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Discurso de Sua
Ex.ª o Ministro da Administração Interna de visita à Direcção
Nacional da P.S.P.
Senhor Director
Nacional
Senhora e
Senhores Directores Nacionais Adjuntos
Senhores
Superintendentes Chefes
Senhores
Directores e Comandantes
Sras. e Srs.
Oficiais, Chefes, Subchefes e Agentes
Senhoras e
Senhores funcionários civis da PSP
Senhoras e
Senhores Jornalistas
Minhas Senhoras
e meus Senhores
É para mim um
prazer e uma honra visitar a Polícia de Segurança Pública na
qualidade de Ministro da Administração Interna. Pese embora não
seja a primeira vez que entro nas instalações desta Direcção
Nacional, por no passado ter exercido funções no âmbito da
segurança interna, é com o maior prazer que o faço hoje, na
qualidade de responsável pela tutela desta prestimosa e
prestigiada instituição, cuja origem remonta ao século XIX,
quando por decreto de El-Rei D. Luís de 2 de Julho de 1867, foi
criada a “Polícia Cívica”, corpo policial instituído em todos os
distritos e na dependência directa dos respectivos governadores.
Foi, porém, após a implantação da República, mais precisamente
pelo Decreto 4166, de 27 de Abril de 1918, que foi criada no
então Ministério do Interior uma direcção autónoma denominada
Direcção-Geral de Segurança Pública, que passou a superintender
nos serviços policiais e de segurança em todo o território
nacional. Mas apenas em 1922, com o Decreto 8435, surge pela
primeira vez a actual designação de Polícia de Segurança
Pública, com funções restritas à manutenção da ordem pública.
Senhor Director
Nacional
Agradeço,
penhorado, as palavras que teve a amabilidade
de me dirigir e aproveito para lhe reiterar a minha
confiança bem como a toda a Direcção Nacional.
Ao longo do tempo esta venerável instituição tem vindo a
prestar muitos e relevantes serviços ao
Estado e aos cidadãos, contribuindo de modo
decisivo para a nobre causa da segurança pública.
Hoje em dia o seu leque de competências
vai muito além do que lhe foi conferido pelo
legislador de 1922, tendo agora consagração constitucional,
sendo sua função defender a “legalidade democrática e
garantir a segurança interna e os direitos dos cidadãos”. A
prevenção de todo o tipo de criminalidade, designadamente
a organizada e o terrorismo, constitui agora um objectivo
fundamental da sua missão, tal como garantir a segurança
rodoviária e dos espectáculos desportivos e desempenhar funções
de protecção civil na área de socorro e ajuda às populações. As
atribuições no domínio da investigação criminal e na coadjuvação
das autoridades judiciárias são hoje muito amplas, estando a seu
cargo a realização da investigação material numa fatia
considerável dos inquéritos anualmente registados.
Relevante é,
igualmente, a sua participação em missões de paz em países
terceiros, quer sob os auspícios da União Europeia, quer de
organizações internacionais, missões que lhe granjearam
prestígio externo e contribuíram para o engrandecimento do nome
de Portugal no contexto das nações.
O elevado
profissionalismo e competência no capítulo da manutenção da
segurança e da ordem públicas ficou demonstrado, muito
recentemente, durante o Euro “2004” e o “Rock in Rio”, eventos
multiculturais de grande dimensão, em que o dispositivo montado
resolveu com eficácia todas as situações anómalas registadas.
O programa do
XVI Governo Constitucional define como grande linha condutora da
política de segurança a adopção de uma estratégia pró activa e
não reactiva, com o duplo objectivo de repor o prestígio e
autoridade do Estado e desmotivar e conter todas as formas de
delinquência.
Esta estratégia
que deve ser posta em prática, o mais rapidamente possível,
impõe a implementação de modelos de intervenção adequados, em
que se privilegie a abordagem sistémica e global do problema da
segurança e da criminalidade, em detrimento de outros em que se
exploram meros objectivos tácticos, específicos e limitados.
