DOSSIÊ EXTRA N.º 6 - EURO 2004

 
     
     
  Estudo inglês elogia PSP , por Elsa Costa e Silva in DN de 05 de Novembro de 2005  
  Modelo de policiamento do EURO 2004 foi «um sucesso», diz estudo , in Diário Digital/Lusa de 28 de Janeiro de 2005  
  Polícias discordam de contas do Euro , in JN de 09 de Julho de 2004  
  MAI louva forças de segurança e empresas privadas , in PD de 06 de Julho de 2004  
  Somos um País Moderno e Seguro , por Rui Pires Santos in CM de 06-JUL-2004  
  OS SINDICATOS DEVIAM TER TIDO MAIS PONDERAÇÃO , por Carlos Varela in CM de 06-JUL-2004  
  Empresas de segurança querem felicitações do Governo , in PD de 06 de Julho de 2004  
 

Medalha de Ouro Para a Segurança , in CM de 06 de Julho de 2004

 
  Polícias reivindicam o mérito e apontam o dedo à tutela , por Carlos Gomes in JN de 06 de Julho de 2004  
  Um campeonato tranquilo , por Claudia Lima da Costa in PD de 05 de Julho de 2004  
 

Governo atribui medalha a forças de segurança , in PD de 05 de Junlho de 2004

 
  Quatro detidos no fecho do campeonato , Miguel Marujo in PD de 05 de Junlho de 2004  
  PSP Desaconselha Realização de Cordão Humano , in Publico de 04 de Julho de 2004  
  PSP Quer Hoje Dia do Euro Sem Carros , in Publico de 04 de Julho de 2004  
 

SEF barrou cinco mil estrangeiros , in JN de 04 de Junho de 2004

 
 

Segurança no Euro2004: Polícia diz que as expectativas foram superadas , Lusa - Publico de 03 de Julho de 2004

 
 

Falso alarme de bomba no jogo de Portugal , in PD de 01 de Julho de 2004

 
  PSP já apreendeu 684 bilhetes , in PD de 26 de Junho de 2004  
  A VITÓRIA PELOS OLHOS DA PSP  , por Ricardo Marques in CM de 26 de Junho de 2004  
 

Polícia britânica considera que vitória inglesa aumenta risco de desacatos . in Publico Online de 24 de Junho de 2004

 
  LISBOA EM ESTADO DE SÍTIO , Carlos Varela / Sérgio A. Vitorino   
  Embaixadora do Reino Unido iliba polícia portuguesa na morte de adepto , por Francisco Cruz in Diário Digital de 24 de Junho de 2004  
  Polícia inglesa «impressionada» com colegas portugueses , por Francisco Cruz in Diário Digital de 24 de Junho de 2004  
  Aljubarrota XXI , por Luís Manuel Teixeira Gomes dos Santos in Expresso-online de 23 de Junho de 2004  
  Adepto inglês morto em Lisboa , por Lisete Reis de 22 de Junho de 2004  
  84 detidos esta semana , in PD de 20 de Junho de 2004  
  Ingleses Expulsos Queixam-se da Polícia Portuguesa , in Publico de 19 de Junho de 2004  
  IGAI vigia acções da GNR em Albufeira , por Lisete Reis in PD de 19-JUN-2004  
  UEFA satisfeita com civismo dos adeptos nos estádios , por Lusa/Cristina Cardoso in PD de 18 de Junho de 2004  
  PSP confisca 169 bilhetes , in PD de 18 de Junho de 2004  
 

Ministro dá nota alta às forças de segurança , in PD de 17 de Junho de 2004

 
  Albufeira: «líder das tropas» vai dois anos para a cadeia , in PD de 17 de Junho de 2004  
  Segurança em Albufeira pode ser reforçada , in PD de 17 de Junho de 2004  
  Euro2004: Mais de 100 adeptos detidos , por Lisete Reis in PD de 16-JUN-2004  
  Polícia portuguesa tem de ser «dura» com adeptos, pede Blair , in PD de 16 de Junho de 2004  
  PSP reforça segurança para jogo Portugal-Rússia , in PD de 16 de Junho de 2004  
  Pequena Batalha Campal na Noite de Albufeira , por Idálio Revez in Publico de 16-JUN-2004  
  Segunda noite de confrontos entre adeptos ingleses e polícia , por Lusa/Publico de 16-JUN-2004  
  UEFA desvaloriza distúrbios no Algarve . in PD de 15-JUN-2004  
  Adeptos alemães «desordeiros» deverão ser expulsos , por Cláudia Lima da Costa com Bruno Martins in Portugal Diário de 15 de Junho de 2004  
  Confrontos em Albufeira fazem 16 feridos e 14 detidos , por Lusa/Publico de 15 de Junho de 2004  
  Lisboa - Agentes destacados com 50% de ajudas de custo , por Alexandra Serôdio in JN de 14-JUN-2004  
  Polícias recebem menos por horas extra no Euro , por Alexandra Serôdio in JN de 14-JUN-2004  
  Primeiros dois jogos decorreram no Porto e em Faro , in Publico de 13 de Junho de 2004  
  Hooligan expulso de Portugal , por Lisete Reis in Portugal Diário de 13 de Junho de 2004  
  Segurança reforçada depois de confrontos no Rossio , in Diário Digital de 13 de Junho de 2004  
 

PSP faz balanço positivo do primeiro dia do EURO´2004 , in Diário Digital de 13 de Junho de 2004

 
  600 agentes fazem segurança de Lisboa , in PD de 13 de Junho de 2004  
  Desacatos entre ingleses e portugueses , Publico de 13 de Junho de 2004  
  Agressões: Ingleses Detidos no Bairro Alto , por Lusa/Publico de 13-JUN-2004  
  Aveiro - Comando põe polícias a trabalhar sem folgas , por Alexandra Serôdio e Jesus Zing in JN de 13 de Junho de 2004  
     
 

Euro 2004 Segurança de sucesso foi "discreta"
Estudo inglês elogia PSP

 

 

Low profile da polícia explica os poucos incidentes, apesar dos 'hooligans'

A presença discreta da PSP durante a realização do Euro 2004 esteve na origem do sucesso do evento em termos de segurança. Esta é a principal conclusão de um estudo realizado por uma instituição inglesa sobre hooliganismo e a actuação policial portuguesa durante o campeonato europeu em Junho e Julho do ano passado. Low profile, a estratégia adoptada, parece ser a palavra de ordem para evitar grandes incidentes. A presença aparatosa da polícia só incentiva o confronto.

O relatório do estudo - terminado no mês passado e realizado pelo Economic and Social Research Center, um dos maiores centros ingleses financiado por fundos públicos - salienta que é importante impedir pessoas já identificadas como "arruaceiras" de viajar, mas uma postura amigável e firme da polícia é essencial, assim como "lidar com os adeptos a partir do seu comportamento e não da sua reputação".

Clifford Stott, da Universidade de Liverpool e um dos investigadores responsáveis pelo estudo, afirmou ao DN que "Portugal fez um excelente trabalho" e que os resultados da investigação foram disponibilizados à UEFA e às autoridades alemãs, que estão agora a organizar o campeonato mundial de 2006. "É o nosso desafio desenvolver políticas de segurança", assegurando ainda que a estratégia portuguesa seguida pela PSP foi bem sucedida e deverá ser adoptada no futuro.

Numa situação de risco normal, apenas foi usada uma proporção de quatro agentes fardados para cem adeptos. Os uniformes eram normais, sem equipamento mais pesado, e o objectivo destes policiais era o de observar o comportamento dos adeptos. A polícia de intervenção estava perto, mas deliberadamente fora de visão. Foi ainda usado de forma extensiva a presença de polícias à civil. "Durante o Euro 2004, quase não se registaram incidentes ou desordens nas nossas observações de áreas controladas pela PSP", explica Clifford Stott.

