gente por lá e vamos reforçar a segurança.” São quase cinco da manhã e
as ruas continuam repletas de gente. “A nível de ocorrências, não há
nada fora do normal a registar.” A Direcção Nacional da PSP confirma
isso mesmo, ao início da manhã. “O policiamento desportivo decorreu
sem problemas e não se registaram alterações de ordem pública nem
antes nem depois do jogo.”
POLÍCIA APELA AO CIVISMO DAS PESSOAS
A Polícia de
Segurança Pública apelou ontem aos portugueses para que não estraguem
a festa do Euro’2004 e elogiou o ambiente de “civismo” e “fair--play”
com que os adeptos das diferentes selecções têm assinalado as vitórias
e derrotas das suas respectivas equipas de futebol no campeonato. Este
apelo, feito pelo Comissário Alexandre Coimbra, porta-voz da Direcção
Nacional da PSP, surgiu na sequência de alguns focos de tensão
registados entre portugueses e ingleses depois do jogo que
quinta-feira afastou a Inglaterra das meias-finais do Euro’2004.
Segundo o responsável
da PSP, foram registados alguns momentos de tensão, prontamente
resolvidos por esta força de intervenção, na Fan Zone do Parque das
Nações, no Rossio e nas Docas, tudo em Lisboa. Maioritariamente, os
problemas registados na madrugada de ontem deveram-se a adeptos
portugueses que, confiantes, provocaram verbalmente ingleses, que por
sua vez lhes arremessaram garrafas. No entanto, e na área da PSP, o
maior ilícito até agora registado tem sido a venda ilegal de bilhetes.
A Polícia já apreendeu mais de 600 ingressos e deteve dezenas de
vendedores.
TRIO AGREDIU AGENTES NO CENTRO DE VISEU
A PSP de Viseu deteve
ontem de madrugada, naquela cidade, três adeptos portugueses por
injúrias e agressões a agentes de autoridade quando comemoravam de
forma excessivamente efusiva a vitória de Portugal sobre a Inglaterra,
no jogo dos quartos-de-final do Euro’2004. A PSP teve de intervir já
que os detidos faziam parte de um grupo que vandalizava automóveis. O
comandante da PSP de Viseu, Simões de Almeida, disse à Lusa que os
homens, de 20, 24 e 48 anos, estavam a celebrar o apuramento da
selecção das quinas para as meias-finais do Euro’2004 no centro da
cidade, no espaço público.
Segundo Simões de
Almeida, “havia muita euforia, que resultou em pequenos danos na
propriedade privada, nomeadamente em carros”. Perante a situação,
cerca da 01h50, os agentes tiveram de intervir “e houve um grupo mais
eufórico que reagiu e foi detido”, acrescentou. Os três adeptos
portugueses foram ontem de manhã ouvidos no Tribunal de Viseu. Estas
detenções não mancharam, no entanto, a grande festa que levou milhares
de pessoas às ruas de Viseu.
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Polícia britânica
considera que vitória inglesa aumenta risco de desacatos |
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O responsável da polícia britânica
que se encontra em Portugal a propósito do Euro 2004, David Swift,
reconheceu hoje que o maior risco no jogo de hoje entre Inglaterra e
Portugal é a vitória inglesa.
Segundo o
responsável, a experiência tem demonstrado que, em caso de derrota, os
adeptos são mais ordeiros, daí que a maior preocupação da polícia
britânica seja a vitória da selecção inglesa.No entanto David Swift
mostrou-se confiante na actuação das autoridades portuguesas.
O responsável falava
à comunicação social na embaixada do Reino Unido em Lisboa, onde
jornalistas portugueses e de outras nacionalidades tomaram
conhecimento das principais preocupações das autoridades e
responsáveis ingleses para o jogo de hoje, às 19h45, no Estádio da
Luz. David Swift enalteceu o bom relacionamento entre as polícias
portuguesa e inglesa, tendo revelado que se encontram em Portugal 25
agentes ingleses. O objectivo do trabalho destes 25 agentes é
sobretudo aconselhar e ajudar as autoridades portuguesas. A polícia
inglesa não pode fazer detenções em Portugal, apenas pode recolher
informações relativamente aos adeptos que causem desacatos.Os últimos
dados da embaixada inglesa indicam que, no Estádio da Luz, deverão
estar hoje 26 mil adeptos ingleses, o mesmo número esperado de
portugueses.
Embaixadora britânica
espera "magnífica festa de futebol"
Por seu lado, a
embaixadora britânica em Portugal, Glynne Evans, afirmou que "todos os
jogos em que participa a selecção inglesa são de risco", mas disse
esperar que o jogo desta noite seja uma "magnífica festa de futebol".
Sobre os riscos de uma partida como a que se disputa hoje, Glynne
Evans manifestou-se confiante no bom comportamento dos ingleses, bem
como na actuação das forças de segurança portuguesas. Em relação aos
desacatos que na primeira semana do Euro 2004 se registaram em
Albufeira, Algarve, envolvendo cidadãos ingleses, a embaixadora disse
lamentar, mas esclareceu que se tratou de "uma pequena maioria, que
não estava ligada ao futebol".Glynne Evans lamentou igualmente a morte
do cidadão inglês que na madrugada de terça-feira foi esfaqueado na
Rua Augusta, em Lisboa, elogiando a este propósito a actuação do
Instituto Nacional de Emergência Médica no seu socorro.
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