Os actuais
programas especiais de policiamento de proximidade (escola
segura, comércio seguro, idosos em segurança, segurança no
turismo, segurança nos transportes públicos de passageiros e
violência doméstica) deverão ser reestruturados e adaptados à
nova realidade criminal, passando a estar integrados numa
estrutura nacional de coordenação. De todo o modo, o objectivo
central será sempre colocar as pessoas no centro das
preocupações, agindo as forças de segurança em função das suas
necessidades e expectativas.
O novo contexto
económico, social e cultural implica, necessariamente alterações
do modelo de policiamento e de intervenção operacional. O actual
estado de coisas exige que avancemos para além do conceito de
“proximidade”, sem o pormos de lado, adoptando técnicas e
tácticas policiais mais adequadas a produzir melhores efeitos
preventivos. Na verdade, hoje aceita-se a ideia de que nas
grandes metrópoles e aglomerados populacionais os melhores
efeitos de prevenção e redução de criminalidade estão associados
a patrulhamento direccionado aos chamados “pontos quentes” da
criminalidade, efectuado em “horas quentes”. Ao contrário do que
se pensava, em cenários como os referidos, o comummente
designado por patrulhamento aleatório, baseado na ideia de
omnipresença da polícia como factor de prevenção e dissuasão,
tem efeitos quase nulos, contribuindo para a dispersão dos
recursos que, se concentrados na resolução de problemas
específicos de segurança teriam melhor eficácia. Outro tanto não
se pode afirmar para ambientes rurais ou urbanos de reduzida
expressão criminal.
Este
direccionando da actividade preventiva não é contraditório com o
desenvolvimento de uma política de proximidade, que passará pela
reformulação e reforço do conceito de “esquadra”, pois é esta
subunidade que serve directamente o público, constituindo a face
visível da segurança interna. São elas que melhor dão resposta
ao problema do sentimento de insegurança das populações.
Este tipo de
intervenção muito mais eclética impõe um reforço na área da
formação, sobretudo a de base, de modo a ajustá-la às
necessidades. Alguns programas deverão ser revistos e
actualizados de modo a habilitar os formandos com os
conhecimentos técnicos e policiais adequados. Este reforço da
formação deverá contribuir para um maior grau de
profissionalismo, de modo a adaptar a PSP ao desempenho de
funções bem mais exigentes do que as do passado.
Também a
orgânica da PSP carece de revisão, devendo estas novas
perspectivas ser levadas em conta nos trabalhos em curso. Devem
igualmente ser reavaliados os quadros orgânicos com vista a uma
gestão mais eficiente dos recursos humanos e materiais. Todo
este trabalho de reorganização passará, necessariamente, pela
introdução de critérios de gestão que contribuam para melhorar
as condições de exercício das funções policiais e para aumentar
a motivação do seu pessoal, condição imprescindível ao sucesso
de qualquer política no domínio da segurança interna.
A revisão dos
quadros orgânicos não poderá resumir-se à habitual admissão de
novos elementos, mas antes a uma gestão eficiente dos recursos
existentes, designadamente através da:
- Revisão dos
efectivos atribuídos a unidades especiais, dimensionando-os às
necessidades do país e rentabilizando os recursos que se
encontrem desaproveitados;
- Admissão de
funcionários civis;
- Atribuição do
efectivo das unidades de acordo com as suas funções e áreas
geográficas que cobrem;
- Outsourcing
das áreas funcionais consideradas não estratégicas, tais como as
messes e reparação de viaturas;
- Negociação da
dispensa de elementos afectados por deficiências físicas ou
psíquicas;
- Valorização
dos recursos apostando numa maior e melhor formação técnica.