Quando os ingleses foram tratados como adeptos e não hooligans, assumiram-se como estando do mesmo lado da polícia e partilhando o mesmo interesse pela segurança. Ou seja, perante o "low profile" da polícia, era mais provável que se opusessem a eventuais problemas causados por outros. Os incidentes de Albufeira - área sob a jurisdição da GNR que não usou as mesmas tácticas que a PSP - são mais uma prova. Os guardas, explicam, não foram capazes de estabelecer os limites do comportamento dos adeptos e distinguir os arruaceiros. Mais pessoas acabaram envolvidas e houve uma escalada de violência.

Os hooligans estiveram presentes em Portugal. Mas nas áreas de intervenção da PSP, "na maioria dos raros casos em que algo ocorreu, as intervenções foram rápidas e tiveram pouco impacto. A maioria dos adeptos nem se apercebeu que tinha havido detenções". Este estudo foi realizado a partir de inquéritos e 14 observações, efectuadas por estudantes universitários de Porto, Lisboa e Coimbra, seleccionados pela equipa inglesa. 

 
 
 

Modelo de policiamento do EURO 2004 foi «um sucesso», diz estudo

 

 

Uma presença policial pouco visível e a abordagem amigável com os adeptos, influenciando o seu comportamento, contribuíram para o «sucesso» do EURO 2004, revela um estudo internacional divulgado esta sexta-feira sobre o sistema de policiamento durante o campeonato.

«O sistema utilizado em Portugal criou um modelo para o policiamento de torneios internacionais no futuro», salienta o estudo, da autoria dos especialistas Otto Adang, da Escola de Polícia Holandesa, de Clifford Stout e de Martina Schreiber, ambos da Universidade de Liverpool.

Os três especialistas afirmaram que o sucesso da operação não se deveu à sorte, mas sim à estratégia e tácticas policiais utilizadas.

As tácticas utilizadas contribuíram para o «desenvolvimento de uma identidade comum no futebol» e para «dar poderes» aos comportamentos não violentos (auto-policiamento entre adeptos), frisou Otto Adang.

As «políticas de baixo perfil» adoptadas levaram a policiamentos equilibrados e percepcionados como legítimos pelos adeptos, disse, por seu turno, Clifford Stout.

A abordagem policial «impôs os limites comportamentais, que suportaram a identificação social não violenta e a auto-regulação dos adeptos», acrescentou o especialista inglês, considerando que a actuação da PSP foi uma acção que deu «grande mérito a Portugal».

«Foi preciso muita coragem para assumir este perfil de acção policial», salientou Otto Adang, fazendo eco de alguns comentários feitos por equipas internacionais, que salientaram ainda a «incrível acção da polícia não uniformizada».

Para tentar descrever a eficácia da polícia, Martina Schreiber leu o comentário de um adepto alemão: «Eles provocaram-nos e queriam começar uma luta. Mas antes de o conseguirem, os polícias à paisana, que estiveram lá sempre, detiveram-nos».

No entanto, apesar do sucesso da operação policial, Otto Adang alertou que muitas vezes o volume de interacção com os adeptos poderia ter criado situações de risco potenciais.

Durante o campeonato, que decorreu de 4 de Junho a 12 de Julho, apenas se registaram incidentes graves em Albufeira que levaram à detenção de adeptos ingleses.

Para os especialistas, estes incidentes poderão ter atingido maiores proporções devido à estratégia policial utilizada.

«A ausência de opções tácticas está associada com os incidentes de desordem em Albufeira», sustenta o documento.

Presente na divulgação do estudo, o secretário de Estado- adjunto da Administração Interna, Nuno Magalhães, sublinhou que o «modelo civilista» utilizado foi um «enorme sucesso e que permitiu ser um produto de exportação para outros países».

«Fomos capazes com o modelo civilista utilizado, em que as forças de segurança e a polícia estavam presentes, sobretudo numa perspectiva de cooperação e colaboração com os adeptos, ter um nível de incidentes quase nulo», frisou.

Nuno Magalhães revelou que vários países como a Alemanha, que organiza o Mundial de 2006, a Áustria e a Suíça, que organizam o Europeu 2008, e a África do Sul, que organiza o Mundial de 2010, já contactaram Portugal para importar este modelo de policiamento.

O estudo, divulgado no Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna, em Lisboa, foi realizado a pedido da PSP pela Universidade de Liverpool em colaboração com a Academia de Polícia da Holanda e foi baseado na investigação prévia do Mundial 98, Euro 2000 e os jogos da Liga Campeões 2002-2004.

 

 
Polícias discordam de contas do Euro
 

O Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP) acusou, ontem, a Direcção Nacional (DN) da PSP de não estar a cumprir o acordo estabelecido relativamente ao pagamento das horas extras efectuadas durante o Euro2004. "As horas estão a ser pagas como policiamento desportivo (9,55 euros à hora) e não como ficou acordado, a 10,75 euros", explicou o presidente do SPP. Segundo António Ramos, "esta situação está a causar mau estar e revolta entre polícias, porque se sentem enganados".

Num comunicado, o SPP lembra ainda que "milhares de polícias estão há mais de três anos à espera das promoções", enquanto a DN acaba de nomear seis superintendentes-chefes, e volta a relembrar a inexistência de um seguro de vida ao polícias, "já tantas vezes prometido".

O chefe de gabinete do director nacional da PSP garante "haver um mal entendido", relativamente à questão do pagamento das horas efectuadas durante o Euro 2004. Segundo o comissário Coimbra, "o que ficou estabelecido é que as horas feitas a mais seriam pagas a 10,75 euros, e é isso que será pago". Explica ainda que "o pessoal que foi nomeado para os estádios irá receber 9,55 euros, dado que se tratou de um policiamento desportivo e a verba a ser paga é essa".

Relativamente às promoções, o responsável admite haver "um atraso de caracter administrativo e legal", e que tem a ver com "as reclamações que os próprios candidatos candidatos apresentam". As promoções dos seis superintendentes-chefes, cujo despacho saiu em Diário da República de 2 de Junho, "resultaram de um concurso que tinha seis vagas". 

 
 
MAI louva forças de segurança e empresas privadas
 

Segurança privada tinha lamentado a falta de reconhecimento do Governo  

O ministro da Administração Interna agradeceu e louvou esta quarta-feira o esforço de todos os que contribuíram para a segurança do Euro-2004, incluindo as empresas de segurança privada, que tinham lamentado a falta de reconhecimento do governo.  

O governo reuniu hoje os responsáveis dos serviços de segurança do Estado e entregou um louvor a cada, atribuindo-lhes a medalha de ouro dos Serviços Distintos de Segurança Pública.  

Foram distinguidos o SNBPC (Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil), o SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras), do SIS (Serviços de Informações e Segurança), a PSP, a GNR e o Gabinete Coordenador de Segurança.  

No discurso, Figueiredo Lopes, que não respondeu a perguntas dos jornalistas, estendeu os agradecimentos a outros funcionários, ligados a outros Ministérios, como a Polícia Judiciária e as forças que integram o sistema de Autoridade Marítima e a Autoridade Aeronática, e às Forças Armadas.  

"É com muito gosto que manifesto também o nosso apreço e merecido reconhecimento às empresas de segurança privada, que pela primeira vez no nosso país lançaram os Assistentes de Recinto Desportivo, cujo trabalho dentro dos Estádios se revelou muito eficiente e bem organizado", acrescentou Figueiredo Lopes.  

Empresas privadas de segurança lamentaram terça-feira que o Governo não tivesse reconhecido o trabalho dos Assistentes de Recinto Desportivo, que estiveram aos milhares nos estádios onde decorreram jogos do Euro.  

Hoje, Figueiredo Lopes, além de os englobar, fez também um agradecimento especial ao secretário de Estado da Administração Interna, Nuno Magalhães, o responsável pela supervisão de todo o sistema de segurança do Euro-2004.  

Um trabalho de dois anos e três meses que culminou "na maior operação de segurança alguma vez realizada" em Portugal, disse Nuno Magalhães.  

Lembrando a criação de nova legislação, as reuniões que levaram ao Plano Global de Segurança, a aquisição de novos equipamentos, que custaram 16,5 milhões de euros, a formação e treino de pessoas e todo o trabalho que levou ao Euro-2004, Nuno Magalhães concluiu que "a chave do sucesso" foi "a competência, a dedicação e a cooperação".  

O Euro-2004 foi considerado unanimemente um êxito em matéria de segurança.  

 
 
Balanço: Arnaut destaca imagem deixada por Portugal
SOMOS UM PAÍS MODERNO E SEGURO
 

José Luís Arnaut, ministro Adjunto do primeiro-ministro, fez ontem um balanço muito positivo à organização do Euro'2004, congratulando-se com a excelente imagem que passou de Portugal para a Europa e para o Mundo.  

"Fomos capazes de realizar o terceiro maior evento mundial e demos uma imagem de um País moderno que sabe organizar grandes eventos. Por isso, podemos dizer, que terminado o Euro, Portugal teve sucesso", referiu Arnaut em conferência de Imprensa, destacando a imagem que o País passou ao Mundo.

"Mostrámos ao Mundo uma grande Selecção e um País em festa. A competição foi conhecida por todos como um modelo de organização e ajudou a mostrar a marca Portugal, um país moderno, seguro e que sabe receber as pessoas. Aliás, a segurança era essencial, mas mostrámos capacidade e respondemos muito bem", salientou o ministro, agradecendo o empenho de todos.

"Queria deixar um agradecimento especial às forças de segurança, a GNR, a PSP, o SEF, a PJ, a todos pelo serviço notável que prestaram ao País. Tenho de agradecer também aos portugueses pela sua disponibilidade e adesão ao Europeu".

E em fase de balanço Arnaut não deixou de abordar o principal cavalo de batalha do Governo para a organização do evento: os custos. "Tivemos sempre como principal orientação não gastar nem mais um tostão do que aquilo que estava estabelecido. Cumprimos com rigor e transparência, naquela que foi a obra pública mais auditada se sempre".

NOVO DESAFIO NO HORIZONTE

O ministro Adjunto do primeiro-ministro não se cansou de elogiar as capacidades organizativas que o nosso país revelou e referiu mesmo que Portugal está preparado para realizar grandes competições. Mas quando confrontado com o próximo evento a que Portugal se pode candidatar, Arnaut recusou. "Jogos Olímpicos de 2012? Neste momento ainda estou a fazer o balanço do Euro'2004", afirmou.

IMPACTE EM OUTUBRO

Por conhecer estão ainda os resultados do impacte económico do Europeu. Segundo adiantou Arnaut, o estudo está a ser feito por um grupo de universidades e será divulgado em Outubro próximo. Mas, para já, as estimativas apontam para números bastantes positivos.

NÚMEROS

RECORDE NA FINAL

A final do Europeu foi a que mais espectadores registou num estádio. Na Luz estiveram 62.865 pessoas com a competição a registar um total de 1.165.389 espectadores.

INEM SEM DESCANSO

Ao longo do Europeu, o INEM realizou 2003 intervenções, numa média de 65 por jogo. Cerca de 70 por cento foram realizadas no interior dos recintos e 30 por cento nas imediações dos mesmos.

O encontro em que o INEM realizou mais intervenções foi na partida da final entre Portugal e a Grécia, quando se registaram 156 assistências.

METRO BATE RECORDES

O metro revelou-se ao longo do Europeu como o principal meio de transporte para os estádios, tendo conduzido aos recintos cerca de 40 por cento dos adeptos. Em Junho, cerca de 14 milhões de passageiros utilizaram o metro, o que representa um acréscimo de mais de dois milhões relativamente ao mesmo período do ano passado.

RESTAURAÇÃO EM BAIXA

Os resultados do sector da restauração estiveram abaixo das expectativas. Para isso, terá contribuído o horário dos jogos (19h45) perto da hora do jantar, que fizeram com que os portugueses ficassem a ver os jogos em casa ou nas ‘Funzones’ e os estrangeiros se deslocassem para os bares e zonas de animação.

 
 
OS SINDICATOS DEVIAM TER TIDO MAIS PONDERAÇÃO

Na hora da vitória e da recolha dos louros, o secretário de Estado da Administração Interna e responsável pela segurança do Euro, Nuno Magalhães, evita as palavras e expressões mais duras e opta por críticas menos directas, mesmo quando aborda os sindicatos e associações das forças de segurança.

 

E no momento em que tanto se fala do novo governo não esquece e salienta os papéis de Figueiredo Lopes e José Arnaud, companheiros de coligação. Quanto às rivalidades entre as forças de segurança reduze-as ao amor à camisola

Correio da Manhã - Qual é o balanço que faz do Euro?

Nuno Magalhães - É um balanço positivo na área que me competiu, da qual fui incumbido por determinação do senhor ministro da Administração Interna. Faço um balanço positivo, que aliás já foi reconhecido internacionalmente. Quer pela própria UEFA quer por vários governos europeus, que escreveram ao senhor ministro da Administração Interna a felicitá-lo pela forma extraordinária como a segurança foi organizada. Inclusive ministros do Interior de vários estados da Federação alemã solicitaram audiências pedindo a Portugal também cooperação, informação e formação e partilha de experiências para a organização do Mundial de 2006.

- Mas essa eficácia de segurança de que fala era já esperada pelos parceiros europeus, ou eles mostraram-se surpreendidos?

- Obviamente que confiavam. Nós tivemos sempre um reflexo de confiança da parte da UEFA e por parte dos Estados da União Europeia. Faço um balanço positivo, como aquilo que até já foi apelidado como o campeonato do fair-play.

- Mas nem tudo correu bem. A GNR, por exemplo, considera ter sido preterida na atribuição de verbas em relação à PSP.

- Como sabe, a PSP tinha sete dos dez estádios do Euro 2004. Ou seja, parte da segurança incidiu muito em áreas da PSP, nomeadamente as áreas dos estádios e de grandes aglomerações de adeptos. Obviamente, que a GNR teve um papel fundamental, como a segurança dos árbitros, das equipas nos locais onde estagiavam e até nos locais de divertimento e lazer, como foi o caso de Albufeira, e outra área também que se calhar passou despercebida, que foi a sinistralidade rodoviária.

- No entanto, os incidentes mais graves ocorreram nas áreas de lazer e não dentro dos estádios, aliás, como a GNR previa.

- Exactamente. Eu próprio já o disse, mas os incidentes ocorreram também em áreas da PSP. Aliás, os primeiros incidentes, eficazmente resolvidos, ocorreram precisamente no Rossio. A distribuição de verbas, e isto é importante que se diga, foi atingida por força de uma determinação conjunta entre o Ministério da Administração Interna, a Direcção Nacional da PSP e o Comando-Geral da GNR. E ao contrário do que muitas pessoas disseram, os factos comprovam que quer a GNR quer a PSP estavam bem formados e equipados.

- As associações profissionais e os sindicatos das forças de segurança disseram e dizem o contrário.

- Os factos falam por si. Algumas das questões lançadas foram desprestigiantes em relação aos próprios colegas.

- Então como é que entende as posições de crítica que foram assumidas pelas associações e sindicatos?

- Respeito muito as associações e sindicatos, mas creio que é preciso fazer uma distinção entre aquilo que são reivindicações e aquilo que é o sentido de Estado. E essas posições eram evitáveis, por algum alarme que a certa altura criaram na opinião pública portuguesa.

- Quer dizer que as associações e sindicatos das forças de segurança tiveram falta de sentido de Estado?

- Eu não disse isso, bem pelo contrário. Porque todos os elementos das forças de segurança pertencendo ou não às associações e sindicatos trabalharam de uma forma extraordinária. Penso que perante este evento e previamente ao Euro 2004, a ponderação de interesses entre aquilo que é a actividade sindical e associativa e o posicionamento em relação a algo que era extraordinário, poderia ter havido, não digo sentido sentido de Estado, mas uma maior ponderação e uma maior contenção, que eu também sei que não fácil.