Esta nova
política de gestão de recursos humanos implicará, como não pode
deixar de ser, a afectação dos agentes policiais a actividades
de natureza exclusivamente policial, substituindo os que
realizam tarefas administrativas ou auxiliares por funcionários
civis. Esta política já se iniciou, mas tem tido uma cadência
demasiado lenta, havendo por isso que acelerá-la de modo
definitivo. O Estado não pode continuar a investir na formação
de polícias, que depois são utilizados em tarefas não policiais,
que podem ser desempenhadas, com vantagem, por elementos sem
aquele tipo de formação. A proporção de funcionários civis na
polícia portuguesa corresponde à mais baixa da Europa, segundo
estatísticas do Conselho da Europa, cifrando-se abaixo dos 10%,
quando em países como a Áustria, Croácia, República Checa,
Estónia, Finlândia, Hungria, Noruega, Eslováquia, Eslovénia,
Suécia, Suiça e Reino Unido, essa percentagem é superior a 20%.
A este
propósito julgo não ser despiciendo referir que entendo não
haver actualmente carência de efectivos, sendo apenas necessário
proceder à substituição dos elementos que anualmente cessam
funções. Com efeito, segundo a mesma fonte estatística, Portugal
tem um dos maiores “ratios” policiais da Europa, fazendo parte
do grupo de Estados que contam com 400 a 500 polícias para
100.000 habitantes. Nos países nórdicos essa densidade é
inferior a 200 polícias para a mesma população. Este panorama
piora um pouco se tomarmos por base os dados do Banco Mundial,
que coloca Portugal na quinta posição entre 52 países, com 491
polícias para 100.000 habitantes (dados de 1998 – 2000).
Senhoras e
Senhores Oficiais, Chefes, Subchefes e Agentes
Sei que esta
instituição atravessa um período conturbado fruto de profundas
alterações introduzidas ao longo dos últimos anos na sua
estrutura orgânica e estatuto de pessoal. Preocupa-me,
sobremaneira, a situação profissional dos que há muito aguardam
promoção e, tendo direito a ela, não vêm o problema resolvido. É
uma situação injusta, que urge resolver, e que estou certo, será
levada a cabo com sucesso pela actual equipa directiva. Devemos
todos reconhecer que a PSP não estava devidamente preparada para
a realização de concursos curriculares, tendo essa impreparação
gerado situações que levaram ao adiamento da abertura de
concursos e posteriormente à sua anulação. Embora compreenda a
vossa inteira razão, não deixo de entender ser o mérito o
critério fundamental a eleger em qualquer processo de promoção,
independentemente de todos os defeitos que qualquer processo com
larga intervenção humana pode conter. Uma Polícia moderna e
eficaz como a que queremos, tem de vencer a ideia de que a
antiguidade é um posto, pois esse critério só premeia o
imobilismo e o conformismo paralisante, em vez da iniciativa e
criatividade indispensáveis aos desafios do futuro. A Polícia
que o povo português reclama é uma Polícia moderna, pró activa,
capaz de defender a população e prevenir e combater o crime.
Independentemente destes princípios que defendo e estou
convencido também serem defendidos por vós, estou disposto a
encarar outras soluções caso não seja possível resolver a
situação no actual quadro legal.
De qualquer
modo o sector de recursos humanos tem de ser urgentemente dotado
de um conjunto de juristas, com experiência na área, que consiga
levar um concurso até ao termo sem qualquer percalço.
Elementos
policiais e civis da Polícia de Segurança Pública
Com estas
palavras pretendi transmitir-vos uma mensagem de confiança;
confiança que não é só minha mas de todos os portugueses que vêm
na Polícia um esteio fundamental da sua segurança. São também
palavras de esperança; esperança numa Polícia de prestígio
reforçado, assente na competência, dedicação à causa pública e
profissionalismo dos seus Directores, Oficiais, Chefes,
Subchefes e Agentes.
Contarão sempre
com o meu respeito, compreensão e solidariedade nos bons e maus
momentos e podem estar seguros que tenho um enorme orgulho em
tutelar uma força de segurança tão prestigiada, interna e
externamente, reconhecida pela qualidade e excelência dos
serviços prestados à comunidade.
Bem hajam e um
óptimo trabalho.
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