PERFIL

Com 32 anos, solteiro e nascido em Luanda, Nuno Miguel Miranda de Magalhães entrou no Governo para secretário de Estado da Administração Interna pela mão do PP, onde chegou a ser presidente da Comissão Política Distrital do CDS-PP de Setúbal, e vice-presidente da comissão de Lisboa. Licenciou-se em Direito na Universidade Lusíada em 1996 e no PP trabalhou nas áreas do Trabalho e Segurança Social, Imigração e Segurança Interna.

OS TRÊS VECTORES DE UM SUCESSO

Grande parte do sucesso na segurança do Euro'2004 dependeu de três vectores de cooperação. O primeiro ao nível interno, com a Comissão de Segurança, onde estavam representadas todas as forças de segurança e a própria Polícia Judiciária, a Autoridade Marítima, a Autoridade Aeronáutica e a própria promotora do evento, a Sociedade Euro'2004, e a Sociedade Portugal 2004. Todas estas forças foram cooperando durante dois anos de forma permanente. Depois há um segundo nível ainda interno e que foi a cooperação interministerial de acompanhamento do Euro'2004, presidida pelo senhor ministro José Arnaut, e que permitiu que alguns problemas fossem resolvidos de imediato. E depois há num terceiro patamar a extraordinária cooperação externa que tivemos, que começou desde logo, muitos meses antes. Isso permitiu-nos com os nossos parceiros europeus parar um conjunto de movimentos que se podiam revelar perigosos.

O CASO DA INVASÃO DE CAMPO NA FINAL

Os estádios foram construídos de acordo com as normas da UEFA e uma das preocupações de acordo com esse conceito foi evitar as situações de esmagamento produzidas pela existência de grades, como se verificou em alguns encontros anteriores ao Euro'2004, com a morte de várias pessoas. Até porque as grades não se coadunam com o ambiente de festa. Isso traz responsabilidades acrescidas e dificuldades acrescidas a nível do controlo de possíveis invasões de campo. A entrada em campo de um adepto na final, como veio de facto a acontecer no jogo Portugal-Grécia, não pode de maneira nenhuma manchar o sucesso que também rodeou a acção dos assistentes de recintos desportivos, do promotor do evento que é a Sociedade Euro'2004. E a situação foi rapidamente controlada usando uma força proporcional ao risco, quer com os assistentes de recintos desportivos quer os elementos das forças de segurança. Foi um incidente, de maneira nenhuma o nego, mas que foi sanado da melhor forma e de uma forma positiva de segurança na resposta. O incidente não pode nem deve manchar tudo o que de bom foi feito. Houve um outro caso com um jornalista de Leste, mas que foi igualmente sanado.

QUESTÕES

MINISTÉRIO

O Ministério da Administração Interna tem sido talvez a mais sensível das pastas do actual Governo. Mas a eficácia das forças de segurança reveladas durante o Euro’2004 e inexistência de incidentes graves foi uma lufada de ar fresco.

REMODELAÇÃO

Um novo governo e um provável novo ministro não vão retirar o cariz de fragilidade e polémica ao MAI, até pela visibilidade e pelo facto de o seu funcionamento implicar directamente com a vida e segurança dos cidadãos.

Empresas de segurança querem felicitações do Governo
 

Segurança privada considera injusto que o Governo só reconheça o trabalho das forças de segurança públicas  

Os assistentes de recintos desportivos que trabalharam nos estádios durante o Euro 2004 lamentaram hoje que o Governo se tenha «esquecido» de os felicitar pelo seu trabalho durante o torneio.  

Em declarações à Agência Lusa, Jorge Leitão, presidente do Conselho de Administração da Prossegur (empresa que fez segurança ao estádio da Luz e ao de Leiria) considerou «profundamente injusto» que o Governo reconheça o trabalho das forças de segurança públicas e se «esqueça» das empresas de segurança privada.  

«A PSP, a GNR e o gabinete coordenador de segurança tiveram uma acção meritória e estão de parabéns. Mas parece-me um esquecimento lamentável que o Governo não tenha uma palavra para dirigir às empresas privadas», disse Jorge Leitão.  

Segunda-feira, o Ministério da Administração Interna anunciou que vai atribuir ao gabinete coordenador de segurança do Euro 2004 e às forças que o compõem a medalha de ouro de serviços distintos de segurança pública.  

Também os responsáveis da empresa Companhia de Segurança Privada, que foi responsável por cinco dos 10 estádios do Euro 2004, lamentaram o esquecimento do Governo e salientaram o trabalho desempenhado pelos assistentes de recinto desportivo, também chamados «stewards».  

«Não quero acreditar que a falta de uma palavra de parabéns do Governo tenha sido mais do que um lamentável esquecimento», referiu à Lusa João Martins, presidente do Conselho de Administração da Companhia de Segurança Privada, que colocou quase oito mil pessoas a trabalhar durante as três semanas do campeonato.  

«Se o país está de parabéns, se tudo correu bem, muito se deve aos stewards, que controlaram os acessos aos estádios e orientaram as pessoas», afirmou João Martins.  

O responsável considera que o Governo deveria ter endereçado também «parabéns aos sector privado» e lembra que as empresas privadas «também são tuteladas pelo Ministério da Administração Interna».  

«Nalguns dias tivemos quase mil homens a trabalhar, isso implica muito investimento e organização», frisou o responsável da empresa que teve a cargo a segurança dos estádios de Guimarães, Bessa, Aveiro, Alvalade e Faro-Loulé.  

Também Jorge Leitão, da Prossegur, referiu que «nenhuma empresa de outro ramo nem nenhum corpo institucional tiveram tantos» profissionais a trabalhar ao mesmo tempo.  

«Dos 1.200 efectivos que estiveram a trabalhar para a Prossegur nos estádios da Luz e de Leiria, só na final do campeonato estiveram 800», disse à Lusa Jorge Leitão, acrescentando ainda que a Prossegur também recrutou 35 seguranças particulares para acompanharem «algumas personalidades» durante o Euro 2004.  

 
 
MEDALHA DE OURO PARA A SEGURANÇA
 

O Ministério da Administração Interna anunciou esta segunda-feira a atribuição da Medalha de Ouro de Serviços Distintos de Segurança Pública ao Gabinete Coordenador de Segurança do Euro’2004 e a todas as forças de segurança que estiveram temporariamente sob a sua tutela, nomeadamente GNR, PSP, SEF, SIS e SNBPC. 

A eficácia da actuação das forças de segurança neste Euro’2004 tinha já sido reconhecida pela UEFA e até pelas autoridades nos países organizadores dos próximos Mundial e Europeu, que já solicitaram assistência às autoridades portuguesas. Agora foi a vez de o Ministério da Administração Interna (MAI) de Portugal distinguir os homens e mulheres das forças de segurança a cujo esforço também se deve o rótulo de melhor Europeu de sempre.

No entender o MAI, a actuação do Gabinete Coordenador de Segurança e das forças de segurança nacionais tornou “claro que a actividade da segurança interna não visa manipular ou tolher a sociedade e os cidadãos, mas pelo contrário criar as condições indispensáveis ao exercício de uma cidadania saudável”.

Os principais responsáveis pelo Gabinete Coordenador de Segurança do Euro’2004, da Polícia de Segurança Pública, da Guarda Nacional Republicana, do Serviços de Estrangeiros e Fronteiras, dos Serviços de Informação e Segurança e do Serviço Nacional dos Bombeiros e Protecção Civil recebem a medalha de ouro na próxima quarta-feira, no MAI.

 

 
Polícias reivindicam o mérito e apontam o dedo à tutela
 

"Bem podem os políticos e o ministro da Administração Interna deleitar-se com os louvores e elogios que a segurança do Euro 2004 possa merecer, mas eles vão direitinhos para os profissionais das forças de segurança, já que o Governo não poderá nunca esconder a realidade", afirma, em comunicado, a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), que dá exemplos daquilo que este sindicato classifica como "a irresponsabilidade com que a tutela da PSP menosprezou a programação da segurança" do Campeonato Europeu de Futebol.

"O Euro 2004 foi um êxito em matéria de segurança, mas isso foi fruto do profissionalismo, da entrega e do sacrifício dos polícias em prol da segurança da comunidade e da imagem do país", afirma a ASPP/PSP, que acusa os governantes de terem preferido "apostar na demagogia e em fazer passar a ideia de que seriam feitos grandes investimentos em recursos humanos e materiais nas forças de segurança".

Recordando a falta de recursos necessários e as degradantes condições de trabalho na Polícia, o Sindicato aponta, por exemplo, a forma como a tutela da PSP "fez deslocar pessoal, viaturas e equipamento de ordem pública de áreas de comandos onde não houve jogos (debilitando níveis normais de segurança das populações) para reforçar comandos directamente envolvidos na segurança do Euro 2004". A ASPP/PSP lemtra ainda a distribuição tardia de equipamentos, a insuficiência de carros para o transporte de brigadas de intervenção rápida, as sucessivas avarias nas comunicações e o planeamento tardio de operações, "obrigando a que, em todos os jogos, tivesse que haver ajustamentos mesmo em cima da hora".

A ASPP/PSP destaca o empenhamento profissional dos "oficiais da PSP que tiveram a responsabilidade de, em cada comando, organizar e coordenar a segurança dos jogos" e os elogios internacionais aos polícias portugueses.

 
 
Um campeonato tranquilo
 

Autoridades receberam 11 ameaças de bomba. Todas falsas. Cerca de 300 detidos e apenas feridos ligeiros, em confrontos, fizeram deste o Euro mais seguro de sempre.  

O Euro 2004 chegou ao fim com uma derrota e uma vitória. Da derrota desportiva sai o consolo de Portugal ter organizado o melhor campeonato europeu de futebol de sempre. E apesar dos receios e dos alertas, nomeadamente dos EUA, que avisaram que Portugal podia ser alvo de um atentado terrorista, não houve durante todo o campeonato nenhuma ameaça terrorista e os detidos não chegaram aos 300.  

O PortugalDiário juntou os relatórios diários da PSP e o balanço final da GNR e traz-lhe em primeira mão os resultados mais significativos, não desportivos, mas de segurança, do Euro 2004.  

A GNR foi obrigada a sair em alerta dez vezes devido a ameaças de bombas feitas através de telefonemas anónimos. Na maioria das vezes as equipas de binómio (homem/cão) da GNR circunscreveram as áreas em questão e não necessitaram de maiores cuidados. As ameaças eram falsas. Apenas por duas vezes o susto foi maior. A Brigada de Inactivação de Explosivos da GNR procedeu à inactivação de dois objectos suspeitos. Sem percalços. Sem feridos.  

As bombas foram uma das principais preocupações das forças de segurança. Uma das ameaças mais perigosas foi a registada no metro de Lisboa. Um descuido ou uma ameaça levada menos a sério podia significar perda de vidas. A prevenção foi uma arma. A GNR efectuou 259 buscas preventivas à procura de engenhos suspeitos. Mais de 20 buscas foram feitas recorrendo ao trabalho de subsolo.  

Os estádios, em dias de jogos e treinos, os hotéis, os comboios, os autocarros das equipas e muitos outros locais foram passados a pente fino por 13 equipas de explosivos, em todo o país, trabalhando e apoiando também os grupos de trabalho da PSP.  

Tudo isto foi conseguido com mais de 4700 militares da GNR que garantiram a segurança de todos nós. Só na protecção das áreas de serviço estiveram envolvidos 2650 soldados com mais de 600 viaturas. A escolta às selecções foi feita por 789 guardas. Já os adeptos, que chegaram de toda a Europa, estiveram sempre debaixo dos olhos da GNR, não só através dos mais de mil homens que efectuaram patrulhas aos comboios, como também recorrendo à vídeo-vigilância.  

Em todo o campeonato de futebol o crime mais cometido foi igualmente o crime com menor gravidade: A venda ilegal de bilhetes de futebol. Juntando os números da GNR e da PSP foram detidas 101 pessoas por este motivo.  

No total foram detidos 258 adeptos. Muitas destas detenções ocorreram em Albufeira onde os desacatos com as autoridades tiveram maior dimensão. De salientar que 96 eram ingleses e 28 portugueses. Os restantes arguidos tinham as mais variadas nacionalidades.  

As forças de segurança tiveram em conta todo o território nacional. Um dos momentos mais complicados de segurança foi precisamente no último dia do campeonato. Os milhares de pessoas que se juntaram na beira das estradas levaram a um planeamento de segurança como Portugal raramente viu. «Foi uma verdadeira prova de fogo. Mas a GNR conseguiu evitar qualquer problema. Nunca tinha sido feito um acompanhamento de tal dimensão», explicou fonte da GNR.  

Mas nem tudo são rosas, ou neste caso, bandeiras. A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP) emitiu um comunicado em que se congratula com o sucesso obtido na segurança do campeonato, mas lembra o Governo das dificuldades que foram feitas para que tudo corresse da melhor forma. A ASPP afirma que foram retirados vários polícias dos comandos distritais onde não existiram jogos e enviaram-nos para comandos onde existiam competições. A segurança de alguns portugueses esteve em causa, segundo o sindicato.  

Esta associação chama também a atenção para o facto de alguns equipamentos só terem chegado às mãos dos policias a meio do campeonato, nomeadamente o guia policial. Segundo o sindicato, também os rádios portáteis não estavam a funcionar e os polícias tiveram de comunicar através de telemóveis.  

 
 
Governo atribui medalha a forças de segurança
 

MAI distingue actuação dos que contribuíram para a segurança do Euro2004  

O Gabinete Coordenador de Segurança do Euro 2004 e as forças que o compõem vão ser distinguidos com a medalha de ouro de «serviços distintos de segurança pública», anunciou hoje o Ministério da Administração Interna.  

«O ministro da Administração Interna expressa o seu agradecimento, louvor e muito apreço a todos quantos contribuíram para a segurança do Euro 2004», refere um comunicado do Ministério tutelado por Figueiredo Lopes.  

Assim, a medalha de ouro de serviços distintos de segurança pública será atribuída ao Gabinete Coordenador de Segurança do Euro 2004 e às forças que estão sob sua tutela: GNR, PSP, Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Serviços de Informação e Segurança e Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil.  

«Ficou claro o empenhamento e motivação de todos os homens e mulheres que trabalharam neste grandioso projecto e assim contribuíram directamente para que o Euro 2004 fosse a tradução real da festa, do convívio e do espírito desportivo», lê-se no comunicado do gabinete de Figueiredo Lopes.  

O ministro sublinhou ainda «o salto qualitativo que representou a actuação» das forças e serviços de segurança durante o Campeonato da Europa de futebol.  

O comunicado acrescenta que «ficou claro que a actividade da segurança interna não visa manietar ou tolher a sociedade e os cidadãos, mas pelo contrário criar as condições indispensáveis ao exercício de uma cidadania saudável e respeitadora da lei e da ordem pública».  

A cerimónia da entrega da medalha de ouro aos principais responsáveis pelos serviços de segurança realiza-se quarta-feira à tarde no Ministério da Administração Interna.  

 
 
Quatro detidos no fecho do campeonato
 

Dois gregos, um português e um espanhol, que invadiu o campo  

A PSP deteve quatro indivíduos e identificou um quinto, nas últimas 24 horas do Euro2004. De acordo com o comunicado da Direcção Nacional da força policial, não se registou «qualquer incidente significativo».  

No dia anterior ao jogo, a ansiedade por um bilhete levou à confusão no Largo da Luz, em Lisboa, pelas 16h05, quando se registaram conflitos entre adeptos gregos e membros da Federação Grega de Futebol. Foi detido um indivíduo grego.  

Já ontem, dia da final inédita entre Grécia e Portugal, a PSP indicou que «o policiamento desportivo e o policiamento à cidade decorreram dentro da normalidade». Mas houve quatro detenções e uma identificação.  

O indivíduo grego identificado, de 25 anos, foi apanhado a furtar bilhetes a um cidadão brasileiro. Este optou por não apresentar queixa do cidadão da Grécia, que foi identificado e seguiu o seu destino.  

Um indivíduo grego, do sexo masculino, de 30 anos, atingiu um agente da PSP com uma pedra, também no Largo da Luz, em Lisboa. O agente não teve necessidade de receber tratamento hospitalar.  

Um português, de 23 anos, depois do jogo, foi detido depois de agredir com um murro um oficial da PSP, depois de ter sido advertido - por estar a injuriar e a provocar adeptos gregos -, para abandonar um local onde estes festejavam a vitória.  

Já durante o jogo dois indivíduos foram detidos por invasão de campo. Um grego, de 25 anos, que se entusiasmou com o golo, e um adepto espanhol, de 29 anos, que saltou da bancada do topo Sul e percorreu o campo até ao topo Norte. Só foi apanhado pelos voluntários de campo e agentes da PSP, quando se atirou contra as redes da baliza grega.  

"Jimmy Jump" assim se apelida o adepto catalão que parece ainda não ter esquecido a polémica transferência de Figo do Barcelona para o Real Madrid: quando dentro de campo agitou uma bandeira do Barcelona que atirou à cara do jogador português da equipa de Madrid. "Jimmy Jump" diz - no seu "site" - que «o seu prazer, a sua razão de ser é aparecer em qualquer acto público e superar as barreiras de entrada».  

"Jimmy", «o saltador», pôs a nu as dificuldades dos voluntários e agentes em travar adeptos mais fogosos, como já tinha acontecido no Portugal-Rússia, também no Estádio da Luz, quando um adepto russo invadiu o terreno, no momento da expulsão do guarda-redes da selecção russa.  

 
 
PSP Desaconselha Realização de Cordão Humano
 

A Polícia de Segurança Pública (PSP) desaconselhou ontem, por razões de segurança, a realização, prevista para hoje, de um cordão humano de apoio à selecção, entre a Ponte Vasco da Gama e o Estádio da Luz, em Lisboa.

"Se a intenção de criar um cordão humano passar à prática, o Comando de Lisboa desaconselha, por motivos que se prendem com a segurança", disse a comissária Isabel Canelas, do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP.

Nos últimos dias tem vindo a circular por correio electrónico um apelo para que no domingo, pelas 16h, se forme um cordão humano na Segunda Circular, entre o ramo de acesso da Ponte Vasco da Gama e o Estádio da Luz.

Trata-se de um percurso de nove quilómetros e que visa apoiar a selecção nacional na sua deslocação entre o centro de estágio de Alcochete e o estádio onde decorre a final do campeonato europeu de futebol.

Em conferência de imprensa, a comissária explicou que se trata de um itinerário com estradas muito movimentadas e com limites de velocidade perigosos.

"Caso aconteça, a polícia estará atenta, tudo fará para que o cordão de apoio à selecção se faça com segurança, mas evitem levar crianças", adiantou.

O subcomissário da Divisão de Trânsito da PSP de Lisboa, Virgílio Sá, adiantou ainda que não há certezas de qual será o itinerário da selecção. "É desaconselhável a formação do cordão, até porque nada garante que o itinerário da selecção seja pela segunda circular".

Na final do campeonato europeu de futebol, entre Portugal e a Grécia, o Estádio da Luz, em Benfica, com 65 mil lugares, deverá receber 13 mil gregos e quatro mil adeptos de outras nacionalidades, entre ingleses, americanos, holandeses e suecos. Em Lisboa estarão hoje cerca de 20 mil gregos, que deverão concentrar-se no Rossio e na Rua Augusta.

Para este jogo, a PSP mantém os mesmos conselhos de sempre: "Venha cedo, entre as cinco e as seis da tarde, tenha atenção aos carteiristas, use os transportes públicos e se não tiver bilhete não venha para o estádio".

 

 
PSP Quer Hoje Dia do Euro Sem Carros
 

 A Divisão de Trânsito da PSP de Lisboa lançou ontem um repto aos portugueses para que comemorem hoje uma eventual vitória da selecção nacional frente à Grécia realizando o dia do Euro 2004 sem carros.

"Se festejamos o dia europeu sem carros em Setembro, porque não realizar o dia do Euro sem carros? É um repto que lanço a todos", disse, em conferência de imprensa, o subcomissário Virgílio Sá. Caso a equipa portuguesa se sagre campeã e a festa volte a invadir as ruas de Lisboa, a polícia apela a que as comemorações sejam feitas apenas por pessoas. "Que seja uma festa de pessoas. São as pessoas que têm uma palavra a dizer e a festa é dirigida às pessoas e não a veículos. O que tenho visto é que há um misto de festa de pessoas e veículos, um convívio nada pacífico", acrescentou o graduado, citado pela Lusa.

Segundo o subcomissário, o automóvel é um meio perigoso e o estado de euforia das pessoas também não ajuda."Festejar sim, mas em segurança. E que segunda-feira todos estejam a festejar o que foi o Euro 2004 sem incidentes, sem vítimas a lamentar, sem quedas de pessoas das janelas, sem atropelamentos", aconselhou.

À semelhança do que ocorreu nos outros jogos do Euro marcados para Lisboa, o trânsito estará condicionado em algumas zonas. Na Segunda Circular será criado um corredor Bus no sentido Norte/Sul, entre a entrada de Lisboa e o Relógio, e no sentido oposto, entre o IC19 e o Estádio da Luz. Encerrado estará o prolongamento da Av. da Pontinha, entre a Av. Marechal Teixeira Rebelo e a Estrada Militar, enquanto a continuidade da Av. do Colégio Militar, entre a Rua Ana de Castro Osório e a Av. Lusíada, será interrompida a partir das 14h00.

Igualmente condicionado estarão os eixos Marquês do Pombal-Av. António Augusto de Aguiar, Av. dos Combatentes e Av. Lusíada e Rua Castilho-Rua Marquês da Fronteira

Até amanhã às 12h00 o troço da CRIL entre Algés e o IC19 estará também sujeito a condicionamentos.  

 

 
SEF barrou cinco mil estrangeiros
 

Fronteiras – Controlo instituído a 26 de Maio será retirado às zero horas de amanhã    

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) recusou a entrada em Portugal a 5.357 estrangeiros, entre 26 de Maio e 30 de Junho, período em foram repostos os controlos fronteiriços devido à realização do Euro 2004. 

O maior número de recusas de entrada, segundo fonte do SEF citada pela agência Lusa, registou-se no Sul do país, na área do Guadiana. Nessa zona foi recusada a entrada a 2.262 cidadãos estrangeiros, enquanto na região do Alentejo, que inclui as fronteiras do Caia, Marvão, São Lourenço e Vila Verde de Ficalho, foram efectuadas 1.540 recusas. Na região Norte (Tuy, Valença, Quintanilha) concretizara-se 598 recusas e na região Centro (Vilar Formoso e Termas de Monfortinho) 279. Nas fronteiras aéreas o aeroporto de Lisboa foi onde se registou o maior número de recusas (611), contra as 53 no Porto e as 14 de Faro. A ausência de visto ou de documento de viagem, bem como a apresentação de documentos falsos ou falsificados foram os principais motivos para as recusas de entrada. A maioria dos estrangeiros que viram a entrada em Portugal recusada foram marroquinos, seguindo-se brasileiros, romenos e paquistaneses. De entre os turistas comunitários, o maior número de recusas atingiu os espanhóis e os ingleses.Entre 26 de Maio e 30 de Junho, foram instaurados cerca de 80 processos de expulsão de Portugal a cidadãos estrangeiros, a maioria dos quais já concretizados. O Algarve foi a zona de Portugal onde se registaram mais afastamentos, devido aos desacatos ocorridos em Albufeira, envolvendo maioritariamente ingleses. 

O controlo fronteiriço, instituído a 26 de Maio, termina às zero horas do dia 5 de Julho, restabelecendo-se a livre circulação no espaço Schengen.  

 
 
Segurança no Euro2004: Polícia diz que as expectativas foram superadas
 

As autoridades policiais dizem que ao nível da segurança as expectativas foram "largamente superadas" no Euro 2004, que decorre em Portugal até amanhã. Os principais problemas foram mesmo a venda ilegal de bilhetes e alguns desacatos, mas a PSP congratula-se com a forma como correu a segurança durante o campeonato europeu de futebol. 

"Até agora correu tudo muito bem", afirma o comissário Alexandre Coimbra, porta-voz da PSP para as questões do Euro2004, sublinhando que é "muito gratificante" ver que "foram largamente superadas as expectativas iniciais". 

Ao contrário do que a PSP temia, não se registaram situações de "alteração da ordem pública" e o maior problema enfrentado pelas autoridades policiais acabou por ser a venda ilegal de bilhetes. De acordo com o comissário Alexandre Coimbra, até sexta-feira tinham sido apreendidos 695 bilhetes e 25.015 euros provenientes da venda ilegal de ingressos para os jogos de futebol. 

Aliás, das 142 detenções realizadas pela PSP até essa data, 69 deveram-se à venda ilegal de bilhetes e especulação do seu valor. Ainda segundo o porta-voz da PSP, dos 142 detidos, 27 eram ingleses, 23 alemães, 19 portugueses, 14 romenos, sete franceses, cinco russos, cinco suíços e cinco croatas, entre outros. 

Na "receita" para os bons resultados alcançados estão dois "ingredientes": "50 por cento do trabalho de todos os elementos da PSP e 50 por cento do comportamento dos adeptos e do 'fair-play' que demonstraram", disse o comissário Alexandre Coimbra. 

Outro dos factores que, para o porta-voz da PSP, foi também "fundamental" para o êxito da operação de segurança realizada no âmbito do Euro2004 foi o trabalho dos "'spotters' e oficiais de ligação" dos países que participaram no campeonato. 

"Com os adeptos estrangeiros vieram sempre polícias de cada país", explicou o responsável, adiantando que só de Inglaterra deslocaram-se 25 elementos. 

Desde o início do Euro2004, a GNR fez 70 detenções relacionadas com o campeonato de futebol, 69 das quais na primeira semana. Cinquenta e quatro dos detidos são de origem inglesa, outros seis são russos, três espanhóis, dois gregos, um português, um holandês, um sueco, um suíço e uma cidadã romena. 

Para a final do Euro2004, que se disputa amanhã, a partir das 19h45, no Estádio da Luz, em Lisboa, entre a selecção portuguesa e a selecção grega, a PSP e a GNR não montaram nenhuma operação especial, mas apelam a todos os adeptos para que o clima de "fair-play" continue a imperar.  

A PSP apela ainda aos adeptos que pretendam participar no cordão humano que deverá ligar o final da Ponte Vasco da Gama ao Estádio da Luz, como forma de apoio à selecção, num percurso de nove quilómetros, que não causem interrupções de trânsito. 

 
 
Falso alarme de bomba no jogo de Portugal
 

PSP registou falso alarme no Metro de Lisboa  

A PSP registou quarta-feira, no âmbito do Portugal-Holanda, um falso alarme de bomba no Metro de Lisboa, «alguns desacatos» devido a «excesso de euforia», dois atropelamentos e cinco detenções, informou a polícia.  Relativamente ao alarme de bomba, feito ao início da tarde por um homem e que se veio a revelar falso, a PSP procedeu a uma «vistoria discreta» no Metro, não tendo sido necessária a evacuação do local.  

Os desacatos referidos pelo porta-voz da Direcção Nacional da PSP, comissário Coimbra, foram registados em diversos pontos da cidade de Lisboa, não passaram de «escaramuças e arremesso de pedras a viaturas que festejavam a vitória de Portugal» e foram prontamente travados por esta força de segurança. Já os atropelamentos ocorreram por volta das 03:40, na Avenida 24 de Julho, tendo as vítimas - duas cidadãs espanholas - sido transportadas para o Hospital de São José, uma delas em estado grave.  

No total foram detidas cinco pessoas, entre as quais três ingleses, um português e um angolano. Os ingleses, com 16, 41 e 44 anos, foram detidos por venda ilegal de bilhetes e especulação do preço, na Praça da Figueira, em Lisboa, tendo-lhes sido apreendidos nove títulos para as meias-finais, 1.615 euros e 1.220 libras inglesas. Um português, de 21 anos, foi detido no Marquês de Pombal, em Lisboa, por roubo de telemóvel, e um angolano, de 18 anos, por permanência ilegal no país. O comissário Coimbra contou que o angolano se dirigiu de forma injuriosa a um suposto adepto da Holanda, que na realidade era um polícia à paisana, tendo sido detido por esse facto. Contactado depois o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, a PSP verificou que o jovem tem um mandado de expulsão do país.  

 
 
PSP já apreendeu 684 bilhetes
  E 23 mil euros provenientes de venda ilegal

A PSP apreendeu, desde o início do Euro2004, 684 bilhetes e 23.400 euros provenientes de venda ilegal, sendo que este crime tem sido cometido principalmente por portugueses, ingleses, alemães e romenos, segundo o Comissário Alexandre Coimbra.

No balanço feito à actuação da PSP durante as duas primeiras semanas do europeu de futebol, altura em que decorreram 21 jogos sob a responsabilidade desta força de segurança, 17 dos quais considerados de risco significativo, foram registadas 136 detenções e 95 identificações.

Quanto aos crimes que deram origem às detenções, a PSP destaca 66 casos por venda ilegal de bilhetes (49 por cento), 16 por furto e roubo (12 por cento), 13 por injúrias e agressão (10 por cento), 10 por moeda falsa (sete por cento) e 10 por distúrbios (sete por cento).

Já a realidade das identificações é diferente: 29 dos casos registados devem-se a distúrbios (31 por cento), 21 a venda ilegal de bilhetes (22 por cento) e 17 a furto e roubo (18 por cento).

O que leva à detenção ou identificação de indivíduos por venda ilegal de bilhetes prende-se com o facto de estes especularem, ou não, o preço dos títulos.

Relativamente aos detidos, a PSP especificou que 25 são alemães, 24 ingleses, 19 portugueses, 14 romenos, sete franceses, cinco russos, cinco suíços e cinco croatas.

Dos cidadãos identificados, 22 são ingleses, 21 portugueses, 13 italianos, oito alemães e sete romenos.

O comissário Alexandre Coimbra considerou que a missão da PSP, «garantir as condições de segurança» e «contribuir para um ambiente de concórdia e bem-estar», resultou «em pleno» durante estas duas semanas.
 
Segurança - CM acompanha policiamento por toda a Lisboa
A VITÓRIA PELOS OLHOS DA PSP 
 

A constatação, em jeito de lamento, chega perto do final do Portugal-Inglaterra. “Há um rádio à nossa frente, uma televisão atrás de nós e estamos a duzentos metros do Estádio. Mas não sabemos o que se passa em campo”, diz desanimado um dos elementos da PSP destacado para a estação de Metro do Alto dos Moinhos, cansado de escutar os festejos sem perceber qual era a festa.   

Mas catorze pénaltis depois, tal como centenas de polícias por toda a Lisboa, ergue os braços, aperta a mão aos colegas e respira fundo. Finalmente. “Ganhámos. Agora é trabalhar.” 

Os ingleses aparecem logo de seguida. Os primeiros adeptos são como gotas de chuva que anunciam a tempestade. Ao fim de duas horas de ruas sem trânsito nem peões, a Linha Azul estava prestes a ser invadida. “Vamos limitar o acesso à estação a uma entrada, de modo a que a outra possa servir como possível evacuação”, explicou um responsável da PSP ao CM – que acompanhou a Polícia em noite de festa. 

O fim do jogo de alto risco vigiado ao milímetro coincide com um dos momentos críticos para o dispositivo de segurança: a saída dos adeptos. O grosso dos meios – cavalaria da GNR, Corpo de Intervenção (CI) e Secções de Intervenção Rápida (SIR) da PSP – chega quinze minutos antes dos noventa. “Os elementos estão lá, no trajecto do estádio até ao Metro, prontos a actuar. Mas aposta-se, acima de tudo, na dissuasão.” 

Os ingleses, em silêncio e passo acelerado, dão uma ajuda, indiferentes às bandeiras, aos gritos e às buzinadelas dos portugueses. Em pouco mais de uma hora, a calma regressa ao Alto dos Moinhos. A festa de Portugal já começou na zona do Marquês. 

Cortar o trânsito. No rádio da polícia só se fala disso. Até esta hora, e passa pouco das 23 horas, a situação mais tensa ocorreu na zona das Docas, junto ao Tejo, quando as SIR foram obrigadas a intervir para acalmar os ânimos entre portugueses e ingleses que assistiam ao jogo no écrã gigante de um bar. 

CARROS E BUZINADELAS 

“A festa portuguesa é isto. Carros, pessoas a andar para cima e para baixo na rua e muitas buzinadelas”, grita o polícia, numa Avenida da Liberdade repleta de adeptos. A multidão começa no Marquês de Pombal, mas a polícia quase não se vê até aos Restauradores, excepção feita aos elementos do trânsito. O evoluir da situação é acompanhado à distância, mas ao pormenor, e as fardas só aparecem em caso de necessidade. 

Mas invisível não significa inexistente, algo que se percebe melhor no Rossio. ‘Spotter’ é a designação técnica para os polícias, portugueses e estrangeiros, que se misturam com os adeptos à procura de focos e elementos potencialmente perigosos. Junto à fonte, no meio de portugueses e ingleses, estão dois: calças de ganga, t-shirt e boné. Como se distinguem na multidão? São os que olham para todos, quando todos olham para outra coisa qualquer.  

Do centro para a periferia sem sair do Rossio, depois dos ‘spotters’, que estão com os adeptos, há elementos à civil da PSP espalhados pela Praça D. Pedro IV e, num terceiro perímetro, o CI e as SIR. Às 23h30, o dispositivo é testado, quando um português rasga a bandeira de Inglaterra. Os ingleses reagem e, em segundos, há dois grupos quase frente a frente. Cabe à PSP ficar no meio. “Tínhamos de evacuar alguém e foi o que fizemos com os ingleses”, explica um responsável policial. Minutos depois, um inglês atira um caixote de lixo ao chão, à procura do telemóvel que, diz, lhe foi roubado pelo homem que um agente segura pelo braço. O inglês e o acusado seguem para a esquadra. O lixo ainda fica por ali algum tempo. Há mais um inglês por terra, desta vez ferido na cabeça. “OK!”, diz, a recuperar de uma queda empurrada pelo álcool. 

Aos poucos, o efectivo policial colocado no Rossio começa a deslocar--se para o Bairro Alto, acompanhando o movimento natural dos adeptos. “Está muita gente por lá e vamos reforçar a segurança.” São quase cinco da manhã e as ruas continuam repletas de gente. “A nível de ocorrências, não há nada fora do normal a registar.” A Direcção Nacional da PSP confirma isso mesmo, ao início da manhã. “O policiamento desportivo decorreu sem problemas e não se registaram alterações de ordem pública nem antes nem depois do jogo.”

 

POLÍCIA APELA AO CIVISMO DAS PESSOAS 

A Polícia de Segurança Pública apelou ontem aos portugueses para que não estraguem a festa do Euro’2004 e elogiou o ambiente de “civismo” e “fair--play” com que os adeptos das diferentes selecções têm assinalado as vitórias e derrotas das suas respectivas equipas de futebol no campeonato. Este apelo, feito pelo Comissário Alexandre Coimbra, porta-voz da Direcção Nacional da PSP, surgiu na sequência de alguns focos de tensão registados entre portugueses e ingleses depois do jogo que quinta-feira afastou a Inglaterra das meias-finais do Euro’2004.  

Segundo o responsável da PSP, foram registados alguns momentos de tensão, prontamente resolvidos por esta força de intervenção, na Fan Zone do Parque das Nações, no Rossio e nas Docas, tudo em Lisboa. Maioritariamente, os problemas registados na madrugada de ontem deveram-se a adeptos portugueses que, confiantes, provocaram verbalmente ingleses, que por sua vez lhes arremessaram garrafas. No entanto, e na área da PSP, o maior ilícito até agora registado tem sido a venda ilegal de bilhetes. A Polícia já apreendeu mais de 600 ingressos e deteve dezenas de vendedores.

 

TRIO AGREDIU AGENTES NO CENTRO DE VISEU 

A PSP de Viseu deteve ontem de madrugada, naquela cidade, três adeptos portugueses por injúrias e agressões a agentes de autoridade quando comemoravam de forma excessivamente efusiva a vitória de Portugal sobre a Inglaterra, no jogo dos quartos-de-final do Euro’2004. A PSP teve de intervir já que os detidos faziam parte de um grupo que vandalizava automóveis. O comandante da PSP de Viseu, Simões de Almeida, disse à Lusa que os homens, de 20, 24 e 48 anos, estavam a celebrar o apuramento da selecção das quinas para as meias-finais do Euro’2004 no centro da cidade, no espaço público.  

Segundo Simões de Almeida, “havia muita euforia, que resultou em pequenos danos na propriedade privada, nomeadamente em carros”. Perante a situação, cerca da 01h50, os agentes tiveram de intervir “e houve um grupo mais eufórico que reagiu e foi detido”, acrescentou. Os três adeptos portugueses foram ontem de manhã ouvidos no Tribunal de Viseu. Estas detenções não mancharam, no entanto, a grande festa que levou milhares de pessoas às ruas de Viseu. 

 
Polícia britânica considera que vitória inglesa aumenta risco de desacatos
 

O responsável da polícia britânica que se encontra em Portugal a propósito do Euro 2004, David Swift, reconheceu hoje que o maior risco no jogo de hoje entre Inglaterra e Portugal é a vitória inglesa. 

Segundo o responsável, a experiência tem demonstrado que, em caso de derrota, os adeptos são mais ordeiros, daí que a maior preocupação da polícia britânica seja a vitória da selecção inglesa.No entanto David Swift mostrou-se confiante na actuação das autoridades portuguesas. 

O responsável falava à comunicação social na embaixada do Reino Unido em Lisboa, onde jornalistas portugueses e de outras nacionalidades tomaram conhecimento das principais preocupações das autoridades e responsáveis ingleses para o jogo de hoje, às 19h45, no Estádio da Luz. David Swift enalteceu o bom relacionamento entre as polícias portuguesa e inglesa, tendo revelado que se encontram em Portugal 25 agentes ingleses. O objectivo do trabalho destes 25 agentes é sobretudo aconselhar e ajudar as autoridades portuguesas. A polícia inglesa não pode fazer detenções em Portugal, apenas pode recolher informações relativamente aos adeptos que causem desacatos.Os últimos dados da embaixada inglesa indicam que, no Estádio da Luz, deverão estar hoje 26 mil adeptos ingleses, o mesmo número esperado de portugueses.

 

Embaixadora britânica espera "magnífica festa de futebol" 

Por seu lado, a embaixadora britânica em Portugal, Glynne Evans, afirmou que "todos os jogos em que participa a selecção inglesa são de risco", mas disse esperar que o jogo desta noite seja uma "magnífica festa de futebol". Sobre os riscos de uma partida como a que se disputa hoje, Glynne Evans manifestou-se confiante no bom comportamento dos ingleses, bem como na actuação das forças de segurança portuguesas. Em relação aos desacatos que na primeira semana do Euro 2004 se registaram em Albufeira, Algarve, envolvendo cidadãos ingleses, a embaixadora disse lamentar, mas esclareceu que se tratou de "uma pequena maioria, que não estava ligada ao futebol".Glynne Evans lamentou igualmente a morte do cidadão inglês que na madrugada de terça-feira foi esfaqueado na Rua Augusta, em Lisboa, elogiando a este propósito a actuação do Instituto Nacional de Emergência Médica no seu socorro.